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Mitos lusitanos: Endovélico e outros deuses
Mitos Lusitanos: Endovélico e outros deuses
Sérgio Franclim
2022
Paganismo
Confesso que pensava que este livro ia ser um pouco diferente, mas ainda assim foi uma leitura leve e agradável.
O autor conta, nas suas próprias palavras, o Mito da Criação dos lusitanos, a história de Endovélico e a história de Viriato.
Infelizmente, a escrita poderia ser um pouco mais sofisticada, pois tal como está o livro parece mais dirigido a crianças do que outra coisa. O que, de certa forma, é uma boa coisa, imaginemos mitos lusitanos como histórias para dormir :)
Travelling the Fairy Path
Travelling the Fairy Path
Morgan Daimler
2018
Paganismo
Há algum tempo que nutria uma certa curiosidade sobre a magia com a Boa Gente, por isso decidi comprar este livro, que não sendo propriamente introdutório tem uma série de histórias, mais anedóticas ou mais sérias, sobre encontros com Fadas e os outros habitantes do mundo feérico.
A autora relata uma série de experiências pessoais, o que foi a parte que mais me aborreceu porque são muito americo-cêntricas, mas também muitos mitos e lendas que demonstram a existência das Outras Pessoas, que são Bonitas. Dá também um pequeno lamiré sobre como nos comportarmos perante esta Gente Bonita, que é com todo o respeito, com cuidado com a semântica e muita educação, mas não demasiada.
Foi uma leitura muito interessante, tanto que passei o Avante com o livro na mão.
Pagan Portals - Brigid: Meeting The Celtic Goddess Of Poetry, Forge, And Healing Well
Pagan Portals - Brigid: Meeting The Celtic Goddess Of Poetry, Forge, And Healing Well
Morgan Daimler
2016
Paganismo
O segundo livro do Pagan Portals que comprei e li, desta feita sobre a minha outra Senhora, Brigid.
Gostei ainda mais deste livro do que o anterior, porque fiquei a conhecer as várias facetas da Senhora, que é muito mais poderosa do que eu poderia imaginar. As suas valências como senhora do fogo, da cura e das artes tocaram-me muito, e descobri que um sonho que tinha tido era - precisamente - sobre Brigid.
Fiquei muito feliz por descobrir esta autora e esta colecção.
Pagan Portals - Freya: Meeting the Norse Goddess of Magic
Pagan Portals - Freya: Meeting the Norse Goddess of Magic
Morgan Daimler
2023
Paganismo
Recomendaram-me os livros do Pagan Portals para conhecer melhor as minhas Senhoras, e comecei pelo da Senhora Freya.
Escrito de uma forma muito acessível, fiquei a conhecer alguns mitos da Deusa, coisas que Ela gosta e como a podemos cultuar de forma adequada. A importância dos mitos não é de desprezar, pois através deles é que ficamos a conhecer a personalidade dos Deuses e a sua relação com o mundo divino e terreno, o que influencia a nossa vida.
Gostei muito deste livro e é uma boa referência.
Em Casa de Bruxa
Em Casa de Bruxa
Arin Murphy-Hiscock
2018
Paganismo
Um livro interessante que coloca a perspectiva da bruxaria e do paganismo concentrados no nosso lar, com a lareira como foco central da prática da bruxaria. É um livro que tem muito de bruxaria de cozinha, que não me interessa por aí além, mas que tem sugestões muito práticas de como trabalhar a magia DENTRO de casa.
No entanto, o livro tem alguns problemas que não sei como resolver. Nomeadamente, casas sem lareira. E também apartamentos. Não faz muito sentido estar a deitar sal à volta do prédio, sobretudo nos prédios portugueses que estão todos colados uns aos outros. Teria de fazer o feitiço à volta do quarteirão inteiro, o que estraga um pouco o objectivo.
Além disso, os feitiços mencionados são muito simples, e qualquer pessoa com uma boa base de bruxaria certamente já os tentou, ou pelo menos conhece.
