• Spring It Con 2017

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    Spring It Con 2017
    Evento

    Confesso que, desta vez, estava ansiosa por ir a este evento. Aconteceram uma série de confusões, claro. Acontecem sempre. Mas, bem ou mal, tudo se conseguiu resolver e fiquei autorizada a colocar-me dentro do bólide automóvel para e dirigir ao IST e participar naquele que, para mim, se tornou no melhor evento do ano até agora!

    O dia começa com um despertar atrasado, após intensa noite de actividades de elevado teor intelectual. Despacho-me. Correndo, correndo. Afinal, estava eu convencida de que a minha pré-avaliação para o concurso de cosplay era antes da uma da tarde. Abano o Qui, o Qui acorda. Gritamos um com o outro que nem duas gaivotas completamente perdidas. Transporto todas as minhas tralhas, desde o cosplay aos props e aos cenários, e cinco viagens até ao carro, convenientemente estacionado à porta de casa. Corro em círculos sem saber o que fazer, acompanhando este sábio exercício com gritos de pânico e bracinhos no ar. E, finalmente, estamos a caminho, comigo transmutada numa perigosíssima condutora que grita a todos os outros viajantes que são lesmas estrambólicas.

    A toda a pressa, dirijo-me para o evento. E a recepção não me agrada, de todo. Para começar, anuncio-me como participante do concurso de cosplay, que é o que, naturalmente, faço sempre que participo. Ao que um grupo de voluntários, ligeiramente enojado por uma cota horrorosa ter interrompido sua mui importante conversa, me responde que tenho de pagar bilhete. Respondo que sei e que são dois. Ao que ficam a olhar para mim como se eu tivesse sido "sei, são mil e quinhentos". Mas lá se resolveu. 

    Desta feita, a entrada para o evento estava colocada de uma forma muito mais inteligente: o acesso era feito directamente para a zona de lojas, sendo que só posteriormente encontraríamos o auditório e o espaço exterior do campo de jogos. Assim, tornou-se muito mais fácil de ver as lojas logo à partida, o que também deve ter sido muito vantajoso para estas. :) Felizmente, o balneário ainda estava no mesmo sítio. E aqui, outro momento desagradável: anuncio-me ao voluntário do bengaleiro, para que me possa abrir a porta. Ele olha para mim e duvida sinceramente que eu seja um ser humano. Pergunta-me: "mas você está vestida?" Claro que a resposta foi: "Mas eu pareço-lhe vestida?" Eu sei que é uma experiência alucinante estar rodeado de adolescentes e de repente aparecer uma passa toda enrugada a participar nas mesmas actividades, mas confunde-me plenamente este tratamento por "você", que de respeitoso não tem nada dentro deste contexto específico. Depois de grande análise à lista dos concorrentes, lá me deixaram entrar.

    Vesti o fato, em alta velocidade. E vou à procura do local da pré-avaliação! Afinal, na minha cabeça, já estava atrasada! Arrepanho uma voluntária que, pobre inocente, me tentou ajudar na melhor das suas possibilidades. Ao que apareceu um membro da organização que, com toda a delicadeza, me diagnostica uma dislexia numérica profunda: o horário que recebi dizia, muito especificamente, que só tinha de estar pronta às 15:10. Não às 13:45.

    Insira-se aqui uma expressão de profundo alívio.

    Portanto, foi tempo para ver o evento, com calma e como deve ser.

    Primeiramente, observámos a cafetaria. Muito completa, com café e refeições quentes a preços bastante agradáveis, descobrimos só ao fim do dia que, ao contrário do que nos tinha sido dito numa outra ocasião sem relação, também serviam jolas. Para o ano, já sei por onde começar o meu dia. :) Depois, passámos às lojas. Fiquei muito agradada por ver a variedade imensa de artigos disponíveis, com lojas que não são de todo comuns neste tipo de eventos (havia uma que até tinha rissóis e chamuças!). Eu, por mim, queria quase tudo. Adorei umas placas de madeira gravadas:havia uma que tinha o meu nome. Mas o bacano que as fazia não tinha cartão... Alguém sabe quem é? :o  Havia uma banca gigante da Ribonita, que se te vindo a tornar uma das minhas artistas portuguesas preferidas. Eu, por mim, queria tudo, mas não tinha dinheiro suficiente. Estava lá a Dr. Kartoon com u,a variedade muito bem escolhida de banda desenhada. Muitas bancas com jóias de suprendente beleza. Action figures e docinhos japoneses. Fiquei encantada! Aqui fica o meu loot de vitória:



    Enquanto isso, comecei o meu plano maléfico. Porque, desta vez, não me quis limitar a fazer um skit! Quis fazer de todo o evento uma grande performance. Assim, a cada pessoa a que tirava fotografia, entregava um folheto. O que continha o folheto? Informação sobre prevenção do suicídio. Porquê? Falaremos disso mais tarde. :)

    Agradeço desde já a todas as pessoas que aceitaram e leram o meu folheto, que espero que tenha sido propositado e esclarecedor. Um pequeno abracinho a todos!

