A Mulher de Porto Pim
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A Mulher de Porto Pim
António Tabucchi
1983
Contos
A propósito da minha Viagem à Macaronésia, o meu pai - por sugestão da minha mãe - emprestou-me este livro sobre os Açores, pela perspectiva de um senhor italiano cuja escrita já conhecia (mas não me lembrava).
É um livro muito, muito pequenininho, com algumas histórias - inventadas ou não - sobre a realidade dos aAçores. O facto principal é que estas ilhas foram e são ponto de passagem obrigatório para os navegadores. Assim, muitas coisas acontecem que são simplesmente temporárias. Isto é especialmente forte no conto que dá o nome ao livro, "A Mulher de Porto Pim", em que um homem desespera quando reconhece que o seu amor nunca poderá durar para sempre precisamente por este rito de passagem, a efemeridade da presença.
Só não gostei muito da história "Mar Alto", em que é relatada uma caça à baleia. Eu acho esta actividade perfeitamente horrífica e desnecessária, já que considero as baleias criaturas que devem ser deixadas sossegadas a cantar. O autor dá muita humanidade ao animal, mas também conta friamente como se apanham as baleias (com grande sofrimento para elas) e como são processadas ainda no mar. Insiste bastante em como é tão perigoso para os pescadores baleeiros. E para a baleia, não é perigoso?
A minha mãe pensava que este livro explicava como a zona de Porto Pim se parece, eventualmente, com uma mulher. Isto não acontece e muito pouco é falado sobre os aspectos da paisagem natural. O pouco, é dito com carinho.
Um bom livrinho de viagem, embora um pouco fantasiosa, que irei devolver amanhã. :)
By : ladyxzeus
The Handmaid's Tale
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The Handmaid's Tale
Margaret Atwood
1985
Ficção Científica
Depois de Senhora Oráculo fiquei com o bichinho de conhecer melhor a autora Margaret Atwood. Para minha grande sorte, o BookCrossing possui uma inveterada fã que, amorosamente, me emprestou este livro e outro. Não podia ter ficado mais surpreendida com a versatilidade da autora! Desta vez, temos um livro de ficção científica num futuro distópico, relatado de uma maneira dolorosamente pessoal e com resultados extraordinários.
Neste universo, parte dos Estados Unidos passaram a ser um novo país: Gilean. Nesse país, após perseguições e horrores diversos, as mulheres foram colocadas num novo lugar. Agora, servem simplesmente o propósito de reproduzir e servir os homens. Neste futuro, as crianças são um bem escasso. Assim, tudo deve ser feito para as criar. No entanto, a aura religiosa extremamente fascista que paira sob todas as situações torna impossível a felicidade destas mulheres, inseridas numa cadeia hierárquica altamente rígida que em nada contribui para que uma pessoa possa desenvolver qualquer tipo de identidade própria.
Offred, da qual não conhecemos o nome verdadeiro, é uma Handmaid. A função dela, neste mundo, é reproduzir. Para isso, foi atribuída a um Comandante e à sua Esposa, de forma a ter filhos por eles. A forma como ela conta aquilo que aconteceu e o que está a acontecer, a sua dificuldade em adaptar-se a este universo totalitário, é extremamente único e pessoal, demonstrando uma dor e ainda assim uma tenacidade por se manter viva. Será que isso aconteceu? Nunca saberemos, apesar da nota positiva (embora muito estranha) do final.
É uma ficção científica original e extraordinária. Pela primeira vez, temos uma visão totalmente negativa, sem esperança, sem que ninguém tome atitudes heróicas para salvar a humanidade. A sociedade como a conhecemos está destruída e nada se pode fazer para a mudar. A personagem admite isso, mas apesar de tudo, enquanto pessoa, enquanto mulher, é para ela impossível admitir a derrota.
Ansiosa por chegar ao outro livro de Atwood que a amiga BookCrossiana me emprestou :)
By : ladyxzeus
Kingsman
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Kingsman
Matthew Vaughn
2014
Filme
6 em 10
Pedi ao Qui um filme leve que não exigisse grandes pensamentos sobre ele. Este foi o escolhido.
Uma espécie de homenagem aos antigos filmes de espiões, conta a história de um jovem com problemas socio-económicos que é recolhido sob a asa de um cavalheiro que, por acaso, é também um espião membro de uma organização independente: Kingsman.
