• Ouro da Casa

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    Ouro da Casa
    Maurício de Sousa Produções
    2012
    Banda Desenhada

    Esta foi, sem dúvida, a minha melhor aquisição da Bienal de São Paulo. Já foi ao tempo - dois anos - mas tinha guardado este album para ler devagarinho, com paciência e atenção ao detalhe. Porque é, simplesmente, tão bom.

    A Turma da Mônica, emparelhada com o Tio Patinhas, foi a minha primeira exposição ao mundo da banda desenhada. Apesar de se basear em histórias muito curtas e tirinhas, sempre adorei a forma inocente e complexa de rir do mundo e, sobretudo, algumas histórias muito intimistas e filosóficas. Os personagens são simples e ficam imediatamente marcados. São bons personagens, são pessoas boas, são personagens que nos motivam a ser melhores, mais criança.

    Neste "Ouro da Casa" temos uma perspectiva diferente da Turma que marcou gerações: desta vez a arte, as histórias, tudo é feito pelos membros da Maurício de Sousa Produções, sem influência do próprio Maurício de Sousa. É um show-off dos artistas que fazem o trabalho invisível. Aqui participam os roteiristas, os arte-finalistas, os letristas, os coloristas... Todas as pessoas que contribuem para que todas as semanas saiam novas historinhas nas revistas, mas às quais nunca damos grande atenção. Não são elas a cara da empresa. Mas são elas que fazem a empresa. E a prova está aqui.

    Cada história tem um estilo artístico diferente, pontuada com algumas ilustrações. A arte é uma nova maneira de experienciar estas histórias e toda ela é extremamente boa, seja detalhada ou simplista, seja digital ou tradicional. Cada uma é única.

    E as histórias... Sem dúvida que temos algumas mais adultas. Outras, recordam-nos como é bom ser pequenino. Mas todas elas demonstram a paixão que estes funcionários têm pelo seu trabalho.

    No final,  vem um artigo sobre a produção das revistas da Turma da Mônica e pequenas biografias sobre toda a equipa. Não são muitos. Mas são bons.

    Este livro será difícil de encontrar em Portugal, mas para quem gosta da Turma, aconselho vivamente a que o obtenham e consultem. Tal como se fazia com as revistas. Mas agora é com um belo volume, para recordar e acarinhar.
  • Cruel Intentions

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    Cruel Intentions
    Roger Kumble
    1999
    Filme
    5 em 10

    Filme que se apanhou pouco antes do meio, já passava hora de ir dormir, mas que se ficou a ver porque a vossa narradora não consegue estar à frente de uma televisão a passar coisas em movimento sem se concentrar completamente no assunto, mesmo que não esteja a perceber nada.

    Porque, realmente, até eu perceber quem era quem no filme demorou uma eternidade. Era toda a gente parecida. Mas eu também vejo mal ao longe.

    Sebastian tem uma meia-irmã muito má que faz uma aposta com eles. Se for para a cama com a miúda mais inocente da escola ganha a aposta, se não perde a aposta. Mas Sebastian apaixona-se pela moça.

    É um filme divertido, que não merece a bolinha vermelha, com personagens muitos simples mas interessantes e alguns detalhes em estilo grunge que fazem rir. De resto, é quase terrível. A história não é muito interessante e os actores não fazem muito por ela.

    Salva-se a música, que tem alguns momentos bastante nostálgicos. Bem, na época eram modernos...

    Bom filme para ver antes de ser um pedregulho cheio de musgo.
  • Festas de Corroios - Azeitonas

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    Festas de Corroios

    Já estava convencida de que este ano iria quebrar a minha tradição de ir às Festas de Corroios. Pode não ser há muito tempo, mas já vou desde que entrei na faculdade. E para quem vive em Lisboa isso significa bastante, creio eu de que.

    A feira é sempre igual a si própria, com as suas banquinhas de comidas e bebidas e passarinhos e roupas e jogos diversos. As aquisições deste ano distinguiram-se por, principalmente, ter adquirido alguma coisa. A primeira foi uma sangria mágica que deitava fumo. Era gelada e deitava fumo! Não pude deixar de a experimentar! Mas além de deitar fumo, não fazia mais nada de especial, era igual a todas as outras sangrias. A segunda aquisição foi um jogo de roleta de uma banca de peluches gigantes. Ganhei uma flor vermelha que, além de se rir, enrola-se toda sobre si própria.

    Um dos membros do grupo resistente manifestou grande desejo de andar numa brincadeira chamada MONSTER. Só de olhar para ela fiquei cheia de medo. Era um pêndulo enorme, gigante, para oito pessoas de cada vez, que andava à roda e as cadeiras onde as pessoas estavam andavam à roda também, por forma a toda a gente balançar a ponto de ficar de cabeça para baixo. Só de a observar durante uns minutos fiquei com elevadíssima cefaleia.

