Ghost in the Shell: Arise - Border:2 Ghost Whispers
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Ghost in the Shell: Arise - Border:2 Ghost Whispers
Takeushi Atsushi - Production I.G.
Anime - Filme
2013
6 em 10
Esta nova instância de Ghost in the Shell, o Arise, conta com quatro filmes, dos quais três já sairam. Este é o segundo. O primeiro está aqui. Como podem ver no link citado, achei que esta nova versão, esta "prequela" estava excelente e que captava com grande exactidão o ambiente essencial da saga. Verdadeiro cyberpunk, um regresso ao passado. Com este segundo filme, a minha opinião diverge.
É neste filme que a Major Makoto Kusanagi reune o resto da sua equipa para a Section 9. Mas a forma como isso acontece pareceu-me demasiado forçada, com coincidências a mais, tudo demasiado fluído e simplificado para ser real.
Ela está colocada num caso de um terrorista, que viremos a saber ser um prisioneiro de guerra, que perturba o sistema de trânsito. Ele faz isto com ajuda de um grupo de pessoas infectadas com um vírus que as faz acreditar que isto é uma boa causa. Estas pessoas são, todas, nada mais nada menos do que os futuros membros da Section 9. Porquê? Veio mesmo a calhar... Na resolução deste caso ela é ajudada por uma estranha mulher, com consequências interessantes, e por um fofinho antecessor do tachikoma, um logicoma.
Este episódio é praticamente composto apenas de lutas e cenas de acção. A animação é bastante boa, se bem que se nota um CG flagrante em muitos casos, sobretudo no que respeita a maquinaria. Isto não fica muito bem, mas podemos perdoar. O que eu não posso perdoar é a falta de lógica de alguns momentos da coreografia de luta. Alguns movimentos são bonitos, interessantes, espectaculares, mas são pouco práticos, pouco realistas, algo que nunca aconteceria num contexto militar como o da Major.
Em termos musicais, os efeitos sonoros têm o seu quê de um techno do passado, o que soa muito bem. A OP é simples mas bem aplicada, mas a ED aparece um pouco fora do contexto, apesar de ser uma boa música.
Ainda é cedo para tirar conclusões acerca desta nova versão do franchise, mas por enquanto mantenho-me neutra. Um agradou-me muito, este desagradou-me bastante... Mas não deixarei de fazer cosplay da Major quando chegar a altura! =D
By : ladyxzeus
Jane Eyre
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Jane Eyre
Charlotte Bronte
1847
Romance
O nome da senhora tem um trema no O do apelido, mas não o consigo por neste teclado.
Oh, o romance clássico! Daqui vieram todas as sombras de grey, sim! Daqui veio a literatura de cordel feminina! Daqui vieram os shoujos dos 70s! Porque é que eu imaginei todo este livro e personagens em estilo shoujo dos 70s?
Jane Eyre é uma coitadinha. Tem uma vida infeliz e toda a sua vida é infeliz, até que tudo acaba bem. Mas a história não interessa por aí além. É uma história simples, um romance daqueles de amor, um romance de pessoas que se amam apaixonadamente, em que há rivais, em que há desgraças seguidas de alegrias. Tudo isto passado no século XIX na Inglaterra rural. Portanto, um romance histórico. Excepto que foi escrito nessa altura. Portanto, nem a maior pesquisa consegue igualar a exactidão da descrição da época de um livro que foi escrito nessa época.
O ponto de interesse neste livro é a personagem de Jane Eyre. Exploram-se vários assuntos dentro desta personagem, complexa e bem estabelecida. Observamos o seu crescimento como mulher e a sua luta pela independência. Nesta época, talvez falar sobre estes assuntos fosse um tabu. É quase feminismo!
Esta personagem tem valores tipicamente cristãos, o que também seria apropriado dessa época. No entanto, não é um livro que nos tente pregar e obrigar a grandes filosofias teológicas. Em vez disso, coloca na boca da personagem os conceitos éticos e morais em que deveríamos acreditar. E como esta personagem é sincera e assertiva, o livro dá muita liberdade para pensarmos como ela ou não.
