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  • A Complete Unknown

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    A Complete Unknown
    James Mangold
    2024
    Filme
    6 em 10


    É sempre um pouco difícil falar do misterioso e pouco vocal Bob Dylan, e este filme faz uma tentativa de biopic que vai desde o momento em que começa a tocar em festivais de folk até ao momento em que decide que as guitarras eléctricas são bastante giras.

    Fico sempre feliz por ver o Timóteo, e o Timóteo a cantar até se dá bastante bem, porque dá um pequeno twist nas músicas e torna-as um pouco mais pessoais, em vez de ser apenas uma imitação.

    De resto, a história contada - segundo me constou - corta bastantes elementos da pessoa real que foi (e é) Dylan, cortando a história precisamente quando ela se torna um bocadinho estranha (depois de um acidente de mota, o artista virou-se para a música religiosa)

    Sem ser pela performance e pelo belíssimo aspecto do Timóteo, temos pouco a acrescentar.

  • Miss Major Speaks

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    Miss Major Speaks
    Toshio Meronek & Miss Major
    2023
    Entrevista


    Livro que li para o BookClub LGBT do Círculo dos Cogumelos.

    Trata-se de um conjunto de entrevistas a uma das figuras mais relevantes do activismo queer, Miss Major, uma travesti transexual negra que - essencialmente - esteve em todos os momentos relevantes da história LGBT dos Estados Unidos.

    As histórias que ela nos conta são de uma importância extrema e esta senhora é um poço de história. Mas mais do que isso, as histórias que ela nos conta mostram-nos as injustiças que as pessoas transexuais, as pessoas negras e as pessoas que - transversalmente - são as duas coisas, sofrem às mãos das políticas sociais e da polícia, e sempre foram sofrendo ao longo dos anos. Mas o seu discurso traz também esperança e, sobretudo, muita compaixão e amor, o que certamente trará muito alívio às pessoas em dificuldade à volta do mundo que terão oportunidade de ler este livro.

    Para as pessoas transexuais, este livro é essencial para que compreendam a sua própria história, de onde vieram, para onde vão. Para os aliados, como eu, este livro é precioso para que se compreenda como podemos ajudar melhor, quais as dificuldades que as pessoas enfrentam e como as podemos resolver.

    Por isso, recomendo vivamente.

  • O Homem Elefante

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    O Homem Elefante
    David Lynch
    1980
    Filme
    7 em 10


    Um filme comovente que conta a história real de Merrick, um homem com uma doença que, no século XIX, era considerado um freak da natureza e mantido num circo até um médico o resgatar. Após esse resgate, descobre-se que este homem vítima de uma mutação não é um monstro, é uma pessoa delicada, culta e ansiosa por se integrar na sociedade e ser tratada como outro humano qualquer.

    Um filme com uma cinematografia excelente, filmado com uma delicadeza pungente a preto e branco, cheio de atenção no detalhe, e efeitos práticos para criar este "homem elefante" surpreendentemente realistas. O actor por trás desta personagem faz também um excelente trabalho para expressar toda a sua panóplia de sentimentos por trás da pesada maquilhagem, fazendo a sua actuação praticamente apenas com o olhar.

    Seria essencialmente um filme sem defeitos, mas de certa forma a história de Merrick não me emocionou tanto como deveria no seu final, e as dúvidas suscitadas ("eu que me aproveito do monstro, serei eu o verdadeiro monstro?") acabam por ficar por responder.

    Ainda assim, fiquei com um pouco menos de medo do Lynch e recomendo este filme.

  • M. Butterfly

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    M. Butterfly
    David Cronenberg
    1993
    Filme
    8 em 10


    Um filme comovente e maravilhoso, que relata a história real de dois amantes que - apenas no fim - descobriram a sua verdadeira identidade.

