• Yu-gi-Oh: A Minha Fanfiction Secreta

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    E AGORA PARA UMA COISA COMPLETAMENTE DIFERENTE.

    Eu até hoje escrevi quatro fanfictions. Duas foram fanfictions para uma das minhas histórias (o que não faz grande sentido, porque fui eu que as escrevi) e falavam da relação entre Yakul e Altayr, que são gajos bastante sensuais. Outra foi uma fanfiction para Absolute Obedience e pode ser encontrada aqui: http://ladylouve.deviantart.com/gallery/?q=whip#/d1bxs3x E a outra...

    Bem, eu não escrevo fanfictions, como podem ver. Também não as leio. Não gosto, no me gusta, je n'aime pas. Eu acredito que devemos criar os nossos próprios personagens. Mas, como bem sabem, eu sou uma hipócrita. Nunca faço nada do que digo. Por isso tenho estado a trabalhar numa fanfiction. Há cerca de 7-8 anos que estou a trabalhar nela, talvez mais. É uma fanfiction de Yu-gi-Oh e, motivada por uma pergunta da Catarina Brás (Cat-sama no deviantart a quem quiser ver seus cosuperes), vou revelar aqui, neste mesmo blog sobre coisas que faço quando não estudo, vou revelar aqui os trâmites gerais deste épico das fanfictions. Vocês decidem se a escrevo em definitivo.

    Preparados? Sigam o coração das cartas.





    Esta história é à volta da vida de Seto Kaiba e passa-se cerca de 20 a 30 anos depois da série televisiva. Muitas coisas aconteceram, mas o essencial é que Kaiba voltou a dominar a sociedade da Kaiba Corps e se tornou no seu maior accionista e CEO. A Kaiba Corporation evoluiu, tal como todas as empresas, e apesar de ainda se dedicar às cartas, tornou-se na mais influente empresa no mundo dos jogos e brinquedos, com diversas fábricas a operar por todo o Japão e, pontualmente, na China e Brasil. Kaiba, é portanto, um magnata do reino do entretenimento digital. Por puro passatempo, além das suas funções na direcção da empresa, desenha as novas cartas Yu-gi-Oh, das quais a Kaiba Corps detem a totalidade das acções e que passou a produzir. Elas já não estão muito na moda e quase ninguém as joga, mas ainda se fazem edições comemorativas e o campeonato nacional mantém-se, com cada vez menos participantes. Seto Kaiba é um homem de muitos talentos. Descobriu ao longo dos anos que tem jeito para o desenho e para a música, pelo que adquiriu um piano para o seu escritório que lhe serve como método de relaxamento quando está demasiado cansado para pensar claramente. Seto Kaiba também descobriu que tem a lábia de um macho alfa e que qualquer mulher com quem fale poderá, em poucos minutos, ir parar à sua cama (ou à de um hotel luxuoso). Assim, passa grande parte do seu tempo a trabalhar e a fazer uso dos seus olhos azuis em bares da cidade onde está sediada a sua empresa e de Tóquio. Ele vive numa penthouse no topo da sede, pelo que não tem de se deslocar para trabalhar. Ainda assim possui um par de carros de alta cilindrada que conduz raramente e a velocidade moderada. Seto Kaiba não é um homem de excessos. Raramente bebe mais que à conta, raramente gasta mais que à conta, raramente faz grandes loucuras. Fá-las quando está para isso, mas quase nunca está para isso porque, como workaholic inveterado, o trabalho é a sua maior preocupação. Não descura do seu aspecto, mas continua a preferir os longos casacos e as camisolas de gola alta.

    Já Mokuba Kaiba se tornou num homem diferente. Para começar, cortou o cabelo. Isto é uma coisa muito importante. O puto ranhoso que estava sempre a ser raptado é agora o principal recurso da empresa para os aspectos legais. Não sem alguma dificuldade, porque tempos de estudante são sempre difíceis, concluiu o curso de Direito e dedica-se ao direito empresarial e administrativo, da perspectiva da empresa da qual é o segundo maior accionista. É tão simpático como era em criança, mas também descobriu que os olhos claros trazem muitas vantagens no que respeita à companhia feminina e usa (e abusa) dessa qualidade muito frequentemente. Quando não está a trabalhar pode ser encontrado no seu quarto (do lado oposto da penthouse, para não incomodar muito o irmão) a falar em redes sociais ou nas ruas de Tóquio a ver as vistas. Durante a noite devemos procurá-lo em clubes selectos do mais alto nível, acompanhado da sua cigarreira, do seu copo de vodka e, às vezes, de uns tracitos de farinha. É muito amigo do seu irmão e, agora que já é mais responsável e é raptado menos vezes, o seu braço direito para os negócios.

