• A Wind Named Amnesia

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    A Wind Named Amnesia
    Hideyuki Kikuchi
    Light Novel
    1983


     Já tinha ouvido falar deste livro por isso, quando o vi com desconto na Kingpin, comprei-o. E ainda bem.

     Num futuro não muito remoto em que a humanidade se lança à conquista do espaço, acontece uma desgraça. Todos os seres humanos perdem as suas memórias. Esquecem-se de como falar e de como agir, as mães esqueceram os seus filhos e toda a humanidade tem de recomeçar a organizar-se. No meio de tudo isto, há um homem, Wataru, que mantém a antiga sabedoria. Ele encontra Sophia e juntos lançam-se numa fantástica viagem pelos Estados Unidos.

     Esta é a primeira história. Para mim é, em todos os aspectos, brilhante. Está muitíssimo bem escrita, os personagens muito bem caracterizados e a história desenvolvida de forma excelente. A ideia é muito original. Apesar de agora nos parecer um pouco Saramaguiana temos de recordar a data em que isto foi escrito. Com alguns elementos de ficção científica que poderiam ter estragado tudo (mas que não estragaram), este livro é uma ilustração da humanidade e uma desconstrução da evolução da espécie como ser senciente e moral. Com Sophia, a observadora ignorante dos aspectos básicos da humanidade, e Wataru, aquele que é acometido por um forte sentido moral, contrabalanceando-se ao longo de toda a história temos uma caracterização cuidada e bela do que "poderia ter sido". Analisando os mais profundos sentimentos da humanidade, enquanto espécie, Hideyuki Kikuchi compôs uma obra fenomenal. Uma ficção científica que me faz ter vontade de ler mais ficção científica (eu que detesto o género). Gostaria de lhe escrever a congratulá-lo, mas qual será o seu e-mail? 
     
    The answer my friend, is blowin' in the wind.
     
    Gostaria também que os Americanos fizessem um filme, ou uma série,  disto. Há um filme de anime, que ainda hei-de ver e comentar aqui, mas tem todo o aspecto de ser uma valente porcaria.



    O segundo livro desta edição conjunta, Invader Summer, não é tão bom. Numa pequena cidade Japonesa, o Verão é perturbado pelo aparecimento de uma misteriosa rapariga, por quem todos se apaixonam, seguido de fenómenos paranormais. Esta história era confusa. Tinha muitos nomes, o que tornava tudo mais difícil de acompanhar e demasiadas coisas a acontecer. Por momentos perdi o fio à meada e foi sempre difícil de o recuperar. Está bem escrito, é verdade, mas parecia estar desorganizado e com as ideias pouco fixas. De qualquer forma teve os seus momentos de beleza.

    Para ambos, as ilustrações são um excelente complemento. Todas feitas em ballpoint pen, caracterizam especialmente bem as cenas essenciais do livro. De facto, algumas cenas não seriam essenciais e tão cheia de beleza se as ilustrações não as completassem.

    Sem dúvida um livro maravilhoso, que recomendo a toda a gente, fãs de ficção científica ou não.

  • Black Lagoon

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    Black Lagoon
    Katabuchi Sunao
    Anime - 12 Episódios
    2006
    6 em 10

     Black Lagoon é, sem dúvida, refrescante. Adianto desde já que gostei de ver. Pelo menos a maior parte do tempo. Mas, se assim é, porquê tal classificação tão mediana? Vejamos:

     A animação é sem dúvida o ponto mais forte desta série. As cenas de acção estão bem feitas, não há erros a apontar, está tudo muito bem feito. Se fosse só pela animação seria um 10 em 10, mas - infelizmente - há mais coisas num anime do que bonecos. E aí a série falha redondamente. Falha de propósito, não tinha pretensões a mais, mas enfim... Deixa-me triste, porque o potencial estava lá mas não quiseram ir mais longe.

     Os personagens deveriam ser o outro ponto forte. Pois não são. Os designs estão interessantes e apropriados (excepto a Roberta), o outline básico das personagens é credível e interessante (excepto a Roberta), mas não há desenvolvimento de personagens, nem para trás nem para a frente (excepto a Roberta). O Rock, que tem o arquétipo mais interessante do conjunto, é deixado ali, sem nada par afazer, sem ponta por onde pegar. Todos os outros têm o mesmo problema. Estão só ali, são personagens mas não são pessoas.

     A história tem uma premisa original, não é todos os dias que vemos histórias sobre pirataria dos tempos modernos, mas também é deixada assim ao deus-dará e, por isso, não é usada em todo o seu potencial.

     O som, no entanto, é um ponto muito positivo. Tanto a ED como o Tema da Roberta são peças interessantísssimas e muito bem escolhidas.

