• O Piano

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    O Piano
    Jane Campion
    Filme
    1993
    7 em 10

    Mais um filme visto com a minha avó.

    O detentor da mítica imagem do piano na praia afinal é um filme que não é sobre música. Infelizmente, ela ocupa apenas o lugar de ilustração e não é ela que faz mover a história. Eu realmente não percebi o que faz mover a história. Não é o tipo de argumento que eu goste, cheio de insinuações sexuais reprimidas e não tão reprimidas. Não compreendi o que une os apaixonados e não compreendi porque é que o verdadeiro marido era assim tão mau. Também não compreendi como pode uma criança ser tão estúpida.

    No entanto a actriz faz um papel fenomenal. Fazer de pianista muda é um trabalho medonho e ela conseguiu-o fazer na perfeição. Óscar completamente merecido. A miúda também faz um grande papel, sobretudo por ser uma criancinha.

    As imagens poderiam ser mais belas, todo o filme é um pouco escuro demais. É feita uma boa caracterização do universo circundante, com os detalhes nos indígenas e no entretenimento.

    Nota especial também para a música, que eu em tempos soube tocar e agora já não sei. É uma banda sonora extraordinária, mas não sei se se adequa muito à época. Naquela era não se tocavam coisas destas, por mais traumatizada muda que se seja.

    Um bom filme, mas sexo a mais.

  • Gokusen

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    Gokusen
    Sato Yuzo - Madhouse Studios
    Anime - 13 Episódios
    2004
    6 em 10

    Vi esta série numa noite e numa manhã. Foi uma experiência muito divertida e altamente viciante.

    Yankumi é o nome que lhe deram os alunos. Ela é professora do secundário de um grupo de delinquentes feios, porcos e maus. E também é a herdeira de um poderosíssimo grupo de Yakuzas. Assim, tem de dar aulas, resolver os problemas do seu clã familiar E manter o secretismo. Isto é uma fórmula original que dá para situações muito engraçadas mas também com o seu quê de profundo.

    Os personagens poderiam ser mais desenvolvidos, se a série fosse maior, e poderia haver uma análise mais correcta dos seus problemas. Cada aluno é único e tem um problema, tal como as pessoas com quem Yankumi convive, quer sejam seus colegas ou seus criados. É-nos apresentada a história pregressa mas a realidade é que não há um desenvolvimento evidente, excepto no facto de que os alunos acabam por ficar agradados com ela e acabam por aceitar ter aulas e viver a vida de uma maneira diferente. Isto tudo motivado pela personalidade forte da professora. Adorei-a e, se vier a ensinar no ambiente universitário, quero vir a ser como ela. Isto é, o aluno não obedece e eu dou-lhe um enxerto de porrada.

    Existem cenas de acção muito simples, mas também bastante eficientes. Isto é só gente a bater uns nos outros, o que poderia ter sido conseguido com técnicas mais originais, mas assim também dá bastante bem.

    Gostei da OP e ED, sobretudo da animação da ED, mas a música do meio não tem nada que se lhe diga. Excepto o coro dos meninos bonitos, que é algo que roça o genial.

    Uma série muitíssimo divertida, com um toque mais maduro e sem qualquer pretensão.

    Gostaria também de fazer aqui um breve reparo. Vejo muita gente a comparar isto a GTO, Great Teacher Onizuka, e realmente pode ser comparado porque as situações são semelhantes. Mas repare-se que a abordagem de ambos é completamente diferente, começando pelo facto de Yankumi ser mulher e, por isso, ter as nuances inerentes ao seu género. Não creio que Gokusen tenha sido criado em imitação de GTO nem o oposto e acho que ambas as séries, dentro do mesmo estilo, são bastante distintas, independentes e sem intenção de se assemelharem.

    Ah sim, e amei o cão. Ouvir a linha de pensamento dele foi uma experiência encantadora. Porque... Será que o cão de um yakuza pensa mesmo assim? :3

  • Astro Boy (1980)

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    Astro Boy
    Yamamoto Sazushi (Criado por Osamu Tezuka) -  Tezuka Productions
    Anime - 52 Episódios
    1980
    5 em 10

    A questão inicial que se coloca é "porque é que eu me meti a ver isto"? Demorei quase um ano a ver esta coisa, com longos intervalos entre episódios e finalmente terminei! Ai, que seca monstruosa que foi!

