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  • Transgressões

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    Transgressões
    Teatro Extremo | Roald Hoffmann
    2022 | 2006
    Teatro

     

    A nova criação do Teatro Extremo, inserida no seu projecto de falar sobre ciência, é uma peça escrita por um Nobel da Química que, pelos vistos, também gostava de teatro.

    Infelizmente esta interpretação almadense tornou-se um pouco bizarra. Trata-se, efectivamente, de uma peça sobre ciência e sobre o debate ético da ciência. Mas era patente que os actores desconheciam na totalidade o significado das coisas que estavam a dizer, ou então saberiam o que é uma citoquina e saberiam que se diz "imunitário".

    Também estranhei o cenário, porque não estava simétrico. Apesar disso ser provavelmente propositado, baralhou-me o campo de visão estarem os actores sempre a entrar e a sair sem nenhuma discrição, pois isso baralhava o foco do espectador.

    Assim, apesar do tema da peça ser bastante relevante, tornou-se um espectáculo um pouco aborrecido.

  • A Solidão das Horas

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    A Solidão das Horas
    Rutinaldo Júnior | O Grito
    Anos 90 | 2020
    Teatro


    A nossa amiga Marta ia apresentar um monólogo e assim que tivemos a oportunidade fomos ver! Fiquei muito surpreendida com tudo, desde o texto à evolução enquanto actriz da minha amiga, que foi extraordinaria.

    Esta peça fala dos delírios de uma amante abandonada no seu quarto, enquanto vê as horas a passar e tenta compreender a sua solidão e o porquê de ter sido desprezada. À medida que o texto decorre vamos aprendendo que esta personagem tem mais segredos dos que o que gostaríamos.

    Com uma encenação limpa, o espaço é todo dado à actriz, que num estando de constante emoção nos expõe o drama real desta personagem. Assim, temos uma peça altamente perturbadora, violenta e - sobretudo - realista, colocada nas mãos de alguém que conseguiu compreender na totalidade o drama contido neste texto.

    Fez-me apenas alguma confusão o relógio parado nas 5 horas, porque era enervante olhar para ele e não o ver a avançar.

    Assim, espero que todos possam ver esta peça, caso ela regresse!

  • A Estrada

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    A Estrada
    Jack London | Lagarto Amarelo
    1907 | 2020
    Teatro

    Fomos ver esta peça no Teatro Estúdio António-Assunção. Anteriormente tinha visto uma peça deste grupo de que gostei muito, por isso achei por bem ir ver esta. Fiquei agradavelmente surpreendida.

    O actor, enquanto Jack London, fala da sua estadia numa prisão e dos horrores a que assistiu durante os 30 dias que lá passou. O texto é brutal, maravilhosamente bem escrito. Em termos de interpretação, temos um excelente papel, embora pense que se poderia burilar os "diálogos" dentro do monólogo, por forma a ser mais simples de distinguir as personagens. O sotaque do actor era um pouco estranho ao início (sobretudo porque a tradução do texto era em português de Portugal), mas depois acabou por se integrar na história, como se o personagem fosse realmente um estrangeiro, um inadaptado, um desconhecido.

    Mas o que gostei mais foi da interacção do actor com o cenário. Com pequenos movimentos, e com um jogo de luzes perfeito, ele conseguia transformar o espaço em prisão, em cela, em tribunal, em tudo o que era necessário.

    E o final não poderia ser melhor. Afinal, aquela prisão foi apenas uma paragem na grande estrada da vida em que o personagem se encontrava. E a história continua. Não sabemos como nem onde, mas ela continua.

  • Final Feliz

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    Final Feliz
    Produções Acidentais
    2019
    Teatro

    Acabei agora mesmo de vir de o teatro, onde assisti a esta peça. Uma amiguinha dos Actos Urbanos era uma das actrizes, por isso estávamos todos ansiosos por a ver! :)

    As histórias infantis, romantizadas pela Disney e pelo beijo que indica um final feliz, nem sempre simbolizaram contos de amor e bondade. Na verdade, na sua concepção, incluem momentos terríveis, de dor e de violência, como que se a moralidade da história estivesse para além do seu encanto. Esta peça fala precisamente sobre o quão infeliz pode ser o final feliz, dependendo da perspectiva que se lhe dá.

    Gostei imenso deste texto e da maneira como foi interpretado. O texto, difícil, por vezes fechado sobre si próprio, coloca em comparação a figura da princesa (feminino) e do príncipe (masculino), rebaixando a fêmea a um ponto de consumo do macho, que beija para ter o reino, que beija pela consequência e não - ao contrário do que se poderia pensar - pelo próprio acto.

    Assim, temos momentos de uma violência extrema, embora discreta e disfarçada por todo o cenário colorido e idílico com flamingos cor de rosa. Apesar de a maior parte do tempo o público se risse sinceramente, não encontrei nenhum ponto de humor nesta peça: na verdade, a maior parte do tempo senti um puro horror pela ironia das situações.

    Fizeram todos um excelente trabalho e estão de parabéns!

