Iberanime LX 2014
4
Nota: Segundo consta houve grandes problemas técnicos durante o concerto, aos quais eu não assisti. Na verdade, só soube mais tarde. Se assim foi, contamos com a boa vontade do Sr. Kageyama, que não desistiu de nós. Mas o evento não pode sempre continuar com a boa vontade dos artistas, pelo que erros como estes deverão ser evitados a todo o custo.
Aproveitamos para descansar. Beber uma média (custou o preço de uma litra). Encontrar mais pessoas. Estar à sombra.
A parte má é que se rasgou um bocado das costas do vestido, porcaria de tecido que nem para forrar sofás serve, esta coisa! Mas arranja-se fácil. ^_^
Uma única crítica ao evento
Iberanime LX 2014
Passa-se uma noite bem dormida. E assim se acorda bem cedo para nos equiparmos com o novo cosplay e nos transportar-mos até ao Parque das Nações. Pois é, chegou aquela altura do ano em que vamos ao Iberanime.
Sob a ameaça de que os bilhetes se iam esgotar com brevidade, comprei o meu com antecedência. Qual a minha surpresa quando me dão a notícia de que ganhei um passatempo e que, portanto, tenho outro bilhete! Assim, ofereci o que tinha comprado ao Zé Gato, que me acompanhou nesta aventura.
Mas comecemos pelo início. Eram 8 da manhã e estava eu de pijama preparando-me para me mascarar. Peguei na caixinha que tem as lentes de contacto azuis. E... Confesso que é um mistério. Não faço ideia que se passou e ninguém nesta casa se acusa. O que é certo é que uma das lentes desapareceu. A outra estava lá. Portanto, fui de olhos naturais. Apressei-me para apanhar o comboio, que ainda é a uma grande distância a pé da minha casa. Nada de estranho se passou, todos olhavam para mim mas apenas um taxista se manifestou ("Arre, Parque Aventura!", disse ele). Tomei café e esperei pelo Zé na esplanada do Vasco da Gama. Nesse momento, sou abordada por dois velhotes: "Desculpe, mas isto é o quê?", "Ah, é um evento de banda desenhada e desenhos animados!", "E a que horas acaba?", "Lá para as seis", "É que temos um neto lá dentro e ainda vamos voltar para casa em Castelo Branco", "Deveras? Estive num evento destes em Castelo Branco!"
Entretanto liga a Ana-san, informando que está uma fila gigântica mas que ela está quase a entrar. Bem, de alguma forma tivemos sorte, porque quando chegámos a fila já não conferia.
À entrada, uma pulseira verde para "identificação visual". Não percebi bem o sentido disto, porque para entrar e sair tínhamos de validar o bilhete de qualquer forma... Depois, descobrimos o porquê do preço do evento! Os 15 euros de entrada foram usados para, sim!, para arranjar um souvenir, uma pulseiras de borracha horrorosas a dizer "IBERANIME" em letras amarelas/laranjas. Está tudo esclarecido! Também nos deram um horário e aí eu digo a verdade. O evento até que valia o preço. Se eu fosse jovem e inocente e acreditasse que ainda ia fazer da arte a minha vida, o evento tinha imensos workshops e actividades a que eu poderia ter comparecido. Mas como tal não é certo, em nenhum workshop se participou. Ainda assim, teve o seu quê de engraçado.
Passámos a manhã a ver o Espaço. Admito que este ano o Iberanime ouviu as nossas críticas e preces generalizadas. Estava muito melhor organizado espacialmente. No andar de cima havia um espaço de descanso, com ar condicionado, e jogos de RPG e tabuleiros. Mais para cima, uma zona de artistas muito bem composta e um palco secundário discreto, depois de passar pelos participantes dos concursos de desenho. No andar de baixo, muitas lojas e um palco de karalhoke. Bem dividido, o palco principal. Desta vez os sons não se misturavam de palco para palco, o que foi muito bom, apesar de no recinto principal ser uma confusão de músicas e etcoeteras.