    Marik Ishtar deixou-se de maldições. Após alguns anos como modelo, profissão onde as suas tatuagens fizeram furor, vive uma vida desafogada como consultor para agências de modelos por todo o mundo. Farta-se de viajar. Mantém o cabelo comprido, mas agora já não usa gel. Tem uma mente aberta para as relações e considera-se um "amante do amor", o que significa que todo o peixe graúdo que vier à rede deve ser comido. Alguns anos após as complicações decorrentes das suas alterações de personalidade, volta a encontrar Seto Kaiba numa festa e passam a manter contacto regular, tornando-se bons amigos. Há quem diga que até experimentaram umas coisas juntos, mas nenhum deles afirma nem desmente. Não pega nas cartas há anos.

    Ichizu Ishtar trabalha como historiadora e académica, também viaja para dar conferências pelo mundo. Definitivamente teve algo com Seto Kaiba no passado, mas nenhum fala disso. Aliás, mal se falam. Mas dão-se bem e consideram a companhia um do outro agradável. Ainda joga Yu-gi-Oh de vez em quando, gosta de uma partidinha esporádica com amigas.

    Joey e Mai agora estão casados e são pais de duas meninas, Uzuki e Kisaragi, de seis e dois anos respectivamente. Joey vive uma vida frustrada como salaryman numa empresa de transportes e Mai viu-se obrigada a tomar conta da casa. Encontram-se muitas vezes com os seus amigos da escola e consideram-se felizes, se bem que gostariam de ter mais dinheiro para tirar umas férias na Europa, ou pelo menos em Okinawa, sem as miúdas. Mai ainda pinta o cabelo. Joey já não, não lho permitem na empresa.

    Téa nunca conseguiu poupar dinheiro para ir para a escola de dança na América. Ficou-se pelo Japão, onde dançou em bares, fez algum strip-tease e se meteu por maus caminhos. Não fosse Yugi, neste momento estaria numa valeta. Graças ao seu forte apoio e amizade, Téa manteve-se sempre ao de cima e foi capaz de reconstruir a sua vida. Neste momento é professora de dança numa escola de bairro. Não trocava a sua vida por quase nada, excepto talvez um marido que cuidasse dela e que a amasse. Voltou a encontrar Marik, pois era corista na noite em que ele foi àquele bar em Osaka, e por momentos pensou que talvez ele fosse o marido ideal. Mas depois ele foi-se embora, deixando uma sofisticada e delicada nota de despedida. Talvez ainda sinta qualquer coisa por ele.

    Tristan foi para a marinha. Numa missão à Coreia do Sul acabou por ficar por lá e assentar. Nunca mais se soube nada dele, pelos vistos não valorizava os seus amigos assim tanto.

    Bakura passou a sua adolescência assombrado pelos mistérios da esquizofrenia. Acabou por se suicidar aos 19 anos, enforcando-se com os atacadores dos sapatos presos no varão do cortinado do chuveiro. Todos os seus amigos, menos Seto Kaiba, foram ao funeral. Aparentemente o Kaiba mais velho estava numa importantíssima reunião com alguns dos accionistas da empresa.

    Quanto a Yugi (e dos personagens antigos só há estes), bem... Ele era o personagem principal, mas isso não lhe valeu de muito. Herdou a loja do avô e durante algum tempo, enquanto a popularidade durou, deu aulas de cartas. Continua com o seu penteado excêntrico e a sua loja é agora um local para procurar relíquias e jogos em segunda mão. Como seria de esperar, gosta muito de Téa e está sempre lá para ela. Mas nunca foi capaz de lhe dizer que pode ser o homem que ela procurava por isso mantém-se na friendzone. Aliás, nunca saiu da friendzone de ninguém, mas eu penso que isso é devido aos cabelos. Ainda possui o puzzle e fala de vez em quando com Yami Yugi, cada vez mais esporadicamente. Joga às cartas consigo próprio, à falta de com quem jogar. O mundo de coleccionadores de jogos e de cartas conhece-o como o antigo campeão que ficou prisioneiro do tempo e nunca mais saiu dali. Não se sabe de maus hábitos que tenha, encontra-se com os antigos amigos frequentemente mas parece-lhe que eles se estão a afastar cada vez mais. Talvez seja porque agora têm famílias. Talvez seja porque acabam sempre a jogar às cartas.

    Essencialmente foi isto o que aconteceu a esta gente durante este tempo todo. Agora que os conhecem, aqui estão as partes principais (porque há muitas, muitas mais) da história.

