Triangle of Sadness
Triangle of Sadness
Ruben Östlund
2022
Filme
6 em 10
É difícil falar deste filme sem revelar a trama completa, mas vamos tentar.
Um conjunto de pessoas riquíssimas vai para um cruzeiro. O capitão deste cruzeiro é um comunista bezano. Devido a vários factores, procede uma cena escatológica hilariante. Depois alguns elementos vão parar a uma ilha.
Este filme coloca no foco, como vem sendo habitual em filmes premiados, a oposição entre os ricos que não sabem fazer nada, e os empregados que conseguem fazer tudo. Quanto há uma inversão de hierarquias, como lidar com isso? E como é que as pessoas habituadas a ter tudo poderão lidar com um novo tipo de vida quase tribal?
O filme coloca uma série de questões interessantes, sobretudo no final, mas a cena que mais marca é precisamente a do barco a navegar na tempestade com merdux por todos os lados.
Não me marcou especialmente, fora essa cena.
Terminator 2: Judgement Day
Terminator 2: Judgement Day
James Cameron
1991
Filme
7 em 10
O Terminator volta, mas desta vez de uma forma completamente diferente. O nosso Terminator original agora é amigo e tem de proteger o pequeno John Connor da morte certa infligida pelo T-1000, um novo tipo de Terminator que é feito de um metal moldável e impossível de quebrar. Também têm de salvar a mãe, Sarah Connor, que está prisioneira na casa dos malucos (porque, obviamente, dizer que se tem um filho do homem do futuro é coisa de doidos)
Este Terminator é muito mais divertido do que o anterior, sendo muito importante o desenvolvimento da máquina enquanto ser que aprende novos dados e, também, sentimentos. Vimos uma Extended Version que tinha muitos detalhes extra, mas penso que o mais importante é quando alteram o CPU do andróide. O T-1000 também é muito mais assustador do que se poderia imaginar, porque é praticamente invencível.
Com cenas de acção inabaláveis, muitas armas e uma luta final no meio da lava (ok, ferro fundido), James Cameron volta a marcar o mundo do cinema com os seus efeitos especiais fabulosos.
Um filme revolucionário, e ainda bem que aconteceu, porque se não por esta altura já estávamos dominados pela Skynet
Avatar: O Caminho da Água
Avatar: O Caminho da Água
James Cameron
2022
Filme
8 em 10
Eu nunca tinha visto um filme em 3D daqueles a sério, mesmo a sério. Isto é, nunca tinha visto o Avatar original. Então quando saiu esta sequela, após tanto investimento e tantos anos de espera, lá fui eu sem qualquer tipo de expectativa.
Avatar remete-nos para o mundo de Pandora, planeta de natureza luxuriante, vida selvagem perigosa e bizarra, e os seus habitantes azuis, estranhamente conectados emocionalmente a toda a vida natural do seu planeta.
Uma das principais queixas sobre o filme é o facto de que a história é muito simples e uma vaga imitação da lenda real da Pocahontas. No entanto, penso que neste caso a narrativa é pura e simplesmente acessória, porque o que interessa é habitar Pandora, ter um vislumbre desse planeta maravilhoso, tão real que quase podemos tocar.
No fundo, a grande moral deste filme é que o planeta deve ser protegido dos seus assaltantes, que tencionam aproveitar-se dele para obter grandes riquezas. Mas se Pandora só existe na imaginação de James Cameron, o que podemos fazer para o salvar? Aí é que está o que me pareceu maravilhoso: Pandora é - simplesmente - o nosso próprio planeta Terra. Não podemos viajar para um lugar encantado sem ser através dos filmes. Por isso, temos obrigação moral e real de amar, de nos conectar e - assim - de manter protegido o lugar onde vivemos e de onde só sairemos com muita dificuldade.
Por isso recomendo muito este filme, que para mim foi a grande surpresa de 2022. Toquem nessa natureza digital, que também tem muito que se lhe diga, mas sobretudo aproveitem o ponto de foco moral, enquanto fonte de aprendizagem.
