• Quem Tramou Roger Rabbit

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    Quem tramou Roger Rabbit
    Robert Zemeckis
    Filme
    1988
    7 em 10

    A propósito da Monstra, Festival de Animação, passei a tarde toda no Cinema S. Jorge. Perdi o filme de anime, porque cheguei meia hora depois de ter começado, mas vi o Roger Rabbit. Que é um filme que sinceramente não me importo nada de ir ver no cinema, porque sempre gostei dele.

    Um policial com um twist: os desenhos animados são pessoas. Pessoas loucas, mas pessoas vivas. Valiant é um detective privado que já teve melhores dias e que um dia tem de ir tirar umas fotos pornográficas à mulher do Roger Rabbit, um coelho toon. Depois alguém morre, Roger é acusado e o detective protege-o e esconde-o enquanto tenta perceber quem é o verdadeiro vilão da história. O resultado é um filme divertidíssimo.

    Groundbreaking (partidor de chão) na utilização de animações que interagem com actores e objectos, é um excelente exemplo das coisas que se podem fazer com desenhos. Foram precisos muitos animadores para fazer isto, mas cada detalhe está no sítio certo e até coisas difíceis, como a cena do candeeiro, foram conseguidas.

    Os actores verdadeiros não estão a fazer nada fora do comum, mas funciona. As vozes dos desenhos também funcionam. E é o conjunto que trás um resultado divertido.

    A única coisa que eu não gosto deste filme é que os desenhos são todos "toons" antigos e eu não aprecio toons. Não acho graça a coisas que caem e se magoam. E Roger Rabbit passa o tempo a dizer que os desenhos animados foram feitos para rir e isso não é assim tão verdadeiro.

    Depois do Roger Rabbit ainda vi a sessão de competição das Curtíssimas, Super Shorts. Foram 72 minutos e eu estava a ver que nunca mais acabavam. Porque quando digo Curtíssimas... São mesmo curtas. Com 30 segundos. A dois minutos. Bom para ver no youtube, mas numa sala de cinema, dezenas delas umas a seguir às outras, já me estava a alucinar. De qualquer forma, a minha preferida chamava-se Woof Woof e era com quadradinhos e triângulos. Perdi o lançamento da revista Banzai porque fui lanchar, mas estava lá uma exposição.

    Gosto sempre de ir à Monstra, vou todos os anos. Talvez para o ano finalmente vá acompanhada. Quizas quizas quizas
  • Arve Rezzle: Kikaijikake no Yoseitachi

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    Arve Rezzle: Kikaijikake no Yoseitachi
    Yoshihara Tatsuya - Zexcs
    Anime Special - 1 Episódio
    2013
    6 em 10

    Afinal de contas, o que é isto? É uma light novel que se tornou special, um episódio de 20 minutos sem consequências, animado por uma das revelações que trabalhou em Sket Dance. Lançado na niconico, pelo que indica a watermark no vídeo.

    Bom, infelizmente isto é - como disse - apenas um episódio de 20 minutos. Se fosse uma série teria muito potencial. A história é complexa e envolve almas que trocam de corpo e ficção científica. Os personagens têm potencial para crescer. Este special fez um bom trabalho a apresentar a história e as personagens, mas deixa-nos com vontade de desenvolvimento.

    A animação é bastante boa, com uma utilização interessante de texturas e cenas de acção envolventes, quiçá um pouco confusas porque não nos apresentaram as "formas de lutar" deste universo convenientemente.

    Gostei bastante do trabalho dos voice actors, mas a música não é nada de extraordinário, com uma ED meio punkosa sem graça nenhuma.

    Enfim, uma pena que seja só um episódio. Pode ser que façam mais.
  • Ikoku Meiro no Croisée

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    Ikoku Meiro no Croisée
    Yasuda Kenji - Satelight
    Anime - 12 Episópdios + 1 Special
    2011
    7 em 10

    Desde que se foi lá a primeira vez que existe um fascínio mutuo entre o Japão e a Europa. Sobretudo entre o Japão e a França. Até hoje, como se pode ver pela secção de manga da Fnac, pelas lojas de roupa lolita em Paris e pelo tamanho da Japan Expo (onde irei um dia, quiçá). Ora bem, este anime fala precisamente sobre o choque entre as duas culturas.

    Yune é uma japonaise pequenina que vai viver para França, criada de uma loja de ferragens numa galeria comercial. O anime é episódico e fatia-de-vida, falando sobre os pequenos momentos da sua vida em França e as diferenças entre hábitos. Rapidamente faz uma amiga, uma weeaboo do século XIX, e convence o seu patrão, Claude, do seu valor como criada e como pessoa.

