Straight Outta Comton
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Straight Outta Compton
F. Gary Gray
2015
Filme
7 em 10
Fui para este fiulme sem qualquer expectativa e, sobretudo, sem qualquer conhecimento sobre o que se ia passar e sobre o que se passou. Este é um filme biográfico sobre os membros do revolucionário grupo N.W.A, que deu toda uma nova perspectiva sobre o hip-hop em meados dos anos 80.
Devo dizer que adorei o filme e todos os seus detalhes, porque as músicas me apaixonaram, logo à primeira vista. Se não fosse a banda sonora e o conhecimento que o filme me deu sobre este tipo de tribo urbana e cultura alternativa, acho que me teria aborrecido logo.
O filme mostra o início do grupo e os eventos que podem ter influenciado as suas músicas. Ficamos a perceber que este grupo não busca incitar a violência: as letras duras, cheias de sangue e vinho verde, são apenas um reflexo da humanidade em que vivem estas pessoas. Isto é, a música não procura puxar a violência, mas antes servir como escapatória para esta. Porque por mais que as letras falem de sub-machines, bitches e gente que vai morrer, tudo isso é apenas uma imagem espelhada daquilo que estes artistas viveram na sua juventude.
As cenas escolhidas para ilustrar cada música são perfeitas, sendo que acabam por explicar um pouco do que está por trás das letras. Ainda assim, estas são a melhor parte. Consideremos que temos um grupod e jobens da zona mais perigosa da mais perigosa das cidades da América. E que não têm muita educação e falam em gíria do guetto e tudo o mais. Então, estes rapazes devem ter tido uma musa do génio para os ensinar a escrever estas letras. Ou então são mesmo eles próprios génios, o mais provável. Porque misturado com todo aquele linguajar que só as pessoas da zona conhecem, está pura poesia. Amei!
Talvez a parte do filme que me tenha deixado ficar mais de pé atrás tenha sido a caracterização dos personagens. É certo que o mais provável é que todos estes miúdos tenham sido inocentes à sua maneira, mas ainda assim acredito que as suas atitudes na generalidade tenham sido ligeiramente diferentes da imagem platónica e meio apatetada que nos deram, como se se mantivessem sempre como crianças grandes e iludidas pelos sonhos. Também parece, segundo Qui, que a causa da morte de Eazy-E não ficou muito bem explicada...
Mas, no geral, foi um filme de que gostei imenso e que me deixou com imensa vontade para ir ouvir estas músicas todas e dizer yo!
By : ladyxzeus
Soredemo Sekai wa Utsukushii
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Soredemo Sekai wa Utsukushii
Kamegami Hajime - Studio Pierrot
Anime - 12 Episódios
2014
6 em 10
Kamegami Hajime - Studio Pierrot
Anime - 12 Episódios
2014
6 em 10
Este é o tipo de anime que não se propõe a muita coisa, mas que acaba por ser uma boa fonte de entretenimento, pelo menos no campo do shoujo.
Nike é uma princesa do Principado da Chuva, que é afastada do seu reino para se casar com o misterioso Rei Sol. Quando lá chega vem-se a descobrir que o poderoso rei não passa de um miúdo pequeno, apesar de ter bastante maldade concentrada. Este, quer que Nike use o seu poder para chamar a chuva, para fins lúdicos. E assim se vai criando uma história de amor.
Talvez cause uma certa confusão a diferença de idades, mas acho que como é um rapazinho em vez de uma menininha não há problema absolutamente nenhum, oh não, de todo.......
As personagens estão estabelecidas apenas dentro do seu limite estereotipado, pelo menos todas aquelas além do dueto principal. Estes dois têm um pouco mais de caracterização, mas à medida que a série avança podemos ver as suas fragilidades, sobretudo quando estão em relação uns aos outros ou em sua oposição (por exemplo, Nike e as irmãs)
A animação não é nada de extraordinário, sobretudo considerando que o anime é muito recente (com apenas dois anos em relação à data presente). As cores são vivas, mas poderia ter havido mais atenção em relação aos cenários e, sobretudo, aos designs, já que nenhum deles nos remete para a época em que o anime é suposto passar-se e há mesmo referência a coisas como "fotografias" (que nunca deveriam existir neste contexto...)
Já a música, sinto-me dividida. A verdade é que, apesar de OP e ED pouco inspiradoras, temos um tema recorrente que é muito interessante em termos musicais. No entanto, é repetido ad nauseum ao longo de todos os episódios de toda a série, pelo que este excesso acaba por se tornar cansativo. Para mais, também não nos remeteppara esta época, em que não deveria haver sintetizadores para fazer músicas recheadas do mais typical engrish.
Ainda assim, deu-me um certo gosto ver este anime. É mediano, mas vê-se bem e acaba por ser uma experiência bastante alegra.