Anne no Nikki
Anne no Nikki
Nagaoka Akinori - Madhouse
Anime - Filme
1995
6 em 10
Este é o anime do Diário de Anne Frank, que eu nunca li e ainda bem: é absolutamente pavoroso. Anne escreve sobre a sua vida diária enquanto clandestina numa casa de amigos, por isso é quase como um slice of life. Mas um slice of life em que todos vão para campos de concentração no fim, e isso foi horroroso. Também foi horroroso ver que as pessoas tinham gatos, e que os gatos ficaram para trás.
Portanto, o que dizer sobre este filme? A animação não é extraordinária, mas também não é necessário para o contexto. Os designs estão adequados à realidade da época, e existem alguns cenários muito bonitos, pintados à mão.
Acaba por ser um anime importante para recordar o horror do holocausto, tal como o livro o é, mas sinceramente acho que preferia não o ter visto.
Bubble
Bubble
Araki Tetsurou - Wit Studio
Anime - Filme
2022
7 em 10
Tóquio está dentro de uma bolha. Quando as bolhas começaram a cair, montes de gente ficou falecida, e os órfãos da queda das bolhas agora vivem numa Tóquio com gravidade alterada e fazem... Parkour. Um dos melhores parkouristas (é assim que se diz?) encontra uma rapariga misteriosa que canta e que se movimenta como um gato.
Este filme é quase como uma reinterpretação da Pequena Sereia (mencionada ao longo da narrativa várias vezes), mas com parkour e uma animação absolutamente fabulosa. Quando eles saltam de pedra voadora em pedra voadora, ou de bolha em bolha, sentimos realmente que estamos neste mundo de bolhas e que tudo é possível. São imagens altamente libertadoras.
De resto, nunca ficamos a saber de onde vieram as bolhas, nem para que servem, o que é um pouco desapontante. Mas é um filme que vive sobretudo da sua animação, e por isso lhe dou boa classificação.
Hinos ao Amor
Hinos ao Amor
Anne Wiazemsky
1996
Autobiografia
O meu pai encontrou este livro no seu arquivo e trouxe-mo para que o libertasse no BookCrossing. Antes disso li-o, obviamente.
É um livro estranho, que classifiquei como autobiografia porque fala da vida da própria autora, tendo por base o contexto de um testamento encontrado após a morte da sua mãe. Nele, o seu pai (falecido anos antes) pede que sejam entregues alguns items à sua amante, incluindo o disco homónimo de Edith Piaf.
O livro está dividido em duas partes: numa primeira a autora fala da sua infância e da relação familiar que tinha com seus pais e irmão, e a relação que os pais tinham um com o outro e diversos amantes. Na segunda, relata-nos a vida de uma empregada que cuidou dela e do irmão numa casa afastada, e como foi marcada pela sua presença. Finalmente, fala-nos do encontro com a amante perdida do seu pai.
É uma leitura rápida, mas um pouco dolorosa, devido à presença sempre constante da morte, da velhice e da doença. Não conhecia a autora, e por isso pouco me interessa a sua vida passada, mas o livro está bem escrito e por isso gostei de o ler.
Wednesday
Wednesday
Miles Millar & Alfred Gough
2022
Série
Lembram-se da menina toda de preto, a Wednesday Addams? Pois ela agora é adolescente e acabou de ser expulsa da escola. Outra vez. Por isso, os seus pais decidem inscrevê-la numa escola para pessoas estranhas: Nevermore. Nessa escola há vampiros, lobisomens, górgonas, tudo quanto é bicho estranho. E há um mistério, de um monstro assassino que anda à solta.
No fundo, esta série é como um policial gótico, um pouco infantilizado mas divertido na mesma. Os primeiros episódios são realizados por Tim Burton, mas nem assim se nota o seu toque. Os designs são muito interessantes, quer de figurinos quer dos sets, e os efeitos especiais bastante aceitáveis (sobretudo o Thing)
O que mais gostei realmente foi a identificação que tive com esta Wednesday na adolescência. Lembrou-me muito eu própria circa 2003, toda anti-amigos e toda anti-pop, toda pseudo gótica mas - no fundo - uma criança na mesma. O facto de a personagem conseguir desenvolver relações com os outros fica a saber a vitória.
Talvez não seja a estética que apaixonou nos primeiros cartoons, mas gostei muito desta versão modernizada dos Addams.



