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  • O Mistério da Estrada de Sintra

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    O Mistério da Estrada de Sintra
    Eça de Queiroz
    1870
    Folhetim


    Um romance editado em formato folhetim no jornal, que chocou a sociedade da altura que - patetas - achou que era tudo verdade.

    Fala de um mistério ocorrido na estrada de Sintra, em que um médico é raptado por uns misteriosos mascarados e se vê perante um cadáver. Não sabendo a identidade do falecido e chegando à conclusão de que se trata de um assassinato, iremos desvendar este mistério com recurso a outras personagens que, intrigadas e revoltadas, escrevem para o jornal para defender os acusados ou para confessar as suas acções.

    É muito divertido porque está escrito de uma forma muito desactualizada e, tal e qual, os hábitos e costumes são também muito demodé. À medida que o mistério se adensa, mais divertido vai ficando, porque a narrativa vai tomando uma proporção quase espectacular.

    O Eça é maravilhoso, e é uma pena que tenhamos sido obrigados a ler o livro mais secante dele na escola e que, por isso, ninguém goste dele.

  • Contos de Terror e Arrepios

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    Contos de Terror e Arrepios
    Bram Stoker
    Século XIX
    Contos


    Pequeníssimo volume com alguns contos de terror pelos dedos de Bram Stoker (autor do Drácula).

    As histórias são curtas e directas ao assunto, algumas mais assustadoras que outras mas todas elas com uma aura desactualizada mesmo à século XIX. A história que mais me impressionou foi a da gata, porque a violência perante os animais é injustificável e a gata tinha toda a razão.

    Uma nota para a péssima edição deste livro, cheia de gralhas e com uma textura de muito desagradável leitura.

    Foi um ápice ler este livro, que é curioso para aqueles que gostam do género.

  • Daisy Miller

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    Daisy Miller
    Henry James
    1879
    Novela


    Uma novela curta mas que custou a ler.

    Um bacharel está instalado na Suiça, onde conhece uma Americana giríssima de férias. Ela além de giríssima é também atrevida, pateta e irresponsável. Depois volta a encontrá-la em Roma, onde não corrigiu os seus vergonhosos hábitos.

    Este livro é um pouco aborrecido, porque está tão datado, mas acaba por ser um bom retrato do que é expectável das mulheres daquela época. Infelizmente, o que é expectável não corresponde à realidade que conhecemos hoje em dia, e por isso é muito difícil de nos colocarmos no lugar do protagonista, que observa a tal Daisy Miller como se fosse um bicho muito raro.

    O desfecho é trágico, mas a desgraçada da rapariga foi caracterizada de forma tão aversiva que nem sequer temos muita pena.

    Não recomendo.

  • Lord Jim

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    Lord Jim
    Joseph Conrad
    1899
    Romance


    Recebi este livro através do BookCrossing. Como gostei tanto do "Coração das Trevas", achei que este fosse semelhante. Mas foi a leitura mais aborrecida dos últimos tempos, e uma luta para a terminar.

    A história de Jim é narrada por um membro do seu clube de fãs, que o acha uma pessoa fascinante. Primeiro, o livro conta umas seis vezes seguidas, de diferentes formas, o acontecimento que tornou Jim famoso (ou infamoso), que foi um quase-naufrágio de um navio com peregrinos. Isto é extremamente aborrecido, porque a história percebe-se à primeira, e não era preciso repeti-la tantas vezes.

     Depois o livro continua a falar das aventuras de Jim, agora enquanto proprietário de uma aldeola perdida algures na floresta de Singapura, ou algo que o valha, e isto também é chato como a potassa.

    Odeio livros sobre barcos porque nem sei qual deles é a popa e qual é a proa, então esta leitura foi aborrecida, inútil e dolorosa.

  • Contos do Rei de Amarelo

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    Contos do Rei de Amarelo
    Robert W. Chambers
    1895
    Contos

    Comprei este livro nas promoções do Festival Contacto, portanto é como se tivesse comprado o livro no festival (que foi online) :)

    São quatro contos curiosos, contos de horror e fantasia, que envolvem todos um misterioso livro. Os leitores deste livro maldito serão atormentados pelo Rei de Amarelo, conforme se prova em cada uma das histórias.

