Pretty Rhythm Aurora Dream
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Pretty Rhythm Aurora Dream
Hishida Masakazu - Nomad
Anime - 51 Episódios
2011
4 em 10
Quando nos sentimos mal com a vida, um pouco deprimidos, tudo o mais, há sempre uma solução: ver um anime de meninas mágicas. Ainda por cima, meninas mágicas no gelo! Quem poderia pedir melhor? Infelizmente, Aurora Dream tinha tudo para correr mal. Tudo correu mal.
A premisa base é a de que uma menina destrambelhada ganha a oportunidade, e os materiais para, participar em espectáculos de ídolos, que depois se transformam numa espécie de competição, um género de música pop no gelo (ou o que quer que seja aquela superfície). Ela encontra amiguinhas com os mesmos objectivos, juntam-se para fazer uma super-banda-grupo-coise-pop e dançam muito em diversas situações. O culminar da magia acontece com os "saltos"#, em que a fantasia e a alegria acontecem numa explosão de frutas, chocolates ou bolas de futebol, é conforme. Vamos admitir isto com naturalidade: num anime deste género não é necessário que as coisas tenham muita lógica.
Mas há algo que eu não consigo suportar, que é a redução dos personagens a um conceito moral irrelevante e nada educativo. Isto é, estas meninas, estas personagens, são recortes da caixa dos cereais que insistem num código de valores completamente desadequado e afastado da realidade. O que acontece aqui é a redução da figura feminina às suas roupas (elas só conseguem fazer os espectáculos com as roupas adequadas) e a algo como "fofoca" ou "mexeriquice". Para um anime dirigido a meninas pequenas, isto não é o tipo de coisa que deveria transmitir. Estas personagens não motivam as crianças a procurar o sucesso através das suas próprias capacidades. Indicam-lhes que o caminho correcto é o do consumismo e o da quebra de valores morais até ao culminar de toda a felicidade feminina que é, como não podia deixar de ser, o "vestido de noiva". Reparemos que este anime foi produzido e concebido no "agora", na actualidade. Pensei que já tivéssemos ultrapassado este tipo de assunto. Mas pelos vistos o Japão continua a procurar educar as suas meninas como pessoas descerebradas e introduzidas a murro numa sociedade consumista.
A arte é de um horror indescritível. Mas tentarei descrever de qualquer forma. Existem erros constantes, na utilização de cores, nas proporções, nos movimentos. Os designs das roupas das personagens são pavorosas, completamente deslocadas de qualquer tendência de moda que pudesse estar em voga na altura. Os momentos de dança, imensamente frequentes, estão animados digitalmente com utilização de cell shading. São repetitivos, plásticos, poliédricos, arcaicos. As sequências de animação dos saltos, que poderiam ter algum tipo de beleza, caem no ridículo com tal facilidade que é impossível levar este anime a sério, sendo fofinho ou não fofinho.
Musicalmente, podemos dizer que tem uma grande variedade. Mas quantidade não se equipara a qualidade. As músicas são um pop desinspirado, vulgar, com letras que não fazem sentido e que apenas apelam aos sentimentos que referi anteriormente.
Quando li reviews deste anime diziam frequentemente "eu sou um homem com barba e gosto de coisas fofas, portanto gosto disto". Mas isto não é fofo. É simplesmente horrível.
By : ladyxzeus
Submissão
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Submissão
Michel Houellebecq
2015
Romance
Decidi experimentar de novo este autor para ter mais certezas sobre ele e sobre a sua escrita. Cheguei a uma conclusão: Houellebecq escreve para chocar.
Desta vez cria uma situação imaginária, mas bastante coerente dentro de um contexto de futuro próximo, em que o governo francês passa a ser liderado por uma frente muçulmana que, imediatamente, impõe reformas na vida das pessoas e, sobretudo, na educação. Para falar sobre isso, temos um personagem principal inadaptado e triste com a vida, que se dedica ao ensino universitário e a beber copiosamente todo o tipo de licores, vinhos e aguardentes. E a observar o estado do tempo com bastante exactidão: a parte agradável sobre este personagem é que ele gosta de nuvens (eu também gosto muito delas)
Ao iniciar o processo de conversão de França ao Islão, o autor começa com vagos contornos apocalípticos, que são muito pouco explorados. Na verdade o livro é uma análise metafísica de várias coisas, que acabam por não ter qualquer consequência prática nas decisões do personagem, e de reflexões extensas sobre a obra de um autor clássico rebuscado.
