• Beautiful Boy

    0
    Beautiful Boy
    Felix Van Groeningen
    2018
    Filme
    6 em 10


    Havia quem estivesse ansioso por este filme, pois o actor principal também participava no querido Call Me By Your Name.

    Em "Beautiful Boy" explora-se uma história (real) da relação entre pai e filho. Apesar deste filho ter sempre sido um exemplo maravilhoso, descobre-se agora que tem um vício e um prazer terríveis: as metanfetaminas. E a heroína, entre outras coisas. A espiral de decadência em que se envolve, após várias tentativas falhadas de reabilitação, é um sofrimento para o próprio e para a sua família, nomeadamente o seu pai. Este procura sempre apoiar o filho mas acaba por não conseguir compreender o vício nem o que faz o vício viciar.

    Apesar de ser uma história sobre esta relação familiar, aliás muito bem interpretada por todos os intervenientes, o filme acaba por ser uma terrífica ode ao anti-consumo, um apelo desesperado para a rejeição da droga: o filme admite que a droga não pode ser (nem deve ser!) compreendida e que os seus utilizadores devem ser imediatamente retirados da sociedade de forma a não se prejudicarem a si próprios.

    Esta análise emocional e muito doutrinadora torna o filme quase como um ralhete ao espectador, em que todos os personagens, o realizador e o resto da equipa nos dizem "as drogas são más, meu filho". E apesar de termos alguns momentos de grande qualidade, não consigo deixar de sentir que há algo de muito pessoal neste filme que não nos é dado a compreender.

    Fica pelas interpretações. Realmente, temos aqui alguém com futuro.
  • Bird Box

    0
    Bird Box
    Susanne Bier
    2018
    Filme
    5 em 10
    Tinham-me falado imenso deste filme. Diziam que era aterrorizante, ameaçador, provocador para o pensamento. Então eu comecei a ter pesadelos em que via o filme e este consistia em algo como "se olharem uns para os outros começam a crescer-vos olhos gigantes por toda a cabeça e explodem". O que é de sobremaneira pavoroso quando se está a sonhar.

    O filme não é bem assim. O que me causa grande pena, porque o meu sonho era bastante mais emocionante.
     
    Um bicho/doença/demo/coisa misterioso aparece no mundo. Quando as pessoas olham para ele  têm a irresistível vontade de se matar, por puro terror ou pura felicidade. Há quem diga que o bicho é lindo e, por isso, todos têm de olhar para ele. Há quem tente sobreviver. E Sandra Bullock, mais uma vez, tem que ser forte e não-emocional para poder sobreviver, agora acompanhada por duas crianças e uns passarinhos digitais (as únicas criaturas que podem prever o aparecimento do bicho). Fará tudo isso de olhos vendados.

    Apesar de a história ser interessante e um pouco desafiante (como sobreviver sem ver), aparece um pouco repetitiva considerando o tratamento do tema por escritores e filmógrafos do passado. A actriz faz um papel medíocre e não transforma a sua personagem numa figura identificável e amada pelo espectador, pelo que os acontecimentos são mais ou menos indiferentes a quem vê.

    No fundo, é ver quem morre quando e porquê, tal qual um slasher movie dos antigos. As personagens são todas descartáveis e as suas mortes diversas tornam-se mais engraçadas do que assustadoras ou comoventes.

    Fica a nota para a longevidade dos passarinhos digitais, que vão à água, apanham humidade, apanham calor e frio e nem por isso morrem. Extraordinário.
     
     

  • Cabaret da Coxa (2018)

    0
    Cabaret da Coxa
    Rui Unas
    2018
    Talk-Show
    Reservo este espaço para a primeira vez em que falo de um talk-show neste blog. O talk-show de que falamos hoje tem tanto de hilariante como de subsersivo. Estreado e destruído há coisa de uma década e meia, esteve de volta na altura entre o Natal e o Ano Novo de 2018 para cinco programas dedicados ao mais puro azeite e escatologia.

    Rui Unas conversa com três convidados em cada programa, acompanhado pelo seu fiel papagaio de elevada educação. Ao primeiro convidado é reservada uma meia hora, aos outros uns breve dez a quinze minutos. As conversas não são muito reveladoras sobre nada de importante sobre os convidados, mas fazem rir e isso é o essencial.

    Fica a questão sobre a escolha duvidosa dos convidados. Censurarem a Pergunta perante Madame Cristas parece-me violento. Escolhê-la para falar num programa de comédia também. Outros convidados mais tecnológicos, educativos e relativamente desconhecidos também surgem de forma um pouco estranha, mas ao menos são engraçados.

    Finalmente, os decadentes espectáculos do Cabaret mantêm todo o seu charme de desespero.

    Será que volta em 2019?
  • Black Mirror: Bandersnatch

    0
    Black Mirror: Bandersnatch
    David Slade
    2018
    Filme Interactivo
    8 em 10
    E eis que aparece a Netflix com algo completamente novo! Bem, não é completamente novo, mas é uma grande novidade para o final dos 10s. 