    Depois fomos para o andar superior, onde estava o auditório e os artistas (que são bons artistas). Estava lá um senhor dos comics com desenhos absolutamente fantásticos. Infelizmente, não me pareceu que os estivesse a vender, porque ficariam mesmo bem na minha casa... Aproveitámos e fomos pedir o nosso almoço. Ora, houve aqui um desapontamento profundo: primeiro tinham dito que havia pizzas para todos, graças a um acordo genial que fizeram com a Pizza Hut (o que, de resto, estava muito bem organizado); depois disseram que só havia fatias; depois só havia fatias para os cosplayers, que partilhariam com os helpers; depois só havia DUAS fatias; e depois só havia de fiambre, o que se torna complicado para pessoas como eu que essencialmente não comem carne. Eu bem pedi uma pizza vegetariana. Mas não havia. Era pegar ou largar. Portanto, o nosso almoço foi: para o Qui uma fatia com extra-fiambre; para mim uma fatia com sub-fiambre a apenas queijo. Portanto, foi esgazeados de fome que procedemos a relaxar pelo evento afora. Sugiro que, para a próxima, o pagamento do bilhete pela parte dos participantes seja compensado com uma refeição completa (prato+bebida+sobremesa+café) na cafetaria. :>

    Repare-se que eu insinuei que, sobrando fatias depois de todos terem almoçado, eu me oferecia para comer todas as que sobravam, deixando o fiambre de lado, claro. Mas não deixaram que o meu lado animal viesse ao de cima, o que até é uma coisa boa, pois estou gorda que nem um ouriço do mar.

    Finalmente, chegou a hora da pré-avaliação. Ainda tivemos de esperar algum tempo, que aproveitei a tirar fotografias a todas as pessoas e a participar nos passatempos, mas lá nos dirigiram para uma misteriosa "Sala de Folhas". Com o meu inglês macarrónico, falei com as juradas. Foram muito simpáticas e reviraram todos os pontos do meu fato, enquanto eu explicava os defeitos reconhecidos e as partes boas e como as tinha feito a todas. Infelizmente, o tecto era demasiado baixo para que se visse o meu remo em todo o seu esplendor, mas achei muito engraçado o ar de surpresa quando lhes disse que tinha feito o stencil das letras com tinta de caneta Posco, hehehe. Aproveitei para entregar os meus folhetos às meninas, no momento dos agradecimentos pela atenção (volto a agradecer muito!). Afinal, tudo isto fazia parte do skit.

    Depois, recrutei dois voluntários que, um pouco baralhados mas muito simpáticos, nos ajudaram a transportar todos os cenários para dentro do evento. Mandaram-me fechá-los num sítio chamado "a gaiola", onde os estivemos a montar. Queridos voluntários que me ajudaram a carregar as tralhas, deixo aqui o meu muito obrigada. Eu não sei o vosso nome, mas sei a vossa cara!



    Aliás, falando em voluntários, deve dizer-se que - fora o atrito da entrada - estavam todos muito bem informados e foram sempre muito eficientes e delicados. Adorei a farda dos minions, que os tornava muito fáceis de identificar!

    Montando o cenário, descobriu-se que as chaves de fendas que tinha levado eram demasiado grandes para os meus parafusos, pelo que tivemos de prescindir de uma série deles. Assim, o meu muito sólido cenário passou por mal construído, porque havia partes que se desequilibravam por falta de parafusos. :( Felizmente, nada caiu durante o skit! Os deuses dos skits estiveram do meu lado!

    Quanto aos skits, uma organização fluída e célere (menos célere porque, por mea culpa, tinha deixado o cenário dentro da "gaiola") permitiu que tudo corresse dentro dos eixos e com toda a rapidez. Assisti aos skits quase todos, sendo que o meu preferido foi sem dúvida o da mocita que estava vestida de homenzarrão. O Qui gravou dois deles, aos quais poderão assistir em breve no meu muito renovado Canal de Youtube.

