• Neruda

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    Neruda
    Volodia Teitelboim
    1991
    Biografia

    Para completar o meu projecto de conhecer Pablo Neruda antes de ver o filme de Pablo Neruda, uso uma chave de ouro: uma biografia escrita por um dos seus mais íntimos amigos.

    Este é um livro muito bem escrito, embora estruturalmente confuso. Apesar de o autor relatar a vida de Neruda por ordem cronológica aparecem muitos elementos futuros misturados com coisas do passado e vice versa. Isto é muito bom para caracterizar Neruda enquanto pessoa, mas pode tornar a leitura um pouco confusa.
     
    De resto, descobri uma série de coisas da vida pessoal e política do autor, algumas muito interessantes e outras muito perturbadoras. É curioso ver como um homem que escreve tão belos poemas de amor tem uma vida amorosa tão atribulada e, de certa forma, injusta para as intervenientes, desprezadas, traídas ou simplesmente substituídas por figuras mais jovens. É admirável como elas continuam a afazer parte do círculo íntimo do autor depois destes maus tratos.

    O livro tem muitas citações poéticas, que me ajudam também a completar um pouco da minha percepção sobre Neruda, sobretudo porque muitas destas citações vêm seguidas de uma explicação do seu contexto.

    Um livro precioso, pelo qual agradeço muito o empréstimo!

  • La La Land

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    La La Land
    Damien Chazelle
    2016
    Filme
    4 em 10

    Considerando que este foi o filme que mais nomeações recebeu para os óscares do ano passado, arrebatando não poucos, considerámos necessário vê-lo pare percebermos o que se passou. Aquilo, então, que eu percebo é que ou Hollywood gosta muito de cheirar o seu próprio ânus ou alguém pagou muito bem aos críticos para falarem deste filme. Porque é a coisa mais inana que vi nos últimos tempos.

    A história é vulgar: uma aspirante a actriz apaixona-se por um pianista de jazz que tem o sonho de abrir um bar. Fartam-se de cantar e dançar, corre tudo mal mas depois corre tudo bem. E então? Temos personagens sem conteúdo: a caracterização é fraca e o desenvolvimento é praticamente nulo. Não se compreende como Emma Stone ganhou um óscar perante uma personagem tão plana.
     
    Existe um esforço para caracterizar o mundo Hollywoodesco, utilizando para isso referências infinitas a outros filmes do passado, clássicos com demasiada qualidade para serem simplesmente colocados aqui às três pancadas, quer através do jogo de cores e luzes quer pelo próprio diálogo. Este é infeliz, pois - tal como as personagens que o dizem - não tem conteúdo mental e é, simplesmente, corriqueiro.
     
    Salvam este filme as partes musicais? Não. Apenas o perturbam ainda mais. As músicas são repetitivas, exageradas e existem demasiadas a toda a hora. As danças não estão especialmente bem coreografadas. Sobretudo, os momentos em que as canções aparecem não fazem sentido dentro do contexto.
     
    Ia dar um 6 a este filme, que é o que eu dou ao que me deixa indiferente. Mas o Qui convenceu-me a mudar a nota: afinal, não gostei nem de uma gota deste filme. Na verdade, só queria que ele terminasse rápido para poder ir dormir.

  • Mardock Scramble: The Second Combustion

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    Mardock Scramble: The Second Combustion
    Kudou Susumu - GoHands
    Anime - Filme
    2011
      6 em 10
     
    Depois de vermos o primeiro filme desta saga, o Qui ficou cheio de vontade de ver a continuação. Assim, lá fomos nós em busca dela pelo mundo da internete :> 

    Infelizmente, este filme é bastante inferior ao primeiro. Pode quase dizer-se que se trata de um filme de transição. Pegando precisamente onde a primeira instância nos deixou, começam buscas e salvamentos que, curiosamente, correm sempre demasiado bem. Temos muito menos cenas que potenciem acção e, assim, momentos de animação mais dinâmicos. Os personagens também parecem sofrer um retrocesso no seu desenvolvimento: fará sentido que, depois das acções que vimos anteriormente, esteja simplesmente "tudo perdoado"?

    Em compensação, temos um cuidado extremoso nos cenários, com situaçlões muito belas e muito bem adaptadas ao universo que nos está a ser apresentado, sem nunca perder uma certa aura de cyberpunk.

    É uma pena que este filme não tenha sido um pouco mais dinâmico e tenha muitos momentos que vão contra qualquer lógica.

    Resta-nos ver o terceiro e saber o que vem daí.

  • Confesso que Vivi

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    Confesso que Vivi
    Pablo Neruda
    1974
    Auto-biografia

    Estou quase a finalizar o meu pequeno projecto de "conhecer Pablo Neruda e a sua obra antes de ver o filme sobre o Pablo Neruda". Um amigo BookCrosser fez-me o favor de me enviar este livro. Trata-se de uma auto-biografia do autor, em que ele fala de pequenos episódios da sua vida e como estes podem ter influenciado a sua poesia.

    Neruda parece, através deste livro, uma pessoa muito simpática e disponível, que foi injustamente perseguida por ideais pelos quais nem sequer se manifestou violentamente: a única coisa errada que ele fez foi escrever poesia. Conta-nos neste livro episódios da infância e da juventude (por exemplo, não sabia que tinha sido cônsul chileno na Ásia), referido pessoas e eventos com os quais fez amizde e o marcaram de alguma forma.

