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  • A Matéria Intensa

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    A Matéria Intensa
    Eugénio Lisboa
    1985
    Poesia


    Livro de poesia que o meu pai me ofereceu tendo em vista a sua colocação no BookCrossing. 

     É um livro curto, com poemas simples, quase todos com rimas muito básicas e estruturalmente clássicos. Assim, a leitura não é especialmente prazerosa, pois os temas são desactualizados e baseados num conjunto de ideias base com as quais discordo fundamentalmente.

    O primeiro conjunto de poemas, sobre a morte, marcou-me bastante, mas o resto do livro falha em grande. Lá irá ele viajar, para o primeiro que o apanhar!

  • Casos de Direito Galáctico

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    Casos de Direito Galáctico e Outros Textos Esquecidos
    Mário-Henrique Leiria
    1975
    Textos
    Quando comprei este livro no Fórum Fantástico de 2019, realizado na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, confesso que não esperava mais do que o normal. Mas o que é o normal? Quando falamos de fantasia, não deveríamos dizer… O “paranormal”?

    “Casos de Direito Galáctico e Outros Textos Esquecidos” é uma edição E-Primatur que reúne num volume alguns textos de Mário-Henrique Leiria, mestre do surrealismo dos anos 70 e 80. Tem poesia e alguns textos de prosa, ricamente ilustrados por vários artistas e fotógrafos.

    A sua poesia é crítica e ácida, dotada de um sentido de humor que só pode pertencer a um puro observador da realidade. Apesar de muitas vezes nos falar de situações que existem apenas na sua imaginação, existe um dos volumes presentes neste livro que é um retrato tão simples como inteligente da realidade lisboeta da época, que ainda por cima é complementada tão bem com uma série de fotografias que de onde o autor retira a sua inspiração para os versos entrecortados que as descrevem.

    Já os textos em prosa são de dois tipos: os Casos de Direito Galáctico, pura ficção científica plena de humor e recheada de uma imaginação sem limites, e “O Mundo Inquietante de Josela”, que falam da vida de um narrador com a sua esposa Josela e os seus mamutes. Estes textos são hilariantes, na medida em que falam de assuntos impossíveis, verdadeiro surrealismo que muitas vezes me deixou a pensar na improbabilidade narrativa que aqui se passa.

    Um livro que achei brilhante e que guardarei com muito carinho!
  • An Electric Sheep Jumps to the Greener Pasture

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    An Electric Sheep Jumps to the Greener Pasture
    Tyler Atwood
    2014
    Poesia
    Um livro de poemas que recebi através do BookCrossing.

    Há muito tempo que não lia poesia e este encheu-me as medidas. Penso que é o livro de poesia mais recente que li até agora, apesar de já ter cinco anos, e nota-se pelo conteúdo. Dotado de uma modernidade acutilante, cada poema fala-nos do âmago do autor, das suas dúvidas relativamente a si próprio e ao mundo. E isto de uma maneira plena de humor e ironia, que torna cada poema único e unicamente só.

    Existem referências ao passado próximo, isto é, ao passado da infância do autor que não é assim tão remota. Outros falam do presente, sempre actualizado, com referências ao mundo digital e àquilo que as pessoas fazem dele. Ainda outros falam do futuro e de como este é pessimista, tecnológico e pleno de brutalismo.

    Gostei imenso deste livro e gostaria de o recomendar a todos.
  • Os Cães Ladram Facas

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    Os Cães Ladram Facas
    Charles Bukowski
    2018 (Antologia)
    Poesia
    Se há quem diga que o poeta é um fingidor e que a sua vida normalmente e naturalmente é bastante pacata e isolada, Charles Bukowski é a famigerada "excepção à regra" que tem de nos vir incomodar. Porque temos uma pessoa feia, traumatizada, violenta e muito bezana que escreve exclusivamente sobre esses temas e sobre outras coisas bezanas. E que o faz de uma maneira fantástica.
     
    A poesia de Bukowski, que experimentei pela primeira vez com este livro (que li todo de uma assentada, diga-se de passagem) é violenta, estranha. É directa, um discurso dirigido com exactidão a um leitor imaginário que, certamente, tem tanto ódio dentro de si como o autor. Ele não se faz rogado em criticar e violentar com palavras todas as coisas que desconsidera ou despreza. Bukowski despreza muita coisa. Os sóbrios, as mulheres, os ricos, os convencidos, os petulantes, os outros escritores.
     