    São contos muito dentro da sua época, com o tema recorrente das artes plásticas, mas são bastante interessantes na sua concepção. Inspiram alguns sentimentos contraditórios, de pena e pânico. A escrita é datada, certamente, mas bem traduzida.

    Gostei bastante deste pequeno volume, e recomendo.

  • O Grande Industrial

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    O Grande Industrial
    George Ohnet
    1882
    Romance

    Desta feita um romance de época, que nem por isso deixa de ser de faca e alguidar.

    O autor esforça-se por criar um debate entre a burguesia e a nobreza em falência, criando para isso uma improvável história de amor entre uma nobre convencida e um industrial simpático. E a questão que regressa sempre é: será que eles se vão amar?

    Se a história é simples e cheia de acasos convenientes, o mais interessante deste livro talvez sejam as descrições das roupas, lugares e acontecimentos, que caracterizam bem a época em que foi escrito. Assim, o livro acabou por ser bastante viciante e divertido.

  • O Monte dos Vendavais

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    O Monte dos Vendavais
    Emily Brönte
    1847
    Romance
    Nunca tinha lido este livro, mas já sabia tanto sobre ele, do início ao fim, que só me faltava mesmo isso: lê-lo! Foi uma leitura muito interessante, embora me deixe dúvidas quanto à sua condição de clássico da literatura britânica.
     
    É uma história de amores entrecruzados, tendo como foco pendular a presença de Heathcliff, um homem de tão mau carácter que fará tudo para arruinar as vidas dos nossos protagonistas. A história é narrada por uma criada e esta relata todos os horrores que estas famílias viveram, entre os primos que se casam, as mortes e vidas, e acima de tudo a vingança eterna de Heathcliff.
     
    Temos personagens que, embora um pouco melodramáticas, estão bem caracterizadas e encontram o seu espaço nesta história, enchendo-a de de detalhes psicológicos e mocionais. As descrições são vivas e a autora pinta um retrato do local de uma forma muito bela, apesar de os acontecimentos da história serem todos cada vez mais terríveis, causando grande sofrimento às personagens.
     
    Este sofrimento, causado sempre por Heathcliff, parece-me um pouco exagerado. Será possível existir alguém que não tenha um único ponto positivo em seu favor? Esta pessoa é tão tremendamente maldosa que se perde um pouco do realismo da história.
     
    Ainda assim, gostei bastante.

  • Amor de Perdição

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    Amor de Perdição
    Camilo Castelo Branco
    1861
    Romance 

    O que dizer de um romance que, logo pelo título, se vê que vai ser uma tragédia de faca e alguidar? Curiosamente, ainda não tinha experimentado este clássico da literatura portuguesa, pelo que acabaou por ser uma boa experiência de qualquer forma. :)

    Esta é uma história de amor, de triângulos e quadrados amorosos, em que tudo corre pior do que o esperado pela própria imaturidade dos personagens envolvidos. A progressão da história procura sempre comover o leitor (ou a leitora, na visão do autor), sendo que o final tem um exagero tal que quase se torna um pouco cómico.

    Ainda assim, o livro tem um certo sentido de humor, uma ligeira ironia presente em todo o lado, o que torna a leitura ligeiramente mais leve. Está tudo escrito de forma antiquada, o que é adequado à época, sendo que há aqui um bom relato dos hábitos e costumes do Portugal do século XIX.

    Por vezes a leitura foi um pouco densa, mas à medida que os personagens se vão desenvolvendo e a história se aproxima de uma tragédia inevitável tudo se torna mais interessante.

    A título de curiosidade, diga-se que esta história foi baseada em factos reais, ocorridos com o tio do próprio autor. :)

  • Ondas e Outros Poemas Esparsos

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    Ondas e Outros Poemas Esparsos
    Euclides da Cunha
    1880s
    Poesia

    De seguida, li este curto livro de poemas. Detestei.

    Este é um importante poeta e autor brasileiro que esteve envolvido em movimentos revolucionários, na sua época antiga. Este livro reúne alguns dos seus poemas da juventude. Mas o problema dele é precisamente isso: são poemas da juventude.

    Nunca confiem nos vossos poemas adolescentes. Não são especiais, mesmo que vocês sejam o Euclides da Cunha. Especialmente se tiverem vivido em finais do século XIX.

