• Suzuka

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    Suzuka
    Hiroshi Fukutomi
    Anime - 26 Episódios
    2005
    6 em 10

    De Suzuka eu esperava algo inovador: um anime de desporto que também fosse um Shoujo. Mas não foi isso o que aconteceu. O que aconteceu foi um terrível acidente entre um harem e um anime de desporto, que deu este mutante. Vamos lá por as coisas em ordem. Foi mesmo uma má viagem, este anime.

     A animação é bastante fraca. Não é defeituosa, mas também não lhe fazem muita coisa. Não tem muitos erros, mas a verdade é que também não existem grandes sequências complexas.

     A história é parva. Um rapaz que vai para a escola apaixona-se por uma rapariga que faz salto em altura e junta-se ao clube de atletismo para correr os 100 metros. Depois há UM plot-twist engraçado e corre tudo nos eixos, formulaico como só o anime sabe ser.

     Os personagens são vulgares. Não lhes acontece grande coisa, as suas dúvidas são simples, a sua evolução é directa.

     A música... Bem, a OP é mais ou menos gira, mas não o suficiente para eu a sacar.

     Enfim, um 6 porque até nem desgostei, o plot-twist foi mesmo interessante. Não tivesse existido e era um 5, porque eu sou demasiado boazinha.
  • Ensaio Sobre a Cegueira

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    Ensaio Sobre a Cegueira
    Fernando Meirelles
    Filme
    2008
    7 em 10

     Inspirado no homónimo livro do grande Saramago, este filme tenta responder a uma pergunta simples: e se toda a gente ficasse cega? É o que acontece, numa cidade desconhecida povoada de pessoas desconhecidas. Não foi a primeira vez que vi este filme, mas continua sempre a ser impressionante.

     A realização faz recurso a técnicas que, muito bem executadas, criam todo um ambiente de horror e desespero propícios à história e adequados à obra original. A obra original continua a ser muito mais horripilante e devastadora, mas ainda assim este filme faz-lhe jus. As cenas são muito intensas e há um grande esforço da produção em caracterizar bem o ambiente em que o filme se passa. Só não gostei de terem acrescentado a traição do Médico à história, dado que ela não estava no livro nem fazia ali falta.

     Os actores, todos grandes nomes, estão muito bem, sobretudo a Julianne Moore que faz o dificílimo papel de Mulher do Médico. Mas o mais impressionante são as pessoas que fazem de cegos, isto é, todos os figurantes e toda essa gente inominada que povoa o filme.

    A música também me pareceu bem, embora por vezes pareça inadequada. A música que o Velho da pala pôs para todos ouvirem pareceu-me muito pouco apropriada ao ambiente que se vivia naquele hospício.

     Um filme muito impressionante e muito bem feito. É justo para com o livro, mas o último continua a ser claramente superior.


  • Gunslinger Girl

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    Gunslinger Girl
    Asaka Morio (MadHouse Studios)
    Anime - 13 Episódios
    2004
    6 em 10

     Antes de começar a ver Gunslinger Girl disseram-me que ia detestar. Por isso fiquei feliz quando a série me surpreendeu pela positiva.

     Temos, portanto, um governo Italiano que pega em miúdas meio mortas no hospital e as transforma em cyborgs, através de métodos científicos e lavagens cerebrais. Cada moça tem um "handler", que toma conta dela, a educa para o seu trabalho de matar terroristas e lhe lava o cérebro frequentemente (para não ficar encardido). Assim sendo temos uma história que não é é profundamente original, mas que tem um bom propósito inicial. E aquilo que podia ter sido uma festa de fanservice está dirigido de tal forma que se foca em tudo menos no aspecto "lolicon". Isto foi, sem dúvida inesperado.

