A Vida Inútil de José Homem
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A Vida Inútil de José Homem
Marlene Ferraz
2013
Romance
Um livro do BookCrossing que me despertou curiosidade pelo título. Revelou-se um belo livrinho, de que gostei imenso.
José Homem é um velho que, zangado com a vida, se está a desfazer das memórias. Uma grande biblioteca que pertencia ao seu pai. Um dia, conhece Antonino, um menino de Angola com uma perna de madeira. O livro conta a história desta amizade.
O desenvolvimento das personagens é sólido e patente. José Homem, à força de tanto conviver com o miúdo, acaba por se libertar do passado, coração de pedra que acaba por amolecer na forma de uma dedicação à educação de Antonino. Este, por sua vez, acaba por esquecer os horrores da guerra e até o gosto pelos horrores da guerra. Ambos crescem, mas um com o outro.
A prosa é bonita e plácida, por vezes poética. Ao início fez-me uma certa confusão os diálogos em itálico, fez-me sempre parecer de que estavam a falar muito ao longe. Mas depois habituei-me a essas vozes. Não gostei muito que houvesse notas de rodapé a explicar situações e referências, pareceu-me inútil.
Também achei que soube a pouco, o livro queria continuar mas não o deixaram. Afinal quem foi o autor do crime? E o que vai acontecer a Antonino e aos órfãos? Foram estas as questões que eu gostaria de ter visto respondidas.
De qualquer forma, um livro muito agradável, que recomendo.
By : ladyxzeus
Gorky Park
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Gorky Park
Martin Cruz Smith
1981
Policial
Martin Cruz Smith
1981
Policial
Este livro veio num BookRing do BookCrossing. Escolhi participar porque achei que ia gostar, achei que era mesmo Russo. Mas talvez por ter lido algo mesmo Russo há pouco tempo (O Doutor Jivago), não gostei mesmo nada. Foi uma dificuldade ler o livro e estava sempre quase a desistir de o ler. E percebi logo que não ia gostar na primeira frase.
O problema essencial deste livro é que o autor não é russo e não conhece a Rússia. Portanto, todas as descrições e elações e conclusões do livro... Passam por erradas. Agressivas. Inexactas. Quase, diria mesmo, desrespeitosas. O personagem principal está pouco desenvolvido e baseia-se quase exclusivamente na sua revolta contra o sistema. Ora, pelo que o autor descreve, esta é uma terra onde todos são infelizes e corruptos, excepto o personagem principal. Não conheço a Rússia, muito menos a Comunista, mas duvido que todas as pessoas fossem infelizes e corruptas.
A história desenvolve-se muito lentamente, com a conclusão evidente. A narrativa dá voltas sobre si própria, voltando sempre ao problema original (os corruptos vão matar o personagem principal porque ele foi contra o sistema). Nunca mais acaba e todos os detalhes à la Crime Scene Investigation são demasiado demorados e aborrecem. Cortam com o ritmo da leitura, porque - efectivamente - ninguém quer saber o que é que se escreveu nos relatórios. Sobretudo se já foi descrito antes.
Uma pequena parte do livro passa-se quando Renko, o personagem principal, está detido pelo KGB. Mas percebe-se mal o que se passa, porque há demasiadas pessoas.
Talvez a parte mais simples tenha sido a terceira, em Nova York. Mas a história puxa e repuxa as mesmas situações até à nausea.
Não recomendo. Um livro chato, ofensivo e que não conta nada de novo. E nem sequer está muito bem escrito! Acho que vou voltar aos russos verdadeiros, pelo menos esses sabem do que estão a falar.
By : ladyxzeus
Sedutora Endiabrada
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Sedutora Endiabrada
Harold Ramis
Filme
2000
4 em 10
Depois de ver um filme excelente, chega a noite e depois chega a manhã e depois chega a tarde e algures no meio desse processo aparece este filme. Depois de ver um filme excelente, um verdadeiro filme de merda! =D
Passe a expressão.
