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  • Amanhecer na Ceifa

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    Amanhecer na Ceifa
    Suzanne Collins
    2025
    Distopia

     

    Perante uma promoção da wook decidi pedir este livro recentissimo, algo um pouco estranho para mim que só leio livros velhos.

    Então, esta é a história de uns outros Hunger Games, com outras personagens e outros desafios. O protagonista é Haymitch, o único tributo do Distrito 12 que sobreviveu até à data dos acontecimentos da trilogia principal.

    Apesar de o livro ser extremamente violento e nos mostrar a luta destes jovens para derrubar o Capitólio desde logo, senti que lhe faltava a emoção da primeira trilogia, o desespero e a ansiedade. Por isso, toda a aventura quase que parece um passeio no parque, ficamos quase "mas porque é que ele está traumatizado, não aconteceu assim nada".

    De resto, este universo da arena é muito original e está muito bem concebido. 

  • A Sorrir Também se Vence

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    A Sorrir Também se Vence
    Daphne du Maurier
    1972
    Romance


    Imaginemos que a Inglaterra do século XX se reúne com os USA para fazer uma nova coligação de países. A partir daqui começa uma sucessão de pequenas desgraças, que poderão vir a concluir em grandes tragédias.

    A narrativa é bastante divertida, com um conjunto de personagens que são um bocadinho malucas, mas que se portam bem. No entanto, fica a questão de PORQUÊ esta união dos países, que não é de todo justificada, e porque é que os personagens se comportam como se estivessem a ser invadidos e em guerra, fazendo pequenas revoluções engraçadas para implicar com os americanos pelo, ao que parece, puro gosto de implicar.

    As discussões sobre as diferentes perspectivas, se os países se devem juntar ou não, pontuam todo o livro, mas ainda assim não compreendemos o porquê.

    E por isso acabou por ser uma leitura um pouco frustrante.

  • Civil War

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    Civil War
    Alex Garland
    2024
    Filme
    7 em 10


    A proposição é a seguinte: os Estados Unidos estão em guerra, mas desta vez com eles próprios. E esta guerra civil está a ser documentada por fotojornalistas, que decidem encetar uma viagem através do país para assistirem a um momento chave desta guerra.

    Através deste filme fiquei a conhecer melhor como funciona o trabalho de um jornalista de guerra, que sempre foi algo que me fez muita confusão (como tirar uma fotografia em vez de ajudar as pessoas?). De resto, foi fascinante ver as paisagens americanas abandonadas e destruídas, e assustador ver as identidades das pessoas sobreviventes desta guerra civil, a forma como sobrevivem, como se comportam e como se relacionam socialmente umas com as outras.

    Parece-me um filme importante, sobretudo nesta altura em que estamos tão politicamente divididos.

    Recomendo.

  • The Handmaid's Tale Season 4

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    The Handmaid's Tale Season 4
    Bruce Miller
    2021
    Série

    Se a terceira season de Handmaid's Tale foi frustrante e inútil, a quarta season compensa por todos os excessos narrativos e, finalmente, temos um avanço valioso na história. Também existem alguns episódios dirigidos pela própria Elizabeth Moss, que nos mostra uma visão cinematográfica muito interessante.

    Começamos onde a última série nos deixou, com Ofred (June) ferida e quase morta, ajudada pelas suas amigas de vermelho. A perseguição às handmaids inicia-se e a personagem revela-se cada vez mais forte e cada vez mais agressiva, com um sentido de justiça totalmente alterado pela situação em que foi forçada a viver. Conhecemos algumas novas personagens, que são aparentemente transitórias, e a história evolui para a liberdade do Canadá, onde começará nova vingança.

    Apesar de a personagem de June se esteja a tornar numa criatura bastante desagradável, o sentido dado a todo o trauma torna-a extremamente realista.

    Agora, teremos uma quinta season e o avançar para o The Testaments, conforme pedido por Margaret Atwood. Estou ansiosa por ver a conclusão!

