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  • A Gaivota

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     A Gaivota
    Anton Tchekhov
    1895
    Teatro


    Voltando às minhas leituras de teatro, comecei por uma peça que já tinha curiosidade de ler ao tempo. 

    Nesta "Gaivota" um grupo de pessoas instalado numa casa de campo russa muito agradável, discute sobre a vida e a morte, sobre a arte e sobre a necessidade de ultrapassar a morte para conseguirmos ser verdadeiros artistas (a morte aqui simbolizada pela gaivota). Gostei das discussões dos personagens sobre o verdadeiro valor da arte, mas o final é bastante triste.

    Achei uma peça bastante longa e complexa, que seria um grande desafio para os actores e encenador. Existem secções muito longas e muito difíceis.

    De resto, nem sei se a quereria ver encenada.

  • Os Demónios Não Gostam de Ar Fresco

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    Os Demónios Não Gostam de Ar Fresco
    Maria Quintans
    2024
    Teatro


    Uma peça de teatro para o Clube de Leitura Meia Volta pelos Livros.

    Quando nos questionam "quem são essas pessoas na sala de jantar", não esperamos figuras como o Medo, a Morte e Deus. Mas é precisamente isso que acontece nesta peça, em que estas personagens inauditas bebem vinho e discutem sobre o sentido da vida.

    Foi uma peça curiosa, que gostaria de ver encenada, mas apenas achei que em termos de escrita do texto existem muitas muitas muitas muitas indicações cénicas que são um excesso, que são desnecessárias, que tiram a imaginação e castram o encenador e actores. Na modernidade, penso que já não se justifica ter indicações cénicas deste género.

    Foi ok.

  • Sing Sing

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    Sing Sing
    Greg Kwedar
    2023
    Filme
    6 em 10

    Numa prisão de alta segurança, um antigo traficante de droga estimula a criação e manutenção de um grupo de teatro. Vamos conhecer estes perigosos prisioneiros à medida que o teatro estimula a partilha dos seus sentimentos e a capacidade de manter a calma nos piores momentos.

    E este filme mostra-nos como o teatro é realmente terapêutico e maravilhoso.

    No entanto, o argumento é bastante simplista, indo do ponto A para o ponto B da maneira mais óbvia possível. Não há muito a falar sobre isto, excepto que a narrativa nos obriga a perdoar estes criminosos e a vê-los como pessoas humoradas e reais, o que é uma coisa boa, mas de uma forma tão básica que isso se torna uma coisa chata.

    Ainda assim gostei bastante porque amo teatro e nada me vai impedir.

  • A Different Man

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    A Different Man
    Aaron Schimberg
    2024
    Filme
    6 em 10


    Um filme estranhíssimo, que se distingue por utilizar um actor que tem realmente uma doença deformativa, em vez de um actor famoso cheio de maquilhagem.

    Este homem deformado tem uma vida simples, um pouco infeliz, e faz uma operação para ter uma cara dita "normal". A partir daí, a sua vida dá uma volta muito diferente, e deixamos de saber o que é real, o que é fantasia, e qual dos actores é a pessoa real.

    Esta confusão toda torna-se muito difícil de entender, mas enfrento este filme mais como uma experiência cinematográfica do que uma narrativa em si. Se aproveitarmos simplesmente a experiência visual, extremamente surrealista, acaba por ser um filme bastante satisfatório.

  • Toast of London

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    Toast of London
    Matt Berry & Andrew Matthews
    2012
    Série


    Uma série de comédia que fala de actores, de actores falhados e de actores desesperados. 

    Toast (Matt Berry), é um actor de grande método em busca do papel perfeito, em busca de um lugar onde possa trabalhar e ser, finalmente, feliz. Infelizmente, nem tudo corre bem, e está sempre a arranjar papéis de que não gosta, com que não se identifica, ou simplesmente não é escolhido em primor do seu grande rival.

    Assim, temos uma série que é menos sobre teatro e mais sobre uma sequência de gags e pequenas piadas, a maioria bastante homofóbicas, que no seu todo fazem uma série bastante mediana.

    Não me ri loucamente, mas também não detestei.

  • "Oshi no Ko" 2nd Season

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    "Oshi no Ko" 2nd Season
    Yamashita Shinpei - Doga Kobo
    Anime - 13 Episódios
    2024
    7 em 10


    Depois de me terem dado dois mega SPOILERS, ainda assim o meu interesse por esta série não morreu e foi com grande excitação que me atirei à segunda season.

    Agora, Aqua não acredita no teatro, até que vê uma peça em 4DX e fica muito excitado com o seu potencial. Ainda assim, não acredita ser um verdadeiro actor. Enquanto isso, continua a busca pela identidade do seu pai e - agora - pelos restos mortais do seu corpo original, o do médico.

    Esta é uma season de transição, em que se descobrem algumas coisas, há algum desenvolvimento de personagem, mas não há grandes revelações, conclusões ou reviravoltas. Aprendemos um pouco mais sobre o mundo do teatro, desta vez de uma perspectiva ultra moderna destas peças 4DX que nem sequer existem cá (e ainda bem, eu achei aquilo horroroso) e um pouco mais sobre o mundo das idols.

    Apesar de ser claramente inferior à primeira season, temos aqui material bastante para continuarmos com uma história de grande qualidade, pelo que aguardo ansiosamente pela sua conclusão.

  • Cats

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    Cats
    Andrew Lloyd Webber
    1981 | 2023
    Teatro Musical


    Nunca tinha ido ver um musical a sério, portanto estava muito ansiosa por ver o CATS, para o qual tinhamos ganho bilhetes no Natal.

