Hanasaku Iroha - Home Sweet Home
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Hanasaku Iroha - Home Sweet Home
Ando Masahiro - Lantis
Anime - Filme
2013
6 em 10
Chegada a casa, pensei que seria bom ver um filme até serem horas de ir para a cama. Como verão em breve, no dia seguinte iriam executar-se actividades!
Para quem não recorda o assunto desta história, fica o comentário que fiz à série da Hanasaku Iroha. :) Este filme explora o tema da responsabilidade e da libertação adolescente. No entanto isto é feito de forma estranha, porque - apesar de os temas estarem intimamente ligados - as duas histórias que acontecem paralelamente (uma no passado, outra no futuro) não têm qualquer ponto de ligação que nos faça tirar uma conclusão
A história do passado conta como a mãe de Ohana, Satsuki, saiu de casa e conseguiu enfrentar a mãe (a ameaçadora dona das termas). A história do presente conta como uma miúda adolescente consegue substituir a mãe ao tomar conta dos irmãos. São histórias interessantes por si só, mas como não existe uma perpendicularidade entre elas, isto é, não têm relação, não me foi possível encontrar uma lógica na narrativa do filme.
Em termos artísticos, o filme tem os seus momentos de beleza. Não pontuam todas as cenas, mas existem algumas paisagens muito interessantes. As fotografias tiradas ao longo da história também são pedaços de arte muito engraçados.
Musicalmente, nada de novo.
Este filmezinho (só tem uma hora) tinha bastante potencial para ser interessante, mas parece-me que tropeçou em si próprio enquanto estava a dar uma corridinha para apanhar o eléctrico.
By : ladyxzeus
Nossa Senhora da Atalaia
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Narrativa Histórica da Imagem de Nossa Senhora da Atalaia Que Se Venera Na Capela Sita No Monte D'Atalaia Do Concelho de Aldeia GAllega do Ribatejo
Padre Manuel Frederico Ribeiro da Costa
1887
Narrativa Histórica (?)
Sim, eu sei que a questão que paira aqui é "wtf". Mas também recebi este livro no concurso de que falei e decidi que os ia ler todos. Ainda me falta um, mas como é daqueles livros guias de imagem não o levei (não cabe dentro da mala)
Esta narrativa histórica, ou o que seja, é estranhamente divertida. Um padre lá no tempo da maria cachucha pensou que seria boa ideia relatar em todos os detalhes coisas sobre a vida e obra da Nossa Senhora da Atalaia, que vive confortavelmente na Atalaia.
é a prova essencial e única de que realmente esta gente não tinha mesmo nada que fazer. Lê-se rápido porque grande parte do livro é um inventário dos objectos que a Nossa Senhora da Atalaia tinha e de todos os seus serviçais. Ela até tinha uma ama para a vestir e dar-lhe banho. Ficamos a saber que esta Nossa Senhora gostava muito de pinheiros, voltando a pô-los no sítio quando eram cortados ou dando diarreia a todos os lenhadores.
A parte que gostei mais foi a descrição detalhada de todas as trinta e tal romarias que se faziam ao longo do ano, em que pessoas de Sintra, Alhos Vedros e terras perdidas para os lados de Viseu iam visitar a senhora e pedir gentilmente alguns milagres. Mais uma vez a prova de que não havia entretenimento válido nesta época, já que iam todos em romaria em vez de fazer coisas úteis, como inventar a fotografia a cores.
Nem sei o que faça a isto, acho que vou oferecer ao meu pai, que é capaz de achar piada.
By : ladyxzeus
--- e a lua forma-se luar
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...e a lua forma-se luar
João Madeira
2001
Poesia
(Como não achei nenhuma imagem da capa do livro, achei por bem por uma ceninha tripada a ilustrar. Combina com o conteúdo literário de que falarei)
Lido no comboio, enquanto me vinham laivos de inspiração para um projecto literário em que estou a participar, foi um livrinho denso de que gostei muito e que irei reler depois dele dar uma volta por aí.
