• Estou-me nas Tintas para os Homens Bonitos

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    Estou-me nas Tintas para os Homens Bonitos
    Tina Grube
    1996
    Romance

    Participei em duas trocas no BookCrossing, uma de colecções (colecciono lápis pequeninos, afiados até ao fim) e uma de Samhain (o ano novo pagão). Calhou que a mesma pessoa ficou comigo para as duas trocas e recebi dois livros dela. Uma foi este. Não estava minimamente motivada para o ler, não sou fã da literatura cor-de-rosa e da leitura básica. Mas até foi divertido, apesar de péssimo.

    O livro não tem qualquer tipo de conteúdo. Aparenta ser uma sequela de qualquer coisa com homens e chocolate, mas não é preciso lê-la para captar a essência da coisa (que é muito pouca). Linda é uma mulher de negócios. Acompanhamos o seu relacionamento à distância, a sua mudança de emprego, as suas viagens de mulher de negócios e os homens que a tentam seduzir em tais viagens, para detrimento do seu relacionamento à distância. Mas ela está-se a cagar nas tintas e acaba tudo em bem.

    O problema chave do livro é que Linda é uma personagem completamente vazia. No anime dizemos que são cortados da caixa dos cereais. Esta personagem é cortada de uma caixa de Fitness. Sem esse tipo de suporte, a história não consegue ser relevante e é impossível identificar-nos com ela, apesar de eu ter tudo para me identificar com ela.

    Ainda assim é um aleitura engraçada, mais não seja porque é passada num tempo em que há computadores mas não há telemóveis nem internet. Em que há União Europeia mas não há Euro e é preciso passaporte para viajar entre países membros. As referências são alemãs, por isso impossíveis de apanhar, mas também aparentam estar desactualizadas. Por isso é giro ver como se fazia a vida no trabalho sem ter estas coisas que, hoje em dia, parecem ser essenciais.

    Vou libertá-lo, ou numa troca ou num sítio qualquer. Talvez venha a divertir outra pessoa.
  • Demência

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    Demência
    Célia Correia Loureiro
    2011
    Romance

    Esta é uma nova autora, que estava alinhavada para ir à convenção do BookCrossing e depois não pôde. Ainda assim, aproveitei a oportunidade de ler um livro dela. Sem dúvida um livro interessante.

    Fala sobre diversas coisas, nomeadamente: o alzheimer; a violência doméstica; o isolamento nas aldeias de Portugal. E para falar disso existem diversos personagens. São interessantes, vivos, com um passado muito presente, por vezes até limitativo nas opções que fazem durante a narrativa. Esta poderia ser mais polida. Existem muitos flashbacks, tanto assinalados com a data como aleatórios no meio do texto, que são um pouco confusos e me parecem ligeiramente desnecessários. Por exemplo, acho que a narração dos episódios de violência da parte de Fernando poderia ter sido mais resumida, apesar de trazer mais horror à realidade de Letícia. Da mesma forma, não achei necessária a descrição da infância de Olímpia.

    O livro está bem escrito, mas aparenta não ter sofrido qualquer tipo de revisão editorial. Existem alguns erros de lógica e de descrição. Uma pessoa que conheço no BookCrossing referiu alguns, mas o que me fez mais impressão foi o Pulitzer. É só para autores de língua inglesa, por isso Sebastião não o poderia ter ganho... A descrição dos momentos também é um pouco exagerada. Não precisamos de saber com exactidão a posição da cabeça das pessoas.

    Ainda assim, uma leitura muito interessante, devido aos temas actuais que são discutidos. Sem dúvida uma autora para experimentar de novo.

    Nota: quando levei o livro para o Porto, ele estragou-se. ;_; Rasgou-se uma pontinha do lado esquerdo, junto à lombada. Que triste que fiquei...... ;____________;
  • Assalto ao Metro 123

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    Assalto ao Metro 123
    Tony Scott
    Filme
    2009
    5 em 10
    Quando acordei, estava a dar isto. Será que teria sido melhor ter ficado a dormir?

