• Edge of Tomorrow

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    Edge of Tomorrow
    Doug Liman
    2014
    Filme
    5 em 10

    Depois de um filme excelente, porque não um filme terrível? Mas não vimos double session ilegal (entrar noutra sala de cinema em vez de sair cá para fora). Simplesmente fomos para casa e pôs-se o filme a sacar.

    Começo por dar a informação que descobri há pouco, e que faz todo o sentido: este filme é inspirado numa novel Japonesa, e subsequente manga, chamado "All you need is kill",  de Hiroshi Sakurazaka. Segundo me consta, anda toda a gente meio maluca com este manga, adoram-no. Mas, se for como filme, é caso para dizer "porquê". Mas enfim, voltemos ao filme.

    O planeta Terra foi invadido por um grupo de criaturas extremamente difíceis de matar, de nome "mimics". São tipo uns aranhiços gigantes e mal-cheirosos. Quando luta contra um deles, todo azul brilhante e todo catita, este oficial que acidentalmente foi parar ao campo de batalha, ganha o poder de voltar atrás no tempo quando morre. O que significa que ele sabe o que vai acontecer e pode planear o que fazer e vencer a guerra. Depois, conhece uma gaja chamada Rita que é mestre do assassinato de aranhiços fedorentos. E depois o Tom Cruise tem de ir salvar o mundo, que é coisa que nem sempre corre bem (pois o Tom Cruise come placentas, ew)

    Em vários momentos eu esperava que o filme fosse numa direcção completamente diferente, muito mais complexa e, consequentemente, mais interessante. Mas a estrutura de shounen mantém-se do início ao fim. Na realidade, eu esperava desde o início que o Tom Cruise falasse com os soldados rasos e fizesse com que estes se organizassem, de preferência numa espécie de revolução. Mas não, sozinho estou, sozinho ficarei, sozinho vencerei as forças do mal. A estrutura do filme é exactamente igual à estrutura do shounen, com certos erros básicos que poderiam ter sido evitados com um melhor conhecimento do género (e não apenas sacar inspiração da novel e fazer o que nos apetece). Por exemplo, o ritmo do filme começa demasiado lento, para depois acelerar e voltar a decrescer, o que faz com que o espectador não consiga fazer uma manutenção da sua expectativa e, por isso, a concentração. A sequência de treino, apesar de importante, pareceu-me demasiado longa e repetitiva. Em vez de um efeito que poderia ser cómico, foi aborrecida. Em compensação, a sequência do planeamento e estratégia foi demasiado apressada, o que não permite uma percepção real o do que realmente se passa.

    Apesar de ao longo do filme os personagens irem desenvolvendo as suas capacidades físicas, a estrutura e engenharia da maquinaria não aparenta ser nada realista. Não parece fácil de usar e não tem grande mobilidade. Assim, o design poderia ser melhorado. Em termos de efeitos especiais, é caso para dizer que não é nada de especial. A animação por computador não é realista e as sequências de luta nada de espectacular têm, pois normalmente terminam em morte e, como a morte não é sinal de derrota, isto é inconsequente.

    O final é simpático e amoroso, mas a música dos créditos quebra completamente com o ambiente criado ao longo do filme.

    Enfim, acho que se fores um rapaz vais curtir totes. Se fores eu, é só mais um.
  • Gone Girl

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    Gone Girl
    David Fincher
    2014
    Filme
    7 em 10

    Vamos ao cinema! Há quanto tempo não vamos ao cinema? Não sei, mas vamos agora. :> Fique a nota da descoberta de que a minha mãe tem um cartão Zon e que isso oferece um bilhete nos cinemas Lusomundo (que já não têm esse nome, não interessa)

    Este é um longo filme que trata da situação de uma pessoa desaparecida, com um certo twist muito assustador e perturbador. Não posso falar dele paranão vos estragar o filme, mas aviso já que nem tudo é o que parece.

