• Shakugan no Shana

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    Shakugan no Shana
    Watanabe Takashi - J.C. Staff
    Anime - 24 + 24 + 24 Episódios + 4 OVA + 1 Special + 1 Filme
    2005 - 2012
    6 em 10

    Aviso: encontro-me de "férias", portanto irei ver mais anime do que o suposto.

    Há muito tempo ouvia falar da Shana. Waifu para aqui, waifu para ali, tinha curiosidade em saber quem seria esta criatura que partilha o cognome com a minha mãe. Saquei a primeira coisa que me apareceu e era um batch com todas as coisas enunciadas acima. Ainda faltam alguns elementos, mas - para ser sincera - não me apetece ver mais nada relacionado com isto durante muito tempo, talvez o resto da vida. Este comentário serve para todo este material em geral. Houve uma grande melhoria em todos os aspectos desde a primeira instância até à última, mas alguns pontos mantêm-se.

    Para começar, é-nos introduzida uma história extremamente complexa, que envolve seres de outros mundos, organizações subespaciais em conflito umas com as outras e uma série de gente com nomes bizarros, como a Shana dos Olhos Flamejantes e a Pessoa que Sabe todas as Coisas, entre outros. A complexidade da história vai aumentando de forma um pouco confusa, para uma conclusão que, não sendo extremamente clara, é satisfatória e responde a todas as dúvidas. Na verdade, o anime balança entre a típica luta do bem contra o mal e momentos de fatia-de-vida que contribuem para o desenvolvimento das relações entre os personagens. Isto é mais evidente na segunda season, que parece existir como ponto de equilíbrio entre a introdução e a conclusão. Nesta, desenvolve-se uma história em que os papéis dos personagens estão invertidos, o que pode parecer estranho ao início.

    Falando nos personagens, não são especialmente fortes ou interessantes. Sobretudo o personagem principal, é muito insonso, mesmo depois de virar a boneca e se passar para o outro lado. Shana, essa sim, aparenta ser bom material para waifu, não só devidoàs suas características físicas, mas também ao seu poder inicial (os olhos flamejantes). Talvez seja a única personagem a sofrer um desenvolvimento com carácter de interesse, pois existe um crescimento e materialização de sentimentos. É uma personagem que, apesar do poder físico, aparenta ter algumas fraquezas emocionais, que são ultrapassadas ao longo das seasons com recurso a muita descoberta interior. Nesse aspecto, é uma personagem interessante.

    A arte começa por ser terrível, absolutamente horrorosa, sem atenção ao detalhe, com cores deslavadas e sequências de animação atrozes. À medida que o tempo passa, aparece uma produção mais cuidada, sendo a terceira season rica em grandes momentos de animação, com lutas muito brilhantes e extremamente bem coreografadas.

    MMusicalmente, temos muito pouca variedade em termos de género, sendo todas as OPs e EDs aquele pop-rock no feminino pouco inspirado a que os meados dos 00s nos habituaram. Na primeira season há momentos de silência exagerados, colmatados à medida que o tempo passa com alguns instrumentais que, apesar de vulgares, calham bem dentro da sequência das lutas.

    Concluo com o facto de que, realmente, compreendo porque esta série é tão amada. Apareceu na televisão americana e poderá ter sido o anime introdutório para muitas pessoas que hoje se orgulham de ser ota-cus. A personagem é forte e carismática e a história tem os seus detalhes que poderão captar a atenção. Não me cativou, mas não é nada de mau.
  • O Labirinto do Fauno

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    O Labirinto do Fauno
    Guillermo del Toro
    2006
    Filme
    8 em 10

    Enquanto estava toda a gente no Iberanime a apanhar chuva, estava eu com o Pi numa casinha geminada no meio de uma floresta de eucaliptos a ouvir a chuva. E a ver este filme. E a beber uma mini garrafinha de vinho absolutamente delicioso da região desta floresta de eucaliptos, que é Pegões.

    Para começar, não esperava um filme em espanhol. Ainda menos um filme passado durante a sangrenta guerra civil espanhola. Uma menina é levada para uma aldeia onde um grupo de militares luta contra guerrilheiros. A sua mãe está grávida e elas vão ter com o pai da criança, o maligno e sádico Capitão.

    Perante os horrores da guerra e todas as divisões emocionais que a moça tem em relação à mãe, ao seu novo pai e às pessoas que vivem nesta casa, Ofelia refugia-se num mundo fantástico, que poderá ser tão inventado como real, que tem como base um misterioso labirinto em ruínas. Ela encontra um Fauno que lhe diz que ela é uma princesa de um reino de imortalidade. Para poder voltar para ele, terá de cumprir três tarefas.