    Apesar de ser uma pessoa execrável, os seus poemas contém uma beleza bizarra, uma pequena emoção que se esconde atrás de um não-verso. Um pequeno detalhe que demonstra, de forma sincera e agressiva, o que o autor realmente sente sobre o assunto, uma profunda infelicidade disfarçada de indiferença e de bom humor.
     
    Uma boa antologia e fiquei com vontade de ler mais da (vasta) obra do autor!

  • Poemas Escolhidos

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    Poemas Escolhidos
    Carlos Simão José
    1990
    Poesia

    Este é um livro importante, pois reúne alguma da poesia de um membro afastado da família, o irmão do meu falecido avô materno.

    São poemas muito simples e directos, com rimas fáceis e que bem combinam. Os temas são a própria identidade do autor e a sua relação com a sociedade que o rodeia.

    Assim, temos um conjunto de poemas curtos, na maior parte das vezes, que transmitem com uma perfeita exactidão o sentimento do autor em relação a si próprio. Partilha, então, um sentimento de ausência e de auto-aceitação enquanto pessoa frágil e imperfeita.

    Partilho como imagem de abertura desta entrada o poema que mais gostei de todo o livro. Umeu simples, directo, com um sorriso de contemplação. :)

  • Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica

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    Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica
    Natália Correia
    1966
    Livro

    Um livro interessantíssimo que surgiu na minha TBR. 

    No perigo que era para a cultura a década de 60 em Portugal, Natália Correia eleva a sua voz de artista para compilar, num extenso e muito detalhado trabalho de pesquisa, o melhor que a poesia nacional tem para oferecer dentro deste tema. E o tema.... Bem, o tema tem tanto de delicado como de divertido! Poesia erótica e satírica, dois géneros difíceis de distinguir às vezes, aqui reunida para a análise do imprevisto leitor.

    Temos poesia desde o século XIII até a autores contemporâneos, muitos deles ainda vivos na altura em que o livro foi lançado. A autora faz questão de nos explicar o contexto histórico e as significações escondidas em cada poema, o que torna este livro valioso para quem quer aprender um pouco da história da nossa literatura.

    Quanto aos poemas... Fartei-me de rir com a maior parte. Tudo começa com cantigas de amigo, passando para estilos clássicos e terminando em ponto de honra com a poesia moderna, crua, aleatória e disforme.

    Deixo-vos um dos poemas de que mais gostei, para aguçar a imaginação!



  • Viola Delta XXXIII

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    Viola Delta Volume XXXIII
    Edições MIC
    1978
    Poesia

    Estranha edição fascicular que encontrei na minha lista de leitura corrente, com um poema de um familar de um familiar.

    É uma antologia de poesia moderna, para os anos 70, na maior parte das vezes altamente politizante e surreal. A qualidade é bastante variada, pois temos autores muito diversos, sendo que alguns têm uma voz um pouco infantilizante enquanto que outros se imergem em imagens altamente sensuais e muito violentas.

    É um livro bastante curioso devido à sua estrutura e ao seu conteúdo, que tem um contexto histórico altamente relevante no universo da edição independente e da zine enquanto publicação regular. Gostaria muito que este tipo de revista ainda fosse relevante nos dias de hoje.

    Um excelente achado, do qual vos deixo a fotografia de um lindo poema, que se chama "Fase Oral":


  • A Única Palavra

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    A Única Palavra
    Sarah Adamapoulos
    2017
    Poesia

    Como alguns (poucos) de vós saberão, tenho uma amorosa vizinha que tem a minha profissão de sonho: é escritora. A propósito de ter ido a casa dela por uma outra ocasião, ela presenteou-me com a sua mais recente edição. Trata-se de um poema em onze partes que forma, em si, todo um livro.

    Se à primeira vista podemos pensar que um poema não passa de um poema, que um poema não passa de um reflexo de um sentimento colocado sob um conjunto de palavras em cadência, "A Única Palavra" vem a revelar-se um pouco mais que isso. Isto porque, apesar de - realmente - ser uma sucessão de sentimentos, opiniões e fragmentos de imagens, é um texto passível de uma análise bastante mais detalhada e diversas leituras.