    Numa festa de sociedade, Seto Kaiba conhece uma rapariga loira que trás um vestido vermelho de manga comprida, que se apresenta como Beatrice Mitsumoto. Aparentemente a sua avó era sueca e veio para o Japão pouco depois da guerra. Ela é de uma cidade no campo, mas está aqui a trabalhar num café para se afastar de uma família opressiva. Está na festa por um acaso, uma amiga sua tinha uns convites porque outra amiga lhos tinha dado. Bibi, sua alcunha, também se distingue das outras mulheres por outra razão peculiar: ela não faz a mínima ideia de quem é Seto Kaiba. Ela nunca ouviu falar das cartas, nem da Kaiba Corps, nem de nada de nada. Kaiba fica intrigado com isto e apetece-lhe descobrir mais sobre a ignorância da rapariga. Acaba por levá-la para casa, mas apercebe-se à medida que vai falando com ela, de que é dotada de uma simplicidade e alegria contagiantes e que, na presença dela, as suas ideias se tornam mais fáceis e claras. Quando, no dia seguinte, Mokuba lhe pergunta quem era a mulher de vestido vermelho que viu no elevador, Seto avisa-o para não se meter com ela. Após alguns meses de namoro em que Bibi praticamente se recusa a aceitar presentes, motoristas, estadias em hotéis e outras coisas úteis  Seto pede-a em casamento. Contra todas as expectativas, ela recusa e refugia-se em casa da irmã, no meio do campo. Essa irmã convence-a a aceitar e acabam por se casar no registo civil, com a presença de apenas um jornalista que ia a passar por acaso e que foi convenientemente subornado para não revelar nada à imprensa. Este jornalista torna-se amigo da família Kaiba e, passado uns anos, torna-se director de um dos principais jornais do Japão. Desta forma todas as histórias escaldantes da família Kaiba passam a ser abafadas nos principais meios de comunicação e eles vivem uma vida livre de escândalos. Têm dois filhos, que passarei a apresentar.

    Himino Kaiba é uma rapariga calada. Muito calada. Não tem amigos que se conheçam e é vítima de ofensas constantes na escola. Deixou de ir com motorista porque gozavam com ela e raramente é vista fora de casa. É a melhor aluna da escola, detentora de notas máximas em todos os assuntos. Em casa estuda. Só estuda. E joga cartas. Tem um conhecimento aprofundado sobre toda a história deste jogo e há vários anos que é a campeã incontestável em todos os campeonatos. Herdou os caracóis da mãe, apesar de castanhos como os do pai, mas nunca se arranja. Podia ser uma miúda bem bonita (também tem os olhos azuis!), mas quando não está com a farda escolar (de marinheira, azul escura quase preta) usa saias pelo meio da perna e camisas. Pelo menos gosta de roupas claras. É o orgulho do pai que, não muito secretamente, lhe vai dando trabalhos de casa para a preparar para herdar a função de CEO da Kaiba Corps. No seu baralho estão três cartas de fadas, criadas especialmente para o dia em que fez doze anos. Só existem três cartas destas no mundo.

    Haru Kaiba é dois anos mais novo. Tem nome de menina porque os pais decidiram o nome antes de saberem o sexo do bebé. Foi um bebé irritante, que chorava muito e tinha muitas cólicas. Foi o inferno naquela penthouse até ele crescer um bocado. Como Himino tinha sido completamente diferente, Seto não estava preparado para exercer as funções de pai de um bebé e delegou todo esse assunto para Bibi. Foram momentos tensos lá em casa durante algum tempo, mas depois resolveu-se tudo. Graças a isto Bibi desenvolveu uma relação de amor materno fora do vulgar com o seu filho. Também é bom aluno, mas um pouco menos dedicado, por isso não consegue notas tão altas como as da irmã. Seto irrita-se com isto e exige cada vez mais dele, o que torna a sua relação muito frágil. Ao contrário de Himino, Haru é adorado pelos colegas e tem um vasto círculo de amigos. Joga futebol na equipa da escola e é a estrela para o público feminino. Haru Kaiba tem um cão, um akita inu que lhe foi oferecido pelo pai, no seu décimo aniversário. Seto não gosta muito de cães, mas era a coisa que o filho mais queria na vida e Bibi acabou por convencê-lo a fazer uma pesquisa pelo melhor dos criadores e a comprar o melhor dos cães. Haru pediu ao pai que baptizasse o cachorro. O cão chama-se Joey. Haru herdou tudo da mãe e é loiro de olhos azuis, um verdadeiro sueco. Também joga às cartas e, tal como a irmã, teve uma edição especial pelo décimo segundo aniversário. As suas três cartas especiais são cães.

