• Barakamon

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    Barakamon
    Tachibana Masaki - VAP
    Anime - 12 Episódios
    2014
    6 em 10

    Seguimos para outro fatia de vida, desta vez sugerido pelo meu clube.

    Conta a história de um jovem que se dedica a concursos de caligrafia, fazendo disso a sua profissão (como se chama? Calígrafo?) que, após uma atitude incorrecta para com um superior, se refugia numa aldeia piscatória. Lá, faz novos amigos e aprende a viver em sociedade. Esses novos amigos são um conjunto de crianças e jovens muito animado, que está sempre pronto a fazer algum tipo de asneira. O resultado é bastante engraçado, por vezes, mas - no geral - o anime tem algumas falhas que o tornam mediano.

    Como sabemos, um anime fatia de vida - para funcionar - tem de basear a sua força no desenvolvimento correcto, coerente e forte dos seus personagens. Infelizmente, aqui isto não acontece. Os personagens secundários não contribuem em nada para o desenvolvimento do personagem principal e aparentam estar ali apenas para criar momentos de comédia que, apesar de bem conseguidos muitas vezes, não são o suficiente para tornar Barakamon num anime exemplar. Já o personagem principal, esse, tem muito a aprender e a absorver das pessoas que o rodeiam. Existe alguma evolução na sua capacidade de lidar com as outras pessoas, forçada essencialmente pelas situações em que se coloca pela sua própria inabilidade. Muitas vezes, são situações pouco realistas e demasiado exageradas para que se levem a sério como mais do que um gag cómico. Por outro lado, o jovem refugiou-se nesta ilha isolada para poder desenvolver a sua caligrafia. Isto acontece, mas não existe na narrativa qualquer referência à evolução dos seus talentos. Isto é, em alguns episódios ele faz um trabalho aceitável pelos parâmetros de quem nada sabe sobre caligrafia; logo a seguir, faz obras exemplares e reconhecidas pelos seus pares. Neste aspecto, gostaria que tivesse sido dado mais ênfase à sua profissão e de forma mais gradual.

    Temos uma arte que seria muito bonita se não estivéssemos em 2014. Tendo em conta o ano da produção, não tem nada de espectacular: os brilhos, a fluidez, as cores, isso é o parâmetro normal do "agora". Existem algumas cenas que procuram mostrar ao espectador a beleza do cenário mas, infelizmente, acabam por perder a intensidade devido à normalidade da arte.

    Musicalmente, temos OP e ED que, animadas, poderiam ter mais a ver com a série que retratam. No parênquima, muitas músicas leves e engraçadas para nos dar um sentimento de calma, mas que não se distinguem de outros animes do género.

    Assim, é só mais um fatia de vida e, tendo em conta a saturação do género, dentro de uns anos ninguém se recordará dele.
  • Coelho em Paz

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    Coelho em Paz
    John Updike
    1990
    Romance

    Recebi este livro num RABCK do BookCrossing, que consistia em escolher de entre vários livros disponíveis numa estante de uma pessoa amiga e querida. Escolhi este mais por causa do título, com toda a fé de que iria gostar imenso. Depois de ler a sinopse, mais fiquei convencida disso. Mas a verdade é que... Foi uma dor terminar este livro. Por momentos, pensei que nunca o fosse terminar. Foi realmente um esforço imenso.

    Último de uma tetralogia à volta do mesmo personagem, Coelho, apresenta-se numa parte da história em que este homem é um "velho" de 56 anos. Desde aí se estabelece uma narrativa que faz pouco sentido: desde quando ter 56 anos é considerado "velho"? "Idoso"? Enfim, o livro relata os momentos finais desta vida imensa, em que o personagem Coelho tem de lidar com o aborrecimento, com a falta de concretização da sua vida e com um filho toxicodependente e a sua família.

    O livro segue lentamente os diversos momentos destes dilemas familiares, prolongando-se em aspectos completamente irrelevantes. A narrativa perde-se em descrições extensas e muito detalhadas de coisas que são aborrecida e que não interessam: jogos de golfe, anúncios de televisão, sucessões de estradas nacionais e autoestradas.... Isto torna a leitura extremanente fastidiosa, demorada e cansativa. Por um lado, talvez o autor tenha querido transmitir o aborrecimento da vida de Coelho, mas podia tê-lo feito de modo a não aborrecer o leitor.

    Para mais, as descrições são gráficas de uma maneira desnecessária, com referências sexuais pavorosas constantes e analogias que, sendo originais, são desinteressantes e rebuscadas.

