• Em Busca do Tempo Perdido 4 - Sodoma e Gomorra

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    Em Busca do Tempo Perdido 4 - Sodoma e Gomorra
    Marcel Proust
    1921
    Romance

    Lá continuo eu em busca do tempo perdido. Ainda não o encontrei. Mas terminei o quarto volume  do conjunto, que apreciei muito.

    Após a morte de sua avó, que continua a ter repercussões na vida do narrador, este envolve-se num outro tipo de sociedade para além das dos Guermantes. Ao viajar, de novo, para a cidade veraneante de Balbec, encontra-se nas festas, encontros e reuniões de outras famílias, nomeadamente os Verdurin e os Cambremer. Mais uma vez, o narrador demora-se longamente a observar estas pessoas que são, de todos os modos, mil vezes mais interessantes que os Guermantes (que não davam uma para a caixa).

    Mas, neste livro, o autor começa a explorar um outro assunto que, suponho, era muito pouco tratado na época: a homossexualidade. O narrador vive num pânico constante que Albertina, a sua amada, se envolva tanto com homens como mulheres, sendo que relata alguns momentos em que desconfia que ela pertença à "tribo de Gomorra". Aparece também um novo personagem, o Barão de Charlus, que é abertamente homossexual. O narrador descreve, então, os seus hábitos e maneirismos, de forma a caracterizar, de certa forma, toda esta população.

    No entanto, não o faz de forma crítica ou rude. Como sempre, o nosso narrador é puramente um observador e não forma opinião sobre nada em especial. Ele apenas relata as coisas que acontecem e a forma como algumas delas o atingem emocionalmente, mesmo que isso acabe por - no final - não causar qualquer tipo de contratempo no seu convívio com a sociedade (da qual, volto a insistir, ele parece não gostar assim tanto).

    Agora estou ansiosa pelo próximo volume onde, suponho, o narrador começará a envolver-se realmente com Albertina e haverá algum tipo de união, relação, ou algo do género. Se bem que posso chegar ao volume 5 e nada disso acontecer, claro. Proust não é tão evidente como poderíamos pensar.
  • Yousei Florence

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    Yousei Florence
    Hata Masami - Sanrio
    Anime - Filme
    1985
    6 em 10

    Em oposição ao mítico "Fantasia", da Disney, todos os países se esforçaram por produzir algo semelhante em termos de conteúdo. O conceito é simples: como ilustrar com animação peças clássicas e eruditas por todos amadas e conhecidas? Yousei Florence (A Fada Florence) faz uma tentativa de explorar este conceito, mas acaba por falhar rotundamente naquilo a que se propõe por diversos motivos.

    A história de base é muito simples e não de todo necessária. Um oboísta gosta mais de flores do que do seu oboé. Um dia, conhece uma fada das flores que o leva a um mundo encantado cheio de magia. Nessa altura ele descobre que afinal gosta de música e torna-se um solista de sucesso. Isto é, a narrativa parece estar ali apenas para dar um "motivo" para as cenas de animação que irão aparecer ao longo do filme.

    Estas, infelizmente, roubam de tal forma as ideias ao "Fantasia" original que quase se poderia considerar um plágio! Algumas cenas de animação são copiadas ipsis verbus (no caso "ipsis imageticus") das cenas das flores do filme da Disney, sem sequer se esforçarem a darem a isso um toque diferente de originalidade. A animação não é de todo suficientemente boa para que possamos distinguir o anime em relação a isso: para 1985 está até bastante flácida e pouco detalhada, revelando um baixíssimo valor de produção.

    Acabo por lhe dar uma nota mediana, embora mais inclinada para uma inferior, porque vale sempre a pena ouvir este conjunto de peças. Apesar dos efeitos sonoros desnecessários que povoam todo o filme, aprecio sempre um pouco de música bonita.

  • Digimon Adventure Tri: Ketsui

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    Digimon Adventure Tri: Ketsui
    Motonaga Keitarou - Toei Animation
    Anime - Filme
    2016
    6 em 10
     
    Já tinha este filme há tempos para ver (bem, desde que saiu, em Março), mas só agora me motivei para entrar em regime de filmes. Um por dia, nem sabe o bem que lhe fazia! =D
     
    Este filme de Digimon pega exactamente onde o anterior nos deixou. Os digimons voltaram ao mundo real, pois o seu mundo digital está com um vírus que contagia estas criaturas e as torna maléficas e descontroladas. Entretanto, os digiescolhidos encontraram uma nova amiga que também tem um digimon. Este filme relata a forma como se tornam todos amigos e tentam resolver as quezílias entre eles. Apenas na última secção do filme existe um momento de acção e luta entre criaturas, assim como um ligeiro desenvolvimento na história em que nos começa a ser revelado o que se passa realmente para tornar os digimons maus.
     
