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Handi-Gang
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Handi-Gang
Cara Zina
2017
Romance
Uma espécie de romance autobiográfico que foi desafiante para mim por estar em francês. Fala sobre a militância de um grupo de pessoas com limitações físicas e psicológicas, que encetam pequenas manifestações contra o facto de não existir suficiente acessibilidade e representação para o seu grupo social.
O livro é um pouco confuso porque o texto varia entre a narração da mãe e do filho (numa cadeira de rodas, com espinha-bífida), que têm uma linguagem tão semelhante que por vezes é difícil de distinguir. O discurso também é muito agressivo, cheio de calão, e com uma posição de descontentamento generalizada que não nos permite uma identificação concreta com os personagens.
No entanto, teve algumas passagens muito divertidas, como quando o pessoal de cadeira de rodas vai por aí a colocar cartazes em braille à porta das lojas.
Um livro que me deixou dividida e que propõe um debate interessante.
By : ladyxzeus
A Cosmética do Inimigo
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A Cosmética do Inimigo
Amélie Nothomb
2001
Romance
Um homem está à espera de um avião, que se atrasa. É subitamente incomodado por um senhor muito estranho e muito, muito chato, que não o deixa sossegado e começa a contar-lhe toda a sua vida. Mas este encontro bizarro é muito mais do que deixa transparecer à primeira vista!
Uma narrativa rápida, esquisita e hilariante. Vamos descortinando os horrores desta narrativa acompanhados sempre de gargalhadas, em que o discurso cada vez mais inusitado dos personagens nos leva ao colapso.
O final é tão estranho como surpreendente e, claro, também é por demais engraçado! Cada vez gosto mais desta autora e, se me surgirem mais livros dela, não perderei a oportunidade em lê-los!
By : ladyxzeus
Hygiène de L'Assassin
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Hygiène de L'Assassin
Amélie Nothomb
1992
Romance
Este genial livrinho foi-me emprestado pela minha querida vizinha de cima, que mo deixou na caixa do correio. <3 Apesar desta edição se no francês original, é um livro com vocabulário bastante simples e apenas precisei de consultar o dicionário por três vezes (para as palavras "bolas", "pila" e "arrastar-se")
Um grande autor, em todos os aspectos, tem dois meses de vida após ter-lhe sido diagnosticada uma doença rara. Pela primeira vez, irá permitir-se ser entrevistado, sendo então visitado por diversos jornalistas. Mas este homem, além de enorme fisicamente, é uma grande besta: expulsa todos os jornalistas com manifestos de desprezo. Resta apenas uma mulher, que irá descobrir um grande segredo sobre o passado deste famoso homem.
Digamos que este livro, quase exclusivamente composto por diálogos, é divertidíssimo. As opiniões do personagem são irreais, contundentes e, por isso, absolutamente hilariantes. O discurso é tanto violento como ilógico e começamos a perceber que, apesar de famoso, este homem é muito bizarro. No entanto, à medida que ele vai revelando o seu segredo, acabamos por descobrir uma faceta muito mais negra e aterrorizante, uma demonstração do quão perversa uma pessoa pode ser.
Uma escrita leve e muito refrescante, com um sentido irónico para observar a vida, tornaram este livro uma leitura realmente prazerosa. Recomendo vivamente!
By : ladyxzeus
Olhos Azuis, Cabelo Preto
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Olhos Azuis, Cabelo Preto
Marguerite Duras
1986
Romance
Avanço desde já que nunca gostei especialmente desta autora.
Este é um romance muito curto, leitura para uma hora e meia, que fala da relação entre homem-mulher, explorando as suas fragilidades: ciúme, traição, inconsequência e falta de dedicação. Tudo isto seria uma excelente ideia, se a autora se tivesse dado ao trabalho de caracterizar minimamente os seus personagens.
O único personagem que vive realmente é o fugaz "olhos azuis cabelo preto", que aparece uma vez e acaba por ser o tema de conversa recorrente entre o homem e a mulher que, por alguma razão ainda estão juntos e partilham uma cama de hotel. Para quê? Não se explica.
Para além do mais, os personagens estão constantemente a chorar. Qualquer coisa que se lhes diga, choram. Qualquer coisa que aconteça, choram. Qualquer referência às boas memórias do "olhos azuis cabelo preto"... Choram. Que melodrama!
Não achei mesmo graça nenhuma a este livro. Não recomendo.
By : ladyxzeus
O Último Dia de Um Condenado
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O Último Dia de Um Condenado
Victor Hugo
1829
Romance
No mesmo dia em que encontrei aqueles livrinhos abandonados que falei antes, fui passear com o Qui a um jardim em Lisboa. Subitamente... "Achei um livro, este é meu!", diz o Qui! E à medida que fomos vendo o jardim... Fui encontrando cada vez mais livros! Trouxe quase todos, até que descobri que fazia tudo parte de uma libertação em massa ao estilo BookCrossing, mas organizado pela biblioteca da zona :)
Li este primeiro e devo dizer que gostei bastante.
