• The Breadwinner

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    The Breadwinner
    Nora Twomey
    2017
    Filme
    6 em 10

    Um evidente candidato ao estrelato nos círculos cinéfilos, mas que também tem tudo de desapontante.

    Este filme passa-se em Cabul, na época taliban, em que as mulheres não podiam sair de casa sem estarem totalmente cobertas e acompanhadas por um familiar masculino. Conta a história de uma menina numa situação delicada e que a enfrenta de uma forma um pouco expectável: transformar-se em rapaz.

    De resto, a história dramática segue o seu caminho da forma mais evidente e é isso.

    No entanto, há um ponto muito curioso a apontar neste filme. Ao longo do filme é-nos contada uma história mágica, com inspirações na tradição persa, que tem uma animação fulgurante e encantatória. A própria conclusão desta história é ridiculamente mais trágica do que a da narrativa principal.

    De resto, parece-me um pouco desapontante que este filme tenha sido feito sem uma base cultural sólida, à qual não aparece uma única referência em todos os créditos.

  • Bigre

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    Bigre - Um Melodrama Burlesco
    Le Fils du Grand Réseau
    2015
    Teatro

    No meio da correria, algo se aproximava. Mais uma vez, o Festival de Teatro de Almada - agora só de Almada - chegava ao pé de nós, seduzindo-nos com umas meias dúzias de muitas peças de teatro, nacionais, internacionais.... Intergalácticas?

    Fomos ver a peça de abertura, escolhida pelo público no ano passado. Palco de grandes dimensões, vemo-nos rodeados de gente para olhar para um estranho espectáculo. Uma casa. Uma casa?

    São as personagens deste local que nos levam através de uma história de inocência e reencontro. Talvez disfarçando a sua narrativa, os três actores transportam-nos através de episódios inusitados. Tudo tem tudo para correr mal, claro! Mas a transparência das personagens reflecte-se nas suas acções e, por isso, de uma forma ou de outra... É possível correr tudo... Um pouco mais ou menos bem! :)

    Cenário admirável, cheio de movimentos, detalhes, portas e objectos, milhões de objectos e nenhum deles inútil! E actores cheios de energia e com uma forma física invejável, usando e abusando do objecto corpo e, ainda por cima!, divertindo tudo à sua volta.
     
    Dava vontade de ficar ainda ali, sempre mais tempo, sempre a assistir às desventuras deste grupo de pessoa. Parecidos connosco, eles. :)

  • A Cor do Dinheiro

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    A Cor do Dinheiro
    Martin Scorcese
    Filme
    1986
    6 em 10

    Após uma noite complicada, apanhámos este filme na televisão. Trata-se de uma sequela a um filme muito antigo, em que Paul Newman fazia de vigarista do bilhar. Agora, o mesmo actor tem um pupilo, sob a forma de Tom Cruise, que tentará ensinar a jogar para ganhar dinheiro. Não para ganhar a competição, claro. Para ganhar dinheiro.

    O filme trata da competitividade entre os jogadores e a forma como o jogo os faz tomar atenção ao ambiente circundante e a si próprios. A narrativa é a de uma luta e superação, da forma física e emocional, tentando dar aos personagens uma lição de humildade e de amizade.

    Isto funciona bastante bem no caso do jogador mais velho, mas o mais novo continua sempre a ser a criança insuportável e irascível que era ao início. A sua inocência torna-se tão mais irritante quanto a sua incapacidade de compreender que está a ser manipulado por tudo e por todos, acabando por ser um personagem quase raso e com muito pouco por onde pegar.

    De resto, temos uma técnica de filmagem impecável e não podemos pegar em nenhum defeito da realização.

    Um filme tecnicamente bom, mas que fica aquém das expectativas.

  • LCD Soundsystem

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    LCD Soundsystem
    Concerto
    Quando, no ano passado, vimos o anúncio para este concerto, pensámos logo que não o podíamos perder. No entanto, quase que o perdemos. A falta de orçamento fez com que falhássemos com as primeiras duas datas, que se esgotaram num instante. Felizmente, os LCD fizeram o favor de abrir uma data extra e foi a essa que fomos.

    Tinha estado a trabalhar, pelo que decidi apanhar um conjunto de barcos até Lisboa (o que se veio a revelar muito chato, como veremos mais tarde). Estava cheia de pressa e muito mal-disposta quando finalmente me encontrei com o Qui e o Zé Gato, que também vinha ao concerto nesta data. Felizmente, chegados ao Coliseu dos Recreios - local do evento - descobrimos que não havia grande fila. Um alívio!