    O cônsul de França na China pensa que sabe tudo sobre os asiáticos. É um racista e colonialista, óbvio, até ao momento em que conhece uma famosa artista de teatro chinês, que lhe pede que a veja no teatro tradicional. A paixão é imediata. Mal sabe ele que as mulheres no teatro chinês são todas interpretadas por... Homens.

    Assim, este cônsul vive na ilusão de ter uma amante chinesa, quando na verdade mantém relações homossexuais com um espião do regime comunista. E isto, por mais bizarro que seja, aconteceu mesmo. No entanto, Cronenberg torna esta história tão bela e tão pungente, tão comovente e tão apaixonante, que acreditamos que o amor, a aceitação e depois a rejeição e - por fim - o arrependimento são efectivamente a realidade daquilo que aconteceu.

    Para mim esta foi a mais bela história de amor de todo o ano, tenha acontecido desta forma ou não. Quero acreditar que aconteceu assim, embora a wikipedia diga que não. Obrigada Cronenberg por teres feito este filme sem meter medo. Porque é mesmo muito lindo.

  • Papillon

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    Papillon
    Franklin J. Schaffner
    1973
    Filme
    6 em 10


    Eu li o livro biográfico que deu origem a este filme há imensos anos e, na altura, marcou-me tanto que ainda me lembro perfeitamente dele. Assim, não posso deixar de comparar o filme ao livro.

    Conta a história real de um ladrãovigaristaassassino, conhecido por "Papillon" devido à tatuagem de borboleta que tem no pescoço, que é enviado para a Ilha do Diabo e lá terá de sobreviver o melhor possível. Mas ele não quer apenas sobreviver: ele quer sair de lá. E fará trinta por uma linha para se escapar.

    Este filme é violento, feio e mal cheiroso, como a própria Ilha do Diabo o deve ser, mas acaba por nãp caracterizar tão bem as coisas lá vividas e os seu horrores como o livro o faz. Também muda algumas cenas, que só aparecem na sequela (Banco), nomeadamente a convivência com a tribo dos índios. Por isso, acabei por não o apreciar muito, por pura comparação.

    Sozinho, é capaz de ser mais interessante.

  • Chaplin

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    Chaplin
    Richard Attenborough
    1992
    Filme
    5 em 10


    Um biopic sobre a vida de Charlie Chaplin, mas que fala essencialmente sobre as mulheres de Charlie Chaplin e da forte preferência que ele tinha por raparigas menores de idade. Portanto, Charlie Chaplin era um pedófilo, e esse filme fala sobre isso e praticamente só sobre isso.

    Gostaria que o filme tivesse falado sobre o seu processo criativo, sobre os seus filmes, sobre a repercussão dos seus filmes, mas ele toca nisso muito levemente, preferindo falar sobre as mulheres e ninfetas que ele foi conquistando ao longo da vida.

    E sobre o facto de ser um pseudo-comunista e de nunca ter sido totalmente aceite como cidadão nos Estados unidos.

    Vale o filme pela performance do actor, Robert Downey Jr., que antes de ser o Iron Man até sabia actuar.

  • Oppenheimer

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    Oppenheimer
    Christopher Nolan
    2023
    Filme
    7 em 10


    Fomos de propósito ao Cascais Shopping para ver este filme em IMAX. Foi a minha primeira experiência com o formato e nem por isso achei especial. Sim, é maior, mas não sei se me faz grande diferença.

    Este filme é uma biografia do homem que desenvolveu a bomba atómica, abordando o dito desenvolvimento, as consequências éticas e a sua perseguição pelo maccartismo devido às suas ligações comunistas.

    Com planos cheios de beleza e, ao mesmo tempo, um grande realismo humano, este filme acaba por não falar da bomba atómica em si, nem dos seus efeitos, mas sim sobre este homem cheio de características únicas. Apesar disso, achei que alguns detalhes da sua vida poderiam ter sido mais explorados: várias coisas são mencionadas apenas uma vez e depois o filme não estabelece isso como verdadeiro para a personagem.