    Atom (erradamente traduzido como Astro nas legendas) é um rapazinho robot misteriosamente criado para servir de filho a um cientista. Ora o cientista abandona-o e nunca mais se fala nisto. Com isso o jovem vai viver com um professor e, dado que tem uns super-poderes todos-poderosos, tem aventuras. 52 aventuras, para ser mais exacta.

    Ora portantos, isto é uma coisa profundamente infantil. Iá, iá, zás-trás-pás e tá resolvido o assunto! Mesmo que tenha armas nucleares, os bons ganham sempre, até quando morrem. Bem, ao menos há mortos... Dado que eu não tenho 7 anos e que este anime não me fez reviver esses tempos idos, isto foi uma experiência chatíssima. Além disso, robots em todo o lado! Tudo o que existe no mundo é robótico. Até a esfinge, até os maias, até pedregulhos! Até os vikings! Achei interessante mostrarem todas as partes do mundo, porque é informativo para os miúdos, mas isto é um exagero de coisas robotizadas.

    Os personagens poderiam ser mil vezes mais interessantes do que aquilo que são, pois têm bastante potencial. No entanto as criancinhas não o iriam perceber e aqui optam pela fórmula de "temos um personagem de base e vamos mantê-lo assim até ao fim da eternidade".

    A animação, no entanto, é muito boa. É simples, pois assim o requerem os designs, mas muito eficientes. Está aqui uma arte muito moderna para anos 80, com linhas muito claras e muito boa qualidade de imagem.

    A música é sempre o mesmo par de jarras. Tocam tantas vezes e são tão "épicas" que uma pessoa até fica com elas na cabeça

    Atommmm... Atommmm... Nunca mais pego em ti nem com um pau bicudo!

  • Glass Mask

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    Glass Mask
    Sugii Gisaborou - Eiken
    Anime - 23 Episódios
    1984
    7 em 10

    Ora de repente aparece-me um anime sobre, nada mais nada menos, que.... Teatro! Eu adoro teatro e, como alguns terão reparado, faz parte da minha vida activamente. Fiquei muito feliz por ter encontrado este anime, pois é realmente muitíssimo interessante.

    Sendo de um ano como 1984, os loucos anos 80, não podemos esperar coisas maravilhosas da animação. O design é típico do shoujo da época, com grandes olhos e grandes pestanas e flores a brilhar. A animação é bastante estática e tem perspectivas um pouco más, mas algumas coisas foram condicionadas pela qualidade do vídeo (obtive uma versão muito pindérica de VHS).

    Conta-nos a história de Maya Kitajima, uma jovem sem grande talento para nada e não detentora de grande beleza, que tem uma paixão: o teatro. Essa paixão é descoberta por uma encenadora algo abusiva com um triste passado de ascensão e queda acidental e o anime desenvolve-se juntamente com a personagem. À medida que ela luta para conseguir novos papéis e estes lhe são atribuídos ela tem de lutar contra novos desafios em cena, que são a parte mais interessante de tudo isto. Existe uma abordagem muito interessante aos personagens que Maya tem de encarnar, como uma boneca, a surda e cega Helen Keller e outros. Os desafios vão sendo sempre cada vez mais difíceis, mas ela encara-os com grande imaginação e coragem, abrindo caminhos no mundo do teatro e afirmando-se como talentosa actriz. Esta análise das personagens foi o que eu gostei mais e, só por isso, recomendo este anime. Gostaria de tentar abordar algumas das personagens que ela fez. E gostaria de fazer cosplay dela, pois as possibilidades de skit são intermináveis.

    Depois há uma história de amor, um fã secreto que afinal não é assim tão secreto e montes de rosas roxas retiradas sabe-se lá de onde.

    A música é muito típica da época, mas torna o ambiente romântico e feminino. OP e ED são deprimentes, assim como as animações correspondentes.