    O final do livro, que é suposto ser bastante forte e comovente, torna-se um verdadeiro alívio, pois finalmente terminou e não teremos mais que ouvir falar destas pessoas horríveis. Os personagens estão bem construídos, mas são todos pessoas execráveis, pelas quais ganhamos ódios de estimação, sendo que nem sequer esperamos que lhes aconteçam coisas más: queremos simplesmente que desapareçam.

    Um desapontamento de livro e um autor a não repetir.
  • Mouryou no Hako

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    Mouryou no Hako
    Nakamura Ryousuke - Madhouse
    Anime - 13 Episódios + 1 Special
    2008
    5 em 10

    A sinopse deste anime engana muito. Pensava em que era uma espécie de policial de terror, mas na verdade é mais uma história de mistério e fantasia.

    Ao início, assistimos ao desenrolar de uma relação lesbo-erótica, de contornos misteriosos e um pouco estranhos, que vem a culminar num acidente. A partir daí, viajamos para dentro de uma questão de quem matou quem e como, com relação com uma caixa, "A Caixa dos Goblins". Um grupo de homens bem parecidos procura a resposta. Infelizmente, o desenvolvimento desta história é errático e há um esquecimento da primeira parte do anime (as duas raparigas), sendo que acaba por ser difícil de compreender o que se está a passar. Isto poderia ser um ponto positivo se o lado policial fosse extremamente complexo e realmente nos fizesse pensar sobre aspectos relativos à natureza humana, mas nem a narrativa nem as personagens nos levam a fazer isso. Assim, torna-se simplesmente aborrecido e pouco importante, sendo que o meu único desejo acabou por ser que o anime acabasse e houvesse uma conclusão. O anime alonga-se demais em aspectos que não são importantes para a história e perde rapidamente o foco quando se passa a dedicar mais sobre planos parados em cima das agradáveis caras dos senhores.

    Falando disto, o design é CLAMP. Por isso, evidentemente, é toda a gente muito bonita. A arte é simples, dedicando-se - como disse - a planos muito sossegados. Por vezes há um uso interessante de perspectivas, o que poderá aterrorizar quem esteja um pouco mais concentrado no anime (o que me parece, sinceramente, bastante difícil... É demasiado aborrecido). As cores estão numa paleta escura que funciona bem mas que é demasiado comum em animes passados nesta época do pós-guerra, o que acaba por se muito pouco original e um lugar comum.

    A música, tanto OP como ED, não passa daquele visual kei que já morreu nos anos 90. Os efeitos sonoros acrescentam ao ambiente soturno mas, mais uma vez, nada que não tenhamos visto no passado.

    Um anime que será rapidamente esquecido, até mesmo dentro do seu género.
  • Fórum da Interculturalidade

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    Fórum da Interculturalidade
    Concertos
    A ideia inicial era ir ao Outjazz, nos jardins perto da Torre de Belém. Lá chegados, eu e R., sentámos e chegámos à conclusão de que era um ambiente que nos causava horror e pavor. A música lembrava aquela que se ouve quando passa um carro com o som muito alto e os visitantes do evento metiam medo. A única parte agradável era ver os cães a brincar. 

    Por isso, fomos em direcção à Praça de São Paulo, perto do Cais do Sodré, onde os amigos de uns amigos iam dar um concerto. Após uma fastidiosa viagem num eléctrico que cheirava a chouriços, instalámo-nos na praça à espera de que acontecesse alguma coisa. Enquanto estivémos sozinhos, a música africanizada foi dolorosa. Assistimos a algumas coisas engraçadas, como discussões entre cães e um senhor velhote a dançar, que estava a ser filmado por um outro cota mais gordo. Se calhar devíamos ter dito alguma coisa ao operador de câmera, que não estava a ser nada discreto. Mas tenho esperança de que a gravação não seja para ser colocada em fóruns anónimos com os ditos "vejam este cromo a dançar", mas para um projecto artístico ou qualquer coisa.

    Reparámos que uma varanda tinha um anjo assustador e mutilado.

    Então chegaram os amigos de amigos e fomos para a frente para ver o tal concerto. Sentámo-nos em cadeiras de plástico. Foi uma tarde já nocturna agradável em certa medida, pelo convívio providenciado por umas garrafas de Don Simon, mas falemos então dos concertos.