    Apesar de ser um filme longo, com mais de três horas, a edição faz com que passe tudo muito rápido. Portanto, foi bom de se ver.

  • O Meu Pé Esquerdo

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    O Meu Pé Esquerdo
    Jim Sheridan
    1989
    Filme
    6 em 10


    Estávamos a gozar com os actores que vão "full retard" quando fazem papéis de pessoa com deficiência, e assim fomos ver este filme que seria um bom exemplo do que fazer para evitar esse apanágio.

    Então, Daniel Day-Lewis é Christy Brown, um homem com paralisia cerebral a quem foi dada a oportunidade, graças à dedicação da sua mãe, de desenvolver a sua veia artística no mundo da pintura. Infelizmente, devido à sua doença, só o consegue fazer com o pé esquerdo, a única parte do corpo que consegue movimentar.

    O actor tem sucesso em transmitir a essência desta figura, tão improvável como real, até aos aspectos menos positivos, como a violência e o alcoolismo. Ainda assim, o filme focando-se no grande desgosto amoroso da personagem, acaba por a tornar um pouco limitada à sua sexualidade, o que é bastante desapontante.

    Um filme que vale sobretudo pela performance do actor.

  • Elvis

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    Elvis
    Baz Luhrmann
    2022
    Filme
    5 em 10


    Conhecia mal a história do Elvis, mas também não é bem sobre isso que trata este filme. Este filme do Elvis é mais uma apoteose musical e completamente epiléptica do que poderia ser uma narrativa interessante.

    Fala sobretudo do agente do Elvis, que lhe roubou o dinheiro todo e essencialmente o escravizou, situação da qual o artista poderia ter escapado se não fosse um redneck parolo. É muito estranho ver o Tom Hanks a fazer de mau, e a sua interpretação está plena de manias e exageros que tiram muito da realidade da situação. Depois, a história do artista está reduzida, resumida até ao esqueleto, omitindo vários elementos importantes.

    Em termos musicais, cobre grande parte da carreira de Elvis, mas também deixa de fora alguns elementos mais ridículos: fala muito sobre como foi um grande revolucionário, e pouco de como foi um grande piroso.

    A forma como tudo está filmado causa uma dor de cabeça, demasiadas coisas a acontecer ao mesmo tempo.

    Fica a nota para o actor principal, que dá um Elvis de qualidade, com as suas gyrations.

  • A Última Estação

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    A Última Estação
    Jay Parini
    1990
    Romance


    Recebi este livro a propósito da Troca de Natal do BookCrossing. É um romance semi-biográfico, que retrata o último ano da vida de Tolstoi, através da visão da sua família e amigos.

    Apesar de bem escrito, e supostamente baseado em elementos da realidade (cartas e diários dos personagens), o livro transmite todo um sentimento de fantasia, de algo que não corresponde exactamente aquilo que poderia ter acontecido. Fiquei, no entanto, a saber bastante sobre a vida e sobre a filosofia deste autor, que - tão famoso - acabou por se remeter a uma vida de simplicidade e partilha. Claro que esta visão não era partilhada pela sua esposa, o que dá o mote ao livro.

    Além destes personagens pouco palpáveis, o debate estranho sobre a suposta homossexualidade de Tolstoi também saiu um pouco ao lado. Gostaria também de que tivesse havido descrições mais puras do ambiente, pois por vezes era difícil de perceber onde estávamos em termos geográficos.

    É um livro agradável de ler, mas ficou a saber a pouco.

  • The Eyes of Tammy Faye

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    The Eyes of Tammy Faye
    Michael Showater
    2021
    Filme
    7 em 10


    Quando ouvi dizer que alguns prémios, incluindo o de Melhor Actriz, tinham ido para um filme sobre televangelistas, quis logologologo ver o filme. Por alguma razão fundamental da minha educação, eu simplesmente adoro músicas religiosas patetas, sei lá, acho que as letras são bonitas e divertidas.

