Catblue Dynamite
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Catblue Dynamite
Higa Romanov
Anime - Filme
2006
6 em 10
Coisas obscuras são obscuras. Este filmezinho, produção independente, libertado como Original Net Animation, com dobragem em inglês e legendas em japonês, é uma dessas coisas.
Fala de uma moça que é um gato e que, por que tem uma cauda, pode segurar em três armas ao mesmo tempo. Também tem o poder de ver fantasmas. Dirige-se a um bar para se encontrar com uns tipos que não a conhecem mas que vai ajudar, na companhia de John, o seu amigo fantasma. A partir daí são perseguidos por um bando de mascarados e há uma luta com outra gaja.
É uma história simples, que aparenta ser uma espécie de episódio piloto para algo maior, que nunca chegou a acontecer. É uma pena, pois estes personagens realmente tinham potencial para se fazer algo com eles. Aliás, até as vozes americanas são muito apropriadas, apesar do diálogo ser muitas vezes um pouco foleiro e enfadonho. Mas está tudo bem, talvez fosse mesmo assim que se falava nos anos setenta.
Trata-se também de uma experiência de animação, pois encontra-se nos primórdios da utilização de animação digital com CG em cell shading. É uma animação arcaica, mas gostei bastante das expressões faciais, sobretudo da boca. Infelizmente, acaba por não funcionar muito bem nas cenas de acção, que são bastantes e acabam por parecer um pouco desadequadas, já que não há fluidez nos movimentos suficiente para que as coreografias sejam realistas.
A música é um pouco repetitiva, mas a peça usada mais vezes tem o seu charme e leva-nos de volta à época a ser retratada.
Um filmezinho interessante, que merecia desenvolvimento.
By : ladyxzeus
Sepulturas dos Pais
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Sepulturas dos Pais
David Soares & André Coelho
2014
Banda Desenhada
Como sabem, David Soares é um dos meus autores portugueses preferidos. Ao surgir a oportunidade de comprar este novo volume de BD no Anicomics, não a perdi e adquiri-o imediatamente. Revelou-se, como sempre e mais uma vez, uma obra surpreendente, cheia de magia e de horror.
Borges é um homem que vive sozinho numa praia e que, durante a infância, descobriu os segredos da areia. A areia tem magia, a areia quer unir-se ao mar, a reunião dos pais com as mães, a reunião das sepulturas. Ele ensina este segredo a Janeiro, uma jovem desiquilibrada que só pensa em sexuar com dois homens desconhecidos.
Assim, temos um livro muito gráfico no respeitante aos temas sexuais, que são todos brutais, horríficos, nojentos. Mas isso é largamente compensado pelos momentos da areia, os momentos maravilhosos, os momentos em que há amor e em que se criam novas figuras e imagens, altamente detalhadas, de criaturas míticas que só existem na imaginação de quem está só.
O desenlace é triste, mas de certa forma impressionante: os poderes da areia mantêm-se e nada os poderá deter. A destruição aproxima-se. Uma nova sepultura será criada.
Mais uma vez, um livro interessantíssimo, impressionante e arrepiante. Recomendo vivamente.
By : ladyxzeus
Mugen no Ryvius
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Mugen no Ryvius
Taniguchi Goro - Sunrise
Anime - 26 Episódios + 6 Specials
1999
7 em 10
Este é um anime de ficção científica que nos fala de uma situação extrema já frequentemente abordada em outros meios: o que fazer quando não há adultos por perto.
Ryvius é uma nave espacial em que vários estudantes treinam as suas capacidades para se tornarem pilotos, engenheiros, entre outras coisas. Devido a um acidente, os "adultos" são eliminados e estes alunos têm de tomar decisões de forma a sobreviverem num ambiente hostil, onde por vezes há inimigos, onde há falta de recursos e onde têm de manter a paz para conseguirem chegar a casa. Assim, desenvolve-se uma série de acções, onde estes adolescentes acabam por se dividir, lutando uns contra os outros e criando um ambiente social caótico onde não se sabe quem vai ser o próximo a ceder à pressão e ser eliminado. É uma narrativa muito interessante, potenciada por um conjunto alargado de personagens que vivem esta história e se desenvolvem de forma estável. Estes personagens têm atitudes que, adequadas à sua idade, conferem consequências graves no progresso da narrativa, sendo essencial o seu desenvolvimento para que esta também aconteça.