     Em resumo: excelente potencial. Nada desenvolvido. Por isso, não é mais que mediano. Se tivesse ido mais longe, de certeza que teria sido genial. Mas não é.
  • History's Strongest Disciple Kenichi

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    History's Strongest Disciple Kenichi
    Kamegaki Hajime
    Anime - 50 episódios
    2006
    4 em 10

     A primeira questão que se coloca aqui é: porque é que eu fui ver isto? Foi alguém que me recomendou. Eu fazia a habilidade de ver tudo o que me recomendavam. A partir de Kenichi isso nunca mais vai acontecer.

     Vamos ser directos: este anime é mau. Muito mau. Não faz sequer uma tentativa. Então porque é que as pessoas gostam tanto dele? Porque tem lutas e mamas a saltitar. Mas só pode ser mesmo só por isso, não há mais nenhuma razão.

     A animação mete nojo. Deve ter sido feita por Coreanos esfomeados a quem deram Happy Meals como pagamento. Chega a ser deprimente. Um anime baseado em lutas deveria ter, pelo menos, lutas como deve ser. Cada imagem parada, cada still é um momento de sofrimento. Demasiados erros, tudo demasiado barato e mal feito. Tanto que até me surpreende isto ser de 2006, parece mais 1996.

     A história nem existe. Um rapazito com pouco talento para fazer amigos, o Kenichi, encontra uma gaja boa que sabe dar uns roundkicks. Ele acaba por ir viver com ela e com a sua família de loucos para aprender a dar uns roundkicks também. E é só isto. Não há inimigos cada vez mais fortes, aliás, os inimigos são todos aleatórios e estupidamente convenientes. A família "de loucos" afinal não é assim tão louca. Temos cada estereótipo bem definido, mas desagradável porque são tão mal feitos. Parecem cortados da caixa do Chocapic. Os inimigos que depois se tornam amigos a mesma coisa. Maldição, todos os personagens a mesma coisa! Deviam ter muitas caixas de Chocapic, para poderem recortar tantas figuras.

     O som mete horror, efeitos sonoros decadentes saídos do pior do Tom&Jerry, música deprimente.

     A única coisa que o safa foi o sorriso que eu lhe lancei no episódio 23. Para uma comédia fez-me sorrir uma vez, não está mal...



  • Forrest Gump

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    Forrest Gump
    Robert Zemeckis
    Filme
    1994
    10 em 10

     Já não via este filme há algum tempo e já não me lembrava como gosto dele. Ainda me lembro que a primeira vez que o vi tive de o deixar a meio, estava de férias com o meu pai e era altura de ir embora. Anteontem fui vê-lo mais uma vez, e ainda bem. Tudo neste filme está próximo do perfeito.

     Forrest Gump é o nosso personagem principal. Não é muito inteligente, mas é boa pessoa. E é um dos personagens melhor escritos de sempre. Está muito bem caracterizado, na sua simplicidade e inocência, e vai evoluído calmamente mas de forma sólida ao longo do filme, por acaso ou por sorte mas ainda assim por si mesmo. Os outros personagens estão igualmente bem caracterizados. Cada um, por menor que seja o seu papel, tem uma história para contar, nem que seja sobre camarões.

     O argumento, para mim, é fora do comum. Acompanha de forma cândida a evolução do nosso personagem, é feito em função dele. A participação de Forrest Gump em tantos eventos importantes aparece naturalmente. Não se poderia esperar outra coisa. Por isso não nos parece improvável nem há maneira de argumentar contra todas as coisas ilógicas em que Forrest se mete.

     Música bonita, excelente fotografia sempre que necessário.

     E das partes melhores... Os actores. Tom Hanks pode ser um irritantezinho, mas é magnânime neste filme. Gary Sinise também está excelente. São personagens muito fortes e complexas, interpretá-las e fazê-las ganhar vida desta forma deve ter sido uma aventura. Eu também gostava de ser assim.

     Em resumo, um dos meus filmes preferidos (por isso não confiem no 10 em 10, é capaz de estar um bocado enviesado). A minha parte preferida continua a ser o discurso contra a guerra do Vietname. Para mim, só isso vale-me o filme todo.
  • O Castor

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    O Castor
    Jodie Foster
    Filme 
    2011
    8 em 10

     Pois que fui ao cinema com a minha amiga Andreia para ver este filme. Estava reticente em relação a gastar o meu bilhete grátis da Lusomundo num filme chamado "O Castor", mas ela insistiu e lá fomos. Ainda bem que fomos. Eu nunca fiz uma review para um filme "de pessoas", por isso desejem-me boa sorte.

     Tudo começa com Walter Black, um executivo que já não é bem sucedido e que, numa profunda depressão, encontra a solução para os seus problemas na personagem de um castor de peluche. Começa bem, eu não sabia que o filme era sobre isto. O argumento está muito bem desenhado, e explora a relação do personagem principal com a sua família, o seu trabalho e consigo próprio. É neste último aspecto que está melhor conseguido. A realização não me pareceu nada por aí além, mas está bem dirigido. Espantou-me ver o nome da Jodie Foster no final do filme, não sabia que ela tinha veia de realizadora.