    No entanto, deve dizer-se que o autor escreve poesia muito melhor do que prosa. Existem, por exemplo, elementos que são enumerados num parágrafo para depois só um deles ser explicado no seguinte. E outros pequenos erros estilísticos.

    Para além disso, há capítulos demorados em que o autor faz tanto o elogio como a depreciação de pessoas específicas que nós, não conhecendo, não poderemos achar relevante.
     
    Foi uma boa maneira de ficar a conhecer a personalidade do autor. Agora só me resta uma biografia oficial, que já estou a ler, para fechar o meu mini-projecto. :)

  • As Asas do Desejo

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    As Asas do Desejo
    Wim Wenders
    1987
    Filme
    7 em 10

    Celebrando o trigésimo aniversário deste filme, foi reposto no cinema da biblioteca aqui perto de casa. Fomos vê-lo e, diga-se, a sala estava cheia! Nunca tinha visto aquele auditório assim!

    Os anjos andam entre nós, observando-nos, ouvindo os nossos pensamentos, documentando a humanidade desde o seu surgimento no planeta. Mas existe um anjo que, neste momento, não se consegue conformar. O seu maior desejo é sentir as coisas, poder agarrar nas coisas, poder descalçar os sapatos. Como se fosse um ser humano. A sua decisão torna-se cada vez mais forte quando toma um especial interesse por uma trapezista frustrada. Será que esta história de amor vai vingar?

    É um filme pleno de detalhes que permitem leituras diversas e interpretações muito pessoais. Afinal, o que significam os anjos? Porque é que eles só vêm a preto e branco? Como sentem as emoções das pessoas, se a eles não é permitido ter emoções? É uma perspectiva um pouco assustadora, pensar que está sempre alguém aqui ao lado a ouvir os nossos pensamentos. Mas também é um pouco triste pensar que, estando eles aqui, não podem fazer nada. Não podem agir. Não podem intervir.

    Os cenários são os do muro de Berlim antes da sua queda. Imagens tristes, decadentes, apodrecidas mas, apesar de tudo, muito contemplativas. O autor consegue mostrar-nos o mundo pelos olhos dos anjos e isso tem o poder de nos transportar para um universo que, existindo ou não, nos deixa um vazio no coração.

    É um filme bonito mas, aparentemente, dividido em duas partes. Agora terei de ver a segunda.

  • O Sétimo Selo

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     O Sétimo Selo
    Ingmar Bergman
    1957
    Filme
    9 em 10

    Desde que ouvi dizer que havia um filme sobre um homem que jogava xadrez com a morte, tive logo imensa vontade de o ver. Esse momento aconteceu agora e, devo dizer, foi o filme mais brilhante que vi nos últimos tempos!

    O tempo é o da peste. O homem é um cruzado que volta para o seu castelo após dez anos na guerra, acompanhado pelo seu escudeiro. No dia em que a Morte o visita, ele propõe-lhe um acordo: jogar xadrez. Se ganhar, a Morte o deixará em paz. Mas quem poderá ganhar contra a Morte?

    Este é um filme com leituras diversas e uma complexidade narrativa tão rara como delicada. O homem busca o significado de deus, em busca do conforto que a vida ainda lhe poderá trazer, enquanto o jogo de xadrez não termina. Enquanto os dois homens viajam por aldeias consumidas pela peste e pelo medo dos demónios, conhecem uma série de pessoas que os acompanham, que os acompanham até à fatalidade.

    Apesar de tudo, é um filme pleno de humor e pequenos detalhes que, como uma reflexão do que é negro e assustador, trazem um um brilho discreto aos personagens e às situações, que se sucedem num perfeito equilíbrio entre o horror pessoal e a ambição pela vida.

    As imagens são de extrema beleza, um preto e branco maravilhoso que faz um uso perfeito da edição, dos planos e da variedade de sombras que se podem encontrar no mundo. Espantoso como como os recursos da época foi feita tão bela recriação de um ambiente tão antigo, com imagens emocionantes e tantas vezes comoventes.

    Este é um filme que demonstra um equilíbrio perfeito entre todos os componentes que fazem o cinema. Um exemplo primordial do que ainda pode ser feito.

  • Circuito Habitual

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    Circuito Habitual
    Teatro Extremo
    2017
    Teatro

    Fui ao teatro com uma amiga! Esta peça está ainda no Teatro Estúdio António Assunção, pelo que recomendo vivamente que, havendo tempo, passem por lá para a verem. Afinal, foi uma peça surpreendente, de que gostei imenso!

    Num ambiente de distopia, um pouco recordatório de 1984, um homem faz denúncias daqueles que se manifestam contra o sistema, encaminhando-as pelo "circuito habitual". Mas hoje ele é chamado pelo seu novo superior: afinal, existe uma quantidade inusitada de queixas redigidas contra o próprio denunciador!

    O texto desta peça é interessantíssimo, assim como a forma como a encenação no-lo mostra. Temos um cenário minimalista mas muito eficiente e com alguma complexidade, que é usado na sua totalidade para transmitir um sentimento de opressão e, um pouco, terror. Também a sonoplastia contribui muito para este ambiente: se ao início parece estranha, como se houvesse algum erro a nível do sistema sonoro, rapidamente se entranha e dá toda uma outra dimensão à peça.

    Achei apenas que os actores poderiam ter tido uma melhor prestação, sobretudo o mais jovem. A sua dicção não era muito boa, pelo que se perdeu um pouco de detalhe do texto.

    De todos os modos, até gostava de ir ver esta peça outra vez, com outras pessoas! Recomendo vivamente!

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