• Léon, o Profissional

    0
    Léon, o Profissional
    Luc Besson
    Filme
    1994
    8 em 10

    Uma jovem precoce e mal ajustada dentro da sua família pede auxílio a um vizinho depois de matarem toda a sua família a mando de um polícia corrupto e meio psicopata. Acontece que esse vizinho, Léon, é um assassino a soldo, um "cleaner". Então Mathilda, a jovem, convence-o a ensiná-la a matar profissionalmente, de forma a poder vingar o seu irmão mais novo.

    É um filme tocante, apesar de violento. Os dois personagens têm uma grande sensibilidade, transmitida pelo trabalho dos actores, acabando por estabelecer uma relação muito estranha mas cheia de amor. Mathilda está constantemente a assediar Léon, num efeito tanto perturbador como cómico. E depois há uma planta, que é muito importante.

    O vilão desta história também está interpretado de forma magnífica, passando para este lado um desconforto permanente e o medo da imprevisibilidade das suas acções.

    O final é muito simples e demonstra a evolução das personagens, tendo cada um ficado com um pedacinho do outro. O culminar de tudo é muito triste e muito bonito.

    Era um filme do qual não esperava nada, pelo título. Foi uma surpresa muito agradável e recomendo.
  • Chaparral Band

    2
    Chaparral Band
    Festa na Aldeia (Claramente)
    Pois que fui em retiro espiritual para a minha casa assombrada, com os planos de escrever uns contos e fazer uma espada para o meu novo cosplay. Acabei (acabámos?) por não fazer nada disso, mas em compensação vimos dois magníficos concertos nas festas em homenagem à Nossa Senhora da Penha da terrinha mais charmosa de Portugal: Moçarria.

    Esta banda, a Chaparral Band, cantava um misto de covers e originais de um azeite virgem do melhor qualificado que anda por aí. Uma intensa animação que fazia o azeite que tenho a correr nas minhas veias fervilhar de emoção. Tão purificado ficou que depois cortei os pulsos para temperar a salada.

    Com uma fascinante versatilidade, cantaram da kizomba ao funaná, passando pela Anca do Senhorio (ou Dança do Amor, eu é que vejo mal ao longe) , sem esquecer os sucessos zucas e as mais belas baladas. Toda a gente a dançar, mas talvez isso tenha sido devido a terem gasto cinquenta e cinco barris de cerveja logo na primeira noite das festas.

    O que mais me impressionou foi o misto de espectáculo de ilusionismo que nos mostraram: os artistas (bons artistas) mudavam de roupa num ápice, aparecendo com outfits quase artísticos. E quantas pessoas tinha a banda? Continuo sem saber. Pois apareciam e desapareciam de música para música, sem se deixar apanhar. O único membro constante, e claramente o pilar da banda, era o guitarrista do metal, que se mantinha indiferente à magia que acontecia à sua volta e continuava a tocar com a devida concentração, provavelmente imaginando "estes acordes são quase os daquela música de Megadeth"

    No dia seguinte apareceu uma banda com ainda maior produção: segundo o vice-presidente da junta, o Vitó, tinham o maior palco do país. Bem, eu não o quis desapontar, mas conheço pelo menos três palcos maiores. Esta banda passou por êxitos mais comerciais, ao contrário da Chaparral Band que nos apresentou uma variedade mais indie da música pimba. Alguns dos êxitos destes Hi 5 8 Low Energy Band - ou qualquer coisa do género - foram "É o Bicho", "Uma Casa Portuguesa", "Gangnam Style" entre outros que eu, na minha ignorância, não reconheci.

    De resto, tínhamos vinho barato, o meu pai apareceu para jantar e era uma meia dose de grelhada mista bem servida, ganhei uma garrafa de coca-cola vintage numa rifa e assim por diante. Acho que vou passar a frequentar estas festas, pois apesar de serem no campo da bola têm um certo glamour pastoral. Não, não, estou mesmo a falar a sério.

    Mas, na realidade, este mocho verde que é um vaso era o prémio que eu queria mesmo, mesmo ganhar na rifa.

    Já agora, vejam a cena que nos atacou e que matámos à chinelada:

    Alien? Fada? ... Kafka?