    Mas a vida real não lhe permite cumprir as tarefas. Entre a guerra, a fragilidade da mãe e a antipatia do Capitão, ela acaba envolvida numa luta que não é a sua, tentando fazer o seu melhor e revelando-se incapaz perante a realidade crua de todos estes adultos que já não se permitem acreditar em nada de bom. Os dois temas do filme entrecruzam-se de uma forma brilhante, levando a uma conclusão trágica, comovente, mas ainda assim com um pouco de esperança no futuro e em todas as coisas positivas em que nos abrigamos. No fundo, o filme dá a vitória não aos franquistas nem aos revolucionários, o filme dá a vitória às coisas boas, à inocência e à imaginação.

    O universo fantástico é recriado de forma muito realista, com recurso a muito material oriundo do folclore europeu e, sobretudo, do folclore ibérico. Também a imaginação do realizador (também argumentista) é merecida de nota. A caracterização dos espaços, das criaturas, dos monstros, tudo é feito com cuidado e está aqui um excelente trabalho.

    Uma nota para o tema musical que dá a tonalidade ao filme e, sobretudo, ao final. Até agora estou com ele na mente.

    E assim se passou (com mais uns episódios de Space Dandy, que estamos a ver ao nosso ritmo) o fim de semana em que eu utilizei o prémio literário que ganhei no Natal passado. Foi uma chuva muito agradável.
  • Batman: Gotham Knight

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    Batman: Gotham Knight
    Vários - Vários
    Anime OVA - 6 Episódios
    2008
    7 em 10

    Foi-me recomendado há muito, muito tempo, pelo Pi. :) Ele gosta do Batima.

    Trata-se de um conjunto de animações experimentais, feitas por vários estúdios, nomeadamente: Bee Train, Production I. G., Madhouse Studios e Studio 4ºC. Todas elas se centram à volta do Batman, animando diversas histórias, com vilões diversos, e experiências mais íntimas que este personagem histórico e marcante vive ao longo da sua vida como protector da cidade de Gotham. É uma série de animações muito interessante, mesmo para quem sabe pouco ou nada sobre o Batman, que é o meu caso. Como são apenas seis, passo a enumerá-las:

    Have I got a Story for You
    Sem dúvida o que tem a animação mais divertida, com uma fluidez e rapidez de movimentos de fazer inveja a muito anime. Vários miúdos encontram-se e contam as histórias do seu encontro com o misterioso Batman. Em nenhuma delas ele é igual, numa voa, noutra transforma-se em sombras, chega até a ser um robot! É uma históriazinha um pouco surreal e infantil, que no final traz um grande sorriso.
    Crossfire
    Explora o lado policial do mithos do personagem. Acompanhamos dois polícias que debatem o significado da sua função, numa cidade assolada por gangsters e protegida por essa misteriosa figura de morcego. Demonstra a faceta protectora do personagem, numa cena recheada de acção.
    Field Test
    Falamos do arsenal de armas mirabolantes do nosso homem morcego. Desta vez inventam para ele um "afastador de metais", uma espécie de colete anti-bala que as repele. Esta história não é especialmente interessante, apesar da animação belíssima. Fica marcada por terem transformado o Bruce Wayne num bishounen, o que é uma experiência ligeiramente perturbadora.

    In Darkness
    Esta trata-se de uma aventura praticamente copiada dos livros aos quadradinhos, embora resumida. Batman procura os raptores de um certo cardeal benfeitor, vendo-se metido numa grande batalha dentro dos esgotos. Os vilões estão muito bem concebidos e são assustadores, sendo que as lutas estão resolvidas com mestria e inteligência, demonstrando o melhor da personagem.

    Working Through Pain
    Esta foi a minha preferida, pelo seu carácter filosófico e intimista. Bruce Wayne viaja até à Índia para o ensinarem a lidar com a dor. E na verdade ensinam. Mas será que isso é suficiente? É um episódio que dá que pensar.
    Deadshot
    Uma boa animação, mas talvez a história menos interessante. Trata-se de uma luta contra um mercenário que tem daquelas armas à distância, que está de olho no Tenente Gordon. Batman protege-o.
    Verdadeiramente, uma experiência interessante. Todos juntos, os episódios fazem pouco mais de uma hora. Força!
  • Mobile Suit Gundam Unicorn

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    Mobile Suit Gundam Unicorn
    Furuhashi Kazuhiro - Sunrise
    Anime OVA - 7 Episódios
    2010
    7 em 10

    Como saberão, sou grande fã dos Gandamus. Posso orgulhar-me de ter visto (quase) todos. Faltava este, que era importante. Passado algum tempo depois da última instância do universo de United Century (UC), há um revivalismo de conceitos e de factos exemplares que tornam este conjunto de filmes um gosto de se ver. Porque isto não é um OVA normal: são sete episódios com uma hora cada um, exceptuando o último que acrescenta mais trinta minutos.