    Isto é, é um poema que não tem um significado linear e necessita da avaliação das suas várias camadas para uma compreensão total e emocional. Fiquei surpreendida e arrebatada pela violência deste livro e estou ansiosa por o poder ler de uma outra perspectiva mais oral, de forma a compreendê-lo um pouco melhor.

    Por isso, Sarah, obrigada pela oferta! <3

  • A Pedra e a Água + Síntese Poética

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    A Pedra e a Água + Síntese Poética
    Rui Ferreira Bastos
    1995 & 2005
    Poesia

    Na minha TBR encontram-se livros tão inusitados que uma pesquisa do google não me devolve nenhum resultado sobre eles. Estes dois pequeníssimos volumes referem-se a dois livros de poesia, um original e uma antologia, escritos pelo pai de um membro da minha família. Li-os com todo o cuidado e, por isso, farei apenas um brevíssimo comentário.

    A Pedra e a Água sente-se como um livro de referência no universo deste autor, que segundo consta teve uma rica actividade em termos poéticos. São poemas normalmente bastante curtos, que transmitem uma série de emoções primordiais, fazendo uso de uma especulação tanto visual como auditiva que nos permite captar uma variedade de sentimentos, muito relacionados com a ausência e uma certa melancolia.

    Síntese Poética é uma compilação organizada pela Câmara Municipal de Oeiras e reúne alguns dos melhores poemas do autor, sendo que alguns já estavam contemplados no livro anterior. Este livro pareceu-me uma edição mais fraca, sobretudo em termos visuais.

    Foi uma boa experiência e, agora, fiquei com pena de não ter realmente conhecido este senhor. :)
  • Federico García Lorca - Antologia

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    Federido García Lorca - Antologia
    Federico García Lorca
    Anos 20
    Poesia

    Esta é uma antologia poética do autor espanhol que compreende três dos seus livros: "Romancero Gitano", "Poeta En Nueva York" e "Llanto por Ignacio Sánchez Mejías". É uma edição espanhola, o que torna a leitura um pouco mais difícil para mim, mas ainda assim é perfeitamente compreensível na generalidade.

    E, devo dizer, foram dos poemas mais extraordinários que li ultimamente. Lorca mostra-nos nas suas palavras uma Espanha rural, perdida, violenta e quente, muito sensual mas ao mesmo tempo brutalmente destrutiva. Cada poema tem uma densidade própria, sendo que algumas das palavras, alguns versos, alguns conceitos, nos caem no estômago como um soco, uma pedra atirada directamente até à nossa consciência.

    Tendo sempre presente a ideia da morte trágica protagonizada por este poeta, a sua poesia justifica plenamente o que poderia ter acontecido, a injustiça, o horror de se viver num regime em que até um simples poema pode ser considerado subsersivo e contra os ideais do sistema. E a verdade é que Lorca denuncia as injustiças uma e outra vez, sem nunca pensar por um momento que ele próprio poderia vir a ser vítima das mesmas.

    O meu preferido foi, realmente, o "Romancero Gitano", sendo que "Poeta En Nueva York" nos mostra uma poesia um pouco mais directa e menos metafórica, com mais realidade vista de outra perspectiva do que o universo fantasioso e mágica da lua cigana.

    De todos os modos, é uma poesia descorçoada e absolutamente fascinante. Recomendo vivamente!
  • Ondas e Outros Poemas Esparsos

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    Ondas e Outros Poemas Esparsos
    Euclides da Cunha
    1880s
    Poesia

    De seguida, li este curto livro de poemas. Detestei.

    Este é um importante poeta e autor brasileiro que esteve envolvido em movimentos revolucionários, na sua época antiga. Este livro reúne alguns dos seus poemas da juventude. Mas o problema dele é precisamente isso: são poemas da juventude.

    Nunca confiem nos vossos poemas adolescentes. Não são especiais, mesmo que vocês sejam o Euclides da Cunha. Especialmente se tiverem vivido em finais do século XIX.

    Porque estes poemas são exagerados, foleiros, lamechas, plenos de uma linguagem desactualizada mesmo dentro da sua própria época, sem qualquer tipo de modernidade ou objectivo lírico sem ser um exibicionismo fremente e um mostrar de todos os talentos rímicos plenos de imaturidade.

    Nem sequer escolhi um para vos citar, porque odiei todos em igual medida.

    Nada mais tenho a dizer.


