• Real Drive

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    Real Drive
    Furuhashi Kazuhiro - Production I.G.
    Anime - 26 Episódios
    2008
    6 em 10

    Este é um anime com uma premisa interessante. Num futuro próximo, a consciência humana está ligada numa espécie de "network" submarino. Aqui, seguimos as aventuras de um grupo de pessoas envolvidas com o mergulho nesta "network", em que resolvem problemas de fuga de informação e de mal-entendidos entre as diversas consciências. É uma temática com uma certa influência cyberpunk, mas tratada de uma forma muito mais leve e relaxada.

    Isto acaba por ser um pouco anti-natural no decorrer da história. Afinal, tratando de assuntos tão sérios, a forma como estes são abordados acaba por ser demasiado infantil e pouco realista. Temos um conjunto de personagens que, tendo o seu interesse, acaba por se manter dentro do lugar-comum da sua natureza, havendo pouco ou nenhum desenvolvimento. Ainda assim, fica a nota para o interessante design, em que vemos uma grande variedade de pessoas. Afinal, é muito raro ver personagens gordinhas em anime.

    Colmatando estes aspectos menos bons, temos uma arte que pode ser caracterizada como espectacular. Toda a acção é passada numa paradisíaca ilha do Pacífico-Sul, com céus muito azuis, águas muito límpidas e toda uma modernidade na arquitectura que se conjuga muito bem com a natureza da ilha. Para mais, as cenas de acção propriamente ditas estão animadas com mestria e elevado detalhe, sendo que se tornou um prazer observar cada uma das lutas físicas que apareceram durante o anime.

    Musicalmente, temos algumas peças interessantes na banda sonora mas pouco mais. A OP e ED são vulgares e parecem não se adaptar bem ao tema e, de resto, há pouca variedade.

    Se por um lado este tema talvez merecesse uma abordagem um pouco mais regrada, podemos considerar este um bom anime para relaxar (o que é sempre uma coisa boa)
  • Pi

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    Pi
    Darren Anofsky
    Filme
    1998
    7 em 10

    Sábado passado, dia 14 de Março de 2015, processou-se um dia muito especial para mim: o dia do Pi! Em inglês, este dia relata-se como "3.14.15", o que é o valor do número Pi. :) E eu gosto do Pi. Acho-o super fofinho e adoro dizer PIPIPI. Pi. Tinhamos planos de ir a uma festa com o pessoal depois de jantar, mas acabámos por ficar em casa. Apesar de tudo, celebrámos o dia do Pi vendo este filme. Não o terminámos e acabei por o rever no dia seguinte depois do jantar.

    Um thriller intenso e misterioso, conta a história de um génio da matemática (repare-se na temática deste fim de semana) que tenta encontrar padrões nos valores da bolsa. Embrenhando-se cada vez mais na paranóia dos números e de uma doença mental que o assola, acaba por se envolver com um grupo de cabalistas (misticidade judaica) que procuram um número de 216 dígitos na Tora. Para mais, é perseguido por uma entidade governamental que quer também este valor de 216 dígitos. Que número é este? 

    É um filme altamente stressante, sobretudo devido à opção estilística. O filme é todo a preto e branco, com as sombras extremamente carregadas, o que dá todo um ar de misticidade à narrativa. Isto é complementado por uma banda sonora repetitiva, enervante e desconcertante, conjunto de ruídos que são incomodativos tanto para nós como para o personagem.

    Este está caracterizado muito bem, embora as suas acções acabem por ser um pouco limitadas ao sofrimento da paranóia.

    No final, acabamos por não saber qual é o número nem o que ele faz, sendo que nos são dadas informações ambíguas sobre o destino do nosso personagem. Mas, segundo me pareceu, ele não precisa de sofrer mais, o que me deixa aliviada.

    E assim terminaram as nossas celebrações Piicas. :)
  • The Imitation Game

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    The Imitation Game
    Morten Tyldum
    Filme
    2014
    6 em 10

    Finalmente de volta aos programas nocturnos com Qui, começamos por ver este filme que ele tinha no computador por mero acaso (assim não tivemos de esperar que um outro acabasse de sacar)

    Baseia-se na história do Senhor Turing, um génio da matemática. Durante a segunda guerra mundial, os alemães ganhavam pois enviavam as suas mensagens em código através da máquina "Enigma". Tentando resolver esta problemática, Turing cria uma máquina um pouco diferente que veio a ser o antecessor dos computadores que todos usamos hoje em dia (e através dos quais escrevo esta mensagem)

    O filme é bastante simples, relatando de forma directa a vida e obra desta pessoa. Toca um pouco na temática da homossexualidade, embora este assunto pudesse ter sido um pouco mais explorado, um pouco para além da "minha paixão de infância". É evidente que o filme teve um baixo valor de produção, devido aos efeitos especiais arcaicos, que poderiam ter sido completamente eliminados, e até à própria caracterização da época histórica em que a narrativa se passa.