  • Morugem

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    Morugem
    Alpha Teatro
    2017
    Teatro

    Quis ir ver esta peça porque, segundo dizia a sinopse na agenda do mês, era baseado num livro de Juliet Marillier de que eu havia gostado imenso. Ao chegar lá, aprendi que se tratava de um peça inclusiva (com pessoas amadoras de todos os tipos) e ao iniciar a peça, aprendi que foi baseada no único livro da trilogia de Marillier que ainda não li. -_- Portanto, foi uma grande frustração.

    Agora, sobre a peça... Não posso dizer que não tenha ficado desiludida. Se por um lado temos uma adaptação textual bem feita e uma encenação muito interessante, com uma utilização dos cenários e jogo de luzes muito inteligente, por outro lado temos interpretações fracas e pouco convincentes. Os actores vão evoluindo à medida que a peça vai decorrendo e vão ficando cada vez mais envolvidos nas suas personagens, mas o seu amadorismo é evidente, na medida em que a encenação formativa deveria ter dedicado um pouco mais de tempo a acertar certos detalhes, sendo o mais premente a própria presença em palco enquanto personagem.

    Devido a este facto, existem alguns elementos da história, como a passagem do tempo e a mudança de lugar, que podem ficar um pouco confusos, tornando a adaptação numa luta constante por identificar o espaço-tempo da história.

    Espero que, numa futura reposição, haja um trabalho mais dedicado ao aperfeiçoamento destes detalhes, pois temos aqui imenso potencial para uma peça extremamente interessante!

  • Rei Ubu

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    Rei Ubu
    Alfred Jarry/Teatro na Gandaia
    Texto - 1896/2017
    Teatro

    Perdi a primeira oportunidade de ver esta peça pois, pelo título e pelo cartaz, me havia convencido de que era uma peça infantil um pouco ridícula. Vim depois a saber, que embora seja admitidamente uma peça um pouco ridícula, é um clássico essencial da nossa cultura teatral, escrito no século XIX por Alfred Jarry. Por isso, não perdi a segunda chance: fui ver a peça ao Teatro-Estúdio António Assunção, ali ao fim da rua.

    Este é um texto violento e bizarro, que nos mostra como um incapaz pode estar agarrado ao poder como se de um parasita se tratasse, envolvendo-se em injustiças e guerras não justificadas com o único pretexto de conseguir cada vez mais riqueza para si, riqueza essa que não tem consequência para o futuro do personagem. Enquanto crítica social, esta peça é altamente rica em momentos que, sendo absurdos, não me pareceram altamente cómicos.

    Na verdade, confesso que me senti um pouco desconfortável com a abordagem que a encenação fez ao texto. O texto é, já de si, um pouco ridículo, com uns laivos de non-sense, mas pleno de uma agressividade não contida e apenas disfarçada pelo facto de os personagens serem tão bizarros. Mas a forma como o palco estava organizado, figurinos e a própria interpretação dos actores deu ao texto todo um contexto infantilizante que me pareceu um pouco gratuito e que tornou o texto ainda mais bizarro, mas de uma maneira que me chocou um pouco.

    Ainda assim, valeu a pena ir ao teatro nem que fosse para conhecer um texto clássico.
  • Daqui Ninguém Passa!

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    Daqui Ninguém Passa!
    Actos Urbanos
    2017
    Teatro

    Ainda incluído na Mostra de Teatro de Almada, fui ver esta peça juvenil a convite da sua dramaturga, que por acaso é a minha querida vizinha do segundo. :) Devo dizer que me diverti imenso e que, passados todos estes dias, ainda me rio cada vez que penso nisto!

    Inspirado num livro editado pela Planeta Tangerina no ano passado, esta peça conta-nos a história de um simples soldado que tem ordens de dividir o palco ao meio. E dali... NINGUÉM PASSA!Ora, o problema é que toda a gente precisa de passar para o outro lado, pelas mais diversas razõesrazões, desde encontrar o amor da vida até ir à casa de banho.

    De uma forma hilariante, muito dependente da biomecânica dos actores (que, diga-se de passagem, apesar da falta de experiência não estavam menos que brilhantes!), cada personagem ou grupo de personagens dá o seu melhor para passar para o outro lado. Até que, finalmente, com toda a naturalidade, um cão (o melhor papel!) faz o que tem a fazer. E assim se faz uma revolução!

    Uma forma simples e natural de mostrar a um público mais jovem como nos podemos revoltar contra o sistema, como podemos combater a autoridade e como podemos lutar por aquilo em que acreditamos. Um texto hilariante com actores no nível certo que puseram uma sala cheia a cantar FORA TEMER TIBÉRIO! =D
  • Circuito Habitual

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    Circuito Habitual
    Teatro Extremo
    2017
    Teatro

    Fui ao teatro com uma amiga! Esta peça está ainda no Teatro Estúdio António Assunção, pelo que recomendo vivamente que, havendo tempo, passem por lá para a verem. Afinal, foi uma peça surpreendente, de que gostei imenso!

    Num ambiente de distopia, um pouco recordatório de 1984, um homem faz denúncias daqueles que se manifestam contra o sistema, encaminhando-as pelo "circuito habitual". Mas hoje ele é chamado pelo seu novo superior: afinal, existe uma quantidade inusitada de queixas redigidas contra o próprio denunciador!