  • As Minhas Lembranças Observam-me

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    As Minhas Lembranças Observam-me
    Tomas Tranströmer
    2012
    Auto-Biografia 

    Pela primeira vez, participei numa BookBox no BookCrossing! Consiste no seguinte: existe um conjunto de livros que vão de pessoa para pessoa. Uma pessoa tira um e mete outro (ou mais). Eu tirei este e pus dois. Não conhecia o autor, um poeta sueco, mas como gostei do título achei que este seria um bom livro.

    É um livrinho simpático, que fala da infância do poeta e da forma como ele foi divergindo os seus interesses até chegar ao ramo da poesia, sendo que aparecem aqui alguns poemas inéditos, os seus primeiros. Para quem não conhece o autor, como é o meu caso, o livro acaba por servir mais como uma pequena forma de caracterizar a vida e a sociedade na época da segunda grande guerra.

    É um relato único dos sentimentos de uma criança filha de pais divorciados nesta época, da forma como ele se sentia diminuído perante os colegas mas também da forma como acabou por ultrapassar este elemento.

    Achei muito engraçado o seu interesse inicial pelo mundo da biologia, o que mais uma vez prova que a vida animal e vegetal é do interesse de (quase) todas as crianças (sendo que é raro manter-se na vida adulta, haha)

    Quanto aos poemas, são realmente poemas da juventude, mas remetem-nos para temas modernos para uma pessoa desta idade. Fiquei com vontade de ler os poemas que mereceram o prémio Nobel.

    Agora irá viajar até outras paragens! Obrigada! :)
  • Poesia Ortónima

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    Poesia Ortónima
    Fernando Pessoa
    Anos 20 
    Poesia

    Esta colecção de livros saiu com o Jornal Expresso, mas só fiquei com alguns (o meu StepFather só compra o jornal de vez em quando). Trata-se de uma colecção com a obra essencial do nosso muito querido Fernando Pessoa.

    Com este volume, vemos alguma da sua poesia, aquela que foi escrita por ele e não por nenhum dos outros malucos. De qualquer forma, ficamos a saber um pouco mais sobre o autor através dos seus poemas e a conclusão a que chego é que ele estava completamente doido ou, pelo menos, extremamente deprimido.

    Pois todos os poemas falam de uma vida sofrida e de um desejo de morte. Diz ele que "O Poeta é um fingidor", mas não me parece que ele esteja a fingir quando fala do horror emocional que sente. Os poemas são muitas vezes belos, outras vezes indiferentes. Um ou outro chega a ser cómico. Mas todos eles falam da infelicidade do autor, o que me deixa um pouco triste porque ele haveria de ter sido boa pessoa e ninguém merece estar envolvido neste spleen
     
    Deixo aqui o poema que mais gostei, que é parte de um poema um pouco maior.

    Chuva Oblíqua - II
     
    Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
    E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...
     
    Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
    E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...
     
     O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
    Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
    Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
    E sente-se chiar a água no facto de haver coro....
     
    A missa é um automóvel que passa
    Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
     
    Súbito vento sacode em esplendor maior
    A festa da catedral e o ruíd da chuva absorve tudo
    Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
    Com o som de rodas de automóvel...
     
    E apagam-se as luzes da igreja
    Na chuva que cessa...
  • Universus da Poesia

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    Universus da Poesia
    Vários
    2014
    Poesia

    Poderei alongar-me um pouco, portanto vou dividir esta postagem em quatro partes. :)

    Parte 1 - Como vim parar a este livro

    Dos vários grupos a que pertenço, alguns são de literatura. Também recebo notificações de vários concursos no meu e-mail, fazendo esforço por participar, mais por exercício mental de escrever sobre um determinado tema do que para ganhar o que quer que seja (o que, sendo improvável, já aconteceu uma vez ou outra). Assim, recebi o convite para participar nesta antologia poética sob a chancela UniVersus, com o tema "Universus da Poesia". Escrevi um poema a propósito e pediram-me mais, pelo que escrevi mais uns dois ou três e juntei outros que tinha guardados do passado. Acabaram por ser escolhidos esse escrito de propósito e uma letra que tinha escrito para o projecto musical Ocaso, do meu amigo R.

    Claro que depois houve um dilema enorme, pois a editora desejava que eu falasse sobre mim e eu sou o tipo de pessoa que não tem nada de interessante para contar. Lá inventei uma coisa qualquer, de relativa piada. Também queriam uma foto e a primeira que mandei não foi aprovada por não considerarem "apropriada". Vejam lá e digam-me se é desapropriada!