By : ladyxzeus
Flag
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Flag
Takahashi Ryosuke - The Answer Studio
Anime OVA - 13 Episódios
2006
7 em 10
Este anime já tinha aparecido várias vezes para ver no meu clube, mas eu sempre tinha adiado essa decisão por achar, por alguma razão inexplicável, que não ia gostar. Desta vez decidi, então, dar-lhe uma oportunidade e.... Não fiquei mesmo nada desapontada!
É um anime realizado de forma original e prática, com um contexto muito interessante para o qual estava preparada, talvez devido à recente leitura de Fúria. É um anime que segue um par de fotojornalistas Japoneses que estão a fazer a reportagem das comunicações de paz entre um país asiático (imaginário) e a NATO. Essa paz é simbolizada por uma bandeira - Flag - que é roubada por um grupo de activistas revoltosos. Os jornalistas acompanham, então, a recuperação de Flag por um grupo de soldados e inteligência, armados com mechas.
A história é altamente política, mas o anime não reforça nenhuma ideia de paz, cooperação ou mesmo guerra. é um anime sobre jornalismo e o tema acaba por se tornar irrelevante. Porque o que se torna válido são as atitudes dos personagens perante as situações e a forma como eles levam avante o seu trabalho sob todas as condições. Os personagens poderiam ter mais algum tipo de desenvolvimento, mas acabam por ser satisfatórios tendo em conta as suas acções.
O aspecto mais curioso deste OVA (saiu na internet, pela Bandai) é a forma como está filmado. Todas as acções são vistas pela lente de uma câmera, seja de filmar, seja fotográfica. Assim, ficamos a conhecer muito mais para além do simples conflito que dá o mote ao anime, mas também muitas coisas sobre todos os intervenientes na recuperação de Flag, que acabam por se tornar eles próprios símbolos de uma espécie de liberdade política e religiosa. As imagens fotográficas, em si, são perfeitos exemplos de bom fotojornalismo, sendo fortes e impressionantes dentro do contexto que, apesar de imaginário, é suficientemente realista para o podermos recolocar no nosso mundo.
A banda sonora é interessante e original, remetendo-nos para esse país asiático pleno de mitos e crenças. Poderá ser, por vezes, um pouco repetitiva, mas parece-me que vale a pena tirá-la para a ouvir com mais atenção (é o que farei).
Assim, este anime revelou-se uma excelente surpresa e terá, sem qualquer dúvida, a minha recomendação.
By : ladyxzeus
Soukihei MD Geist
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Soukihei MD Geist
Ohata Koichi - Zero-G Room
Anime OVA - 1 Episódio
1986
6 em 10
Há quanto tempo não via um filmezinho de anime? Este OVA de 40 minutos já estava na minha lista há algum tempo, mas só agora (ontem ) tive vagar para me por a ver.
Geist é um MDS: Most Dangerous Soldier. Pelos seus crimes no passado foi criogenizado. Agora acordou, no meio de outra guerra. E tem de proteger a humanidade, ou algo que o valha. Este é um filme que toma muitas influências do género pós-apocalíptico, nomeadamente Hokuto no Ken ou o próprio Mad Max original. No meio de um deserto cheio de máquinas, há repetidas lutas. O final inconclusivo parece surpreendente (onde está o resto?) e, assim, o filme fica aquém das expectativas.
Os personagens não têm qualquer tipo de caracterização que os distinga uns dos outros. Parecem todos movidos por objectivos simples, sem outro tipo de sentimento para além de os atingir. Não tomam relações emocionais uns com os outros e encontram-se praticamente objectificados perante o contexto do filme.
A animação é bastante boa para a época, sendo-nos permitido assistir a uma série de lutas entre maquinaria diversa. Esta tem designs realistas e práticos. Apesar de tudo, pode haver um certo exagero nas armas utilizadas e na coreografia de cada situação. A paleta de cores é bastante completa, tendo em conta que estamos nos anos 80, e os cenários remetem-nos para um mundo destruído e vazio.
Musicalmente, temos temas muito típicos mas que, apesar de tudo, pecam pela falta de originalidade. Aquele power-metal dos 80s funciona sempre, mas desta vez as músicas acabaram por me parecer bastante vulgares.
Enfim, citando um amigo... "Papa-se"
By : ladyxzeus
Quarto
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Quarto
Lenny Abrahamson
2015
Filme
8 em 10
Este era o filme que era suposto termos ido ver ao cinema e para o qual não havia lugares. Então, acabei por vê-lo em casa, com o Qui. Só depois descobri que estava nomeado para vários óscares, sendo que entretanto ganhou um, para Melhor Actriz.
Jack e a sua Ma vivem num quarto. Fora do quarto está o Espaço. E depois do Espaço está o Céu. Cada objecto do quarto tem o seu nome e as pessoas que existem estão na TV. Este é todo o mundo que Jack conhece. Mas porquê? Isto demora a ser explicado, mas está na sinopse portanto posso falá-lo aqui. É este um dos pontos essenciais de todo o Quarto: a Ma foi raptada há sete anos e é ali mantida pelo seu captor. Teve ali um filho, que nunca viu nada para além daquelas quatro paredes. E para ele, é um mundo enorme.