    A parte que mais gostei deste filme foi como, tendo todo o tipo de oportunidades para investir em momentos ecchi, eles se escusaram a fazê-lo, mantendo-se sempre discretos e absolutamente familiares. Claro que isso se perde imediatamente aquando o aparecimento de Rosemon, uma nova digivolução.
     
    A animação está satisfatória, sobretudo nos momentos de acção, embora acabe por se tornar um pouco repetitiva na medida em que os ataques dos digimons são limitados e não há muito de original que se possa fazer com eles. Musicalmente, temos todos aqueles temas que nos apaixonaram nos anos 90, assim como outras peças que adicionam mais um pouco de vivacidade à narrativa, que é bastante redutora nos termos em que se compreende o desenvolvimento dos personagens.
     
    Estes parecem estar a ir por um bom caminho, apesar de tudo, já que têm uma idade diferente agora e problemas sociais que estão adaptados a esta situação.
     
    Este segundo filme da nova instância de Digimon parece, sobretudo, um filme de transição sem muito que possa adiantar à narrativa geral do arco. Esperemos para ver como será o próximo filme.

  • Sabagebu!

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    Sabagebu!
    Oota Masahiko - Pierrot Plus
    Anime - 12 Episódios
    2014
    5 em 10

    Uma moça anda no metro normalmente quando se vê envolvida num clube de jogos de sobrevivência. Mas nada disto é a sério, atenção! Lá porque se chama "jogos de sobrevivência" não significa que alguém morra! Haha. Ha. Ha.

    Perante esta proposição, haveria algum potencial, mas este anime limita-se a ser mais um de meninas com pistolas, sangue falso e muitas tetas saltitantes. Para além do mais, isto é suposto ser uma comédia. Mas, como sempre, o meu sentido de humor não consegue atingir semelhante genialidade, porque achei tudo simplesmente vulgar. As personagens são indiferenciadas, distinguem-se umas das outras pela cor do cabelo. Cada uma das histórias, supostamente cheia de graça, é aborrecida e inconsequente.

    A animação é simples, sendo que o maior detalhe está nas armas (que nem sequer são reais). O brilho e as cores poderiam ser uma vantagem, foste este anime 20 anos mais antigo. Não existe qualquer elemento nos movimentos que distinga este anime de qualquer outro que tenha saído no seu ano.

    Musicalmente, temos sons repetitivos, uma explosão de gags instrumentais e vocais que vemos repetidamente e constantemente a toda a hora. As vozes não ajudam na caracterização, de todos os modos insuficientes, das personagens.

    E não há rapazes aqui, por alguma razão que me transcende.

    Mais um ecchi mal conseguido, em nada representativo quer do seu género quer da sua era.

  • Kachou Ouji

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    Kachou Ouji
    Kikushi Yasuhito - AIC
    Anime - 13 Episódios
    1999
    6 em 10

    Tanaka Oji tem uma vida triste. Todos os dias vai trabalhar. Tem uma mulher e um filho pequeno. O que ninguém sabe é que num passado remoto ele era o guitarrista de uma banda de rock! E a verdade é que Oji tem saudades disso... Quando uma nova colega de escritório lhe diz que precisa dele para tocar guitarra num grande palco, não hesita em aceitar! Mal sabe ele que a sua música é o que activa uma arma super poderosa intergaláctica, que poderá definir o rumo de uma guerra espacial que poderá mesmo vir a destruir o planeta Terra!

    Este é um anime simpático, sem grandes pretensões, que nos mostra um personagem a crescer e a perceber cada vez mais sobre si próprio e sobre que rumo quer dar à sua vida. É também um anime cheio de momentos engraçados, em que o personagem não consegue coadunar a sua vida secreta de rocker galáctico com a sua vida familiar. É um anime interessante devido a estes momentos e baseia-se, então, sobretudo na sua personagem. Foi um prazer vê-lo a crescer e a tomar um novo rumo para a sua vida baseado nas coisas que realmente deseja e que teve de abandonar para se inserir na sociedade que o esperava. 

