• Tron

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    Tron
    Brian Daley
    1982
    Ficção-Científica

    Comprei este livro por um euro na Feira do Livro de Lisboa. Nunca vi o filme, nem o novo nem o antigo, portanto pensei em colmatar essa falha com o livro. Rapidamente aprendi que o filme veio primeiro e que isto é apenas uma novelização.

    É uma história interessante com detalhes simpáticos, passado no mundo digital (de onde vêm os digimons, mas estes não aparecem). Na verdade, resume-se a uma novela normal, em que há um líder tirano - o Programa Mestre - que tenta absorver e destruir os programas que ainda obedecem aos seus users - Crentes-nos-Utentes. Quando um user, Flynn, é absorvido por uma máquina de teletransporte (pois) pelo mundo digital, une-se a Tron e a Yori - programas criados pelos seus amigos Alan e Lora -  para vencer a força do mal.

    Infelizmente, apesar dos conceitos serem bastante inovadores para a época em que se contextualiza, a escrita não é boa o suficiente para cativar, limitando-se a um estilo de aventura que é demasiado simplista para a história que se apresenta. As descrições são pouco claras, apenas sendo possível descortinar o que realmente se passa com ajuda das ilustrações (FABULOSAS POLICROMIAS) que estão nas páginas centrais. Para mais, os personagens sofrem pouco desenvolvimento, sendo que há uma humanização da máquina e do programa baseada na sua aprendizagem que calha um pouco ilógica nos momentos finais.

    Ainda assim, foi bom variar do romance habitual com um pouco de ficção científica, um género que leio muito pouco e sobre o qual tenho curiosidade.
  • Monogatari Series: Second Season

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    Monogatari Series: Second Season
    Shinbou Akiyuki - Shaft
    Anime - 26 Episódios
    2013
    6 em 10

    Depois de Bakemonogatari, Nisemonogatari e Nekomonogatari: Kuro, chegou a altura de ver a última instância desta série de monogataris, um conjunto de seis arcos de nomes distintos e temas distintos que giram sempre em volta do mesmo assunto: uma menina hipersexuada e o seu líder de harém.

    Como podem ver pelas seasons anteriores, não desgostei muito de Nisemonogatari, que é o que vem imediatamente antes em termos cronológicos. No entanto, esta "Second Season" aparece como pouco inspirada e ligeiramente repetitiva.

    Para começar, não há qualquer tipo de variação no respeitante a história e desenvolvimento de personagens. Ests personagens, estas meninas todas, sofrem uma tentativa de exploração ao longo dos arcos, em que cada um é dedicado a uma delas, mas esta cai de forma redundante perante a falta de conteúdo da sua própria concepção. Isto é, quando não há uma personalidade forte por trás, será possível haver um desenvolvimento francamente constante desse tipo de personagem? Aqui, não aconteceu. Isto poderia ser ultrapassado se, como em Nisemonogatari, tivesse havido um exagero na carga erótica (não apenas ecchi), com recurso a elementos figurativos e artísticos. Mas esse tipo de elemento foi remetido ao lugar comum do "levantar a saia da criança e por-lhe a mão no peito" ou mesmo "vamos ter de dormir na mesma cama". Isto torna tudo bastante aborrecido e denota uma falta de inspiração flagrante.

    Compensando isto temos, de certa forma, a opção estilística em geral. Mais uma vez se mantêm os cenários solitários e surrealistas, com uma variação de perspectivas. Apesar de isto ser bastante pretensioso (isto é, o anime faz-se difícil para uma história sem qualquer tipo de valor), é uma experiência visual sinceramente curiosa. Na verdade, muitas vezes, senti vontade de desligar o som e apenas observar estes cenários estranhos e coloridos. Talvez o melhor fosse que todas as meninas tivessem sido eliminadas e que o anime fosse apenas uma sucessão de imagens cénicas.

    Em termos de música, mantém-se a banda sonora das seasons anteriores, com variações constantes nas OPs e nas EDs que, sendo apropriadas (e tendo um grafismo na animação muito interessante) são - em si - músicas bastante vulgares dentro do pop-rock japonês. Mas houve uma delas da qual gosteio suficiente para fazer o download.

    Considero que esta "Second Season" não vale a pena ser vista por quem não apreciou profundamente as seasons anteriores. Por si só, tem pouco valor. Em conjugação com o resto, pouco completa. Mas para quem gosta e ama o estilo, é mais uma experiência gratificante.
  • Senhora Oráculo

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    Senhora Oráculo
    Margaret Atwood
    1976
    Romance

    Finalmente comecei a ler os livros que comprei na Feira do Livro de 2014. Tinha ouvido falar bastante desta autora, sobreutdo dentro do contexto dos fóruns do BookCrossing, e fiquei curiosa. Assim, na altura, aproveitei o desconto para experimentar o livro.