O filme relata o treinamento deste jovem, Eggsy, e a forma como acaba por salvar o mundo das garras de Valentine, um estranho vilão que quer fazer tudo para salvar a natureza (até mesmo destruir a humanidade). Para isso, conta com um aresenal de armas originais, companheiros cheios de classe, o seu mentor e, sobretudo, muitos fatos de alfaiate que ligam muito bem em todas as ocasiões.
Sendo que a motivação do vilão é um pouco estranha e ele não está caracterizado de forma muito forte (afinal, é mais um Samuel L. Jackson, mas com menos motherfuckers), o interesse principal deste filme está na evolução da personagem de Eggsy, que passa de jovem agressivo, mitra pouco corajoso, para um cavalheiro, um gentleman, com força, coragem e um fato todo janota.
Fique a nota para as cenas de acção, que estão filmadas de forma muito curiosa, para a qual é necessária uma excelente coreografia.
Foi um bom filme para descansar um pouco dos blockbusters de super-heróis que nos vêm atormentando ultimamente. Por si só, terá o seu valor no que respeita ao entretenimento.
By : ladyxzeus
Barakamon
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Barakamon
Tachibana Masaki - VAP
Anime - 12 Episódios
2014
6 em 10
Seguimos para outro fatia de vida, desta vez sugerido pelo meu clube.
Conta a história de um jovem que se dedica a concursos de caligrafia, fazendo disso a sua profissão (como se chama? Calígrafo?) que, após uma atitude incorrecta para com um superior, se refugia numa aldeia piscatória. Lá, faz novos amigos e aprende a viver em sociedade. Esses novos amigos são um conjunto de crianças e jovens muito animado, que está sempre pronto a fazer algum tipo de asneira. O resultado é bastante engraçado, por vezes, mas - no geral - o anime tem algumas falhas que o tornam mediano.
Como sabemos, um anime fatia de vida - para funcionar - tem de basear a sua força no desenvolvimento correcto, coerente e forte dos seus personagens. Infelizmente, aqui isto não acontece. Os personagens secundários não contribuem em nada para o desenvolvimento do personagem principal e aparentam estar ali apenas para criar momentos de comédia que, apesar de bem conseguidos muitas vezes, não são o suficiente para tornar Barakamon num anime exemplar. Já o personagem principal, esse, tem muito a aprender e a absorver das pessoas que o rodeiam. Existe alguma evolução na sua capacidade de lidar com as outras pessoas, forçada essencialmente pelas situações em que se coloca pela sua própria inabilidade. Muitas vezes, são situações pouco realistas e demasiado exageradas para que se levem a sério como mais do que um gag cómico. Por outro lado, o jovem refugiou-se nesta ilha isolada para poder desenvolver a sua caligrafia. Isto acontece, mas não existe na narrativa qualquer referência à evolução dos seus talentos. Isto é, em alguns episódios ele faz um trabalho aceitável pelos parâmetros de quem nada sabe sobre caligrafia; logo a seguir, faz obras exemplares e reconhecidas pelos seus pares. Neste aspecto, gostaria que tivesse sido dado mais ênfase à sua profissão e de forma mais gradual.
Temos uma arte que seria muito bonita se não estivéssemos em 2014. Tendo em conta o ano da produção, não tem nada de espectacular: os brilhos, a fluidez, as cores, isso é o parâmetro normal do "agora". Existem algumas cenas que procuram mostrar ao espectador a beleza do cenário mas, infelizmente, acabam por perder a intensidade devido à normalidade da arte.
Musicalmente, temos OP e ED que, animadas, poderiam ter mais a ver com a série que retratam. No parênquima, muitas músicas leves e engraçadas para nos dar um sentimento de calma, mas que não se distinguem de outros animes do género.
Assim, é só mais um fatia de vida e, tendo em conta a saturação do género, dentro de uns anos ninguém se recordará dele.
By : ladyxzeus
Coelho em Paz
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Coelho em Paz
John Updike
1990
Romance
Recebi este livro num RABCK do BookCrossing, que consistia em escolher de entre vários livros disponíveis numa estante de uma pessoa amiga e querida. Escolhi este mais por causa do título, com toda a fé de que iria gostar imenso. Depois de ler a sinopse, mais fiquei convencida disso. Mas a verdade é que... Foi uma dor terminar este livro. Por momentos, pensei que nunca o fosse terminar. Foi realmente um esforço imenso.