Talvez sejam vários poemas. Talvez seja um muito longo. Mas cada detalhe está em conexão com o outro numa viagem a um lugar de dor e contemplação. Com uma lírica própria, escolha de palavras certeira, leva-nos para um universo surreal, descrevendo céus, florestas e plantas, enquanto alguém (autor? Nós próprios) procura uma razão, quiçá um amor.
Estes poemas (ou um único poema?) têm uma tonalidade muito gótica, no verdadeiro significado da palavra. Faz-nos quase regredir a uma época de mistério, castelos e corvos, com um spleen único.
Sem dúvida fascinante e merecedor do prémio Poesia Jovem do Montijo. Sim, também ganhei este livro no tal concurso.
Não cito nada porque não sei por onde escolher. ;_;
By : ladyxzeus
Um Dia Sonhei que Voava
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Um Dia Sonhei que Voava
Taichi Yamada
1988
Romance
Acordei bem cedinho para chegar a tempo e horas ao exame e ainda ter a chance de tomar um café. Lá chegada, descubro que o exame, em vez de ser às nove da manhã... Era à uma da tarde! E com este livro se passaram as quatro horas de espera. Bem, quase todas, uma parte foi a comprar outro livro para o comboio de regresso e uma outra foi para almoçar uma salada com molho vinagrete.
Já tinha lido os outros dois livros deste autor editados em Portugal, por isso achei por bem comprar este. Foi numa feira do livro, numa outra ocasião em que estava no Porto e senti que não iria ter livros suficientes para ler na viagem de regresso.
Um executivo de uma empresa de construção encontra-se longe da família quando se vê num hospital. Nele, vive uma aventura platónica, mas muito erótica, com uma senhora que se vem a revelar muito mais velha que ele. Mas voltam a encontrar-se. E a senhora é estranha: ela está a viver a sua velhice numa experiência de regressão em que vai ficando cada vez mais nova. Assim, eles encontram-se quando ela tem 40, 30, 20 anos e por aí em diante.
A escrita é onírica, com muitas referências ao ambiente que rodeia o personagem principal, a natureza, o céu, as estações do ano. Conhecemos este homem com um nível de intimidade por vezes desconcertante, acabando por compreender os sentimentos que ele desenvolve por Mutsuko, a estranha mulher. A descrição dela é feita com tanto carinho apaixonado que não conseguimos deixar de sentir uma certa ansiedade pelo destino que a espera, que é inevitável e incontornável.
No entanto, achei que as cenas físicas talvez fossem demasiado excessivas. Na minha opinião, creio que o livro seria mais bonito e emotivo se este amor fosse simplesmente platónico, ou cessasse no momento em que Mutsuko se torna numa rapariga.
Dos livros do autor, este foi o que mais gostei. Talvez seja porque é mesmo meu, e não emprestado, hehe.
Termino citando um poema que, por sua vez, foi citado no livro. Talvez tenha sido este o momento mais bonito de toda a história.
Eu
Tu
"Nós"
"Nós"
Não pode ser reduzido a ti e a mim
É por isso que é
Eu
Tu
"Nós"
Eu
Tu
Pomos as mãos dentro da boca um do outro
Tocamos nas nossas gargantas
Tocamos nas nossas traqueias
Tocamos nos nossos esófagos
Tocamos nos nossos pulmões
Tocamos nos nossos corações
Nos nossos diafragmas
Fígados, pâncreas, costelas, intestinos
Músculos, artérias, veias e capilares
Tocamos em tudo
Em todo o tipo de nomes abstractos
Mas aquilo em que nunca conseguimos tocar
És tu
Sou eu.
Taeko Tomioka
By : ladyxzeus
O Verso dos Pássaros
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O Verso dos Pássaros
David Elrich
2009
Poesia
Pois bem, o certo é que terminei o livro anterior no comboio. Porque estava eu num comboio? A caminho do Porto, evidentemente. Foi a minha última viagem, pelo menos a propósito da pós-graduação. Fui fazer o exame final. :>
Este livro, ganhei-o num concurso literário promovido pela Câmara Municipal do Montijo. Portanto, literatura montijense, here we go!