    Enfim, acabei por mandar um retrato que um artista Japonês me fez uma vez e que é o meu avatar em alguns locais.

    Tendo tudo isto em conta, ainda era necessário pagar o livro. Aí está uma condição curiosa: para se participar tem de se comprar pelo menos um livro, caríssimo por sinal! Mas pensei "olha, é agora ou não é agora, boraí que se calhar vale a pena" Será que valeu... Fico à espera de outras opiniões. Bem, mais uma publicação com o meu nome escrito na prateleira...

    Parte 2 - Coisas que eu acho sobre a poesia e essas cenas

    Eu não sou grande apreciadora de poesia, admito desde logo. Quando era muito pequena, era o que eu gostava de escrever. Mas houve algum ponto de viragem, algures na minha vida, em que de repente me tornei senhora da prosa e passei a só gostar de escrever historietas. Ainda assim, vou lendo poesia de vez em quando e, ainda mais raramente, vou escrevendo um poemita ou outro.
    Ao longo deste tempo, acabei por desenvolver uma teoria sobre a poesia. Há dois tipos de poesia: a inocente e aquela que sofre. A inocente é aquela que escrevemos quando somos adolescentes e pensamos que estamos a sofrer imenso. A que sofre é aquela que dói para nascer. Neste livro, a grande maioria é da primeira categoria. Isso não é uma coisa má, cada um escreve aquilo que sente e aquilo que lhe parece bem. Mas, pessoalmente, gosto mais da segunda. 

    Apesar de tudo, houve algumas passagens duvidosas, que me fazem duvidar da capacidade de selecção da editora. Coisas como "aves aladas" e assim (todas as aves têm asas...). Para mais, estranhei as pequenas notas biográficas dos autores, que na maioria pareciam uma enumeração de palmarés ganhos e publicações o que, dentro do contexto, não deixa de ser irrelevante. Interessa saber que ganharam a Menção Honrosa do Clube Caminho Fantástico? Eu podia ter posto isso....

    Mas fica a nota, a nota muito importante, de que o artista é um bom artista. Portanto, todos os poemas desta antologia têm o seu valor, independentemente de eu ter gostado ou não deles. Gostaria de dar os parabéns a todos.

    Parte 3 - Sobre o trabalho editorial

    Isto sim, deixa muito, muito, MUITO a desejar. Primeiramente, a edição está cheia de gralhas. Por todo o lado. Depois, como participei, sei perfeitamente que nem contactaram os autores a propósito de uma eventual edição do texto. O que me pareceu foi que simplesmente fizeram um cópia-e-cola dos ficheiros word enviados: ninguém reparou (nem eu) que no poema da "Dança" falta uma vírgula e a formatação do poema da lua está completamente disforme, sem separação entre as estrofes - o que tira um grande significado à coisa.

    As fotografias dos autores são pouco claras, havendo até uma (coitadinha da senhora) que está totalmente pixelizada.

    Assim, UniVersus, mesmo que eu tivesse dinheiros para que me publicassem, não ia deixar.

    Parte 4 - Um poema de que gostei

    Entre uns e outros, houve poemas que gostei bastante e outros que gostei menos (até alguns que não gostei mesmo nada). Gostaria de citar o que me marcou mais. :)

    Banco de Jardim
    de Rui Machado

    Foram muitas bocas a fazer chegar aos meus ouvidos
    de que nunca se deve voltar
    aos lugares onde fomos felizes.
    Não acreditei.
    Essas mesmas bocas já se tinham aberto antes,
    para me dizer que o Amor era lindo.
    Bocas que vomitam sílabas luminosas de mentira,
    línguas que se movem como a vida nos desertos,
    lábios que sabem a veneno doce.
    São o maior perigo dos que precisam ouvir o Amor.
    Para lá do bater do coração dos abralos,
    para lá dos gemidos dos lençóis,
    para lá dos olhos que incendeiam.
    Hoje, senti bem cedo que o dia era traiçoeiro
    para quem traz ainda estilhaços de Amor no corpo.
    Sou um deles,
    veterano de uma guerra
    onde a cada Amor que fazia
    ia adiando o hastear da bandeira branca dos fracos;
    adiando a cada promessa,
    a cada beijo o teu desembarque final,
    o teu ataque cruel,
    a tua desleal emboscada.
    Ainda não sei bem o que fizeste acontecer.
    Soube apenas que tinha acontecido coisa feia,
    quando me deixaste derrotado,
    estendido,
    sem tratado de paz,
    herói de nada,
    peito sem condecorações de metal,
    dilacerado pela pólvora das palavras,
    estropiado de Amor
    e abandonado ao desprezo
    da ausência de um golpe de misericórdia.
    Devaneio maior dizer-se que o Amor é lindo.
    Devaneio supremo falar-se ou achar-se
    que do Amor se possui alguma sabedoria.
    Dele nada se saberá nunca,
    tudo se sentirá sempre.