Aproveitei a primeira visita à banca dos artistas para pedir um desenho. Houve alguns momentos de interesse nas bancas pelo que passarei a enumerar
Bancas de Interesse que Visitei
Banca da APC - Apesar de os cartazes da revista Cosplayer estarem constantemente a cair, segundo consta, estava muito bem arranjadinha. Segundo me disseram, já tinham ajudado um monte de gente, o que é sempre bom (cumprir com a sua função). Eu tinha-me oferecido para ir para lá tomar conta da base no Domingo: não esperava ir acompanhada e eu sei que há sempre uma fase do evento em que passo uma seca desértica. Não precisavam, mas ainda assim fui lá fazer uma visita a pretexto de dizer olá ao pessoal. Até se fez uma espécie de sugestão planeada de um eventual grupo para um eventual cosplay futuro que.... Hoho
Banca de Coleccionismo de Dragon Ball - Pessoalmente, eu não compreendo porque precisamos de uma banca de coleccionismo de Dragon Ball. Porque não fazer uma banca com a minha (gorda) coleccção de merchandise do Gackt? Mas ao passar por lá recebi a minha primeira foto e ainda tirei uma fotinha com uma Bulma miniatura (que tem a foto mais em baixo). Conhecia a senhor que escreve as fanfictions de outro Iberanime e descobri que um dos escritos dela, que até tenho autografado, será editado em livro! Lerei seus escritos e depois logo decidirei se o compro ou não...
Banca da Kingpin - Onde tiveram a simpatia de deixar a Ana-san deixar os meus objectos. Muito obrigada!
Banca do Canto Direito - Com muita variedade de coisas diferentes, incluindo uns objectos muito suspeitos. Comprei um peluche!
Banca no Meio do lado Direito - Merchandise verdadeiro! Comprei objecto!
Interlúdio
Sugeri irmos almoçar. Conhecendo este evento como conheço, sei que a enchente de pessoas esfomeadas se dá entre a uma e as três da tarde. Por isso o meio dia pareceu-me uma excelente hora para hamburgueres. Neste momento, fomos interpelados por um senhor. "Porque está tanta gente vestida de modo tão interessante?" "É um evento de banda desenhada e desenhos animados!" "É que eu sou professor!" E assim lhe indiquei que havia uma série de eventos ao longo de todo o ano e pelo país todo. Mais um visitante do freakshow. :>
Cirandando
No regresso, começámos a cumprir com o desafio imposto por mim própria: tirar fotografias a TODOS os cosplayers do evento. Quase que conseguimos... Mas isso virá mais tarde. Cirandámos bastante tempo, tirando fotos, falando com o pessoal (encontrei montanhas de gente... E surpreendentemente o Zé Gato também!), comprando coisas... Comprei uma carteira, o cão-pudim e um phone-strap do cão-pudim. E eu espantava-me... Toda a gente dizia "que fato giro!" e "que afro gira!" mas ninguém pedia fotos... E cheguei à conclusão... NINGUÉM SABE QUEM EU SOU? EU ERA A BULMA PAH! QUEM É QUE NÃO SABE QUEM É A BULMA?? Pelos vistos escolhi uma versão da Bulma tão obscura que ninguém sabia quem era... ;____; Mas não faz mal, é sempre giro andar com uma afro azul. Vejam lá como estava!
Eu e o cão-pudim
Mas também isso não interessa nada. Poderão saber mais sobre o meu fato no meu Cosplay Portfolio, se tiverem interesse. :) No fundo, decidi fazê-lo para ter um fato prático e confortável para andar nos eventos. Apesar de tudo, já tenho ideias para skits, huhuhu ºvº
Coisas Relevantes Começam a Acontecer
Chegamos à hora em que aparece a grande estrela da companhia! Concerto do Sr. Kageyama! Ora bem... Eu sou mesmo muito ignorante, mas eu não fazia ideia de quem era o senhor. Sabia que ele cantava aberturas de anime, nomeadamente a de Dragon Ball. Isto leva-me a outro problema do Iberanime... Parece que é um evento de Dragon Ball. Tem tanto Dragon Ball que até enjoa. Eu contribuí para o enjoo... Adiante!
Enquanto esperávamos, acontece aquilo que eu considerei o momento mais surreal do evento. Portanto, estamos num evento dirigido ao público infantil. E de repente o apresentador grita "E é o momento da kiss cam!" Ora, em que constitui isto? A câmera aponta e as pessoas beijam-se. Tudo em cima para os casais que se anunciaram. Mas motivar desconhecidos a beijarem outros desconhecidos? Graças a deus que não apontaram para mim, se não tinham levado um gesto mal formado. Observámos um desconhecido a beijar uma desconhecida (que nem sequer foi a rapariga que o apresentador sugeriu, mas a amiga dela) e isso horrorizou-me. E se alguém me beijasse? Eu seria forçada a enfiar uma chapada no focinho de semelhante campeão... E isso seria muito desagradável. Só uma pessoa no planeta me pode dar beijos, diga-se de passagem.