    Desde o início, com uma sequência de imagens do ambiente da cidade, o filme se estabelece como fonte de stress. Tanto para os personagens como para nós, espectadores. Nick Dunne já não gosta da mulher. Ela aborrece-o e ele não a compreende mais. Portanto, no dia de aniversário de casados, ele pondera o que há-de fazer com o seu casamento destroçado. Quando chega a casa, atinge-o a descoberta de que Amy, a sua esposa, desapareceu do mapa. Nesse momento começa uma busca incessante e altamente mediática para a encontrar, intercalada com imagens dos momentos passados que explicam como o casamento - que era tão bom - se veio a tornar desagradável e exasperante. Mas quando começam a acusar Nick de ter assassinado a esposa, tentamos perceber... O que é real? O que não é? E na segunda parte do filme há a luta pela descoberta do que é verdadeiro, em que percebemos pelo caminho a verdadeira dimensão destes personagens.

    Apesar de ser um filme de grande duração, mantive-me concentrada do início ao fim, o que não é normal em mim. As pessoas que estavam ao nosso lado desapareceram no intervalo, dizendo que não vinham ao cinema ao Domingo para adormecer. Mas o filme não é nada assim, pois mantém a expectativa até ao final, mesmo depois de a história estar concluida. A conclusão é estranhamente fascinante, pois é o compromisso entre o melhor possível, mas também não podia ser pior.

    Gostaria de fazer uma nota para o trabalho de actor, que merece atenção. Ambos os personagens, que têm uma construção muito sólida, são interpretados de forma excelente. A dualidade desespero-loucura, a sociopatia real e falsa, tudo isto não seria possível sem um grande trabalho de actores experientes. No caso de Ben Affleck, ainda bem que lhe deram a oportunidade de escapar das comédias terríveis.

    Também as imagens paisagísticas, apesar de simples, são muito interessantes.

    Assim, acho que posso recomendar que vejam este filme. Se for no cinema, ainda melhor. :)
  • Shakugan no Shana

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    Shakugan no Shana
    Watanabe Takashi - J.C. Staff
    Anime - 24 + 24 + 24 Episódios + 4 OVA + 1 Special + 1 Filme
    2005 - 2012
    6 em 10

    Aviso: encontro-me de "férias", portanto irei ver mais anime do que o suposto.

    Há muito tempo ouvia falar da Shana. Waifu para aqui, waifu para ali, tinha curiosidade em saber quem seria esta criatura que partilha o cognome com a minha mãe. Saquei a primeira coisa que me apareceu e era um batch com todas as coisas enunciadas acima. Ainda faltam alguns elementos, mas - para ser sincera - não me apetece ver mais nada relacionado com isto durante muito tempo, talvez o resto da vida. Este comentário serve para todo este material em geral. Houve uma grande melhoria em todos os aspectos desde a primeira instância até à última, mas alguns pontos mantêm-se.

    Para começar, é-nos introduzida uma história extremamente complexa, que envolve seres de outros mundos, organizações subespaciais em conflito umas com as outras e uma série de gente com nomes bizarros, como a Shana dos Olhos Flamejantes e a Pessoa que Sabe todas as Coisas, entre outros. A complexidade da história vai aumentando de forma um pouco confusa, para uma conclusão que, não sendo extremamente clara, é satisfatória e responde a todas as dúvidas. Na verdade, o anime balança entre a típica luta do bem contra o mal e momentos de fatia-de-vida que contribuem para o desenvolvimento das relações entre os personagens. Isto é mais evidente na segunda season, que parece existir como ponto de equilíbrio entre a introdução e a conclusão. Nesta, desenvolve-se uma história em que os papéis dos personagens estão invertidos, o que pode parecer estranho ao início.

    Falando nos personagens, não são especialmente fortes ou interessantes. Sobretudo o personagem principal, é muito insonso, mesmo depois de virar a boneca e se passar para o outro lado. Shana, essa sim, aparenta ser bom material para waifu, não só devidoàs suas características físicas, mas também ao seu poder inicial (os olhos flamejantes). Talvez seja a única personagem a sofrer um desenvolvimento com carácter de interesse, pois existe um crescimento e materialização de sentimentos. É uma personagem que, apesar do poder físico, aparenta ter algumas fraquezas emocionais, que são ultrapassadas ao longo das seasons com recurso a muita descoberta interior. Nesse aspecto, é uma personagem interessante.