    Ah, e vejam também o meu cão vintage:

    O nome dele é Infeliz



  • O Rapaz do Pijama às Riscas

    0
    O Rapaz do Pijama às Riscas
    John Boyne
    2006
    Infanto-Juvenil

    Comprei este livro na Feira do Livro porque, quando estive no Brasil, estive quase para ver o filme. Pensava que era uma coisa completamente diferente. Afinal o livro é sobre o holocausto. 

    Mas da perspectiva de Bruno, um rapazinho de nove anos.

    Um dia, Bruno chega a casa e vê as suas coisas a serem empacotadas. Por ordens do "Fúria", o seu pai - um general importante - vai trabalhar para "Acho-Vil" e leva a família consigo. Nesta terra não há nada e é horrível. Da janela do seu quarto, Bruno vê muitas pessoas atrás de uma vedação. E um dia, por acaso, conhece um rapazinho que está do outro lado. Conversa com ele e tornam-se amigos. O que ele não sabe é que esse rapazinho é judeu e que a vedação delimita um campo de concentração. Ele nem sequer sabe o que é um judeu!

    E é com este tipo de inocência que nos é relatada uma história de horrores. A Bruno só lhe interessa explorar e ter aventuras, brincar e ter amigos. Ele não faz ideia de que o seu amigo está a viver o inferno, apesar de compreender que algo não está certo com ele.

    Depois, o final é completamente imprevisível e muito, mesmo muito, triste.

    É uma história para crianças recomendada no Plano Nacional de Leitura. Pensei em dá-lo como leitura de Verão ao meu afilhado, que tem 11 anos, mas creio que o livro é demasiado forte para ele. Aliás, é demasiado forte ponto. É importante as crianças saberem o que se passou, mas a ironia da perspectiva da história - Bruno - tem uma nuance quase maldosa. Bem, guarda-lo-ei para quando ele for mais velho e souber que a guerra só é fixe nos jogos da playstation.
  • The Girl who Leapt Through Time

    0
    The Girl who Leapt Through Time
    Yasutaka Tsutsui
    1965
    Novela

    Quando estive na nova casa da Hota pela primeira vez, a primeira coisa que admirei (além do gato, muito simpático) foi a biblioteca que se estava a construir, a pouco e pouco. Tive de comentar "havias de me emprestar uns quantos destes mangas, para ver se eu leio mais manga!" Dito e feito, ela apareceu-me com dois volumes distintos para eu ler. O primeiro é esta "Novel", que foi adaptada a anime, que vi. Ora, eu vi esse anime sem legendas - não me perguntem porquê, eu também não sei - e pouco dele percebi além de que ela andava para trás no tempo para tentar salvar o amigo. Então pensei que o livro me fosse explicar a história. A conclusão a que chego é que a Novel original é diferente do anime (e eu percebi pouco do anime)

    Trata de uma jovem que, após um acidente a limpar o laboratório da escola, se vê com o misterioso poder de andar para trás no tempo e mudar de sítio ao mesmo tempo. Ela não salta no tempo muitas vezes, apenas as suficientes para se sentir espantada e assustada com o acontecimento. Então alguém (o causador de tudo isto) lhe explica o que se passa e nesse momento a história vira ficção-científica.

    Essa parte da história é a mais interessante, apesar de bastante simples, por causa da criação do universo futurista envolvido. Aliás, toda a escrita é bastante simples. Segundo parece, este livro foi escrito como folhetim para uma revista para jovens, sendo que a linguagem é, portanto, bastante simplificada.

    Juntamente com esta história da rapariga que anda para trás no tempo, existe mais uma chamada "The Stuff That Nightmares are Made Of". Este conto fala de uma rapariga que tem medo de algumas coisas, e do seu irmãozinho que tem medo de outras, e da maneira como ela enfrenta esses medos e busca a sua origem de forma a poder resolvê-los. Como história, acho que gostei mais deste conto, apesar de ser bem menos complexo do que o anterior.