     Devido às qualidades da história, Gunslinger Girl foca-se na relação das meninas com os seus handlers. Apresenta a história de cada criança e do adulto responsável por ela, com muitos tiros à mistura. Infelizmente, o potencial destas relações pareceu-me insuficientemente explorado. As relações são demasiado simples. Há aquele handler que trata o seu cyborg como uma filha e aquele que a trata como um objecto, mas não passa daí. Eu disse nos meus comentários enquanto via a série que tudo se tornaria mais interessante se houvesse um abuso sexual ali metido para o meio. Porque isso seria uma coisa que imediatamente traria intensidade e tensão à série, elementos que faltam constantemente. A apresentação é, num todo, demasiado simplificada e todo o drama que poderia advir das situações é minimizado e vulgarizado. Cada história não é única nem especial. Também não há uma grande evolução dos personagens. As meninas não podem, pela sua condição de cyborgs, evoluir como personagens. Isso eu compreendo. Mas os handlers também continuam todos na mesma, com excepção de um ou dois que se afastam ou se aproximam do seu cyborg.

     A música é bonita e apropriada, trazendo todo um ambiente de melancolia à série.

     Finalmente, a animação: é definitivamente boa. Há um certo abuso de cenas de acção desnecessárias, bastava-nos uma para compreendermos o que fazem os cyborgs e como é a sua vida, mas elas estão bem desenvolvidas. Gostei das cores que, juntamente com a OST, fazem o tal ambiente melancólico.

     Uma boa série, mas nada de especial. Não seria a minha primeira escolha para uma recomendação.
  • Um Lugar para Viver

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    Um Lugar para Viver
    Sam Mendes
    Filme
    2009
    6 em 10

     Já tinha visto este filme no cinema, mas acidentalmente aluguei-o na Meo e lá fui eu ver o filme outra vez (com a minha avó). Mas é um filme giro, por isso não me importei muito!

     O tema do filme é a família. Um casal de namorados descobre que vai ter uma criancinha e que, porque os avós da criancinha vão para a Bélgica antes de ela nascer, pode mudar da casa miserável onde vivem para uma que seja mais fascinante. Assim, viajam pela América, visitando todos os sítios que têm amigos, para descobrir um lugar para viver. E assim temos uma série de personagens fascinantes, cada um mais louco que o outro.

     A história é simples e está bem escrita. Existem momentos muito bonitos, enquanto o casal tenta compreender que tipo de família querem formar e que tipo de pais querem ser. Mas acaba por ser só mais uma história de viagens e há alguns gags muito forçados, como o da bêbada. Para mim a história mais original é a da gaja zen, mas o actor envolvido nesta história não fez um grande trabalho.

     Os personagens são apenas pessoas normais e os actores fazem um trabalho moderado em relação a isso. Parece-me que ambos tentam ser engraçados demasiado frequentemente e falham.

     Há imagens bonitas durante a viagem, mas fora isso não é um excepcional trabalho de realização.

     Como disse no início, um filme giro. Mas também não é nada de especial e duvido que o venha a rever outra vez.
  • Ristorante Paradiso

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    Ristorante Paradiso
    Kase Mitsuko
    Anime - 11 Episódios
    2009
    7 em 10

    Disseram-me para ir ver alguma coisa de que gostasse, por isso fui ver Ristorante Paradiso. E gostei.

     Nicoletta é uma jovem de 21 anos que foi abandonada pela mãe em casa dos avós, pois esta queria casar-se com um homem que não queria divorciadas. Por isso, voltou para revelar tudo ao marido da mãe. Este é dono de um restaurante de luxo em que todos os empregados são senhores de meia idade que usam óculos. Fascinada por isto, Nicoletta acaba por desistir da ideia de contar tudo e começa a trabalhar lá. E assim começa a nossa tour pelo restaurante casetta del'orso, o "ristorante paradiso".

     A história é de uma das minha autoras preferidas, Fumi Yoshinaga. É uma história simples, madura, simpática. Não há grandes dramas existenciais, não há grandes reviravoltas. A mim agrada-me este tipo de história, que é leve mas ao mesmo tempo toca-nos profundamente.