Enquanto esperávamos, acontece aquilo que eu considerei o momento mais surreal do evento. Portanto, estamos num evento dirigido ao público infantil. E de repente o apresentador grita "E é o momento da kiss cam!" Ora, em que constitui isto? A câmera aponta e as pessoas beijam-se. Tudo em cima para os casais que se anunciaram. Mas motivar desconhecidos a beijarem outros desconhecidos? Graças a deus que não apontaram para mim, se não tinham levado um gesto mal formado. Observámos um desconhecido a beijar uma desconhecida (que nem sequer foi a rapariga que o apresentador sugeriu, mas a amiga dela) e isso horrorizou-me. E se alguém me beijasse? Eu seria forçada a enfiar uma chapada no focinho de semelhante campeão... E isso seria muito desagradável. Só uma pessoa no planeta me pode dar beijos, diga-se de passagem.
Não desgostei do concerto, apesar de não conhecer música nenhuma. Precisamente por isso, fiquei mesmo atrás, no trás do atrás das bancadas. O senhor já tem a sua idade, mas tem uma energia imparável, sempre a abanar a anca e a dançar, mais um bocadinho e parecia o Ney do Japão! Foi essa a energia que gostei. Mas também foi essa a energia (e o calor insuportável) que me fez cansar do concerto a meio. E assim fomos embora. O Zé ainda gravou algumas músicas, aqui está uma!
Nota: Segundo consta houve grandes problemas técnicos durante o concerto, aos quais eu não assisti. Na verdade, só soube mais tarde. Se assim foi, contamos com a boa vontade do Sr. Kageyama, que não desistiu de nós. Mas o evento não pode sempre continuar com a boa vontade dos artistas, pelo que erros como estes deverão ser evitados a todo o custo.
Interlúdio Número Dois
Aproveitamos para descansar. Beber uma média (custou o preço de uma litra). Encontrar mais pessoas. Estar à sombra.
Por todo o lado eu sentia um... Funky smell. O pitéu perseguia-me para todo o lado. Foi nessa altura que cheguei à conclusão de que eu era a fonte do fedor. Mas como? Porquê? Eu desodorisei-me... Eu tomei banho... Eu tenho os sovacos lavadinhos... A conclusão é evidente. Atingi esta realização. Eu sou um equino. E com isto em mente, poderei viver mais feliz.
O passo seguinte do programa era ver o concurso de cosplay. Mas... Fomos raptados! Ao passar pela banca de coleccionismo de Dragon Ball, fui requerida para um concurso que ia decorrer no palco secundário dentro de instantes. Pensei "faço isto e ainda vamos a tempo do cosplay". Mas não. O workshop que estava a decorrer atrasou-se imenso e portanto portanto. Não fazia ideia do que tinha de fazer, mas aprendi as regras: duas pessoas lutariam. Cada uma faria dois ataques. Quem tivesse mais palminhas ganhava. Eu inventei e ficámos empatados. A parte boa é que empatei com o rapaz que acabou por vencer! Depois fui eliminada, ser labrega e ameaçar chapadas não funcionou.
A parte má é que se rasgou um bocado das costas do vestido, porcaria de tecido que nem para forrar sofás serve, esta coisa! Mas arranja-se fácil. ^_^
Ainda apanhámos os dois últimos skits... Terei de ver os vídeos para comentar! Quem tem, quem tem? =D
O Final
Estávamos a ir embora... Bolhas nas mãos... Bolhas nos pés... Bolhas nas bolhas... Pés são eles próprios uma bolha... Até que OHCÉUS ESQUECI-ME DO MEU DESENHO! Lá voltamos para trás, correndo sobre as bolhas. Falemos dele: ao passar pela zona dos artistas, vi logo a artista que ia fazer o meu desenho. Como sabem, encomendo sempre um desenho, para coleccionar. Esta artista tinha umas ilustrações lindíssimas de passarinhos. Ora, eu adoro passarinhos! Adoro a forma deles existirem e voarem e pularem de um lado para o outro a fazer piu. Aqueles passarinhos tão bem pintados emocionaram-me, por isso escolhi esta artista. Como não tinha ideias, disse-lhe para me desenhar a mim, a Bulma Afro. Ficou assim:
Acho que esperava algo diferente... Algo mais como os passarinhos. Está muito, muito fixe, mas não tem aquele sentimento...