    Quanto ao meu, foi o último. E a verdade é que correu tão bem que me surpreendi a mim própria. Quando entrei no palco, ajudando os voluntários a montar tudo, e me coloquei na posição inicial, parece que a minha alma tinha desaparecido do meu corpo. Fiz tudo conforme ensaiado, mas eu já não era eu. Eu era a Akari. E aqui vem o significado do skit: eu era a Akari que, chegada da sua gôndola a casa de um amigo, encontra a prova de que ele acabou de se suicidar.

    O significado disto tudo foi uma nota breve para toda a comunidade: por vezes temos a nossa vida, feliz e contente, sem preocupações, sendo que não nos apercebemos que as pessoas à nossa volta podem estar mal. Depois, é demasiado tarde. Por isso, tomem atenção aos sintomas. Por isso, estejam lá para os vossos amigos. Quis fazer este skit porque, ultimamente, tenho visto tanta gente com pensamentos negativos nesta comunidade de cosplay, pessoas com pensamentos tóxicos e autofágicos que a qualquer momento podem perder a esperança. E quis fazer isto para lhes dizer que existe esperança. Ela está nas pessoas que vos rodeiam. <3

    Quanto à música, devo dizer que me lembrei precisamente deste skit quando ouvi esta Barcarola de Tchaikovsky na rádio! :p Quem quiser ver o meu skit pode consultar a página do youtube supracitada e , para mais material giro, observar atentamente a minha Página de Cosplay. =D

    Confesso que, no final, eu queria mesmo receber um prémio. Primeiro porque os troféus eram giríssimos e ficavam bem na minha casa. Segundo porque tinha livros incluídos. Terceiro porque queria que o júri tivesse gostado do meu fato, lol. Infelizmente, não me calhou desta vez. Mas não faz mal. As vencedoras eram claras, pois os seus fatos eram perfeitos para as técnicas utilizadas! Como disse, adorei o skit do terceiro lugar. Adorei o dragão do segundo lugar. E o corpete do primeiro lugar... Ui! Daqui, da orelhita! Quanto a mim, tiveram a delicadeza de me apoiar muito, dizendo precisamente quais os defeitos imperdoáveis do meu fato. Agradeço muito por este feedback, que será precioso para o futuro!

    Desta feita houve prémios para toda a gente, com três lugares no pódio para três concursos diferentes, com prémios altamente apetecíveis (livros........ *_* ). Esta distribuição de prémios acaba por ser mais justa e satisfatória para todos, pois assim sentimos que também nós - os menos talentosos - têm alguma esperança, hahaha

    Ah sim! Também consegui falar alguns minutos com a moça estrangeira: afinal, havíamos estado em frente uma da outra em Inglaterra, no Eurocosplay de 2015. Ela não se lembrava de mim, mas foi muito giro recordar as indiossincrasias desse concurso.

    Já não me sobravam folhetos para distribuir, mas ainda tirei mais fotofotos. E aqui vos deixo todas elas! =D

    FOTOFOTO








     Caixinha!!







    Brilha, brilha, lá no céu...

    JOJOOOOO




    Damn, que este gajo era fascinante
     








     Quando o Qui foi entrevistado para saber quem deveria ser o próximo rei da Tuga

    Quando EU É QUE SOU O PRESIDENTE DA JUNTA
     











    Este pessoal dança demasiado bem para o meu sistema nervoso! :o
     


    Desportivo
     


    Juris, jurados e juristas
     
    As vencedoras da scena toda! =D

    E, no final, já estava plena de exaustão. Fui mudar de fato (o Qui ficou à porta, havia meninas nuas), fui arrumar o cenário e despedi-me de todos. Diziam-me que devia vir no dia seguinte, pois haveria prints e outras actividades, mas infelizmente já tinha planos. Ficam, portanto, as excelentes memórias, o bom ambiente, a competição tão séria como relaxada, a oportunidade de conhecer novas pessoas e a chance de falar um pouco com alguns velhos amigos. Pude ter conversas muito interessantes com completos desconhecidos. E pude conhecer um baby que ainda só tinha visto dentro da barriga! ^__________^

    Ainda existem coisas a melhorar, claro. Mas, para mim, foi o evento mais agradável onde estive este ano. Gostava que fizessem outra vez duas versões no mesmo ano! Afinal, o que é bom... Nunca é demais!
  • O Silêncio dos Inocentes