    O texto desta peça é interessantíssimo, assim como a forma como a encenação no-lo mostra. Temos um cenário minimalista mas muito eficiente e com alguma complexidade, que é usado na sua totalidade para transmitir um sentimento de opressão e, um pouco, terror. Também a sonoplastia contribui muito para este ambiente: se ao início parece estranha, como se houvesse algum erro a nível do sistema sonoro, rapidamente se entranha e dá toda uma outra dimensão à peça.

    Achei apenas que os actores poderiam ter tido uma melhor prestação, sobretudo o mais jovem. A sua dicção não era muito boa, pelo que se perdeu um pouco de detalhe do texto.

    De todos os modos, até gostava de ir ver esta peça outra vez, com outras pessoas! Recomendo vivamente!

  • CARNIVAL - Comei as Vossas Crianças

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    CARNIVAL - Comei as Vossas Crianças
    Produções Acidentais
    2012
    Teatro
    6 em 10

    Fui ao teatro na sexta-feira. Chovia torrencialmente, mas ainda assim lá fui jantar fora com R. e nos dirigimos para o Teatro Extremo, em Almada Velha, procurando abrigo e uma horinha de entretenimento. Lá chegados, venho a ler o folheto que nos deram. Estava lá escrito o que está na imagem que coloquei (até a pus um bocadinho maior do que o habitual, para poderem ler :) ). Posto isto, pensei logo no pior... "É daquelas peças para interagir". A sério, não gosto nada de peças de interagir com o público. Isto é, ser actor é giro, mas ser público nestas peças é um stress e um horror.

    Deram-nos umas fichas de poker à entrada, que deveríamos colocar em caixinhas em cada secção da peça. Para nos ajudar, tinhamos um assustador senhor de cartola que gritava "FICHAS". Tive medo dele e pus logo as fichas todas (eram três) na primeira parte da performance. Digo performance porque as primeiras três partes eram mais isso do que uma peça propriamente dita. Foram seguidos pelo monólogo "Comei as vossas crianças". Mas voltemos ao início.

    Assim que a primeira pessoa coloca a ficha, aparece numa salinha transparente junto ao tecto uma cigana a cantar o fado e a colar papéis no vidro. O fado era giro e teve um grande efeito inicial, mas tive pena de não poder ler o que quer que estava escrito nos papelinhos.

    De seguida, um corredor. Esperámos uma eternidade no corredor, em alegre converseta com um senhor que lá estava. Era para por outra ficha, mas eu não tinha mais... R. deu-me uma das dele e ficámos com uma cada um. Ao fundo do corredor, uma parede negra com um espacinho para espreitar. Do outro lado, a dançarina, ferida, fazia gestos, aproximando-se e afastando-se.

    Finalmente, entramos na sala de espectáculo propriamente dita. A última ficha é para colocar numas velinhas. O senhor de cartola ordenou que pusesse uma ficha, mas eu não tinha mais nenhuma. "Então tem de arranjar uma!" disse ele, com ar demoníaco. Não arranjei. As velinhas diziam artigos da constituição quando se punha a ficha, numa voz que - no folheto - vinha identificada como "voz do padre". Será que "voz de padre" é um epíteto específico? Um estereótipo? Estranho...

    Sentamo-nos e esperamos que todos cheguem para que comece o discurso. Uma deputada, falando para o parlamento, em texto traduzido de um autor que desconheço (mas que posso por aqui quando chegar a casa para ver o papel), declara que a solução para os nossos males é comer as crianças de todos os que não são ricos. Passa a descrever a indústria de carne, mas com crianças. Bem, esta parte teve piada. Fartei-me de rir, porque era tudo tão ilógico, e a imagem de "paté de crianças" pareceu-me absolutamente hilariante. A actriz podia ter estado um bocadinho melhor, apesar de se ter safado bem e se unir com o público, mas sem interferir connosco. Gostei muito quando todos bateram palmas a meio do discurso e ela conseguiu parar-nos com imensa classe e continuar.

    Finalmente saímos. Ainda falta a parte da dança... E eu só dizia "eu não quero dançar, eu não quero, eu não vou, eu tenho sono, eu não quero, eu não vou" Mas fui logo a segunda pessoa a ser chamada para dançar com um desconhecido (fugimos um do outro muito rapidamente). Depois dançámos em grupo numa rodinha. Nem estava com atenção à música, que era guitarra e voz, não me lembro sobre o que falava porque estava tão concentrada e tentar dançar sem pensar nos outros.

    Terminou com um copo de vinho no bar do teatro.

    No geral, gostei do conceito de "circo" que nos foi imposto, apesar de não me parecer adequado ter este e o discurso na mesma sequência, porque não tinham muito que ver um com o outro. Mas o ambiente foi interessante, apesar de não ter percebido bem as mensagens que pretendiam transmitir com cada secção. Era só pelo circo ou havia algo mais? Terei de debater. 

    Mas vou tentar ir mais vezes ao teatro. Confesso que já tinha muitas saudades.
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