    Jazzopa



    Após montagem e preparação do palco, apresenta-se-nos uma banda que tem tudo de jazz. Um piano, uns metais, um baixo, uma guitarra, uma bateria. Tocam uns sonoros de gosto improvisado e, de repente, aparecem os cantantes. Ficamos, então, sabendo que esta banda é um misto de jazz com hip-hop. Isto tem tudo para correr bem. Mas, na verdade, acho que podia ter corrido melhor. Para começar, fazia falta que o instrumental fosse original e não inspirado (ou cópia) de clássicos do género. As rimas do rap estão bem conseguidas no geral, jogando bem com o resto dos instrumentos, mas parecia que dentro da banda não havia a empatia necessária para todos tocarem ou cantarem na sua vez. Para mais, os vocalistas tentaram durante todo o concerto uma muito necessária interacção do público, que não foi obtida: havia muito pouco público a esta hora e ainda não estavam bebidos o suficiente. Ainda assim, é um projecto curioso.

    Djaly Bintou Kanouté


    Passamos para músicas próximas do tradicional da Guiné-Bissau. Não sei o que dizer pois, confesso, não estava com muita atenção. Procurei esta era para buscar alimento, que fui encontrar numa das banquinhas da comida intercultural. Esta era a do projecto "Renovar a Mouraria" e comi uma tal de "Massa Moura", sem cogumelos. Quanto a esta senhora, achei que cantava muito bem, tinha uma voz muito bonita. E gostei imenso da roupa que ela trazia.

    Jorge Riba


    Para finalizar, temos um pouco de música brasileira. Evidentemente que o público, agora mais composto, se passou grandemente durante a totalidade deste concerto, devido aos ritmos sambísticos que o senhor nos cantou. Apesar de tudo, sou da opinião de que - sendo a música brasileira tão variada - limitar-nos a este samba de escola, tão simples (mas tão eficiente) é pouco criativo. Mas gostei imenso da interpretação original da música da Amália que o artista (bom artista) cantou. Foi a única parte em que eu dancei.

    Curioso o aspecto de que quando começa toda a gente a dançar, há algumas pessoas que ficam com aversão aos que - como eu - têm um peso no rabo e estão cansados e não se querem mexer da cadeira. Por isso, insistem, através de olhares, gestos e movimentos de lábios aterrorizantes, que nós nos levantemos e dancemos. Fica a nota de que cada vez que me fazem isto, menos vontade tenho de ir dançar. Considerando que o senhor operador de câmera anteriormente referido continuava, subtilmente, a filmar toda a gente... Menos vontade tinha eu de dançar. Portanto, fico parada.

    Suponho que a noite se tenha prolongado, mas eu fui para casa, pois hoje (o dia seguinte) é dia de trabalho e tenho de estar fresquinha e renovada. Ainda assim, foi giro porque conheci novas pessoas muito simpáticas. :)
  • Tetsuwan Birdy Decode

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    Tetsuwan Birdy Decode
    Akane Kazuki - A-1 Pictures
    Anime - 13 Episódios
    2008
    6 em 10

    Isto é um 6 que é quase um 7, porque gostei mesmo muito desta série. :)

    Birdy é uma personagem da imagética passada, mas que eu não conhecia. Assim, é a minha primeira experiência com este franchise. Felizmente, apanhei uma série que tem tudo para ser excelente, começando pelos seus valores de produção.

    Tudo começa quando esta agente alienígena, que procura um objecto super poderoso do qual depende o futuro do universo como o conhecemos, vem ao planeta Terra e, acidentalmente, mata Tsutomu. Um rapazinho perfeitamente normal. A partir daí, passam a partilhar o mesmo corpo, com o perigo das suas mentes se unirem e de ambos desaparecerem. Na busca por esse objecto acabam por, juntos, viver aventuras diversas, quer na Terra quer no planeta de Birdy.

    A premissa é simples e funciona bastante bem, mas a verdade é que a série se alongou um pouco na tentativa de desenvolver os personagens, o que não teve o efeito pretendido. Pareceu-me que as cenas da vida diária de Tsutomu poderiam ter sido eliminadas, pois não têm qualquer interesse nem influência directa na narrativa. Já o mesmo não acontece quando assistimos a cenas no planeta de Birdy, pois conhecemos uma série de alienígenas muito engraçados, o que dá bastante gosto ver. A relação Birdy-Tsutomu tem a sua relativa relevância, já que ambos partilham o corpo, quiçá a mente, o que dá azo a grandes conversas. Poderiam elas ter sido um pouco mais filosóficas, havendo partilha de conhecimentos entre as duas entidades (terráqueo-alienígena), sendo que se limitaram bastante a conselhos sobre o que fazer com a vida quer de uma parte quer da outra. Por outro lado, o ponto narrativo de "temos de recuperar o corpo do Tsutomu" acaba inconsequente e um pouco repetitivo.

