Aria The Avennire
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Aria The Avennire
Satou Junichi - TYO Animations
Anime OVA - 3 Episódios
2015
7 em 10
Quem me conhece terá o conhecimento breve de que eu adoro a série Aria. Para mim, foi uma série que me marcou muito, talvez por aparecer nessa fase da vida, que me trouxe uma calma imensa e que me fazia chorar só de olhar para a beleza das imagens e das atitudes dos personagens. Assim, foi com grande motivação que recebi a notícia de que iria sair um OVA especial para celebrar os 10 anos da série. No entanto, este OVA de três episódios, que saíram com grande espaço temporal entre eles, acabou por me desapontar um pouco.
Neste OVA, Akari, a nossa Undine predilecta (pelo menos a minha!) já é crescida e lidera a Aria Company dentro das suas possibilidades. Tem uma pupila, a Ai, a quem irá mostrar todas as maravilhas de Neo-Veneza. No primeiro episódio recordamos um pouco da amizade entre as mestras, no segundo episódio acontecimentos com aquele gato mágico e no último episódio há uma espécie de reencontro entre todas.
É um anime de aspectos calmos e contemplativos, que nos leva para um mundo de magia dentro da realidade do contexto. Infelizmente, não há muita exploração das personagens antigas, que pouco encontram dentro de si próprias excepto o "encontro" com suas amigas e não há qualquer caracterização das personagens novas.
Para além disso a arte foi simplesmente desapontante. Logo a primeira imagem que temos é um CGI maldoso e, para além disso, não há foco no ambiente circundante e cenários, sendo que também parece haver pouco esforço nos novos designs dos personagens.
Apesar de tudo, é uma série que amo do coração e... Posso dar-vos a novidade de que o cosplay de Aka vai sair no próximo ano :)
By : ladyxzeus
Reflexões Sobre a China
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Reflexões Sobre a China ou As Atribulações de um Ocidental no Ocidente
Álvaro Guerra
1976
Ensaio
O último dos livros que apanhei no jardim. Agora, já enviei um e-mail para a biblioteca que organizou a iniciativa a saber o que devo fazer com estes livros (devolvê-los? Libertá-los?). Espero que sejam simpáticos... ;___;
Este micro-livro é um pequeno ensaio sobre a experiência do autor na China, no ano da morte de Mao Tse-Tung. O livro fala brevemente de alguns aspectos de todos conhecidos nos dias de hoje, como as manifestações culturais, a política de natalidade, a política marxista-leninista, etc. Também inclui uma cronologia bastante detalhada da história da China do século XX, o que é de interesse para quem goste do tema.
No meu caso, esperava um certo manifesto de apoio ao país de então, o que não acontece de todo. Ao iniciar a leitura, após o prefácio, esperava também alguns detalhes sobre a vida das pessoas na China, de uma forma um pouco mais pessoal e menos ligada à política, o que acabou por não acontecer.
De todos os modos, é um livro minúsculo que se lê num par de horas e nos dá uma ideia bastante concreta dos ideais políticos deste país, nesta época.
Notei agora que o título é um pouco estranho. Não deveria ser "atribulações de um ocidental no oriente"? :p
By : ladyxzeus
A Enfermaria Nº6 e Outros Contos
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A Enfermaria Nº6 e Outros Contos
Anton Tchekov
Contos
1880s
Outro livro apanhado aleatoriamente num jardim!
Já havia lido um dos contos deste volume, mas voltar a Thekov é sempre e sempre um imenso prazer. Este senhor escreve com uma naturalidade indescritível, relatando-nos acontecimentos da vida normal da Rússia do século XIX sem qualquer tipo de pretensão. O autor limita-se a narrar-nos os acontecimentos, descrevendo tudo com destreza e clareza, sempre com uma certa dose de humor que, bem disfarçada, acaba por se tornar evidente na forma como cada história se torna prazerosa para o leitor.