    Este livro foca-se numa personagem, a narradora, que tem uma vida estranha e infeliz. Assolada pelo trauma de uma juventude de obesidade e obsessão pela comida, entrega-se de corpo e alma à mudança pessoal sempre que pode. No entanto, atormentada pelo horror e pela vergonha do seu passado (no que respeita ao corpo e às relações familiares) acaba por criar diversas personagens e uma teia de mentiras em que se esconde para poder manter-se nas suas relações actuais. No entanto, quando tantas mentiras e vidas imaginárias se começam a misturar e a degradar-se, esta personagem inventa uma forma de escapar, uma fuga também ela imaginária. É neste ponto que a conhecemos e é a partir disto que ela explica o que realmente se passou.

    A escrita é bem humorada e bastante simples e directa. Passamos a conhecer Joan, esta personagem que se transforma, e acabamos por compreender que apesar de ela se apresentar aos outros personagens sempre como uma pessoa confiante (com base nos factos que ela inventou para o suportar) é uma pessoa com muitos medos interiores. Isto reflecte-se no seu imaginário, na sua paranóia e na sua escrita.

    Ao longo do livro vão aparecendo excertos do romance de cordel que ela está a escrever (é a sua profissão secreta, digamos assim). Se ao início me pareceu muito desnecessário acompanhar esta história, à medida que a história avança e que o estado emocional de Joan se vai desmoronando estes excertos são muito importantes para realmente compreendermos o pavor que assola esta pessoa constantemente, o da fraca imagem que lhe foi impressa pela família, pelas primeiras companheiras de escola, por tudo o que a rodeava na infância.

    Assim, o livro acaba por ser uma análise bastante interessante da personagem que, apesar de tudo, se poderia encaixar numa espécie de estereótipo (o da "mulher gorda". Aspas aspas aspas)

    Fiquei bastante curiosa em relação à autora e gostaria de ler mais livros dela para saber se o estilo de escrita é sempre assim ou se é apenas a personagem que... É assim. Agora, vou fazê-lo circular. :)
  • Vampire Princess Miyu (TV)

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    Vampire Princess Miyu
    Hirano Toshiki - AIC
    Anime - 26 Episódios
    1997
    7 em 10
     
    Depois de ver o OVA, fiquei com extrema curiosidade em saber mais sobre Miyu e o seu universo. Felizmente que, dez anos depois, fizeram uma série para a televisão que colmata bastante bem as falhas da instância anterior.
     
    É-nos apresentada uma história que poderia ser de vampiros, mas que toma contornos bastante mais misteriosos do que a base das "criaturas que bebem sangue". Bebem sangue, sim, mas mantêm-se no seu universo paralelo sem interferir com os seres humanos na maior parte das vezes. Quando o fazem, são os "shinma" e para os impedir de perturbar a vida tal como ela é existem os "guardiões". Miyu é um deles. Com a ajuda de Larva, um misterioso aliado, e um coelho e a envolvência de uma outra guardiã com poderes gelados, Miyu sela e destrói - episódio a episódio - uma variedade de monstros e criaturas.
     
    De forma delicada e quase melancólica, vemos como estas criaturas se envolvem nos assuntos das pessoas e perturbam as suas vidas, transformando-as - elas próprias - em seres que pouco se aproximam dos seres humanos. É a influência que os shinma têm sobre a população, mais ou menos a nível individual, que forma estas narrativas que - curtas - se unem em temas como obsessões, a família, dilemas. Isto torna toda a série numa experiência muito interessante, apenas melhorada pela produção utilizada.

    Em termos artísticos, há todo um ambiente de escuridão e tristeza recorrente, apesar de a a animação não ser um ponto muito forte. São utilizadas técnicas muito em voga na época, que disfarçam bem um orçamento que pode não ter sido o mais adequado a uma série desta magnitude. No entanto, é de valorizar todo o ambiente criado em torno destes mitos e da história de Miyu, que ficamos a conhecer melhor (e que eu não resisto em adicionar à minha lista de cosplays, como podem ver no Cosplay Portfolio)

    O ambiente geral é potenciado por uma banda sonora misteriosa e altamente minimalista, que faz uso de instrumentos tradicionais dentro do folclore do Japão. Estas músicas estão muito adequadas ao tema atemorizante da série e tornam tudo numa experiência bastante mais perturbadora.

    Um anime que me ficará na memória e que recomendo que vejam.
  • Dez Dias que Abalaram o Mundo

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    Dez Dias que Abalaram o Mundo
    John Reed
    1919
    Não-Ficção

    Recebi este livro como RABCK no BookCrossing.

    A Revolução Russa é um assunto do qual apenas soube nas aulas de história. Tinha uma vaga noção de que chegaram os bolcheviques e mataram a princesa Anastácia à queima-roupa. Com este livro, para o qual me inscrevi por puro acaso, vim a aprender uma série de coisas que não se conjugam em nada com aquilo que eu pensava.