     No entanto, o que mais me surpreendeu e maravilhou foi o trabalho de actor do Mel Gibson. Fazendo duas personagens, a de Walter Black e a de Castor que está a possuir o Walter Black, foi um mestre durante todo o filme. A luta interna da personagem está excelente, o desenvolvimento quase perfeito (houve ali um momento em que o personagem compreende TUDO que foi um bocado feito à pressa, mas ok). Os outros actores também não estiveram nada mal, mas empalidecem em comparação com o Mel Gibson.

     OST não memorável, fotografia nada de especial e um intervalo que quase matou o filme. Fora isso, excelente. Gostei muito.

     Espero que mais pessoas venham a ver este filme, apesar do título e do cartaz pertencerem a outro filme qualquer.
  • Ai no Kusabi 2 - Destiny

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    Ai no Kusabi Volume 2 - Destiny
    Rieko Yoshinara
    Light Novel
    1986

     Esqueci-me de dizer que não classifico livros, faz-me confusão. :3

     Este é o segundo volume da série Ai no Kusabi, O Limite do Amor, mítica série dos primórdios do BL, composta por Rieko Yoshinara. Num futuro longínquo, num planeta perdido no espaço, onde o número de homens é muito superior ao de mulheres, a sociedade encontra-se dividida por castas sociais. Em Ai no Kusabi seguimos a relação entre dois membros de castas diferentes, Riki e Iason.

     Neste segundo volume, voltei a ficar surpreendida - mas não tanto como no primeiro, que foi um verdadeiro choque frontal - com a péssima escrita desta colecção. Devido à imensa admiração que tenho pelo OVA produzido em 1992 sobre esta história, esperava que fosse algo muitíssimo bem escrito. Pois. Não é. É péssimo. Pensei que talvez fosse devido à tradução, mas aparentemente todo o género das Light Novels é assim e poucas se safam. Posto isto de parte, há alguns elementos que gostei muito neste livro.

     O universo está muito bem descrito. As ideias são repetidas frequentemente e, dado que existem muitos conceitos, isto é bom. No entanto talvez existam conceitos a mais... De uma forma ou de outra, é um mundo paralelo verdadeiramente original, especialmente tendo em conta que isto são os anos 80.

     A minha parte preferida é sem dúvida o desenvolvimento das personagens. Toda e qualquer personagem deste livro tem uma descrição (talvez peque por excesso de descrições físicas, mas não se podia esperar de outra coisa deste tipo de livro) e os personagens principais desenvolvem-se e são descritos perfeitamente, através das suas interacções e do se progresso pessoal.

     As ilustrações são uma miséria. Uns traços para aqui e para acoli, parece que demoraram meia hora a ser desenhados.

     Mais uma vez fomos brindados com uma cena sexual. Muito boa, por sinal. Se calhar é por isto que Ai no Kusabi é um clássico. Porque além de ser dos primeiros dentro do género BL, tem umas cenas de sexo do melhor que há!

     Fico à espera do próximo volume, que está ali na prateleira pronto para ser lido. Espero que a escrita melhore, ou então isto será um sofrimento grande até chegar ao fim.
  • Hyakujitsu no Bara

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     Original Review @ http://myanimelist.net/profile/ladyxzeus/reviews



    Hyakujitsu no Bara
    Anime - 2 episódios
    2009
    7 em 10

    Hyakujitsu no Bara, ou Maiden Rose, é uma compilação muito resumida de um manga que tem mais nele do que esperaríamos à primeira vista. Temos dois países em guerra, um príncipe de um país que tem um cavaleiro do outro. Uma história Shakesperiana que - devido a falta de tempo - nunca foi explicada. E este é o principal problema com este anime. No entanto, tem uma história. Isto é, por si só, um grande feito para uma animação de BL, onde se esquecem de argumentos e personagens para agradar à fangirl rábida.

    A arte é cuidadosa e limpa, bonita mas não fantástica. A animação não pode ser considerada uma obra prima, mas é feita com mestria. E isso é suficiente. O mesmo pode ser dito de OST e efeitos, sem esquecer os actores de voz. Para algo supostamente sensual, os actores pareciam bastante tímidos.

    No entanto há algo que compensa isto: os personagens. Eles são sólidos e têm desenvolvimento, mesmo com os 60 minutos de tempo de antena que lhes foram concedidos. Os designs são lindos e apesar de podermos considerar algumas acç
    ões faltosas de acordo com o que sabemos deles, acredito que isto é parte daquilo que conseguiram pessoalmente, para surpreender o espectador.

    Em suma, um trabalho muito bom. Precisávamos de algo assim neste género. Tensão sexual, violento e perturbador por vezes, mas muito amoroso no final. Muito recomendado para a fangirl rábida.
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