Ainda assim, foi uma leitura agradável.
Psychic Witch
Psychic Witch
Mat Auryn
2020
Paganismo
Um livro de magia que me foi recomendado por Migx, e que achei muitíssimo bem escrito e interessante.
Este livro propõe que todos nós temos capacidades psíquicas, e ensina vários métodos para as desenvolver. Também tem uma série de rituais e feitiços muito práticos e úteis, no entanto muitos deles eu já sabia (ou tinha noção), porque são muito parecidos com os do primeríssimo livro que tive, da Silver Ravelwolf, a quem este livro está dedicado.
De resto, a edição é lindíssima, ricamente ilustrada, e com exercícios muito claros e simples para desenvolver então esta capacidade. Já comecei a praticar o primeiro exercício, mas o pior é que adormeço sempre. D:
Deuses E Rituais Iniciáticos Da Antiga Lusitânia
Livro que comprei na Feira do Livro e ao qual me fizeram uma promoção muito simpática apesar de já não ser o dia deste livro. Obrigada senhor da Zéfiro que foste muito simpático. :)
Então, já há algum tempo que queria ler este livro, por sugestão do Círculo dos Cogumelos. Tenho cada vez mais interesse em conhecer o panteão lusitano, e pensei que este livro seria bom para começar.
Não é: o autor tem uma escrita complexa, hermética, com associações de sincretismo entre vários elementos que não estão muito bem explicados. Além disso, o autor muitas vezes perde-se em divagações de como ele é melhor que os outros e de como lhe roubaram artigos e ideias. Isto pode ser muito, diga-se vulgarmente, SECANTE para qualquer leitor, mas eu resisti e continuei.
Mas o autor não explica grande coisa sobre a prática de cultuar os deuses lusitanos, excepto de que temos de nos enterrar na terra para os compreender. Também não explica muito sobre a sua eventual origem. Apenas nos fala de sincretismos com a religião cristã e isso é horrivelmente chato.
Portanto, por um lado gostei, por outro fiquei muito desapontada.
Manual da Maga & Min
Manual da Maga & Min
Disney
1973
Infantil
Um amigo roubou este livro para mim num restaurante.
Trata-se de uma publicação muito curiosa, em que há uma colectânea de textos bastante informados sobre mitologia, história e alguma fantasia e ilusionismo. Achei muito interessante colocarem estes textos de forma clara e sem pudores numa edição dos anos 70, também a época do new-age, dirigida para crianças.
Os textos estão espantosamente bem informados, e existem várias secções muito interessantes sobre folcore brasileiro, que gosto sempre de ler.
Estas publicações não são as mesmas de Portugal, e certamente não darei esta preciosidade a ninguém.
An ABC of Witchcraft
An ABC of Witchcraft
Doreen Valiente
1973
Paganismo
Livro que li para o BookClub de Bruxaria do Círculo dos Cogumelos.
Um livro que adorei, uma enciclopédia sobre bruxaria, ricamente ilustrada, em que vamos do A ao Z com termos e conceitos que nos contam a história antiga e recente (até aos anos 70) do paganismo conforme o conhecemos.
A autora fala-nos de conceitos muito diversos, desde as religiões mais antigas, muito bem fundamentadas com bibliografia, até elementos mais recentes, como o massacre da família Manson e outros elementos curiosos que podem ser importantes para compreender a bruxaria nos nossos tempos.
Aprendi imenso, mas penso apenas que este livro está muito dirigido ao leitor anglófono, e por isso faltam definições que poderiam ser importantes (por exemplo, a palavra "bruxa" em oposição a "witch", que têm origens diferentes), para além de conceitos que são muitas vezes repetidos, nomeadamente a caça às bruxas que foi realmente muito patente nos países de língua inglesa mas menos frequentes noutros lugares.
Ainda assim, adorei esta leitura, e gostaria imenso de ter a versão física deste livro. Faço anos em Setembro! *wink wink*
Druid Mysteries
Druid Mysteries
Philip Carr- Gomm
2002
Paganismo
Livro que li para o BookClub de Paganismo do Círculo dos Cogumelos.