    Portanto, John Travolta e um grupo de pessoas que não interessa (spoiler: morrem todos) sequestra uma carruagem do metro. Denzel Washington, funcionário do metro, torna-se no negociador encarregado de salvar a carruagem do metro.

    E é só isto. O filme resume-se a conversas de alto teor filosófico (ou se calhar não) entre raptor e negociador, passando depois para uma cena de perseguição que envolve um metro, helicópteros e carros, mais uma conversa de alto teor filosófico e acaba tudo em bem.

    Um filme que nem os actores conseguem salvar, porque realmente eles não têm grande papel para fazer.

    Tem todos os elementos para algo terrível, todos os estereótipos foleiros americanos... Teria sido melhor ter ficado a dormir.
  • Os Acompanhantes

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    Os Acompanhantes
    Shari Springer Berman e Robert Pulcini
    Filme
    2010
    5 em 10

    Passei o Domingo todo no sofá da sala, de ressaca doente, com uma mantinha por cima, a comer scones e a beber chá, vendo os filmes que estavam a passar nos canais de cinema. Este foi o primeiro, terrível.

    Conta a história de um jovem que quer ser um cavalheiro, apesar de também querer ser uma traveca, e do seu colega de apartamento, um dramaturgo que também é acompanhante de idosas viúvas muito ricas. É suposto ser uma comédia, mas falta-lhe a energia e o momentum, acabando por ser um filme que roça o péssimo.

    Antes de mais, é difícil compreender a época em que o filme se passa. Se por um lado têm telemóveis, por outro lado as roupas e os carros não correspondem a nada que se assemelhe aos anos 00. Depois, o argumento parece perder-se em diversos conceitos, não se sabendo muito bem que história é que desejam contar. Querem contar sobre as travecas? Sobre as amigas da natureza? Sobre os gigolos? A história está completamente perdida.

    Fica na memória o personagem do dramaturgo, que tem o seu interesse - apesar de a interpretação não ser nada de especial. São as manias deste personagem e a sua capacidade manipulativa que têm interesse, sendo que tudo o resto é difuso.

    Depois adormeci.
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    António Nobre
    1892
    Poesia

    Aqui está o livro que ficou para trás, como tinha comentado na minha última resenha.

    Este livro veio-me parar às mãos no meio dos livros da Convenção do BookCrossing. Olhei para ele, vi que era poesia e pensei... Porque não? E porque não mesmo! Então, na minha viagem para o Porto, estive a lê-lo.

    Se alguma vez li poesia do século XIX deve ter sido há muito tempo, porque já não estava habituada. Num prefácio de vinte páginas plenas de erudição patega, o amigo do Anto (António Nobre) diz que este é o livro mais triste do mundo. Só me resta concluir que no século XIX não havia grandes razões para estar triste, porque os poemas são de uma futilidade plena e admitida. O tema é sempre o mesmo: tem saudades de casa. Na altura não havia skype por isso compreende-se, mas acaba por ser repetitivo. Os poemas mais interessantes são aqueles que se afastam do tema e mostram uma melancolia um pouco mais peculiar, de nota o desejo constante da morte.

    Vou oferecer este livro a um amigo que acho que o vai achar engraçado (eu achei, porque está tão desactualizado!), mas deixo-vos aqui um poema que marquei com um bilhete da TST:

    Balada do Caixão

    O meu vizinho é carpinteiro,
    Algibebe de Dona Morte, 
    Ponteia e cose, o dia inteiro,
    Fatos de pau de toda a sorte:
    Mogno, debruados de veludo,
    Flandres gentil, pinho do Norte...
    Ora eu que trago um sobretudo
    Que já me vai aborrecer,
    Fui-me lá, ontem (era Entrudo,
    Havia imenso que fazer...)
    - Olá, bom homem! quero um fato,
    Tem que me sirva? - Vamos ver...
    Olhou, mexeu na casa toda.
    - Eis aqui um e bem barato.
    - Está na moda? - Está na moda.
    (Gostei e nem quis apreçá-lo:
    Muito justinho, pouca roda...)
    - Quando posso mandar buscá-lo?
    - Ao pôr do Sol. Vou dá-lo a ferr:
    (Pôs-se o bom homem a aplainá-lo...)
    Ó meus Amigos! salvo erro
    Juro-o pela alma, pelo Céu:
    Nenhum de vós, ao meu enterro,
    Irá mais dândi, olhai! do que eu!
  • Cão Como Nós