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    O Silêncio dos Inocentes
    Jonathan Demme
    1991
    Filme
    7 em 10

    Depois de ter lido o livro, finalmente o Qui me convenceu de que o filme não metia medo e que, portanto, estava na altura de eu o ver. E, realmente, o filme não mete medo. :)

    É inevitável para mim fazer uma comparação directa entre o livro e o filme. Sem dúvida que é uma excelente adaptação, mas penso que a personagem de Clarice foi um pouco mal caracterizada. A confiança demonstrada no início do filme, sendo que vai regredindo com a progressão da história, é pouco realista para o contexto, sendo que são omitidos alguns elementos de pânico que muito influenciam a sua caracterização no livro. Para além disso, a sua narrativa psicológica influencia o espectador a pensar que algo de terrível e sexual lhe aconteceu, quando não há qualquer evidência disso no livro. A mudança da morte da égua para a morte do borrego também torna o seu lado emocional e frágil bastante redutor. Outros detalhes que eram de importância no livro, como Hannibal Lecter ser polidáctilo, também foram omitidos.

    De resto, não podemos negar que neste livro existe uma grande força motriz, que é o poder dos actores e a forma como estes estão filmados. Os seus diálogos são muito intensos e, com a música adicionada, tornam-se muito perturbadores. A relação entre Clarice e Lecter acaba por tornar uma forma muito sólida, se bem que o final foi pouco satisfatório.

    Outro aspecto que não apreciei muito foi o cenário e ambiente, que era muito pouco claro e quase confuso. A clareza de movimentos no espaço do livro acaba por se tornar muito limitada por excesso de objectos.

    De todos os modos, foi muito interessante ver esta interpretação de uma história que já se tornou um clássico.

    Nota: gostava que tivessem mostrado a razão pela qual Buffalo Bill se tornou psicopata e o método de contenção utilizado em Hannibal Lecter
  • Lovely

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    Lovely
    Frank Ronan
    1996
    Romance

    Esta é uma história de amor um pouco diferente: é ma história de amor no masculino. Já tinha lido alguns livros de Frank Ronan, que se circundam sempre ao tema do amor homossexual (não homoerótico, atenção), mas era muito novita e não percebia nada, portanto detestei-os. Agora, foi uma nova oportunidade, mas mesmo assim não fiquei totalmente satisfeita.

    Aaron conhece John quando estão ambos de férias em Goa, perdidos num mundo de álcool e drogas. Apaixonam-se imediatamente e fazem as suas juras de amor eterno. Mas será que quando voltarem ao seu ambiente normal irá tudo correr bem?

    Este livro é mais que uma história de amor: é quase uma análise de personagem, e da relação que estas podem ter umas com as outras. Aaron e John não podem ser mais diferentes, mas tentam colocar de lado estas diferenças para terem uma vida cheia e feliz. No entanto, tudo se começa a desmoronar quando elas se tornam cada vez mais evidentes, acabando numa apoteose destrutiva. é uma história que analisa a tentativa de um casal com diferenças essenciais tentar formar uma relação duradoura, sendo que neste caso não existe sucesso.

    Também é um livro esclarecedor sobre alguns hábitos de alguma parte da comunidade gay de Londres em meados dos anos 90. Mas, para mim, a parte mais interessante foi sem dúvida a caracterização dos personagens.

    O que me desapontou foi o final inconclusivo. Eu queria muito saber qual a reacção de Aaron e nunca vou saber. De resto, lê-se bem e é bastante divertido.
  • O Sonhador

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    O Sonhador
    Ia McEwan
    1998
    Romance

    Parece que quando os autores se colocam no lugar de crianças sã imediatamente tidos como portadores de prodigiosa imaginação e de capacidade de reflexão. Penso que este livro prova precisamente o contrário.

    Existe um rapazito, tal como todos os outros, que se perde muito rápido nos seus pensamentos, criando histórias fantásticas em que ele é sempre o protagonista. No entanto, este rapaz tão imaginativo imagina quase sempre a mesma coisa: estar noutro corpo. Assim, vemos a perspectiva do autor enquanto rapaz que se vê enquanto gato, bebé ou adulto e assim por diante.

    O personage não possui uma caracterização suficientemente clara para além de "tem dez anos e pensa em muitas coisas fantásticas" para que essa deslocalização do autor possa parecer plenamente realista dentro deste contexto. As histórias são muito desinspiradas e chegam quase sempre à mesma conclusão. A infantilidade do relato retira realismo, pois as crianças admitem tudo menos o facto de serem infantis.

