Um Livro Negro sobre o Portugal do Século XVII
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Um Livro Negro sobre o Portugal do Século XVII
Catarina Crespo Coelho Correia de Castro
Tese
2007
Encontrei este livro enquanto explorava as caves sinistras da Universidade Nova com os da Espherographica (se bem que, espero eu, agora também seja um deles). Havia montanhas deles todos iguais, por isso um não havia de fazer falta. Afinal, como iremos fazer com os lémures do zoo, "dá-me um... Tens tantos..." (com sotaque cigano)
Mas bem, isto não é bem um livro. É uma tese. E, sendo uma tese com quase 200 páginas, está escrito como tal e tem o seu valor. Não será um valor literário, mas sim um valor cultural pois dá-nos a oportunidade de conhecer, através de uma análise extensiva, o Portugal do Século XVII.
A análise é a de um outro livro, "Sketches of Society and Manners in Portugal", de James Ferrier, também conhecido pelo seu pseudónimo Arthur William Costigan. Esta tese explora não só a validade do pseudónimo como a vida real do autor e o que o levou a escrever um livro tão desagradável, que diz que Portugal é uma terra suja cheia de bárbaros e badalhocos que seduzem freiras. Demonstra como essa descrição está errada e compara-a com outros livros de viagem da mesma época. Também explica sobre a literatura de viagem e o que levava as pessoas a fazê-la.
Um livro que nos faz viajar de uma maneira muito técnica.
E também o livro com que me vou estrear no BookCrossing! Vou deixá-lo amanhã na Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras, alguém que o venha buscar! :)
By : ladyxzeus
Honey and Clover II
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Honey and Clover II
Nagai Tatsuyuki - J.C. Staff
Anime - 12 Episódios
2006
6 em 10
Há coisas que eu não consigo explicar e há coisas que estão além da minha compreensão. São muitas, mas uma delas é "porque é que Honey and Clover é considerado uma obra-prima?" Depois desta segunda season ainda menos entendo.
A segunda season pega exactamente no sítio onde a primeira acabou. E faz uma coisa horrível logo no primeiro episódio: um recap da primeira season. Já a vi há algum tempo, mas não o suficiente para a esquecer, apesar de ter detestado. Logo isso é razão para desistir!
Entretanto, já que o personagem principal descobriu a sua existência numa viagem de bicicleta, devemos focar-nos nos poligonos amorosos. E são 12 episódios de gente a chorar. No entanto esta segunda season é um pouco superior à antecedente, pois demonstra alguns laivos de sensibilidade em certos momentos. Mas a seriedade é rapidamente interrompida por cães risonhos e outros elementos de comédia às três pancadas. Não que eu não goste dos cães, acho-os a melhor parte do anime pelo seu pensamento simples e inocente. Fossem os personagens mais como os cães e aí eu compreenderia o chamarem-lhe obra prima.
De resto, esta season é suposto concluir com a vida de estudante desta gente. Mas isso não acontece. Não há perspectivas para o futuro profissional nem pessoal. Tal como estava no início continua tudo na mesma. Ah sim, agora admitimos que gostamos todos uns dos outros, se calhar até ultrapassamos alguns problemas pessoais que nos prendiam. Mas ninguém admite nada a ninguém e as suas relações não se materializam.
Além disso há introdução de uma série de outros personagens que não estão ali a fazer nada.
Tal como na primeira season, a arte é delicada e sonhadora. A música é muito variada, mas nem por isso é especialmente boa. Superior a temporada anterior, mesmo assim é um anime que não se destaca. Talvez um dia eu tenha uma iluminação e venha a compreender.
By : ladyxzeus
Dragões de um Amanhecer Primaveril
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Dragões de um Amanhecer Primaveril
Margaret Weis
Romance Fantástico
1999
Misterioso livro encontrado no quarto da minha irmã (lembram-se do projecto? "Ler todos os livros do quarto da minha irmã") que eu não teria interesse nenhum em ler se não fizesse parte do projecto. Eu não sou uma fã muito especial de livros de fantasia. Não me interessam muito, acho a maioria deles ridículos e, em resumo, as situações apresentadas não têm pés nem cabeça apesar de se levarem absolutamente a sério,.
Estes Dragões da Primavera são o terceiro livro de uma série de 4, Dragon Lance (ou, em PT-PT, a "Lança do Dragão") Felizmente a história não é muito complicada e é simples de apanhar quem é quem e o que está a fazer no mundo apesar de não ter lido os dois livros anteriores. Talvez isto seja, na realidade, um defeito, pois é capaz de ser um pouco aborrecido para quem os leu ter de voltar atrás e aprender quem são outra vez.