    A história é conclusiva no que respeita a UC: um jovem é confrontado com um Gundam especial, um super-robot activado pelas suas capacidades de Newtype. Entre querelas entre a Federation e Zeon, descobrimos o segredo da misteriosa "Caixa de Laplace", que detém um poder imparável que poderá tanto dar a vitória a um dos lados, como destruí-los ou mesmo unificá-los. No que respeita ao conceito, está aceitável, embora o facto de termos alterado o Gundam original para um robot super poderoso com uma certa dose de poderes mágicos (e muito glitter) seja um pouco perturbador. Na verdade, a minha classificação não foi mais alta precisamente por causa desta alteração, que me pareceu pouco natural pelas memórias que tinha dos factos anteriores.

    O que gostei mais foi sem dúvida o revisitar de personagens. Temos o Char, agora chamado de Full Frontal, com todo o seu charme a pulsar. Apesar do penteado estranho que lhe deram. Temos a princesa Mineva e temos Purus mais crescidas, fazendo-nos crer que afinal o ZZ não foi esquecido. Até temos o Bright Noa, que fica giríssimo com este design modernizado. No respeitante aos novos elementos do conjunto, temos um grupo de personagens interessante, apaixonado e com uma densidade bastante apetitosa. Rapidamente nos identificamos com eles e com os seus dilemas, que não são nada pequenos. Na verdade são bastante puros e respeitam muito todos os conceitos do UC original.

    Desta vez não há grande ênfase no aspecto da guerra e do flagelo que simboliza, ao contrário dos OVAs antigos passados nesta timeline. Apesar de Unicorn aparecer como conclusão, acho que teria sido mais digno se tivessem tocado nesses aspectos, que sempre foram importantes para o universo Gandámico.

    A arte está soberba. Os designs têm o estilo do Tomino, mas estão modernizados, o que dá um efeito muito giro. E as sequências de animação são do mais bonito que existe, com coreografias bem desenhadas, cores vívidas e efeitos explosivos espectaculares. Ainda assim, não se compreende como pode haver fogo no espaço, onde não há oxigénio (mas isso é defeito de todas as óperas espaciais).

    No sonoro, temos uma grande variedade. Os efeitos sonoros combinam bem, embora nem sempre as músicas do parênquima me tenham parecido as mais adequadas para cada situação. Em cada episódio temos uma ED diferente, sendo que muitas delas fazem lembrar o pop vintage do UC original.

    De uma forma ou de outra, com defeitos ou sem eles, foi uma conclusão bastante aceitável para um dos momentos mais significativos da história do anime. E lembrem-se: Gundam ainda vive e - se tudo correr bem - ainda viverá por muito tempo! 

    Sieg Zeon!
  • Morrissey

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    Morrissey
    Concerto
    Quando este concerto foi anunciado, toda a gente ficou extremamente excitada. Mas eu não conhecia nada do artista, portanto pensei que não iria ao concerto. Entretanto, fui ouvindo histórias... Ai que o homem cancela os concertos do nada, ai que ele é uma diva malcriada, ai! E eu pensei... O homem já não é novo... Se calhar nunca mais volta a Portugal. É uma oportunidade única de ver um tipo que marcou a história da música com os Smiths... Portanto, porque não? E lá fui eu comprar o bilhete. Na compra, disseram-nos que estavam a vender muito bem. Portanto sentimo.nos aliviados quando ainda havia bilhetes para nós.

    Entretanto comecei a ouvir Smiths. E adorei. A sério. Do fundo do coração. Já vos disse que estou numa dieta musical homeopática de Gackt e Smiths? Pois, foi assim que eu gostei deles. Portanto tinha esperança que o senhor tocasse uma ou outra dos Smiths, para além da carreira a solo dele, que não tive tempo de passar a conhecer bem. Ainda assim, gosto de ir aos concertos experimentar e depois decidir se quero conhecer ou não. No caso, quero conhecer, portanto vou sacar um ou outro album. :)

    Encontro-me com o namoradim, doravante conhecido como Pi, e buscamos um lugar para eu me alimentar. Eu tenho de estar bem alimentada, se não faleço: falecer durante o concerto seria bastante desagradável para todos. Acabei por comer muito rápido uns falaféis e ainda mais rápido bebemos uma garrafinha de Simão branco, a nossa nova descoberta. Diga-se de passagem, é genial. Depois, mostramos os nossos bilhetes e entramos. Na fila para a casa de banho informam todas as gaijas que têm de fechar o sanitário, mas todas ignoram o jovem. Passam-nos para a mão propaganda terrorista da defesa dos animais, que eu não leio até ao fim porque não estou para aturar gente parva. Mas as imagens eram giras. Foi o Zé Gato (que havíamos encontrado antes, ainda na rua) que guardou os folhetos.

