• Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa

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    Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa
    Luís Filipe Silva
    2014
    Colectânea

    Ah, afinal ainda tinha mais um livro do meu aniversário! Este foi-me ofertado pela Ana-san, que no dia da minha festinha tinha comparecido na EuroSteamCon, em Lisboa, e trouxe-me este simpático presente. Acabou por se revelar um livro tão educativo como fascinante!

    Luís Filipe Silva apresenta-nos uma colectânea de contos da mais pura pulp fiction feita em Portugal, entre os anos 20 e 70. Para além disso, tem o cuidado de apresentar cada conto no seu contexto histórico e cultural, para que nos seja mais fácil e agradável entrar neste mundo ficcioonado, cheio de heróis, espiões, piratas e cavaleiros misteriosos. Cada conto é único em si e existem aqui perfeitos exemplos da mais popular pulp fiction, literatura que se caracteriza pela sua abundância, permissividade de conceitos e, sobretudo, pelo baixo valor de produção.

    Assim, ficamos a conhecer heróis tão improváveis como o espião Jaguar Caballa ou Bella, a amazona, em histórias altamente improváveis. Algumas estão absurdamente mal escritas, é certo. Mas outras não só têm conceitos absolutamente originais como têm uma surpreendente q1ualidade literária. Penso que os contos que mais me impressionaram foram "A Ilha" e "Noites Brancas", ambas tocando em conceitos de mistério e sobrenatural, com grande inspiração no nosso amigo Lovecraft.

    Foi um livro interessantíssimo pelo seu conteúdo e também uma grande lição na história desta literatura esquecida em Portugal. Recomendo muito!

  • Octaedro

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    Octaedro
    Julio Cortázar
    1974
    Contos

    A última das minhas prendas de aniversário e a minha segunda experiência com este autor, que foi sem dúvida mais satisfatória que a primeira.

    Estes são contos um pouco surrealistas, mais maduros, que envolvem o leitor num universo de realismo mágico muito típico da américa latina mas também muito único na perspectiva deste autor. Temos um octaedro, oito contos que se unem por linhas muito finas, em temas um pouco difusos que nos remetem para um universo onírico de impossibilidades.

    Nestes contos o autor explora a fragilidade da vida enquanto acção do personagem, falando-nos de diversas situações que, não sendo exactamente inusitadas, são suficientemente improváveis para que causem uma certa estranheza na leitura. Uma análise mais detalhada poderia encontrar diversos significados neste livro.

    No entanto, algum tempo passado, são histórias que acabam por ficar a residir num canto recôndito da memória e que, por isso, são facilmente esquecíveis. São histórias de um bizarro quotidiano, mas que acabam por diluir-se na nossa própria realidade, sendo que é o tipo de livro que nos deixa a pensar se estas foram situações que nos aconteceram realmente, a nós leitores, ao inv+es de serem apenas narrativas.

    Irei partilhar. :)

  • Dan Doh

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    Dan Doh
    Oomori Hidetoshi - Tokyo Kids
    Anime - 26 Episódios
    2004
    6 em 10

    E que tal um anime de desporto sobre... Golf? Pois é, o desporto mais improvável de sempre tem o seu próprio anime!

    Dan Doh é um miúdo que, após pouco sucesso em outros desportos, acaba por ganhar a paixão do golf e decide que será o melhor jogador de sempre. Competindo com vários oponentes, confiará sempre na sua "bola do sorriso", na qual confia plenamente para conseguir a vitória a pouco e pouco.

    No fundo, este é um anime um pouco infantil que apenas nos tenta converter para ganhar um certo interesse no desporto. Apesar de, no meu caso, o projecto tenha saído frustrado, penso que algumas crianças mais impressionáveis possam ficar com vontade de jogar, o que é sempre uma coisa muito boa. Temos personagens muito simples, estereótipos que funcionam sempre bem neste tipo de contexto, sem grande caracterização além do desejo de jogar cada vez melhor e sem desenvolvimento sem ser, precisamente, o facto de jogarem cada vez melhor.

