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  • A Gaivota

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     A Gaivota
    Anton Tchekhov
    1895
    Teatro


    Voltando às minhas leituras de teatro, comecei por uma peça que já tinha curiosidade de ler ao tempo. 

    Nesta "Gaivota" um grupo de pessoas instalado numa casa de campo russa muito agradável, discute sobre a vida e a morte, sobre a arte e sobre a necessidade de ultrapassar a morte para conseguirmos ser verdadeiros artistas (a morte aqui simbolizada pela gaivota). Gostei das discussões dos personagens sobre o verdadeiro valor da arte, mas o final é bastante triste.

    Achei uma peça bastante longa e complexa, que seria um grande desafio para os actores e encenador. Existem secções muito longas e muito difíceis.

    De resto, nem sei se a quereria ver encenada.

  • Os Demónios Não Gostam de Ar Fresco

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    Os Demónios Não Gostam de Ar Fresco
    Maria Quintans
    2024
    Teatro


    Uma peça de teatro para o Clube de Leitura Meia Volta pelos Livros.

    Quando nos questionam "quem são essas pessoas na sala de jantar", não esperamos figuras como o Medo, a Morte e Deus. Mas é precisamente isso que acontece nesta peça, em que estas personagens inauditas bebem vinho e discutem sobre o sentido da vida.

    Foi uma peça curiosa, que gostaria de ver encenada, mas apenas achei que em termos de escrita do texto existem muitas muitas muitas muitas indicações cénicas que são um excesso, que são desnecessárias, que tiram a imaginação e castram o encenador e actores. Na modernidade, penso que já não se justifica ter indicações cénicas deste género.

    Foi ok.

  • Transgressões

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    Transgressões
    Teatro Extremo | Roald Hoffmann
    2022 | 2006
    Teatro

     

    A nova criação do Teatro Extremo, inserida no seu projecto de falar sobre ciência, é uma peça escrita por um Nobel da Química que, pelos vistos, também gostava de teatro.

    Infelizmente esta interpretação almadense tornou-se um pouco bizarra. Trata-se, efectivamente, de uma peça sobre ciência e sobre o debate ético da ciência. Mas era patente que os actores desconheciam na totalidade o significado das coisas que estavam a dizer, ou então saberiam o que é uma citoquina e saberiam que se diz "imunitário".

    Também estranhei o cenário, porque não estava simétrico. Apesar disso ser provavelmente propositado, baralhou-me o campo de visão estarem os actores sempre a entrar e a sair sem nenhuma discrição, pois isso baralhava o foco do espectador.

    Assim, apesar do tema da peça ser bastante relevante, tornou-se um espectáculo um pouco aborrecido.

  • Tio Vânia

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    Tio Vânia
    Anton Tchekov
    1897
    Teatro


    Gosto muito dos contos de Tchekov, mas nunca tinha lido nenhuma das suas peças. Assim, quando recebi este livro na Chuva de Livros, fiquei muito satisfeita.

    Sem dúvida que esta peça parece bastante complexa de encenar e interpretar, pois os personagens têm toda uma variedade de matizes irresistíveis. Cada personagem pode ser explorada de formas diversas, tal a sua densidade e a sua discreta caracterização.

    Esta peça surge também como revolucionária para a sua época, mostrando algumas opiniões ecologistas que na altura não seriam muito pensadas. É também uma peça que fala sobre o envelhecimento, e de como este pode ser pouco saudável em termos emocionais.

    Agora fiquei com muita curiosidade de a ver em palco.

  • Simbiose

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    Simbiose
    Novo Núcleo Teatro
    2021
    Teatro

    Uma peça muito estranha que vi na Mostra de Teatro de Almada. Tinha passe para a Mostra.

    Um grupo de actores jovens aparenta estar numa festa, e logo aparenta estar na praia. Com um texto bizarro, dividido em diferentes secções aparentemente não conectadas, eles fazem actividades de praia. Ao fundo, um vídeo com vários elementos.