  • The Man in the High Castle Season 4

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    The Man in the High Castle Season 4
    Frank Spotnitz
     2019
    Série
    Devo dizer que não estava especialmente ansiosa pela última season do Homem no Castelo Alto, também conhecida por "a série do edelweiss". Mas como era a última, pensei em fazer um último esforço.

    Mas o que esta última season nos deixa são perguntas: quem são estes da revolução comunista negra e de onde apareceram? Porque lhes estão a dar tanta atenção? Os judeus? Quem é este tipo que anda a beijar a Juliana? Porque é que a Juliana não tem expressão? Porque é que a família do Smith se foi isolar? Porque é que de repente os nazis são boas pessoas? E, finalmente, quem é aquela malta que sai do portal? Onde vai dar o portal?

    A série é descuidada, tentando desesperadamente atar todas as pontas mas esquecendo-se de uma série delas. Como se tudo o que aconteceu tivesse simplesmente desaparecido, também assim desaparecem personagens e actores, linhas narrativas, lugares.

    Penso que a única coisa que se aproveita desta série é UM actor e a música sobre as bolas do Hitler.

    Espero que não se lembrem de um remake.
  • The Testaments

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    The Testaments
    Margaret Atwood
    2019
    Romance
    Há algum tempo que vinha acompanhando as notícias do lançamento da sequela do livro de "The Handmaid's Tale". Por isso, assim que o vi à venda, não resisti!

    Uma leitura viciante, que nos mostra mais dos anais de Gilead e nos conta o início do fim desta sociedade teocrática. Desta vez, o foco não está nas handmaids: está nas crianças e nas aunts. É narrado por três pessoas diferentes: a Aunt Lydia, que já conhecemos; Agnes, que conhecemos da série, uma criança criada em Gilead; e Daisy, que foi tirada desse país em bebé e vive agora no Canadá.

    São-nos dadas explicações sobre outras partes do funcionamento desta sociedade, nomeadamente o tratamento dado às crianças, às meninas em específico. A sua perspectiva de futuro é assustadora, de tão limitada, sendo que lhes é desde cedo incutida a noção de que a sua função na sociedade é a de procriar. Mas há formas de escapar a isso. É aí que conhecemos as Aunts, as únicas mulheres autorizadas a ler neste lugar.

    Ficamos a saber um pouco da história original da Aunt Lydia e de como as Aunts o vieram a ser. Isto também é muito interessante, porque nos mostra como existem mulheres que chegam a posições de poder.

    Cada personagem tem a sua própria linguagem e isso é muito giro também, porque conseguimos saber - só pela forma como está escrito - quem está a falar. A trama está muito bem desenvolvida, revelando-se a pouco e pouco até à apoteose final, que é tanto inesperada como merecida.

    O acto final, semelhante ao do livro original, dá-nos esperança no futuro.

    Recomendo vivamente e vou agora já partilhar o livro!
  • The Handmaid's Tale Season 3

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    The Handmaid's Tale Season 3
    Bruce Miller
    Série
    2019

    Estávamos ansiosos pela terceira season de "The Handmaid's Tale". Mas estes episódios foram uma amálgama confusa de dados e detalhes que acabaram por não nos levar (quase) a lado nenhum.

    A parte positiva é que ficamos a conhecer um pouco melhor os trâmites da vida em Gilead, o que é uma coisa que me deixa sempre curiosa. Por outro lado, a série prossegue sem qualquer rumo, sem uma busca por uma conclusão, sendo que apenas se anima um pouco nos dois últimos episódios.

    June está cada vez mais isolada nas suas manias, sendo que nesta season exageram imenso: várias vezes, se isto fosse real, já a personagem principal teria sido morta ou torturada de forma terrível.

    Também a cinematografia deixa de ser tão impressionante como era anteriormente, simplesmente porque o que as imagens mostram parece ser pouco importante, quase irrelevante, e tudo o que queremos é que a história avance e possamos assistir ao desfazer de Gilead.

    O último episódio compensou, mas fiquei bastante desapontada com esta season.

     
  • Fahrenheit 451

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    Fahrenheit 451
    François Truffaut
    1966
    Filme
    7 em 10
    Fahrenheit 451 é a temperatura a que um livro arde. Baseado no romance homónimo, este filme de 1966 mostra-nos um universo distópico em que os livros foram eliminados.