Um falhado, o que quer que isso seja, faz um acordo com o Diabo - uma gaja bouah - que lhe dá sete desejos em troca da alma. Os desejos são sketches "divertidos" em que ele muda de vida e tenta conquistar Allison, uma paixão platónica. Claro que como são coisas feitas pelo Diabo, corre sempre tudo o mal. O filme é perfeitamente idiota porque é tão inocente, até demasiado inocente. O Diabo é uma personagem divertida, porque faz "maldades" infantis, como dar rebuçados a doentes do hospital em vez de comprimidos.
Não há nada de bom neste filme, porque apesar de ser engraçadinho, está tudo muito mal feito. A cereja no topo do bolo são os "efeitos especiais" do Inferno, tão riduculamente maus que só me consegui rir às gargalhadas.
Vá lá, a parte boa é que se estava bem. O filme não foi bom, valeu o momento.
By : ladyxzeus
12 Anos Escravo
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12 Anos Escravo
Steve Mcqueen
Filme
2013
7 em 10
Já há tanto tempo que não ia ao cinema... Mas lá fomos nós (à tarde estive no zoo, a ter aulas. Mas no zoo!)
Filme fortíssimo com um tema complicado, o da escravatura nos Estados Unidos. Solomon é um homem com educação superior, uma família e liberdade. É importante no contexto da história dizer que ele é negro. Isto porque ele é raptado e vendido como escravo para o sul, onde ainda a escravatura não foi abolida.
De um "dono" simpático, passa para um "dono" louco e sádico (excelente papel de, se não me engano, Michael Fassbender), sendo vítima de vários maus tratos repetidamente. Não vemos muitas vezes os que são infligidos a Solomon: mais ocasiões há em que os seus companheiros escravos são atacados e magoados. Isto é, a violência do filme é mais psicológica do que visual, já que não aparecem muitos detalhes nas imagens e apenas podemos tirar conclusões daquilo que está implícito nos comportamentos dos personagens.
A narrativa é linear e, pelos vistos, passam-se 12 anos. No entanto, isto não é muito claro até ao final, pois não há uma grande transformação do personagem principal, quer em termos físicos como emocionais.
Destaque para as belas paisagens sulistas, rios e florestas que nos remetem para a cronologia da história.
É um filme que perturba e incomoda, um bom filme. Mas eu não aprecio quando as pessoas fazem mal umas às outras. Objectivamente, muito bom. Subjectivamente, senti-me mal.
By : ladyxzeus
Onde Crescem Limas Não Nascem Laranjas
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Onde Crescem Limas Não Nascem Laranjas
Amanda Smyth
2009
Romance
Já há algum tempo que não recebia um Ring do BookCrossing. Este foi o primeiro do ano.
O livro tinha-me atraído por causa do título. Quando vi o título original ("Black Rock"), questionei-me porque teriam mudado o nome. E ainda mais me questionei quando não encontrei a frase no livro, por mais atenção que tivesse ao momento em que deveria aparecer, indicado pela sinopse. Talvez não fosse atenção suficiente... Mais não gostei quando li a resenha da autora que, pelos vistos, é daquelas "profissionais" que são pagas para irem escrever um livro. Por experiência, o resultado desses esforços nunca é bom. No caso deste livro, não foi nada de fascinante.
Conta a história de Celia, uma jovem de Tobago (Trinidad e Tobago) a quem uma bruxa da aldeia dá informações bastante negativas sobre o futuro. Efectivamente, o futuro dela é bastante negativo. Muito sexual. E é neste ponto que eu acho que a narrativa peca por exagero. É conhecido que eu não aprecio por aí além cenas de sexo. Mas no caso deste livro elas não são sensuais. Na verdade, são muito pouco atractivas, quer a violação quer as cenas de amor. Fizeram-me impressão e eu simplesmente queria que tudo acabasse, pois são gráficas de forma pouco romântica e têm todas uma grande carga negativa. "Lamber como um cão" não é, claramente, a melhor maneira de caracterizar o sexo oral.
A história parece focar-se demasiado no sexo, nas cenas de "acção", sendo que a história acaba resumida e inconsequente. Cheira-me a continuação depois deste livro, mas se vier a existir quero evitá-la de todos os modos.
No entanto, nem tudo é negativo. A caracterização do espaço e da paisagem é luxuriante e apetitosa, quase dando vontade de tirar umas férias e ir visitar um lugar tão delicioso. Podem sentir-se as cores e os cheiros, até os sabores. Valeu a pena a viagem da autora para conhecer o lugar da sua história, porque - efectivamente - está muito bem descrito.