    Porque estes poemas são exagerados, foleiros, lamechas, plenos de uma linguagem desactualizada mesmo dentro da sua própria época, sem qualquer tipo de modernidade ou objectivo lírico sem ser um exibicionismo fremente e um mostrar de todos os talentos rímicos plenos de imaturidade.

    Nem sequer escolhi um para vos citar, porque odiei todos em igual medida.

    Nada mais tenho a dizer.


  • A Enfermaria Nº6 e Outros Contos

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    A Enfermaria Nº6 e Outros Contos
    Anton Tchekov
    Contos
    1880s

    Outro livro apanhado aleatoriamente num jardim!

    Já havia lido um dos contos deste volume, mas voltar a Thekov é sempre e sempre um imenso prazer. Este senhor escreve com uma naturalidade indescritível, relatando-nos acontecimentos da vida normal da Rússia do século XIX sem qualquer tipo de pretensão. O autor limita-se a narrar-nos os acontecimentos, descrevendo tudo com destreza e clareza, sempre com uma certa dose de humor que, bem disfarçada, acaba por se tornar evidente na forma como cada história se torna prazerosa para o leitor.

    Este livro tem nove contos:

    "A Enfermaria Nº6" fala-nos de um médico pouco adequado à cidade que o rodeia que acaba por encontrar companhia na presença de um louco, tornando-se ele próprio louco. Há aqui uma belíssima desconstrução de personagem, que passa rapidamente da normalidade à maluquice, sem nunca compreender exactamente qual o seu verdadeiro problema.

    "Vizinhos" não me marcou, sendo que "Dô-Doce" nos mostra uma personagem fascinante pela sua incapacidade de resistir à manipulação emocional e intelectual. 

    "Um Assassinato" é um conto longo sobre a vida familiar de um grupo de religiosos um pouco histéricos e vale mais pelas descrições dos seus ritos. 

    Todas as histórias seguntes ("O Mendigo", "Sem Título", "O Adulador", "A Boticária" e "Uma Corista") são muito curtas mas, de todos os modos, fascinantes na forma como inesperadamente os personagens são diferentes do que aquilo que esperamos, sempre com uma pequena veia cómica pulsando na escrita do autor.

    Enfim, Tchékov nunca desaponta!
  • O Último Dia de Um Condenado

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    O Último Dia de Um Condenado
    Victor Hugo
    1829
    Romance

    No mesmo dia em que encontrei aqueles livrinhos abandonados que falei antes, fui passear com o Qui a um jardim em Lisboa. Subitamente... "Achei um livro, este é meu!", diz o Qui! E à medida que fomos vendo o jardim... Fui encontrando cada vez mais livros! Trouxe quase todos, até que descobri que fazia tudo parte de uma libertação em massa ao estilo BookCrossing, mas organizado pela biblioteca da zona :)

    Li este primeiro e devo dizer que gostei bastante.

    Trata-se de uma reflexão sobre a pena de morte e o desespero que pode daí advir, narrada pelo próprio condenado nos momentos que precedem a sua execução. O autor narra, através deste personagem anónimo, os horrores da prisão para trabalhos forçados e a serenidade que um homem pode manter perante semelhante situação, que se vai desfazendo à medida que o momento fatal se aproxima. É interessante e belo ler os sentimentos do personagem em constante mutação, desde a aceitação inicial, ao pensamento da fuga, passando pelo desespero final em que há um último pedido de absolvição.

    A situação que mais me tocou terá sido, sem dúvida, o momento em que o narrador se encontra com a sua filha de três anos, que não o reconhece, estabelecendo assim uma divisão profunda entre o condenado e aquilo que lhe resta da humanidade do seu passado.

    Como extra, temos um conto curto chamado "Claude Gueux", em que o autor faz um breve manifesto sobre a necessidade actual (dentro da época) de educar as populações de forma a evitar crimes, estabelecendo a realidade num personagem que deita tudo a perder devido à sua própria simplicidade. De certa forma, semelhantes palavras ainda se mantém actuais: se educarmos, reduziremos certamente todos os crimes. Não poderei é concordar na bíblia como livro essencial, mas prontes, deixa estar, é o século XIX em França.