    Seguimos a história de um bombeiro que, no processo de queimar livros todos os dias, acaba por se apaixonar pela leitura. É-nos dada uma visão pessimista deste mundo, em que os livros são tidos como histórias que apenas desconcentram as pessoas das coisas realmente importantes, dando-lhes ideias fantasiosas e, no fundo, enchendo-as de tristeza.

    Mas também nos é dada uma luz de esperança: existe um grupo de pessoas que, apaixonadas pelos livros, devoraram-nos, decoraram-nos e, assim, se tornaram pessoas-livro. Livros vivos que nos contarão a sua história a pedido ou simplesmente porque agora é essa a sua forma de estar e viver.

    Com efeitos curiosos para a época, apesar da destruição maciça de livros, é uma história apaixonante.
  • The Man in the High Castle

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    The Man in the High Castle
    Frank Spotniz
    Série - 10 + 10 + 10 Episódios
    2015

    Começámos a ver esta série inspirada no livro de ficção científica homónimo, de Philip K. Dick. Apesar de ao longo da série nos afastarmos cada vez mais do livro, não deixa de ser um exercício distópico interessante. A proposta é que em vez de os Aliados ganharem a segunda guerra mundial, o mundo esteja agora dividido entre os elementos do eixo Alemanha e Japão. Assim, o continente norte-americano está divido em dois, sendo o lado Este japonês e o Oeste alemão.

    Nesta América dividida, vivem várias pessoas e famílias que se irão ligar de formas inesperadas e partilhar um destino em comum, enquanto buscam a paz permanente ou mesmo a libertação completa. A juntar tudo isto estão os estranhos filmes do Man in the High Castle: a Resistência anda a juntá-los para os levar a esta misteriosa figura, enquanto que os nazis os procuram para que sejam guardados por Hitler, que ainda está vivo e de saúde.

    Padece esta série de muitos problemas que são comuns também em anime. Por alguma razão (o prolongamento da série), os personagens sobrevivem a todas as aventuras e estão sempre prontos para mais uma oportunidade de brilhar. Isso acaba por fazer com que não nos liguemos especialmente a nenhuma delas, excepto aquelas que têm actores mais certos do seu esforço e trabalho.

    Temos uma boa recriação deste universo fantástico, mas fiquei com pena que não tivessem aproveitado toda a tecnologia futurista que estava no livro. Mais para a frente na série começamos a compreender que se passa aqui algo de mais eclético do que se poderia esperar, mas quem sabe o que irá acontecer?

    A quarta season já está planeada, será que vai concluir esta saga?
  • Ice

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    Ice
    Anna Kavan
    1967
    Romance

    Livro sugerido no (agora adormecido) clube de leitura Eden. Uma autora que não conhecia e que tem uma curiosa história de doença mental e heroína. Se no prefácio isto não me parecia importante, penso que depois de se ler o livro podemos encontrar aqui algumas ligações.

    Um homem procura uma rapariga, toda branca, toda pálida, de lugar em lugar, de país em país, encontrando-a por vezes, perdendo-a nas outras. Mas a sua busca é atormentada por uma imensa parede gelada, uma nevasca cada vez mais sólida a que é impossível resistir.

    Penso que cada capítulo deste livro é, uma e outra vez, a mesma história. Os lugares são os mesmos, as pessoas são as mesmas. Um sonho recorrente, digamos. Um pesadelo recorrente. Assim, este livro deve ser encarado como um desafio simbólico, em contraste com o poder da narrativa pura do romance típico.

    No entanto, creio que a interpretação evidente poderá ser muito redutora. "Representar a droga pela neve" parece-me altamente limitador, sendo que perdemos outras nuances que podem ter simplesmente a ver com as experiências da autora e uma manifestação das suas memórias de final de vida.

    No ano seguinte, Anna Kavan morre.