    Este filme, baseado num documentário do mesmo nome, conta a história de Tammy Faye e e Jim Bakker, os fundadores do primeiro canal religioso por satélite e grandes estrelas da sua época. A história contém a sua ascenção mas também a sua queda, já que Jim Bakker se viu mais tarde envolvido em acusações concretas de lavagem de dinheiro e violência.

    Devo dizer que este filme me fascinou profundamente, não só pelo alto conteúdo em canções patetas, mas também pelas razões pelas quais ganhou prémios: a actriz é pouco menos que extraordinaria, sendo a sua caracterização via maquilhagem perfeita a ponto de a encontrarmos nas suas diferentes fases da vida sem duvidar.

    Sobretudo a personagem é muito interessante, uma mulher que ama tudo e todos sem nenhuma condição prévia, e que faz disso a sua vida. Apesar de o campo religioso-cristão ser desgraçado para mim, devemos admitir que a forma como esta mulher se apresenta, e a sua luta nos campos mais escondidos do cristianismo (a defesa dos direitos LGBTQI+, por exemplo) é fantástica.

    Gostei mesmo muito deste filme!

  • Se Isto É Um Homem

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    Se Isto É Um Homem
    Primo Levi
    1947
    Biografia

    Relato horrivelmente surpreendente da vida num campo de concentração, relatado por um dos seus poucos sobreviventes.

    Infelizmente, histórias sobre o Holocausto já não me chocam de todo, nem me tocam, nem nada. Estou totalmente desintetizada para este assunto. Portanto, ao ler o relato dos horrores vividos no campo de concentração, tudo o que podia pensar era "será que eu me safava?" Provavelmente não.

    Quanto à escrita, é um livro muito simples e directo, com uma escrita leve e viciante, em que com toda a naturalidade o autor nos leva pelos meandros do pavor e do medo constante, da fome e do desespero. O autor havia perdido a esperança e transmite-o frequentemente, mas ainda assim é espantoso como a capacidade de sobrevivência é superior a qualquer um destes sentimentos.

    Um clássico que deve sempre ser lido, apesar de tudo.

  • Orange is the New Black

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    Orange is the New Black
    Piper Kerman
    2010
    Biografia

    Tinha curiosidade neste livro desde que um dia mo enviaram em audiobook, que eu nunca ouvi. Mais tarde, recebi-o através do BookCrossing.

    Sempre que penso na prisão, penso o que me aconteceria se eventualmente fosse lá parar. Com este livro, um relato em primeira mão de uma rapariga que - 10 anos depois de ter cometido um crime - é introduzida no mundo penal, faz parecer que não seja assim tão mau.

    Aprendemos o funcionamento desta prisão em particular, em que se partilham cozinhados de microondas e se fazem festas do dia da mãe. E aprendemos que todos os tipos de pessoas, das mais simples às do piorio, têm dentro de si a capacidade de improvisação e de sobrevivência necessária neste universo fechado, com as suas próprias regras e leis.

    O livro é leve e viciante, mas a partir da metade começa a ficar um pouco repetitivo. A vida na prisão parece ser de aborrecimento constante, pelo que rapidamente se torna desinteressante e sem grandes novidades. Também gostaria que na conclusão houvesse mais alguma referência às amigas feitas na prisão.

    Mas foi uma leitura divertida e interessante, que recomendo.

  • Cash

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    Cash
    Johnny Cash with Patrick Carr
    2003
    Autobiografia

    Este livro foi oferecido por um amigo. Não era para mim, mas fui eu a primeira a lê-lo.

    Não conhecia nada sobre Johnny Cash sem ser o filme "Walk the Line", que vi no cinema na altura. Por isso, foi muito interessante conhecer profundamente este cantautor, Aprendi sobre a sua infância, sobre o seu problema com as anfetaminas e, sobretudo, sobre a forma como ele criou a sua música e se tornou uma estrela de sucesso, juntamente com a sua família.