    Entrámos, fomos revistados por uns seguranças muito simpáticos (que, por sinal, não quiseram ver a minha mala). Disseram-me que teria de guardar o guarda-chuva no bengaleiro, coisa que me parece perfeitamente lógica porque não dá jeito nenhum ver um concerto com a sombrinha às costas. Entretanto, descobriu-se que o Zé Gato não podia entrar. Isto porque o bilhete dele era uma fotografia do bilhete que havia comprado. O senhor da porta considerou que ele podia ter vendido o bilhete a alguém e fotografado de forma a entrarem duas pessoas. Referi que eu própria, com a impressão do meu bilhete, poderia ter impresso cinco mil outros bilhetes, enchendo assim a sala de espectáculos com uma só compra.

    Só mais tarde, após o início do concerto, a bilheteira imprimiu um novo bilhete para o Zé Gato que, assim, teve permissão para entrar.

    Lá em cima, pesquisamos o bengaleiro, obtemos uns drinks e ficamos cativados com a banquinha da merch. Fiquei cheia de vontade de comprar uma t-shirt que dizia "My middle aged friend went to LCD Soundsystem concert and only brought me this lousy t-shirt". Isso porqu eu me identifico com a parte do "middle-aged friend" xD

    E assim se inicia o concerto.

    Rodeados de alguns cotas estrangeiros, de outros cotas portugueses e de alguns jovens completamente histéricos, encontrámos um bom lugarzinho junto à saída, o que nos permitiu obter novos drinks. O concerto começa com alguns sons novos, que eu ainda não conheço bem, mas no seu âmago temos um revivalismo do passado, com as músicas que nos meados da outra década nos viciaram. Desta vez a banda está um pouco diferente: a primeira vez que os havia visto era tudo mais simples, menos maquinaria, menos pessoas. Agora, temos guitarras, baterias e muitas mesas de mistura que, no seu conjunto, dão uma outra textura aos sons.

    Textura mais acústica e menos artificial, mais ligada às origens e à terra, assim como o novo álbum se propõe. Será que isso funciona quando falamos dos sonoros antigos? De certa forma, acabou por ser um dado pouco relevante, pois a qualidade do som oferecida pelo Coliseu nunca foi das melhores, para que se possa fazer uma apreciação muito detalhada.

    O que interessava, no fundo, era dançar e evitar ser atropelado pelos outros dançantes. Uma grande bola de espelhos dava o mote à festa, embora o sistema de luzes fosse altamente básico e muito pouco estimulante. Valeu pela música e pelos músicos que, sempre em forma, não se coibiram de lançar uma frase feita ou outra para grande prazer dos ouvintes.

    Acabámos por ir embora a meio do segundo encore, pois eu tinha muito medo de perder o barco e depois só ter um às 2 da manhã. Afinal, tinha de trabalhar no dia seguinte... Causou uma certa infelicidade aos meus companheiros, coisa pela qual peço desculpa de novo.

    Foi um concerto excelente para dançar, mas penso que a magia da banda se perdeu um pouco para mim... Antes, tudo mais simples. Agora, o estilo mais clássico retira muito da revolução inicial. Vamos a ver o que o futuro nos espera.
  • Festa da Casa da Cerca 2018

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    Festa da Casa da Cerca 2018
    Festa
    Este ano voltámos à Casa da Cerca para a sua festa anual. Desta vez chegámos um pouco mais tarde, pois eu havia estado a trabalhar. Curiosamente, estava bastante menos gente concentrada, talvez porque este ano a festa calhou nos mesmos dias dos santos de Almada, sendo que a cidade estava toda em festa (por exemplo, estava um estaminé com um DJ de pimba com o seu Mac, a bombar à frente à minha porta).
     
    Portanto, chegámos e começámos por ver a exposição temporária, uns estranhos ovos com caras e orelhas. Eu não estava a achar aquilo nada de especial, mas agora que olho para trás era uma coisa realmente muito estranha.
     
     
    Descobri também a parte inferior, uma espécie de claustro onde estava outro ovo com uma orelha. Mais tarde, vim a saber também do andar superior, onde uma casa de banho secreta se encontrava. Agora que digo isto deixa de ser secreta, mas enfim.... :p

    Depois atravessámos o jardim para nos sentarmos nas mesas dos comes e bebes. Estava a dar um concerto de piano  que não compreendi totalmente. Também não lhe achei graça e, por isso, fomos visitar o resto do jardim. Encontrámos uma secção com comidas de feira e uma secção com comidas mais tradicionais. Um senhor insistiu em contar-nos sobre as suas plantas, e eu peço desculpa por ter sido um pouco mal educada para ele. Acabámos por parar numa banca de comida vegan que tinha uns salgadinhos a 1€, absolutamente deliciosos. Eu comi um "Pão de Beijo", um pão de queijo vean com cream cheese de amendoim, pão de batata doce e tomate. O Qui comeu uma micro-quiche de vegetais que também estava uma maravilha! Ficámos com o contacto destas pessoas, talvez para um futuro... ;)