O mundo está bem construído, apesar de ser um pouco ridículo. Há alguma incoerência em relação aos deuses (porque raio uma deusa quereria dominar o mundo é algo que não consegui aceitar) e também alguma simplicidade no que respeita à resolução de problemas. Isto é, por coincidência encontramos esta pessoa super-poderosa para nos salvar. Que bom. Também há algumas coisas que ficam por explicar (nomeadamente, que raio aconteceu a Raistlin) e alguns personagens que foram esquecidos e abandonados sem qualquer justificação (como a moça que tinha o barco pirata). Há muita, muita, muita gente neste livro e é também difícil de acompanhar quem é quem de vez em quando. Demasiados nomes exóticos, quer para pessoas quer para locais.
A escrita não é da melhor qualidade, mas é simples e lê-se muito bem. Mantém o interesse do início até ao fim, se formos capazes de perdoar o facto desta gente estar a lutar com dragões.
O que achei mais interessante foi, confesso, o facto de isto ter nascido de um LARP (Live Action Role Play). De vez em quando ria-me, para dentro e para fora, a imaginar um grupo de Americanos numa sala num apartamento a dizerem aquelas coisas.
By : ladyxzeus
O Piano
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O Piano
Jane Campion
Filme
1993
7 em 10
Mais um filme visto com a minha avó.
O detentor da mítica imagem do piano na praia afinal é um filme que não é sobre música. Infelizmente, ela ocupa apenas o lugar de ilustração e não é ela que faz mover a história. Eu realmente não percebi o que faz mover a história. Não é o tipo de argumento que eu goste, cheio de insinuações sexuais reprimidas e não tão reprimidas. Não compreendi o que une os apaixonados e não compreendi porque é que o verdadeiro marido era assim tão mau. Também não compreendi como pode uma criança ser tão estúpida.
No entanto a actriz faz um papel fenomenal. Fazer de pianista muda é um trabalho medonho e ela conseguiu-o fazer na perfeição. Óscar completamente merecido. A miúda também faz um grande papel, sobretudo por ser uma criancinha.
As imagens poderiam ser mais belas, todo o filme é um pouco escuro demais. É feita uma boa caracterização do universo circundante, com os detalhes nos indígenas e no entretenimento.
Nota especial também para a música, que eu em tempos soube tocar e agora já não sei. É uma banda sonora extraordinária, mas não sei se se adequa muito à época. Naquela era não se tocavam coisas destas, por mais traumatizada muda que se seja.
Um bom filme, mas sexo a mais.
By : ladyxzeus
Gokusen
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Gokusen
Sato Yuzo - Madhouse Studios
Anime - 13 Episódios
2004
6 em 10
Vi esta série numa noite e numa manhã. Foi uma experiência muito divertida e altamente viciante.
Yankumi é o nome que lhe deram os alunos. Ela é professora do secundário de um grupo de delinquentes feios, porcos e maus. E também é a herdeira de um poderosíssimo grupo de Yakuzas. Assim, tem de dar aulas, resolver os problemas do seu clã familiar E manter o secretismo. Isto é uma fórmula original que dá para situações muito engraçadas mas também com o seu quê de profundo.
Os personagens poderiam ser mais desenvolvidos, se a série fosse maior, e poderia haver uma análise mais correcta dos seus problemas. Cada aluno é único e tem um problema, tal como as pessoas com quem Yankumi convive, quer sejam seus colegas ou seus criados. É-nos apresentada a história pregressa mas a realidade é que não há um desenvolvimento evidente, excepto no facto de que os alunos acabam por ficar agradados com ela e acabam por aceitar ter aulas e viver a vida de uma maneira diferente. Isto tudo motivado pela personalidade forte da professora. Adorei-a e, se vier a ensinar no ambiente universitário, quero vir a ser como ela. Isto é, o aluno não obedece e eu dou-lhe um enxerto de porrada.
Existem cenas de acção muito simples, mas também bastante eficientes. Isto é só gente a bater uns nos outros, o que poderia ter sido conseguido com técnicas mais originais, mas assim também dá bastante bem.
Gostei da OP e ED, sobretudo da animação da ED, mas a música do meio não tem nada que se lhe diga. Excepto o coro dos meninos bonitos, que é algo que roça o genial.
Uma série muitíssimo divertida, com um toque mais maduro e sem qualquer pretensão.
Gostaria também de fazer aqui um breve reparo. Vejo muita gente a comparar isto a GTO, Great Teacher Onizuka, e realmente pode ser comparado porque as situações são semelhantes. Mas repare-se que a abordagem de ambos é completamente diferente, começando pelo facto de Yankumi ser mulher e, por isso, ter as nuances inerentes ao seu género. Não creio que Gokusen tenha sido criado em imitação de GTO nem o oposto e acho que ambas as séries, dentro do mesmo estilo, são bastante distintas, independentes e sem intenção de se assemelharem.