Este livrinho foi editado a propósito de o autor ter vencido um prémio de poesia jovem. Ora bem... Nota-se que é poesia jovem. O jovem parece ter estudado a poesia e tudo o mais, mas os temas... A verdade é que são muito imaturos. Por todo o lado aparece uma imagem mimada da figura materna. Também temas desportivos e da vida da juventude são abordados de uma perspectiva bastante infantil.
Eu poderia aceitar isso, se a biografia do autor não insistisse que ele estudou poesia e que é um artista (que é um bom artista). O jovem era jovem em 2009, por isso suponho que já seja crescido. Espero que ele tenha evoluído, com toda a sinceridade.
Não vou citar o meu poema preferido, porque não tenho nenhum.
By : ladyxzeus
A Cor do Céu
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A Cor do Céu
James Runcie
2003
Romance Histórico
Livro que recebi de presente no BookCrossing, a propósito de um RABCK. Pedi-o porque me pareceu que a história poderia ser muito bonita, e não me enganei.
Um rapaz adoptado, na Itália do século XIV, tem de aprender a ser vidreiro. O problema é que ele não vê nada ao longe! Sendo pitosga (facto com o qual me identifico bastante), não pode seguir essa profissão. No entanto, isso dá-lhe uma outra capacidade: a de apreciar e distinguir a cor como ninguém. Assim, é contratado como aprendiz de um pintor. Passado algum tempo, é-lhe dada a missão de ir até terras distantes procurar lápis-lazuli, a pedra que dará a verdadeira cor do céu, um azul tão maravilhoso que pensaremos estar perto de Deus.
O livro começa de forma muito confusa e apressada, com uma sucessão de nomes e conceitos que me pareceram inúteis. Esta enumeração de objectos mantém-se, mais ou menos, por todo o livro. Está claro que o autor fez uma grande pesquisa, mas pareceu-me de todo desnecessário forçar os frutos disso na narrativa. No entanto, isto dilui-se pela excelente história, romântica e espiritual, encontrada na viagem de Paolo, o nosso personagem principal.
Através das suas descobertas, vemos o rapaz a crescer como ser humano e a tornar-se num homem. Na sua viagem conhece muitos elementos importantes naquilo a que se poderia chamar a "fórmula da felicidade", optando por os usar para se dedicar ao "amor". A partir do momento em que a caravana sai das cidades e entra no deserto, o livro obtém um ritmo muito mais calmo e contemplativo, o que torna a sua leitura muito agradável.
é um livro interessante e bonito, mas talvez defina o que eu chamaria de "literatura da nova vaga secular": parece que todos os livros agora têm uma revelação budista algures no meio... Será?
Vou agora emprestá-lo à minha mãe, que é capaz de gostar. :)
By : ladyxzeus
Odes
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Odes
Miguel Torga
???
Poesia
Livrinho muito velhinho recolhido da convenção do BookCrossing do ano passado. Qual a minha surpresa quando o abro e vejo que é uma edição especial de 60 exemplares numerados, todos eles assinados pelo autor! Mas quel preciosidade, meldels!!
é um conjunto de odes, várias homenagens a diversas coisas. São essas coisas da natureza e deuses gregos, que - por si - também representam coisas da natureza. A cada página virada, um sorriso se abria. Cada nova ode era uma surpresa, e há odes para tudo, desde o sol à música.
São pequenas constatações do que é observado, mas com uma beleza extraordinária. Um olho clínico que encontra nas coisas mais simples características que são puras e verdadeiras, se bem que por vezes apresentam expectativas inesperadas.
Sem dúvida vale a pena ler.
O que gostei menos foi o da lua, mas deixo aqui o que gostei mais.
À Terra
Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.
Na seara madura de amanhã,
Sem fronteiras nem dono,
Há-de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoila vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.
Mas das asas que agite,
O poema que cante,
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que de tua força ressuscite!
Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem,
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.
Terra, minha aliada
Na criação!
Seja funda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada
Que eu não fermente também de inspiração!
E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás-de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto futuro de nós dois.
Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro de um corpo nu, moreno!
A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.
Terra, minha canção!
Ode de polo a polo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!
By : ladyxzeus