    Ao entrar, para a parte de baixo do Coliseu, passamos pelas pessoas. Não estão muitas, está-se bem, está-se à larga. Entretanto encontramos mais pessoas, mas ficámos separados por um trio de cotas que formou uma barreira de cotovelos para impedir a nossa passagem. Está um calor humano que é completamente desumano. Casacos fora, mangas para cima, mas suo que nem um animal sudoríparo.

    Abaixam-se as luzes e aparece aquilo que seria uma banda de abertura. Isto é, seria se o Morrissey não fosse impossível de se aturar. Em vez disso, vemos videoclips, vídeos de concertos do antigamente, vídeos do youtube em geral, mas bastante alternativos. E assim se mantém durante uns vinte minutos. Pelo meio mais propaganda dos animais, desta vez anti-tourada. Com a imagem final penso "agora é que ele nos mandou à merda e não há concerto!"

    Mas houve.

    Talvez seja por só comer raízes, mas o homem está bem conservado. E, o mais importante, a voz continua igual. Agora, o meu problema: eu não conhecia as músicas. Portanto estava ali mais numa de observadora. E gostei bastante. Na verdade, as músicas são todas muito iguais a si próprias, mas têm uma certa identidade que - embora possa ser, por vezes, repetitiva - torna o artista único. Os ritmos são semelhantes ao que eu conhecia dos Smiths, uma tonalidade alegre e colorida, mas uma temática entristecida e quase irónica. Em termos musicais, este é o tipo de música que gosto. E lá estava eu toda contente, sempre à espera de ouvir uma dos Smiths, quando ele toca uma dos Smiths.

    E não podia ter escolhido música pior.

    A sério. Quem é que se lembra de tocar uma música como Meat is Murder num concerto? Para mais, com ainda mais propaganda horripilante? Vídeos de produção intensiva que não são reais! Aquilo não é a realidade! Fuck you! Eu sou veterinária, eu sei a realidade! Para mim custa-me, custa-me mesmo muito, ver animais a sofrer e a morrer. E comecei a sentir os meus faláfeis a subir à garganta. Enterrei-me no Pi à espera que acabasse e a olhar para as pessoas, que estavam todas fascinadas a ver o horribilis. E quando acabou, não me podia sentir pior. Sentia-me com o estômago todo necrosado prestes a saltar cá para fora. E o calor não ajudava.

    Mas resisti e fiquei e vi o encore.

    E o tipo... Este Morrissey... Ele canta bem e as músicas são boas, mas ele parecia não estar a gostar de nós nem de de cantar nem de nada. Agradecia dizendo "gracias", para nossa grande revolta, apesar de se ter corrigido uma ou duas vezes. Enfim, há artistas que é melhor não conhecer a pessoa e ouvir apenas a música. :3

    Saímos a correr, pois eu necessitava com urgência de um (ou dois, ou sete) golo de água. Na saída vi uma pessoa conhecida. E estávamos todos cá fora a comentar o concerto quando aparecem dois tipos aos pulos a bater num outro tipo. Corri a esconder-me, não fossem eles achar que também me deviam partir o nariz, e atrás de mim estava um fulano todo colorido com uma cadeira aos gritos "são os fascistas! São os nazis!" Fiquei um bocado assustada, tanto que nem sequer me despedi convenientemente das pessoas. :( Sorry...

    Bem, contas feitas, foi um concerto bastante positivo. Gostei da música, apesar de não ter gostado dos efeitos visuais. Agora vou sacar uns albuns essenciais, mais um best of ou outro e conhecer melhor o que o tipo canta. Mas enquanto ouvir a música vou fazer questão de estar a comer uma belíssima sande de peito de perú fumado. Nham nham.

    Fica aqui um vídeo do concerto gravado pelo Zé Gato :) Ficse, non? =D
  • Angel Beats!

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    Angel Beats!
    Kishi Seiji - Aniplex
    Anime - 13 Episódios + 2 OVA
    2010
    6 em 10

    Já tinha ouvido falar muito deste anime, quer nos círculos anímicos quer nos círculos cosplayicos. Assim, tinha uma certa curiosidade em saber sobre o que tratava. Não tinha ideia e, logo ao minuto quatro do primeiro episódio, considerei que estava sobrevalorizada. Vejamos.