    O grande problema é que, no meu entender, estes elementos estavam todos separados e não formam um só, isto é, não formam a tal simbiose. Assim, fiquei sem perceber o que se passava, do que falavam, quem era quem, o que faziam. Também me faz uma certa confusão ver meninos da faculdade a fingir que têm 30 anos.

    No final, terminou com um piquenique com o público e ofereceram-me uma mini. Valeu a pena, então.

  • Pais e Filhos

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    Pais e Filhos
    Pedro Penim
    2021
    Teatro

    Um amigo sugeriu vermos esta peça então fomos todos ao S. Luiz. Comemos pregos num café do Chiado, vimos a feira de alfarrabistas e lá seguimos. Nunca tinha estado neste teatro e é realmente um espaço lindo.

    Mas a peça.... Bem, a peça. Do "Pais e Filhos" de Turgonev tem apenas o nome. É uma peça que se esforça por explorar o conceito de família, entre elementos queer e filosofia de género. O texto poderia ter sido melhor conseguido se os actores fossem muito melhores. Porque, fora a Rita Blanco, eram todos bastante fracos. Aliás, a Rita Blanco era quem equilibrava a balança: ela de um lado, os outros todos do outro (sem contar com o cão, que fez um excelente papel).

    Também achei a cenografia exagerada, um desperdício de recursos, com imensos elementos desnecessários e que pareciam estar ali só para ser engraçado.

    A peça teve alguns momentos engraçados ("puta, apontaste-me à cabeça!), mas senti que foi uma perda de tempo.

  • A Estrada

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    A Estrada
    Jack London | Lagarto Amarelo
    1907 | 2020
    Teatro

    Fomos ver esta peça no Teatro Estúdio António-Assunção. Anteriormente tinha visto uma peça deste grupo de que gostei muito, por isso achei por bem ir ver esta. Fiquei agradavelmente surpreendida.

    O actor, enquanto Jack London, fala da sua estadia numa prisão e dos horrores a que assistiu durante os 30 dias que lá passou. O texto é brutal, maravilhosamente bem escrito. Em termos de interpretação, temos um excelente papel, embora pense que se poderia burilar os "diálogos" dentro do monólogo, por forma a ser mais simples de distinguir as personagens. O sotaque do actor era um pouco estranho ao início (sobretudo porque a tradução do texto era em português de Portugal), mas depois acabou por se integrar na história, como se o personagem fosse realmente um estrangeiro, um inadaptado, um desconhecido.

    Mas o que gostei mais foi da interacção do actor com o cenário. Com pequenos movimentos, e com um jogo de luzes perfeito, ele conseguia transformar o espaço em prisão, em cela, em tribunal, em tudo o que era necessário.

    E o final não poderia ser melhor. Afinal, aquela prisão foi apenas uma paragem na grande estrada da vida em que o personagem se encontrava. E a história continua. Não sabemos como nem onde, mas ela continua.

  • Final Feliz

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    Final Feliz
    Produções Acidentais
    2019
    Teatro

    Acabei agora mesmo de vir de o teatro, onde assisti a esta peça. Uma amiguinha dos Actos Urbanos era uma das actrizes, por isso estávamos todos ansiosos por a ver! :)

    As histórias infantis, romantizadas pela Disney e pelo beijo que indica um final feliz, nem sempre simbolizaram contos de amor e bondade. Na verdade, na sua concepção, incluem momentos terríveis, de dor e de violência, como que se a moralidade da história estivesse para além do seu encanto. Esta peça fala precisamente sobre o quão infeliz pode ser o final feliz, dependendo da perspectiva que se lhe dá.

    Gostei imenso deste texto e da maneira como foi interpretado. O texto, difícil, por vezes fechado sobre si próprio, coloca em comparação a figura da princesa (feminino) e do príncipe (masculino), rebaixando a fêmea a um ponto de consumo do macho, que beija para ter o reino, que beija pela consequência e não - ao contrário do que se poderia pensar - pelo próprio acto.