    Parece uma história que se conta a um miúdo, só que esse miúdo se encontra em estado vegetal.
  • Como Se Eu Não Existisse

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    Como Se Eu Não Existisse
    Slavenka Drakulic
    1999
    Relato

    Recebi este livro no BookCrossing. Todos me diziam que era extremamente impressionante e violento. Mas sou obrigada a discordar. Vejamos.

    Esta é uma história na primeira pessoa sobre o conflito dos balcãs. S., uma rapariga normal que é professora numa aldeia, é levada para um campo de concentração, onde ser tornará uma das escravas sexuais dos soldados, acabando por engravidar. Conta a história da sua sobrevivência no campo e dos acontecimentos depois de ser transportada para um campo de refugiados e, depois, de ser recebida como refugiada na Suécia.

    Ora, isto tem tudo para ser aterrorizante, especialmente se considerarmos que, mesmo que esta seja uma história inventada, poderia perfeitamente ter sido possível: estas coisas aconteceram e continuarão a acontecer enquanto houver uma guerra. Para mim, o problema essencial deste livro é o contexto. Desde o início que a autora se convence que o seu leitor está perfeitamente informado sobre todos os aspectos da guerra da Bósnia e que, por isso, consegue compreender tudo o que se está a passar em termos sociais e políticos. Ora, eu só vagamente me lembro que estava a haver uma guerra na Bósnia e que havia uns tipos chamados capacetes azuis (que eu nem sabia o que era, só sabia que eram os bons). Apanhando a história sem o contexto da guerra, a narrativa torna-se absolutamente fria e impessoal.

    Assim, todos os acontecimentos horríveis que nos são relatados são vistos simplesmente na terceira pessoa. A personagem principal não possui uma caracterização suficientemente densa para que possamos sentir as suas emoções como se fôssemos nós próprios a assisti-las.

    A guerra é horrível, sim. Mas quando está despersonalizada, é só mais um telejornal.
  • Kodomo no Omocha

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    Kodomo no Omocha
    Daichi Akitarou - Studio Gallop
    Anime - 102 Episódios
    1996
    4 em 10

    Possivelmente, alguns de vós, queridos animais lunares que me acompanham, já se haviam questionado porque é que eu nunca mais falei sobre anime. A resposta está aqui: estive a ver um anime horroroso dos anos 90, com cento e tal episódios, que nunca mais acabava nem por nada.

    Pois é: às vezes vemos coisas muito boas, mas a maior parte das vezes calham-os coisas que estão no limite do absurdo se pensarmos o quão mal feitas estão. Ora então, o que é isto de "brinquedo de criança"? Uma rapariga muito gira, esperta e engraçada (claro) tem um programa de televisão com este nome. Acompanhamos as suas aventuras e desventuras enquanto criança que apresenta um programa de televisão e, ao mesmo tempo, tem de descobrir uma série de coisas sobre os seus amigos e a sua família, entrando em conflito frequentemente com esta gente toda.

    Trata-se de um fatia-de-vida sem muito que saber, o que pode ser bom. No entanto, este tipo de anime baseia-se sobretudo nos seus personagens. E os personagens de Kodomo no Omocha são absolutamente terríveis. Os designs não fazem qualquer sentido (aquela pessoa com esquilos na cabeça, o quê), as vozes estimulam a infecção dos ouvidos por Otodectes spp. e as personalidades... Bem, que personalidades? Lembram bocadinhos de esferovite.

    Além disso, é o tipo de série de comédia que se baseia no mais básico e redundante de toda a forma de fazer piadas. São cartoons infantis que caem e batem uns nos outros, que gritam uns com os outros e qualquer uma das suas emoções sérias é imediatamente dirigida para um conceito de comédia que não tem lugar dentro desse contexto. Dizem que esta série tem cerca de 30 episódios que são filler, mas sinceramente achei o filler mais engraçado que o conteúdo propriamente dito.

    E a arte? Nem se fale. Erros constantes em todos os campos, desde a anatomia aos cenários, passando pela utilização de luz. Nem o mais horroroso looney toon levou este tratamento de miséria. Também os efeitos sonoros são terríveis, sendo que a série se tenta compensar com uma banda sonora abundante mas, ainda assim, irritante: afinal, as vozes são as mesmas e as letras não fazem sentido nenhum.

    Vade retro a este anime, que foi uma tortura de ver.
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