Jane Eyre é uma pessoa simpática, com quem se gostaria de conversar. É um personagem modelo e dela vieram muitas outras. O livro é modelo também para muitos outros livros. Assim, acho que vale a pena dar-lhe uma olhadela, nem que seja para sabermos como as coisas eram e como vieram a ser mais tarde. Além do mais, lê-se muito rápido e é bastante simples, apesar da linguagem estar bastante desactualizada e dos conceitos inseridos já serem parte de um passado longínquo.
Não será um daqueles clássicos eternos que nunca envelhecem. Mas é muito interessante e, sobretudo, muito divertido!
By : ladyxzeus
Mushishi Special: Hihamukage
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Mushishi Special: Hihamukage
Nagahama Hiroshi - Artland
Anime Special - 1 Episódio
2014
6 em 10
Como sabem, Mushishi é uma série que não me encanta. No entanto, era sábado à noite e procurava dentro da minha caixa multimédia um filme relaxante para ver. Assim, calhou bem este Special de 40 minutos, que serve como filme.
Nestes quarenta minutos, acompanhamos a história de um eclipse e a influência que isso tem nos mushi, criaturinhas misteriosas que, fazendo parte da natureza, podem envolver-se de forma negativa na vida dos humanos. Para conhecermos o efeito destes mushi, acompanhamos a história de duas irmãs gémeas que, por um motivo ou outro, são muito diferentes. Para nos guiar nesta história, temos Ginko, o nosso personagem recorrente e mushi-shi - uma pessoa que percebe de mushi.
A história é simples e está bem contada, de forma muito calma. A relação entre as irmãs é amorosa e muito moralizante. Os efeitos dos mushi, neste episódio, estão intimamente relacionados com as necessidades gerais das pessoas, com a necessidade da luz do sol. Assim, também é educativo (para quem seja ignorante ou criança)
No entanto, este tipo de história necessita - e nisto repito-me - de uma arte bastante melhor. Todas as coisas verdes eram interessantes e o minimalismo das personagens pode conjugar-se bem com o ambiente da história, mas ainda ssim precisávamos de uma verdura mais luxuriante e de, pelo menos, olhos nas pessoas quando elas estão longe.
Em termos musicais, o anime faz grande uso de efeitos e, sobretudo, do silêncio. Ainda assim, teria ficado melhor se o "silêncio" fosse um silêncio natural, isto é, com os ruídos do mundo natural.
Os momentos de comédia calharam fora do contexto e poderiam ter sido evitados.
E com isto, creio que terminei Mushishi. Ainda vai sair mais uma season, mas creio que passarei por cima dela, pois realmente não tenho interesse nesta série.
By : ladyxzeus
Delírio em Las Vegas
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Delírio em Las Vegas
Terry Gilliam
1998
Filme
7 em 10
Após grandes complicações, entre um telemóvel, uma caixa multimédia e um computador portátil sem wireless, conseguimos conectar este filme para ver depois de uma micro-pizza-party (composta por duas pessoas, eu inclusa). O filme vinha um pouco defeituoso, mas deu para ver. E que delírio!
Um jornalista e o seu advogado dirigem-se a Las Vegas por motivos de trabalho. Evidentemente que são motivos de trabalho, apesar de o seu carro vir armadilhado com todos os tipos de drogas e bebidas que se possam imaginar. Evidentemente que, quer estejam a trabalhar ou não, estão sempre sob o efeito de uma, duas, três ou meia - tanto faz - drogas. E o filme relata as suas aventuras nesta cidade cheia de coisas que nos farão tripar e sofrer muito. Nomeadamente padrões de tapetes. E as pessoas, oh as pessoas. E os palhaços. E macacos, já falei dos macacos?
É divertido ver estas trips por causa da capacidade dos actores. Johnny Depp é um maluquinho, dos que recebem a pensão dos maluquinhos, e a forma como cada droga o atinge é muito engraçada. O advogado - Benicio del Toro - é o mais maluquinho dos dois. E nada os impede de tomar demasiado e de acabar em situações desesperadamente caóticas, sempre com uma pitada de pânico e paranóia.
