• A Rapariga de Antes

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    A Rapariga de Antes
    JP Delaney
    2017
    Romance

    Há imenso tempo que não recebia um livro do BookCrossing! Este, apesar de ser bastante grande, foi lido no dia a seguir à sua recepção, num dia especialmente secante. A verdade é que é um livro que se lê muito bem e rápido, pois é extremamente simples.

    O elemento que achei mais estranho neste livro foi a sua incrível semelhança como o já famosíssimo A Rapariga no Comboio. Portanto, este livro trata-se de uma homenagem em modo cópia ou, penso eu, JP Delaney é outro pseudónimo da autora. A estrutura é igualzinha, o tema muito semelhante e a conclusão um decalque. Achei mesmo muito estranho.

    Mas sobre que trata, afinal? Uma rapariga muda-se para uma casa cheia de regras, construída sobre tons minimalistas, para tentar recuperar-se da perda de um bebé. Passado algum tempo, descobre que nessa casa vivia uma rapariga em tudo igual a ela, mas que foi assassinada. Assim, ela tenta descobrir o que se passou, para se proteger, enquanto começa uma relação com o senhorio, um louco arquitecto. Enquanto isso, vamos lendo a narrativa da rapariga de antes, que a caracteriza como uma mentirosa compulsiva, tornando sempre mais difícil encontrarmos o verdadeiro culpado.

    Achei curioso que essencialmente todos os personagens deste livro sofrem de algum tipo de perturbação mental. No entanto, esta acaba por falhar na sua caracterização e fica a parecer que os distúrbios não estão lá enquanto elementos, mas mais como algo decorativo. Também a progressão do tempo é pouco clara. No entanto, gostei bastante do facto de este livro estar inserido na nossa realidade do presente, com todas as tecnologias espertas a que temos acesso agora.

    Foi uma leitura divertida, embora não seja especialmente boa.



  • Obra Poética II - Sophia de Mello Breyner Adresen

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    Obra Poética II
    Sophia de Mello Breyner Adresen
    1959 - 1962
    Poesia

    Confesso-me culpada desde já: eu tenho uma alergia de morte a esta autora. Desde que a elevavam a totem animal nas aulas de português do secundário que não a posso ver à frente. No entanto, eu sou de dar segundas oportunidades, e terceiras, e quartas, na medida em que os livros me vão aparecendo para ler.

    Mas esta segunda oportunidade revelou-se apenas mais uma confirmação dos meus engasgos com a autora.

    Portanto, apresento uma lista de tudo o que detesto nela:
    • O mar
    • As referências clássicas
    • Os poemas de duas linhas
    • As frases citáveis
    • As cores sempre repetidas
    • A tua face e o teu rosto
    • Os bichos aquáticos cefalópodes
    • O cheiro
    Quanto àquilo que gosto...? Bem, talvez a brutalidade das imagens em si.

    Será que ainda apanharei mais volumes desta antologia? Quem sabe...

  • Inception

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    Inception
    Christopher Nolan
    2010
    Filme
    6 em 10

    Grande falha minha por nunca ter visto este filme! Finalmente tive a oportunidade. Sempre me haviam falado muito dele, por ser sobre sonhos: a verdade é que os sonhos que tenho são uma grande componente da minha vida, como podem ver por algumas das histórias que publico no Bentivi Urbano. Infelizmente, o filme acabou por me desapontar um pouco, apesar de ser um exercício bastante interessante.

    Neste universo existe uma tecnologia que permite que as pessoas partilhem os seus sonhos. Como ela surge e como é utilizada, é pouco falado. Neste caso, um grupo de espiões industriais usa esta técnica para obter segredos de grandes magnatas. Um dia, é-lhes proposto um negócio diferente: fazerem uma "inception", isto é, plantar uma ideia no subconsciente de uma pessoa.

    O filme baseia-se na estrutura da arquitectura do sono para nos levar através de uma aventura pelos sonhos dos outros. Cada um tem a sua função específica, que achei mal explicada e um pouco incompleta, e cada um sonha à sua maneira. E parece-me que é aqui que está o principal problema do filme: a característica mais importante dos sonhos é, precisamente, eles serem surrealistas. E aqui todos os elementos nos remetem para um mundo real onde a única coisa que se altera são as regras. Assim, os personagens parecem muito limitados no seu poder. Afinal, se são eles a sonhar, poderiam fazer o que quisessem. Poderiam optar por não morrer, isto considerando que se trata de um sonho em que se tem o mínimo de controlo. Poderiam optar por alterar o próprio sonho.

    Portanto, o filme acaba por ser um compêndio de cenas de acção, acompanhado por uma ligeira análise de personagem, em localizações que não fariam sentido numa narrativa normal.

    O final é a melhor parte, pois nos deixa com uma assaltante dúvida. De resto, esperava muito, muito mais.