Enfim, um livro que poderá ser mais apreciado por senhoras que não tenham tanta vergonha interna como eu.
By : ladyxzeus
O Doutor Jivago
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O Doutor Jivago
Boris Pasternak
1957
Romance
Duas coisas que não fazia há muito tempo. Uma, ler um livro desta dimensão. Seiscentas páginas de literatura pesada e complexa. Duas, ler um livro russo. Sim, seiscentas páginas pesadas, complexas e russas. Saberão certamente que, apesar de não ler frequentemente, tenho uma paixão assolapada pela literatura russa, sobretudo os clássicos. Considerando que este livro foi escrito ao longo de mais de trinta anos, começando nos anos 10, acho que o poderemos considerar um clássico. Isto poderia servir de justificação para o facto de eu ter gostado imenso desta história, mas não foi apenas por isso. É um excelente pedaço de literatura, sem tirar nem por.
A história é muito longa. Conhecemos o Doutor Jivago, Iuri Jivago, desde a sua infância até à sua morte. Numa Russia convulsionada pela revolução, primeiro a bolchevista depois a comunista, Jivago vive aventuras que nos parecem extraordinárias mas que, efectivamente, aconteceram. Não a um mas a muitos homens e mulheres que viveram por esta época. São histórias de sobrevivência, de desespero, de fuga. É a demonstração da luta pela felicidade e pela segurança em época suficientemente conturbada para não existirem perspectivas de futuro. O verdadeiro significado da expressão "viver um dia de cada vez". Para nós, que nunca estivemos perante tal situação, esta expressão parece um "sê feliz, não te preocupes com o futuro". Mas para eles, para Jivago, não havia futuro. Num dia estamos numa longa viagem de comboio com a nossa família, para escapar à miséria urbana. No dia seguinte somos raptados pelo exército e obrigados a lutar uma guerra que não é nossa.
Confesso que houve algumas partes que não pude compreender totalmente, devido ao meu desconhecimento sobre os acontecimentos da época. Pouco conheço da revolução Russa, apenas o que aprendi nas aulas de história. E mesmo assim foi muito pouca coisa. Conheço algo sobre o Gulag, devido ao livro com mesmo nome, mas isso foi pouco referido - apenas no epílogo. Fiquei curiosa para saber o que realmente aconteceu, pelo que procurarei uma não-ficção para complementar o meu parco conhecimento.
Mas nem tudo neste livro são desgraças revolucionárias. Jivago é atormentado por um amor duplo, dividido entre a sua esposa Tonia e uma mulher do passado, Larissa (Lara). A forma como esta relação dúplice está relatada, não nos faz odiar o personagem de forma alguma. Porque, neste livro, o amor é um sentimento puro, de tal forma sagrado que todas as relações fazem sentido, sem haver culpa nem necessidade de perdão.
A narrativa, muito simples e directa, é coroada por imagens extraordinárias das paisagens russas, passando por todas as estações, desde o perigoso Inverno ao ardente Verão. São imagens quase fotográficas de florestas, de céus, de animais, complementadas com sons, músicas, onomatopeias, poemas. Houve passagens que tive vontade de apontar para citar aqui, mas como este é um livro em papel (e não do Kobo), não tive maneira de o fazer. Perdi-as. Fiquei com pena.
Falando de poemas, o livro tem uma décima sétima parte que se compõe da poesia escrita por Jivago nos seus tempos de reflexão (que ainda são bastantes). Não gostei muito destes poemas, pois não transmitiam tanta beleza como a prosa do resto do livro. O que gostei mais foi o Madalena - II, apesar do seu teor religioso. Todos eles têm algo de religioso dentro deles, o que me pareceu um pouco anti-climático perante aquilo que conhecemos do personagem.
Em resumo, este livro é uma fantástica adição para a minha biblioteca. Transmite uma sensação de nostalgia e tristeza que poucas obras conseguem transcrever. É o relato pessoal de um regime injusto e demasiado real, um relato que valoriza o ser humano em detrimento de um sistema que o diminuía. Uma obra de arte. Mereceu o Nobel, mas Pasternak não o pôde aceitar. Era esse o nível de censura a que todos estavam expostos. E é graças a este tipo de literatura que se prova, uma e outra vez, que tudo isso está errado. Todas as coisas merecem ser relatadas e todas as pessoas merecem saber a verdade.
