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  • Joker

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    Joker
    Alan Moore & Brian Bolland | Brian Azzarello & Lee Bermejo
    2019
    Banda Desenhada


    Um volume luxuoso com duas histórias de Joker, essenciais para a compreensão profunda desta personagem.

    A primeira história "A Piada Mortal" é um clássico curto e impressionante. Nesta história Joker maltrata e violenta a filha do Inspector Gordan, com o objectivo de o enlouquecer. O principal objectivo do vilão é provar que, se ele é louco, todos o podem ser também. Até o próprio Batman pode ser louco, se não conseguir vencer. Apesar de Batman tentar terminar com tudo através da via da compreensão, percebemos no final que até isso é engraçado, porque é impossível.

    A segunda história, "Joker", tem uma abordagem mais moderna, com uma cor digital muito bonita. Esta história é narrada por um dos gorilas de Joker, que tenta compreender o que se passa com o seu patrão sem o irritar. Joker acabou de sair do asilo e deseja voltar a ter todos os territórios de Gotham que perdeu durante a sua ausência. O resultado é de uma violência extrema, sempre pontuada pela dúvida quase gótica: porque ele faz isto?

    Um livro essencial para os apreciadores da personagem.

  • Watchmen

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    Watchmen
    Damon Lindelof - HBO
    Série - 8 Episódios
    2019 

    Quando soube que iam fazer uma sequela do Watchmen, de Alan Moore, ainda por cima em série, com pessoas a sério, fiquei um pouco de pé atrás. Mas veio a revelar-se uma das melhores séries do ano!

    O ano é 2019, o local é Tulsa e os vigilantes desapareceram. Em vez disso, os polícias usam máscaras. Existe todo um novo respeito pelas pessoas negras, devido ao estado ultra-liberal em como as coisas evoluíram. E caem lulas do céu. As personagens reúnem-se em torno de um misterioso assassinato. E o resto é história.

    Para começar, adorei a forma como a série está cheia de acenos à banda desenhada original, quer em termos estilísticos quer como pequenas referências que só fazem sentido para quem conhece o livro. Os novos e antigos vigilantes unem-se das formas mais improváveis para lutar, todos eles, contra um fim do mundo que está próximo. Enquanto isso, uma história clássica, quase metafísica, ocorre a Ozymandias num castelo afastado. É uma série que em termos de estilo está muito coerente, plena de detalhes visuais e narrativos que fazem todo o sentido enquanto sequela. A forma como os acontecimentos se sucedem também tem tudo a ver com o mundo da banda desenhada: buracos no chão, armadilhas, força absoluta, tudo é possível porque nada é possível na realidade e é disso que falamos. A realidade alternativa é íntegra e perfeitamente concebível.

    Penso que uma das críticas principais se encontra na forma como a oposição "racistas" vs "negros" é feita, mas recordemos que - se isto é uma BD - nada precisa de ser real e a crítica serve apenas a quem a aceita.

    É uma série surpreendente, e embora me tenha desapontado bastante a falta de alguns elementos, apresenta novos e antigos personagens com mestria, colocando-os numa nova situação de urgência que tem muito mais em si do que a crítica ao racismo, mas sim toda uma crítica social. A conclusão é sempre a mesma: quem vigia os vigilantes?
  • Watchmen

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    Watchmen
    Alan Moore & Dave Gibbons
    Graphic Novel

    Comprei este livro no passado Anicomics. O Qui sempre mo havia recomendado e achei que seria um óptimo volume para acrescentar à nossa crescente colecção. No entanto, talvez este livro tenha chegado às minhas mãos de leitora na altura errada, porque senti que não o apreciei devidamente.

    Este é um livro que fala dos super-heróis depois de deixarem de ser super-heróis. Num universo semi-distópico em que Nixon continua a ser presidente e a perseguição aos comunistas é cada vez mais acérrima, os super-heróis foram dispensados das suas funções de protectores da justiça, porque no fundo faziam mais mal que bem. Afinal, não passavam de seres humanos. Quase todos eles, pelo menos. Agora, desde o brutal assassinato de um veterano da equipa, Roscharsch - um dos heróis do passado que nunca revelou a sua identidade - procura descobrir o assassino e envolver os outors antigos amigos na sua busca.