Apesar de não ser esse o meu caminho espiritual, sempre nutri alguma curiosidade sobre o druidismo. Este livro veio esclarecer as minhas dúvidas e estabelecer em absoluto que não, esse não é mesmo o meu caminho.
Através de uma escrita bastante clara, o autor explica a estrutura religiosa e histórica do druidismo, com as várias categorias de druida e a forma como se passa de categoria em categoria (com muito estudo e memorização, pelos vistos). Apesar de a base histórica ser bastante abrangente, a um ponto que é quase fantasioso (Atlântida? A sério?), a parte que gostei mais foi mesmo a explicação sobre a estrutura dos ritos e da organização.
Achei também que os exercícios eram bastante inúteis, porque meditar sobre "estou a imaginar que estou no século II ao lado de uma pedra" não me parece muito claro para os objectivos em mente.
Foi um bom livro para perceber que nunca vou ser um druida.
The Green Witch
The Green Witch
Arin Murphy-Hiscock
2017
Livro Prático
Livro que li para um BookClub de Bruxaria.
Este é um livro curtinho que fala sobre o caminho da bruxaria verde e explica um pouco como aplicar esses conceitos à prática mágica e espiritual. Fez-me confusão a autora constantemente dizer "isto não é wicca!" e depois estar sempre a usar conceitos wiccanos nas suas sugestões de feitiços e magias, assim como na roda do ano e tudo o mais.
Existe um glossário de ervas, plantas e pedras que pode ser útil, mas que me pareceu bastante incompleto. De resto, o livro compõe-se quase todo de sugestões de receitas e, como detesto cozinhar, isso não me interessa.
Fiquei bastante desapontada.
Do I Have to Wear Black?
Do I Have to Wear Black?
Mortellus
2021
Paganismo
Li este livro a propósito do Book Club do Refúgio da Bruxaria, e trabalhei durante vários meses a convencer toda a gente para que fosse nomeado.
Algo que me tem perturbado ultimamente é o que fazer, enquanto pessoa pagã, num funeral normativo. Este livro, infelizmente, não responde a essa questão, mas tem uma análise importante sobre o que é a morte no contexto pagão e alguns dados sobre o funcionamento de funerárias (nos EUA).
O seu foco principal é a descrição de ritos e sugestões de textos e músicas para utilizar em cada tipo de funeral pagão. No entanto pareceu-me mais um conjunto de instruções sobre "como nos comportar num enterro diferente do habitual" do que um poço de ideias para planearmos o nosso próprio fim.
Temos ritos para todos os contextos, desde a morte de um animal até à de crianças pequenas.
É um livro cheio de compaixão, mas que me desapontou um pouco. Talvez estivesse com uma expectativa demasiado alta.
Dedicant, Devotee, Priest
Dedicant, Devotee, Priest
Stephanie Woodfield
2022
Paganismo
Li este livro a propósito do BookClub do Refúgio da Bruxaria.
Desde há muito tempo que a minha relação com o divino é aquela de um puro ódio. Odeio o mono-deus, odeio que seja obrigatório acreditar no mono-deus. Por isso fiquei um pouco de pé atrás com este livro, afinal o que me pode ensinar um livro sobre deuses se eu no me los gusta?
Apesar disso, foi uma leitura bastante interessante, com exemplos práticos muito claros e uma escrita limpa, que me demonstrou que a atitude com o divino pode até ser recíproca e interessante. Existem três secções que falam de níveis diferentes de proximidade com o tal divino: na primeira, a de dedicação, não aprendi grande coisa pois a estrutura de orações e tudo o mais é muito semelhante ao que já conhecia; para a devoção já se exigem mais responsabilidades; e para o sacerdócio o envolvimento é tal que servir o deus equivale a servir a comunidade.