    Anime para quem gosta de teatro e para quem quer aprender mais sobre teatro. Se não gostam da arte, ultrapassem essa vossa limitação, por favor.

    Numa nota separada, juntei-me ao grupo Espherographica. Vejam por favor. :)

  • Inês de Castro

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    Inês de Castro
    Organização de Maria Leonor Machado de Sousa
    Antologia Poética
    2005

    Esta é uma antologia poética sobre a história de Pedro e Inês, sendo Pedro D. Pedro e Inês Inês de Castro. Apresentam-se aqui variados poemas de muitas épocas, sendo os mais antigos na incompreensível linguagem do século XVII e os mais recentes dos anos 90 do século XX.

    Estão organizados por secções que podem não fazer muito sentido. Eu pessoalmente acho que "Cabelos" não é um assunto suficientemente válido para ter uma secção só para ele. Além disso há alguns poemas (sobretudo em "Cabelos") que parecem não se aplicar à secção em questão.

    Quanto aos poemas em si, eu não compreendo grande coisa de poesia por isso vou-me abster de comentar e fazer figura de mula branca com asas e um corno. Fica, no entanto, o meu poema preferido, escrito por Fernando Pessoa em 1919:

    Inês

     
    Sentados sós lado a lado,
    Com a névoa dos montes ao fundo
    Do fundo do céu azulado.
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    Eu o que dizia era
    Igual ao que eu não dizia,
    Princípio da Primavera.
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    Os nossos pés lado a lado,
    Quietos na erva, curvando-a,
    Na erva de qualquer prado.
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    Sobre nós a sombra dos ramos,
    Nossas costas no tronco largo,
    Lado a lado unidos estamos
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    Braço esquerdo, braço direito
    Tocando de leve um no outro
    Lado a lado, ali, sem defeito
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    Sem olharmos um para onde
    Estava o outro, mas lado a lado,
    Ao fundo do fundo o monte.
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    O que a alma me respondia
    Do lado de mim, inexistente;
    Era o mesmo que eu dizia.
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    Jardim do princípio da vida?
    Ninguém... Lado a lado olhando
    São nossos pés a descida
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    Depois da descida o muro
    E contra o muro, de lá
    A estrada e o seu sulco impuro,

    (Na hora das rosas a morte)
     
    Depois era a estrada deserta
    E vedando-a de nós o muro
    Lá em baixo, a descida finda
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    Depois, para além da estrada
    Subia outra vez... Lado a lado
    Víamos, sem ver nada
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    Depois era um monte pequeno,
    Depois montes e mais montes,
    O último o mais sereno
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    No monte do fim se via
    A névoa no alto do monte,    
    Um sol frio aquecia.
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    E a copa da árvore descida
    Só pouco do céu azul
    Deixava ao olhar e à vida
     
    (Na hora das rosas a morte)
     
    Não sei como foi, ou o que era
    Dos montes, da sombra, da erva
    Princípio da primavera...
     
    (Na hora das rosas a morte)  

    NOUTRAS NOTÍCIAS! Por favor leiam a minha nova história: Eu sou agente da autoridade Obrigada. :)
  • Saber Estar

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    Saber Estar
    Vicky Fernandes
    Manual
    2008

    Pus-me a ler este livro só pela graça. Livros de etiqueta são sempre muito engraçados. A autora, Vicky Fernandes, nem faço ideia de quem é nem tenho nenhuma ambição em sabê-lo. Aparentemente é senhora do dia em revistas cor-de-rosa, material que, por alguma razão, não tenho qualquer gosto em ler.

    Estava à espera de uma lista de ordens de etiqueta, mas na realidade apareceu-me um livro bastante divertido, apesar do tom de narizinho empinado que por vezes transparece, com informações bastante úteis. Apesar de eu não as poder aplicar frequentemente, pela ausência de festas de alto gabarito. Não é que eu não seja convidada, a realidade é que não há muitas.