    Incauto, por ventura,
    para superar a saudade
    que rasgava o avesso de mim,
    voltei àquele jardim
    Fui pisar-lhe o chão para me segurar ao mundo,
    proteger-me na sombra das memórias que queimam,
    fui rebentar um mar de saudada nas rochas duras da vida
    que teima em não seguir caminho.
    Procuro o nosso banco,
    lugar do nosso Amor
    onde a vida ganhou asas.
    Procuro o lugar onde já fui feliz, sim.
    Sem medo,
    sem coragem,
    incompleto, 
    quase vivo,
    urgente.
    Encontro-o.
    Não me sento nele, 
    não sou tolinho de todo.
    Sento-me no banco da frente,
    num dia de semana
    que esvaziou quase tosos os bancos daquele jardim.
    Sem que quisesse desdobro,me por magia da nostalgia
    que pede para voltar o que já esqueceu caminho.
    Vejo-me no nosso banco,
    estou feliz,
    tenho na cara os olhos que te aguardam
    e a boca que te deseja.
    Espero-te pelas vezes que visito o relógio no meu punho.
    Uma espera feliz, sei que nãom tardarás.
    Curvam-se então os meus lábios,
    num sorriso que inventei para te dar as boas vindas.
    Chegas,
    e antes de te sentares,
    beijas-me.
    Sentas-te, cheiras bem.
    Não sei se é o cabelo,
    a pele
    ou a roupa,
    que está a mais.
    Enquanto nos bservo a olharmo-nos,
    a trocar palavras,
    beijos e toques,
    assombro-me;
    estou louco e encantado com isso.
    A loucura devolve-nos às tábuas daquele banco de jardim,
    palco do nosso Amor que em tantas matinés de Domingo,
    enchemos de inveja os que passavam.
    Vejo-me, 
    peghar numas chaves
    para ferir o banco com os nossos nomes.
    Enquanto gravo os nossos nomes na madeira,
    tu ris e pedes-me para parar,
    mas eu sei que é para continuar e continuo.
    Termino.
    Entre os nossos nomes deixo um coração.
    O nosso.
    Tu olhas, sorris e abraças-me.
    Eu não me consigo deter e levanto-me para ir de encontro a nós, 
    ao nosso banco.
    Corro até nós e antes de chegar,
    explodimos como bolas de sabão.
    Voltei a ser só eu. 
    Maldita poucura que não dura.
    Olho o banco onde há pouco me via a escrever.
    Não está lá nome nenhum,
    nem o meu, nem o teu;
    só metade do que parece ter sido um coração.
    Sou metade de qualquer coisa que não tem nome sequer.

    Nota:

    Se tiverem interesse em ler as coisas que escrevo, consultem o meu deviantArt (estranhamente, tem muito pouco cosplay): http://ladylouve.deviantart.com
  • Antologia Poética de Vinicius de Moraes

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    Antologia Poética
    Vinicius de Moraes
    1967
    Poesia

    Quando regressei ao Kobo, tinha este livro escolhido para ler a seguir. Embora tivesse lido alguma poesia na semana anterior - o que me levaria a uma interrupção no género, pois gosto de variar - pensei "porque não". E ainda bem que pensei assim, porque eu não compreendo como pude passar tanto tempo da minha vida sem ler tão excelente obra poética.

    Vinicius, Poeta com Pê. Poeta com uma linguagem acutilante e exacta, mas ainda assim bela. Poeta com um sentido de humor sempre presente e tão apropriado. Parece-me que a grande diferença entre Vinicius e os outros é que este criador sabe sempre o que quer dizer e di-lo com certeza e exactidão, sem dar muitas voltas ao assunto para o tornar bonito. Porque a forma de o dizer já é bonita por si só. Percebemos exactamente o que ele quer expressar, mas a linguagem usada é... Poética? O que é certo é que o senhor faz poesia, poesia que dá gosto ler, que é apaixonante e viciante.

