• Festa no Covil

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    Festa no Covil
    Juan Pablo Villalobos
    2010
    Novela

    Começo a ler os livros que me ofereceram pelo meu aniversário (aniversário!). Este foi o Qui que me ofereceu, escolhido com todos os cuidados que Qui tem em escolhas. :) Trata-se de um livro curtinho, com apenas 80 e poucas páginas, mais uma novela do que um romance. É o primeiro livro de um autor Mexicano em ascendência e, para primeira obra, é um trabalho divertido e bem curioso.

    Narrado na primeira pessoa, conta as aventuras e desventuras de um rapazinho que, de entre todas as coincidências, é filho de um barão da droga. Assim, a sua forma de ver o mundo é bastante diferente da das outras crianças. Tem uma colecção de chapéus tão vasta que precisa de um quarto só para ela e o seu sonho é ter um hipopótamo anão do Líbano para a sua colecção de animais.

    O discurso é muito divertido, porque é narrado por uma criança pequena (embora nunca saibamos exactamente a sua idade). Ele considera-se um prodígio porque conhece uma série de palavras ditas "difíceis", que repete constantemente na sua narrativa. No entanto, acaba por ser uma criança simplesmente inadaptada, pois não tem contacto com os seus pares e vive rodeado por um ambiente de perigo e constante suspeita. Ainda assim, há uma confiança cega naqueles que o rodeiam e, de certo modo, quase podemos dizer que este miúdo tem uma vida feliz.

    É uma suposição muito grande pensar como seria a infância no palácio do cartel da droga, mas é uma ideia bem concebida e muito bem executada. Fala mais sobre as alegrias da infância, mas de uma perspectiva um pouco perversa.

    Um livro divertido, simples, que me arrancou sorrisos bastantes. Obrigada, Qui :)
  • Em Busca do Tempo Perdido 7 - O Tempo Redescoberto

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    Em Busca do Tempo Perdido 7 - O Tempo Redescoberto
    Marcel Proust
    1927
    Romance

    Parece que, portanto... Descobri o Tempo Perdido! Pois é... Terminei a grande saga! E devo dizer que não foi nada tão difícil como esperava, porque foi uma leitura absolutamente deliciosa! =D

    Ora, neste último volume o Narrador continua à procura de um tempo que já se perdeu. E tudo está bem, até que começa a Primeira Guerra Mundial. Nessa altura parece que todos os homens jovens são deslocados para as trincheiras, restando os doentes, como ele, e os velhos. Assim, ele assiste a algumas coisas ligeiramente escabrosas, quase todas protagonizadas pelo Sr. de Charlus.

    Mas depois, e aqui está o génio disto tudo!, ele afasta-se para casas de repouso, para regressar anos mais tardes. E nessa altura... O tempo! O tempo que estava perdido! Onde está ele? Estão todos velhos. Velhos, horrendos, acabados. Os salões que encantavam o narrador no passado perderam todo o seu brilho, todas as pessoas reaparecem como peçonhentas, sem interesse. Finalmente o autor percebe que o mundo em que vivia nunca foi real: não era aí que ele iria encontrar o tempo que se perdeu. Agora, perto da morte, é que fianlmente percebemos como nada disto faz sentido.

    O narrador compreende que nada disto faz sentido.

    E isto, senhores, isto é brilhante!

    Recomendo vivamente a todos que tenham a aventura de, pelo menos, experimentar este romance em 7 volumes. É simplesmente fabuloso!
  • Aria The Avennire

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    Aria The Avennire
    Satou Junichi - TYO Animations
    Anime OVA - 3 Episódios
    2015
    7 em 10

    Quem me conhece terá o conhecimento breve de que eu adoro a série Aria. Para mim, foi uma série que me marcou muito, talvez por aparecer nessa fase da vida, que me trouxe uma calma imensa e que me fazia chorar só de olhar para a beleza das imagens e das atitudes dos personagens. Assim, foi com grande motivação que recebi a notícia de que iria sair um OVA especial para celebrar os 10 anos da série. No entanto, este OVA de três episódios, que saíram com grande espaço temporal entre eles, acabou por me desapontar um pouco.