Último de uma tetralogia à volta do mesmo personagem, Coelho, apresenta-se numa parte da história em que este homem é um "velho" de 56 anos. Desde aí se estabelece uma narrativa que faz pouco sentido: desde quando ter 56 anos é considerado "velho"? "Idoso"? Enfim, o livro relata os momentos finais desta vida imensa, em que o personagem Coelho tem de lidar com o aborrecimento, com a falta de concretização da sua vida e com um filho toxicodependente e a sua família.
O livro segue lentamente os diversos momentos destes dilemas familiares, prolongando-se em aspectos completamente irrelevantes. A narrativa perde-se em descrições extensas e muito detalhadas de coisas que são aborrecida e que não interessam: jogos de golfe, anúncios de televisão, sucessões de estradas nacionais e autoestradas.... Isto torna a leitura extremanente fastidiosa, demorada e cansativa. Por um lado, talvez o autor tenha querido transmitir o aborrecimento da vida de Coelho, mas podia tê-lo feito de modo a não aborrecer o leitor.
Para mais, as descrições são gráficas de uma maneira desnecessária, com referências sexuais pavorosas constantes e analogias que, sendo originais, são desinteressantes e rebuscadas.
O final do livro, que é suposto ser bastante forte e comovente, torna-se um verdadeiro alívio, pois finalmente terminou e não teremos mais que ouvir falar destas pessoas horríveis. Os personagens estão bem construídos, mas são todos pessoas execráveis, pelas quais ganhamos ódios de estimação, sendo que nem sequer esperamos que lhes aconteçam coisas más: queremos simplesmente que desapareçam.
Um desapontamento de livro e um autor a não repetir.
By : ladyxzeus
Mouryou no Hako
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Mouryou no Hako
Nakamura Ryousuke - Madhouse
Anime - 13 Episódios + 1 Special
2008
5 em 10
A sinopse deste anime engana muito. Pensava em que era uma espécie de policial de terror, mas na verdade é mais uma história de mistério e fantasia.
Ao início, assistimos ao desenrolar de uma relação lesbo-erótica, de contornos misteriosos e um pouco estranhos, que vem a culminar num acidente. A partir daí, viajamos para dentro de uma questão de quem matou quem e como, com relação com uma caixa, "A Caixa dos Goblins". Um grupo de homens bem parecidos procura a resposta. Infelizmente, o desenvolvimento desta história é errático e há um esquecimento da primeira parte do anime (as duas raparigas), sendo que acaba por ser difícil de compreender o que se está a passar. Isto poderia ser um ponto positivo se o lado policial fosse extremamente complexo e realmente nos fizesse pensar sobre aspectos relativos à natureza humana, mas nem a narrativa nem as personagens nos levam a fazer isso. Assim, torna-se simplesmente aborrecido e pouco importante, sendo que o meu único desejo acabou por ser que o anime acabasse e houvesse uma conclusão. O anime alonga-se demais em aspectos que não são importantes para a história e perde rapidamente o foco quando se passa a dedicar mais sobre planos parados em cima das agradáveis caras dos senhores.
Falando disto, o design é CLAMP. Por isso, evidentemente, é toda a gente muito bonita. A arte é simples, dedicando-se - como disse - a planos muito sossegados. Por vezes há um uso interessante de perspectivas, o que poderá aterrorizar quem esteja um pouco mais concentrado no anime (o que me parece, sinceramente, bastante difícil... É demasiado aborrecido). As cores estão numa paleta escura que funciona bem mas que é demasiado comum em animes passados nesta época do pós-guerra, o que acaba por se muito pouco original e um lugar comum.
A música, tanto OP como ED, não passa daquele visual kei que já morreu nos anos 90. Os efeitos sonoros acrescentam ao ambiente soturno mas, mais uma vez, nada que não tenhamos visto no passado.
Um anime que será rapidamente esquecido, até mesmo dentro do seu género.