Foi um livro que me inspirou de tal forma a que cheguei a procurar ajuda divina para um problema que tive. Agora resta saber quem me ajudou.
The Witch at the Forest's Edge
The Witch at the Forest's Edge
Christine Grade
2021
Paganismo
Livro que li para o Book Club do Refúgio da Bruxaria, e que foi uma das minhas leituras de férias.
Fiquei um pouco desapontada porque a escolha desta vez caiu - de novo - no tema da bruxaria tradicional, nomeadamente o hedge crossing que já havíamos abordado antes. Assim, como foram dois livros seguidos de práticas muito semelhantes, não foi um livro especialmente esclarecedor.
Mais uma vez não está apontado o perigo prático de passar para outras realidades sem supervisão, sobretudo para pessoas muito jovens e inexperientes, e isso deixa-me sempre de pé atrás. A visão do mundo como uma árvore de raízes, tronco e ramos mantem-se, mas desta vez deu-me um pouco de abertura para a pensar como um fuso horizontal, que para mim faz mais sentido.
Temos alguns bons exercícios, gostei sobretudo daqueles ligados à intuição (que foi os que realmente fiz)
De resto, não diria que este livro apareça como uma grande novidade no mundo brúxico actual, no entanto foi uma boa revisão de métodos - embora, pessoalmente e na minha prática, não penso que os vá utilizar.
Mitologia Popular Portuguesa
Mitologia Popular Portuguesa
Alexandre Parafita
2021
Recolha
Comprei este livro a propósito do Clube de Leitura do Refúgio da Bruxaria, no qual tenho participado activamente e o melhor possível. Não foi o livro que tinha escolhido para estes dois meses, mas acabei por ficar agradavelmente surpreendida. Trata-se de uma recolha de histórias da cultura oral portuguesa, obtidas junto de professores, padres e pessoas que as conheciam, que - com muita pena minha - na sua maioria estavam remetidas a lares de idosos e centros de dia. Imagino que muitas delas já tenham falecido, o que me causou um certo desconforto. Com uma linguagem puramente académica, não diria que este é um livro especialmente acessível. No entanto, as histórias são extremamente interessantes e curiosas. E o mais curioso é que, nelas, encontro paralelos para uma certa bruxaria tradicional e folclórica do resto do mundo. Por exemplo, na secção das bruxas, achei altamente curioso que na tradição portuguesa elas se transformem sobretudo em patos. Noutras culturas transformar-se-iam em coelhos ou outros mamíferos. Qual será a simbologia do pato neste contexto? Uma simbologia de fertilidade e relação com os três elementos? Também nesta parte achei curioso que histórias referissem o "beijo no cu da rainha das bruxas", que também aparecia em relatos de vítimas da inquisição em séculos muito passados. O mesmo acontece na secção dos diabos, em que as suas descrições (roupas esquisitas, etc.) também correspondem a esses relatos. Também achei curioso que o diabo não apareça como um ser místico de pura maldade, mas sim como uma oposição ao bem, como o outro prato da balança. Sendo balança, tem um sentido de justiça e, nestas histórias, muitas vezes corrige os erros dos homens através dos seus poderes. Já a secção dos trasgos envia-me para um ser do folclore brasileiro, saci-pererê. Com as suas diferenças, é também um espírito traquina que faz malandrices na casa das pessoas, e também se veste com um gorro vermelho. O mesmo país tem também um lobisomem, que se cura com um "espinho de laranjeira no lombo", o que é muito semelhante à cura portuguesa (picar uma parte do corpo). No entanto, achei muito interessante que os lobisomens portugueses se transformem sobretudo em cavalos e outros animais que correm, para correr o fado o mais rápido possível. Qual será este símbolo? Finalmente, as mouras encantadas foram o objecto mais curioso da leitura, porque conhecia muito pouco das suas lendas. A sua imagem, da cobra com cabeça de mulher, lembra-me a nure-onna japonesa, embora as suas actividades sejam diferentes.