    Assim, temos momentos de uma violência extrema, embora discreta e disfarçada por todo o cenário colorido e idílico com flamingos cor de rosa. Apesar de a maior parte do tempo o público se risse sinceramente, não encontrei nenhum ponto de humor nesta peça: na verdade, a maior parte do tempo senti um puro horror pela ironia das situações.

    Fizeram todos um excelente trabalho e estão de parabéns!

  • Zapatos

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    Zapatos
    Teatro e Teatro
    2019
    Teatro
    Fomos ver esta peça inserida na Mostra de Teatro de Almada (em que, este ano, os Actos Urbanos não participam, por razões que poderão encontrar no blog do grupo ou na sua página do Facebook). Fomos porque um dos nossos coleguinhas fazia uma breve aparição nesta peça e queríamos muito vê-lo. :)

    Os sapatos são uma metáfora para as relações. Quem tem sapatos relaciona-se amorosamente. Quem está descalço é solteiro. Uma rapariga, Maria, tem uma mãe opressora e apaixona-se perdidamente por Fran, que na verdade é o autor da história de Maria. No entanto, ficou a dúvida: se os sapatos representam as relações, porque há pessoas aparentemente sozinhas que os usam? O símbolo torna-se confuso e, assim, toda a peça parece contar uma história novelesca.

    Achei também as escolhas de figurino e cenário um pouco desnecessárias e que poderiam ser melhoradas. Perucas menos brilhantes tirariam menos o foco dos cabelos para os actores, sendo que uma grande melhoria poderia surgir se fossem estilizadas para não cair na cara. A evidência dos lugares, sempre apresentados em vídeo, pareceu-me desnecessária e retirava um pouco o foco.

    Apesar de todos fazerem um bom trabalho, a história - longa, com muitos detalhes - não ajudou. Os vídeos eram refrescantes mas chegou a um ponto em que nem eles me impediam de pensar se tudo estava prestes a terminar ou não.

    Uma peça muito longa (mais de duas horas), com momentos que podiam ter sido evitados. Ainda assim, os meus sinceros parabéns por todo o esforço e pela produção!

  • Stabat Mater | Paixão Segundo João

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    Stabat Mater | Paixão Segundo João
    Antonio Tarantino
    1997
    Teatro

    E como também ando a aprender mais sobre dramaturgia, emprestaram-me (obrigada) este mini-mini-livrinho com duas peças de um familiar do Tarantino, que pelos vistos também é maluco. :)

    Comecemos por Stabat Mater. É uma performance a uma voz, em três partes, em que uma personagem feminina está aos gritos com alguém, falando do filho que teve e do homem que a abandonou. Mas a forma como fala destas coisas é desregrada, de uma linguagem vernacular cheia de energia e cheia de expressões engraçadas. O texto é complexo e delirante, apesar de estar a contar uma história muito simples. Não fosse o seu tamanho, difícil de decorar, quase que tinha vontade de o interpretar eu mesma (huhuhu).

    Já a Paixão Segundo João é um outro tipo de exercício. Este texto é mais difícil de desfiar, estando pleno de significados e crítica social que poderão ser um pouco difíceis de contextualizar. Observamos um louco numa sala de espera e o seu acompanhante, que parece esperar que a esp4era do louco termine. O discurso é rápido, com energia vital. Imparável.

    São dois textos dramatúrgicos muito estranhos, mas ainda assim muito estimulantes. Obrigada!
  • Ilha do Sumiço

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    Ilha do Sumiço
    Teatro Ubu
    2018
    Teatro

    Mais uma peça inserida na Mostra de Teatro de Almada, cujo passe tenho aproveitado o máximo possível! Originalmente concebida para ser interpretada em espaços abertos, nomeadamente na praia, é uma reflexão hilariante sobre as habitantes originais da Costa de Caparica.

    São elas velhas, muito velhas e muitas velhas. Cá se vai andando, dizem elas, cá se vai andando mas está tudo um bocadinho mudado. Vêm os turistas e os banhistas, tiram-lhes casas, alugam-lhes casas, tiram a praia, alugam a praia, uma confusão. A menos que a Velha do Restelo tenha uma carta na manga...