    Neste OVA, Akari, a nossa Undine predilecta (pelo menos a minha!) já é crescida e lidera a Aria Company dentro das suas possibilidades. Tem uma pupila, a Ai, a quem irá mostrar todas as maravilhas de Neo-Veneza. No primeiro episódio recordamos um pouco da amizade entre as mestras, no segundo episódio acontecimentos com aquele gato mágico e no último episódio há uma espécie de reencontro entre todas.

    É um anime de aspectos calmos e contemplativos, que nos leva para um mundo de magia dentro da realidade do contexto. Infelizmente, não há muita exploração das personagens antigas, que pouco encontram dentro de si próprias excepto o "encontro" com suas amigas e não há qualquer caracterização das personagens novas.

    Para além disso a arte foi simplesmente desapontante. Logo a primeira imagem que temos é um CGI maldoso e, para além disso, não há foco no ambiente circundante e cenários, sendo que também parece haver pouco esforço nos novos designs dos personagens.

    Apesar de tudo, é uma série que amo do coração e... Posso dar-vos a novidade de que o cosplay de Aka vai sair no próximo ano :)

  • Reflexões Sobre a China

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    Reflexões Sobre a China ou As Atribulações de um Ocidental no Ocidente
    Álvaro Guerra
    1976
    Ensaio

    O último dos livros que apanhei no jardim. Agora, já enviei um e-mail para a biblioteca que organizou a iniciativa a saber o que devo fazer com estes livros (devolvê-los? Libertá-los?). Espero que sejam simpáticos... ;___;

    Este micro-livro é um pequeno ensaio sobre a experiência do autor na China, no ano da morte de Mao Tse-Tung. O livro fala brevemente de alguns aspectos de todos conhecidos nos dias de hoje, como as manifestações culturais, a política de natalidade, a política marxista-leninista, etc. Também inclui uma cronologia bastante detalhada da história da China do século XX, o que é de interesse para quem goste do tema.

    No meu caso, esperava um certo manifesto de apoio ao país de então, o que não acontece de todo. Ao iniciar a leitura, após o prefácio, esperava também alguns detalhes sobre a vida das pessoas na China, de uma forma um pouco mais pessoal e menos ligada à política, o que acabou por não acontecer.

    De todos os modos, é um livro minúsculo que se lê num par de horas e nos dá uma ideia bastante concreta dos ideais políticos deste país, nesta época.

    Notei agora que o título é um pouco estranho. Não deveria ser "atribulações de um ocidental no oriente"? :p

  • A Enfermaria Nº6 e Outros Contos

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    A Enfermaria Nº6 e Outros Contos
    Anton Tchekov
    Contos
    1880s

    Outro livro apanhado aleatoriamente num jardim!

    Já havia lido um dos contos deste volume, mas voltar a Thekov é sempre e sempre um imenso prazer. Este senhor escreve com uma naturalidade indescritível, relatando-nos acontecimentos da vida normal da Rússia do século XIX sem qualquer tipo de pretensão. O autor limita-se a narrar-nos os acontecimentos, descrevendo tudo com destreza e clareza, sempre com uma certa dose de humor que, bem disfarçada, acaba por se tornar evidente na forma como cada história se torna prazerosa para o leitor.

    Este livro tem nove contos:

    "A Enfermaria Nº6" fala-nos de um médico pouco adequado à cidade que o rodeia que acaba por encontrar companhia na presença de um louco, tornando-se ele próprio louco. Há aqui uma belíssima desconstrução de personagem, que passa rapidamente da normalidade à maluquice, sem nunca compreender exactamente qual o seu verdadeiro problema.

    "Vizinhos" não me marcou, sendo que "Dô-Doce" nos mostra uma personagem fascinante pela sua incapacidade de resistir à manipulação emocional e intelectual. 