By : ladyxzeus
Revolutionary Girl Utena
1
Não sei se todos vós estão atentos à minha lista de cosplays... Se estão, saberão que o meu último cosplay e que o meu próximo cosplay são fruto do visionamento de uma série que adorei e que adoro. Hoje é dia de falar sobre esse anime. Também há um filme, mas tenho preferência clara pela série. Escrevi há pouco tempo, para o clube Critics and Conoisseurs, uma análise bastante completa, com a minha interpretação e projecção (um pouco abusiva e demorada) de ideias, sobre esta série. Irei agora transcrevê-la e traduzi-la para a nossa bonita língua, melhorando-a com isso. Espero que as vossas antenas da curiosidade já estejam levantadas. Porque hoje vamos falar de
Muitas pessoas podem argumentar que a história é repetitiva e que não tem foco ou sentido, Na verdade, posso concordar com isto. Numa primeira abordagem, Utena é certamente como uma "sopa" de conceitos, todos misturados numa imagem amorfa que não é de todo atractiva. Isto acontece porque uma pessoa tem de olhar para além da premisa: este anime não conta simplesmente uma história. É uma alegoria para a adolescência, mascarada por objectos simbólicos. Cada objecto representa algo e, todos juntos, eles caracterizam o crescimento do único personagem, Utena. Vou dar o meu melhor para explicar a minha perspectiva e espero que, com isso, todos possam olhar para o anime com outros olhos.
Primeiramente, "O Único Personagem".
Utena.
Utena é apresnetada como uma rapariga que quer ser o rapaz. Isto diz "a princesa que quer ser um príncipe". Acredito que isto não apenas representa a dúvida sexual que acontece a quase todos durante os doces anos da adolescência, mas também que o género, o sexo, é irrelevante. Seja uma princesa ou um príncipe, todos passam pelos mesmos problemas e é isso o que Utena representa. É uma personagem em branco, tabula rasa, e é o seu crescimento ao longo da série, enfrentado os vários problemas, que a torna numa pessoa sólida, num adulto. A série está dividida em três partes diferentes, que eu acredito representarem diferentes tipos de assuntos que temos de enfrentar durante o nosso crescimento como seres humanos. Primeiro, temos de nos enfrentar a nós próprios; depois, temos de enfrentar os outros; finalmente, temos de enfrentar o futuro. No final, salvaremos a "princesa" (nós próprios) ao atingir a realização final. Seremos adultos nessa altura.
Juri - Ciúme. Juri está escondida por trás de uma máscara de nobreza, quando na realidade está roída de desespero causada pelas suas relações.
Kaoru - Gula. As pessoas comem muito, muitas vezes porque se sentem inseguras, daí a minha (não assim tão evidente) conexão. Mesmo quando és excelente na prática que escolheste, podes não ter certezas na tua confiança.
Touga - Avareza. O membro mais poderoso da Associação de Estudantes, que quer ter ainda mais poder.
Nanami - Orgulho. A senhora que não deixa que nada lhe aconteça, que acredita que é poderosa e, na realidade, é tão frágil como todos os outros.
Saionji - Raiva. Ele sente tanta raiva em relação à Noiva Rosa que perde o foco e acaba por perder.
Tsuchiya - Inveja. Um sentimento qeu está muito relacionado com o ciúme, que também se relaciona com a influência deste elemento sobre Juri. O seu desespero está relacionado com o facto de que a sua forma de ser não é eficiente na manutenção de relações.
E no final, Anthy é - evidentemente - "Luxúria". Ela é aquela que todos desejam, aquela com mais poder, ela é o desejo e a fome sexual que apenas pode ser satisfeita e conquistada quando se ultrapassam os outros defeitos: assim que és capaz de te aceitar a ti próprio, serás capaz de formar relações sociais e, assim que as tens, poderás encontrar o amor.
Voltaremos a isto mais tarde.