    Ora, acontece que, tinha Himino 16 anos e Haru 14, Bibi foi às compras (durante os anos ela acabou por se acostumar à ideia de ter fundos ilimitados). No caminho de ida para Tóquio a sua viatura viu-se envolvida num sério acidente com um camião que transportava mercadorias inflamáveis. Só a conseguiram identificar, a ela e ao motorista, pelos dentes.

    Completamente perdido pela morte da esposa, Seto Kaiba envolve-se na bebida e torna-se praticamente num vegetal alcoólico. As suas funções como CEO estão reduzidas ao mínimo e a empresa passa por um mau bocado. Sabendo do estado do seu amigo, Marik Ishtar vem ao Japão visitá-lo e consegue, a muito custo, tirá-lo do estupor em quem se encontrava. Recuperado, Seto decide fazer não três cartas de edição especial, mas um baralho inteiro dedicado à memória da sua mulher. O tema são anjos e são editados dois baralhos, que passam a valer uma fortuna no seio dos coleccionadores. Um dos baralhos é colocado no cofre da empresa e o outro vai para a liberdade. Seto pensa como o colocar em liberdade e decide que isto é ocasião para revitalizar o jogo, que caiu em tanto desuso depois do seu apogeu. Começa a trabalhar afincadamente para melhorar a desactualizada tecnologia dos hologramas e decide lançar isto tudo num evento muito especial. Reunir as pessoas que competiram na maior das competições criadas pela Kaiba Corps, há 30 anos atrás, e colocá-las numa nova competição. O vencedor fica com o baralho e com um generoso prémio em dinheiro. Além disso, férias grátis para todos!

    Assim, são localizados os antigos concorrentes. Yugi aceita imediatamente. Joey e Mai precisam de um sítio onde deixar as crianças, mas é logo avançado que elas também podem ir. Bakura não pode ir, por razões óbvias. Marik acha piada à coisa e faz-se acompanhar de Rishid Ishtar que, apesar de aguardar o nascimento do seu quarto filho, não é capaz de recusar a aliciante proposta de sair do Egipto por uns dias. Ichizu também acha piada à coisa e mete férias. Seto Kaiba só quer ver o espectáculo, por isso faltam dois concorrentes. Serão o campeão e vice-campeão actuais, respectivamente Himino e Haru Kaiba. O cão Joey também vai e Marik sugere, maliciosamente, recompor todos os factores e convidar Téa e Tristan. Ora, como ninguém sabe de Tristan, lá vai a Téa sozinha.

    Entretanto, a Kaiba Corps decidiu dar uso à ilha privada onde tiveram as aventuras em criança e construir lá um hotel de luxo. Os utentes do hotel serão o público. Ainda assim, vão à mesma de zepelim para lá.

    Depois desta parte da história, foco-me nas aventuras e desventuras de Himino e Haru. São muitas coisas por isso não as vou explicar todas. Joey (o cão) acaba por morrer com 14 anos de idade o que deixa todos com um enorme desgosto.

    E é isto o épico da minha vida. Sou mesmo tótó, não sou?
  • Natsume Yuujinchou San

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    Natsume Yuujinchou San
    Omori Takahiro - Aniplex
    Anime - 13 Episódios
    2011
    6 em 10

    Este é o comentário para a terceira season de Natsume Yuujinchou. O comentário original pode encontrar-se aqui: http://myanimelist.net/forum/?topicid=394823#msg13320567


    Este foi um anime agradável. Foi superior às duas primeiras seasons em algum sentido e, maravilha das maravilhas, não me aborreceu até à morte.
     O que é extremamente interessante nesta série é a caracterização dos yokai. Eles não são humanos mas têm (mais ou menos) características humanas. São capazes de amar e odiar, à sua maneira. No entanto, Natsume não parece perceber isto nem aceitar isto, já que não parece respeitar os yokai como iguais aos humanos.
    O que eu gostei nesta season foi o Natsume não ser tão emo e o facto de ter sido capaz de fazer alguns amigos. Mas ele não parece aceitar o facto de que é diferente e não vê realmente os seus amigos yokai como os seus amigos humanos, apesar de serem tão (ou mais) importantes. Se não fosse assim ele não teria deixado a festa que os yokai fizeram para ele.
    A arte é delicada e apropriada, oferecendo um sentimento pacífico ao ambiente. Podia ser mais bonita e detalhada. Os designs dos yokai não parecem muito inspirados nesta season.
    A música não é muito memorável, mas os actores fizeram o seu trabalho. Nyanko-sensei podia ser um pouco menos infantil na interpretação.
     No geral foi bom, mas tem alguns elementos que não fazem disto uma série superior.
  • Os Homens que Odeiam as Mulheres

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    Os Homens que Odeiam as Mulheres
    David Fincher
    Filme
    2011
    8 em 10

    Depois do livro, que comentei ainda há bocadinho, fiquei com uma certa vontade em ir ver o filme. Como tínhamos bilhetes grátis para o Fonte Nova e "Os Descendentes" estava esgotado fiz a minha mãe e seu esponjo irem ver este. Confesso que estava com algum medo do filme. Estava com um certo medo de que a Lisbeth Salander tivesse uma imagem completamente diferente da que eu tinha dela. Mas o filme superou todas as expectativas.