A enormidade do quarto quando filmada pelo realizador é emocional e contundente. A identidade do lugar, que se torna mais que uma casa: um universo em si. Quando Jack finalmente aprende o que é o Mundo, o exterior, o que há para além das paredes, é uma descoberta chocante e causadora de medo e mal-estar. O filme trabalha também o processo de adaptação desta criança a um mundo completamente diferente do que conhecia até lá. Porque ele nunca soube, para sua própria protecção, de que havia mais.
O filme é perturbador, por vezes assustador, dando sempre a sensação de que tudo vai terminar da pior maneira. Isto é complementado pelo excelente trabalho de actor, quer da actriz quer da criança (que faz um trabalho extraordinário apesar da sua juventude: tinha apenas 8 anos quando filme foi rodado)
As imagens são solitárias e belas, mesmo depois de adquirida a famosa liberdade. Todo o ambiente é frio, imaterial, mas ainda assim carregado de uma profundidade humana que puxa pelas mais primitivas emoções do espectador.
Vi este filme há uns dias, mas já estou cheia de vontade de o ver outra vez. Não posso deixar de o recomendar.
By : ladyxzeus
O Poema Morre
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O Poema Morre
David Soares & Sónia Oliveira
2015
Banda Desenhada
Como venho acompanhando o trabalho de David Soares enquanto autor, de que gosto muito, não perdi a oportunidade de adquiri a sua nova edição quando surgiu a oportunidade, no AmadoraBD. Este volume surge quase como uma surpresa, mas sem nunca perder a identidade a que o autor já nos habituou.
Tudo começa com um cavalo puxando uma carroça para o topo de uma pilha de corpos incinerados. O que se passa aqui? É uma guerra. Mas que guerra é esta? Com isto em mente, começamos a vislumbrar um pouco da vida de um homem inominado, poeta renegado, que está envolvido com a irmã e que tem um passado cheio de trevas.
É no presente e no passado deste personagem que encontramos algumas pistas para o que realmente se passa. A morte do poema não é a morte do autor em si, mas a morte de tudo aquilo que poderia ser belo. a irmã, a amiga, o cão, todas as coisas que ligavam o personagem à terra e que são destruídos por uma guerra sem identidade.
É essa guerra a parte que mais me intrigou neste livro. É uma guerra real? Foi? Ainda existe? Ou é apenas um combate entre o personagem e os seus demónios, entre o personagem e a rejeição que vem sofrendo desde a infância?
Os desenhos ajudam a manter todo este ambiente de terror e dúvida. Sem cores, apenas sombras, desenhos etéreos mas altamente detalhados que nos remetem para um universo de sonho, em que o relato do que acontece, aconteceu ou é apenas imaginação é tão subtil que acaba por se misturar.
Mais uma vez, uma excelente BD. Como sempre, ansiosa pela próxima!
By : ladyxzeus
Fúria
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Fúria
Salman Rushdie
2001
Romance
Gosto imenso de Salman Rushdie. Já li uma série de livros dele, nunca tendo ficado desapontada. Assim, quando apareceu este ring no BookCrossing, fui logo a primeira a inscrever-me! Acabei por ser também a única, mas isso já é outra história.
Infelizmente, este livro não correspondeu de todo às minhas expectatvias. NEsta história seguimos a vida de um artista indiano, que faz bonecas e tem uma muito famosa, que decide fugir do seu sucesso e da sua família e refugiar-se em Nova York. Aí, vê-se envolto numa espiral depressiva em que ele começa a duvidar da sua própria sanidade mental, entregando-se à "fúria" e acabando por se colocar em situações desagradáveis.
O livro acaba, então, por ser uma espécie de enumeração constante de figuras populares da agitação da cidade, em que se torna muito difícil de distinguir quais são os elementos reais dos que foram inventados pelo autor. O livro move-se a toda a velocidade, espetando farpas em todas as coisas que o americano regular poderia amar, sem mesmo passar pela perspectiva do personagem. Parece um manifesto da fúria do autor, ao invés de ser a da personagem, o que seria menos estranho.
Este acaba por se ver no meio de uma estranha guerra civil, que acaba por ser a parte mais curiosa pois demonstra todo o ilógico que existe por trás de uma guerra, revelando sem parar factos e argumentos sem nexo.
O personagem evolui de certa forma, num final que se poderá tornar inesquecível, mas a sua caracterização está tão diluída que toda a zanga em relação à família, à cidade, às pessoas, ao mundo, torna-se inconsequente e bastante cansativo.
É com muita pena que não irei recomendar este livro, de um autor que gosto tanto...
By : ladyxzeus