    No final parámos na política. Interessante que o PSD e o CDS estavam encaixados entre o Bloco de Esquerda e o PCP, o que lhes devia causar certo pânico. O que é certo é que os partidos de esquerda eram a última coisa a fechar.

    Mas... E a música? Desde logo, ainda antes de irmos, manifestei o meu desinteresse pela banca convidada desse dia sabático. Mas afinal revelou-se uma surpresa agradável, se bem que nada de genial.

    Eram eles

    Os Azeitonas

    Pouco conhecia desta banda e o que é verdade é verdade: sabem dar um belo espectáculo. É realmente muito animado.
    As músicas são muito simples, com letras ligeiramente ilógicas. Apresenta-se uma tara quase infantil pelo imaginário do cinema americano, quer na sonoridade quer nas letras (muito desejo têm estas pessoas de ir a Hollywood). Não se percebia bem o que fazia a rapariga da pandeireta, além de tocar pandeireta e cantar em francês.

    Mas o que é certo que até eu, que nutria enorme aversão por esta banda com nome de baga gordurosa, acabei o concerto dançando e fazendo pripripri (que é a minha maneira de cantar e dançar). É uma banda cheia de energia e, sendo grátis, se calhar vale a pena ver.

    No palco apresentava-se um grande "Az", pelo que esta banda também poderá - não oficialmente - ser chamada de Azoto.

    No dia seguinte dormi até ao infinito.

    Fim.
  • Hallucination from the Womb

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    Hallucination from the Womb
    Kitoh Mohiro
    Manga - 7 Capítulos / 1 Volumes
    2003
    6 em 10
     
    Do criador de Narutaru, segue-se um curto volume com sete histórias bastante pequenas. Através destas histórias confirma-se que o autor (cujo estilo artístico se pode idenficar imediatamente) gosta de desenhar sexo com miúdas pequenas.
     
    Numa cidade composta por níveis (claramente inspirada na estrutura de Blame!, mas sem a complexidade associada, quer na emoção quer na arte), dois agentes de qualquer coisa que não se percebe investigam estranhos casos de teor policial. Estes casos exploram a vida nesta cidade, a Shell City, dando-nos a conhecer mais sobre os vários tipos de habitantes, clones ou outras coisas.
     
    Cada história é individual, mas dado que os designs das personagens - sobretudo os das meninas - são muito parecidos é difícil ao início de compreender que as histórias não têm qualquer relação umas com as outras, com excepção dos dois agentes que são recorrentes.
     
    As histórias não são especialmente originais, utilizando elementos que já vimos uma e outra vez em todo o tipo de ficção científica e cyberpunk, mas pelo menos uma (a das meninas raptadas) tem um laivo de imaginação inspirada. Daí a nota mediana, e não abaixo da média, que lhe dei.
     
    Em termos artísticos, nota-se uma evolução no que respeita ao detalhe dos cenários, mas acho que teria sido melhor aplicar uma atmosfera mais negra (ou pelo menos cinzenta) de forma a fomentar a estranheza na cabeça do leitor. Os personagens são todos demasiado iguais uns aos outros sendo, como dito acima, difícil distingui-los. Alguma maquinaria, nomeadamente o monociclo segway, tem o seu interesse.
     
    Mas não custa nada ler este pequeno livrinho, já que tem apenas sete capítulos.

  • Solanin

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    Solanin
    Asano Inio
    Manga  - 28 Capítulos / 2 Volumes
    2005
    7 em 10

    Esta é uma história para pessoas crescidas. Meiko é uma jovem, pouco mais nova que eu (que sou uma velha horrível, cansada e acabada), que foi trabalhar para um escritório assim que acabou a faculdade. Vive com o namorado, que trabalha em part-time. Ambos detestam o seu trabalho. Até que Meiko, num laivo de lucidez ou de loucura, não se sabe muito bem, decide desistir de trabalhar por uns tempos. E é nesses tempos que a história se passa.

    Vive-se um drama muito humano com que todos nós, os jovens do milénio, nos podemos identificar. É difícil arranjar trabalho, muito mais difícil é arranjar um trabalho de que se goste e em que nos sintamos plenamente satisfeitos e realizados. Eu cá tenho muita sorte, mas irá acabar em breve... E nessa altura, tal como a Meiko, ficarei presa a uma rotina de tédio e desocupação, que leva sempre a um ligeiro estado de depressão. Assim, este manga é um retrato da realidade e da maneira utilizada para ultrapassar esses dilemas que, na história, são exacerbados por uma tragédia ocorrida no final do primeiro volume e que apenas contribui para aumentar o estado de alienação dos personagens.