Enfim, este livro levantou-me uma questão que penso pertinente: será que as criaturas do folclore mundial representam um conjunto de medos e ansiedades comuns a toda a humanidade? Ou, existindo realmente, serão como espécies diferentes do mesmo genus, adaptadas ao ambiente em que estão? Uma leitura fascinante, e que recomendo.
The Crooked Path
The Crooked Path
Kelden
2020
Paganismo
Livro sugerido pelo Book Club do Refúgio da Bruxaria. Copio o meu comentário:
Gostei muito deste volume. Achei-o bastante acessível e com conceitos que se aproximam bastante da minha prática. Não fiz os exercícios, mais porque tenho um certo pavor de ficar fechada no submundo do que outra coisa, mas gostei de como os conceitos estão enraizados numa tradicionalidade histórica, que me parece tão mais fácil do que essas "modernices", lol
A ideia da árvore, parece-me boa, mas na minha experiência é diferente (eu vejo um rio). Assim, penso que talvez o autor pudesse ter deixado mais ideias em aberto nas visualizações. Apesar de tudo ele refere várias vezes a importância da nossa biolocalização para a nossa prática, referindo também os problemas do mundo urbano. Finalmente um autor pagão que se lembra que nem toda a gente vive na floresta hahaha
O único defeito que encontro neste livro é que é - talvez - demasiado acessível. Uma pessoa sem qualquer experiência poderá correr um certo perigo em alguns exercícios, e nisto falo sobretudo de adolescentes a fazer experimentações com a prática. Se a malta nem sabe distinguir pessoas boa onda de má onda, conseguirão fazê-lo com espíritos malévolos?
De resto, já tinha lido alguma da bibliografia, por isso várias referências a esta fizeram-me sorrir do tipo "yaaay, eu sabia isto" :)
Fiquei contente com este livro, vinde mais!
The Northman
The Northman
Robert Eggers
2022
Filme
6 em 10
Vimos este filme no cinema. Baseado numa antiga história nórdica, é um proto-Hamlet de traição e reencontro.
Trata-se de um filme altamente violento, com elementos gore muito impressionantes, e lutas de espadas muito intensas. Gostei imenso de que tenham tentado fazer o setting o mais realista possível, sendo que todos os elementos de paganismo estão muito perto da realidade. As roupas, as danças, os rituais, foi essa a minha parte preferida.
No entanto, o filme acaba por cair um pouco estranho, porque as motivações das personagens parecem estar batidas com um martelo. Por isso, o realismo ambiental do filme perde-se na forma inusitada como as personagens reagem aos problemas e umas às outras.
De resto, homens nus num vulcão é tudo o que precisamos.
Spells for Change
Spells for Change
Frankie Castanea
2022
Guia de Magia
Comprei este livro a propósito do Clube de Leitura do Refúgio da Bruxaria e fiquei altamente desapontada. Vou deixar aqui o comentário que escrevi no clube propriamente dito.
Então, como mini guia de feitiços para iniciantes parece-me bem. Para mim é muuuuito básico e não me traz grandes ideias novas a aplicar, mas para quem nada sabe, parece-me bom.
Agora! Existem algumas coisas no debate activista que me devassam completamente algumas ideias, que gostava de partilhar com vocês. Para começar, acho o discurso (mais uma vez) extremamente americanizado. Na ideia de "tu vives na terra que era de outra pessoa" exclui-se de imediato... Nós aqui, por exemplo. Depois, a discussão da prática aberta vs fechada e porque não podemos fazer coisas da prática fechada... Tudo muito bem. Mas há 20 anos ninguém falava disto e todas as práticas eram encaradas como um grande guarda-chuva de intercâmbio. Mas pronto, para mim que sou uma kota (posso usar esta palavra?) é mesmo dificuldade de entender. Tenho pena que e autore não tenha mencionado esta parte da nossa história enquanto comunidade, tho
Mas, voltando à ideia da prática fechada: e autore tem conceitos que não se coadunam com o que diz. E aqui vem o exemplo do athame. E autore diz que a "wicca é uma prática fechada" (afirmação um pouco discutível) mas usa uma tesoura para substituir o athame porque "é mais prático". Ora, o athame é um objecto altamente ritualístico e ritualizado, que tem uma função própria diferente de cortar papéis para feitiços de binding. Então, substituir o athame por uma tesoura não é uma apropriação? Ou só é apropriação quando é feito a POCs?