  • The Handmaid's Tale Season 2

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    The Handmaid's Tale Season 2
    Bruce Miller
    Série - 12 Episódios
    2018

    Foi com muita ansiedade que esperávamos a segunda season de uma série que me fascinou e que, para bem da verdade, me fez ter vontade de ver mais séries do género (e eu, como sabem, não sou muito de ver coisas com seres humanos).

    Esta season já se afasta na totalidade do livro, que - como referido - já teria terminado há muito. No entanto, consegue dar uma nova profundidade às personagens e a este universo, acrescentando mais camadas detalhadas sobre a sociedade que nos tenta revelar.

    Existe uma oferta de mais poder à figura feminina que, podendo parecer gratuita, acaba por se revelar muito importante para a caracterização do mundo social deste "conto". Assim, temos algumas reviravoltas que nos deixam com a expectativa sempre à beira de um ataque de nervos, em que a  estrutura da hierarquia social parece pender para um lado ou para o outro, oferecendo ao espectador sempre uma esperança e, consequentemente, sempre a vontade de ver mais um episódio. Que pena que só sai uma vez por semana!

    A narrativa torna-se mais violenta, mais desesperada, mas as nossas personagens encontram novos aliados e novas vantagens que nos permitirão uma perspectiva para uma season 3. Existem momentos de um realismo brutal, mas em outros a situação parece demasiado iverosímil para o conmntexto. Espero que seja um aspecto a melhorar na próxima season.

    De resto, a técnica de filmagem foi aperfeiçoada e já não temos transições tão forçadas, mantaendo sempre a beleza da imagem e o detalhe do cenário. Apresenta-se-nos uma nova classe de pessoas com todo um guarda roupa que não deixa de fascinar.

    E agora? Talvez para o ano... ;)
  • The Handmaid's Tale

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    The Handmaid's Tale
    Bruce Miller
    Série - 10 Episódios
    2017

    Quando soube que um dos livros mais emocionantes de Margaret Atwood tinha sido adaptado para série, fiquei logo cheia de vontade de a ver. Eu, que nem séries vejo. Eu, que nem séries classifico, porque nem séries vejo. Mas vi esta. :)

    Num futuro distópico, em que não nascem bebés devido à contaminação nuclear, sobe ao poder nos Estados Unidos um grupo teocrata que acredita que, através do medo, violência e limitação cultural, conseguirão dar a volta à situação. Para fazerem nascer bebés segundo as ordens de um misterioso deus, fazem recurso das "handmaids", criadas que irão gestar e parir uma eventual criança-. São escravas. São prisioneiras. Foram tiradas das suas vidas normais para estar ali.

    Tudo isto funciona como no livro. Infelizmente vou ter de fazer uma comparação, pois este ainda está muito vivo nas minhas ideias. Nos primeiros episódios temos uma sucessão de flashbacks da vida normal, de como o mundo veio a ser assim, de como as "handmaids" foram ali parar. Nos seguintes, a série afasta-se do livro, mostrando-nos acontecimentos a outras personagens e explorando os antagonistas. Ao longo de toda a série há uma sensação de revolta, esperança e revolução que simplesmente não existe no livro. O facto de darem um nome a Ofred também ajuda a essa percepção de que estamos perante uma crítica social.

    Em termos cinematográficos, é uma série com erros de edição flagrantes, que retiram muitos dos momentos emocionais que a narrativa tem. De resto, guarda roupa e banda sonora estão excelentes, assim como a prestação das actrizes. Infelizmente, muitos dos momentos, devido à tal edição, acabam por nos dar a sensação de que estamos perante uma novela.

    Fiquei com muita vontade de ver a segunda season, espero que saia entretanto!
  • Metro 2033

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    Metro 2033
    Dmitry Glukhovsky
    2005
    Pós-Apocalíptico

    Ganhei este livro na ida Convenção do BookCrossing de há uns anos atrás e o Qui ficou com ele. Li-o nos Açores. :) Só agora, quando estava à procura dos dados para por no blog, descobri que se trata de um franchising enorme e que até tem um jogo de vídeo!