Tudo isto poderia ser interessante, mas infelizmente o autor perde a razão: o que ele deseja retratar é a "submissão" a um estado de coisas que pode ser possível. Mas ele caracteriza esse "estado de coisas", toda uma religião, de forma extremista, racista e machista. Fá-lo de forma muito subtil, mas perante a conclusão não podemos deixar de ficar tristes pela ignorância do autor: ele considera, simplesmente, que a conversão ao islamismo é uma questão de ter mulheres em quantidade e qualidade, em vez de ser algo espiritual.
Será isto verdade? Não gosto de acreditar muito nisso.
Enfim, dizem que à terceira é de vez, mas creio que não voltarei a experimentar este autor e as suas fortes opiniões reaccionárias.
By : ladyxzeus
Area 88 (TV)
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Area 88 (TV)
Nomura Yuuichi - TV Asahi
Anime - 12 Episódios
2004
6 em 10
Um recontar da história do OVA original dos anos 80. Para saberem mais sobre eles, consultem aqui. Infelizmente, esta nova série de meados dos 00s é bastante inferior à instância anterior.
A história é a mesma, um jovem que acidentalmente se vê como piloto de aviões numa guerra civil inacabável. A diferença principal é o foco diferente dado aos personagens secundários e às estratégias de guerra que se desenvolvem ao longo dos episódios. Podemos dizer que, em si, a narrativa não tem nada de extraordinário, sendo que o aspecto mais contundente deste anime seria a manifestação do horror e do desespero dos intervenientes nestas batalhas. De alguma forma, isto acabou por se perder entre momentos de gag cómico e na caracterização insuficiente dos personagens. Existem alguns momentos comoventes, mas nada que nos afecte emocionalmente de forma espectacular, como no original.
Na animação temos dois polos opostos. Por um lado, segundo consta (não sei nada sobre aviões) o design e animação de maquinaria estão próximos do perfeito. Isto dá azo a grandes momentos de perseguição e o chamado "dogfight", que pelos vistos é o nome dado a combates aéreos. Por outro lado, é uma arte que se dedica muito à utilização de explosões como ponto narrativo: estas são cópias de imagem real, em termos de chamas e fumo, o que funciona muito mal dentro do contexto e dá um aspecto falsificado, pouco realista, a estas situações. Isto acaba por tirar muita da emoção que poderíamos relacionar com os personagens, ridicularizando um pouco os momentos.
Musicalmente, temos uma OP pavorosa e um repetitivo uso de elementos techno-orquestrais nas cenas de acção que rapidamente se tornam aborrecidos. Em compensação, a ED serve de homenagem à banda sonora do original, o que é sempre bom.
Assim, continuarei a recomendar o OVA dos anos 80, em preferência a esta série mais moderna. É claramente superior.
By : ladyxzeus
Comical Psychosomatic Medicine
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Comical Psychosomatic Medicine
Ogura Hirofumi - Shin-Ei Animation
Anime - 20 Episódios
2015
6 em 10
Em algo mais que uma hora, vê-se este anime. Episódios de cinco minutos, cada um tentando explicar, por uma vertente cómica, doenças do foro psicológico e mental.
É um anime bastante divertido, com muitos gags que realmente funcionam, que serve como meio educativo para sabermos mais sobre este tipo de doença. Aparentemente, foca-se em problemas comuns da sociedade japonesa, que serão doenças de componente sexual e outras disfunções do género. De certa forma, isto é um pouco assustador, pois ganhamos a noção de que - se calhar - a sociedade japonesa não é tão paradisíaca como gostaríamos de acreditar.
Como conheço alguma coisa de psicologia e doenças comportamentais (é essa a minha especialização, embora seja em animais), posso dizer que o anime trata os assuntos com um certo rigor científico, o que é um alívio. Imaginemos que estariam a passar informações erradas, qual um Dr. Oz!