    No entanto, há algo mais forte que eles que está sempre um passo à frente. E assim começa uma riquíssima análise pessoal de cada um dos intervenientes desta história, que sofrem uma caracterização e desenvolvimento raramente vistos neste formato de banda desenhada. Cada um deles tem os seus momentos de felicidade, os seus pequenos momentos de vida diária. Mas por trás de cada uma destas figuras, podemos analisar os problemas que vieram do facto de terem todos sido super-heróis, da incapacidade que têm de se afastar das suas personagens passadas e, sobretudo, dos problemas que têm na interacção com o mundo que os rodeia. Afinal, este mundo deseja que eles por um lado sejam pessoas normais e inseridas na sociedade, mas por outro lado ainda precisa de vigilantes que os protejam e ajudem.

    As revelações são surpreendentes e a cada volta que a história dá mais percebemos a ironia da construção de certas personagens, da loucura em oposição à moralidade e da perfeição física em oposição a uma crueldade crescente.

    As cenas estão desenhadas num estilo que não me agrada muito, num ponto de vista puramente pessoal, mas possuem uma dinâmica incrível, na medida em que não existem cenas de acção profundamente elásticas mas existem momentos de profundidade emocional que não poderiam ter o efeito desejado se não fosse a qualidade da arte.

    Existem cenas, também, que transmitem uma extrema beleza, nomeadamente as contemplações e divagações filosóficas em Marte e até mesmo a cena fatídica do final que, não sendo gráficamente brutalizante, é muito forte em termos de desenvolvimento e desfecho.

    Um livro que gostaria de ler numa outra ocasião, mais calma. Recomendo.
  • V de Vingança

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    V de Vingança
    Alan Moore e David Lloyd
    1988
    Banda Desenhada

    Este foi o primeiro volume da já referida colecção da Levoir com o jornal Público. Li-o a seguir ao anterior, porque foi por essa ordem que os comprei, lol

    V for Vendetta é um título de muitos conhecido, sobretudo depois da banalização das máscaras de guy fawkes pela comunidade nerd que gostaria de se revoltar contra alguma coisa. De tal forma banalizada que chamam as máscaras de "anonymous", quando não tem (nem nunca teve) nada a ver com isso. Já conhecia mais ou menos a história porque havia visto o filme na altura em que saiu. Ainda assim, a novela gráfica original foi uma surpresa para mim.

    Numa previsão muito pessimista do futuro (que, curiosamente, se veio a concretizar dentro da sua época), o Reino Unido está isolado do resto do mundo e subjugado por um sistema opressivo que tudo e todos controla. No entanto, há uma figura subversiva no meio disto, que procura ensinar à população, a passo e passo, o verdadeiro significado de ser livre, procurando instaurar uma anarquia de verdadeiros significados através do desmantelamento agressivo e progressivo do sistema.

    Este conceito é, sem dúvida, muito original e quase aterrorizante, apesar de inspirador ao ponto de na vida real a "máscara" se tornar um símbolo da luta pela liberdade. A narrativa está plena de debates significativos sobre estes conceitos e também de mecanismos que permitem aos personagens uma evolução constante e relevante tanto para o contexto como para si próprios. São personagens muito cativantes, que evoluem pela necessidade de aprender como se libertarem do sistema e serem, simplesmente, eles próprios enquanto indivíduos.

    Infelizmente, não apreciei muito o campo artístico. Achei os designs um pouco confusos, sobretudo todas as vezes que mudava o foco de luz (e, por isso, mudavam as cores das pessoas), sendo que por vezes era difícil distinguir quem era quem. Também achei que poderia ter havido um pouco de mais detalhe no respeitante aos edifícios. No entanto, o design de V foi de puro génio, sendo que se encontrou aqui um símbolo que até ao momento continua cheio de sentido.

    Foi uma leitura fascinante e, agora, quase tenho vontade de rever o filme. :)
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