    Recomendo a todos. Como gostei de imensos poemas, não pude cingir a minha escolha para por aqui a apenas um. Escolhi três, que passarei a citar. Espero que gostem :)

    A uma mulher

    Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito
    Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias
    E a angústia do regresso morava já nos teus olhos.
    Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino
    Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
    Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
    Mas quando meus lábios tocaram teus lábios
    Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
    E que era preciso fugir para não perder o único instante
    Em que foste realmente a ausência de sofrimento
    Em que realmente foste a serenidade.

    Rio de Janeiro, 1933

    Vida e Poesia

    A lua projetava o seu perfil azul
    Sobre os velhos arabescos das flores calmas
    A pequena varanda era como no ninho futuro
    Na rua ignorada anjos brincavam de roda...
    - Ninguém sabia, mas nós estávamos ali.
    Só os perfumes teciam a renda da tristeza
    Porque as corolas eram alegres como frutos
    E uma inocente pintura brotava do desenho das cores
    Eu me pus a sonhar o poema da hora.
    E, talvez ao olhar meu rosto exasperado
    Pela ânsia de te ter tão vagamente amiga
    Talvez ao pressentir na carne misteriosa
    A germinação estranha do meu indizível apelo
    Ouvi bruscamente a claridade do teu riso
    Num gorjeio de gorgulhos de água enluarada.
    E ele era tão belo, tão mais belo do que a noite
    Tão mais doce que o mel dourado dos teus olhos
    Que ao vê-lo trilhar sobre os teus dentes como um címbalo
    E se escorrer sobre os teus lábios como um suco
    E marulhar entre os teus seios como uma onda
    Eu chorei docemente na concha de minhas mãos vazias
    De que me tivesses possuído antes do amor.

    Rio de Janeiro, 1938

    Mensagem à Poesia

    Não posso
    Não é possível
    Digam-lhe que é totalmente impossível
    Agora não pode ser
    É impossível
    Não posso.
    Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.
    Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
    Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
    Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
    E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
    A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
    Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
    Que a vergoinha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso reconquistar a vida
    Façam-lhe ver que é preciso estar elrta, voltado para todos os caminhos
    Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
    Ponderem-lhe, com cuidado - não a magoem... - que se não vou
    Não é porque não queira: ela sabe, é porque há um herói num cárcere
    Há um lavrador que foi agredido, há uma poça de sangue numa praça.
    Contem-lhe, bem em segredio, que eu devo estar prestes, que meus
    Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem 
    Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
    E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
    Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
    Aos homens perplexcos; digam-lhe que me foi dada
    A terrível participação, e que possivelmente
    Devere enganar, dfingir, falar com palavras alheias
    Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
    Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
    Desse invencível dever que é o meu; mas digam-khe
    Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
    Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
    Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclartecimento
    Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
    Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
    Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há 
    Um náufrago no meio do ocenano, um tirano no poder, um, homem
    Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
    Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
    Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
    Há fgantasmas que me visitam de noite
    E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
    No amanhã
    Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
    Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
    Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
    Com sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
    De ter de abandoná-la nestes instante, em sua imensurável
    Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
    Por um momento, que não me chame
    Porque não posso ir
    Não posso ir
    Não posso.
    Mas não a traí. Em meu coração
    Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
    Envergonhá-la. A minha ausência.
    É também um sortilégio
    Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
    Num mundo em paz. Minha paixão de homem
    Resta comigo, minha solidão resta comigo; minha
    Loucura resta comigo. Talvez em deva
    Morrer sem vê-la mais, sem sentir mais
    O gosto de suaslágrimas, olhá-la correr
    Livre e numa nas praias e nos céus
    E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
    O meu martírio; que às vezes
    Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
    Forças da tragédia abastacem-se sobre mim, e me impelem para a treva
    Mas que eu devo resistir, que é preciso...
    Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
    Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
    Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
    Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
    A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
    A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
    Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
    A quem foi dado se perder de amor pelo direito
    De todos terem uma pequena casa, um jardim de frente
    E uma menininha de vermelho; e se perdendo
    Ser-lhe doce perder-se...
    Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
    Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
    Que me esperte, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
    É mais forte do que eu, não posso ir
    Não é possível
    Me é totalmente impossível
    Não pode ser não
    É impossível
    Não posso.
  • Haiku - 43 Poemas a Lisboa