A animação é muito simples e poderia ter feito uso de alguma experimentação, o que joga sempre bem com o tema (veja-se outro anime do género, Trapeze). Os personagens apresentados são simplesmente representativos na sua generalidade e não se pode considerar que tenham algum tipo de conteúdo, o que também faria falta.
Musicalmente não temos quase nada, mas as vozes estão bastante bem moduladas.
Um anime divertido que nos dá mais a conhecer sobre este tipo de problema social.
By : ladyxzeus
Busou Renkin
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Busou Renkin
Kato Takao - Xebec
Anime - 26 Episódios
2006
5 em 10
Depois de um shounen longo, um shounen um pouco mais curto.
É um anime que fala da luta contra as forças do mal fazendo recurso a um poder alquímico que gera armas poderosas com as quais se pode lutar. É uma narrativa básica, simples, sem nada de novo. Aliás, os conceitos parecem ser uma amálgama de vários animes do género, desde o shounen de batalha a uma certa influência cyberpunk, o que torna o desenvolvimento previsível e bastante aborrecido. Os personagens são vulgares e não trazem nada de único, com excepção para um antagonista estranhamente cómico, que - permitam-me a palavra inglesa - seria caracterizado como "flamboyant"
Os personagens também têm designs pouco inspirados e bastante genéricos, que não contribuem em nada para a originalidade da história (inexistente) e que apenas ligam estas pessoas a estereótipos que - em 2006 - já deveriam estar ultrapassados (mas que, por alguma razão, são repetidos ad nauseum dentro do género)
A animação tem muitas falhas, quer nos movimentos quer no próprio design. Muitas vezes as proporções estão desiquilibradas e outras tantas ocorrem erros simples (por exemplo, num momento o homem está molhado, no momento a seguir está seco) A paleta de cores é muito escura, evocando um ambiente nocturno que não tem qualquer beleza nem atractivo.
Musicalmente, temos OP animada e ED misteriorsa e interessante, mas no parênquima é mais um entre tantos.
Lembro-me que no Herman Encilopédia havia um sketch do P.I.T.O - Partido Igual a Todos os Outros. Este é um A.I.T.O - Anime Igual a Todos os Outros.
By : ladyxzeus
Adolescence of Utena
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Adolescence of Utena
Ikuhara Kunihiko - J.C. Staff
Anime - Filme
1999
8 em 10
Para ornamentar um pouco mais o nosso fim de semana, sugeri o visionamento deste filme, que queria mostrar ao Qui já há bastante tempo. É uma outra versão, uma outra maneira de contar, a história de Revolutionary Girl Utena, da qual faço uma análise completa neste post. Nesse texto falo bastante de todos os símbolos presentes e seus significados, em minha interpretação, pelo que vos remeto para ele para o caso de quererem uma interpretação mais completa das metáforas presentes no filme. O filme é como se fosse um resumo ligeiramente alterado dos pontos principais da série, pelo que as interpretações continuam válidas para ele.
Este é um filme que fala da adolescência e da libertação de conceitos castradores, como príncipes encantados e a traição da sexualidade, através da admissão do "amor", isto é, de uma relação social sem restrições artificiais. Utena entra dentro de um mundo que, por si só, é um artifício de um conto infantil, ao qual ela se encontra presa por força das circunstâncias, da sua infantilidade. Quando é confrontada com a necessidade de lutar por uma "Rose Bride", símbolo de desejo e de atracção, começa a sua libertação. É um filme puramente surreal, em que todos os espaços e elementos são mutáveis e estão em movimento. Nada faz sentido, mas isto dá azo à criação de situações de extrema beleza.
Neste filme, ao contrário da série, Utena e Anthy são personagens frágeis que se encontram perdidas neste universo de fantasia romanesca, buscando a evolução sentimental e sexual através dos espaços em que vagueiam. É a mudança cénica e a utilização de elementos que, aparentemente, não têm lógica que tornam o filme numa experiência gratificantemente bizarra, em que procuramos sempre o significado da metáfora que está por trás das acções de cada personagem.