    Sem dúvida que a melhor parte está no trabalho de actor. Não conhecia eu este actor, Benedict Cumberbatch, e fiquei muito impressionada com o seu trabalho. É uma caracterização do génio enquanto pessoa inadequada quase perfeita. Dizem-me que ele faz sempre papéis assim, mas gostaria de o ver interpretando outras personagens diferentes, pois acho que está aqui um grande potencial.

    Apesar de tudo, foi um filme que me entreteu bastante.
  • Sentou Yousei Yukikaze

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    Sentou Yousei Yukikaze
    Ohkura Masahiko - Gonzo
    Anime OVA - 5 Episódios
    2002
    6 em 10

    Este OVA conta a história de uma guerra. É contra entidades alienígenas, mas poderia ser contra qualquer tipo de criatura. Através da relaçao piloto-máquina e da interacção com os seus pares e superiores, é-nos relatada uma guerra realista, contra um misterioso inimigo que rapidamente se poderia considerar humano tal como nós.

    Infelizmente, esta história com grande potencial falha em alguns aspectos. A narrativa não está bem estruturada e os personagens encontram-se pouco desenvolvidos, sendo que teria sido agradável conhecer um pouco mais sobre as suas motivações para nos entendermos melhor dentro deste contexto. Apesar do realismo impresso a todos os aspectos (por exemplo, a maquinaria limita-se a aviões), estes personagens acabam por ter uma aura um pouco fantasiosa, como se cada um deles tivesse mais "poderes especiais" do que aquilo que realmente têm ou que seria humanamente possível. Desta forma, a suposição primária deste anime (realismo) e a sua execução tornam-se antagónicas. Isto é realmente muito estranho.

    Este OVA poderá ser considerado uma revolução dentro do universo da animação, pois integra uma produção elevadíssima em CG tridimensional com os personagens bidimensionais de sempre. Apesar de a técnica ser um pouco arcaica (e tal se notar de forma flagrante) parece-me uma excelente introdução neste campo e parece-me que terá aberto caminhos para toda uma nova série de técnicas. Acredito que o efeito geral tivesse tido melhor resultado se os cenários de céu e nuvens fossem um pouco mais detalhados ou que não se apoiassem tanto no CG (o que os torna pouco acreditáveis e, dizendo as coisas como elas são, muito feiinhos)

    A banda sonora não tem nada de especial, se bem que a ED me recorda o rock-n-roll da época das guerras Americanas, o que acaba por calhar muito bem dentro do contexto.

    Um anime que pode ter tido o seu lugar ao sol há uma década, mas que hoje em dia serve apenas como representação do seu tempo.
  • O Voo da Passarola

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    O Voo da Passarola
    Azhar Abidi
    2006
    Romance

    É evidente que depois de se ler uma obra da envergadura do Memorial do Convento se fica com um bocadinho de vontade de saber mais sobre as temáticas aí apresentadas. Assim, inscrevi-me para este BookRay, no BookCrossing, para um livro sobre a passarola voadora.

    Antes de mais, devo referir que senti um certo orgulho por uma pessoa de tão longe (autor paquistanês residente na Nova Zelândia) gostar tanto da história de um personagem  da história portuguesa para escrever um livro sobre ela. Para mais, um livro escrito com tanto carinho. Deixou-me muito feliz. :)

    O livro conta a história, com uma grande dose de fantasia, de Bartolomeu Gusmão, o inventor da "passarola" uma máquina de voar no século XVII. Acompanhado pelo seu irmão fictício, Alexandre (ou Alex), viaja por céus nunca antes navegados, participando em guerras, resgates, histórias de amor e uma exploração do Ártico. A escrita é muito simples e moderna, o que por vezes não se coaduna dentro do contexto histórico, tornando a leitura fácil e rápida. Para mais, é um livro muito pequeno, lê-se num respirar fundo.

    As descrições cénicas do céu têm momentos de beleza extrema e levam-nos para este universo imediatamente. Passamos a desejar estar com os dois irmãos nos céus, visitando terra atrás de terra e conhecendo tantas pessoas novas. Infelizmente, a falta de rigor histórico acaba por tornar a experiência em algo estranho, como se de uma fábula se tratasse. 

    O livro acaba por se tornar numa simples história de aventuras. É engraçado e acaba por ser uma excelente tentativa de tratamento desta história (quase um mito), mas fica um pouco aquém das expectativas.
  • Futakoi Alternative

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    Futakoi Alternative
    Hirao Takayuki - ufotable
    Anime - 13 Episódios
    2005
    5 em 10

    Como sempre, intercalado com um bom anime vem um que é um pouco mais ou menos bastante horribilis.