    Se há coisa que tive pena nesta peça foi a sua curtíssima duração. Depois de me terem levado a dançar em palco (para minha grande vergonha), terminou logo e isso deixou-me triste. Porque é aquele tipo de peça que uma pessoa não deseja que acabe nunca!

    Com interpretações tão naturais como engraçadas, estes actores dão vida a um conjunto de velhas que, sendo todas iguais, não podiam ser mais diferentes umas das outras. As suas personalidades levam-nas em conversa por uma contemplação da vida dos pescadores da Caparica ao longo dos tempos. Rapidamente, vemos a vida e obra destas gentes e como tudo está a ficar para trás.

    Este tema foi complementado com uma explanação de um dos autores do texto. ~Infelizmente, baralhei-me e acabei por não assistir.

    Uma peça maravilhosa que gostaria de ver uma e outra vez!
  • Morugem

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    Morugem
    Alpha Teatro
    2017
    Teatro

    Quis ir ver esta peça porque, segundo dizia a sinopse na agenda do mês, era baseado num livro de Juliet Marillier de que eu havia gostado imenso. Ao chegar lá, aprendi que se tratava de um peça inclusiva (com pessoas amadoras de todos os tipos) e ao iniciar a peça, aprendi que foi baseada no único livro da trilogia de Marillier que ainda não li. -_- Portanto, foi uma grande frustração.

    Agora, sobre a peça... Não posso dizer que não tenha ficado desiludida. Se por um lado temos uma adaptação textual bem feita e uma encenação muito interessante, com uma utilização dos cenários e jogo de luzes muito inteligente, por outro lado temos interpretações fracas e pouco convincentes. Os actores vão evoluindo à medida que a peça vai decorrendo e vão ficando cada vez mais envolvidos nas suas personagens, mas o seu amadorismo é evidente, na medida em que a encenação formativa deveria ter dedicado um pouco mais de tempo a acertar certos detalhes, sendo o mais premente a própria presença em palco enquanto personagem.

    Devido a este facto, existem alguns elementos da história, como a passagem do tempo e a mudança de lugar, que podem ficar um pouco confusos, tornando a adaptação numa luta constante por identificar o espaço-tempo da história.

    Espero que, numa futura reposição, haja um trabalho mais dedicado ao aperfeiçoamento destes detalhes, pois temos aqui imenso potencial para uma peça extremamente interessante!

  • Uma Noite de Verão

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    Uma Noite de Verão
    Produções Acidentais/William Shakespeare
    Texto - 1594/2018
    Teatro

    A propósito da participação de um amigo nesta peça, fomos ver a reposição ao Teatro-Estúdio António Assunção. Trata-se de uma adaptação do famosíssimo "Sonho de Uma Noite de Verão", do nosso grande amigo Abana-a-Pera. :)

    O grupo optou por manter o texto, quase na sua forma integral, apenas com uns ligeiros cortes. e, na sua interpretação, muito naturalista, ficamos a ver o quão estas palavras se mantêm actuais e mesmo como um vocabulário desactualizado e complicado ainda nos consegue matar a rir.

    A prestação dos actores foi surpreendente, tanto das melhores como das piores maneiras. Por um lado, temos um conjunto de profissionais que ficam aquém das expectativas. Por outro, temos um conjunto de amadores que ultrapassa em muito aquilo que lhes foi pedido e fazem um trabalho que, na sua simplicidade, funciona na perfeição.

    Achei também que as opções de guarda roupa foram muito jocosas para a peça e, sobretudo no respeitante às fadas, preguiçosas e pouco coerentes.

    A peça tem também alguns momentos musicais que ligam muito bem com o texto e com a densidade das personagens e que trazem sempre mais animação ao texto. Nota apenas para o estranho vídeo da vida selvagem, que por vezes fazia fugir a concentração.