    O nosso personagem principal acorda no meio de uma guerra. Descobre que se encontra em estado falecido e que aquilo é uma espécie de purgatório para jovens que não conseguiram aceitar a vida que viveram ou a forma que morreram. No entanto, há um grupo de revoltados contra as forças divinas que vive em guerra com um certo anjo. São todos alunos desta escola, povoada de NPCs (Non Playing Characters). O conceito é muito interessante, mas logo desde a origem que tem uma falha: isto passa-se numa escola. É motivação para se fazerem univormes e saias esvoaçantes, mas não faz sentido e torna tudo muito infantil.

    à medida que a série decorre, alguns personagens vão encontrando a iluminação e passando para um estado superior. Isto dá azo a momentos de alguma beleza emocional, mas apenas porque fornecem flashbacks da vida passada que, esses, não são passados numa escola. De resto, os personagens movem-se com uma atidude de quem não quer saber, motivando-se a criar momentos supostamente cómicos que não têm graça nenhuma. O personagem principal auto-encarrega-se de salvar as pobres almas e daí nasce uma conclusão satisfatória, mas muito infantil. Misturar escolas com armas de fogo e machados de guerra nunca dá um resultado muito positivo.

    A arte tem os seus momentos bons, mas na sua maior parte é terrível. Se em algumas lutas temos momentos fluídos que são interessantes, em muitas outras ocasiões do dia a dia há um exagero na mobilidade dos personagens que não liga bem com a acção representada.

    Em compensação, e daí o saldo positivo na avaliação final, a música é extraordinária. Existe uma banda sonora com muita variedade e muitas peças lindíssimas, nomeadamente a ED. Todas as músicas estão muito bem aplicadas e apenas contribuem para aquecer o coração naqueles momentos chave.

    Fiquei sem perceber porque as pessoas gostaram tanto desta série, mas ao menos fiquei a saber sobre ela. Agora adeus, que amanhã é dia de trabalho!
  • Space☆Dandy 2nd Season

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    Space☆Dandy 2nd Season
    Watanabe Shinichiro - Bones
    Anime - 13 Episódios
    2014
    8 em 10
     
    E assim termina a season. Com o melhor dela e, potencialmente, o melhor do ano. Realmente, há muito, muito tempo que não via um anime que ultrapassasse as barreiras desta forma. Space Dandy é um anime definitivo que, certamente, virará culto dentro de uns anos, quando já tudo estiver esquecido.
     
    Nesta season acompanhamos mais aventuras, mais ou menos interessantes mas todas elas com algo em comum: a loucura. Em todos os episódios há um tema, muitas vezes uma crítica a estilos de animação, géneros musicais ou simplesmente tropes anímicos e televisivos a que já estamos tão habituados que nos esquecemos deles. Nesta season há mais ridículo e mais exagero. Mas como tem um estilo próprio, acaba por não cansar e por nos manter sempre interessados no que virá a seguir.
     
    Existem episódios muito conceptuais que merecem que rebolemos em químicos. Existem episódios mais directos ao assunto. Há para todos os gostos. Mas aqui se inicia uma conclusão, que aparece nos dois últimos episódios, e que vem explicar porque é que de vez em quando os personagens morrem e coisas do género. Essa explicação aparece para fazer explosões nas nossas cabeças, levando o conceito mais além e dando uma camada de profundidade muito mais intensa àquilo que poderíamos pensar à primeira vista.
     
    Flando nos personagens, eles estão aqui e cada vez mais mirabolantes. É-lhes acrescentada mais densidade e mais detalhes na personalidade, sobretudo às personagens femininas. Se ao início apareciam como figurantes, agora é-lhes dado um destaque merecido, que apenas contribui para a caracterização de Dandy como homem e como indivíduo.
     
    A arte ultrapassa todos os limites e dá-nos novas perspectivas sobre o que pode haver de novo na animação oriental. Numa explosão de cores, formas e texturas, viajamos pelas tridimensões (e bidimensões e tetradimensões!) e em cada momento nos espantamos mais com toda a imagética e com a força da imaginação destas pessoas.

    Desta feita temos uma música ainda mais variada, mantendo uma OP que é do melhor pop de ultimamente. Cada história está definida por uma banda sonora específica, única e altamente crítica de si própria.

    Enfim, não posso ficar aqui mais tempo sem continuar a desfazer-me em elogios. Adorei e irei adorar outra vez quando for rever (que será em breve). Recomendo a todos esta viagem!
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