    Algo une estes personagens: a música, o rock. Não há muitas referências, porque o manga é muito curto, mas a imagem dada deste campo social, desta matilha urbana, é vívida e exacta. É a música que acaba por os salvar e os levar a dar novas oportunidades à vida. Com a música, há a libertação desses factos trágicos que tanto os magoaram. É uma moral: existe sempre algo a que nos podemos agarrar para lutar, mesmo que não seja essa a nossa intenção, e mudar de vida.

    A arte é original. Os designs dos personagens são muito únicos, com uma expressividade latente. São realistas, apesar de terem um traço muito específico de autor. Os fundos serão, quase todos, cópias de fotografias. Assim, é num ambiente extremamente realista que esta história se passa. Estes personagens são pessoas como nós.

    Seria um manga muito difícil de adaptar ao anime com qualidade, pois os momentos chave estão dependentes de uma música que cada um imagina como quer. Ouvi-la diferente daquilo que imaginamos, poderia ser tanto fantástico como desapontante. Fica a nota para que leiam este manga, sintético e directo ao assunto. Pode ser que se identifiquem também.
  • O Teu Rosto Será o Último

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    O Teu Rosto Será o Último
    João Ricardo Pedro
    2011
    Romance

    Livro curtinho que recebi no BookCrossing.

    Através de episódios curtos, aparentemente sem conexão entre eles, forma-se a história de uma família assombrada pela guerra colonial, num contexto doloroso e humano. Cada capítulo conta uma história, por vezes com personagens recorrentes, por vezes com pessoas que não sabemos quem são, mas que estão intimamente envolvidas na narrativa geral, apenas revelada no final.

    Enquanto isso, acompanhamos o crescimento de Duarte, um jovem que tem um fantástico talento para o piano. Apesar desse talento, existe uma relação de amor-ódio com o instrumento (com a qual me identifico), que tende a cair no exagero, no momento de libertação sobretudo.

    A prosa é muito interessante. Através de várias perspectivas de enumeração, o efeito é sarcástico e humorístico, apesar de haver muito sofrimento por detrás das palavras. Talvez esta técnica tenha sido utilizada demasiadas vezes, tendo sido melhor que o autor a guardasse para momentos mais específicos, sem abusar do efeito.

    No geral, gostei bastante. Como se lê num instante, acho que não se perde nada em experimentar.
  • Ghost in the Shell: Arise - Border:2 Ghost Whispers

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    Ghost in the Shell: Arise - Border:2 Ghost Whispers
    Takeushi Atsushi - Production I.G.
    Anime - Filme
    2013
    6 em 10

    Esta nova instância de Ghost in the Shell, o Arise, conta com quatro filmes, dos quais três já sairam. Este é o segundo. O primeiro está aqui. Como podem ver no link citado, achei que esta nova versão, esta "prequela" estava excelente e que captava com grande exactidão o ambiente essencial da saga. Verdadeiro cyberpunk, um regresso ao passado. Com este segundo filme, a minha opinião diverge.

    É neste filme que a Major Makoto Kusanagi reune o resto da sua equipa para a Section 9. Mas a forma como isso acontece pareceu-me demasiado forçada, com coincidências a mais, tudo demasiado fluído e simplificado para ser real.

    Ela está colocada num caso de um terrorista, que viremos a saber ser um prisioneiro de guerra, que perturba o sistema de trânsito. Ele faz isto com ajuda de um grupo de pessoas infectadas com um vírus que as faz acreditar que isto é uma boa causa. Estas pessoas são, todas, nada mais nada menos do que os futuros membros da Section 9. Porquê? Veio mesmo a calhar... Na resolução deste caso ela é ajudada por uma estranha mulher, com consequências interessantes, e por um fofinho antecessor do tachikoma, um logicoma.

    Este episódio é praticamente composto apenas de lutas e cenas de acção. A animação é bastante boa, se bem que se nota um CG flagrante em muitos casos, sobretudo no que respeita a maquinaria. Isto não fica muito bem, mas podemos perdoar. O que eu não posso perdoar é a falta de lógica de alguns momentos da coreografia de luta. Alguns movimentos são bonitos, interessantes, espectaculares, mas são pouco práticos, pouco realistas, algo que nunca aconteceria num contexto militar como o da Major.

    Em termos musicais, os efeitos sonoros têm o seu quê de um techno do passado, o que soa muito bem. A OP é simples mas bem aplicada, mas a ED aparece um pouco fora do contexto, apesar de ser uma boa música.

    Ainda é cedo para tirar conclusões acerca desta nova versão do franchise, mas por enquanto mantenho-me neutra. Um agradou-me muito, este desagradou-me bastante... Mas não deixarei de fazer cosplay da Major quando chegar a altura! =D
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