    É um livro muito interessante, apesar de ter várias pequenas falhas que deixam que pensar. Em 2033 a humanidade vive reduzida ao metro de Moscovo, deivdo a um desastre nuclear que destruiu quase toda a vida à superfície. Quando na estação de VKNYh começam a aparecer seres estranhos e muito maléficos, um jovem - Aryon - tem de viajar por todas as linhas de metro de forma a salvar o que resta da humanidade.

    Mas este metro está organizado numa sociedade em miniatura e existem todos os tipos de ideologias e crenças, que muitas vezes são incompatíveis umas com as outras. Assim,t emos uma estação de neonazis em oposição a uma Linha Vermelha comunista. E depois, o perigo da superfície, onde vivem monstros mutantes horrendos e muito perigosos.

    No entanto, algumas coisas ficam por explicar. Por exemplo, como se livram dos dejectos. Que é da outra fauna urbana sem ser os ratos. Como é que as luzes de emergência continuam a funcionar. Onde é que arranjam roupa. E assim por diante. São pequenos detalhes da construção do universo que, se esclarecidos, o tornariam muito mais rico.

    De resto, é uma leitura simples, rápida e muito cativante. O final foi um pouco forçado e, sendo imprevisível, seria escusada a "revisão da matéria dada" no último capítulo.

    É um livro que não alimenta nada, mas que é muito divertido!
  • A Cidade das Crianças Perdidas

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    A Cidade das Crianças Perdidas
    Marc Caro & Jean-Pierre Jounet
    1995
    Filme
    6 em 10

    Vimos um filme do realizador da famosa Amélie Poulan. No fundo, a estética é semelhante, apesar de o tema ser diverso.

    Num mundo distópico, em que toda a cidade é uma espécie de espectáculo circense, as crianças vêm desaparecendo. Porquê? Porque há um homem mau, sem qualquer tipo de sentimentos, que deseja sonhar. Assim, penetra nos sonhos das crianças que rapta para ver se consegue ter um sonho de algum tipo. No entanto, todas as crianças que adquire têm pesadelos. Quando o irmão mais novo do homem mais forte do mundo desaparece, este une-se a uma órfã muito esperta para o encontrar. Será que vão conseguir?

    O universo está muito bem recriado e conseguimos realmente ver como as pessoas vivem nesta cidade fantástica. O mundo como um circo é mais terrível do que se possa imaginar e muito menos divertido. A estrutura dos cenários, o guarda roupa e as próprias personagens dão-nos uma ideia muito forte do que se passa neste lugar, sendo que conhecemos vários momentos muito interessantes, desde o orfanato até um grupo de religiosos fanáticos.

    As interpretações são diversas, sendo que achei extraordinários os papéis das actrizes "siamesas". No entanto, as relações entre os personagens acabam por se tornar um pouco estranhas com a progressão do filme.

    A conclusão foi um pouco insatisfatória (será que ficam todos bem?), mas no geral o filme é bastante divertido. Para além disso, aparece um cão (apenas um figurante) muito parecido com o falecido Infeliz. :)

    Mais uma prova de que o cinema europeu sempre teve muito para dar.

  • 1984

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    1984
    Michael Radford
    1984
    Filme
    7 em 10

    Como li o livro muito recentemente, o Qui achou bem que víssemos o filme de 1984. Existe um mais antigo. Infelizmente, o romance ainda está muito vivo nas minhas ideais e não pude deixar de comparar os dois. Assim, este comentário será mais uma comparação.

    Para começar, achei que a interpretação do universo era imensamente mais pobre e mais antiquada do que aquilo que o livro relatava. No filme é tudo muito antigo e tudo muito sujo, enquanto que no livro apenas a secção da cidade dedicada aos Proles era assim. No entanto, o guarda roupa está muito bem interpretado. A imagem do Big Brother é um pouco "realista" demais comparado à ideia que nos deram no livro, sendo que Goldstein também aparenta ser uma pessoa muito mais próxima da normalidade. Todo o ambiente é recordatório de algum tipo de guerra ou de sistema político que tenha existido na nossa realidade, enquanto que no livro o sistema é tão diferente e de tal forma avançado que funciona por si próprio como fonte de inspiração.