Trata-se de uma reflexão sobre a pena de morte e o desespero que pode daí advir, narrada pelo próprio condenado nos momentos que precedem a sua execução. O autor narra, através deste personagem anónimo, os horrores da prisão para trabalhos forçados e a serenidade que um homem pode manter perante semelhante situação, que se vai desfazendo à medida que o momento fatal se aproxima. É interessante e belo ler os sentimentos do personagem em constante mutação, desde a aceitação inicial, ao pensamento da fuga, passando pelo desespero final em que há um último pedido de absolvição.
A situação que mais me tocou terá sido, sem dúvida, o momento em que o narrador se encontra com a sua filha de três anos, que não o reconhece, estabelecendo assim uma divisão profunda entre o condenado e aquilo que lhe resta da humanidade do seu passado.
Como extra, temos um conto curto chamado "Claude Gueux", em que o autor faz um breve manifesto sobre a necessidade actual (dentro da época) de educar as populações de forma a evitar crimes, estabelecendo a realidade num personagem que deita tudo a perder devido à sua própria simplicidade. De certa forma, semelhantes palavras ainda se mantém actuais: se educarmos, reduziremos certamente todos os crimes. Não poderei é concordar na bíblia como livro essencial, mas prontes, deixa estar, é o século XIX em França.
Agora não sei o que fazer com o livro, se o hei-de por a circular, se o devolvo à biblioteca, se o liberto no mesmo sítio... Ideias? :)
By : ladyxzeus
La Gloire de Mon Pére
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La Gloire de Mon Pére
Marcel Pagnol
1957
Autobiografia
Recebi este livro pelo BookCrossing. Foi o último livro de 2015 e também a primeira leitura de 2016. Quando ofereceram a oportunidade de o ler, questionei se estava escrito em linguagem simples... Afinal, já há muito tempo que não lia nada em Francês! Apesar de algumas palavras que tive de ir consultar, consegui lê-lo até ao fim! Foi uma leitura com algum interesse, mas que não gostei por aí além.
Marcel Pagnol escreve este livro auto-biográfico sobre a sua infância. Conta como o pai é uma pessoa especial (um ateu) e conhece a mãe e como a tia se casa um um religioso fervoroso. Depois disso, conta sobre a relação entre o pai e o tio e entre estes e as crianças. O livro tem algumas passagens bastante divertidas e, de certa forma, caracteriza bem a infância na época (suponho que seja algo como os anos 10-20), com todos os seus momentos divertidos e também as suas limitações.
Mas a parte que não gostei começa a partir de meio da narrativa, em que as pessoas começam a caçar e começam a ensinar as crianças a mexer em armas e a caçar. Para além disso, o narrador parece ter um grande prazer infantil em maltratar animais, o que me faz sempre imensa confusão. O relato de vários tipos de armas e das suas munições é inútil e aborrecido, para além de demonstrar que nesta época as pessoas tinham ideias bastante retrógadas acerca da vida selvagem e da sua conservação.
De resto, foi uma leitura que até foi bastante rápida. Vim a descobrir que este é apenas o primeiro de quatro livros sobre a infância do autor. Agora, até que ponto é a infância do autor importante para nós?
By : ladyxzeus
A Morte Feliz
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A Morte Feliz
Albert Camus
1936
Romance
Nunca tinha lido Camus. Assim, quando apareceu a oportunidade no BookCrossing de receber este livro, fui logo a primeira a por o dedo no ar! Diziam os comentários no site que este não seria o melhor livro dele e que toda a gente estava desapontada. Também que não era o melhor para começar. Mas achei precisamente o contrário. A verdade é que adorei o livro e tornou-se bastante especial para mim. Espero poder ficar com ele. Li-o de uma assentada no comboio para o Porto (como verão, mais livros virão e eu rimei)
Este livro fala da depressão. Um jovem que se sente inadaptado na sua cidade e na sua época, acaba por assassinar um conhecido que tem muito dinheiro, roubando-lhe a fortuna e viajando pela Europa. Na sua viagem, apenas encontra mais angústia, decidindo mudar-se para perto do mar, onde é assolado por uma misteriosa doença que acaba por lhe ceifar a vida.
Isto tudo poderia ser quase um Crime e Castigo, excepto que este livro não explora os conceitos de arrependimento e redenção. São significantes os locais e os objectos que o personagem encontra nas suas viagens, cada um deles representando algo que o atormenta e lhe perturba o sistema biológico, levando ao desenvolvimento da doença que acaba por o matar e encontrar a paz. Essa paz será motivada pelo encontro com jovens raparigas numa casa de onde se vê o sol, lugar que representa a calma e o regresso à inocência primitiva. Talvez o facto de não se ter falado da infância do personagem tenha ajudado nesta afirmação.
O livro é leve, bem escrito, sem forçar o conteúdo depressivo. Apenas acompanhamos a viagem do homem, com o seu declínio e finalmente a recuperação, com toda a naturalidade.
No geral, gostei mesmo muito e recomendo. Agora estou cheia de vontade de ler mais deste autor.
By : ladyxzeus