    É um anime muito agradável na arte, com belíssimos retratos da arquitectura parisiense e excelente caracterização da época. Excesso de gatos, como é habitual no anime, mas nada de irrealista. As cores são suaves, com um resultado muito bonito. Adicione-se a isto uma música muito leve e ambiental num estilo europeu clássico e o que temos no final é um universo muito bem explorado e suave.

    Os personagens têm muitos dramas na vida deles, sobretudo no seu passado. Isto é um grande exagero e tira lugar a sentimentos presentes mais importantes, nomeadamente as saudades de Yune. Houvessem menos flashbacks e a série teria sido muito melhor.

    No geral, é um bom fatia-de-vida, bastante original. Lembra-me Aria, por vezes.

    Em relação ao Special, fiz um comentário específico para ele que traduzirei aqui de seguida:

    Enquanto que o episódio 4.5 é muito belo por causa da sua componete musical, não foi impressionante no geral. A história deste episódio baseia-se demasiado  numa coincidência e não explora muito bem o facto de Yune estar a lidar com um país e cultura diferentes. Fala sobre as suas saudades, mas apenas toca a pele do assunto.
  • A minha verdade é o amor

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    A minha verdade é o amor
    Luanne Rice
    2007
    Romance

    Porque é que eu pedi este livro no BookCrossing? Sei lá, pareceu-me interessante. Quando o mostrei aos meus amigos disseram "é mesmo literatura de gajas". E é mesmo, apercebi-me mais tarde.

    Bernie é freira e Tom é o seu jardineiro. Amam-se e tiveram um filho, mas depois ela virou freira, coisas da vida. Teve uma revelação da virgem. Entretanto o seu filho, Seamus/James vive no orfanato com Kathleen. E amam-se. Mas acabam separados. E assim o livro consiste em: Bernie e Tom à procura do filho; todos à procura de Kathleen. Com revelações da Virgem Maria à mistura, mas isso não é nada impressionante.

    Não é que o livro esteja mal escrito. Foi claramente feito por uma dessas "profissionais da escrita", o pessoal que tira cursos para aprender a escrever e que eu desprezo profundamente. Mas não tem alma. As descrições são estéreis e existem demasiados personagens sem qualquer relevância para a história que são explorados em pormenor desnecessário. A história em si é previsível, com os seus momentos trágicos mas acaba tudo em bem. Acaba sempre tudo em bem. Estava-se mesmo a ver que ia acabar tudo em bem.

    Não foi um livro motivante. Deixa-me triste que uma árvore tenha de ter morrido para que este livro exista.
  • Bubblegum Crisis

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    Bubblegum Crisis
    Obari Masami - AIC
    Anime OVA - 8 Episódios
    1987
    7 em 10

    Depois de um falso clássico, é hora de um verdadeiro! Bubblegum Crisis, o anime que não tem quase nada de pastilha elástica!

    Este é um futuro que hoje em dia não é muito distante. Ainda assim existem uns andróides chamados Boomers que são um perigo para a sociedade. A AD Police está encarregada de os destruir mas devido aos seus elevados níveis de incompetência existem as Knight Sabers, quatro gajas dentro de fatos robotizados que lhes dão uma força super-poderosa e a capacidade de transformar os boomers em grandes explosões de óleo!

    Elas são quatro e cada uma está extremamente bem definida dentro do seu arquétipo. Têm as suas vidas além da luta pela justiça, têm as suas personalidades e têm os seus problemas. Também têm passado. São um conjunto de personagens interessante e bem caracterizado. A natureza episódica da série trás-nos um conjunto de novos personagens a cada episódio, cada qual também muito bem caracterizada e realista. O drama atinge o seu pico a meio da série, tudo o resto é um intercalar entre momentos muito sérios e momentos de humor muito próprios derivados da personalidade de cada personagem.

    Os designs são típicos da época, mas a animação é muito boa. É muito detalhada e bem coreografada, sem abuso nas cores. O ambiente criado é o primórdio do cyber-punk, para sempre imortalizado com Ghost in the Shell mas que vê os seus inicios em Bubblegum Crisis. A vida e interacção com robots eram grandes preocupações dos anos 80 (infundadas, como se pode ver) e a funcionalidade de todas as máquinas desta série está muito bem estruturada, sobretudo a nível artístico.

