• Bokurano

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    Bokurano
    Morita Hiroyuki - Gonzo
    Anime - 24 Episódios
    2007
    6 em 10

    Olá. Lembram-se de Narutaru? Sim, aquela coisa traumatizante que fazia a desconstrução do género "Magical Pets"! Lembram-se? Então bem vindos a Bokurano! Aquela coisa traumatizante que desconstrói o género Mecha!

    Bokurano começa de forma simples. 15 cachopos estão na praia e encontram uma gruta com computadores, onde um misterioso homem chamado Kokopelli (que raio de nome) os convida a entrarem num jogo em que vão guiar um robot gigante e lutar contra 15 inimigos. Aquilo que eles não sabem é que o robot gigante existe mesmo, os inimigos são outros robots gigantes e todos juntos vão provocar o advento apocalíptico! Oba!

    Começa bem. A história é original e bem concebida, mas à medida que progride compreendemos que nunca vamos perceber exactamente o que se passa. Na realidade, até me parece que nem o próprio autor sabe muito bem o que se passa. A história tem um tom crescente de calamidade, cada vez mais calamitosa, cada vez mais urgente, cada vez mais horrenda... E no fim não acontece nada. Isto foi muito sensaborão e o que podia ter sido uma corrida épica... Foi por água abaixo.

    Pela primeira vez que eu tenha visto, temos uma série enorme de personagens principais, 15 ao todo, mais uma outra que aparece lá pelo meio, cada uma com o seu próprio desenvolvimento. Ao início o anime foca-se em específico nos problemas e na vida de cada um. E é aí que vemos o pior da natureza humana, coisas horríveis, coisas que me traumatizaram e coisas que não gostava de voltar a ver num anime. No entanto não se compara ao seu irmãozinho Narutaru, nem de perto nem de longe. Infelizmente, quando os elementos de fora, os da cidade, os dirigentes, o povo, se começam a envolver, eles passam a falar de política e começam a ignorar este ponto focal que é cada um dos personagens. Como se os que sobram por esta altura não tivessem grandes problemas na vida como os outros. Além disso há um exagero na história de um dos miúdos, que ocupa quase um terço do anime (às vezes por trás de outra história, outras às abertas, mas ainda assim é como se ele fosse mais que os outros!)

    A OP liga muito bem com o tom catastrófico do anime, mas as outras músicas não têm muito que se lhe diga.

    A arte, um desapontamento. Tudo muito mal feito, muito mal desenhado. Designs de personagens extremamente badalhocos, fundos e tecnologias simplificados e abuso constante de CG e repetição de frames durante as cenas de acção. Uma produção muito mal aproveitada, que poderia ter sido melhor distribuída se a série fosse de menor duração.

    Eu estive a ver Bokurano e Bokurano esteve a traumatizar-me. Mas, de alguma forma, perdeu-se a meio caminho e não conseguiu voltar a encontrar o rumo certo.

  • Kimi ni Todoke

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    Kimi ni Todoke
    Kaburaki Hiro
    Anime - 25 + 12 Episódios + 1 OVA
    2009
    7 em 10

    Sawako é uma rapariga triste e solitária, que está na escola e não tem amigos. Todos têm uma imagem muito má dela e evitam-a. Sawako é aquilo que eu era. Numa história que aquece o coração, é-nos mostrada a evolução de Sawako (ou Sadako) à medida que ela vai fazendo amigos e popularizando-se. É essa a diferença básica entre mim e ela. E o facto de ela ter um rapaz giro que gosta dela...

    Gostei muito deste anime, ambas as seasons, apesar de me ter deprimido um pouco. Identifico-me muito com a personagem principal, mas fez-me triste ver que ela conseguiu aquilo que eu teria conseguido se não fosse uma criança idiota. 

    Em termos de história, temos algo de original, em que por uma vez é o rapaz que gosta da rapariga e a tenta conquistar e não o contrário. É uma história delicada, de progressão muito lenta, mas ainda assim agradável. É frustrante e irritante ver as coisas a acontecer pelo lado pior e não poder intervir. Os personagens estão muito bem concebidos, se bem que Sawako tem atitudes um pouco autistas e impossíveis. Espantou-me a sua capacidade de se culpar sempre a si própria, o que é uma característica muito pouco natural. As suas relações são realistas e bem cuidadas, se bem que a sua falta de perspicácia não é de todo normal. Ainda assim há uma perfeita caracterização da rapariga adolescente e das suas relações com o universo que a rodeia, de várias perspectivas (pois temos várias raparigas, cada uma com as suas características, dilemas e problemas. E soluções!)