  • Baía dos Tigres

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    Baía dos Tigres
    Pedro Rosa Mendes
    1999
    Não-Ficção

    Pedro Rosa Mendes é um jornalista que no final dos anos 90 decidiu encetar uma viagem tanto louca como heróica: atravessar, a pé, a África, de Angola a Moçambique, tal como o haviam feito certos artistas em séculos idos.

    Infelizmente, a África do final dos anos 90 é um campo minado, o que só torna tudo mais difícil. Neste livro o autor conta-nos mais do que a sua viagem: fala-nos das pessoas que conheceu, das suas experiências neste continente, das consequências que a guerra teve nas suas vidas.

    Confesso que não aprecio muito literatura de viagens, mas que este tipo de narrativa, contando pequenos pedaços de vidas já estilhaçadas, me atrai muito. Assim, acabei por gostar bastante deste livro, que nos mostra uma realidade que tem vindo a ser muito escondida dos nossos media É possível viver nestes países em conforto e felicidade? Talvez, de uma maneira muito alterada. Mas a verdade é que a realidade destas pessoas ultrapassa em muito a nossa capacidade de compreender, de tão diferente que é.

    Cada história é uma pessoa e cada pessoas tem a sua história. Este livro mostra-nos isso.

  • Lord of Lords Ryuu Knight

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    Lord of Lords Ryuu Knight
    Kase Mitsuko - Sunrise
    Anime - 52 Episódios
    1994
    4 em 10

    É possível haver um anime tão genérico que fiquei convencida durante todo o tempo que já o tinha visto na televisão? Será que vi mesmo? Não faço ideia.

    Num mundo de fantasia um cavaleiro pateta encontra outros patetas e menos patetas e vão por aí a lutar contra as forças do mal. No meio disto tudo têm cartas mágicas que lhes dão acesso aos robots mágicos da magia mágica. Portanto, é um anime de fantasia medieval onde há robots. Em cada episódio se luta contra o mal e por cima disto tudo têm de encontrar um objecto poderoso que os irá salvar a todos. 

    Se a história é a coisa mais simples de sempre, os personagens também não lhe ficam atrás. Temos personagens de todas as categorias, do genki personagem principal, à inteligente princesa, passando pelo ninja irritável e ao protector calmo. Também temos umas maminhas idiotas.

    Mas está tudo tão mal desenhado! O valor de produção deste anime devem ter sido 500 paus, porque não existe uma única cena que esteja bem animada. Só no final é que parecem ter dado um pouco mais de atenção às cenas de acção, que estão ligeiramente mais interessantes.

    E a música, tenho a sensação que já a ouvi milhões de vezes!

    Um anime que se resume a ser igual a todos os outros.

  • Amor no Feno e Outros Contos

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    Amor no Feno e Outros Contos
    D.H. Lawrence
    1926
    Contos

    Durante o início da leitura, tive quase a certeza que este livro já me havia passado pelas mãos. Mas à medida que fui lendo cheguei à conclusão de que não me lembrava de nada, pelo que talvez não. :p

    Este livro compreende seis contos, alguns deles bastante longos, em que o autor nos fala da vida rural e burguesa de uma Inglaterra perdida na sua própria magnificência. Com estes contos há uma caracterização simples, directa e plena de sarcasmo dos vários tipos de pessoa que habitam esa biosfera de muito trabalho e pouco recompensa em oposição a pouco trabalho que gera pobreza. Os personagens têm uma caracterização aguda, no ponto certo, simples mas perfeitamente adequada para o contexto.

    O meu conto preferido foi "O Homem que Amava Ilhas". A sua estrutura é perfeita e a forma como o personagem se vai afastando cada vez mais da realidade humana para ser absorvido pela realidade do isolamento é absolutamente viciante.

    O que gostei menos foi, talvez, o último "O Homem que Morreu", porque o tema religioso e cristão - apesar das alterações inerentes e quase heréticas do conto - nunca me agradou especialmente.

    De todos os modos, recomendo bastante para quem quiser variar um pouco. :)

  • Dor

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    Dor [A Grief Observed]
    C.S. Lewis
    1960
    Ensaio

    C.S. Lewis é um autor de que gosto muito, embora apenas tenha lido as Crónicas de Nárnia (um dos meus livros preferidos, diga-se de passagem). Neste livro ele aborda a questão da dor, partindo de um momento de grande sofrimento na sua vida pessoal: a morte da sua esposa.

    O autor analisa as várias vertentes da dor emocional, sem tocar na dor física. Questiona-se se conseguirá ultrapassar a dor, de que forma o conseguirá fazer. Questiona-se se depois de ultrapassada, irá esquecer tudo sobre a pessoa amada e tornar-se indiferente em relação a ela. E, muito importante, questiona-se o porquê de deus, existindo, permitir este tipo de sentimento destrutivo e contundente.

    Depois de ler este livro, uma pessoa fica com estas questões dentro de si. Se as pessoas que amo desaparecessem, como um dia irão desaparecer (tal como eu própria) qual seria a minha reacção. Qual seria o meu sentimento? Qual seria a minha atitude?

    Será que conseguiria escrever sobre isso, como o fez Lewis? Espero que sim.

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