    De qualquer forma, é um bom complemento para o filme, contando que o viram com legendas.
  • O Exorcista

    0
    O Exorcista
    William Peter Blatty
    1971
    Terror

    Um livro que comprei na Feira do Livro por estar muito barato e, bem, porque não? Eu tenho pavor de filmes de terror, devo ter visto dois na minha vida inteira (e morri com eles), mas com livros até me dou bem. E depois pensei "bem, o livro é sempre melhor que o filme, por isso depois disto posso ver o filme nas calmas que não me vou assustar". Talvez não. Talvez por já ter visto algumas imagens do filme, imaginei todo o livro com essas imagens em mente. E o livro perturbou-me grandemente.

    A história quase não fala do exorcismo. Há uma menina que aparenta estar possuída, mas os médicos no livro, e o padre psiquiatra, passam o tempo todo, quase até ao final, a convencer-se de que isto não é obra do demónio, mas sim um desdobramento de personalidade. E quase que conseguem convencer-se, até a um momento final em que Karras, o padre psiquiatra, vê que realmente há ali qualquer coisa.

    Pessoalmente, eu não acredito em demónios, diabos ou forças malignas. A minha religião tem os deuses mas não tem coisas opostas aos deuses: eles têm em si as coisas boas e as coisas más, são neutros e estão em equilíbrio. Já sabem, já vos disse, que sou pagã. E não sei exactamente, pois não o estudei (mas valerá a pena pesquisar) o que é que os pagãos acham das possessões demoníacas e todas estas coisas. Sei que há alguns que acreditam em fantasmas e espíritos menos bondosos. Eu própria tenho uma experiência para-anormais do género, mas a minha criatura (o que quer que ela seja, chamamos-lhe A Sétima Pessoa) não aparenta ser boa nem má. Está apenas lá.

    Ainda assim este livro deu-me vontade de explorar o que será isto das possessões.

    O livro não é muito assustador, mas é perturbador de uma maneira psicológica. As descrições são detalhadas mas são feitas de forma fria, de forma a que não nos associamos emocionalmente a nenhum dos personagens ou situações. Mas não deixamos de pensar "e se isto me acontecesse a mim?" Espero mesmo que não.

    Até tive pesadelos com o raio do livro. Não o quero ter em casa, que só de olhar para ele me sinto desconfortável. É esse o nível de qualidade do livro. Enfim, vou fazer um BookRay no BookCrossing, para ver se ele vai parar a mãos menos assustadiças!
  • Suisei no Gargantia

    0
    Suisei no Gargantia
    Urobuchi Gen - Production I.G.
    Anime - 13 Episódios
    2013
    7 em 10

    Para mim o melhor anime desta temporada. Na sua génese está o criador das nossas famosas Megucas, mas este anime não tem nenhuma pretensão a deconstrução. É simplesmente um conto de ficção científica passado num imaginário extremamente bem concebido e muito original.

    Comecemos pelo início, que é o melhor sítio para começar. Algures no meio do espaço, está um soldado (Ledo) dentro de um mecha (Chamber) a lutar contra umas anémonas espaciais (Hideauze). De repente, é absorvido por um wormhole e vai parar a um planeta a milhares de anos luz de distância. Esse planeta está coberto de água e os seus habitantes vivem em navios que formam ilhas flutuantes com a sua própria civilização. Esse planeta é o planeta Terra. Pois é, depois de mais uma idade do gelo, sobrou um planeta coberto de água e os seres humanos tiveram de se adaptar.

    Ao início o anime explora as diferenças entre os dois universos, a Terra e a confederação artificial onde vivia Ledo. Existem diferenças na língua (o que é sempre uma coisa extraordinária) e dos hábitos e vemos Ledo a conformar-se e a adaptar-se ao novo universo em que se encontra. Mais tarde ele encontra umas criaturas parecidas com os Hideauze, a que eu chamo de Balulas (Baleia + Lula) e aí a história dá uma volta, mas sem nunca se desencontrar do objectivo inicial de explorar as diferenças.

    Temos personagens variados e todos eles têm uma certa evolução, mas sobretudo Ledo e Chamber. Eles estavam habituados a uma sociedade autocrática e de repente Ledo vê-se confrontado com uma realidade em que viver é mais do que lutar contra seres aquáticos do espaço. O próprio Chamber, sendo uma inteligência artificial, adapta as suas decisões ao universo novo em que se encontra, sendo que o climax é atingido com a sua realização. De entre os outros personagens, apenas Pinion tem uma certa evolução, passando de convencido insuportável a mais ou menos humilde insuportável. Todos os outros aparentam estar lá como decoração ou como mecanismo para o avanço da história, sobretudo Amy.