    Claro que me fez alguma impressão o elemento religioso patente durante toda a vida do cantor, que afirma várias vezes a sua cristandade e a forma como encontrou o seu deus ao longo dos tempos, nas mais inusitadas situações.

    Gostei sobretudo das descrições dos seus momentos em que estava com drogas no corpo, que são bastante assustadoras.

    Agora, o destinatário do livro tem de o ler!
  • A Beautiful Day in the Neighbourhood

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    A Beautiful Day in the Neighbourhood
    Marielle Heller
    2019
    Filme
    6 em 10
    Vi este filme em estado de vigília, isto é, meio a dormir e meio acordada, portanto a minha percepção pode estar um bocadinho alterada.

    Um jornalista conhecido pela forma violenta como caracteriza os seus entrevistados é contratado para um artigo sobre Mr. Rogers, um apresentador de um programa infantil. Logo nasce um fascínio por esta personagem curiosa, que irá ajudar o jornalista a enfrentar alguns problemas na sua vida.

    O filme percorre a figura de Mr. Rogers e caracteriza-a com multidimensionalidade. Isto significa que este home, aparentemente de uma perfeita simpatia e sinergia com o que o rodeia, também tem os seus momentos de apoptose, manifestados de maneiras inofensivas.  O trabalho de Tom Hanks é muito bom neste aspecto de dualidade.

    No entanto, a história em si, a do jornalista que é "salvo" por esta nova e infantil perspectiva sobre a sua vida, é um pouco lugar comum e, parece-me, não faz justiça aos personagens.

    Apesar de tudo gostaria de rever o filme, porque confesso que não estava com muita atenção.
  • Dolemite Is My Name

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    Dolemite Is My Name
    Craig Brewer
    2019
    Filme
    6 em 10
    Esta é a história de um homem que queria, por todas as formas, encontrar o seu caminho no mundo da fama. Fá-lo através da sua personagem "Dolemite", um chulo cómico que rima de forma diferente do habitual, contando histórias decadentes. Foi, com isto, o bisavô do hip-hop.

    Interpretado por Eddie Murphy, este Dolemite é uma personagem curiosa, caritativa, pronta a negociar e a ajudar. Talvez por aparentar ser tão boa pessoa, o filme acaba por ser bastante surpreendente, pois não há nenhuma decaída no mundo das adições e da luta por tudo e contra todos de Hollywood.

    O filme faz um bom trabalho em mostrar o processo criativo por trás da comédia de Dolemite, entrando no universo do blacksploitation, que era desconhecido para mim. O efeito é muito engraçado e, no geral, é um filme positivo.

    No entanto, senti que as personagens estavam bastante rasas, sem muitos conflitos emocionais que as elevassem a um novo patamar.

    Por isso, é um filme agradável e que ficará na memória, mas que poderia ter sido abordado de forma diferente.
  • Dor e Glória

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    Dor e Glória
    Almodóvar
    2019
    Filme
    7 em 10
    O novo filme de Almodóvar (não só do Pedro que conhecemos, mas dos dois Almodóvares) é um olhar semi-biográfico sobre o autor.

    um realizador de filmes vive atormentado com dores no corpo inteiro. Evita ir às salas de cinema apresentar os seus filmes, não tem feito filmes de todo. Apenas escreve um pouco sobre o seu passado. E é entre esse passado de infância e o presente que o autor explora temas como amor apaixonado, o amor filial, a religião e o abuso de estupefacientes. 

    Com interpretações fantásticas, o filme é viciante pela forma como uma história aparentemente simples é apresentada. Sem recorrer a grandes truques, o autor demonstra um sentido de composição apuradíssimo, sempre pontilhado por um sentido de humor sórdido.

    Trata-se de um estudo de personagem em que o personagem pode ser o próprio autor. Assim, é um filme íntimo que demonstra ainda uma réstia de esperança para esta figura.