    No entanto, talvez tudo isto tivesse feito mais sentido se não houvesse o elemento da ficção científica.

    A arte não é especialmente boa, se bem que fizeram um trabalho interessante no design dos personagens, que não são especialmente bonitos, mas também não são especialmente feios. São pessoas normais com vidas normais, o que adiciona toda uma nova perspectiva a estas situações. A animação digital é arcaica e pareceu-me desnecessária. No entanto, existem algumas cenas mais experimentais, sobretudo nos momentos musicais, em que há uma mistura de traços e cores muito curiosa, que dá um efeito quase psicadélico a estes "concertos"

    Musicalmente, temos uma banda sonora muito interessante, baseada sobretudo em tonalidades de guitarra. Esta é usada com mestria, dando todo um ambiente melancólico ao anime, conjugado com a paleta de cores um pouco escura. A música do tema acaba por se tornar um pouco repetitiva, apesar de ser deliciosa.

    Um anime que me deu gosto ver e que poderia recomendar a pessoas que busquem animes sobre música.


  • Um Peixe Chamado Wanda

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    Um Peixe Chamado Wanda
    Charles Crichton
    1988
    Filme
    7 em 10

    De regresso a casa, vamos ver um filme. Debati muito com o Qui que filme haveríamos de ver e lembrei-me que tinhamos este para ver há que séculos. Então lá foi ele. :)

    Escrito e interpretado por alguns Monty Python, este filme é uma viagem por um universo cómico, cheio de detalhes sem sentido, mas que dentro do conjunto acabam por fazer uma película deliciosa. 

    Um grupo de ladrões assalta um banco para roubar valiosas jóias. Mas entre eles, em quem se pode confiar? Cada um por si e todos apaixonados por uma única figura: Wanda. Esta, é uma personagem que interpreta uma série de pessoas diferentes, conforme a sua conveniência. A narrativa é rápida, sendo que as pistas para o mistério estão sempre a mudar de sítio e necessitamos de muita atenção para conseguir perceber em que ponto estamos. Tudo isto numa sucessão de situações inusitadas que são tão bizarras como lógicas e nos levam ao riso fácil, mas inteligente.

    Este filme não seria possível sem um conjunto de interpretações brilhantes, com destaque para Jamie Lee Curtis, que faz um papel muito difícil em que a personagem se está sempre a transformar de forma a nunca sabermos quem ela é realmente.

    À medida que a narrativa vai evoluindo, assistimos também a um crescimento constante dos personagens, que se vão libertando das suas vidas habituais perante uma causa maior, seja ela o dinheiro ou o amor. Também é uma crítica brutal a todo o sistema social inglês, perante a liberdade americana (que, apesar de tudo, não é assim tão boa como se poderia pensar). Há uma desconstrução de estereótipos de forma a conseguirmos compreender cada vez mais sobre estas pessoas, tornando-as indivíduos complexos e cheios de personalidade.

    Um filme de que gostei muito!

  • FUPO 2016

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    FUPO - Feitos Um Para o Outro 2016
    Evento/Meet

    Quando foi anunciado que iria, após tantos anos (seis? Mais?) haver um novo FUPO, fui logo ver o meu horário do mês para saber se poderia ir. É que, sabem, o FUPO é um evento especial para mim. Foi com muita pena que o vi acabar na época. Porque... Foi o meu primeiro evento, onde levei o meu primeiro cosplay :)

    O local seria o mesmo desse evento fatídico em que entrei no universo cosplaico: a Fábrica da Pólvora, em Oeiras. Pedi à minha mãe que me desse boleia, ela que tinha acabado de chegar de uma viagem transatlântica. E lá fomos nós! Evidentemente que nos perdemos. E, perdendo-nos, demos voltas e voltas, sempre seguindo plaquinhas que, progressivamente, iam desaparecendo. Encontrámos coisas bizarras, como uma estátua que tinha caído e zonas de moradias totalmente isoladas do mundo. E quando vimos "Parque Fábrica da Pólvora", achámos aquilo tudo muito estranho. Porque o que vimos foi...