Isto coloca-me num conflito, que é a ideia muito firme de que "o colonizador não pode ter cultura", coisa que eu acho absolutamente delirante nas comunidades mais jovens. E penso que esta ideia vem de toda uma cultura da libertação do oprimido, que tem toda a razão, mas desvirtuada pelo próprio colonizador para que possa ter aprovação e se considerar "bom" e "não racista".
Enfim, acho que este debate é extremamente doloroso, mas que é necessário. Um livro de feitiços não me parece o local apropriado, sendo que o activismo na bruxaria tem raízes profundíssimas tanto em movimentos civis como feministas. Parece que e autore não tem uma compreensão profunda sobre o assunto e atira as cartas para cima da mesa dizendo "é assim que eu sei, é assim que é". O discurso racista não tem discussão, é simplesmente merda, mas penso que é importante discutir o que se pode fazer, o que se deve fazer, o que queremos fazer sem entrar em conflito com conceitos sociopolíticos muito mais complexos do que isto.
Assim, penso que e autore não tem capacidade suficiente para discutir este assunto e irritou-me bastante que fosse mencionado num capítulo inteiro. A bibliografia oferecida poderá ajudar, mas parece-me também altamente limitada.
Enfim, deu-me ideia de uma pessoa que está numa posição de privilégio tentando ensinar outro privilégio sem manter a sua própria consistência.
Também não achei o livro especialmente bem escrito, tendo uma linguagem juvenil que não me é propriamente querida.
Mandrágora - O Almanaque Pagão 2009
Mandrágora - O Almanaque Pagão 2009
Vários
2009
Almanaque
Tinha este livro desde 2009 e nunca lhe tinha pegado. Só agora descobri que sou possuidora de uma edição muito rara e muito desejada, huhuhu
Então, este é um almanaque muito prático com tradições e usos conforme a Roda do Ano pagã, baseados na realidade portuguesa. Tem histórias de mitos baseados nas constelações e em animais do poder, festas que se podem fazer e que podemos visitar, uma lista de lugares mágicos e até receitas!
Infelizmente, em algumas secções a escrita é desnecessariamente densa, o que faz com que este almanaque não seja acessível ao mais corrente dos leitores.
De resto, penso que teria feito melhor uso dele em 2009 do que agora em 2022, mas não faz mal!
A Dança Cósmica das Feiticeiras
A Dança Cósmica das Feiticeiras
Starhawk
1979
Paganismo
Na minha senda para ler mais livros de paganismo, recuperei este volume da minha biblioteca pessoal. Comprei-o em 2003 e nunca o tinha lido, primeiro porque achei que tivesse muito secso, depois porque achei que fosse muito parvo. Nem uma coisa nem outra: é um livro complexo, filosófico e com ideias muito avançadas.
No fundo, Starhawk explora a religião da deusa como uma religião protofeminista, em que podemos encontrar na imagem da deidade uma união com os aspectos da natureza. A autora profetiza um certo futuro ideal de união com o mundo natural.
Trata-se de um volume pleno de ideias complicadas, com muita filosofia e teoalogia (a logia da deusa, conforme a autora), que sem dúvida eu não teria compreendido em 2003. Gostei sobretudo porque estas ideias da arte correspondem bastante àquilo que faço e em que acredito, e foi uma boa forma de consolidar estes conceitos.
Para todas as pessoas interessadas no universo do paganismo feminino, este é um livro excelente, que explora todo um conjunto de ideias sobre o papel da mulher no mundo e de luta contra o machismo e patriarcado.
Recomendo!


