Este livro tem nove contos:
"A Enfermaria Nº6" fala-nos de um médico pouco adequado à cidade que o rodeia que acaba por encontrar companhia na presença de um louco, tornando-se ele próprio louco. Há aqui uma belíssima desconstrução de personagem, que passa rapidamente da normalidade à maluquice, sem nunca compreender exactamente qual o seu verdadeiro problema.
"Vizinhos" não me marcou, sendo que "Dô-Doce" nos mostra uma personagem fascinante pela sua incapacidade de resistir à manipulação emocional e intelectual.
"Um Assassinato" é um conto longo sobre a vida familiar de um grupo de religiosos um pouco histéricos e vale mais pelas descrições dos seus ritos.
Todas as histórias seguntes ("O Mendigo", "Sem Título", "O Adulador", "A Boticária" e "Uma Corista") são muito curtas mas, de todos os modos, fascinantes na forma como inesperadamente os personagens são diferentes do que aquilo que esperamos, sempre com uma pequena veia cómica pulsando na escrita do autor.
Enfim, Tchékov nunca desaponta!
By : ladyxzeus
Caminhos Cruzados
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Caminhos Cruzados
Érico Veríssimo
1935
Romance
Outro dos livros que apanhei no jardim!
Já era tempo de ler um pouco de Érico Veríssimo, autor brasileiro que, a todo o propósito, é do meu estado brasileiro. Curiosamente, a linguagem é bastante diferente da outra literatura do país que havia lido até agora, pelo que nesse campo foi uma experiência muito revigorante.
No decurso de cinco dias da semana, o autor mostra-nos pequenos laivos da vida de um grupo de pessoas que, não se conhecendo todas umas às outras, estão interligadas pelas circunstâncias. O livro faz um certo manifesto na comparação entre a realidade literária dos romances, que os personagens lêem, com a vida verdadeira destes. Como é lógico, as coisas da vida real não correm de todo como nos livros.
Os personagens, esses, são a melhor parte. Vívidos, realistas, cada um com uma vida, personalidade e percursos bem definidos. Isto leva-nos a que nos identifiquemos muito com todos e, assim, queiramos sempre a melhor conclusão para as suas histórias. Mas a conclusão acaba por não ser muito satisfatória, porque acaba por não existir. Cada dia passa e mais dias se passarão, mas de certa forma gostaríamos de saber qual será o futuro remoto de toda esta gente.
Um livro que achei delicioso e que me deu muita vontade de repetir o autor em grandes doses. :)
By : ladyxzeus
O Último Dia de Um Condenado
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O Último Dia de Um Condenado
Victor Hugo
1829
Romance
No mesmo dia em que encontrei aqueles livrinhos abandonados que falei antes, fui passear com o Qui a um jardim em Lisboa. Subitamente... "Achei um livro, este é meu!", diz o Qui! E à medida que fomos vendo o jardim... Fui encontrando cada vez mais livros! Trouxe quase todos, até que descobri que fazia tudo parte de uma libertação em massa ao estilo BookCrossing, mas organizado pela biblioteca da zona :)
Li este primeiro e devo dizer que gostei bastante.
Trata-se de uma reflexão sobre a pena de morte e o desespero que pode daí advir, narrada pelo próprio condenado nos momentos que precedem a sua execução. O autor narra, através deste personagem anónimo, os horrores da prisão para trabalhos forçados e a serenidade que um homem pode manter perante semelhante situação, que se vai desfazendo à medida que o momento fatal se aproxima. É interessante e belo ler os sentimentos do personagem em constante mutação, desde a aceitação inicial, ao pensamento da fuga, passando pelo desespero final em que há um último pedido de absolvição.
A situação que mais me tocou terá sido, sem dúvida, o momento em que o narrador se encontra com a sua filha de três anos, que não o reconhece, estabelecendo assim uma divisão profunda entre o condenado e aquilo que lhe resta da humanidade do seu passado.
Como extra, temos um conto curto chamado "Claude Gueux", em que o autor faz um breve manifesto sobre a necessidade actual (dentro da época) de educar as populações de forma a evitar crimes, estabelecendo a realidade num personagem que deita tudo a perder devido à sua própria simplicidade. De certa forma, semelhantes palavras ainda se mantém actuais: se educarmos, reduziremos certamente todos os crimes. Não poderei é concordar na bíblia como livro essencial, mas prontes, deixa estar, é o século XIX em França.