    "Um Assassinato" é um conto longo sobre a vida familiar de um grupo de religiosos um pouco histéricos e vale mais pelas descrições dos seus ritos. 

    Todas as histórias seguntes ("O Mendigo", "Sem Título", "O Adulador", "A Boticária" e "Uma Corista") são muito curtas mas, de todos os modos, fascinantes na forma como inesperadamente os personagens são diferentes do que aquilo que esperamos, sempre com uma pequena veia cómica pulsando na escrita do autor.

    Enfim, Tchékov nunca desaponta!
  • Caminhos Cruzados

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    Caminhos Cruzados
    Érico Veríssimo
    1935
    Romance

    Outro dos livros que apanhei no jardim!

    Já era tempo de ler um pouco de Érico Veríssimo, autor brasileiro que, a todo o propósito, é do meu estado brasileiro. Curiosamente, a linguagem é bastante diferente da outra literatura do país que havia lido até agora, pelo que nesse campo foi uma experiência muito revigorante.

    No decurso de cinco dias da semana, o autor mostra-nos pequenos laivos da vida de um grupo de pessoas que, não se conhecendo todas umas às outras, estão interligadas pelas circunstâncias. O livro faz um certo manifesto na comparação entre a realidade literária dos romances, que os personagens lêem, com a vida verdadeira destes. Como é lógico, as coisas da vida real não correm de todo como nos livros.

    Os personagens, esses, são a melhor parte. Vívidos, realistas, cada um com uma vida, personalidade e percursos bem definidos. Isto leva-nos a que nos identifiquemos muito com todos e, assim, queiramos sempre a melhor conclusão para as suas histórias. Mas a conclusão acaba por não ser muito satisfatória, porque acaba por não existir. Cada dia passa e mais dias se passarão, mas de certa forma gostaríamos de saber qual será o futuro remoto de toda esta gente.

    Um livro que achei delicioso e que me deu muita vontade de repetir o autor em grandes doses. :)

  • O Último Dia de Um Condenado

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    O Último Dia de Um Condenado
    Victor Hugo
    1829
    Romance

    No mesmo dia em que encontrei aqueles livrinhos abandonados que falei antes, fui passear com o Qui a um jardim em Lisboa. Subitamente... "Achei um livro, este é meu!", diz o Qui! E à medida que fomos vendo o jardim... Fui encontrando cada vez mais livros! Trouxe quase todos, até que descobri que fazia tudo parte de uma libertação em massa ao estilo BookCrossing, mas organizado pela biblioteca da zona :)

    Li este primeiro e devo dizer que gostei bastante.

    Trata-se de uma reflexão sobre a pena de morte e o desespero que pode daí advir, narrada pelo próprio condenado nos momentos que precedem a sua execução. O autor narra, através deste personagem anónimo, os horrores da prisão para trabalhos forçados e a serenidade que um homem pode manter perante semelhante situação, que se vai desfazendo à medida que o momento fatal se aproxima. É interessante e belo ler os sentimentos do personagem em constante mutação, desde a aceitação inicial, ao pensamento da fuga, passando pelo desespero final em que há um último pedido de absolvição.

    A situação que mais me tocou terá sido, sem dúvida, o momento em que o narrador se encontra com a sua filha de três anos, que não o reconhece, estabelecendo assim uma divisão profunda entre o condenado e aquilo que lhe resta da humanidade do seu passado.

    Como extra, temos um conto curto chamado "Claude Gueux", em que o autor faz um breve manifesto sobre a necessidade actual (dentro da época) de educar as populações de forma a evitar crimes, estabelecendo a realidade num personagem que deita tudo a perder devido à sua própria simplicidade. De certa forma, semelhantes palavras ainda se mantém actuais: se educarmos, reduziremos certamente todos os crimes. Não poderei é concordar na bíblia como livro essencial, mas prontes, deixa estar, é o século XIX em França.

    Agora não sei o que fazer com o livro, se o hei-de por a circular, se o devolvo à biblioteca, se o liberto no mesmo sítio... Ideias? :)

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