    Gostei muito!
  • O Médico de Córdova

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    O Médico de Córdova
    Herbert Le Porrier
    1974
    Romance

    O último livro da actividade BookCrossing "Livros Favoritos", em que todos os meses recebíamos o livro favorito lido em 2018 de um dos participantes, termina agora com "O Médico de Córdova".

    Trata-se de uma biografia ficcionada de um médico famoso, judeu, que viajou pela Europa e Médio Oriente até se estabelecer como médico pessoal e amigo do Imperador Saladino. Seguimos as suas aventuras desde a infância e adolescência e a forma como ele vai aprendendo a arte da medicina, sem nunca a separar da filosofia religiosa que muito regia a sociedade da altura.

    Este livro é também uma descrição sucinta da perseguição aos judeus, nessa época passada, por vezes descrevendo horrores e injustiças, outras vezes mostrando a capacidade de adaptação da comunidade e a forma como mesmo no meio da censura conseguiam manter os seus ritos religiosos e as suas crenças no deus uno.

    Para mim, o mais interessante deste livro foram as descrições sobre a arte da medicina e alguns momentos de contemplação sobre esta, que tinham por vezes um efeito muito belo em mim.

    Gostei bastante e já vai de volta ao seu dono.
  • À Porta da Eternidade

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    À Porta da Eternidade
    Julian Schnabel
    2018
    Filme
    8 em 10
    Um filme sobre os últimos anos da vida do pintor Vincent Van Gogh, interpretado por Willem Dafoe. Uma viagem desesperante e brilhante pela visão do pintor.

    Van Gogh, pintor apaixonado pela sua arte mas completamente desconhecido, decide afastar-se do ambiente urbano de Paris para se fixar numa aldeia do sul de França, de forma a dedicar o seu tempo à pintura e à apreciação do que o que a natureza tem de mais belo. Mas nem tudo corre bem, pois Van Gogh tem uma doença e o vício da bebida, que o fazem ter episódios amnésicos em que se torna violento e irracional.

    Filmado de forma quebrada, tal e qual a visão de uma pessoa, é um filme que nos permite uma tentativa para entrar dentro dos detalhes dos ideais do génio. Percorrendo com Van Gogh os planos naturais maravilhosos, ficamos a conhecer toda uma ideia do que é a arte e de como devemos e podemos trabalhar a arte.

    Assistindo ao nascimento das pinturas que mais tarde se tornariam ícones famosos, podemos espreitar a cabeça do pintor e acreditar que assim ele pensava e assim ele fazia.

    Um filme delicado e doloroso, que recomendo.
  • Geisha of Gion

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    Geisha of Gion
    Mineko Iwasaki (Rande Brown)
    2003
    Autobiografia
    Um livro que recebi num encontro do BookCrossing. Veio a revelar-se uma leitura viciante e fascinante, em que podemos aprender de tudo um pouco sobre a vida de uma geisha em Quioto (geiko).

    Mineko Iwasaki foi uma famosa geiko, conhecida por ter entretido e recebido figuras mundiais de grande importância social e política. Também foi a entrevistada para o famoso livro "Memórias de uma Geisha", sendo que foi a publicação deste - supostamente cheio de informações falaciosas e mentirosas - que a motivou a escrever sobre a sua própria vida, por forma a esclarecer o mundo inteiro do que é realmente o trabalho de uma geiko.
     
    É um trabalho difícil, muito exigente e desconfortável. Ela revela que - não fora a sua paixão pela dança - pensou em desistir muitas vezes. Ficamos a saber detalhes de como funcionam as aulas das várias artes e ofícios que as geiko têm de saber, mas também uma série de pequenas histórias mais ou menos bem humoradas sobre os encontros imediatos que Iwasaki teve com uma série de figuras. 
     
    Está escrito de uma maneira muito fluída, tornando a leitura simples e muito agradável. Para fãs da cultura japonesa, parece-me um livro ideal!

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