A forma como está filmado leva-nos para dentro do delírio dos personagens. Curvas, planos inclinados, coisas que se mexem. Será real ou também me estava a bater a mim? (espero que seja real)
O filme tem muitos detalhes em que vale a pena reparar, nem que seja para desejarmos nunca tripar em Las Vegas. Ou pode acontecer o pior.
By : ladyxzeus
Nodame Cantabile
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Nodame Cantabile
Ninomiya Tomoko
Manga - 146 Capítulos / 25 Volumes
2001 - 2010
7 em 10
Foi um anime de que gostei muito. Tanto, que até tenho desejos de fazer cosplay. Irei agora, definitivamente, actualizar o meu Cosplay Portfolio com isto :) Enfim, tinha vontade de rever este anime portanto... Porque não ler o manga? Tem muitas coisas diferentes do anime, sobretudo as que se passam em França.
Tenho uma relação estanha com a música. Há quase duas décadas comecei a ter aulas de piano. Sempre toquei, sempre adorei tocar, mas muitas coisas se passaram numa certa fase da minha vida e deixei de conseguir, emocionalmente. Depois, quis voltar e descobri que já não sabia nada! Portanto o meu piano, o Wibby, está parado há muito, muito tempo. Gostaria de voltar a mexer nele, ainda no outro dia tive a coragem de lhe tocar uma escala, mas não sei por onde começar. Talvez voltar a ter aulas, mas para isso preciso de organizar melhor o meu tempo... Terei de ver no futuro. De certa forma, este manga inspira a isso, mas também desinspira. Porque estes não são estudantes de música normais. São estudantes de música extremamente talentosos! E isso distingue-os imediatamente de mim, hahaha
Este manga trabalha de forma bastante directa vários assuntos: a relação entre as pessoas, seja de amizade, amorosa ou de competição; a relação com a música, o prazer de tocar versus a profissão da música; a evolução das pessoas como estudantes, mas também como personalidades. Assim, pegando num tema apaixonante, é uma história muito completa sobre a vida em geral.
O tema da música é tratado com cuidado, revelando grande pesquisa. É extraordinário como podemos ouvir a música que eles estão a tocar sem termos qualquer elemento sonoro para nos ajudar. Isto é conseguido por uma arte cuidada e muito detalhada, com personagens extremamente expressivos.
Estes, são tanto únicos como realistas. Conseguimos ouvi-los perfeitamente e enfrentar com eles (que são muitos) os problemas normais da vida, problemas esses que todos enfrentamos - ou enfrentámos em alguma parte da nossa vida. São humanos, verdadeiros humanos, com dúvidas e fraquezas que não podem ser resumidas a uma categorização redutora. Chiaki poderá ser classificado como tsundere, mas é muito mais que isso, tem muito mais densidade e uma caracterização muito mais profunda do que a simples classe de personagem. Nodame poderia ser apenas mais uma genki girl, mas a sua expressividade é tal que conseguimos compreender o que a torna uma pessoa palpável, como eu e como vocês.
No entanto, este manga tem um grande problema, problema de todos os mangas populares: é demasiado longo. Sobretudo os tempos passados em França, parece que nunca mais terminam e há momentos muito mornos em que parece que a história nunca vai evoluir e que não contribuem grande coisa para o desenvolvimento das personagens. Assim, não lhe posso dar uma nota melhor.
Mas diverti-me muito a ler este manga. Será que agora vou voltar à música? Quiçá (quiçá quiçá)
By : ladyxzeus
Gintama: Kanketsu-hen - Yorozuya yo Eien Nare
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Gintama: Kanketsu-hen - Yorozuya yo Eien Nare
Fujita Yoichi - Sunrise
Anime - Filme
2013
6 em 10
Sempre gostei de Gintama. Lembro-me perfeitamente de estar a coser o fato da Botan enquanto via Gintama. Assim, é um franchise que me traz boas memórias e ao qual volto uma e outra vez. Quando saiu este novo filme, foi com grande excitação que o tirei logo para ver, na esperança de encontrar mais e mais de uma série tão simpática. O filme é tão bom como desapontante, tudo em partes iguais.