Por outro lado, existe um certo elemento "mágico" na história, com a existência de alguns personagens observadores que têm algum tipo de poder misterioso e um robot gigante que não se sabe bem o que está ali a fazer. Em minha opinião, este aspecto poderia ter sido totalmente eliminado, pois acaba por tornar a história um pouco confusa e, no fundo, é desnecessário na progressão dos personagens neste universo fechado.
Para a época, temos uma arte bastante boa, com designs simples e limpos, detalhados na maquinaria, e cenas de acção que não sendo espectaculares entregam as emoções necessárias. Talvez a paleta de cores seja um pouco escura para o contexto, sendo que as paisagens espaciais poderiam ser melhoradas. No elemento "mágico" os designs são incapazes e não fazem sentido, mas creio que isso poderá ser ignorado na avaliação geral deste anime.
A minha parte preferida foi, sem dúvida, a banda sonora. Tudo começa com uma OP cheia de energia e estilo, continuando com uma série de peças de beats intensos e instrumentais orquestrais. No geral, funciona muito bem e traz grande energia a cada uma das cenas. Talvez o erro principal desta banda sonora não esteja na qualidade das músicas mas na forma como são utilizadas: muitas vezes a peça prolonga-se além do necessário, para além da cena que representa e para dentro de outra que já não tem nada em comum com ela.
Mas no geral considerei um anime bastante bom, original dentro do género, que certamente recomendarei.
By : ladyxzeus
Hanabi
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Hanabi
Takeshi Kitano
Filme
1997
7 em 10
Há muito que o Qui me tentava explicar quem era o Takeshi Kitano e o que era o programa "Takeshi's Castle". Bem, eu não vejo televisão e não fazia ideia. Então, fiquei sabendo que Takeshi Kitano (ou só Takeshi) é um actor de filmes hard-boiled, sobre a máfia, gangsters e bandidos, também fazendo ele sempre papel de bandido. Para o confirmar, mostrou-me este filme, escrito e realizado também por ele, que se relevou uma bonita obra.
"Hanabi" significa "fogo de artifício", o que tem ligação com uma das cenas mais intensas de toda a narrativa. Esta fala de um polícia corrupto que deve uma série de dinheiro aos yakuza. Enquanto isso, a sua mulher aproxima-se do fim de vida com um linfoma no corpo. E a sua filha morreu. Numa mistura de memórias com o presente, este personagem procura afastar a máfia do seu caminho para poder viver uns últimos momentos de felicidade com aquela que ama. Numa outra perspectiva, um polícia seu amigo sofreu um acidente de trabalho e está preso a uma cadeira de rodas, dedicando-se à pintura e procurando uma nova maneira de viver. As duas histórias interligam-se de forma emocional, enquanto uma vida se aproxima do fim e outra procura recomeçar.
Os estados de espírito são ilustrados pelos desenhos que nascem das mãos do tal amigo (na realidade pintados por um amigo do realizador). Desenhos estranhos, cheios de animalária surreal, que simbolizam muito mais do que aparentam e têm um efeito quase alucinogénico no espectador. Por outro lado, senti que as cenas de memórias são um pouco confusas, sendo difícil de distinguir o que se está a passar na realidade do que se passou anteriormente.
A música é bela e coaduna-se com as cenas, que têm um efeito pictórico, como se observássemos fotografias em movimento em vez de uma série de fotogramas. A utilização da luz é fascinante e muitos destes "quadros" transmitem uma sensação de calma profunda e também de uma tristeza inabalável.