Retiro a minha afro. O comboio para casa é o da linha de Sintra e não quero que a mitra se sinta tentada a furtar o meu cão-pudim. E agora, com algum atraso, escrevi este aborrecidíssimo relato.
Vamos là a parte que interessa!
FOTOFOTO
São cento e tal fotos, por isso não posso por todas aqui. Assim, têm um link para sacarli-as todas :)
As que gostei mais são as seguintes
Uma única crítica ao evento
Todos nós sabemos que o Iberanime não é um evento dos fãs para os fãs. É um evento promovido na televisão e em todo o lado para chamar um público maioritariamente infantil e adolescente, que apenas agora se inicia no mundo do visionamento dos bonecos animados nipónicos. Agora, o problema é que - disfarçado por baixo de uma campanha publicitária em que se usa e abusa da boa vontade dos cosplayers, sem sequer que eles apercebam - o evento parece publicitar-se como um "Venham ver a freakalhada! Venham ver pessoas estranhas mascaradas!" E assim as famílias cumprem com o objectivo e vão ver os maluquinhos. Isto não me parece ter muito de positivo, esta forma falsificada de mostrar o evento, pois não estamos a chamar novos fãs, mas sim fãs ocasionais, que não se integram na comunidade e não têm interesse nisso. Isso torna-nos mais dispersos, o que é problemático quando queremos organizar outros eventos com uma menor carga publicitária, e até para as pequenas coisas, nomeadamente conhecer novas pessoas: estes fãs ocasionais não aparentam ter interesse em travar conhecimento com os outros, pelo que se processa um isolamento constante de grupos e grupinhos, num estilo de escola secundária que já não é apropriado a uma comunidade com mais de uma década de existência. Mas esta problemática já vem de longe e venho-a observando desde que me juntei a este universo. Preocupa-me vastamente, por isso o refiro uma e outra vez. Perdão pela insistência.
E assim se conclui mais um evento. Por mim, cumpriu todas as expectativas. Eram muito baixas, de qualquer forma... E se valeu a pena comprar bilhete? Para ir com boa companhia felina, claro que sim :)
Desculpem lá o meu discurso estar ligeiramente desconexo, mas estou um bocado cansada... Espero que se tenham divertido no evento e, agora, vemo-nos no próximo!
Até lá!
Até a Bulma se alimenta!
Divirtam-se e sejam felizes! :)
By : ladyxzeus
Hanasaku Iroha - Home Sweet Home
0
Hanasaku Iroha - Home Sweet Home
Ando Masahiro - Lantis
Anime - Filme
2013
6 em 10
Chegada a casa, pensei que seria bom ver um filme até serem horas de ir para a cama. Como verão em breve, no dia seguinte iriam executar-se actividades!
Para quem não recorda o assunto desta história, fica o comentário que fiz à série da Hanasaku Iroha. :) Este filme explora o tema da responsabilidade e da libertação adolescente. No entanto isto é feito de forma estranha, porque - apesar de os temas estarem intimamente ligados - as duas histórias que acontecem paralelamente (uma no passado, outra no futuro) não têm qualquer ponto de ligação que nos faça tirar uma conclusão
A história do passado conta como a mãe de Ohana, Satsuki, saiu de casa e conseguiu enfrentar a mãe (a ameaçadora dona das termas). A história do presente conta como uma miúda adolescente consegue substituir a mãe ao tomar conta dos irmãos. São histórias interessantes por si só, mas como não existe uma perpendicularidade entre elas, isto é, não têm relação, não me foi possível encontrar uma lógica na narrativa do filme.
Em termos artísticos, o filme tem os seus momentos de beleza. Não pontuam todas as cenas, mas existem algumas paisagens muito interessantes. As fotografias tiradas ao longo da história também são pedaços de arte muito engraçados.
Musicalmente, nada de novo.
Este filmezinho (só tem uma hora) tinha bastante potencial para ser interessante, mas parece-me que tropeçou em si próprio enquanto estava a dar uma corridinha para apanhar o eléctrico.
By : ladyxzeus
Nossa Senhora da Atalaia
0
Narrativa Histórica da Imagem de Nossa Senhora da Atalaia Que Se Venera Na Capela Sita No Monte D'Atalaia Do Concelho de Aldeia GAllega do Ribatejo
Padre Manuel Frederico Ribeiro da Costa
1887
Narrativa Histórica (?)