    A arte começa por ser terrível, absolutamente horrorosa, sem atenção ao detalhe, com cores deslavadas e sequências de animação atrozes. À medida que o tempo passa, aparece uma produção mais cuidada, sendo a terceira season rica em grandes momentos de animação, com lutas muito brilhantes e extremamente bem coreografadas.

    MMusicalmente, temos muito pouca variedade em termos de género, sendo todas as OPs e EDs aquele pop-rock no feminino pouco inspirado a que os meados dos 00s nos habituaram. Na primeira season há momentos de silência exagerados, colmatados à medida que o tempo passa com alguns instrumentais que, apesar de vulgares, calham bem dentro da sequência das lutas.

    Concluo com o facto de que, realmente, compreendo porque esta série é tão amada. Apareceu na televisão americana e poderá ter sido o anime introdutório para muitas pessoas que hoje se orgulham de ser ota-cus. A personagem é forte e carismática e a história tem os seus detalhes que poderão captar a atenção. Não me cativou, mas não é nada de mau.
  • O Labirinto do Fauno

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    O Labirinto do Fauno
    Guillermo del Toro
    2006
    Filme
    8 em 10

    Enquanto estava toda a gente no Iberanime a apanhar chuva, estava eu com o Pi numa casinha geminada no meio de uma floresta de eucaliptos a ouvir a chuva. E a ver este filme. E a beber uma mini garrafinha de vinho absolutamente delicioso da região desta floresta de eucaliptos, que é Pegões.

    Para começar, não esperava um filme em espanhol. Ainda menos um filme passado durante a sangrenta guerra civil espanhola. Uma menina é levada para uma aldeia onde um grupo de militares luta contra guerrilheiros. A sua mãe está grávida e elas vão ter com o pai da criança, o maligno e sádico Capitão.

    Perante os horrores da guerra e todas as divisões emocionais que a moça tem em relação à mãe, ao seu novo pai e às pessoas que vivem nesta casa, Ofelia refugia-se num mundo fantástico, que poderá ser tão inventado como real, que tem como base um misterioso labirinto em ruínas. Ela encontra um Fauno que lhe diz que ela é uma princesa de um reino de imortalidade. Para poder voltar para ele, terá de cumprir três tarefas.

    Mas a vida real não lhe permite cumprir as tarefas. Entre a guerra, a fragilidade da mãe e a antipatia do Capitão, ela acaba envolvida numa luta que não é a sua, tentando fazer o seu melhor e revelando-se incapaz perante a realidade crua de todos estes adultos que já não se permitem acreditar em nada de bom. Os dois temas do filme entrecruzam-se de uma forma brilhante, levando a uma conclusão trágica, comovente, mas ainda assim com um pouco de esperança no futuro e em todas as coisas positivas em que nos abrigamos. No fundo, o filme dá a vitória não aos franquistas nem aos revolucionários, o filme dá a vitória às coisas boas, à inocência e à imaginação.

    O universo fantástico é recriado de forma muito realista, com recurso a muito material oriundo do folclore europeu e, sobretudo, do folclore ibérico. Também a imaginação do realizador (também argumentista) é merecida de nota. A caracterização dos espaços, das criaturas, dos monstros, tudo é feito com cuidado e está aqui um excelente trabalho.

    Uma nota para o tema musical que dá a tonalidade ao filme e, sobretudo, ao final. Até agora estou com ele na mente.

    E assim se passou (com mais uns episódios de Space Dandy, que estamos a ver ao nosso ritmo) o fim de semana em que eu utilizei o prémio literário que ganhei no Natal passado. Foi uma chuva muito agradável.
  • Batman: Gotham Knight

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    Batman: Gotham Knight
    Vários - Vários
    Anime OVA - 6 Episódios
    2008
    7 em 10

    Foi-me recomendado há muito, muito tempo, pelo Pi. :) Ele gosta do Batima.