    Isto é suposto ser uma comédia. O nosso jovem amigo (há sempre um) tem envolvimentos antagónicos com a máfia. Para o ajudar, tem um par de gémeas e lutam contra umas hilariantes forças do mal. Soquenão. Nada aqui é hilariante. Apenas nos leva a pensar "porque gastaram dinheiro nisto"

    A história segue de forma mais ou menos episódica, em que conhecemos novos inimigos (muito engraçados) e novos pares de gémeas (muito sensuais). Acontecem muitas coisas, mas a verdade é que nenhuma delas tem qualquer tipo de força motriz que as torne em algo mais do que inconsequente. O mesmo acontece com as personagens. As raparigas, todas elas, estão reduzidas a serem um elemento do par. Apenas funcionam em conjunto, até mesmo nos momentos finais em que há uma separação. Isto é altamente limitante, reduzindo as personagens a uma espécie de fetiche que, podendo fascinar o mais volúvel dos ota-cus, torna todo o anime numa experiência bastante desagradável.

    Artisticamente, este anime faz-nos lembrar que nem sempre os grandes estúdios dedicados a animação espectacular foram grandes estúdios dedicados a animação espectacular. A arte gráfica e animação estão um pouco abaixo da média, mesmo considerando que nos encontramos a meio dos anos 00. É tudo muito pouco detalhado e há erros graves no que respeita às proporções. Sem dúvida que a melhor parte, e não só tem termos de arte, são os momentos spot-motion do final e as fotografias utilizadas no meio de cada episódio (assinalando o intervalo). São imagens extremamente interessantes, embora não tenham qualquer relação com o anime em si, e deixam-nos curiosos para saber mais sobre elas.

    Na banda sonora, não temos nada de extraordinário, mas as EDs têm um certo efeito calmante.

    Enfim, mais um anime que foi visto e que rapidamente será esquecido.
  • Persepolis

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    Persepolis
    Marjane Satrapi
    2000
    Banda Desenhada
    7 em 10

    Depois de ver o filme, tinha ficado curiosa em relação ao livro original. Assim, quando a Ana-san se ofereceu para mo emprestar (em troca de qualquer BD que eu tivesse por aqui), foi com muito gosto que aceitei. Li-o num instante, e olhem que o livro é bem grande.

    Inevitavelmente, terei de estabelecer alguns paralelos com o filme. O tema é o mesmo, assim como a abordagem. De uma forma autobiográfica, Marjane Satrapi conta-nos como costumava ser a vida no Irão antes da guerra e como se tornou depois dela. No entremeio, fala-nos da incapacidade do mundo dito por "civilizado" de a aceitar enquanto ser humano e da sua dúvida e espiral depressiva quando confrontada com a sua identidade. Se por um lado ela se habituou à liberdade europeia tal como ela é, por outro lado é atraída pelo conforto de estar na sua terra e de não ser julgada pelo seu aspecto. Só que continua sendo. É um dilema paradoxal muito interessante, que está explorado com a mestria de quem o viveu.

    Existem várias diferenças em relação ao filme que tornam esta obra em algo completamente distinto. Para começar, são poucos e muito vagos os momentos musicais. Considerando que o filme vive em absoluto destes, o "silêncio" foi algo que me impressionou de sobremaneira. Para mais, há uma diferença artística flagrante. Enquanto que no filme explorávamos toda uma tonalidade entre o preto e o branco, no livro este elemento é muito mais directo: só existem o preto e o branco. Apesar disto, a utilização de padrões leva-nos a conseguir imaginar toda uma matiz de cor. Assim, a paleta reduzida torna-se extremamente versátil, sobretudo em imagens de guerra e destruição que são, sem dúvida, muito mais impressionantes.

    É uma banda desenhada de curtas vinhetas e com bastante texto. As explicações dadas são claras e dão-nos uma excelente visão do sentimento colectivo das pessoas informadas perante o flagrante da guerra e do extremismo religioso, colmatados com expressões extremamente naturais inseridas nos diálogos. Isto prova que, apesar de tudo, ainda somos "pessoas", "pessoas normais", não apenas reduzidas ao limitante "extremo ou livre-pensador"

    O elemento depressivo pareceu-me estar melhor expressado no filme, já que aqui há apenas uma referência bastante vaga sob um olhar frio. Isto foi, realmente, uma pena: gostaria de ter visto todas aquelas imagens de tripanário em papel.

    No geral, uma excelente banda desenhada que nos dá uma luz aguçada sobre a temática da guerra do médio-oriente, assunto sempre actual (espero que venha o dia em que deixe de o ser)
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