    Agora não sei o que fazer com o livro, se o hei-de por a circular, se o devolvo à biblioteca, se o liberto no mesmo sítio... Ideias? :)

  • Lord Jim

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    Lord Jim
    Joseph Conrad
    1900
    Romance

    Este livro apareceu num tópico do BookCrossing, numa lista de leitura recomendada para "quem deseja tornar-se uma pessoa melhor". Assim, quando o vi na Feira do Livro, decidi comprá-lo para poder fazer um Ring. :) No entanto, começo a arrepender-me, porque foi muito caro para o estado em que estava (a capa toda rasgada, que ainda tenho de fita-colar) e porque não correspondeu em nada à expectativa criada pela tal lista.

    Para começar, encontramos um personagem que já conhecia de outra leitura: Marlow. Esta pessoa está a contar a um grupo de marinheiros a história de Jim. E a história de Jim começa num barco. Ora, eu não aprecio de todo histórias náuticas. Isto porque não percebo nada de barcos, não sei sequer qual é a proa e qual é a popa. Por isso, nunca consigo visualizar o que eles estão a fazer nos barcos. Este momento inicial prolonga-se por mais de metade da narrativa e muito pouco é revelado sobre o personagem de Jim. Apenas sabemos que ele tem uma coragem infinita, não tem medo de nada, mas apesar de tudo vacilou quando imaginou uma coisa e fugiu. Agora, tem medo que o achem cobarde.

    Até aqui tudo bem, pode ser que eu aprenda a ser uma pessoa melhor quando Jim se instalar em terra. Jim instala-se numa aldeia indígena e torna-se uma espécie de líder não oficial desta. Mas continua sem haver nenhuma referência à fraternidade, amizade e felicidade que a lista nos propunha. Depois, corre tudo mal e acaba-se a história de Jim.

    Enfim, é uma história longa contada por um personagem sem muito que fazer (e que gosta de contar histórias), em tudo semelhante ao já referido "Coração das Trevas". Acaba por tornar-se maçuda, repetitiva... Afinal, todas as pessoas que encontram Jim parecem extremamente surpresas pela sua candura, inocência e coragem imensa. Mas o personagem acaba por se reduzir a estes elementos e não me consegui conectar com ele.

    Apesar de tudo, os meus amigos BookCrossianos poderão gostar deste livro. Assim, farei um ring para eles. :)

  • Contos Escolhidos

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    Contos Escolhidos
    Anton Tchekhov
    Século XIX
    Contos

    Esta é a minha primeira leitura dos livros da Feira do Livro. Apesar de já ter um volume de contos deste autor, adorei a edição e a capa e tomei o cuidado de ver no índice que ainda não tinha lido quase nenhum destes contos.

    São simplesmente fascinantes.

    Através de um olhar irónico e quase surrealista, Tchekhov observa os hábitos e costumes da Rússia da sua época, levando os seus personagens a tomar as atitudes mais humanas e lógicas dentro do contexto de cada conto. As suas palavras revelam uma grande paixão pela escrita e pela vida em geral, sendo que temos contos com temas muito variados mas que, apesar de tudo, nos mostram o que é viver enquanto pessoa numa sociedade que - por vezes - quase não se identifica como humana.

    Assim, temos contos sobre raparigas infelizes, sobre homens que perderam membros da família. Sobre um cão. Temos até um conto só sobre comida! E as pessoas destes contos vivem como se, realmente, tivessem existido realmente e tudo isto não passe de uma biografia colectiva de um mundo que já se perdeu.

    Confesso que me soube a pouco e que queria ler ainda mais contos deste autor. Mas, se calhar, vou procurar antes as suas peças. :)

  • Barry Lyndon

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    Barry Lyndon
    W. M. Thackeray
    1844
    Romance

    Comprei este livro (com uma edição diferente da desta imagem) na Feira do Livro, por influência do Qui. Bem, mais ou menos. Algum tempo depois de ver o filme fiquei sabendo que é um dos preferidos da personagem em questão. Assim, quando vi o livro à venda, pensei em cultivar-me e ver esta outra perspectiva.