    Trata-se de um conjunto de animações experimentais, feitas por vários estúdios, nomeadamente: Bee Train, Production I. G., Madhouse Studios e Studio 4ºC. Todas elas se centram à volta do Batman, animando diversas histórias, com vilões diversos, e experiências mais íntimas que este personagem histórico e marcante vive ao longo da sua vida como protector da cidade de Gotham. É uma série de animações muito interessante, mesmo para quem sabe pouco ou nada sobre o Batman, que é o meu caso. Como são apenas seis, passo a enumerá-las:

    Have I got a Story for You
    Sem dúvida o que tem a animação mais divertida, com uma fluidez e rapidez de movimentos de fazer inveja a muito anime. Vários miúdos encontram-se e contam as histórias do seu encontro com o misterioso Batman. Em nenhuma delas ele é igual, numa voa, noutra transforma-se em sombras, chega até a ser um robot! É uma históriazinha um pouco surreal e infantil, que no final traz um grande sorriso.
    Crossfire
    Explora o lado policial do mithos do personagem. Acompanhamos dois polícias que debatem o significado da sua função, numa cidade assolada por gangsters e protegida por essa misteriosa figura de morcego. Demonstra a faceta protectora do personagem, numa cena recheada de acção.
    Field Test
    Falamos do arsenal de armas mirabolantes do nosso homem morcego. Desta vez inventam para ele um "afastador de metais", uma espécie de colete anti-bala que as repele. Esta história não é especialmente interessante, apesar da animação belíssima. Fica marcada por terem transformado o Bruce Wayne num bishounen, o que é uma experiência ligeiramente perturbadora.

    In Darkness
    Esta trata-se de uma aventura praticamente copiada dos livros aos quadradinhos, embora resumida. Batman procura os raptores de um certo cardeal benfeitor, vendo-se metido numa grande batalha dentro dos esgotos. Os vilões estão muito bem concebidos e são assustadores, sendo que as lutas estão resolvidas com mestria e inteligência, demonstrando o melhor da personagem.

    Working Through Pain
    Esta foi a minha preferida, pelo seu carácter filosófico e intimista. Bruce Wayne viaja até à Índia para o ensinarem a lidar com a dor. E na verdade ensinam. Mas será que isso é suficiente? É um episódio que dá que pensar.
    Deadshot
    Uma boa animação, mas talvez a história menos interessante. Trata-se de uma luta contra um mercenário que tem daquelas armas à distância, que está de olho no Tenente Gordon. Batman protege-o.
    Verdadeiramente, uma experiência interessante. Todos juntos, os episódios fazem pouco mais de uma hora. Força!
  • Mobile Suit Gundam Unicorn

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    Mobile Suit Gundam Unicorn
    Furuhashi Kazuhiro - Sunrise
    Anime OVA - 7 Episódios
    2010
    7 em 10

    Como saberão, sou grande fã dos Gandamus. Posso orgulhar-me de ter visto (quase) todos. Faltava este, que era importante. Passado algum tempo depois da última instância do universo de United Century (UC), há um revivalismo de conceitos e de factos exemplares que tornam este conjunto de filmes um gosto de se ver. Porque isto não é um OVA normal: são sete episódios com uma hora cada um, exceptuando o último que acrescenta mais trinta minutos.

    A história é conclusiva no que respeita a UC: um jovem é confrontado com um Gundam especial, um super-robot activado pelas suas capacidades de Newtype. Entre querelas entre a Federation e Zeon, descobrimos o segredo da misteriosa "Caixa de Laplace", que detém um poder imparável que poderá tanto dar a vitória a um dos lados, como destruí-los ou mesmo unificá-los. No que respeita ao conceito, está aceitável, embora o facto de termos alterado o Gundam original para um robot super poderoso com uma certa dose de poderes mágicos (e muito glitter) seja um pouco perturbador. Na verdade, a minha classificação não foi mais alta precisamente por causa desta alteração, que me pareceu pouco natural pelas memórias que tinha dos factos anteriores.