    Além do mais, há alguns cortes em detalhes que tornariam o filme tanto mais longo como muito mais rico Por exemplo, o amigo que é vaporizado (creio que nunca referem este termo), o facto de Julia também assistir à reunião, os princípios de Ingsoc, a gramática do Newspeak... Os próprios detalhes do quarto alugado e o facto de eles terem lá passado muito mais tempo. As estações não passam no filme, pelo que parece que toda a acção é muito rápida. As secções de "sonho" não são claras enquanto memórias.

    No entanto, foi acrescentado um detalhe interessante, que é o campo verde perante a cidade escura.

    O final também é um pouco frustrante, pois a lavagem cerebral efectuada não é tão evidente como no livro. Aqui, os personagens viram bonecos, enquanto que no livro o seu pensamento é alterado com tal profundidade que eles continuam aparentemente pessoas normais. Para além disso, não houve as declarações no telescreen. Finalmente, o encontro final com Julia foi demasiado longo e deu a entender que esta teria o mesmo destino (a morte), enquanto que no livro aparenta ser-lhe dada uma segunda oportunidade.

    No entanto, gostei muito desta interpretação. Não sendo perfeita, captura bastante bem o universo.-

  • The Lobster

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    The Lobster
    Yorgos Lanthimos
    2015
    Filme
    6 em 10

    Comecei a ver este filme e adormeci a meio. Bem, adormeci ainda no início. Devo dizer que passei a noite inteira a sonhar com ele porque estava muito curiosa com o final, mas quando fui ver o fim no dia seguinte fiquei um pouco desapontada.

    Num futuro próximo e muito distópico, todas as pessoas sem um "par", isto é, que não estejam casadas, são enviadas para o Hotel para encontrarem um par num período de 45 dias. Se não conseguirem são transformadas em animais. Este homem, que foi para o Hotel porque a mulher o trocou por outro, quer ser uma lagosta.

    O universo é muito estranho e, infelizmente, não é de todo explicado. O absurdo é tido como parte da vida e qualquer tipo de detalhe sobre como chegámos a este ponto e o porquê fica de fora. Por isso é que o filme me desapontou, porque era isto o que eu queria saber.

    Para além disso, todos os actores fazem os seus papéis de forma um pouco estranha. Todos falam como se estivessem a ler do teleponto, com uma falta de naturalidade absurda. Isto, no universo do filme, pode fazer algum sentido, mas porque razão falará toda a gente assim, até mesmo quando estão livres do Hotel?

    Também gostaria de ter visto explicado o processo de transformação de pessoas em animais.

    O final é muito inconclusivo e acaba por não tomar uma posição no aspecto mais importante do filme: será que o amor é real? Ou será que só podemos amar os nossos semelhantes? Isto é, uma pessoa pitosga só pode estar com outra pessoa pitosga? Uma pessoa sem coração só pode estar com outra pessoa sem coração?

    Um filme que peca pela falta de explicações muito desejáveis.

  • 1984

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    1984
    George Orwell
    1949
    Romance

    Curiosamente, ainda não tinha surgido a oportunidade de ler este livro icónico. Por um lado, estava com medo de ficar desapontada, mas a verdade é que me tocou de tal maneira que ainda recordo todos os detalhes...

    Um homem vive a sua vida normal como membro da Outer Party em Airstrip One, antiga Grã-Bretanha, membro do estado de Oceania. Oceania está em guerra, sempre em guerra. E a função deste homem é alterar os jornais conforme as vontades do Big Brother, uma figura quase etérea que observa tudo e todos através dos telescreens instalados por toda a parte.

    Ora, este homem não se sente bem com o facto de o passado estar constantemente a ser reescrito, de tal forma que a nova geração já não se recorda dele e é imediatamente manipulável ao ponto de obedecer cegamente a toda a informação que é gerada. Ele conhece Julia, uma rapariga fora do vulgar que gosta de se relacionar com os outros (o que é extremamente proibido). A partir daí, a sua luta interna contra o sistema leva-o a cometer um crime: thoughtcrime. O crime é pensar que se pode algum dia revoltar contra o Big Brother.

