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  • Sing Sing

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    Sing Sing
    Greg Kwedar
    2023
    Filme
    6 em 10

    Numa prisão de alta segurança, um antigo traficante de droga estimula a criação e manutenção de um grupo de teatro. Vamos conhecer estes perigosos prisioneiros à medida que o teatro estimula a partilha dos seus sentimentos e a capacidade de manter a calma nos piores momentos.

    E este filme mostra-nos como o teatro é realmente terapêutico e maravilhoso.

    No entanto, o argumento é bastante simplista, indo do ponto A para o ponto B da maneira mais óbvia possível. Não há muito a falar sobre isto, excepto que a narrativa nos obriga a perdoar estes criminosos e a vê-los como pessoas humoradas e reais, o que é uma coisa boa, mas de uma forma tão básica que isso se torna uma coisa chata.

    Ainda assim gostei bastante porque amo teatro e nada me vai impedir.

  • A Complete Unknown

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    A Complete Unknown
    James Mangold
    2024
    Filme
    6 em 10


    É sempre um pouco difícil falar do misterioso e pouco vocal Bob Dylan, e este filme faz uma tentativa de biopic que vai desde o momento em que começa a tocar em festivais de folk até ao momento em que decide que as guitarras eléctricas são bastante giras.

    Fico sempre feliz por ver o Timóteo, e o Timóteo a cantar até se dá bastante bem, porque dá um pequeno twist nas músicas e torna-as um pouco mais pessoais, em vez de ser apenas uma imitação.

    De resto, a história contada - segundo me constou - corta bastantes elementos da pessoa real que foi (e é) Dylan, cortando a história precisamente quando ela se torna um bocadinho estranha (depois de um acidente de mota, o artista virou-se para a música religiosa)

    Sem ser pela performance e pelo belíssimo aspecto do Timóteo, temos pouco a acrescentar.

  • Ferrari

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    Ferrari
    Michael Mann
    2023
    Filme
    6 em 10


    Mais um biopic (para a minha colecção de biopics) que pouco fala do trabalho da pessoa, preferindo focar-se na amante da pessoa.

    Fora isso, temos cenas fabulosas de corridas de carros vintage, com paisagens maravilhosas, tudo isto feito com efeitos práticos, o que é sem dúvida de valor. A cena chave do filme, a do acidente na corrida, é chocante e fantástica, e funciona lindamente.

    Se não fossem as corridas de carros, este filme não teria interesse absolutamente nenhum.

    De resto, muito gostam de por o Adam Driver a fazer de italiano.

  • Maestro

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    Maestro
    Bradley Cooper
    2023
    Filme
    5 em 10


    Um filme feito por Bradley Cooper, escrito por Bradley Cooper, com Bradley Cooper no principal papel, que é sobre Bradley Cooper, aliás, sobre um Maestro. Mas que mania destes realizadores de fazer filmes sobre pessoas que exisitirem e de falar sobre tudo menos a pessoa em causa.

    Este filme sobre Leonar Bernstein fala sobre tudo menos o trabalho de Bernstein. Fala da mulher de Bernstein, que quase que é a personagem principal (a actriz, aliás, faz um papel muito mais competente que Cooper), fala dos amantes de Bernstein, mas... E a música? Do trabalho de Bernstein não fala quase nada.

    Isso choca-me.

    É um filme longo, aborrecido até a um estado de quase morte, e que entre as curiosidades de Bernstein ser um taradão gay, não nos conta mais nada sobre a vida do grande artista.

    Falha redondamente.

  • Priscilla

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    Priscilla
    Sofia Copolla
    2023
    Filme
    7 em 10


    Por trás do famosíssimo Elvis Presley estava, invisível e desconhecida, Priscilla. Mas de onde veio ela? Este filme conta a história trágica do grooming horrível feito a uma adolescente, uma criança, essencialmente retirada dos seus pais pela maior estrela da sua geração para viver encerrada num palácio encantado, sem companhia, sem amigos, sem ninguém, forçada a ter uma imagem artificial montada pelo marido e forçada a estar lá para ele sempre que tinha vontade do que quer que fosse.

    O filme tem uma imagética saudosista terrível, como se Priscilla fosse um bibelot desse passado, como se ela fosse apenas mais um elemento decorativo. A sua libertação é um alívio, mas a forma como ela é manipulada e manietada para agradar à grande estrela, aqui caracterizada como um homem vulgar, mimado, burro - sem o glamour das suas canções, que nunca aparecem - é simplesmente nojento.

    O símbolo dos corredores, como se a personagem estivesse sempre de passagem, como se o tempo passasse por ela sem que ela tenha qualquer controlo sobre o que se passa, é muito forte. 

    Uma história que tem tanto de desconhecido como de real, e que desfaz a imagem da estrela ascendente que todos conhecemos e amamos.