    O filme captou com exactidão todos os personagens e deu-lhes um volume emocional excepcional. A história é a mesma, com alterações em pequenos detalhes. Como um filme só pode ter duas horas e meia, e ainda assim já é muito comprido, eles cortaram alguns detalhes que davam mais vivacidade à história, nomeadamente a crise da Millenium. Também não gostei muito da solução para a Harriet Vanger, que no livro estava mais realista e mais gira. E o detalhe do caso Bjurman também me desagradou um bocadinho. No livro está mais completo e torna todo o evento muito mais hilariante.

    É um filme violento e sexual, mas não chega aos calcanhares do livro, que se pinta com requintes de malvadez.

    Extraordinários actores. Gostei sobretudo da prestação dele. Ela pode estar nomeada para Oscar, mas Lisbeth Salander não é uma personagem assim tão complicada de interpretar quando se pensa bem no assunto.

    O filme prima pelo detalhe, que confere uma nova ilustração a todo o cenário do livro.

    Um filme excelente. Mas, para mim, serviu apenas para solidificar a opinião que eu tinha sobre a obra original.
  • Casos do Beco das Sardinheiras

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    Casos do Beco das Sardinheiras
    Mário de Carvalho
    2004
    Contos

    Quando fui retirar este livro do quarto da minha irmã ela disse-me "é muito giro". Hoje fui à procura da data da primeira edição e encontrei comentários de estudantes do 10º ano a dizer que o livro era mais do que fabuloso. Mas eu... Eu... Eu... Eu não achei.

    Isto são casos de um beco em Lisboa, que pode ser na Madragoa ou em Alfama (ou quiçá em Benfica), casos insólitos de coisas estranhas e surreais que poderiam acontecer a qualquer pessoa em qualquer beco de Lisboa. Imagino que o objectivo do autor seria caracterizar a população alfacinha de forma original. Ora portantos, acontece aqui um problema. É que eu sou de Lisboa. E isto não tem nada que ver com nada.

    As histórias por si só até são engraçadas. Mas o que irrita mesmo é a forma como está escrito. É uma verdadeira seborreia verbal. Do tipo "quantas palavras originais que eu ouvi uma peixeira a dizer uma vez é que eu consigo enfiar na mesma frase?" Ora, em Benfica, nem mesmo no Mercado, não se fala assim. Em Alfama nunca ouvi ninguém a falar assim. E aquele abuso da palavra (que eu vou chamar de puta, porque passei a odiá-la) "escanifobético"... Que vá enfiar o escanifobético em qualquer lado!

    Uma irritação que este livro me causou.
  • Os Homens que Odeiam as Mulheres

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    Os Homens que Odeiam as Mulheres
    Stieg Larsson
    2005
    Policial

    Bem, vamos começar pelo livro, está bem? :)

    Eu quis ler este livro porque o título me pareceu giro e porque a minha colega Rita lá da clínica mo recomendou muito. Depois a Doutora João também o recomendou muito. Por isso peguei num cartão de oferta FNAC que eu tinha e lá fui eu! (Os outros dois volumes da trilogia comprei-os na Bertrand com um desconto de 20€ no Cartão Bertrand, do qual - por sinal - possuo duas cópias) E, devo dizer, valeu muito a pena.

    Este é um policial. Mas um policial a sério. O mistério é mantido até ao fim e é impossível de adivinhar o desfecho, até porque os próprios personagens não o sabem antes de nós. Mas o mais interessante é o nível de detalhe. Neste primeiro livro temos uma série de histórias que não estão cruzadas mas que estão relacionadas umas com as outras. A história da família Vanger, a história da revista Millenium, etc.