Sim, eu sei que a questão que paira aqui é "wtf". Mas também recebi este livro no concurso de que falei e decidi que os ia ler todos. Ainda me falta um, mas como é daqueles livros guias de imagem não o levei (não cabe dentro da mala)
Esta narrativa histórica, ou o que seja, é estranhamente divertida. Um padre lá no tempo da maria cachucha pensou que seria boa ideia relatar em todos os detalhes coisas sobre a vida e obra da Nossa Senhora da Atalaia, que vive confortavelmente na Atalaia.
é a prova essencial e única de que realmente esta gente não tinha mesmo nada que fazer. Lê-se rápido porque grande parte do livro é um inventário dos objectos que a Nossa Senhora da Atalaia tinha e de todos os seus serviçais. Ela até tinha uma ama para a vestir e dar-lhe banho. Ficamos a saber que esta Nossa Senhora gostava muito de pinheiros, voltando a pô-los no sítio quando eram cortados ou dando diarreia a todos os lenhadores.
A parte que gostei mais foi a descrição detalhada de todas as trinta e tal romarias que se faziam ao longo do ano, em que pessoas de Sintra, Alhos Vedros e terras perdidas para os lados de Viseu iam visitar a senhora e pedir gentilmente alguns milagres. Mais uma vez a prova de que não havia entretenimento válido nesta época, já que iam todos em romaria em vez de fazer coisas úteis, como inventar a fotografia a cores.
Nem sei o que faça a isto, acho que vou oferecer ao meu pai, que é capaz de achar piada.
By : ladyxzeus
--- e a lua forma-se luar
0
...e a lua forma-se luar
João Madeira
2001
Poesia
(Como não achei nenhuma imagem da capa do livro, achei por bem por uma ceninha tripada a ilustrar. Combina com o conteúdo literário de que falarei)
Lido no comboio, enquanto me vinham laivos de inspiração para um projecto literário em que estou a participar, foi um livrinho denso de que gostei muito e que irei reler depois dele dar uma volta por aí.
Talvez sejam vários poemas. Talvez seja um muito longo. Mas cada detalhe está em conexão com o outro numa viagem a um lugar de dor e contemplação. Com uma lírica própria, escolha de palavras certeira, leva-nos para um universo surreal, descrevendo céus, florestas e plantas, enquanto alguém (autor? Nós próprios) procura uma razão, quiçá um amor.
Estes poemas (ou um único poema?) têm uma tonalidade muito gótica, no verdadeiro significado da palavra. Faz-nos quase regredir a uma época de mistério, castelos e corvos, com um spleen único.
Sem dúvida fascinante e merecedor do prémio Poesia Jovem do Montijo. Sim, também ganhei este livro no tal concurso.
Não cito nada porque não sei por onde escolher. ;_;
By : ladyxzeus
Um Dia Sonhei que Voava
0
Um Dia Sonhei que Voava
Taichi Yamada
1988
Romance
Acordei bem cedinho para chegar a tempo e horas ao exame e ainda ter a chance de tomar um café. Lá chegada, descubro que o exame, em vez de ser às nove da manhã... Era à uma da tarde! E com este livro se passaram as quatro horas de espera. Bem, quase todas, uma parte foi a comprar outro livro para o comboio de regresso e uma outra foi para almoçar uma salada com molho vinagrete.
Já tinha lido os outros dois livros deste autor editados em Portugal, por isso achei por bem comprar este. Foi numa feira do livro, numa outra ocasião em que estava no Porto e senti que não iria ter livros suficientes para ler na viagem de regresso.
Um executivo de uma empresa de construção encontra-se longe da família quando se vê num hospital. Nele, vive uma aventura platónica, mas muito erótica, com uma senhora que se vem a revelar muito mais velha que ele. Mas voltam a encontrar-se. E a senhora é estranha: ela está a viver a sua velhice numa experiência de regressão em que vai ficando cada vez mais nova. Assim, eles encontram-se quando ela tem 40, 30, 20 anos e por aí em diante.
A escrita é onírica, com muitas referências ao ambiente que rodeia o personagem principal, a natureza, o céu, as estações do ano. Conhecemos este homem com um nível de intimidade por vezes desconcertante, acabando por compreender os sentimentos que ele desenvolve por Mutsuko, a estranha mulher. A descrição dela é feita com tanto carinho apaixonado que não conseguimos deixar de sentir uma certa ansiedade pelo destino que a espera, que é inevitável e incontornável.