    DMais acima, estavam algumas bancas com outros produtos, mas a maior parte já estaava encerrada. Vimos umas plantas dentro de bolas de terra que pareciam um Odish (o pokémon). Também havia micro-laranjeiras com micro-laranjas. Eram super fofineos! *__*

    A exposição botânica também estava muito engraçada, apesar de durante a noite ser difícil de a apreciar, porque o jardim tem uma iluminação muito fraca. Este ano o tema é as plantas e os materiais usados em artes.


     

    Entretanto, já começava a música propriamente dita. Um DJ que só passou clássicos dos anos 80, mas sem se perder em grandes rainhas do pop. Gostei imenso de dançar os The Cure com a minha t-shirt que tem a cara do Robert Smith! Passámos a maior parte do tempo na conversa e começou a ficar tarde. Ainda procurei algumas pessoas conhecidas que tinha encontrado antes, mas haviam sido substituídas por putos mitras e desistimos.

    No entanto, foi uma noite muito agradável e, como sempre, a repetir! =D
  • Nichijou

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    Nichijou
    Ishihara Tatsuya - Kyoto Animation
    Anime - 26 Episódios + 1 OVA
    2011
    7 em 10

    Como alguns de vós saberão, eu não sou a pessoa mais fácil de agradar com comédia. No entanto, de vez em quando aparece uma que enche realmente as medidas. Nichijou é uma delas.

    Acompanhamos a vida diária de uma turma com diversos estudantes. Cada um deles tem uma personalidade que, sendo simples, está muito bem trabalhada e funciona perfeitamente dentro do contexto. Esse contexto é de uma absurdidade que só pode ser hilariante. Os acontecimentos são estranhos mas considerados perfeitamente normais, o que dá toda uma aura de estranheza à série. Mas esse "estranho" é tão engraçado que acabamos por nos envolver no bizarro e continuamos a ver a série sem hesitações.

    A arte é também bastante simples, com cores muito suaves e designs que, sendo um pouco infantis, possuem uma grande capacidade de expressão corporal e facial. A animação não tem efeitos muito complexos mas é bastante sólida. Temos algumas cenas verdadeiramente originais em termos gráficos, o que torna a série ainda mais cativante.

    Em termos musicais, infelizmente, temos uma banda sonora bastante vulgar, com efeitos de som pouco específicos .

    De resto, uma série engraçadíssima e encantadora que fará o gosto até dos mais difíceis!
  • A Vida Secreta das Abelhas

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    A Vida Secreta das Abelhas
    Sue Monk Kidd
    2005
    Romance

    Recebi este livro numa BookBox do BookCrossing. Na altura, ficou o seu dono original um pouco espantado pela escolha. Eu tinha-o escolhido por ter ouvido falar muito sobre ele e ter lido bastantes elogios, mas veio a revelar-se um livro de destilação do meu ódio. Afg, detestei! Mesmo!

    Uma rapariga que é claramente uma auto-inserção da autora, tem um pai muito mau. Sabe-se que ela matou a mãe acidentalmente quando tinha quatro anos. Esta rapariga, cujo pai é muito mau, tem uma vida infelicíssima, em que se considera feia (apesar de ser bonita), em que é pouco popular (apesar de ser uma talentosa escritora), em que tudo lhe corre mal. A sua única amiga é a criada negra. E estamos na altura dos direitos civis americanos, pelo que a criada acaba por ser presa e a rapariga salva-a e depois vão magicamente parar a uma apicultura onde três mulheres negras são muito boazinhas.

    Depois descobrimos coisas sobre a mãe dela e a rapariga deixa de ser tão infeliz, para apssar a estar apenas moderadamente triste com a vida.

    Mas o que mais me irritou no meio disto tudo foi o discurso pregador e conversor cristão e católico. A rapariga infeliz vai à igreja e todos acreditam em deus e em Maria e nessa malta toda e o livro move-se em função desta crendice brejeira. Existe uma tentativa de ligar a história ao comportamento das abelhas, mas esquecemos que a abelha mestra não é divina e que a santinha dos infelizes é só mãe de um tipo e não de todos nós.

    Portanto, este livro é uma idiotice pegada e eu desejo fazer uma fogueira pagã para o queimar e excomungar esta minha cabeça que não suporta foleirices católicas.

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