Ah sim, e amei o cão. Ouvir a linha de pensamento dele foi uma experiência encantadora. Porque... Será que o cão de um yakuza pensa mesmo assim? :3
Ah sim, e amei o cão. Ouvir a linha de pensamento dele foi uma experiência encantadora. Porque... Será que o cão de um yakuza pensa mesmo assim? :3
By : ladyxzeus
Astro Boy (1980)
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Astro Boy
Yamamoto Sazushi (Criado por Osamu Tezuka) - Tezuka Productions
Anime - 52 Episódios
1980
5 em 10
A questão inicial que se coloca é "porque é que eu me meti a ver isto"? Demorei quase um ano a ver esta coisa, com longos intervalos entre episódios e finalmente terminei! Ai, que seca monstruosa que foi!
Atom (erradamente traduzido como Astro nas legendas) é um rapazinho robot misteriosamente criado para servir de filho a um cientista. Ora o cientista abandona-o e nunca mais se fala nisto. Com isso o jovem vai viver com um professor e, dado que tem uns super-poderes todos-poderosos, tem aventuras. 52 aventuras, para ser mais exacta.
Ora portantos, isto é uma coisa profundamente infantil. Iá, iá, zás-trás-pás e tá resolvido o assunto! Mesmo que tenha armas nucleares, os bons ganham sempre, até quando morrem. Bem, ao menos há mortos... Dado que eu não tenho 7 anos e que este anime não me fez reviver esses tempos idos, isto foi uma experiência chatíssima. Além disso, robots em todo o lado! Tudo o que existe no mundo é robótico. Até a esfinge, até os maias, até pedregulhos! Até os vikings! Achei interessante mostrarem todas as partes do mundo, porque é informativo para os miúdos, mas isto é um exagero de coisas robotizadas.
Os personagens poderiam ser mil vezes mais interessantes do que aquilo que são, pois têm bastante potencial. No entanto as criancinhas não o iriam perceber e aqui optam pela fórmula de "temos um personagem de base e vamos mantê-lo assim até ao fim da eternidade".
A animação, no entanto, é muito boa. É simples, pois assim o requerem os designs, mas muito eficientes. Está aqui uma arte muito moderna para anos 80, com linhas muito claras e muito boa qualidade de imagem.
A música é sempre o mesmo par de jarras. Tocam tantas vezes e são tão "épicas" que uma pessoa até fica com elas na cabeça
Atommmm... Atommmm... Nunca mais pego em ti nem com um pau bicudo!
By : ladyxzeus
Glass Mask
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Glass Mask
Sugii Gisaborou - Eiken
Anime - 23 Episódios
1984
7 em 10
Ora de repente aparece-me um anime sobre, nada mais nada menos, que.... Teatro! Eu adoro teatro e, como alguns terão reparado, faz parte da minha vida activamente. Fiquei muito feliz por ter encontrado este anime, pois é realmente muitíssimo interessante.
Sendo de um ano como 1984, os loucos anos 80, não podemos esperar coisas maravilhosas da animação. O design é típico do shoujo da época, com grandes olhos e grandes pestanas e flores a brilhar. A animação é bastante estática e tem perspectivas um pouco más, mas algumas coisas foram condicionadas pela qualidade do vídeo (obtive uma versão muito pindérica de VHS).
Conta-nos a história de Maya Kitajima, uma jovem sem grande talento para nada e não detentora de grande beleza, que tem uma paixão: o teatro. Essa paixão é descoberta por uma encenadora algo abusiva com um triste passado de ascensão e queda acidental e o anime desenvolve-se juntamente com a personagem. À medida que ela luta para conseguir novos papéis e estes lhe são atribuídos ela tem de lutar contra novos desafios em cena, que são a parte mais interessante de tudo isto. Existe uma abordagem muito interessante aos personagens que Maya tem de encarnar, como uma boneca, a surda e cega Helen Keller e outros. Os desafios vão sendo sempre cada vez mais difíceis, mas ela encara-os com grande imaginação e coragem, abrindo caminhos no mundo do teatro e afirmando-se como talentosa actriz. Esta análise das personagens foi o que eu gostei mais e, só por isso, recomendo este anime. Gostaria de tentar abordar algumas das personagens que ela fez. E gostaria de fazer cosplay dela, pois as possibilidades de skit são intermináveis.
Depois há uma história de amor, um fã secreto que afinal não é assim tão secreto e montes de rosas roxas retiradas sabe-se lá de onde.
A música é muito típica da época, mas torna o ambiente romântico e feminino. OP e ED são deprimentes, assim como as animações correspondentes.
Anime para quem gosta de teatro e para quem quer aprender mais sobre teatro. Se não gostam da arte, ultrapassem essa vossa limitação, por favor.
Numa nota separada, juntei-me ao grupo Espherographica. Vejam por favor. :)
Numa nota separada, juntei-me ao grupo Espherographica. Vejam por favor. :)
By : ladyxzeus