Depois de apanhar um pirata numa sala de cinema, Gintoki é levado para um futuro alternativo em que existe uma praga a matar toda a gente. Encontra versões alternativas dos seus amigos e descobre que, nesse futuro, está morto. Todos o vêm com uma forma diferente e bastante bizarra e bastante engraçada. Assim, é um filme sobre viagens no tempo, em que revisitamos todos os personagens do franchise, com mais ou menos detalhe.
Os gags têm a sua piada, como sempre, havendo momentos de pura hilariedade. No entanto, o filme peca pela falta de desenvolvimento dos conceitos e pelo final, em que se desenrola épica luta, demasiado típica para o meu gosto.
Apesar de ser um filme e, por isso, ter elementos de produção mais elevados, não existe grande dedicação a cenas de animação, estando praticamente toda a acção concentrada na desinspirada luta final. Esta, como envolve todos os personagens da série, acaba por se tornar confusa, repetitiva e bastante aborrecida.
Em termos musicais, revisitamos a Pray - música pela qual eu tenho adoração - mas de resto não há muito mais a apontar. As vozes continuam de génio, mas a isso já estávamos habituados.
No que respeita à comédia propriamente dita, gostei sobretudo de não terem abusado das piadas escatológicas (que foi o pecado da segunda season) e de tornarem as piadas sexuais mais subtis.
Um filme bom apenas para quem ame o franchise. Para quem o desconhece, não terá o efeito pretendido.
By : ladyxzeus
As Regras do Tagame
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As Regras do Tagame
Kenzaburo Oe
2000
Romance
Esperava eu o bicharin quando me vejo sem livro para ler. Inesperadamente, havia terminado o grande volume em que estava a batalhar! Assim, dado que a sua chegada estava apontada para daí a um quarto de hora, decidi comprar um livro. Gosto sempre de ir a livrarias comprar livros. Peguei em muitos, voltei a pô-los no sítio e cheguei à zona das promoções. Aí, vi este: um autor japonês, prémio nobel ainda por cima! Será mesmo este!
Mas creio que não foi o livro ideal para começar a conhecer este autor.
De natureza quase auto-biográfica, dá-nos a conhecer os sentimentos do autor sobre a morte do seu cunhado, um famoso realizador de cinema. Existe um paralelismo evidente entre os personagens do livro e os personagens da vida do autor, assim como elementos da sua própria vida, com mais ou menos verdade por trás de cada evento. Por exemplo, os ataques físicos da direita em relação ao autor dentro da história: o autor fora da história terá sido vítima das críticas dessa faixa política, mas creio que os ataques físicos serviriam como uma metáfora para a violência que lhe foi feita.
A história é muito densa e trata da relação do personagem - autor consagrado - com o seu cunhado - realizador consagrado - que se suicida sem motivo aparente. O cunhado deixou um conjunto de cassetes audio para serem ouvidas no "tagame" (nome dado ao leitor de cassetes pelo personagem principal, devido à sua semelhança com um escaravelho). Assim, ficamos a conhecer várias vertentes destes personagens, nomeadamente o seu passado e um evento específico, muito traumático para eles, que veio a marcar todas as atitudes em relação à arte e à política dos seus eus futuros.
Apesar da complexidade do livro, que se compõe de uma miríade de camadas sobrepostas, é uma história muito delicada e emocionante, que me tocou profundamente e me deixou extremamente triste. Apesar de não ter nada de triste, ser apenas um relato sobre a vida, está escrito com tal sensibilidade que mexe com as emoções do leitor e arrepia. É uma narrativa plácida, de cor verde, que prossegue com toda a calma até uma conclusão bastante estranha mas que, ainda assim, não deixa de nos dar esperança.
Fiquei curiosa em relação ao autor e hei-de experimentar lê-lo mais vezes.
By : ladyxzeus