Mas o que mais me impressionou foi sem dúvida a interpretação do actor, Takeshi Kitano. Segundo consta, ele tem "sempre a mesma cara". E é verdade. Tem sempre a mesma cara. Mas, na sua condição singular, é um actor extremamente expressivo, transmitindo os sentimentos com subtileza e exactidão, sem necessitar quase de dizer qualquer palavra. Achei um trabalho de actor impressionante.
Por isso, está aprovado o Takeshi do Takeshi's Castle. Talvez hoje em dia seja mais uma personagem cómica do imaginário televisivo do Japão, mas neste filme fez um trabalho extraordinário.
By : ladyxzeus
No Calor dos Trópicos
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No Calor dos Trópicos
Flávio Capuleto
2011
Romance Histórico
Recebi este livro por alguma comemoração do BookCrossing, que entretanto esqueci qual era. Estava bastante motivada para o ler, já que se trata de um romance histórico passado no Brasil, na época conturbada da libertação de escravos e abolição da escravatura.
Diz o autor, numa breve introdução, que escreveu o livro tendo em vista a sua adaptação para o cinema. Devo dizer que tal me parece impossível, já que o romance não corresponde ao nivel de qualidade que seria de esperar. A história gira em volta de um triângulo amoroso, de paixões e traições, que se desloca para o Brasil de forma a consumar-se definitivamente. Assim, é um romance que se poderia passar em qualquer época: o tema da abolição da escravatura passa para segundo plano, sendo que a sua utilização aparece mais como mecanismo narrativo em vez de ser um tema principal em discussão.
Para mais, a escrita é desadequada ao tipo de romance, com erros históricos constantes e um uso de linguagem moderna que não se conjuga bem com as personagens. Não há detalhes correctos em termos de vestuário ou de alimentação (quem usa um "slip" neste século?) e a gíria utilizada não é de todo coerente, quer com a época quer com o estatuto social dos personagens (que visconde manda outro "por a boca no trombone"?)
Os detalhes históricos são incorrectos e isso não é perdoável do ponto de vista deste tipo de romance, apesar de o autor insistir bastante no facto de isto ser uma obra fantasiada e vinda da sua cabeça. Não é admissível.
Para mais, o livro está recheado de cenas sexuais constantes, inapropriadas e descritas de forma repetitiva (como gostam estas pessoas de "cavalgar"). Não trazem em si nenhum tipo de beleza erótica e parecem estar metidas a martelo, tais quais umas batatas a murro, pelo meio de uma narrativa simplificada e cuja existência parece estar em função da descrição dos actos sexuais.
Um livro que me desapontou bastante, pois o autor deveria ter pesquisado mais (pesquisou bastante, como se vê na bibliografia, mas não foi o suficiente ou nos locais correctos). Ainda assim, espero que não deixe de escrever, pois imaginação tem bastante. :)
By : ladyxzeus
Pretty Rhythm Aurora Dream
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Pretty Rhythm Aurora Dream
Hishida Masakazu - Nomad
Anime - 51 Episódios
2011
4 em 10
Quando nos sentimos mal com a vida, um pouco deprimidos, tudo o mais, há sempre uma solução: ver um anime de meninas mágicas. Ainda por cima, meninas mágicas no gelo! Quem poderia pedir melhor? Infelizmente, Aurora Dream tinha tudo para correr mal. Tudo correu mal.
A premisa base é a de que uma menina destrambelhada ganha a oportunidade, e os materiais para, participar em espectáculos de ídolos, que depois se transformam numa espécie de competição, um género de música pop no gelo (ou o que quer que seja aquela superfície). Ela encontra amiguinhas com os mesmos objectivos, juntam-se para fazer uma super-banda-grupo-coise-pop e dançam muito em diversas situações. O culminar da magia acontece com os "saltos"#, em que a fantasia e a alegria acontecem numa explosão de frutas, chocolates ou bolas de futebol, é conforme. Vamos admitir isto com naturalidade: num anime deste género não é necessário que as coisas tenham muita lógica.