    John Reed foi um dos pouquíssimos comunistas americanos. Estava na Rússia, em Petrogrado, quando aconteceu esta revolução vermelha e, assim, pôde narrar-nos com toda a exactidão o que realmente se passou. E o que realmente se passou parece digno de um livro de Kafka.

    Para começar, a minha primeira realização. Sempre aprendemos a primeira guerra mundial e a revolução bolchevique em capítulos diferentes. Por isso, apesar das datas (1917 e tal), nunca me ocorreu que as duas se passassem ao mesmo tempo. Isso explica muita coisa. Afinal, o mote para tantas revoluções são exércitos a passar fome.

    Mas a diferença destas pessoas para outras, de outro lugar qualquer do mundo, é que estas pessoas são comunistas. Comunistas na origem do comunismo. Eu gosto bastante da teoria, mas este livrinho vem a provar que é tudo demasiado difícil para funcionar. Demasiado burocrático. Vejamos um exemplo abstracto:

    "Muito bem, estamos a fazer a revolução. Vamos tentar organizar-nos de forma democrática. Por isso votamos. Votamos num comité que vai votar para formar outro comité que votará a divisão igualitária de bens por todas as pessoas, que se formam em comités e votam para decidir a divisão igualitária real, por todos aqueles que votam"

    É mais ou menos assim ao longo de 10 dias/250 páginas.

    Isto é hilariante, mas ao mesmo tempo um pouco triste. Afinal, as ideias são boas. As pessoas é que as complicam.
  • Persepolis

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    Persepolis
    Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi
    Animação
    2007
    7 em 10

    Para a segunda volta, o Qui escolheu este filme, sobre o qual eu até alimentava uma certa curiosidade. Baseado na banda desenhada de mesmo nome, faz um bom trabalho na adaptação, pois parece realmente que estamos a ver um conjunto de vinhetas com movimentos.

    O filme, flagrantemente autobiográfico, conta a história de Marjane, uma miúda com ideiais fortes que viu o Irão como era e como se tornou. Muitas pessoas pensam que estes países começaram desde logo por ser habitados por malucos com toalhas na cabeça, mas a verdade é que eram bastante parecidos com as nossas terras antes da revolução os ter impelido para uma ditadura religiosa. Tudo começa com Marjane em pequena, a descobrir a música e a tentar adaptar-se a uma realidade que cada vez mais se afasta daquilo que ela considera como a normalidade.

    Depois, estala a guerra. Marjane é forçada a viajar para a Europa. Ali, processa-se uma nova transformação.

    É um filme muito musical, falando da cena alternativa de cada país e falando, sobretudo, da dificuldade de uma jovem que sobreviveu a uma guerra em adaptar-se a universos nos quais não se consegue integrar. De um lado, não tem liberdade para se expressar e é vítima de um machismo inerente q1ue não pode suportar. Mas por outro lado, na Europa é vítima de constante racismo e é forçada a fingir ser alguém que não é para poder sobreviver. Isto, é claro, leva à depressão, retratada com excelência e mestria que apenas pode ser atingida por quem já lá esteve.

    No respeitante a animação, temos uma abordagem bastante original: preto, branco e toda uma variedade de cinzentos. Toda a história do passado, certamente por alguma razão simbólica, está retratada nestas cores (ou não-cores), que se apresentam com muita variedade de matizes. Existem momentos altamente originais que retratam uma diversidade de sentimentos e, no fundo, acabamos por nos converter a esta vida a preto e branco.

    Um filme bastante bom, forte e educativo no que respeita à realidade da guerra do Irão. No entanto, acho que a banda desenhada poderá ser ainda mais impressionante.
  • Invention of Love

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    Invention of Love
    Andrey Shushkov
    Animação - Curta Metragem
    2010
    6 em 10

    Depois, para bater a hora certa, vimos algumas curtas metragens, mas só me lembro bem desta (não me estava a sentir muito bem)

    Uma interpretação do teatro de sombras tradicional, conta a história de uma paixão entre uma mulher normal e um homem mecânico, com subsequente tragédia. A história tem o seu interesse e mereceria uma continuação, pois há material no conceito para isso. 

    Em termos de animação, a escolha estilística é interessante, mas acaba por ser um pouco aborrecida passado uns minutos, pois tem muito pouca variedade, sendo o detalhe apenas limitado a alguns momentos. Há uma boa utilização de luz nas cenas nocturnas, mas na maior parte do tempo a cor dos cenários não enfatiza as figuras negras, que se movem. Para mais, a utilização de elementos digitais não funciona muito bem neste contexto, pois a tridimensionalidade acaba por não fazer grande sentido.

    Ainda assim, isto é coisa para durar dez minutos, portanto aí fica para vocês verem :3


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