Rosa Negra - As Vidas dos Outros
Conquistamos os nossos problemas, mas a vida não é feita apenas por nós próprios. Os seres humanos são sociais e gregarios, independentemente do que algumas pessoas na internet possam dizer. Assim, as outras pessoas têm uma grande influência em como nos comportamos e em como mantemos tréguas com a própria vida.
Enquanto que é um pouco redutor resumir a sociedade que nos rodeia a categorias e estereótipos, o anime mostra-nos alguns temas que são recorrentes nas relações humanas. Alguns exemplos são: pessoa que não gostam de nós sem razão aparente; pessoas que se comportam de formas que não aprovamos; pessoas que têm ciúmes de nós; pessoas que são nossas amigas.
Pegando neste ponto, falamos de Wakaba. Amigos vêm e vão, alguns ficam para sempre. Na verdade, temos sempre problemas com os nossos amigos mais cedo ou mais tarde. Às vezes resolvemo-los, outras vezes não. Este duelo representa aquela discussão que tivémos com o nosso amigo, quer seja sobre uma coisa importante ou sobre uma coisa parva, isso não interessa. O que interessa é que no final sempre há uma solução, seja ela negativa ou positiva.
O instigador destes duelos, Mikage, quer ficar com a Noiva Rosa. Lembram-se daquela altura em que pensavam que o mundo inteiro estava conta vocês e que eras o único que tinha razão? É isso Mikage. Derrotá-lo é a conclusão de que não, o mundo não te odeia e que, na verdade, somos todos irrelevantes na grande ordem do universo.
Boleia para o Futuro
Conheces-te a ti próprio e conheces o mundo que te rodeia. O que vem a seguir? Ninguém sabe. E é sobre isso que trata este arco.
Carros podem parecer um objecto muito estranho para incluir no cenário, mas se olharmos para eles dentro do contexto fazem muito sentido. Ter um carro (e falo por experiência própria), é um bilhete para a liberdade. Com um carro, podes ir onde quiseres com quem quiseres. é um sinal de que és mais independente e mais responsável. Os carros representam, no contexto de Revolutionary Girl Utena, a vida a dulta e o estado final da nossa evolução enquanto seres sociais.
Mesmo quando já aceitámos quem somos, por vezes ainda nos sentimos inseguros sobre nós próprios. Temos de lutar e conquistar tudo outra vez. Lutamos para a manutenção do presente de forma a podermos avançar para o futuro.
Isto serve como explicação para os símbolos relativos aos personagens, mas há mais no anime para além deles. Vou agora referir-me aos outros elementos.
Arte
Revolutionary Girl Utena passa-se num ambiente escolar, mas esta escola é bastante diferente do que estamos habituados a ver. O cenário é surreal e está recheado de detalhes que, cada um deles, têm um significado intríseco e intricado.
Como todos sabemos, os sonhos são simbólicos e cada objecto num sonho tem um significado. O mesmo acontece com o cenário do anime. Mas e agora, quem está a sonhar este sonho? Utena. Esta história, este conto de fadas, não está a acontecer na realidade. É um sonho, o sonho de Utena. Não faz sentido conectar o cenário a uma realidade alternativa, porque nada aqui é real.
Nem tudo é perfeito. A animação falha por vezes, o que faz sentido para uma série longa dos 90s. Existem muitas cenas repetitivas. No entanto, esta repetição também dá espaço para a insistência no assunto, um sentimento de terror e desespero, a parte em que o sonho se torna em pesadelo.
O facto de que não há sentido espacial nesta escola, cheia de salas que mudam de lugar e forma, adiciona ao sentido de surrealismo patente na série. Acredito que isto não é um erro: é feito de forma propositada.
O estilo é único, mas também característico do género (shoujo). Traços finos, tudo muito clássico e ornamentado, adicionando à beleza do design básico.
Música
Os temas são recorrentes e característicos, adicionando ainda mais ao citado sentido de "pesadelo".
O tema do duelo, que se vai manter nas nossas mentes para sempre, também é extremamente simbólico, pois refere-se a temas como a evolução e a mudança.
Mas nem tudo é trágico...