    Em termos desportivos, é um anime que faz um bom trabalho em explicar as regras do jogo e algumas estratégias simples que podem exercer sobre o tal público impressionável um certo fascínio. Não temos uma animação especialmente forte para acompanhar isto mas, para todos os efeitos, funciona suficientemente bem para que o jogo seja compreendido, sem haver grande exagero nas dimensões do cenário nem nos talentos dos participantes, um dos principais defeitos de animes de desporto.

    A banda sonora é animada e saudável, com um ritmo pop um bocadinho viciante.

    Um bom anime para crianças.

  • Sinais de Fogo

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    Sinais de Fogo
    Jorge de Sena
    1979
    Romance

    De volta aos livros físicos, começo a ler aqueles que recebi pelo meu aniversário. Este foi-me oferecido depois de eu muito ter gabado um livro de contos deste autor.

    Romance incompleto, escrito ao longo de vinte anos da vida de Jorge de Sena, conta uma história com laivos autobiográficos. Um jovem (Jorge), recém entrado na vida adulta e estudante universitário, vai passar férias com os tios à Figueira da Foz. Lá, mete-se numa série de aventuras de cariz sexual, envolvendo grande variedade de prostitutas e descrições altamente detalhadas dos acontecimentos, tendo por pano de fundo o início da revolução republicana em Espanha, que depois teria como consequência o regime franquista. O tio de Jorge acolhe na sua casa dois foragidos espanhóis e o nosso personagem terá de os ajudar a escapar do país, utilizando para isso a ajuda dos seus amigos, que consegue através de uma série de mentiras.

    O livro acaba, no entanto, por se tornar um pouco aborrecido. A ideia que Jorge de Sena dá é que os jovens dos anos 30 não fazem outra coisa senão ajudar à profissionalização do negócio do sexo. O pior é que são feitas descrições muito demoradas e exactas de toda a actividade sexual desta gente, que é muita gente, sendo que Jorge enquanto personagem acaba por se tornar progressivamente mais execrável. As suas dúvidas morais e existenciais, que culminam com a sua admissão de que é um apaixonado da poesia, são desviadas e pouco coerentes, revelando aqui uma injustiça remetida à figura feminina que rapidamente se torna insuportável. A falta de respeito pelas mulheres é, aliás, um dos temas centrais deste livro. Não como crítica, mas como algo de valor. Isso tira-me do séria.

    Apesar de bem escrito, este livro também tem o defeito de ser incompleto. Isto é, não é tanto a história que tem o problema de estar incompleta. Tivesse eu de ler mais seiscentas páginas de actividades prostibulares acho que dava em doida. O problema aqui é que o livro não teve edição. Assim, existem bastantes incoerências narrativas, não só em mudanças de nomes de personagens mas até na própria caracterização destes, que num momento são de tal maneira e no outro já são diferentes.

    Um bom livro para acrescentar ao conhecimento mas, pessoalmente, não foi dos meus preferidos.

  • No Direction Home

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    No Direction Home
    Martin Scorcese
    2005
    Filme
    6 em 10

    Como parte da minha terapia de conversão, a ver se vou ver o concerto no próximo ano, o Qui mostrou-me este documentário sobre os primeiros anos de Bob Dylan como artista, realizado por Martin Scorcese. Dividido em duas partes, o realizador conta-nos, através de uma profusão de imagens de arquivo, o contexto histórico do panorama musical em que Dylan aparece e a sua transição para um universo artístico revolucionário, para a época, fazendo uso de instrumentos eléctricos e juntando o típico folk ao famigerado rock.

    O filme é uma grande lição de história, em que aprendemos uma série de nomes e artistas que vieram a influenciar Dylan ou que foram os seus pares na exploração de novas texturas musicais. Com o próprio artista a dar a sua perspectiva sobre as situações e entrevistas a colegas e amigos, o filme conta-nos uma história: de onde veio, para onde foi. Termina precisamente num evento marcante da vida do artista.