Agora não sei o que fazer com o livro, se o hei-de por a circular, se o devolvo à biblioteca, se o liberto no mesmo sítio... Ideias? :)
By : ladyxzeus
O filho de mil homens
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O filho de mil homens
Valter Hugo Mãe
2011
Romance
Recebido num Ring do BookCrossing, foi mais uma experiência com Valter Hugo Mãe. Dizia eu que gostava imenso deste autor, mas ultimamente os livros que tenho lido dele têm sido um pouco desapontantes.
Neste caso, é um livro sobre a família e sobre como qualquer grupo de pessoas pode constituir uma família desde que gostem umas das outras. Mais uma vez, é passado numa aldeia anónima, perdida num passado anónimo e difícil de situar. Porque estas pessoas têm tractores mas não têm telefones. Mais uma vez há uma insistência na falta de sentido das tradições seculares do nosso país, mas considerando que não conseguimos situar a narrativa no tempo, é um pouco difícil entender quais as verdadeiras opiniões destas pessoas.
O autor mostra de forma violenta como todas as pessoas "renegadas" pelas suas opções amorosas e sexuais são tratadas neste universo, que tem muito de inventado e pouco realismo para que possamos sentir alguma emoção pelos personagens. Algumas pessoas referem o quão maldoso o autor é perante a homossexualidade (tema constante ao longo de todo o livro), mas isso pareceu-me ser parte da sua intencional crítica social, que se pode perder um pouco devido à linguagem do livro.
Esta, é um pouco infantil demais considerando a idade de todos os personagens. O rapaz de 14 anos parece ter 6, a menina de 7 parece ter 15. É tudo muito difuso e escrito como se o autor contasse uma história para adormecer.
Li-o num instante e, subitamente, acho que VHM já não é o meu escritor português preferido da actualidade.
By : ladyxzeus
Uma Vida Imaginária
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Uma Vida Imaginária
David Malouf
1978
Romance
Recebido num BookRing do BookCrossing :)
Foi a minha primeira experiência com este autor, que é tido por muitos como fundador de novas correntes filosóficas sobre a vida moderna em geral. Foi uma experiência quase transcendental: fui quase obrigada a ler este livro muito devagarinho, apenas para o poder saborear melhor.
O poeta romano Ovídio foi exilado para um lugar do qual não se sabe muito. O autor situa-o numa montanha, mas junto ao mar. Ovídio não conhece a língua local, não pode comunicar. E reflecte muito sobre a vida e sobre o seu lugar no mundo. Quando adopta uma criança selvagem, que vivia na floresta como um animal, começa a redescobrir uma língua que antes só via nos seus sonhos infantis. E isso leva a que ele descubra muito sobre si próprio e sobre a sua relação com o mundo que o rodeia.
Estas conclusões são belas, é um encontro do homem com a activa passividade da natureza, o encontro daquele que apenas sabia falar com um mundo real que é feito de silêncios e ruídos que não constituem palavras. O personagem, através da Criança, encontra um eu interior que estava perdido desde o momento da sua maturidade. Parece haver uma quebra entre os momentos em que Ovídio via a Criança e quando deixou de a encontrar. Agora, estão juntos de novo.
Esta conclusão pode dar-nos muitas ideias sobre o que fazer com as nossas próprias vidas. O encontro da criança interior, a perda da linguagem. A eventual ligação, fatídica, com o mundo em nosso redor. A felicidade por nos encontrarmos nesse lugar.
Por isto é que o livro é considerado como revolucionário. Porque nos mostra a realidade por uma perspectiva que está lá, que evidentemente está lá, mas que sempre nos recusamos a ver. Procurarei, agora, ser um pouco mais como Ovídio. Espero que leiam este livro e tentem sê-lo um pouco também :)
By : ladyxzeus