Mas há algo que eu não consigo suportar, que é a redução dos personagens a um conceito moral irrelevante e nada educativo. Isto é, estas meninas, estas personagens, são recortes da caixa dos cereais que insistem num código de valores completamente desadequado e afastado da realidade. O que acontece aqui é a redução da figura feminina às suas roupas (elas só conseguem fazer os espectáculos com as roupas adequadas) e a algo como "fofoca" ou "mexeriquice". Para um anime dirigido a meninas pequenas, isto não é o tipo de coisa que deveria transmitir. Estas personagens não motivam as crianças a procurar o sucesso através das suas próprias capacidades. Indicam-lhes que o caminho correcto é o do consumismo e o da quebra de valores morais até ao culminar de toda a felicidade feminina que é, como não podia deixar de ser, o "vestido de noiva". Reparemos que este anime foi produzido e concebido no "agora", na actualidade. Pensei que já tivéssemos ultrapassado este tipo de assunto. Mas pelos vistos o Japão continua a procurar educar as suas meninas como pessoas descerebradas e introduzidas a murro numa sociedade consumista.
A arte é de um horror indescritível. Mas tentarei descrever de qualquer forma. Existem erros constantes, na utilização de cores, nas proporções, nos movimentos. Os designs das roupas das personagens são pavorosas, completamente deslocadas de qualquer tendência de moda que pudesse estar em voga na altura. Os momentos de dança, imensamente frequentes, estão animados digitalmente com utilização de cell shading. São repetitivos, plásticos, poliédricos, arcaicos. As sequências de animação dos saltos, que poderiam ter algum tipo de beleza, caem no ridículo com tal facilidade que é impossível levar este anime a sério, sendo fofinho ou não fofinho.
Musicalmente, podemos dizer que tem uma grande variedade. Mas quantidade não se equipara a qualidade. As músicas são um pop desinspirado, vulgar, com letras que não fazem sentido e que apenas apelam aos sentimentos que referi anteriormente.
Quando li reviews deste anime diziam frequentemente "eu sou um homem com barba e gosto de coisas fofas, portanto gosto disto". Mas isto não é fofo. É simplesmente horrível.
By : ladyxzeus
Submissão
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Submissão
Michel Houellebecq
2015
Romance
Decidi experimentar de novo este autor para ter mais certezas sobre ele e sobre a sua escrita. Cheguei a uma conclusão: Houellebecq escreve para chocar.
Desta vez cria uma situação imaginária, mas bastante coerente dentro de um contexto de futuro próximo, em que o governo francês passa a ser liderado por uma frente muçulmana que, imediatamente, impõe reformas na vida das pessoas e, sobretudo, na educação. Para falar sobre isso, temos um personagem principal inadaptado e triste com a vida, que se dedica ao ensino universitário e a beber copiosamente todo o tipo de licores, vinhos e aguardentes. E a observar o estado do tempo com bastante exactidão: a parte agradável sobre este personagem é que ele gosta de nuvens (eu também gosto muito delas)
Ao iniciar o processo de conversão de França ao Islão, o autor começa com vagos contornos apocalípticos, que são muito pouco explorados. Na verdade o livro é uma análise metafísica de várias coisas, que acabam por não ter qualquer consequência prática nas decisões do personagem, e de reflexões extensas sobre a obra de um autor clássico rebuscado.
Tudo isto poderia ser interessante, mas infelizmente o autor perde a razão: o que ele deseja retratar é a "submissão" a um estado de coisas que pode ser possível. Mas ele caracteriza esse "estado de coisas", toda uma religião, de forma extremista, racista e machista. Fá-lo de forma muito subtil, mas perante a conclusão não podemos deixar de ficar tristes pela ignorância do autor: ele considera, simplesmente, que a conversão ao islamismo é uma questão de ter mulheres em quantidade e qualidade, em vez de ser algo espiritual.
Será isto verdade? Não gosto de acreditar muito nisso.
Enfim, dizem que à terceira é de vez, mas creio que não voltarei a experimentar este autor e as suas fortes opiniões reaccionárias.
By : ladyxzeus