    De resto, um verdadeiro sucesso!
  • Nathan, o Sábio

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    Nathan, o Sábio
    Companhia de Teatro de Almada - Gotthold Ephraim Lessing
    Texto - 1779/2017
    Teatro

    Conseguimos bilhetes para o último dia da reposição desta peça, encenada pela Companhia de Teatro de Almada e contando com diversos nomes de grande exposição e talento do nosso panorama nacional.

    Esta é uma peça com grande relevância histórica na sua época e que continua a mostrar um grande significado até aos dias de hoje. Nathan é um judeu muito rico e tido como um homem bom e sábio. Ao chegar de uma viagem, descobre - através da sua criada cristã - que a sua filha adoptiva foi salva de um incêndio por um templário. A partir daqui desenvolvem-se diversas narrativas que culminam numa evidente união de todas as religiões, tratando os dilemas com sabedoria e muita justiça, de forma exemplar.

    Apesar das reviravoltas serem um pouco previsíveis, esta peça chega-nos ao coração pelo retrato de um universo de respeito e amor ao próximo que nunca se viu em ocasião alguma. A peça não tenciona ter realismo neste aspecto, mas é como se fosse uma fantasia, uma transposição da experiência do autor perante a injustiça do mundo a uma idealização de como tudo poderia correr bem.

    A encenação, muito calma e minimalista, dá-nos a oportunidade de apreciar o texto sem distracções ou interrupções. Achei, por isso, que o intervalo foi desnecessário e um pouco incómod Essencialmente, não havia cenário nem nenhum objecto especial em palco: a mudança de espaços era indicada por variações num ecrã que nos mostrou uma variedade de pinturas.

    Também os actores, sem nunca se conterem, fazem um trabalho excelente na interpretação do texto, trazendo as emoções mais íntimas dos personagens ao de cima. Apesar de em várias ocasiões podermos colocar algum tique em certas personagens, fazem um bom trabalho em evitar isso ao máximo.

    Foi uma peça excelente, que espero que seja encenada em mais lugares. Nem que seja para que mais pessoas tenham oportunidade para a ver!
  • Rei Ubu

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    Rei Ubu
    Alfred Jarry/Teatro na Gandaia
    Texto - 1896/2017
    Teatro

    Perdi a primeira oportunidade de ver esta peça pois, pelo título e pelo cartaz, me havia convencido de que era uma peça infantil um pouco ridícula. Vim depois a saber, que embora seja admitidamente uma peça um pouco ridícula, é um clássico essencial da nossa cultura teatral, escrito no século XIX por Alfred Jarry. Por isso, não perdi a segunda chance: fui ver a peça ao Teatro-Estúdio António Assunção, ali ao fim da rua.

    Este é um texto violento e bizarro, que nos mostra como um incapaz pode estar agarrado ao poder como se de um parasita se tratasse, envolvendo-se em injustiças e guerras não justificadas com o único pretexto de conseguir cada vez mais riqueza para si, riqueza essa que não tem consequência para o futuro do personagem. Enquanto crítica social, esta peça é altamente rica em momentos que, sendo absurdos, não me pareceram altamente cómicos.

    Na verdade, confesso que me senti um pouco desconfortável com a abordagem que a encenação fez ao texto. O texto é, já de si, um pouco ridículo, com uns laivos de non-sense, mas pleno de uma agressividade não contida e apenas disfarçada pelo facto de os personagens serem tão bizarros. Mas a forma como o palco estava organizado, figurinos e a própria interpretação dos actores deu ao texto todo um contexto infantilizante que me pareceu um pouco gratuito e que tornou o texto ainda mais bizarro, mas de uma maneira que me chocou um pouco.

    Ainda assim, valeu a pena ir ao teatro nem que fosse para conhecer um texto clássico.
  • Daqui Ninguém Passa!

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    Daqui Ninguém Passa!
    Actos Urbanos
    2017
    Teatro

    Ainda incluído na Mostra de Teatro de Almada, fui ver esta peça juvenil a convite da sua dramaturga, que por acaso é a minha querida vizinha do segundo. :) Devo dizer que me diverti imenso e que, passados todos estes dias, ainda me rio cada vez que penso nisto!