    Em comparação com este livro, o citado filme toma muito poucas liberdades, embora tenha identificado três momentos chave em que Kubrick interpretou os eventos de maneira muito diferente. De resto, é um retrato muito fiel desta narrativa.

    De resto, trata-se de um conjunto de memórias de vida de um fidalgo imaginário. Este homem é, supostamente, um nobre arruinado e sem nome, mas que tudo faz para recuperar os seus domínios e enriquecer. Infelizmente, tem uma tendência enorme para esbanjar o dinheiro (somas avultadas) que vai adquirindo em coisas perfeitamente inúteis, como a renovação megalómana de um castelo, roupas da moda ou, simplesmente, em apostas que vai perdendo ou ganhando conforme a sua sorte.

    O livro é narrado pelo próprio personagem, que se refere a si próprio sempre com grandes atributos. Mas à medida que a história vai acontecendo, vamos percebendo que este homem não é propriamente uma boa pessoa. Com isto, temos momentos de muito humor e que me levaram mesmo a algumas gargalhadas públicas enquanto lia o livro no autocarro.

    Trata-se também de uma sátira disfarçada à nobreza deste século, em que se coloca em oposição esta nobreza "falsa" contra a verdadeira, a dos príncipes e princesas que, essencialmente, ignoram o personagem apesar de este não o admitir.

    Um livro muito divertido, cujo filme complementa. E, depois de o ler, percebi como a banda sonora deste era perfeita!
  • Drácula

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    Drácula
    Bram Stoker
    1897
    Romance

    Tinha este livro no Kobo, mas a versão que arranjei não era legível (só números e símbolos). Assim, pedi-o emprestado no BookCrossing e fui logo atendida por querida pessoa. :)

    Trata-se de um romance gótico bastante típico da sua época, o século XIX, relatando a história daqueles que destruíram o vampiro original, Conde Drácula. A história é contada sob a forma de diários de vários personagens, que se seguem uns aos outros de forma cronológica constituindo uma espécie de "ficheiro" informativo do que terá acontecido, realidade ou ficção.

    O estilo é clássico e refinado, sendo que cada personagem tem a sua própria voz e a sua forma de escrever, de forma a que conseguimos distinguir cada parte facilmente. A narrativa em si é bastante linear, por vezes altamente descritiva, podendo cair no exagero sentimental.

    Notemos que o autor terá feito uma prolongada pesquisa sobre o folclore de zonas circundantes da Transilvânia, onde estaria situado o castelo do monstro. Assim, apesar de se tratar de um mito, a personagem de Drácula aparece perfeitamente caracterizada, com contornos muito específicos e extremamente realistas, que trazem comoção em alguns momentos da leitura em que nos arriscamos a perder personagens queridos. Gostei muito de Drácula em si, pelas suas capacidades sobrenaturais e pelo seu fluente diálogo, que pode por vezes ser até mesmo assustador.

    Apesar de a narrativa dar muitas voltas e haver muitos percalços para resolver a todo o momento, o que pode tornar o livro um pouco fastidioso, gostei imenso desta história! Agradeço imenso à emprestadora, porque valeu muito a pena lê-lo. :)


  • O Moinho à Beira do Rio

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    O Moinho à Beira do Rio
    George Elliot
    1860
    Romance

    Variemos um pouco o estilo literário e viajemos até à época vitoriana. Que, como caracterizei no outro dia, era habitada por umas pessoas muito grunhas.

    Este romance acompanha a vida de dois irmãos, nas suas aventuras e desventuras, na bonança e na pobreza, em amores e desamores, fazendo um retrato mais ou menos fiel da sociedade da época. Infelizmente, na sociedade da época, era toda a gente chata como só. Não se podia fazer nada.

    A primeira parte é um aborrecimento muito grande, pois fala de uma infância assim como assim feliz, mas cheia de regras. A partir do momento em que os nossos personagens vão crescendo, a coisa começa a ter um pouco mais de interesse. Mas o estilo, altamente floreado e cheio de elocuções morais que não interessam nada para o contexto da história, torna tudo numa aventura bastante maçadora.

    Os personagens têm atitudes estranhas e erráticas, movidos pelas suas "emoções" que, pelos vistos, são também estranhas e erráticas. A autora (George Elliot é uma mulher) aproveita o facto de os personagens tomarem estas acções para as criticar ou para falar de grandes momentos moralistas religiosos que não trazem nada de novo. 