  • Chaplin

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    Chaplin
    Richard Attenborough
    1992
    Filme
    5 em 10


    Um biopic sobre a vida de Charlie Chaplin, mas que fala essencialmente sobre as mulheres de Charlie Chaplin e da forte preferência que ele tinha por raparigas menores de idade. Portanto, Charlie Chaplin era um pedófilo, e esse filme fala sobre isso e praticamente só sobre isso.

    Gostaria que o filme tivesse falado sobre o seu processo criativo, sobre os seus filmes, sobre a repercussão dos seus filmes, mas ele toca nisso muito levemente, preferindo falar sobre as mulheres e ninfetas que ele foi conquistando ao longo da vida.

    E sobre o facto de ser um pseudo-comunista e de nunca ter sido totalmente aceite como cidadão nos Estados unidos.

    Vale o filme pela performance do actor, Robert Downey Jr., que antes de ser o Iron Man até sabia actuar.

  • Oppenheimer

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    Oppenheimer
    Christopher Nolan
    2023
    Filme
    7 em 10


    Fomos de propósito ao Cascais Shopping para ver este filme em IMAX. Foi a minha primeira experiência com o formato e nem por isso achei especial. Sim, é maior, mas não sei se me faz grande diferença.

    Este filme é uma biografia do homem que desenvolveu a bomba atómica, abordando o dito desenvolvimento, as consequências éticas e a sua perseguição pelo maccartismo devido às suas ligações comunistas.

    Com planos cheios de beleza e, ao mesmo tempo, um grande realismo humano, este filme acaba por não falar da bomba atómica em si, nem dos seus efeitos, mas sim sobre este homem cheio de características únicas. Apesar disso, achei que alguns detalhes da sua vida poderiam ter sido mais explorados: várias coisas são mencionadas apenas uma vez e depois o filme não estabelece isso como verdadeiro para a personagem.

    Apesar de ser um filme longo, com mais de três horas, a edição faz com que passe tudo muito rápido. Portanto, foi bom de se ver.

  • Weird: The Al Yankovic Story

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    Weird: The Al Yankovic Story
    Eric Appel
    2022
    Filme
    6 em 10


    Todos sabemos quem é o Weird Al, o melhor acordeonista de sempre de uma banda altamente obscura de um género de música muito específico. Portanto, se queremos saber tudo sobre a sua origem, vida e morte (?) é necessário ver este filme que, como é evidente, só conta a verdade.

    Claro que na cabeça do Weird Al a verdade é um pouco diferente do que esperavamos. Ninguém sabia que ele tinha tido um tórrido caso de amor com a Madonna. Também ninguém sabia que ele destruiu o Pablo Escobar na sua própria festa de anos. E é claro que ninguém sabia que ele tinha morrido na entrega dos Grammys, em que arrebatou o prémio ao próprio Prince.

    Enfim, é uma aventura divertidíssima, que faz rir do início ao fim, com uma performance hilariante de Daniel Radcliffe e muita, mesmo muita, música de paródia.

    E, tal como se diz no fim, é tudo verdade. Como todos os filmes que vimos até agora.

  • Tick, Tick... Boom!

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    Tick, Tick... Boom!
    Lin-Manuel Miranda
    2021
    Filme
    7 em 10


    Um filme inesperado e inspirador, sobre uma estrela fugaz do mundo dos musicais da Broadway ou, se formos a ser mais precisos, off-Broadway. Baseado no único musical de Jonathan Larson, fala precisamente sobre a vida do autor, que no momento do filme está a passar por uma crise existencial: a crise dos 30 anos.

    Com muita música, dança e alegria, este filme aborda uma série de temáticas, desde a aceitação da arte enquanto arte, o esforço do artista para criar arte e o medo de falhar. Mas também aborda situações sociais complexas, como a epidemia de HIV dos anos 90 e o sentido das relações humanas.

    Misturando as músicas do musical original com as do musical que nunca aconteceu, acabamos por conhecer este homem, este artista que faz músicas com tudo quanto existe, torcendo por ele, e afundando-nos na sua tristeza quando a sua arte não é globalmente aceite.

    É um filme precioso, que recomendo.

  • King Richard

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    King Richard
    Reinaldo Marcus Green
    2021
    Filme
    5 em 10


    Ainda nos mantendo no universo dos biopics, este era um dos que estava mais ansiosa para ver da Oscar Wave. Revelou-se um exercício irritante e frustrante.

    Este filme aborda Richard, o pai de Venus e Serena Williams que - como sabemos - são as maiores estrelas de sempre do ténis mundial. No entanto, nesta altura ainda eram crianças, e Richard precisa de um treinador para que elas se elevem à qualidade que merecem. No entanto, esta figura paterna é altamente violenta, teimosa e volátil. Assim, porque tomamos esta pessoa como um exemplo a seguir? Porque fazemos um filme sobre um homem que, essencialmente, só pensa em si próprio e no plano que criou, muitas vezes chegando a ponto de impedir as filhas de brilhar?