    Inspirado num livro editado pela Planeta Tangerina no ano passado, esta peça conta-nos a história de um simples soldado que tem ordens de dividir o palco ao meio. E dali... NINGUÉM PASSA!Ora, o problema é que toda a gente precisa de passar para o outro lado, pelas mais diversas razõesrazões, desde encontrar o amor da vida até ir à casa de banho.

    De uma forma hilariante, muito dependente da biomecânica dos actores (que, diga-se de passagem, apesar da falta de experiência não estavam menos que brilhantes!), cada personagem ou grupo de personagens dá o seu melhor para passar para o outro lado. Até que, finalmente, com toda a naturalidade, um cão (o melhor papel!) faz o que tem a fazer. E assim se faz uma revolução!

    Uma forma simples e natural de mostrar a um público mais jovem como nos podemos revoltar contra o sistema, como podemos combater a autoridade e como podemos lutar por aquilo em que acreditamos. Um texto hilariante com actores no nível certo que puseram uma sala cheia a cantar FORA TEMER TIBÉRIO! =D
  • As Mãos Sujas

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    As Mãos Sujas
    O Grito & Rugas
    Texto - 1947 / 2017
    Teatro

    Perdi a oportunidade de ver esta peça aquando a sua estreia. Queria muito vê-la, pois mantenho diálogo com alguns dos membros do grupo O Grito, um dos intervenientes desta peça, e também porque não queria perder a oportunidade de ver uma peça de Sartre, um autor de que gosto muito neste género.
     
    Infelizmente a peça desapontou-me um bocadinho, sem desfazer do talento de todos os inervenientes. Vejamos. ;)
     
    O texto é agudo, ácido, óptimo. Um homem acabado de sair da prisão vê a razão que o levou até lá: um partido, a obediência a um partido, a fé cega nas decisões superiores de um partido que nunca é nomeado. Estes superiores decidem colocar a sua fé e coragem à prova: deverá assassinar um outro líder, com a qual acaba por formar amizade. Mas este personagem está tão imerso na obrigação do dever, o de matar, que acaba por deixar de conseguir racionalizar, entrando num desespero incoerente que culmina no crime passional que há-de o levar à prisão.
     
    A encenação, sendo inteligente na utilização do espaço, peca em alguns momentos. Alguns momentos estão simplesmente vazios, intercalados com uma música que destoa do contexto da peça, sendo que outras vezes  os personagens não transparecem a sua realidade devido a alguma falta de mecânica dos actores. Gostei bastante do jogo de luzes, embora por vezes pequenos erros de posicionamento o tornassem demasiado evidente.

    Ainda assim, estes apreendem bem os seus personagens e existem alguns momentos de çpuro génio. Infelizmente, não estão por toda a peça e, por isto, ela perde um pouco o seu equilíbrio. Gostaria, no entanto, de ver muitas mais peças por este grupo!

  • Circuito Habitual

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    Circuito Habitual
    Teatro Extremo
    2017
    Teatro

    Fui ao teatro com uma amiga! Esta peça está ainda no Teatro Estúdio António Assunção, pelo que recomendo vivamente que, havendo tempo, passem por lá para a verem. Afinal, foi uma peça surpreendente, de que gostei imenso!

    Num ambiente de distopia, um pouco recordatório de 1984, um homem faz denúncias daqueles que se manifestam contra o sistema, encaminhando-as pelo "circuito habitual". Mas hoje ele é chamado pelo seu novo superior: afinal, existe uma quantidade inusitada de queixas redigidas contra o próprio denunciador!

    O texto desta peça é interessantíssimo, assim como a forma como a encenação no-lo mostra. Temos um cenário minimalista mas muito eficiente e com alguma complexidade, que é usado na sua totalidade para transmitir um sentimento de opressão e, um pouco, terror. Também a sonoplastia contribui muito para este ambiente: se ao início parece estranha, como se houvesse algum erro a nível do sistema sonoro, rapidamente se entranha e dá toda uma outra dimensão à peça.