A série é longa e tem cita muitos assutnos que são dolorosos e difíceis de enfrentar. No entato, nem tudo na vida é triste, pelo que existem muitos momentos de alívio cómico. Acredito que estão bem integrados com o progredir da história, pois actuam como "lufada de ar fresco", permitindo-nosT digerir o que aconteceu e preparar-nos para o que virá a seguir.
Conclusão
Revolutionary Girl Utena é um excelente exemplo de surrealismo aplicado ao anime, tocando em assuntos que normalmente são evitados de forma elegante. É uma obra de arte, altamente detalhado e muito bem pensado, da sua concepção à sua execução. Este facto ultrapassa largamente as falhas. Acredito que o posso recomendar a todas as pessoas interessadas em saber um pouco mais sobre anime ou que simplesmente queiram ver um pedaço de animação extremamente interessante.
Nota 1: A quem não viu este anime, por favor, pelo amor de tudo o que é sagrado, não passe os recaps à frente. São muito importantes.
Nota 2: Termino esta entrada com o meu cosplay de Rose Bride Utena. Mais está para vir, mantenham-se sintonizados :)
Revolutionary Girl Utena
Quando vi Revolutionary Girl Utena pela primeira vez para o clube, estava à espera de algo muito parvo, ao qual não tomaria qualquer atenção. Lembro-me perfeitamente, até hoje, os quatro dias que passei a ver a série. O meu computador estava para arranjar, por isso vi tudo no portátil. Simplesmente, não podia parar. Tornou-se numa das minhas séries preferidas e é o meu exemplo fulcral para um "anime de desconstrução", no qual o género shoujo é analisado em peças. O resultado é uma obra de arte, que se excede em todos os aspectos.
Muitas pessoas podem argumentar que a história é repetitiva e que não tem foco ou sentido, Na verdade, posso concordar com isto. Numa primeira abordagem, Utena é certamente como uma "sopa" de conceitos, todos misturados numa imagem amorfa que não é de todo atractiva. Isto acontece porque uma pessoa tem de olhar para além da premisa: este anime não conta simplesmente uma história. É uma alegoria para a adolescência, mascarada por objectos simbólicos. Cada objecto representa algo e, todos juntos, eles caracterizam o crescimento do único personagem, Utena. Vou dar o meu melhor para explicar a minha perspectiva e espero que, com isso, todos possam olhar para o anime com outros olhos.
Primeiramente, "O Único Personagem".
Utena.
Utena é apresnetada como uma rapariga que quer ser o rapaz. Isto diz "a princesa que quer ser um príncipe". Acredito que isto não apenas representa a dúvida sexual que acontece a quase todos durante os doces anos da adolescência, mas também que o género, o sexo, é irrelevante. Seja uma princesa ou um príncipe, todos passam pelos mesmos problemas e é isso o que Utena representa. É uma personagem em branco, tabula rasa, e é o seu crescimento ao longo da série, enfrentado os vários problemas, que a torna numa pessoa sólida, num adulto. A série está dividida em três partes diferentes, que eu acredito representarem diferentes tipos de assuntos que temos de enfrentar durante o nosso crescimento como seres humanos. Primeiro, temos de nos enfrentar a nós próprios; depois, temos de enfrentar os outros; finalmente, temos de enfrentar o futuro. No final, salvaremos a "princesa" (nós próprios) ao atingir a realização final. Seremos adultos nessa altura.
A Associação de Estudantes - Eu
Na primeira parte da série, Utena tem de conquistar a Noiva Rosa (Rose Bride) - Anthy - enfrentando os membros da Associação de Estudantes. Vejo Anthy como "a bruxa" do conto de fadas, o oposto da polaridade, como o inimigo que Utena tem de ultrapassar para conseguir passar por cima dos seus próprios problemas e crescimento pessoal.
Isto para dizer que Anthy é a própria Utena. Anthy é tudo o que Utena tem de conquistar; é tudo o que a Associação de Estudantes representa, todos juntos numa úncia pessoa. Ela também é tudo que Utena tem de salvaguardar, como veremos nos outros arcos, porque assim que nos aceitamos a nós próprios temos de nos manter firmes e usá-lo em nosso favor.