    Este livro é impressionante pela sua modernidade. Pensei que o livro fosse mais antigo, mas a verdade é que mesmo tendo sido escrito nos quase anos 50, é extraordinário como o autor conseguiu conceber um universo distópico tão futurista que até hoje poderia ser aplicável. Aliás, especialmente hoje... Este mundo é altamente detalhado, a ponto de ficarmos a conhecer toda a forma de vida e, sobretudo, a forma de pensar destas pessoas. O autor inclui mesmo, no final, um compêndio gramatical de Newspeak: tudo foi pensado ao detalhe.

    O final é um pouco triste, mas plenamente realista dentro do contexto. Por um lado, acreditei mesmo que se conseguisse processar uma mudança...

    Outro detalhe que gostaria de referenciar: o Big Brother é normalmente traduzido por "O Grande Irmão", mas a mim parece-me que dentro deste universo seria algo mais como "O Irmão Mais Velho", pois todos os intervenientes são "irmão" ou "irmã".

    Enfim, um livro que me marcou e que, certamente, ainda se mantém actual.

  • V de Vingança

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    V de Vingança
    Alan Moore e David Lloyd
    1988
    Banda Desenhada

    Este foi o primeiro volume da já referida colecção da Levoir com o jornal Público. Li-o a seguir ao anterior, porque foi por essa ordem que os comprei, lol

    V for Vendetta é um título de muitos conhecido, sobretudo depois da banalização das máscaras de guy fawkes pela comunidade nerd que gostaria de se revoltar contra alguma coisa. De tal forma banalizada que chamam as máscaras de "anonymous", quando não tem (nem nunca teve) nada a ver com isso. Já conhecia mais ou menos a história porque havia visto o filme na altura em que saiu. Ainda assim, a novela gráfica original foi uma surpresa para mim.

    Numa previsão muito pessimista do futuro (que, curiosamente, se veio a concretizar dentro da sua época), o Reino Unido está isolado do resto do mundo e subjugado por um sistema opressivo que tudo e todos controla. No entanto, há uma figura subversiva no meio disto, que procura ensinar à população, a passo e passo, o verdadeiro significado de ser livre, procurando instaurar uma anarquia de verdadeiros significados através do desmantelamento agressivo e progressivo do sistema.

    Este conceito é, sem dúvida, muito original e quase aterrorizante, apesar de inspirador ao ponto de na vida real a "máscara" se tornar um símbolo da luta pela liberdade. A narrativa está plena de debates significativos sobre estes conceitos e também de mecanismos que permitem aos personagens uma evolução constante e relevante tanto para o contexto como para si próprios. São personagens muito cativantes, que evoluem pela necessidade de aprender como se libertarem do sistema e serem, simplesmente, eles próprios enquanto indivíduos.

    Infelizmente, não apreciei muito o campo artístico. Achei os designs um pouco confusos, sobretudo todas as vezes que mudava o foco de luz (e, por isso, mudavam as cores das pessoas), sendo que por vezes era difícil distinguir quem era quem. Também achei que poderia ter havido um pouco de mais detalhe no respeitante aos edifícios. No entanto, o design de V foi de puro génio, sendo que se encontrou aqui um símbolo que até ao momento continua cheio de sentido.

    Foi uma leitura fascinante e, agora, quase tenho vontade de rever o filme. :)
  • Mad Max: The Road Warrior

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    Mad Max: The Road Warrior
    George Miller
    1981
    Filme
    7 em 10

    Por sugestão de Qui, vimos este filme no fim de semana. Por alguma razão, nenhum de nós se conseguia lembrar do nome dado a este tipo de cenário pós-apocalíptico (deserto com carros), sendo que até ao momento não me lembro também. Portanto fui pesquisar: continuo sem encontrar. Quem me ajuda? É o mesmo género que o Hokuto no Ken, se virmos anime.

    Adiante!