    A arte é deveras linda. Deveras lindíssima. Para um mundo todo coberto de água, temos uma variação de cores, nela e no céu, brilhante e bela. Os barcos, Gargantia sobretudo, estão desenhados com extremo detalhe. É um anime muito bonito e a paleta de cores trás uma vibração positiva. Existe algum CG, sobretudo no design dos mechas, mas está bem integrado com o resto do ambiente e acaba por não destoar.

    O mesmo se aplica à música, isto da positividade. Olhando bem, não é nada de especial, mas adiciona bem-estar às situações.

    Infelizmente temos alguns episódios, sobretudo na primeira parte, que parecem não estar ali a fazer nada. Nomeadamente o episódio da praia (que não é bem uma praia, mas tem fatos de banho) e o episódio das danças dos ventres. Senti-os mais como episódios de serviço inusitado, ali postos às três pancadas para ocupar o tempo e para tentar dar alguma densidade aos personagens femininos (que não a têm). Talvez também para aumentar o sentimento "feel good" de toda a parte inicial da série. 

    De resto, um anime muito original e muito bonito, com a sua dose de piada, que vale a pena ver.
  • Aku no Hana

    0
    Aku no Hana
    Nagahama Hiroshi - Starchild Records
    Anime - 13 Episódios
    2013
    6 em 10

    Certamente um dos animes mais bizarros da season. Aliás, dos que vi o mais bizarro. Segue a vida de Kasuga, um rapaz que gosta de ler As Flores do Mal (Aku no Hana) de Baudelaire. Num momento da sua vida, furta a roupa de ginástica da sua musa e amada, Saeki. É visto por uma maluca, Nakamura, que faz um contrato com ele e lhe atormenta a vida.

    Mas isto evolui. Kasuga evolui muito enquanto personagem, apesar do resto do trio ficar para trás. Ele admite que não percebe Baudelaire. Achei, por isto, que este anime foi uma análise estruturada da solidão adolescente, do facto de alguns adolescentes (eu inclusa) se acharem especiais ou melhores que os outros. Esta foi só a primeira parte: eles deram-nos uma noção do que vai ser a segunda parte (e esperemos que ela venha a existir efectivamente) e ao que parece vai ter sangue, suor e lágrimas. Na segunda parte eles vão admitir que estão perturbados e realmente começar a fazer coisas perturbadas, para gáudio e felicidade de toda a gente.

    Falando em toda a gente, toda a gente detestou a arte e animação. Efectivamente, é diferente. É realista e feia, o que acaba por demonstrar que esta cidade é feia, que estas pessoas são feias e que é tudo, como dizem os personagens, uma grande merda. Assim, creio que funciona muito bem. Mas não está muito bem feita. Logo ao primeiro episódio, vistas as diferenças entre o anime e o manga (vide abaixo), gritaram "rotoscópio!". Bem, eu sou uma pessoa muito ignorante por isso não sabia o que era um rotoscópio. Fui procurar. E aqui está a página da wikipedia. Então, por aquilo que eu percebo, eles fizeram isto com actores e depois desenharam por cima. É isso? Parece difícil, coordenar tanta gente só para fazer uns desenhos animados. O resultado acabou por não ser muito agradável à vista, mas - como disse antes - é funcional dentro do contexto.

    É grande a imagem, huhu

    A música trás grandes efeitos e adiciona tensão nos momentos certos, nomeadamente as grandes caminhadas que estes personagens fazem pela cidade terrível. Uma grande variedade de OPs, uma para cada um dos personagens do trio, pelo menos. E uma ED inesquecível, simplesmente porque é tão perturbadora.

    Gostaria de lhe dar uma nota melhor, mas a animação vale o que vale e achei que foi um pouco de mais termos tantos episódios para introduzir a história, sendo que ela agora só vai aquecer numa segunda parte que poderá ou não existir-
  • Copyright © - Não me Apetece Estudar

    Não me Apetece Estudar - Powered by Blogger - Designed by Johanes Djogan