    Este detalhe é conseguido por uma descrição exaustiva de todos os personagens envolvidos, até os mais irrelevantes, até os figurantes. Cada personagem aparece documentado até ao menor detalhe, mas de uma maneira fácil e interessante. Todos os personagens são tão interessantes que dá vontade de saber mais sobre eles. Temos também dois personagens principais muito fortes e muito originais. Mikael Blomkvist, o jornalista caído em desgraça e Lisbeth Salander, uma anormalóide meio gótica. Lisbeth é considerada pela maioria como o móbil principal da série Millenium, mas eu não a achei assim tão especial. Talvez porque eu conheço gente como ela. No entanto, a sua personagem encerra um certo mistério e tem uma aura de "anti-herói" que nos faz gostar dela.

    De escrita fácil, sem complicações ou confusões, as ideias estão apresentadas de forma clara. As descrições são muito ricas, mas não são aborrecidas.

    Um livro excelente, até para quem (como eu) não gosta muito de policiais.
  • Mobile Suit Gundam 00

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    Mobile Suit Gundam 00
    Mizushima Seiji - Studio Sunrise
    Anime - 25 Episódios
    2007
    6 em 10

    Pois bem, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e Gundam moderniza-se. Gundam 00 é a mais recente reciclagem de UC, feita para apelar às camadas mais jovens, com robôs todos giros para comprarmos modelos e com designs todos catitas para que todos percebamos que Gundam é uma coisa toda modernaça como às outras, que não é old-school e que é fixe gostar de Gandamu.

    Quando comecei a ver isto pensei que o fosse detestar tanto como o Wing, mas a realidade é que não está nada mal (se bem que não se pode comparar com UC, de maneira nenhuma). 00 está focado na política e em organizações terroristas. Engraçado como aqui os bons da fita, os heróis, são os terroristas (mas são bonzinhos!). Existem muitas personagens diferentes que pertencem a elementos diferentes da história. Alguns interagem uns com os outros e fazem a história andar para a frente. Outros estão ali só a, aparentemente, ocupar espaço. As várias histórias não se unem todas no fim e, por isso, não se percebe porque é que algumas existem. Mas, bem, ainda temos uma segunda season!

    Como disse, os designs são todos modernos. É o Gundam dos bishounens, tudo pejadinho de gaijos giros a pulular por todo o lado. Há um para cada fetishista (o que se reflecte na fanart. Por mim, o meu preferido é o Lockon Stratos, apesar de ter um nome idiota). As meninas dos cabelos cor de rosa também abundam. As cores são limpas. Em termos de maquinaria, os designs também se modernizaram. Agora temos máquinas de guerra mais ergonómicas e menos quadradonas. A animação é fluída e temos boas sequências. As lutas continuam a ter raios laser e granadas com fartura, o que se torna um pouco ridículo quando a arte não é dos 80s.

    Os personagens são para todos os gostos. Agradam a toda a gente, mas nenhum deles é especialmente interessante ou desenvolvido. Eles tentam, a verdade é que eles tentam. A dupla personalidade do Hallellujah (que raio de nome, outra vez), o passado infeliz de Setsuna e Lockon, e o facto do Tieria usar óculos, são tudo coisas que podiam ser interessantes. Mas no meio de tanta história cruzada e de tanta confusão perde-se a importância.

    Música completamente irrelevante. Após tantos anos continuam sem admitir que no espaço não se ouvem as explosões.

    Entretanto, como todo Gundam deve ser, morre toda a gente no episódio 24. Não é spoiler, é um dado adquirido. Tendo isto em conta, é um mistério para mim como vão fazer a segunda season. Mas alguma coisa se há-de arranjar.
  • Ai no Kusabi

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    Ai no Kusabi
    Akiyama Katsuhito - AIC
    Anime OVA - 2 Episódios
    1992
    9 em 10
     Review original aqui: http://myanimelist.net/forum/?topicid=391775&show=0#post2

    Deixem-me começar por dizer que nunca nomeei Ai no Kusabi. Nunca pensei que gostassem dele, se não pela razão óbvia, porque é antigo e não passou o teste do tempo. No entanto, eu amo este OVA e penso que merece um lugar de qualquer forma. Ai no Kusabi foi a minha primeira interacção com o conceito de "yaoi" (agora, BoysLove) e introduziu-me a um novo conceito de relação na literatura e anime. Tenho orgulho por ter sido introduzida por Ai no Kusabi. É um trabalho essencial e um clássico, não só em BL mas no anime em geral. É bom.

    No resto do meu post vou fazer os meus melhores esforços para vos convencer a pelo menos vê-lo, apesar de não acreditar que a maioria de vós vá votar "sim".