    A arte é bonita, com um design apropriado. Todas as personagens são "normais". Ninguém, excepto Kurumi, é extraordinariamente bonito ou especial. Isso torna-as, de certa forma, únicas. As cores são belas, mas há pouco detalhe nos desenhos. Num todo, tudo tem um aspecto mais antigo e mais frágil, o que torna tudo uma belíssima experiência visual.

    A música é deliciosa, cheguei a encontrar as partituras para a poder tocar no piano. Tanto as OPs como as EDs são apropriadas e boas peças individuais.

    Foi uma experiência agridoce. Pensei muitas vezes neste anime enquanto o estava a ver, a questionar-me "será no próximo episódio que há o beijo?" Mas o final acabou por ser desapontante, embora bastante lógico. Uma boa obra e um bom exemplo do género, bastante recomendável.

  • Fujoshi no Hinkaku

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    Fujoshi no Hinkaku
    Amagi Reno (Design Original)
    Anime - 1 Episódio
    2010
    5 em 10


    Primeiro eu pensei: OHMEUDEUSUMANIMESOBREPESSOASCOMOEU! Depois vi. E depois eu pensei: bem, eu não sou assim nem conheço ninguém que seja graças a deus.

    Porque este anime não caracteriza as Fujoshis. Nem sequer tem graça a parodiar-nos. Primeiro, deviam ter escolhido um verdadeiro bishounen (e feito um esforço para o desenhar como deve ser) como objectivo da fandom das criaturas em causa. Depois, deviam ter caracterizado o que fazemos realmente com os bishounens. Não é só uma questão de SemexUke. Uma verdadeira Fandom tem muito mais que isso.

    Além disso a arte mete nojo, os actores de vozes parecem estar mal treinados e não teve graça nenhuma.

    Valeu o 5 pela originalidade: vemos muita coisa sobre otakus para aqui, otakus para ali, mas ninguém olha para nós. E nós também somos filhas de deus.
  • Genji Monogatari Sennenki

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    Genji Monogatari Sennenki
    Osamu Tezaki
    Anime - 11 Episódios
    2009
    6 em 10

    Fã como sou do livro original, esperava ansiosamente por ver o anime. Detesto comparar animações com as suas obras precedentes, mas desta vez é-me completamente impossível. Porque eu esperava ver uma tradução visual do livro e, infelizmente, tal não aconteceu. Antes de mais, esta história é narrada por Murasaki, o que de certa forma impossibilitou a sua caracterização completa. E, depois, foca-se sobretudo na relação de Genji com Fujitsubo, o que é apenas uma pequena parte desta grande obra. Assim, grandes coisas como a maldição da Princesa Rokujou, acabaram por ficar para trás, pouco desenvolvidas, pouco exploradas.

    A arte é bonita e estilizada. Há belos fundos, mas ainda assim não se comparam em vivacidade com as descrições do livro. Segundo o que me dizem há uma grande exactidão histórica no design, o que significa que eu só tinha ideias erradas sobre a história. Quem diria que gente tão rica não mudava nunca de roupa?

    As vozes agradaram-me quase todas. Estava especialmente temerosa do que podiam fazer a Genji, mas foi uma escolha soberba, combina mesmo com ele. O mesmo não posso dizer da princesa da Sexta Avenida, que eu sempre imaginei mais... Má. E mais vermelha (aqui a cor dela era o verde). No entanto a música é básica e a OP não tem nada a haver com nada.

    A história é a do livro e, portanto, brilhante. Infelizmente, como venho referindo, não houve um seguimento correcto e ideal. Não houve tempo. Fizessem uma série de 50 episódios e isto ia tudo ao sítio. Apesar de ser de progressão muito lenta, o ambiente sereno do livro não foi bem captado. E adicionando algumas cenas de acção completamente desnecessárias, quebraram com o ideal que eu tinha da Genji Monogatari.

    Pode ser um anime muito bom por si só, mas eu não sou capaz de deixar as comparações de lado.
  • Cencoroll

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    Cencoroll
    Uki Atsuya
    Anime - 1 Episódio
    2009
    7 em 10

    Se há coisa que eu admiro são as pessoas que querem fazer as coisas e que as conseguem fazer, mesmo sem ajuda. Cencoroll é o resultado de um desses esforços e sinto orgulho em ser fã de um meio em que isso é possível. E em que é possível fazê-lo e ter um bom resultado.

    Uma cornucópia animada, Cencoroll é um exemplo do melhor que a tecnologia de hoje nos consegue oferecer. E foi feito por um só homem, Uki Atsuya. Arte agradável à vista, simples mas eficiente, excelente design, muito original, e sequências de animação brilhantes, de uma incrível fluidez. Não há beleza nos fundos ou nos designs, mas são suficientemente detalhados para dar uma boa ideia do ambiente.