By : ladyxzeus
Fórum da Interculturalidade
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Após montagem e preparação do palco, apresenta-se-nos uma banda que tem tudo de jazz. Um piano, uns metais, um baixo, uma guitarra, uma bateria. Tocam uns sonoros de gosto improvisado e, de repente, aparecem os cantantes. Ficamos, então, sabendo que esta banda é um misto de jazz com hip-hop. Isto tem tudo para correr bem. Mas, na verdade, acho que podia ter corrido melhor. Para começar, fazia falta que o instrumental fosse original e não inspirado (ou cópia) de clássicos do género. As rimas do rap estão bem conseguidas no geral, jogando bem com o resto dos instrumentos, mas parecia que dentro da banda não havia a empatia necessária para todos tocarem ou cantarem na sua vez. Para mais, os vocalistas tentaram durante todo o concerto uma muito necessária interacção do público, que não foi obtida: havia muito pouco público a esta hora e ainda não estavam bebidos o suficiente. Ainda assim, é um projecto curioso.
Fórum da Interculturalidade
Concertos
A ideia inicial era ir ao Outjazz, nos jardins perto da Torre de Belém. Lá chegados, eu e R., sentámos e chegámos à conclusão de que era um ambiente que nos causava horror e pavor. A música lembrava aquela que se ouve quando passa um carro com o som muito alto e os visitantes do evento metiam medo. A única parte agradável era ver os cães a brincar.
Por isso, fomos em direcção à Praça de São Paulo, perto do Cais do Sodré, onde os amigos de uns amigos iam dar um concerto. Após uma fastidiosa viagem num eléctrico que cheirava a chouriços, instalámo-nos na praça à espera de que acontecesse alguma coisa. Enquanto estivémos sozinhos, a música africanizada foi dolorosa. Assistimos a algumas coisas engraçadas, como discussões entre cães e um senhor velhote a dançar, que estava a ser filmado por um outro cota mais gordo. Se calhar devíamos ter dito alguma coisa ao operador de câmera, que não estava a ser nada discreto. Mas tenho esperança de que a gravação não seja para ser colocada em fóruns anónimos com os ditos "vejam este cromo a dançar", mas para um projecto artístico ou qualquer coisa.
Reparámos que uma varanda tinha um anjo assustador e mutilado.
Então chegaram os amigos de amigos e fomos para a frente para ver o tal concerto. Sentámo-nos em cadeiras de plástico. Foi uma tarde já nocturna agradável em certa medida, pelo convívio providenciado por umas garrafas de Don Simon, mas falemos então dos concertos.
Jazzopa
Djaly Bintou Kanouté
Passamos para músicas próximas do tradicional da Guiné-Bissau. Não sei o que dizer pois, confesso, não estava com muita atenção. Procurei esta era para buscar alimento, que fui encontrar numa das banquinhas da comida intercultural. Esta era a do projecto "Renovar a Mouraria" e comi uma tal de "Massa Moura", sem cogumelos. Quanto a esta senhora, achei que cantava muito bem, tinha uma voz muito bonita. E gostei imenso da roupa que ela trazia.
Jorge Riba
Para finalizar, temos um pouco de música brasileira. Evidentemente que o público, agora mais composto, se passou grandemente durante a totalidade deste concerto, devido aos ritmos sambísticos que o senhor nos cantou. Apesar de tudo, sou da opinião de que - sendo a música brasileira tão variada - limitar-nos a este samba de escola, tão simples (mas tão eficiente) é pouco criativo. Mas gostei imenso da interpretação original da música da Amália que o artista (bom artista) cantou. Foi a única parte em que eu dancei.
Curioso o aspecto de que quando começa toda a gente a dançar, há algumas pessoas que ficam com aversão aos que - como eu - têm um peso no rabo e estão cansados e não se querem mexer da cadeira. Por isso, insistem, através de olhares, gestos e movimentos de lábios aterrorizantes, que nós nos levantemos e dancemos. Fica a nota de que cada vez que me fazem isto, menos vontade tenho de ir dançar. Considerando que o senhor operador de câmera anteriormente referido continuava, subtilmente, a filmar toda a gente... Menos vontade tinha eu de dançar. Portanto, fico parada.
Suponho que a noite se tenha prolongado, mas eu fui para casa, pois hoje (o dia seguinte) é dia de trabalho e tenho de estar fresquinha e renovada. Ainda assim, foi giro porque conheci novas pessoas muito simpáticas. :)
By : ladyxzeus