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    Cão Como Nós
    Manuel Alegre
    2002
    Romance

    Entre este livro e o outro houve mais um, mas deixo-o para mais tarde porque quero fazer uma citação e ele não está aqui. :>

    Quando apareceu a oportunidade de receber este livro pelo BookCrossing, inscrevi-me logo. Afinal, sou uma "dog-person", uma pessoa canina, quiçá até tenha um pouco de cão dentro de mim. Nunca tinha lido Manuel Alegre e isso era juntar o útil ao agradável.

    É um livro simples, de ideias simples e linguagem simples. Conta a ascensão e queda de um cão de caça chamado Kurika, que terá vivido com o autor (ou será apenas da sua imaginação?) e com ele falecido. O livro intercala pequenas histórias das aventuras do cão com os momentos de saudade depois do seu desaparecimento. Estes últimos são muito comoventes, quase me levaram às lágrimas por momentos. Os outros são divertidos, até porque narram uma perspectiva do cão diferente daquela que normalmente encontramos em livros sobre animais. Porque o narrador, autor ou imaginação, tem uma posição muito... Portuguesa... Sobre cães. Mas acaba por amolecer, apesar de ainda se irritar por o cão ser um cão que parece uma pessoa.

    Uma belíssima homenagem a todos os cães e a todas as pessoas que tiveram cães.
  • O Elmo de Cristal

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    Os Mouros das Terras Encantadas - O Elmo de Cristal
    Francisco Dionísio
    2006
    Romance Fantástico
    A verdade é que eu estava à espera que este livro fosse completamente diferente. Quando o escolhi para ler a seguir (um dia explicarei como faço a minha "ordem de livros para ler", porque faz imenso sentido), até achei engraçado: "estive a ler um livro de marranos e agora vou ler um sobre moiros!" A minha expectativa era muito diferente: esperava que fosse um livro realista passado no tempo do antigamente, sobre o antagonismo dos conquistadores e dos mouros que viviam em Portugal. A realidade que é um romance fantástico juvenil, sobre um grupo de jovens muito distintos que entram por uma anta e vão parar ao sítio onde estão os mouros encantados.

    Evidentemente que isto não me atraiu minimamente e foi com grande esforço que me fiz ler o livro.

    Existem dois factos interessantes: a descrição das "Terras Encantadas", que é muito detalhada e - realmente - dá imagens muito bonitas; e a evolução das relações entre os personagens, que passam de desconhecidos amigos no decurso da história. Infelizmente, os personagens das Terras Esquecidas (mundo real) são muito estereotipados e muito vazios: o jovem que faz kung-fu (wat), o nerd, a gaja com poderes e a miúda que não está lá a fazer nada e precisa de ser salva. Por outro lado, os personagens das Terras Encantadas são únicos. Creio que poderia ter havido maior ênfase nos seus hábitos de vida e relação com a religião, assunto que não foi tocado nem ao de leve.

    A escrita é muito simples e bastante juvenil, com excesso de algumas palavras. Nomeadamente "sinistro". Tudo é sinistro nesta terra, está tudo à esquerda.

    O livro termina de repente, isto é, a apontar para uma sequela. Mas a verdade é que o autor poderia ter dado alguns detalhes sobre o regresso da criançada aos pais. Já agora, há um lapso de tempo um pouco grave: o autor manifesta que os dias nas Terras Encantadas são iguais, em termos temporais, ao das Terras Esquecidas. Mas eles saem das primeiras de dia e vão parar às segundas de noite!

    Enfim, o livro tem algumas falhas e poderia ser reformulado. Ainda assim, poderá ser uma leitura interessante para os mais novos. Em termos de local fantástico, é extremamente original: temos de lhe dar valor por isso.
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