No entanto, achei que as cenas físicas talvez fossem demasiado excessivas. Na minha opinião, creio que o livro seria mais bonito e emotivo se este amor fosse simplesmente platónico, ou cessasse no momento em que Mutsuko se torna numa rapariga.
Dos livros do autor, este foi o que mais gostei. Talvez seja porque é mesmo meu, e não emprestado, hehe.
Termino citando um poema que, por sua vez, foi citado no livro. Talvez tenha sido este o momento mais bonito de toda a história.
Eu
Tu
"Nós"
"Nós"
Não pode ser reduzido a ti e a mim
É por isso que é
Eu
Tu
"Nós"
Eu
Tu
Pomos as mãos dentro da boca um do outro
Tocamos nas nossas gargantas
Tocamos nas nossas traqueias
Tocamos nos nossos esófagos
Tocamos nos nossos pulmões
Tocamos nos nossos corações
Nos nossos diafragmas
Fígados, pâncreas, costelas, intestinos
Músculos, artérias, veias e capilares
Tocamos em tudo
Em todo o tipo de nomes abstractos
Mas aquilo em que nunca conseguimos tocar
És tu
Sou eu.
Taeko Tomioka
By : ladyxzeus
O Verso dos Pássaros
0
O Verso dos Pássaros
David Elrich
2009
Poesia
Pois bem, o certo é que terminei o livro anterior no comboio. Porque estava eu num comboio? A caminho do Porto, evidentemente. Foi a minha última viagem, pelo menos a propósito da pós-graduação. Fui fazer o exame final. :>
Este livro, ganhei-o num concurso literário promovido pela Câmara Municipal do Montijo. Portanto, literatura montijense, here we go!
Este livrinho foi editado a propósito de o autor ter vencido um prémio de poesia jovem. Ora bem... Nota-se que é poesia jovem. O jovem parece ter estudado a poesia e tudo o mais, mas os temas... A verdade é que são muito imaturos. Por todo o lado aparece uma imagem mimada da figura materna. Também temas desportivos e da vida da juventude são abordados de uma perspectiva bastante infantil.
Eu poderia aceitar isso, se a biografia do autor não insistisse que ele estudou poesia e que é um artista (que é um bom artista). O jovem era jovem em 2009, por isso suponho que já seja crescido. Espero que ele tenha evoluído, com toda a sinceridade.
Não vou citar o meu poema preferido, porque não tenho nenhum.
By : ladyxzeus
A Cor do Céu
0
A Cor do Céu
James Runcie
2003
Romance Histórico
Livro que recebi de presente no BookCrossing, a propósito de um RABCK. Pedi-o porque me pareceu que a história poderia ser muito bonita, e não me enganei.
Um rapaz adoptado, na Itália do século XIV, tem de aprender a ser vidreiro. O problema é que ele não vê nada ao longe! Sendo pitosga (facto com o qual me identifico bastante), não pode seguir essa profissão. No entanto, isso dá-lhe uma outra capacidade: a de apreciar e distinguir a cor como ninguém. Assim, é contratado como aprendiz de um pintor. Passado algum tempo, é-lhe dada a missão de ir até terras distantes procurar lápis-lazuli, a pedra que dará a verdadeira cor do céu, um azul tão maravilhoso que pensaremos estar perto de Deus.
O livro começa de forma muito confusa e apressada, com uma sucessão de nomes e conceitos que me pareceram inúteis. Esta enumeração de objectos mantém-se, mais ou menos, por todo o livro. Está claro que o autor fez uma grande pesquisa, mas pareceu-me de todo desnecessário forçar os frutos disso na narrativa. No entanto, isto dilui-se pela excelente história, romântica e espiritual, encontrada na viagem de Paolo, o nosso personagem principal.
Através das suas descobertas, vemos o rapaz a crescer como ser humano e a tornar-se num homem. Na sua viagem conhece muitos elementos importantes naquilo a que se poderia chamar a "fórmula da felicidade", optando por os usar para se dedicar ao "amor". A partir do momento em que a caravana sai das cidades e entra no deserto, o livro obtém um ritmo muito mais calmo e contemplativo, o que torna a sua leitura muito agradável.
é um livro interessante e bonito, mas talvez defina o que eu chamaria de "literatura da nova vaga secular": parece que todos os livros agora têm uma revelação budista algures no meio... Será?
Vou agora emprestá-lo à minha mãe, que é capaz de gostar. :)
By : ladyxzeus