    Para além disso, o filme é toda uma ode de comiseração por Compton, pelas pessoas negras de Compton, e pelas pessoas negras no geral. Penso que é por isso a nomeação que temos, porque realmente o filme fala da injustiça no mundo do desporto. Mas como o discurso é repetido várias vezes, acaba por ser algo cansativo.

    Fiquei desapontada.

  • Spencer

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    Spencer
    Pablo Larraín
    2021
    Filme
    7 em 10


    Ao início eu não queria ver este filme por um puro ódio de estimação à actriz, Kristen Stewart, que só tinha visto em filmes péssimos. Quando foi nomeada para Melhor Actriz no Oscar, pensei duas vezes.... Se calhar é melhor verificar o que se passa.

    Este filme é um perfeito exemplo do que um biopic pode e deve ser. Trata apenas de meia dúzia de dias, o Natal, na vida da famosa Princesa Diana. No entanto ela já não está no conto de fadas, está triste, psicologicamente doente, e deseja fugir daquela família que está ainda totalmente enraizada no passado.

    E aqui, Stewart faz um trabalho excelente. Tanto é a mãe sincera como bulímica desesperada, tanto aparenta ter total controlo enquanto princesa como revela as suas fragilidades às pessoas menos adequadas. Assim, temos uma personagem viva, real e palpável, palpitante nas mãos habilidosas da actriz que eleva a humanidade da figura histórica a outro lugar.

    De resto, é um filme bastante bonito, com paisagens surpreendentes.

    Recomendo.

  • Capote

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    Capote
    Bennett Miller
    2005
    Filme
    7 em 10

    "A Sangue Frio", de Truman Capote é uma obra maior da literatura norte americana. Este filme fala sobre como aconteceu, supostamente, o processo criativo deste livro, pelas mãos do seu autor, Truman Capote.

    Excelentemente interpretado, em todos os seus jeitos e maneirismos, por Philip Seymor Hoffman, Truman Capote é trazido à vida, tal como o seu interesse quase obsessivo pela história dos assassinos que cometaram um dos mais hediondos crimes da época.

    No entanto, penso que o filme falha precisamente na moderação do interesse pelo autor na vida dos criminosos, especialmente o mais tímido. Este, no livro, tem uma descrição tão detalhada que penso que o filme teria feito bem em explorar com mais profundidade a relação de confiança absoluta que se estabeleceu entre os dois.

    Capote aparece como uma figura manipuladora, estática e gelada cujo envolvimento na história passaria apenas num plano estritamente profissional. Mas não me parece que tenha sido assim. Não acreditei muito no filme.
  • À Porta da Eternidade

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    À Porta da Eternidade
    Julian Schnabel
    2018
    Filme
    8 em 10
    Um filme sobre os últimos anos da vida do pintor Vincent Van Gogh, interpretado por Willem Dafoe. Uma viagem desesperante e brilhante pela visão do pintor.

    Van Gogh, pintor apaixonado pela sua arte mas completamente desconhecido, decide afastar-se do ambiente urbano de Paris para se fixar numa aldeia do sul de França, de forma a dedicar o seu tempo à pintura e à apreciação do que o que a natureza tem de mais belo. Mas nem tudo corre bem, pois Van Gogh tem uma doença e o vício da bebida, que o fazem ter episódios amnésicos em que se torna violento e irracional.

    Filmado de forma quebrada, tal e qual a visão de uma pessoa, é um filme que nos permite uma tentativa para entrar dentro dos detalhes dos ideais do génio. Percorrendo com Van Gogh os planos naturais maravilhosos, ficamos a conhecer toda uma ideia do que é a arte e de como devemos e podemos trabalhar a arte.

    Assistindo ao nascimento das pinturas que mais tarde se tornariam ícones famosos, podemos espreitar a cabeça do pintor e acreditar que assim ele pensava e assim ele fazia.

    Um filme delicado e doloroso, que recomendo.
  • Eu, Tonya

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    Eu, Tonya
    Craig Gillespie
    2017
    Filme
    8 em 10

    Pode não ter sido o filme mais premiado dos óscares, mas a verdade é que - até agora - é capaz de ter sido o meu preferido. O que posso fazer... Eu tenho um fraquinho por patinagem artística! xD

    Esta é a história, baseada em factos que são reais e em outros que não são reais, de Tonya Harding. Esta campeã da patinagem artística, que conseguiu fazer coisas consideradas impossíveis no gelo, esteve - na sua época - envolvida num estranho escândalo em que foi acusada de planear um ataque à sua rival, lesionando-a num joelho.