    A arte é um excelente aspecto. Fluida, luminosa, com grandes cenas de acção de excelentes coreografias,é um prazer olhar para esta série. Infelizmente, as cenas de acção têm tal potência que acabam por insistir no facto pouco realista de Birdy ser uma espécie de entidade invencível. Fique também a nota para os designs dos personagens, originais, refrescantes e muito bem pensados. Gostei sobretudo das pessoas cão. :>

    O lado musical é, também, um ponto forte deste anime. Com uma banda sonora colorida e animada, mas também emotiva quando os momentos o pedem, a série tem toda ela uma intensidade física e emocional que a torna numa grande experiência.

    Um anime gratificante e que recomendarei conforme necessário. :)
  • Still the Water

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    Still the Water
    Naomi Kawase
    2015
    Filme
    6 em 10

    Para variar um pouco, vimos um filme Japonês escolhido pela selecção de Cannes deste ano.

    Numa ilha tropical Japonesa, passam-se coisas da vida normal. Há vida, há morte, há amor, há dúvidas, há depressão. Num equivalente ao fatia de vida do anime, assistimos ao desenrolar da relação entre dois adolescentes, numa ilha isolada onde os mitos e ritos da natureza ainda estão bem vivos.

    O filme é emocional e tem um conjunto de cenas que, individualmente, carregam em si uma grande beleza. Podemos ver, então, a morte e o renascimento, assistindo a rituais que representam precisamente o facto destes momentos serem perfeitamente naturais. No entanto, o desenvolvimento da história acaba por parecer incompleto (afinal, quem é o homem morto) e a evolução da relação adolescente é pouco satisfatória, considerando aquilo que viemos a assistir durante todo o filme.

    Com um excelente trabalho de fotografia, podemos ver vários cenários naturais desta ilha, com o mar - mais ou menos revoltado - sempre presente. Existem cenas que, aliadas a uma maravilhosa banda sonora, são extremamente belas e comoventes. Falando desta, é curiosa a utilização de músicas tradicionais e cantos simbólicos, que trazem bastante intensidade a alguns momentos.

    Não gostei muito da violência impressa nas representações da morte: as cabras, a árvore, espero sinceramente que não tenham tirado vida a estas criaturas para simplesmente as por a aparecer num filme. Sobretudo a árvore.

    Foi um filme agradável e bonito, mas que me recordou constantemente animes do género, quer pela narrativa quer pela qualidade do diálogo. Não diria que esta história, com estas frases, funcionasse bem em anime, mas a verdade é que me recordou bastante esse tipo de media.
  • Mezzo DSA

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    Mezzo DSA
    Umetsu Yasuomi - Arms
    Anime - 13 Episódios
    2004
    6 em 10

    Depois de Mezzo Forte descobri que havia uma série com as mesmas personagens. Assim, fui vê-la.

    É um anime divertido, directo ao assunto, que mantém viva a memória do OVA original. DSA é um grupo de três que resolve problemas diversos relacionados com o submundo, de assassinatos a raptos e pequenos casos misteriosos que envolvem robots. De natureza episódica, é uma série recheada de acção, com uma grande componente sensual.

    Os personagens mantém a sua natureza dos anos 90, mas não são desenvolvidos muito mais do que as suas características base. São introduzidos novos personagens ao longo dos episódios que têm um papel mais ou menos relevante dentro de cada uma das histórias. Agradou-me sobretudo o design, que se mantém fiel à época original, sendo muito patente o estilo próprio do autor.

    A animação não se pode considerar incapaz, mas também não é nada de extraordinário. As sombras são fortes, trazendo a toda a série um aspecto cru, duro ou, como gostam de dizer os japoneses, "hard boiled".  Existem alguns erros, mas no geral as cenas de acção estão bastante bem coreografadas, com a intensidade devida.

    A parte melhor é, sem dúvida, a música. É de uma animação e intensidade surpreendentes e fica muito bem em todas as situações. A OP, sobretudo, é memorável.

    Assim, temos um pequeno desenvolvimento do OVA original, o que foi uma experiência bastante engraçada.
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