    Antes de mais vamos situar Ai no Kusabi no tempo e no espaço. Tempo são os primeiros 90s. Espaço é Japão. Este OVA foi o primeiro a incluir cenas de sexo homoeróticas em anime. Isto parece ser irrelevante, mas nos 90s japoneses, onde as mulheres começavam apenas a ganhar o seu espaço como demografia, isto foi certamente uma revolução. Pela primeira vez na indústria do anime existe pornografia para mulheres. De repente, um novo mundo estava aberto para ser explorado. E é como se a presença feminina tivesse ganho algum crédito nesta indústria. Tanto a nível económico como social, Ai no Kusabi tem um papel muito importante. Este OVA é a base de todo o género. Tudo seria diferente se Ai no Kusabi não tivesse aparecido quando apareceu e com a apresentação que teve. Tivémos BL antes, com Kaze to Ki no Uta. Mas agora temos gráficos. Agora admitimos que podemos fazê-lo. Não existe mais tabu.

    Agora vamos falar do anime em si. Para tornar as coisas mais simples vou usar a fórmula do PO e desenvolver um bocadinho de cada elemento deste anime. Se tudo correr bem, as coisas vão ser um bocadinho diferentes do que estão à espera. :)

    Animção

    É claramente o pior desta produção. Vamo-nos situar de novo: princípio dos 90s. As técnicas são as medianas dessa época. Os designs de personagens são desactualizados e, na nossa perspectiva moderna, feios. Porque é gostávamos de gajos musculados em t-shirts de vinil nesse tempo é um mistério. Temos de considerar que este OVA foi baseado numa Light-Novel. O essencial dos designs é baseado nas ilustrações dos livros, mas - de certa forma - são mais apropriados ao ambiente e estilo do mundo circundante. No OVA temos realmente homens contra homens, enquanto que as ilustrações frequentemente mostram toda-a-gente-menos-os-Blondies com características infantis e magricelas. Fizeram bem em fazer de Riki um gajo giro, mas fizeram ainda melhor em fazer toda-a-gente-menos-os-Blondies bastante normais. Esta gente não viveu uma vida abençoada e protegida e o seu aspecto reflecte isso. E, já que falo disso, todo o design e cores usadas nos fundos são muito apropriados e caracterizam perfeitamente o ambiente deste anime. Tudo é escuro e cruel. As poucas cenas com mais cor são irónicas, pois mostram Minos e a indústria dos pets (que são, não interessa como olhamos para elas, bastante perturbadoras). Em resumo, a arte e animação são desactuaçlizadas e medianas, mas são essenciais na caracterização da história e do mundo. E, para ser honesta, prefiro algo que se integre com as outras partes do anime do que uma produção toda avant-garde que só funcione sozinha.

    Som

    A música não é memorável, mas apropriada. O que interessa aqui são os actores de vozes. Provavelmente nenhum destes actores tinha experiência a dobrar cenas de sexo. E fizeram um belíssimo trabalho. São muito bons actores e as suas vozes foram muito importantes para o estabelecimento do OVA de Ai no Kusabi como um clássico entre os fãs de BL (e no geral, digo mesmo mais). As vozes ajudaram muito na caracterização.

    Personagens

    Como sabemos (ou devíamos saberl), BL, shounen-ai, yaoi, o que quer que lhe chames, está centrado à volta do desenvolvimento das personagens e das relaões. No caso de Ai no Kusabi isto atinge proporções muito interessantes. Ignorando os personagens secundários (que, para ser muito honesta, estão apenas delineados no OVA, apesar das suas acções serem muito importantes para o desenvolvimento da história e dos personagens principais) devemos focar-nos em Iason e Riki. Vou começar por dizer que não devem ser iludidos pelas aparências. Atrás da imagem de S&M e da relatividade de Seme/Uke há muito mais que fanservice. Nem precisam de ler a Novel para perceber isto, só precisam de olhar para trás da cobertura do cliché.

    Aparentemente, Iason é apenas um maníaco sádico que se apaixona pelo seu objecto. Na realidade, a verdade é que Iason não tem nada de sádico nele. O que ele faz ao Riki não é realmente a busca de uma qualquer perversão sexual. De facto, a sua obsessão não é de todo sexual. Ele está obcecado em dominar Riki de uma maneira psicológica. Riki é, de todas as maneiras, inferior a um Blondie. No entanto, ele não age como inferior. O seu comportamento é errático e estranho da perspectiva do Blondie e Iason precisa de controlar isso, para seu próprio bem, para garantir que ainda é superior. Por isso, Iason "domestica" Riki. "Domesticá-lo" significa reeducá-lo para obedecer e se comportar como inferior, tanto socialmente como mentalmente. Por isso Riki é transformado num pet, que é a pior forma de vida que existe neste mundo. Por isso é que é atacado sexualmente repetidamente. é só para o humiliar e para garantir que ele sai a saber o seu lugar.