Agora, o que é que a Associação de Estudantes representa? Cada história prgressa dá-nos uma ideia sobre que tipo de objecto são estes elemtnos. Gosto de fazer uma conexão com a lenda dos sete vícios capitais (erradamente conhecidos por sete pecados mortais, esses são só três), em que Anthy é o vício final. Cada um deles representa algo que é um defeito nosso e que temos de aceitar e reduzir. Derrotar. Vejamos:
Na primeira parte da série, Utena tem de conquistar a Noiva Rosa (Rose Bride) - Anthy - enfrentando os membros da Associação de Estudantes. Vejo Anthy como "a bruxa" do conto de fadas, o oposto da polaridade, como o inimigo que Utena tem de ultrapassar para conseguir passar por cima dos seus próprios problemas e crescimento pessoal.
Isto para dizer que Anthy é a própria Utena. Anthy é tudo o que Utena tem de conquistar; é tudo o que a Associação de Estudantes representa, todos juntos numa úncia pessoa. Ela também é tudo que Utena tem de salvaguardar, como veremos nos outros arcos, porque assim que nos aceitamos a nós próprios temos de nos manter firmes e usá-lo em nosso favor.
Agora, o que é que a Associação de Estudantes representa? Cada história prgressa dá-nos uma ideia sobre que tipo de objecto são estes elemtnos. Gosto de fazer uma conexão com a lenda dos sete vícios capitais (erradamente conhecidos por sete pecados mortais, esses são só três), em que Anthy é o vício final. Cada um deles representa algo que é um defeito nosso e que temos de aceitar e reduzir. Derrotar. Vejamos:
Juri - Ciúme. Juri está escondida por trás de uma máscara de nobreza, quando na realidade está roída de desespero causada pelas suas relações.
Kaoru - Gula. As pessoas comem muito, muitas vezes porque se sentem inseguras, daí a minha (não assim tão evidente) conexão. Mesmo quando és excelente na prática que escolheste, podes não ter certezas na tua confiança.
Touga - Avareza. O membro mais poderoso da Associação de Estudantes, que quer ter ainda mais poder.
Nanami - Orgulho. A senhora que não deixa que nada lhe aconteça, que acredita que é poderosa e, na realidade, é tão frágil como todos os outros.
Saionji - Raiva. Ele sente tanta raiva em relação à Noiva Rosa que perde o foco e acaba por perder.
Tsuchiya - Inveja. Um sentimento qeu está muito relacionado com o ciúme, que também se relaciona com a influência deste elemento sobre Juri. O seu desespero está relacionado com o facto de que a sua forma de ser não é eficiente na manutenção de relações.
E no final, Anthy é - evidentemente - "Luxúria". Ela é aquela que todos desejam, aquela com mais poder, ela é o desejo e a fome sexual que apenas pode ser satisfeita e conquistada quando se ultrapassam os outros defeitos: assim que és capaz de te aceitar a ti próprio, serás capaz de formar relações sociais e, assim que as tens, poderás encontrar o amor.
Voltaremos a isto mais tarde.
Rosa Negra - As Vidas dos Outros
Conquistamos os nossos problemas, mas a vida não é feita apenas por nós próprios. Os seres humanos são sociais e gregarios, independentemente do que algumas pessoas na internet possam dizer. Assim, as outras pessoas têm uma grande influência em como nos comportamos e em como mantemos tréguas com a própria vida.
Enquanto que é um pouco redutor resumir a sociedade que nos rodeia a categorias e estereótipos, o anime mostra-nos alguns temas que são recorrentes nas relações humanas. Alguns exemplos são: pessoa que não gostam de nós sem razão aparente; pessoas que se comportam de formas que não aprovamos; pessoas que têm ciúmes de nós; pessoas que são nossas amigas.
Pegando neste ponto, falamos de Wakaba. Amigos vêm e vão, alguns ficam para sempre. Na verdade, temos sempre problemas com os nossos amigos mais cedo ou mais tarde. Às vezes resolvemo-los, outras vezes não. Este duelo representa aquela discussão que tivémos com o nosso amigo, quer seja sobre uma coisa importante ou sobre uma coisa parva, isso não interessa. O que interessa é que no final sempre há uma solução, seja ela negativa ou positiva.