     A animação é, infelizmente, bastante fraca. Existem alguns stills bonitos da cidade de Roma, onde se passa a acção, mas há um abuso constante de CG, quer para abrir portas quer para servir vinho, o que me cansou um bocadinho. O design dos personagens é perfeito. Toda a gente é velha (por assim dizer, têm todos uns 50 anos...), toda a gente é desgastada, e isso nota-se perfeitamente logo a partir do design. Não são pessoas bonitas, nem a própria Nicoletta é um génio da beleza, mas têm um charme inerente à sua figura.

     Esse charme é desenvolvido a pouco e pouco ao longo da série. Cada empregado do restaurante tem uma personalidade demarcada, se bem que às vezes muito fraca. É engraçado notar como o personagem principal da história, Claudio, é o que tem a personalidade mais apagada e submissa. Há um desenvolvimento muito intenso de todos os personagens, com recurso quer a histórias do seu passado como aos acontecimentos presentes. Isto nota-se sobretudo nos personagens principais, mas todos os outros também sofrem algum desenvolvimento. Para mim, os personagens são o ponto principal da série. São sem dúvida inesquecíveis.

     A OST mal se dá por ela, mas isto acaba por ser uma coisa boa, pois significa que está bem adaptada ao ambiente que pretende ilustrar.

     Sinto-me muito agradada por ver séries que estão dirigidas à minha demografia, apesar de serem tão raras. Ristorante Paradiso dá-nos vontade de fazer a mala e de ir para Roma, à procura do restaurante e dos seus empregados que usam óculos. Pena que, existindo, deve ser um restaurante caríssimo.
  • Boogiepop Phantom

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    Boogiepop Phantom
    Watanabe Takashi
    Anime - 12 Episódios
    2000
    5 em 10

     Um clássico dos 00s, o anime Boogiepop Phantom explora acontecimentos que se passaram há cinco anos e que se reflectem na actualidade: crianças com estranhos poderes, assassinatos e Boogiepop, uma criatura semelhante a shinigami (deus da morte).

     A premissa é excelente, mas a concretização foi insuficiente. Este é um anime para quebrar a cabeça, mas não nos são dadas informações suficientes para conseguir resolver o puzzle. Parece ser necessário um conhecimento prévio de certos acontecimentos, que não nos é dado. Assim, isto acaba por ser apenas uma grande confusão. Além disso, existem elementos (os insectos, a misteriosa droga disfarçada de perfume) que parecem ser completamente esquecidos na progressão da história. é fácil de entender o fio principal da meada, mas tudo o resto teremos de considerar ou inútil ou inexplicável. Eu vou mais pelo inútil.

     A direcção de arte tem também uma premissa excelente. Os tons sépia, o preto e branco, tudo isso é fascinante. Mas acaba por ser destruído por um design deficiente. Este estilo é popular no início dos 00s, especialmente para histórias deste género, o terror urbano, mas ainda assim acho que o estilo da realização teria sido muito mais eficiente com um design de personagens diferente, nomeadamente um estilo shoujo mais brilhante ou um estilo realista.

     As personagens individuais de cada episódio estão bem desenvolvidas, havendo uma boa apresentação dos seus dramas, e Boogiepop mantém-se como criatura misteriosa do início até ao fim, se bem que lhe dão uma certa personalidade que me parece ser desnecessária. No entanto, Kirima Nagi - que é um ponto fulcral de união entre todas as histórias - não parece ter uma personalidade, um passado ou um futuro e está simplesmente ali a andar de mota e a ser fixe com um fatinho colado ao corpo.

     A banda sonora é possivelmente o ponto mais bem conseguido da série. Mantém um nível de suspense e mistério adequados.

     Boogiepop Phantom é parte de todo um franchise, mas a série - sobre a qual eu tinha grandes expectativas - é desagradável. Não tem o mistério nem o horror que prometia e é apenas uma amálgama confusa de conceitos que nunca são explicados. No entanto, a apresentação é muito original e daí um 5 e não outra coisa pior.
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