    Mas a melhor parte é sem dúvida a música. Pastilha elástica? Sim senhor! O melhor pop dos 80s Japoneses,  beat electrónico e letras sensuais. Duas grandes músicas por episódio, ilustradas por fantásticas sequências de animação. A abertura do primeiro episódio, o concerto de Priss, é memorável. Estes momentos musicais contribuem muito para o ambiente geral da série, uns 80s futuristas, e tornam-na absolutamente deliciosa.

    Um clássico recomendado, e não só para quem se deseja informar.
  • The Big O

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    The Big O
    Katayama Kazuyoshi - Sunrise
    Anime - 26 Episódios
    1999
    6 em 10

    Quando fui ler algumas críticas deste anime, pouco depois de o começar, vi-o classificado como "noir". E achei interessante que estivesse a ver um anime noir. Mas depois fui ver algumas características dos verdadeiros film noir e não creio que esta classificação esteja correcta. Existe um anti-herói, no caso um negociador de sequestros e uma femme fatale. O ambiente é tristonho e deprimido, muito pouco colorido e com algum ênfase no preto contra o branco, sobretudo no que respeita aos designs dos personagens. Mas a  história e a motivação dos elementos desta não correspondem ao trope original. Assim, conforme sugestão, permitam-me que classifique este anime como "neo-noir".

    Big O é um robot gigante, conduzido pelo negociador de sequestros Roger Smith. Tem uma android como governanta e ajudante e um criado zarolho que carrega grandes armas consigo. Todos os episódios encontra um robot gigante novo com quem lutar, um megadeus, e destrói toda a cidade no processo. Tem um amigo na polícia. E são episódios de destruição atrás de episódios de destruição até que, circa episódio 18, temos uma história um pouco mais completa, mas ainda assim sem grande mistério e complexidade.

    Os personagens Roger e Dorothy são interessantes pois trazem momentos de humor algo irónico. Roger, apesar de estar apresentado como um pouco anti-herói, até é uma pessoa bastante simpática e bem humorada, que gosta de dormir até tarde. Dorothy tem alguns momentos geniais de humor, pois - sendo um robot - não tem qualquer expressão. Ainda assim diz coisas muito desadequadas para robot, que revelam a sua humanidade que, em minha opinião, não deveria existir. O episódio do gato é um exemplo forte disto.

    Assim o anime ganha interesse não pela história ou personagens mas pelo ambiente artístico. As cores são parcas e a animação tem traços fortes, apesar de não ser nada de extraordinário. Muitas explosões e prédios a cair. Esta cidade onde vivem tem uma característica especial: é uma cidade sem memórias, pois há 560 anos toda a gente se esqueceu de tudo (o que lembra bastante A Wind Named Amnesia). Não me pareceu que este conceito fosse suficientemente explorado. O ambiente é coroado por uma excelente banda sonora, com muito jazz e blues, muito piano e saxofone. A música trás muita melancolia à série, o que por vezes não corresponde às personalidades dos personagens nela inseridos.

    Tinha tudo para ser um clássico. Talvez se não tivesse mechas feiosos o tivesse conseguido.
  • Comer Orar Amar

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    Comer Orar Amar
    Elizabeth Gilbert
    2006
    Memórias/Auto-ajuda

    Tinha curiosidade por este livro desde que saiu o filme (que não vi), por isso aparecendo a oportunidade li-o. E, bem... Enfim...

    O livro está escrito de uma maneira engraçada. Tem muitas piadas, tem comparações giras, fala de uma maneira casual de um problema sério, que é a depressão da autora. Mas não me vou demorar muito. Este livro ensina como curar a depressão. E a resposta é simples: é preciso ter dinheiro para ir a Itália enfardar massa e pizza, à Índia aprender a meditar e à Indonésia, Bali, arranjar um amante brasileiro. Foi a parte do Amar a que gostei mais, diga-se de passagem, não pelo amante brasileiro mas pelo mestre curandeiro, que é uma personagem muito engraçada (real, mas personagem) e que pensa exactamente da forma que eu tento pensar todos os dias.

    Mas convenhamos... Se eu fosse rica também curava a depressão num instante.

    Sinceramente, não acho que este livro valha a pena o tempo. Achei que depois de o ler iria ter vontade de fazer uma caminhada espiritual e encontrar deus/falar com deus/qualquer coisa divina, mas a verdade é que me deixou completamente indiferente. Liz, tiveste sorte em arranjar alguém que te pagasse as férias. Mas as pessoas normais não são assim.
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