    O livro é feito de muitos diálogos, que me pareceram bastante improváveis (embora não duvide que nesta época grunha as pessoas falassem realmente assim). Talvez a parte mais divertida sejam todos os diálogos com Bob, o bufarinheiro, que de entre todos parece ser a pessoa mais normal.

    Enfim, valeu a pena ler para conhecer um pouco mais da literatura da época e ficar a saber mais um clássico, mas não posso dizer que tenha gostado...
  • Nossa Senhora da Atalaia

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    Narrativa Histórica da Imagem de Nossa Senhora da Atalaia Que Se Venera Na Capela Sita No Monte D'Atalaia Do Concelho de Aldeia GAllega do Ribatejo
    Padre Manuel Frederico Ribeiro da Costa
    1887
    Narrativa Histórica (?)

    Sim, eu sei que a questão que paira aqui é "wtf". Mas também recebi este livro no concurso de que falei e decidi que os ia ler todos. Ainda me falta um, mas como é daqueles livros guias de imagem não o levei (não cabe dentro da mala)

    Esta narrativa histórica, ou o que seja, é estranhamente divertida. Um padre lá no tempo da maria cachucha pensou que seria boa ideia relatar em todos os detalhes coisas sobre a vida e obra da Nossa Senhora da Atalaia, que vive confortavelmente na Atalaia.

    é a prova essencial e única de que realmente esta gente não tinha mesmo nada que fazer. Lê-se rápido porque grande parte do livro é um inventário dos objectos que a Nossa Senhora da Atalaia tinha e de todos os seus serviçais. Ela até tinha uma ama para a vestir e dar-lhe banho. Ficamos a saber que esta Nossa Senhora gostava muito de pinheiros, voltando a pô-los no sítio quando eram cortados ou dando diarreia a todos os lenhadores.

    A parte que gostei mais foi a descrição detalhada de todas as trinta e tal romarias que se faziam ao longo do ano, em que pessoas de Sintra, Alhos Vedros e terras perdidas para os lados de Viseu iam visitar a senhora e pedir gentilmente alguns milagres. Mais uma vez a prova de que não havia entretenimento válido nesta época, já que iam todos em romaria em vez de fazer coisas úteis, como inventar a fotografia a cores.

    Nem sei o que faça a isto, acho que vou oferecer ao meu pai, que é capaz de achar piada.
  • Rebeldes

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    Rebeldes
    Anna Godbersen
    2007
    Romance

    (Só encontrei a capa da edição brasileira, em que o livro se chama "Luxo", de acordo com o título original, e não "Rebeldes", de acordo com a ideia senil de um qualquer tradutor)

    Recebi este livro a propósito de um BookRing do Dia dos Namorados. Veio com uma caixinha de chocolates que instigou uma dose pequenina e saudável de ciúmes e muitos coraçõezinhos de cartolina vermelha. Roubei um para o oferecer, mas são tantos que acho que não faz mal. Ao ler a sinopse não me senti minimamente motivada: "(...)destinada a um público juvenil e eminentemente feminino." Não tem muito a ver com as minhas preferências. Mas já que aqui estava, li-o. E li-o de uma ponta à outra sem tempo para pausas!

    Este livro fala dos poliedros amorosos na alta sociedade de uma Nova Iorque do século XIX. Muitos vestidos, pessoas muito ricas, casamentos por interesse, o amor e os desamores... Muitas formas geométricas no que respeita a relações. Os personagens estão bem estabelecidos, mas poderiam ser um pouco mais fortes na sua génese. Isto é, cada um é um elemento definido na trama, mas a sua descrição limita-se a alguns traços que, sendo fortes, não são o suficiente para dar um fundo de verdade a estas pessoas.

    As descrições são parcas, o que neste tipo de livro torna as coisas um pouco complicadas. Pessoalmente, não tenho bem a noção de como era a moda americana do século XIX. Portanto quando me dizem "um vestido com cauda de peixe às bolinhas amarelas" eu não o consigo visualizar.