    Infelizmente, Cencoroll peca no fraco desenvolvimento da história. Existe uma história, isso sim, e pelo que parece é bastante original. No entanto, não há tempo para a desenvolver. Não se sabe o essencial, não se sabe quem é quem nem qual a sua função no mundo. Os personagens estão num rodopio e não têm desenvolvimento. Não parecem estar bem caracterizados, apesar de eu ter a sensação de que o autor os criou com cuidado. Enfim, não há tempo. Se houvesse, se isto fosse um filme de uma hora, provavelmente seria uma das obras excelentes desta década e seria recordado para sempre. Temo que venha a ser esquecido um dia destes, o que é uma pena: o Cenco é a coisa mais fofinha que há.

  • Gundam Seed Destiny

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    Gundam Seed Destiny
    Yatate Hajime - Sunrise
    Anime - 50 Episódios
    2004
    5 em 10

    Existem muitos Gundams e o meu preferido é o Zeta. Com isto em mente, qual será o que gosto menos? Fora o Wing... É o Seed.

    Esta sequela pareceu-me completamente desnecessária. Quem é que afinal quer saber qual é o destino da Cosmic Era? Afinal, CE não é UC... E mesmo teorizando que alguém tem interesse em saber isto, Destiny não cumpriu com o objectivo e finalizou a série com um apocalipse, uma mortandade e nenhuma perspeciva de futuro.

    Os personagens continuam míseros. Há a adição de algumas pessoas potencialmente interessantes, mas o seu interesse empalidece perante o cliché e a sobredosagem de carga emotiva mal encaixada. O que-vem-substituir-o-Char-Aznable-que-eu-nem-malembro-do-nome é um bocadinho explorado, mas ainda assim... Mal.

    A arte, toda brilhante e modernaça, não combina com Gandamu. Meninas bonitas a cantar cheias de brilhos e florzinhas, isso não é Gundam, isso é Macross. Ainda assim há boas sequências de animação e não há grande uso de CG (pelo menos que se note).

    OPs e EDs que eu já gostava antes, mas ainda assim tão pop pastilha elástica, a combinar com os cabelos cor de rosa da Lacus Clyne.

    A única coisa excepcional aqui é que eles são capazes de estar a chorar no meio do espaço e não podem tirar os capacetes para limpar o ranho da cara, que lhes deve fazer comichão.

  • RAINBOW

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    RAINBOW: Nisha Rokubou no Shichinin
    Koujina Hiroshi - Madhouse Studios
    Anime - 26 Episódios
    2010
    6 em 10

    Existiram várias razões para eu começar a ver este anime. Além da obrigação dos críticos e tal, a principal razão foi a de ser slashable, cheio de homossexualidade latente para alimentar a minha esfomeada goela de fujoshi. Mas acabou por ser uma série aborrecida, longa, inútil e apenas mais um número para a minha lista.

    RAINBOW são sete cores, e RAINBOW são os sete rapazinhos trancados por injustas razões numa prisão juvenil do Japão pós-segunda guerra, anos 50. Este conceito demonstra um enorme potencial. Podiam ter analisado as condições das prisões juvenis, podiam ter caracterizado uma era, podiam ter analisado histórias sobre a condição humana e sobre o que leva as pessoas a cometerem crimes hediondos e impensáveis. Mas não fizeram nada disso. A história acaba por se tornar numa fábula de violência injustificada contra os pobres rapazinhos que, inocentes, só desejam cumprir com os seus sonhos. E, depois de libertos, torna-se num conto de provações impossíveis em que os rapazinhos são, efectivamente, incapazes de cumprir os seus sonhos da maneira mais lógica. Tudo se torna num entrave e, no fundo, são 26 episódios de gente a ser miserável e a ser tratada abaixo de cão.

    Os personagens principais não são sólidos. Cada um tem um passado e espera ter um futuro, mas no fundo acabam por ser de cartão, sem qualquer tipo de densidade. Os antagonistas não têm qualquer razão para as suas acções sem ser o puro sadismo e as metanfetaminas. Passe a palavra que as metanfetaminas não tornam as pessoas más. Ou então haveria muito estudante de medicina a lançar-se em sagas homicidas pelas ruas de Lisboa...

    Música pouco memorável, excepto a OP que é bastante interessante e muito bem aplicada ao tema da história.

    A arte é boa, com uma animação regular e aceitável. Gostei da utilização de stills em aquarela, que dão sempre um charme muito próprio a qualquer anime. Toda a arte caracterizou perfeitamente a época em que a história se passa: sendo moderna, faz parecer a produção antiga. Isso é um aspecto muito positivo.

    Em resumo, 26 episódios de rapazes com olheiras a serem maltratados, estropiados e violados. Só o An-chan os pode salvar e ainda bem, porque o An-chan é o mais giro deles todos.

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