    E Riki, não é o vosso uke típico. De facto, isto é o que modernamente consideramos um "sekke", um uke que se comporta como um seme ou, melhor, um seme que funciona como a parte de baixo. Tem uma personalidade dura, é teimoso, é forte. Entrou na situação de ser um pet por acidente, por erro, ele não quer estar ali e ele não aceita o seu destino. Mesmo sendo maltratado e violado, os seus olhos nunca mostram um sinal de submissão e a sua personalidade nem sequer se mexe.

    E assim temos duas personalidades fortes agarradas por correntes de obsessão e dominância. Esta relação começa complicada e desenvolve-se por todo o OVA. Quando Riki é mandado de volta para o bairro de lata, Iasson compreende que não pode esquecer o facto de que ainda não ganhou a luta. E, de volta aos seus amigos e amante, Riki não pode esquecer o que aconteceu no seu cativeiro. De facto, ele tem uma bonita recordação (objecto que deverá aterrorizar todos os homens, sim senhor). é isto amor? Creio que não. Acho que é uma forma diferente de atracção. Riki e Iason não se amam. Acreditop que a sua relação se desenolve na aceitação. O seu suicídio não simboliza que fizeram as pazes e que vão viver juntos no céu. Penso que significa que aceitam que nenhum dos dois é o vencedor. Que não há S ou M na sua relação. Que nem Iason nem Riki são a parte dominante da equação. Que estão os dois na mesma situação, que são os dois a mesma coisa. Que Blondies e Mongrels são, de facto, a mesma coisa e que vão ambos morrer. E assim, porque não morrer juntos e com um sorriso?

    Acreditem-me, eu vi muito BL na minha vida. Ai no Kusabi foi o primeiro e único a seguir uma relação de ódio em vez de amor. Que se torna em absolutamente nada.

    História

    Aqui temos duas coisas importantes. A história da relação entre Iason e Riki, que desenvolvi na secção precedente, e a história do universo em que acontece a relação. Este segundo elemento é muito interessante e o OVA retrata-o perfeitamente. Alguns elements foram deixados por explicar. Quando vi isto pela primeira vez o "mistério" que rodeava os elementos em falta era bom. Depois de aprender os detalhes e ver isto pela 46352634534écima vez... Foi fantástico. Mesmo brilhante.

    Isto é um mundo original, num ponto distante do espaço num futuro tecnologicamente independente distante. Neste planeta, as pessoas são dominadas por um super-computador que funciona como governo. Este super-computador tem toda a gente organizada num sistema de castas, uma estratificação da sociedade em que os elementos superiores desprezam os elementos inferiores na cadeia social, que começa em andróides orgânicos seleccionados artificialmente, onde Blondies como Iason estão inclusos, e termina nos mongrels criados naturalmente de Ceres, que é Riki. No meio estão as pessoas de Midas, a Las Vegtas deste mundo que vive para as indústrias do entretenimento e do sexo, pessoas como Katze que estão mais ou menos no meio, pets e furniture (mobília). Pets sendo o entretenimento dos altos círculos de tanagura e a mobília sendo os eunucos que tomam conta dos pets. Pets são brinquedos sexuais e orgulham-se disso (vêm como Riki estava inadaptado nesta situação?). Mobília... Bem, ninguém se interessa pela mobília.

    Acho que esta estratificação, e a forma como é apresentada  (a relação entre duas facções opostas), é uma forma muito interessante de imaginar um possítvel futuro. No mundo como o temos agora, são seria possível - com o advento da tecnologia - que a humanidade acabasse assim? Isto é ficção científica, com motos voadoras e andróides biónicos e outras coisas ridículas como essas. No entanto, a criação deste sistema social distingue este universo dos oturos e torna-o numa criação original.

    Há detalhes no livro que tornam esta exierpiência mais rica e vívida (nomeadamente Guardian), mas podemos viver sem elas.

    E outro detalhe que estivémos a discutir antes! O papel da mulher em Ai no Kusabi. Muitas pessoas vivem sob o erro de que no mundo de Ai no Kusabi não existem mulheres. Existem. Elas são muito importantes. No OVA eles representam a sua importância por imagens e sequências curtas. Penso que isto dá um charme especial à est´tica do OVA e serve o objectivo de apontar de que apesar de isto ser tudo sobre homens as mulheres continuam a ser um factor importante.

    Em resumo!

    Um trabalho excelente que todos deviam ver. Ponham o coração ao alto. Eu sei que BL não é agradável, mas há muito mais do que sexo gay neste OVA e vale a pena vê-lo. Um verdadeiro clássico.
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