    Infelizmente o livro está concebido pela cabeça desta senhora, que deve ter posses consideráveis. Assim quando ela faz sugestões sobre o jantar inclui as fardas dos criados, que não temos, os talheres de ostras, que não comemos em casa, e sugere mesmo instalar um buffet na sala de jantar, que não tem espaço. Da mesma forma a roupa que é sugerida (note-se que as sugestões apostam na criatividade do leitor e não são em nada castradoras) não tem em conta as pessoas que se vestem de maneira anormal, como eu, ou apologistas de moda alternativa. Pensei mesmo em enviar-lhe um mail a comentar isto.

    De resto, estão neste livro bons conselhos em relação a estilo, convivência e boa educação no geral. Pessoalmente, eu considero-me bem educada pelos meus pais, apesar do abuso de palavrões que sai da minha boca (mas sempre em situações apropriadas. Ca......) mas há muitas pessoas que não sabem que não é suposto ir de branco a um casamento, nem de preto, nem contar piadas num funeral.

    O glossário no final também é muito interessante para um pequeno resumo da história da moda.

    Apesar do abuso de palavras como "intemporal" e "básico", gostei bastante. E fiquei com vontade de organizar uma festa toda chique, para poder voltar a usar o meu vestido de baile!
     

  • Noir

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    Noir
    Arie Yuuki - Bee Train
    Anime - 26 Episódios
    2001
    6 em 10

    Não gosto, não gosto, NÃO GOSTO!, da arte do início dos 00s. Gente sem queixo, que irritação.

    Mas adiante! Noir é uma série mais ou menos antiga, aparentemente apareceu na Sic Radical circa 2005 por isso muita gente a conhece. Eu não posso dizer que tenha gostado muito. Deixei de lhe dar atenção por alguns momentos e perdi-me completamente.

    A arte, como venho dizendo, no me gusta. No me gusta mesmo nada. Mas enfim, há-que aceitar que nesta época era a última moda fazer gente com caras curtas, redondas e sem queixo quando vistas de baixo. Há um esforço para fazer cenas de acção complexas e os personagens mexem-se com leveza, mas ainda assim parece tudo muito pouco natural e os movimentos são muito matemáticos. Não há grande beleza no anime, que se mantém com um ambiente mais ou menos negro ao longo de todos os 26 episódios.

    A história, bem... Perdi-me. No início era episódico e deixei de lhe ligar, mas de repente já estavam a acontecer montes de coisas e montes de explicações que eu não estava a perceber. Tive que pedir que me explicassem e, depois dessa pequena aula, chego à conclusão de que a história tem o seu quê de original mas não se distingue grandemente de outras no mesmo tema (a máfia e os assassinos a soldo). É muito pouco realista e existe um erro essencial: porque é que Mireille se junta a Kirika? Para saber quem matou os pais dela? Mas ela já sabia! Para saber porque é que mataram os pais dela? Para quê saber? Ela inicalmente não parece desejar vingança e esse desejo só aparece mais tarde, ali completamente desalinhado.

    Em termos de desenvolvimento de personagens, temos uma coisa muito básica. Não nos conhecemos, ficamos amigas ao longo do tempo e da nossa convivência, que consiste em matar pessoas, depois descobre-se que afinal temos de nos matar uma à outra, mas afinal somos amigas à mesma e temos o mesmo objectivo que é libertarmo-nos de todo o mal. Explica-se numa frase e isso nunca é coisa boa.

    A música... Começa bem. Eu gosto muito de Ali Project e gosto muito da música da OP, que combina bastante com o teor meio negro meio clássico do anime e serve muito bem como introdução. Agora tudo o resto... A minha primeira impressão foi que havia músicas a mais. Há medida que o anime foi progredindo, começou-me a parecer que eram sempre as mesmas músicas. Que nem são nada de especial. Sobretudo a música do relógio, é muito pouco original para música de relógio (no anime todos os relógios de bolso dão música. Resta saber se dão horas)

    Um anime mediano, que não envelheceu bem. Neste momento da parada não vejo razões para o recomendar, mas um fã de acção e de moças com armas talvez goste bastante.

    Como nota à parte: Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille JÁ ME VISTE? Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille Mireille

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