    Em tempos, muitos se jogavam aventuras interactivas, através de livros ou jogos RPG, em que se podia escolher o caminho que a nossa personagem iria tomar ao longo da história. Bandersnatch é a mesma coisa, só que para um serviço de streaming de televisão. Como as novelas em que se ligava para lá a escolher o final (A ou B), mas muito mais divertido.

    Neste jogo, conseguimos tomar as decisões por Stefan, um jovem programador que sonha em ter um jogo baseado no livro Make Your Own Adventure "Bandersnatch". Existem muitas coisas estranhas que envolvem este livro e Stefan começa a ficar preso dentro do próprio jogo. Nós decidimos o que lhe vai acontecer. 

    Cheio de mensagens subliminares, assustadoras referências a outros episódios de Black Mirror, esta é uma aventura do terror, que se torna tanto mais interessante como paranóica e perturbadora.

    Infelizmente, apenas pude assistir à versão compilada com uma hora e meia, pois não tenho a Netflix. Dou uma grande nota a este filme episódio porque acho que o método é realmente especial e uma nova coisa a esperar destes serviços.
  • Roma

    0
    Roma
    Alfonso Cuáron
    2018
    Filme
    7 em 10

    O novo filme de Cuáron (autor que nem por isso eu conheço assim tão bem) aparece como uma lufada de ar fresco e de sinceridade no panorama actual.

    Um drama familiar protagonizado por uma empregada doméstica que, longe da sua aldeia indígena, sofre um grande revés na sua vida. Uma história comovente mas imensamente realista, que quase nos deixa a pensar se haverá algo de autobiográfico nesta narrativa. Com personagens apaixonantes e únicas, tão plenas de simplicidade como de várias texturas de personalidade, ficamos a conhecer um pouco da vida diária na Cidade do México.

    Passamos por diversas situações violentas, mas também temos outros momentos de aparente calma no bulício do quotidiano. A relação firme que todas as personagens mantém umas com as as outras oferece-nos uma sensação de segurança e esperança no futuro que vem amanhã.

    A fotografia e edição da imagem são também apaixonantes, revelando-nos o autor um olhar contemplativo sobre a viagem, a mudança e a continuidade. O preto e branco é maravilhoso e remete-nos para um passado querido.

    Recomendo bastante.



  • Assim Nasce Uma Estrela

    0
    Assim Nasce Uma Estrela
    Bradley Cooper
    2018
    Filme
    6 em 10

    Esta época do ano necessita sempre de filmes românticos e épicos, um regresso à tradição Hollywoodesca por excelência. "A Star Is Born" ("Assim Nasce Uma Estrela") é o remake do ano, uma revisitação a um clássico dos musicais que fica bem em qualquer ocasião.

    Um cantor famoso, com um problema de alcoolismo, encontra num bar muito diferente uma rapariga que canta. E ela canta bem. Imediatamente apaixonado, este cantor toma Ally debaixo da sua asa e, a pouco e pouco, ela nascerá como um sol pela manhã.

    *inserir Ave Maria de Shubert*

    Porque é assim: esta história, apesar de estar actualizada com smartphones, é uma história lamechas, é um drama de inocência e paixão absoluta, é um despertar da mente num universo de amor rosado e inchado que mesmo na mais pura das tragédias incita a buscar por mais desta cantora, desta personagem, desta Ally de fantasia.

    Felizmente, temos actores excelentes para dar vida a este romance choroso, o que faz com que o filme acabe por ser agradável e mais ou menos tocante. Surpreendentemente, Lady Gaga é uma pessoa normal que consegue interpretar personagens normais. Penso que talvez seja ela a força motriz de todo o filme.

    Assim sendo, é um musical aceitável. Não peço que esperem muito das músicas.

  • Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

    0
    Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald
    David Yates
    2018
    Filme
    6 em 10 

    Apesar de o meu interesse neste filme não ser demasiado, foi um belo filme para um fim de noite, uma grande aventura que quase me deixa com um pé no mundo fantástico de J.K. Rowling.

    O filme agarra na história alguns meses após a primeira aventura. Mas agora Newt Scamander é desafiado a ir a Paris para uma missão liderada pelo grande e único Dumbledore. O que se segue é uma festa de efeitos especiais e animais bizarros, tudo tendo em vista a apresentação deste novo vilão que, terrível, se mostra à altura de um Voldemort dos tempos passados.

    Apesar de a narrativa ser bastante simples e um pouco juvenil, o que acaba por ser óptimo para dar ao filme toda uma aura de fantástico e especulativo, os momentos de acção são tantos e tão variados que ficamos agarrados durante toda a longa duração do filme.

    Infelizmente, peca por alguns momentos de descaracterização, pela pressa dada a alguns momentos em detrimento de outros que me pareceram menos ricos e por uma melancolia um pouco desnecessária em todos os actores.

    De resto, fiquei tão curiosa com tudo isto que fui ao Pottermore, apenas para descobrir que sou uma texuga dos Hufflepuffes. Woohoo!
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan