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A Gaivota
A Gaivota
Anton Tchekhov
1895
Teatro
Voltando às minhas leituras de teatro, comecei por uma peça que já tinha curiosidade de ler ao tempo.
Nesta "Gaivota" um grupo de pessoas instalado numa casa de campo russa muito agradável, discute sobre a vida e a morte, sobre a arte e sobre a necessidade de ultrapassar a morte para conseguirmos ser verdadeiros artistas (a morte aqui simbolizada pela gaivota). Gostei das discussões dos personagens sobre o verdadeiro valor da arte, mas o final é bastante triste.
Achei uma peça bastante longa e complexa, que seria um grande desafio para os actores e encenador. Existem secções muito longas e muito difíceis.
De resto, nem sei se a quereria ver encenada.
Os Demónios Não Gostam de Ar Fresco
Os Demónios Não Gostam de Ar Fresco
Maria Quintans
2024
Teatro
Uma peça de teatro para o Clube de Leitura Meia Volta pelos Livros.
Quando nos questionam "quem são essas pessoas na sala de jantar", não esperamos figuras como o Medo, a Morte e Deus. Mas é precisamente isso que acontece nesta peça, em que estas personagens inauditas bebem vinho e discutem sobre o sentido da vida.
Foi uma peça curiosa, que gostaria de ver encenada, mas apenas achei que em termos de escrita do texto existem muitas muitas muitas muitas indicações cénicas que são um excesso, que são desnecessárias, que tiram a imaginação e castram o encenador e actores. Na modernidade, penso que já não se justifica ter indicações cénicas deste género.
Foi ok.
Transgressões
Transgressões
Teatro Extremo | Roald Hoffmann
2022 | 2006
Teatro
A nova criação do Teatro Extremo, inserida no seu projecto de falar sobre ciência, é uma peça escrita por um Nobel da Química que, pelos vistos, também gostava de teatro.
Infelizmente esta interpretação almadense tornou-se um pouco bizarra. Trata-se, efectivamente, de uma peça sobre ciência e sobre o debate ético da ciência. Mas era patente que os actores desconheciam na totalidade o significado das coisas que estavam a dizer, ou então saberiam o que é uma citoquina e saberiam que se diz "imunitário".
Também estranhei o cenário, porque não estava simétrico. Apesar disso ser provavelmente propositado, baralhou-me o campo de visão estarem os actores sempre a entrar e a sair sem nenhuma discrição, pois isso baralhava o foco do espectador.
Assim, apesar do tema da peça ser bastante relevante, tornou-se um espectáculo um pouco aborrecido.
Tio Vânia
Tio Vânia
Anton Tchekov
1897
Teatro
Gosto muito dos contos de Tchekov, mas nunca tinha lido nenhuma das suas peças. Assim, quando recebi este livro na Chuva de Livros, fiquei muito satisfeita.
Sem dúvida que esta peça parece bastante complexa de encenar e interpretar, pois os personagens têm toda uma variedade de matizes irresistíveis. Cada personagem pode ser explorada de formas diversas, tal a sua densidade e a sua discreta caracterização.
Esta peça surge também como revolucionária para a sua época, mostrando algumas opiniões ecologistas que na altura não seriam muito pensadas. É também uma peça que fala sobre o envelhecimento, e de como este pode ser pouco saudável em termos emocionais.
Agora fiquei com muita curiosidade de a ver em palco.
Simbiose
Simbiose
Novo Núcleo Teatro
2021
Teatro
Uma peça muito estranha que vi na Mostra de Teatro de Almada. Tinha passe para a Mostra.
Um grupo de actores jovens aparenta estar numa festa, e logo aparenta estar na praia. Com um texto bizarro, dividido em diferentes secções aparentemente não conectadas, eles fazem actividades de praia. Ao fundo, um vídeo com vários elementos.
O grande problema é que, no meu entender, estes elementos estavam todos separados e não formam um só, isto é, não formam a tal simbiose. Assim, fiquei sem perceber o que se passava, do que falavam, quem era quem, o que faziam. Também me faz uma certa confusão ver meninos da faculdade a fingir que têm 30 anos.
No final, terminou com um piquenique com o público e ofereceram-me uma mini. Valeu a pena, então.
Pais e Filhos
Pais e Filhos
Pedro Penim
2021
Teatro
Um amigo sugeriu vermos esta peça então fomos todos ao S. Luiz. Comemos pregos num café do Chiado, vimos a feira de alfarrabistas e lá seguimos. Nunca tinha estado neste teatro e é realmente um espaço lindo.
Mas a peça.... Bem, a peça. Do "Pais e Filhos" de Turgonev tem apenas o nome. É uma peça que se esforça por explorar o conceito de família, entre elementos queer e filosofia de género. O texto poderia ter sido melhor conseguido se os actores fossem muito melhores. Porque, fora a Rita Blanco, eram todos bastante fracos. Aliás, a Rita Blanco era quem equilibrava a balança: ela de um lado, os outros todos do outro (sem contar com o cão, que fez um excelente papel).
Também achei a cenografia exagerada, um desperdício de recursos, com imensos elementos desnecessários e que pareciam estar ali só para ser engraçado.
A peça teve alguns momentos engraçados ("puta, apontaste-me à cabeça!), mas senti que foi uma perda de tempo.
A Estrada
Jack London | Lagarto Amarelo
1907 | 2020
Teatro
Fomos ver esta peça no Teatro Estúdio António-Assunção. Anteriormente tinha visto uma peça deste grupo de que gostei muito, por isso achei por bem ir ver esta. Fiquei agradavelmente surpreendida.
O actor, enquanto Jack London, fala da sua estadia numa prisão e dos horrores a que assistiu durante os 30 dias que lá passou. O texto é brutal, maravilhosamente bem escrito. Em termos de interpretação, temos um excelente papel, embora pense que se poderia burilar os "diálogos" dentro do monólogo, por forma a ser mais simples de distinguir as personagens. O sotaque do actor era um pouco estranho ao início (sobretudo porque a tradução do texto era em português de Portugal), mas depois acabou por se integrar na história, como se o personagem fosse realmente um estrangeiro, um inadaptado, um desconhecido.
Mas o que gostei mais foi da interacção do actor com o cenário. Com pequenos movimentos, e com um jogo de luzes perfeito, ele conseguia transformar o espaço em prisão, em cela, em tribunal, em tudo o que era necessário.
E o final não poderia ser melhor. Afinal, aquela prisão foi apenas uma paragem na grande estrada da vida em que o personagem se encontrava. E a história continua. Não sabemos como nem onde, mas ela continua.
Final Feliz
Zapatos
Stabat Mater | Paixão Segundo João
Ilha do Sumiço
Morugem
Uma Noite de Verão
Nathan, o Sábio
Rei Ubu
Alfred Jarry/Teatro na Gandaia
Texto - 1896/2017
Teatro
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