    Não era nada assim que eu me lembrava do sítio! Mas, considerando que a estrada em frente não dava para lugar nenhum, decidi descer por aquela estradinha e procurar as pessoas. Afinal, contando todos os cabelos coloridos que esperava, não deviam ser difíceis de encontrar! A minha mãe ficou ali à espera que eu lhe dissesse coordenadas, para o caso de precisar de voltar para trás. E lá fui eu, pela estrada fora!



    Continuei, pela estrada fora.


    Continuei pela estrada fora. Até que me deparei com isto.



    Do outro lado de uma ribanceira cheia de ervas e gafanhotos, estava um local que se parecia em tudo com o que eu recordava! Por aí tinha de ir! Sem ver nenhuma outra maneira de ir parar àquela estrada de salvação, decidi atirar-me da ribanceira abaixo. E lá fui eu, que nem uma pequena estrela do mar, a rebolar por ali abaixo, com cuidado para não sujar nem estragar os meus sapatinhos novos. Sobrevivi!

    Só depois vi que mesmo ao lado estava uma escada.



    Informei minha mãe que estava viva e tinha encontrado o local, e comecei a minha busca pelas pessoas oloridas. Felizmente encontrei logo a Leonor Grácias e o Samuel (Felix Works), que me disseram que estava a ir na direcção oposta à qual deveria seguir. Ao encontrar as pessoas, foi como se o mundo me caísse aos pés.

    Onde estava toda a glória dos FUPOs passados? A multidão que se reunia em amena cavaqueira e beberragem de copos, saltos e folias contundentes, o apoderamento do espaço público em nome do maior bem do cosplay? Bem, não sei onde foi parar a multidão. Mas podemos dizer que estavam "poucos mas bons" :)

    Encontrei alguns amigos que me levaram à parte de dentro da Fábrica da Pólvora, onde me deparei com esta situação:




    Ritual demoníaco? ATL de crianças? Ninguém o saberá.

    Procedemos a ir para a zona do parque infantil, onde iria decorrer um quiz. Não me inscrevi porque, na verdade, apesar de ter visto tantos animes, não sou muito boa com quizzes. Nunca me lembro das respostas para as coisas! Na verdade, na maior parte das vezes nem sequer me lembro se já vi os animes ou não. :( Mas foi muito engraçado assistir ao quiz, que estava misturado com um "jogo do lenço", porque afinal até sabia a resposta para bastantes coisas. :) E é sempre engraçado ver choques frontais entre as pessoas que correm uma contra a outra na direcção do lenço! =D

    Aproveitei para tirar algumas fotos, que se seguem. Desta vez não tive coragem de pedir aos poucos colspayres uma foto, considerando que a minha máquina compacta é tão pouco impressionante, mas tentei apanhar toda a gente nesta visão geral. :)







    Terminando o quizz, vimos que mais pessoas chegaram. Ainda assim, não as suficientes para que os concursos planeados se pudessem concretizar. No meu segundo FUPO ganhei um deles, como "Cosplayer Modelo", com o meu cosplau de Kana Alberona, e este ano esperava ver também uma série de sukitos improvisados, sem música e sem microfone, apenas para um grupo de pessoas ruidosas. Como entretanto me fui embora, não se na realidade ocorreu. Espero que sim! Espero mesmo que sim! :)



    Relativamente aos concursos de fotografia, também gostaria de ter participado, se tivesse tido um sujeito para fotografar (apesar de as minhas capacidades fotográficas serem bastante infelizes). Deixo apenas uma sugestão para o futuro: sugiro que deixem que seja tanto o cosplayer como o fotógrafo a enviar a fotografia para participação. Afinal, o trabalho é dos dois e ambos merecem o eventual prémio! =D

    Depois o pessoal deu-me boleia para a estação dos comboios (e fiquei presa nela quando cheguei ao destino, mas isso é outra aventura!). Obrigada! <3

    Em resumo, fiquei um pouco triste com este evento ou meet, que costumava ser tão populoso nos seus tempos áureos, e no qual conheci tanta gente e tanto me diverti. Embora a minha primeira experiência de cosplay tenha sido um pouco perturbadora, lol. Um dia vos conto. Não sei o que se terá passado. Falta de publicidade? Na altura não era precisa. O local, isolado e longe dos transportes? Na altura não fazia diferença.

    Se calhar fomos nós que mudámos. Se calhar crescemos todos. Ainda assim, espero que para o ano volte a haver FUPO e que, dessa vez, volte a ter o brilho que tinha quando conheci o mundo do cosplay :)


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