    O que gostei mais foi sem dúvida o revisitar de personagens. Temos o Char, agora chamado de Full Frontal, com todo o seu charme a pulsar. Apesar do penteado estranho que lhe deram. Temos a princesa Mineva e temos Purus mais crescidas, fazendo-nos crer que afinal o ZZ não foi esquecido. Até temos o Bright Noa, que fica giríssimo com este design modernizado. No respeitante aos novos elementos do conjunto, temos um grupo de personagens interessante, apaixonado e com uma densidade bastante apetitosa. Rapidamente nos identificamos com eles e com os seus dilemas, que não são nada pequenos. Na verdade são bastante puros e respeitam muito todos os conceitos do UC original.

    Desta vez não há grande ênfase no aspecto da guerra e do flagelo que simboliza, ao contrário dos OVAs antigos passados nesta timeline. Apesar de Unicorn aparecer como conclusão, acho que teria sido mais digno se tivessem tocado nesses aspectos, que sempre foram importantes para o universo Gandámico.

    A arte está soberba. Os designs têm o estilo do Tomino, mas estão modernizados, o que dá um efeito muito giro. E as sequências de animação são do mais bonito que existe, com coreografias bem desenhadas, cores vívidas e efeitos explosivos espectaculares. Ainda assim, não se compreende como pode haver fogo no espaço, onde não há oxigénio (mas isso é defeito de todas as óperas espaciais).

    No sonoro, temos uma grande variedade. Os efeitos sonoros combinam bem, embora nem sempre as músicas do parênquima me tenham parecido as mais adequadas para cada situação. Em cada episódio temos uma ED diferente, sendo que muitas delas fazem lembrar o pop vintage do UC original.

    De uma forma ou de outra, com defeitos ou sem eles, foi uma conclusão bastante aceitável para um dos momentos mais significativos da história do anime. E lembrem-se: Gundam ainda vive e - se tudo correr bem - ainda viverá por muito tempo! 

    Sieg Zeon!
  • Morrissey

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    Morrissey
    Concerto
    Quando este concerto foi anunciado, toda a gente ficou extremamente excitada. Mas eu não conhecia nada do artista, portanto pensei que não iria ao concerto. Entretanto, fui ouvindo histórias... Ai que o homem cancela os concertos do nada, ai que ele é uma diva malcriada, ai! E eu pensei... O homem já não é novo... Se calhar nunca mais volta a Portugal. É uma oportunidade única de ver um tipo que marcou a história da música com os Smiths... Portanto, porque não? E lá fui eu comprar o bilhete. Na compra, disseram-nos que estavam a vender muito bem. Portanto sentimo.nos aliviados quando ainda havia bilhetes para nós.

    Entretanto comecei a ouvir Smiths. E adorei. A sério. Do fundo do coração. Já vos disse que estou numa dieta musical homeopática de Gackt e Smiths? Pois, foi assim que eu gostei deles. Portanto tinha esperança que o senhor tocasse uma ou outra dos Smiths, para além da carreira a solo dele, que não tive tempo de passar a conhecer bem. Ainda assim, gosto de ir aos concertos experimentar e depois decidir se quero conhecer ou não. No caso, quero conhecer, portanto vou sacar um ou outro album. :)

    Encontro-me com o namoradim, doravante conhecido como Pi, e buscamos um lugar para eu me alimentar. Eu tenho de estar bem alimentada, se não faleço: falecer durante o concerto seria bastante desagradável para todos. Acabei por comer muito rápido uns falaféis e ainda mais rápido bebemos uma garrafinha de Simão branco, a nossa nova descoberta. Diga-se de passagem, é genial. Depois, mostramos os nossos bilhetes e entramos. Na fila para a casa de banho informam todas as gaijas que têm de fechar o sanitário, mas todas ignoram o jovem. Passam-nos para a mão propaganda terrorista da defesa dos animais, que eu não leio até ao fim porque não estou para aturar gente parva. Mas as imagens eram giras. Foi o Zé Gato (que havíamos encontrado antes, ainda na rua) que guardou os folhetos.