O filme muda de dinâmica com muita rapidez, numa fluidez que se torna impressionante. A parte final, com os carros simbólicos, acaba por ser causar estupefacção. Nesta parte insiste-se na relação amorosa entre as personagens, que não estava patente na série e que pode falhar em significância, se quisermos levar a história para além do evidente.
Em termos musicais, temos uma grande variedade de música pop que, dentro da sua integridade, pode ser considerada anticlimática num contexto de estranheza e perturbação.
Assim, temos um filme de qualidade superior cheio de minunciosidades ocultas. Uma obra para analisar e pensar.
By : ladyxzeus
Kurt Cobain: Montage of Heck
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Kurt Cobain - Montage of Heck
Brett Morgen
2015
Documentário
7 em 10
Sábado passado, 4 de Julho, foi o dia de aniversário da minha alma mater, Gackt Camui. Tinha grandes planos para celebrar a data, que tiveram de ser cancelados, para minha grande tristeza, por falta de quórum. Assim, em vez disso, vimos o mais recente documentário sobre o representante musical de toda uma geração, Kurt Cobain, vocalista dos Nirvana e seu impulsionador maior.
Note-se que eu não conheço nada sobre os Nirvana. Não era o tipo de banda que aparecesse na revista Bravo. E eu não ouvia rádio. Bolas, na altura eu não sabia nada sobre música. Assim, fui apresentada a este documentário, o primeiro "oficial", autorizado pela família do artista, sem ter qualquer noção sobre o que se passou realmente nestes inícios de 90s. Depois deste visionamento, fiquei com vontade de saber mais sobre a música deles e estou neste momento a tirar para o computador a discografia completa (que, apesar de tudo, não é muita)
Este documentário explica a vida de Kurt Cobain desde a sua infância, tentando analisar o que é que correu mal e o levou à decisão irrevogável final. É-nos apresentada uma criança frágil, desde cedo incompreendida pelos pais, que o evitaram e impediram a sua progressão enquanto adolescente normal, que teve de recorrer à libertação das drogas para se sentir incluído num grupo. Rapidamente, é excluído e volta a encontrar maneira de se manter à tona através da criação musical e artística. Foi a partir daí, desse sentimento de exclusão e depressão constante, que nasceram os Nirvana e o hino que marcou uma geração que imediatamente se identificou com os problemas de Kurt.
Mas os problemas eram mais do que um fanatismo adolescente. Tudo isto é explicado pelos desenhos, que estão animados ao longo do filme de forma muito original, que demonstram cada vez mais agressividade e ansiedade. Existiram figuras ao longo da vida de Kurt que o tentaram ajudar, mas o dinheiro não era o suficiente para o tão necessário psicanalista. Era suficiente para uma outra forma de tratamento: heroína. Isso perturba uma pessoa de tal forma que ela pensa que está bem. Foi o que aconteceu e o que é mostrado, em vídeos caseiros cada vez mais perturbadores. Aparenta ser uma broa horrível.
O filme mostra Kurt Cobain como uma pessoa frágil e doente, que merecia ter sido ajudade e que, no auge do seu sucesso, podia ter sido ajudada. Mas o amor dos fãs, reflectido também no seu ódio, não conseguiu fazer nada por ele. Pelos vistos não é suficiente e isto é uma concepção assustadora.
O filme tem muitos momentos de animação, para além dos desenhos, que mostram o artista em várias fases. Pessoalmente, não apreciei muito estes momentos. Com uma estética que recorda os meandros da banda desenhada independente, senti que uma produção diferente, mais crua, insistindo mais em sombras e cinéticas, poderia ter dado um efeito mais poderoso a estas situações.
Finalmente, é um documentário puramente musical. Não insiste nos grandes sucessos, fazendo paralelismos a outras versões que, dentro do contexto, funcionam muito bem. Para quem é fã dos Nirvana, é uma delícia para os ouvidos. Para quem nada sabe, é motivo para despertar curiosidade. Se há quem odeie... Bem, talvez não devam ver este filme.
É um documentário intimista, sobre uma pessoa enquanto ser humano, não como figura de proa de uma banda famosa. É o tipo de filme que causa tristeza perante a inevitabilidade dos acontecimentos. E vontade de estar lá.
By : ladyxzeus