O instigador destes duelos, Mikage, quer ficar com a Noiva Rosa. Lembram-se daquela altura em que pensavam que o mundo inteiro estava conta vocês e que eras o único que tinha razão? É isso Mikage. Derrotá-lo é a conclusão de que não, o mundo não te odeia e que, na verdade, somos todos irrelevantes na grande ordem do universo.
Boleia para o Futuro
Conheces-te a ti próprio e conheces o mundo que te rodeia. O que vem a seguir? Ninguém sabe. E é sobre isso que trata este arco.
Carros podem parecer um objecto muito estranho para incluir no cenário, mas se olharmos para eles dentro do contexto fazem muito sentido. Ter um carro (e falo por experiência própria), é um bilhete para a liberdade. Com um carro, podes ir onde quiseres com quem quiseres. é um sinal de que és mais independente e mais responsável. Os carros representam, no contexto de Revolutionary Girl Utena, a vida a dulta e o estado final da nossa evolução enquanto seres sociais.
Mesmo quando já aceitámos quem somos, por vezes ainda nos sentimos inseguros sobre nós próprios. Temos de lutar e conquistar tudo outra vez. Lutamos para a manutenção do presente de forma a podermos avançar para o futuro.
Isto serve como explicação para os símbolos relativos aos personagens, mas há mais no anime para além deles. Vou agora referir-me aos outros elementos.
Arte
Revolutionary Girl Utena passa-se num ambiente escolar, mas esta escola é bastante diferente do que estamos habituados a ver. O cenário é surreal e está recheado de detalhes que, cada um deles, têm um significado intríseco e intricado.
Como todos sabemos, os sonhos são simbólicos e cada objecto num sonho tem um significado. O mesmo acontece com o cenário do anime. Mas e agora, quem está a sonhar este sonho? Utena. Esta história, este conto de fadas, não está a acontecer na realidade. É um sonho, o sonho de Utena. Não faz sentido conectar o cenário a uma realidade alternativa, porque nada aqui é real.
Nem tudo é perfeito. A animação falha por vezes, o que faz sentido para uma série longa dos 90s. Existem muitas cenas repetitivas. No entanto, esta repetição também dá espaço para a insistência no assunto, um sentimento de terror e desespero, a parte em que o sonho se torna em pesadelo.
O facto de que não há sentido espacial nesta escola, cheia de salas que mudam de lugar e forma, adiciona ao sentido de surrealismo patente na série. Acredito que isto não é um erro: é feito de forma propositada.
O estilo é único, mas também característico do género (shoujo). Traços finos, tudo muito clássico e ornamentado, adicionando à beleza do design básico.
Música
Os temas são recorrentes e característicos, adicionando ainda mais ao citado sentido de "pesadelo".
O tema do duelo, que se vai manter nas nossas mentes para sempre, também é extremamente simbólico, pois refere-se a temas como a evolução e a mudança.
Mas nem tudo é trágico...
A série é longa e tem cita muitos assutnos que são dolorosos e difíceis de enfrentar. No entato, nem tudo na vida é triste, pelo que existem muitos momentos de alívio cómico. Acredito que estão bem integrados com o progredir da história, pois actuam como "lufada de ar fresco", permitindo-nosT digerir o que aconteceu e preparar-nos para o que virá a seguir.
Conclusão
Revolutionary Girl Utena é um excelente exemplo de surrealismo aplicado ao anime, tocando em assuntos que normalmente são evitados de forma elegante. É uma obra de arte, altamente detalhado e muito bem pensado, da sua concepção à sua execução. Este facto ultrapassa largamente as falhas. Acredito que o posso recomendar a todas as pessoas interessadas em saber um pouco mais sobre anime ou que simplesmente queiram ver um pedaço de animação extremamente interessante.
Nota 1: A quem não viu este anime, por favor, pelo amor de tudo o que é sagrado, não passe os recaps à frente. São muito importantes.
Nota 2: Termino esta entrada com o meu cosplay de Rose Bride Utena. Mais está para vir, mantenham-se sintonizados :)
Esta música foi feita com inspiração em Utena e utilizada numa apresentação de cosplay, para o ECG no Anifest. Foi feita juntamente com o meu amigo R., detentor do projecto Ocaso - que deveriam ir ver, porque é giro. :3
By : ladyxzeus