    Mas este filme fala de muito mais do que o escândalo em si. Fala da vida de Tonya enquanto patinadora. Porque ela nunca foi mais nada do que uma patinadora. Não sabe mais nada, nunca fez nada de diferente. A sua mãe sempre a pressionou para que fosse a melhor, para que ganhasse, sempre a motivou da forma mais agressiva possível. E os resultados só se viram muito mais tarde... Realidade? Talvez.

    A história é emocionante porque nos fala de um lado deste desporto no qual nunca tinhamos pensado e, com isso, faz uma profunda reflexão sobre a segregação de uma maioria branca mas que, devido ao próprio ambiente das suas vivências, é extremamente pobre e ignorante. Tendo isso em perspectiva, as pequenas vitórias de Tonya Harding tornam-se cada vez mais importantes para o espectador, que não suportará as injustiças de que - constantemente - é vítima.

    Também aborda temas difíceis, como a violência na relação e no ambiente doméstico, caracterizando na perfeição o elemento abusador e manipulador, que acaba por destruir todos os sonhos com a sua ignorância e teimosia.

    De resto, uma nota para as excelentes interpretações, para a magia que fizeram em todas as partes artísticas geladas e, também, para o guarda roupa fascinante (apetece-me fazer muitos daqueles vestidinhos :3 )

    Gostei tanto que fui investigar a vida da verdadeira Tonya Harding. Certamente que não é, de todo, tão estimulante como o filme...
  • Man on the Moon

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    Man on the Moon
    Milos Forman
    Filme
    1999
    7 em 10

    Este foi o filme que vimos no nosso segundo dia de viagem. Inspirado na história verdadeira de Andy Kaufman, o comediante anti-comédia, temos um filme brilhantemente protagonizado por Jim Carrey que tanto nos fará rir às gargalhadas como chorar grandes lágrimas.

    Andy Kaufman foi um estranho artista que fazia a comédia pelo acto cómico em si. Isto é, as performances dele não seriam obrigatoriamente engraçadas para o público, desde que isso fosse, em si mesmo, uma piada. Assim, temos um personagem que vive num mundo inventado, transmutando-se numa série de outras personagens e perdendo um pouco o fio à meada da sua própria relaidade.

    Temos uma figura, então, muito complexa e com um conjunto de ideias absolutamente misterioros e incompreensível para quem vê de fora, sendo que nunca sabemos qual será a próxima piada nem se aquilo que está a acontecer é verdadeiro ou falso. Isto é sobretudo patente no arco final do filme, sobre o qual não direi mais para não estragar tudo. ;)

    Copiando sketches e eventos que realmente aconteceram e que levaram ao ódio generalizado do público pelo artista, Jim Carrey faz um papel de um brilhantismo inusitado, transmitindo toda a panóplia de personagens que existiram e analisando-os sob uma perspectiva da própria figura de Kaufman. Isto resulta numa sucessão de eventos que são tão hilariantes para nós como foram irritantes para o público da altura, culminando numa cena de grande emoção e beleza que irá comover até os corações mais duros.

    Um filme apaixonante que dava vontade de ficar a ver horas e horas a fio.

  • Miles Ahead

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    Miles Ahead
    Don Cheadle
    2015
    Filme
    5 em 10

    Era o dia do meu aniversário (fiz três anos) e o nosso filme nocturno deveria ser um filme favorito para mim. Mas esqueci-me de levar a minha caixinha digital com os filmes, portanto vimos este que o Qui tinha no computador. E não gostei mesmo, mesmo, mesmo nada.

    é um biopic sobre o Miles Davis. Ora, tudo o que eu sei sobre o Miles Davis é que tocava trompete (instrumento que não é o meu preferido) e que o Qui o adora. Mais nada. Então, passei o filme completamente à nora. Este filme não está concebido para quem não conheça de todo a vida e obra da pessoa retratada. Esse é o seu primeiro defeito.

    Para além disso, os actores não fazem papéis convincentes. O actor principal parece mostrar-nos uma caricatura de Miles Davis e não há qualquer tipo de realismo nem de intensidade na personagem que, além de personagem, foi mesmo uma pessoa. O filme dá-nos poucas informações sobre a sua vida, excepto a relação com a "musa" e razões nenhumas para o facto de estar a haver uma pausa musical há cinco anos.

    Finalmente, é um filme mal estruturado em termos técnicos. As viagens que fazemos ao passado são de tal forma confusas e pouco distintas que muitas vezes ficava sem saber em que época realmente estávamos.

    Houve muitos assuntos que ficaram por explorar e nem sequer se pode dizer que o filme seja compensado pela música. Se Miles Davis é brilhante, não nos mostraram suficiente da sua obra para podermos tirar essa conclusão. Apenas ouvimos curtíssimos excertos e quase todos "ensaios", o que nos diz muito pouco.

    enfim, um filme feito de fãs para fãs.

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