    Infelizmente, em termos de cinematografia, o filme para mim exibiu alguns defeitos. Nomeadamente, a transição entre cenas de arquivo e as entrevistas, era como se cada arquivo fosse um detalhe de uma cena que nunca era completado até ao fim, deixando-nos com desejos de saber como é que esse pequeno filme dentro do filme acabava.

    Ainda não me convenceu que tenho de ir ao concerto, mas foi uma boa experiência.

  • Samurai Gun

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    Samurai Gun
    Sonoka Hideki - Studio Egg
    Anime - 12 Episódios
    2004
    6 em 10

    Vi este anime ao engano, a pensar que era um outro, ainda por cima com dobragem americana. Mas acabou por ser uma surpresa agradável e um bom exercício de visionamento.

    Estamos na dobragem da revolução industrial e o Japão não lhe fica atrás. Neste mundo que só agora se começa a separar do feudalismo, novas armas e novos tipos de luta começam a surgir. E é assim que temos um grupo de mulheres que são samurais com armas de fogo e que as usam para fazer prevaler a justiça.

    Para mim, o aspecto mais interessante deste anime é a caracterização inicial dada às personagens, que têm uma história pregressa forte e sólida que irá influenciar em muito as suas atitudes e a interacção entre elas ao longo da narrativa. Temos personagens que vêm de um passado violento e que agora o utilizam como força e mote para a acção.

    Esta, tem os seus momentos de interesse, mas muitas vezes peca por exagero e pelo facto de os antagonistas não terem a tal forte caracterização dos protagonistas. Na verdade, grande parte deles até parece um pouco ridículo na sua motivação. A animação não tem nada de extraordinário, tenndo até uns poucos erros evitáveis, mas funciona para o efeito.

    O mesmo acontece com a música que, oferecendo um certo twist moderno, se conjuga apenas o suficientemente bem para que o anime funcione.

    Não recomendaria à primeira instância, mas foi um anime engraçado na mesma.

  • Yakitate!! Japan

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    Yakitate!! Japan
    Aoki Yasuhiro - Sunrise
    Anime - 69 Episódios
    2004
    4 em 10

    Apresenta-se-nos um shounen de batalha com um ligeiro twist. É que este anime é uma luta contra oponentes cada vez mais fortes, fazendo uso de poderes e talentos especiais, mas que consiste em falar sobre... Pão.

    Pois é. Temos aqui um conjunto de personagens que enfrentam, ao longo de sessenta e nove sofríveis episódios, outras equipas de padeiros em concursos de pão, em que eles buscam o poder das "mãos douradas", que lhes dará a capacidade de fazer o melhor pão de sempre e, assim, salvar a sua empresa panificadora. Vemos pães de todos os géneros e feitios, desde aqueles que provavelmente existem até àqueles que provavelmente são inventados porque nunca ninguém no mundo teria uma ideia tão absurda para fazer um pão.

    Os personagens não têm muita caracterização, para além daquela que pode ser dada aos protagonistas e elementos secundários de um shounen. Existem alguns momentos em que a série os impele a ter algum tipo de desenvolvimento, mas a oportunidade que lhes dão é tão idiota que mais valia terem ficado quietos. Porque, afinal, como é que um palhaço se pode revelar o rei do Mónaco, quando Mónaco até é um principado? Em outras ocasiões, a série tenta acrescentar algo de lógico a uma sucessão de piadas (secas), mas existem erros narrativos tão crassos que se torna impossível levar isto a sério. Se ao menos as piadas fossem, efectivamente, engraçadas...

    Outro aspecto é a arte. Um pavor. Erros de anatomia, erros de perspectiva, erros de animação, erros a seguir a erros, coisas básicas tortuosamente erradas e, no geral, uma dor para os bastonetes oculares do pobre que se dê ao trabalho de ver isto.

    Finalmente, a música. Apesar de termos (algumas) EDs engraçadas como música singular, os efeitos sonoros são ridículos e a banda sonora baseia-se essencialmente numa mutilação de peças clássicas conhecidas de todos, sendo reciclada a toda a hora e todo o momento.

    Portanto, horrível. E nem sequer aprendi a fazer pão.


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