    A história é muito romântica, perfeita para o tema dos Namorados. Este livro é uma série e, quando estava a meio, pensava "isto é demasiado fútil para me interessar", mas a verdade é que termina em tal precipício que fiquei com vontade de ler o resto!
  • 0
    António Nobre
    1892
    Poesia

    Aqui está o livro que ficou para trás, como tinha comentado na minha última resenha.

    Este livro veio-me parar às mãos no meio dos livros da Convenção do BookCrossing. Olhei para ele, vi que era poesia e pensei... Porque não? E porque não mesmo! Então, na minha viagem para o Porto, estive a lê-lo.

    Se alguma vez li poesia do século XIX deve ter sido há muito tempo, porque já não estava habituada. Num prefácio de vinte páginas plenas de erudição patega, o amigo do Anto (António Nobre) diz que este é o livro mais triste do mundo. Só me resta concluir que no século XIX não havia grandes razões para estar triste, porque os poemas são de uma futilidade plena e admitida. O tema é sempre o mesmo: tem saudades de casa. Na altura não havia skype por isso compreende-se, mas acaba por ser repetitivo. Os poemas mais interessantes são aqueles que se afastam do tema e mostram uma melancolia um pouco mais peculiar, de nota o desejo constante da morte.

    Vou oferecer este livro a um amigo que acho que o vai achar engraçado (eu achei, porque está tão desactualizado!), mas deixo-vos aqui um poema que marquei com um bilhete da TST:

    Balada do Caixão

    O meu vizinho é carpinteiro,
    Algibebe de Dona Morte, 
    Ponteia e cose, o dia inteiro,
    Fatos de pau de toda a sorte:
    Mogno, debruados de veludo,
    Flandres gentil, pinho do Norte...
    Ora eu que trago um sobretudo
    Que já me vai aborrecer,
    Fui-me lá, ontem (era Entrudo,
    Havia imenso que fazer...)
    - Olá, bom homem! quero um fato,
    Tem que me sirva? - Vamos ver...
    Olhou, mexeu na casa toda.
    - Eis aqui um e bem barato.
    - Está na moda? - Está na moda.
    (Gostei e nem quis apreçá-lo:
    Muito justinho, pouca roda...)
    - Quando posso mandar buscá-lo?
    - Ao pôr do Sol. Vou dá-lo a ferr:
    (Pôs-se o bom homem a aplainá-lo...)
    Ó meus Amigos! salvo erro
    Juro-o pela alma, pelo Céu:
    Nenhum de vós, ao meu enterro,
    Irá mais dândi, olhai! do que eu!
  • Contos de Tchékov

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    16/16
    Houve aqui um erro. A verdadeira review 16 era para ser uma coisa totalmente diferente e original, algo que nunca fiz e provavelmente não voltarei a fazer, mas não consegui terminar o material em causa em tempo útil. Assim, fica a review do último media a ser utilizado na Twilight Zone, terminado no aeroporto.

    Contos
    Tchékov
    Contos
    1880s

    Comprei este volume, capa dura em cabedal, por um preço ridículo num sebo. Um sebo é como um alfarrabista, mas 700 vezes maior e com livros modernos e com livros interessantes. E existem por todo o lado.

    O volume que obtive contém seis contos:
    • O Beijo
    • Kashtanka
    • Viérotchka
    • Uma Crise
    • Uma História Enfadonha
    • Enfermaria Nº6
    Seguidos de umas poucas páginas com comentários históricos e editoriais.

    Este autor, do qual eu apenas tinha ouvido falar, revelou-se interessantíssimo. A escrita é muito sensível e contemplativa e há uma utilização de descrições metafóricas e eficazes do ambiente para caracterizar os sentimentos dos personagens e a sua posição emocional.

    Os contos contêm críticas sociais acutilantes mas discretas, que terão passado desapercebidas à censura da época mas que ainda assim existem e são muito fortes.

    O meu conto preferido foi Kashtanka, seguido de Uma História Enfadonha e Enfermaria Nº6. O primeiro fala sobre uma cadelinha que se perde e é feito na perspectiva da dita cuja, o que torna o conto muito engraçado e quase infantil, mas ainda assim fervendo de emoções.

    Desejo ler mais Tchékov no futuro e estou extremamente curiosa em relação ao seu trabalho de dramaturgia. Recomendo este autor.
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