    Ao entrar, para a parte de baixo do Coliseu, passamos pelas pessoas. Não estão muitas, está-se bem, está-se à larga. Entretanto encontramos mais pessoas, mas ficámos separados por um trio de cotas que formou uma barreira de cotovelos para impedir a nossa passagem. Está um calor humano que é completamente desumano. Casacos fora, mangas para cima, mas suo que nem um animal sudoríparo.

    Abaixam-se as luzes e aparece aquilo que seria uma banda de abertura. Isto é, seria se o Morrissey não fosse impossível de se aturar. Em vez disso, vemos videoclips, vídeos de concertos do antigamente, vídeos do youtube em geral, mas bastante alternativos. E assim se mantém durante uns vinte minutos. Pelo meio mais propaganda dos animais, desta vez anti-tourada. Com a imagem final penso "agora é que ele nos mandou à merda e não há concerto!"

    Mas houve.

    Talvez seja por só comer raízes, mas o homem está bem conservado. E, o mais importante, a voz continua igual. Agora, o meu problema: eu não conhecia as músicas. Portanto estava ali mais numa de observadora. E gostei bastante. Na verdade, as músicas são todas muito iguais a si próprias, mas têm uma certa identidade que - embora possa ser, por vezes, repetitiva - torna o artista único. Os ritmos são semelhantes ao que eu conhecia dos Smiths, uma tonalidade alegre e colorida, mas uma temática entristecida e quase irónica. Em termos musicais, este é o tipo de música que gosto. E lá estava eu toda contente, sempre à espera de ouvir uma dos Smiths, quando ele toca uma dos Smiths.

    E não podia ter escolhido música pior.

    A sério. Quem é que se lembra de tocar uma música como Meat is Murder num concerto? Para mais, com ainda mais propaganda horripilante? Vídeos de produção intensiva que não são reais! Aquilo não é a realidade! Fuck you! Eu sou veterinária, eu sei a realidade! Para mim custa-me, custa-me mesmo muito, ver animais a sofrer e a morrer. E comecei a sentir os meus faláfeis a subir à garganta. Enterrei-me no Pi à espera que acabasse e a olhar para as pessoas, que estavam todas fascinadas a ver o horribilis. E quando acabou, não me podia sentir pior. Sentia-me com o estômago todo necrosado prestes a saltar cá para fora. E o calor não ajudava.

    Mas resisti e fiquei e vi o encore.

    E o tipo... Este Morrissey... Ele canta bem e as músicas são boas, mas ele parecia não estar a gostar de nós nem de de cantar nem de nada. Agradecia dizendo "gracias", para nossa grande revolta, apesar de se ter corrigido uma ou duas vezes. Enfim, há artistas que é melhor não conhecer a pessoa e ouvir apenas a música. :3

    Saímos a correr, pois eu necessitava com urgência de um (ou dois, ou sete) golo de água. Na saída vi uma pessoa conhecida. E estávamos todos cá fora a comentar o concerto quando aparecem dois tipos aos pulos a bater num outro tipo. Corri a esconder-me, não fossem eles achar que também me deviam partir o nariz, e atrás de mim estava um fulano todo colorido com uma cadeira aos gritos "são os fascistas! São os nazis!" Fiquei um bocado assustada, tanto que nem sequer me despedi convenientemente das pessoas. :( Sorry...

    Bem, contas feitas, foi um concerto bastante positivo. Gostei da música, apesar de não ter gostado dos efeitos visuais. Agora vou sacar uns albuns essenciais, mais um best of ou outro e conhecer melhor o que o tipo canta. Mas enquanto ouvir a música vou fazer questão de estar a comer uma belíssima sande de peito de perú fumado. Nham nham.

    Fica aqui um vídeo do concerto gravado pelo Zé Gato :) Ficse, non? =D
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