    Este filme do início dos anos 80 mostra-nos uma aventura de Max, um condutor errante por um universo destroçado onde apenas importa uma coisa: a gasolina. Com ela, poderemos chegar a qualquer outro lugar, salvar as nossas vidas, começar uma vida diferente. No entanto, nem sempre é fácil consegui-la. Existem bandos e gangues mais ou menos organizados que se reúnem para roubar gasolina aos passantes, que se organizam em grupos para se poderem defender. Max, no meio disto tudo, é um solitário com um passado triste: ele procura isolar-se, mas acaba por se ver envolvido com variadas pessoas e, devido à sua própria natureza, não pode ignorar os seus apelos por ajuda.

    O elemento mais curioso deste filme será, sem dúvida, todo o ambiente em que é passado. O cenário de desolação é cativante, sendo que a forma como a civilização deste futuro está retratada tem as suas nuances que nos levam a dar asas à imaginação. Tudo isto é ajudado por um espectacular guarda-roupa com uma inspiração muito livre, que poderá simbolizar uma série de coisas.

    A história é simples, apesar de termos bons actores, com destaque para Mel Gibson que, quase sem falar, consegue demonstrar todos os pequenos detalhes do seu personagem. Se bem que, para mim, o melhor actor é mesmo o cão (de nome "cão"). Tendo isto em conta, trata-se de um filme que se foca sobretudo em carros e camiões em diversas corridas e perseguições. Que explodem frequentemente. E isto é tudo o que poderíamos querer!

    Repare-se na data deste filme: 1981. Os efeitos digitais eram pobres nesta altura, e muito caros. Os efeitos especiais deste filme são todos feitos com modelos, com objectos, com um excelente trabalho de edição. Isto é admirável, pois é uma arte que se tem vindo a perder nos dias de hoje.

    Gostei muito deste filme e fiquei com bastante vontade de ver o resto da trilogia (o primeiro e o terceiro que, segundo consta, tem a Tina Turner a cantar) :)
  • The Handmaid's Tale

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    The Handmaid's Tale
    Margaret Atwood
    1985
    Ficção Científica

    Depois de Senhora Oráculo fiquei com o bichinho de conhecer melhor a autora Margaret Atwood. Para minha grande sorte, o BookCrossing possui uma inveterada fã que, amorosamente, me emprestou este livro e outro. Não podia ter ficado mais surpreendida com a versatilidade da autora! Desta vez, temos um livro de ficção científica num futuro distópico, relatado de uma maneira dolorosamente pessoal e com resultados extraordinários.

    Neste universo, parte dos Estados Unidos passaram a ser um novo país: Gilean. Nesse país, após perseguições e horrores diversos, as mulheres foram colocadas num novo lugar. Agora, servem simplesmente o propósito de reproduzir e servir os homens. Neste futuro, as crianças são um bem escasso. Assim, tudo deve ser feito para as criar. No entanto, a aura religiosa extremamente fascista que paira sob todas as situações torna impossível a felicidade destas mulheres, inseridas numa cadeia hierárquica altamente rígida que em nada contribui para que uma pessoa possa desenvolver qualquer tipo de identidade própria.

    Offred, da qual não conhecemos o nome verdadeiro, é uma Handmaid. A função dela, neste mundo, é reproduzir. Para isso, foi atribuída a um Comandante e à sua Esposa, de forma a ter filhos por eles. A forma como ela conta aquilo que aconteceu e o que está a acontecer, a sua dificuldade em adaptar-se a este universo totalitário, é extremamente único e pessoal, demonstrando uma dor e ainda assim uma tenacidade por se manter viva. Será que isso aconteceu? Nunca saberemos, apesar da nota positiva (embora muito estranha) do final.

    É uma ficção científica original e extraordinária. Pela primeira vez, temos uma visão totalmente negativa, sem esperança, sem que ninguém tome atitudes heróicas para salvar a humanidade. A sociedade como a conhecemos está destruída e nada se pode fazer para a mudar. A personagem admite isso, mas apesar de tudo, enquanto pessoa, enquanto mulher, é para ela impossível admitir a derrota.

    Ansiosa por chegar ao outro livro de Atwood que a amiga BookCrossiana me emprestou :)
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