    Achei apenas que os actores poderiam ter tido uma melhor prestação, sobretudo o mais jovem. A sua dicção não era muito boa, pelo que se perdeu um pouco de detalhe do texto.

    De todos os modos, até gostava de ir ver esta peça outra vez, com outras pessoas! Recomendo vivamente!

  • Auto da Compadecida

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    Auto da Compadecida
    Ariano Suassuna
    1955
    Peça

    Há quantos anos não lia eu, por puro gosto, uma peça de teatro? Acabei com a minha pausa e, devo dizer, adorei sumamente este pecinha brasileira!

    Este texto é muito importante em termos sociais e literários, pois mistura elementos clássicos do teatro Vicentino com mitos e histórias típicas do Recife brasileiro. Tudo isto com uma inteligência e graça que surpreenderão até os mais cépticos! :)

    Tudo começa com uma aldrabice, em que um homem muito malandro cria - para seu próprio proveito - o testamento de um cão falecido. A partir daí só acontecem desgraças, que irão depois ser julgadas por deus e diabo, tendo a Compadecida como advogada.

    O desenvolvimento das trapaças é subtil mas, ainda assim, muito bem pensado. Assim, cada um dos momentos da peça iria dar origem a uma série de gargalhadas descontroladas.

    Se fosse eu a encenar esta peça (confesso que tive vontade), usaria um cenário minimalista com ciaxas e estruturas quadradas, alteraria um pouco o texto para dar mais uns momentos de piada e, sobretudo, faria o Encouraçado altamente efeminado, porque acho que isso seria hilariante. :)

    Uma pena que esta peça seja praticamente desconhecida dos portugueses, porque é mesmo muito cómica!

  • A Melodia áspera de um Deserto

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    A Melodia Áspera de Um Deserto
    Tiago Vieira
    Teatro

    Fomos ao teatro! Esta peça estava inserida na Mostra de Teatro de Almada, que ainda está a decorrer. Aliás, hoje mesmo queria ter ido ver outra peça, mas acabou por não se concretizar. Fiquemo-nos por esta. :)

    O programa faz um vago resumo, que é o seguinte:


    Tudo começa com três criaturas de chapéu que montam um cenário inusitado. Depois, aparece uma mulher. Esta, interpreta três diferentes personagens, todas com relações familiares umas com as outras, através de um texto denso, um pouco misterioso e algo violento. No entanto, a performance da actriz deixa um pouco a desejar, na medida em que a encenação não lhe permitiu liberdade de movimentos para que pudesse dar largas à potencialidade dos personagens. Assim, grande parte da acção é por sua vez intepretada pelos outros três actores, que se limitam a fazer mudanças no cenário, fazendo eles próprios parte dele. Ainda assim acabam por ter mais expressividade que a dita "principal", que a maior parte das vezes se encontrava parada, limitada no campo de acção de um microfone que poderia ter sido desnecessário.

    Isto porque a banda sonora da peça, a música acompanhante (que também conta a sua própria história) estava de tal forma mal planeada que era impossível ouvir a actriz se não fosse o microfone (até porque a sua projecção de voz não era perfeita). O técnico de som parecia estar com problemas: por vezes muito alto, por vezes muito baixo, muitos efeitos sonoros mal colados e transições bizarras entre eles. O planeamento do som deveria ter sido muito mais aperfeiçoado para que a pela tivesse mais efeito.

    Relativamente a cenários e figurinos, pareceram-me demasiados, apesar de a maior parte deles ter uma simbologia e significado.

    Para além disso, parece ter havido uma relação pessoal do dramaturgo com a encenação da peça "As Três Irmãs", de Tchékov, que é referida no momento final, mas como não conheço bem essa peça acabei por não entender muito bem a analogia.

    Fiquei ligeiramente desapontada, até porque foi a primeira peça de teatro que vi junto com o Qui, mas ainda assim foi uma experiência muito pedagógica.
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