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    Haiku - 43 Poemas a Lisboa

    Ora bem, esta manhã estive na récita de um haiku que escrevi para esta competição/evento, apresentado pela Twinny. Foi no Teatro Turim, mesmo ao pé da minha casa.
    Depois de uma pequena apresentação sobre o projecto e algumas palavras do representante da Embaixada do Japão em Portugal, além de uma pequena explicação sobre este tipo de poema por uma académica, cada uma das pessoas com haikus seleccionados leu o seu e mais alguns que lhe apeteceu. Curiosamente muitas pessoas aproveitaram para apresentar também os livros que tinham escrito. O que achei mais fascinante foi a sala estar cheia, com tanta gente interessada na poesia Japonesa, e tantas pessoas que referiram ter vivido no Japão ou na Ásia.

    O meu haiku era sobre pombos. Demorei horas a fio a fazê-lo, quebrando a cabeça com a gramática e com as palavras, com muita ajuda do Tjan e do Rasmus que - fluentes em Japonês como são - passaram o tempo todo a corrigir-me e a mandar-me fazer tudo de novo. Pelos vistos correu bem, porque fui muito congratulada à saída, quer pelo seleccionador dos poemas como pelo representante da Embaixada (que ficou fascinado quando lhe disse o nome da minha professora de Japonês). Traduzido, o haiku é assim:

    Isto é um pombo.
    Olha para o céu,
    Mas apenas caminha

    Em Japonês é:

    これは鳩
    空を見ていた
    歩くけど

    Isto é,

    Kore wa hato
    Sora wo miteita
    Aruku kedo

    Ficou assim após uma pequena correcção da especialista encarregada de corrigir os poemas em Japonês. Não era suposto ser altamente filosófico, a única coisa que eu queria dizer é que os pombos em Lisboa não voam, só andam. E atravessam a rua na passadeira! Mesmo assim, parece que a imagem ficou bastante forte. Orgulho-me bastante deste Ai-Cu, porque ficou interessante apesar de ter dado tanto trabalho.

    Deram-me três cópias do livrinho com os Haikus, mais um poster e uma folha com o meu. Acho que vou emoldurar a folha e o poster também, apesar de não saber onde os hei-de por (além de que ainda tenho de encontrar parede para colocar um poster do Gackt que comprei no concerto e ainda está ali enrolado)



    Bem, uma manhã bem passada! Espero vir a participar em mais coisas destas! :)
  • Novos Poetas (1º C.I.N.E)

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    Como não encontro imagem e não me apetece scannar fica aqui uma imagem aleatória.

    Novos Poetas (1º C.I.N.E)
    Vários
    Antologia Poética
    2012

    Este livro foi um amigo que me ofereceu quando estive em São Paulo, por alturas da Quinta Dimensão. É uma antologia poética com os 30 melhores classificados do Primeiro Concurso de Incentivo a Novos Escritores, concurso esse que não tem informação alguma na internet.

    Como em todas as antologias, sobretudo as que têm diversos autores, a qualidade dos poemas é variável. De uma forma ou de outra não há um único que tenha métrica ou estrutura de poema, são todos "livres". E há pelo menos dois com erros de gramática e ortografia atrozes.

    Não gostei mesmo nada daqueles que tinham a sensualidade como tema. Curiosamente todos escritos por moças.

    Na realidade, só gostei de dois. Vou deixar aqui o que, de entre os dois, gostei mais:

    Negro

    Ouro Negro me perguntou se quero aquela mina.
    - Ouro Negro, respondi, me dê somente a mina.

    Ma depois de horas e horas, vejo o Ouro nas ruas da cidade.
    Ouro me pergunta se quero do teu ouro
    - Negro, respondo, me dê somente o Ouro

    E depois de dias e dias, reencontro apenas o Negro, que me olha.
    - Negro, pergunto eu. O que lhe ocorreu?
    - Roubaram-me a parte Ouro, roubaram as minhas minas.
    O que faço então cavalheiro?
    - Nada, respondo eu, o cavalheiro. Roubaram-te, mas nada provarás.
    Aguarde durante séculos e séculos.

    Encontrei-o então recentemente, em uma dessas velhas Igrejas.
    Mas ele apenas me olhou,
    Não dizendo nada mais.
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