    Foi no Campo Pequeno, sala onde nunca tinha estado, e que não prima de todo pelo conforto. A minha sensação é que tinha o dobro das filas do que seria normal, por isso tive de ver o espectáculo toda encolhida para evitar tocar na pessoa que estava à minha frente e na pessoa que estava atrás de mim. Fora isso, foi das coisas mais maravilhosas que tive a oportunidade de ver.

    Este musical é baseado no Livro dos Gatos Práticos, de que já falei aqui anteriormente. Os Jellicle cats reúnem-se debaixo de uma lua cheia para decidir qual deles irá receber uma nova oportunidade, uma nova vida. Por isso, vamos conhecer todos estes gatos, cada um diferente dos outros: há gatos cantores, há gatos mal comportados, há gatos da taberna, há gatos do comboio. Há gatos velhotes e há gatinhos jovens. Todos eles se apresentam com a poesia cantada e com danças maravilhosas, misto de ballet, sapateado e outras contemporaneadades. Com músicas inesquecíveis, aprendemos o nome verdadeiro de todos os gatos, e não podemos deixar de nos comover com a belíssima "Memory", uma das músicas mais conhecidas mas também mais bonitas.

    A encenação é fantástica, com um guarda roupa que nos faz mesmo acreditar que estes actores são gatos na realidade. A sua agilidade nas danças, e a sua atitude, é tão felina quanto poderia ser. A alegria que foi transmitida por este grupo profissional faz invejar todos os amadores.

    Foi um espectáculo maravilhoso, de que me vou lembrar para sempre.

  • Dream Girls

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    Dream Girls
    Kim Longinotto
    1994
    Documentário
    6 em 10


    Depois de me ter fascinado por Kageki Shoujo!! sugeriram-me este documentário sobre as artistas Takarazuka reais. O documentário não me podia ter impressionado mais, até me causou uma certa indisposição.

    A tradição mantém-se tal e qual como no anime, e isso não era novo, mas o que me chocou foi o final da carreira destas meninas. Elas estão dez anos livres, a cantar e a dançar, a serem o que quiserem, para aos 25 anos serem expulsas e obrigadas ao casamento.

    Fiquei também a compreender um pouco melhor a fantasia oferecida por este tipo de teatro, que é realmente uma coisa mesmo bonita. A fantasia de que há homens diferentes dos do Japão, homens cuidadosos, que pensam nos sentimentos femininos. Mas uma fantasia à custa do sonho de um conjunto de raparigas que, no final, ficam sem saber o que hão-de fazer, e o que lhes reserva o destino.

    Isto chocou-me profundamente e, por isso, acho que já não tenho vontade de ver isto ao vivo.

  • Kageki Shoujo!!

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    Kageki Shoujo!!
    Yoneda Kazuhiro - Pine Jam
    Anime - 12 Episódios
    2021
    8 em 10


    Um anime surpreendente, que me encantou do início ao fim.

    Um conjunto de raparigas é admitida na escola da Kouka, a escola de uma companhia de teatro que faz exclusivamente peças musicais estilo Takarazuka. Estas peças são interpretadas exclusivamente por mulheres, mesmo nos papéis masculinos, e com este anime aprendi um pouco do processo de selecção das actrizes e da sua formação. O anime foca-se apenas em algumas destas raparigas, cada uma com os seus sonhos, questões e problemas.

    Aparentemente um anime escolar com uma vibe um pouco yuri, esta série ultrapassa-se em vários aspectos, pois aborda temas bastante incomuns neste mundo da animação japonesa. Fala-nos de abuso sexual, de machismo construído, de distúrbios alimentares, de depressão e ansiedade. Fala-nos de assuntos plenamente reais, que não podem ser escondidos atrás de uma cortina de brilhantes e flores do espectáculo. E por isso é um anime que se distingue profundamente, e que me tocou de uma maneira inesperada.

    Chorei baba e ranho, a soluçar convulsa.

    E por isso recomendo vivamente que todos vejam este anime! Ansiosa agora pela segunda season!

  • O Discurso da Cumplicidade

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    O Discurso da Cumplicidade
    Ana Pais
    2004
    Dramaturgia


    Uma tese de mestrado (ou doutoramento) sobre o que é a dramaturgia e como ela tem sido utilizada ao longo dos tempos, com especial foco no teatro contemporâneo.

    Não tenho muito a dizer sobre este livro, confesso que não me marcou especialmente. A exposição da história da dramaturgia é interessante, mas a verdade é que não traz nenhuma indicação nova, nenhum conselho, nenhum conceito. Assim, para quem lê para fomentar a aprendizagem, este livro acaba por não trazer nada de especial.

    Claro que o estudo apresentado é especialmente válido como revisão bibliográfica, mas no entanto talvez eu esperasse demasiado.

    Mais um livro de teatro para quem se interessa pelo assunto.

  • Para um teatro pobre

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    Para um teatro pobre
    Jerzy Grotowski
    1968
    Teoria do Teatro


    Pois que finalmente passamos aos livros digitais, depois de ter terminado a incansável TBR física.

    Comecei por este livro de teoria do teatro, no qual esperava aprender técnicas para realizar um teatro com pouca produção. No entanto não fala sobre nada disso, apresentando antes uma teoria de limpeza do gesto teatral (e da produção em si) por forma a tornar o espectáculo em algo cru que possa assim demonstrar toda a verdade.

    Ora, isto não me agrada, nem me é útil, sobretudo no que respeita à ideia de que o actor deve usar o palco para explorar os limites físicos do seu corpo, de maneira a demonstrar a verdade e apenas a verdade. Então, não é para isso que serve o desporto? Mais valia ir aos jogos olímpicos...

    Discordo em absoluto desta teoria do teatro pobre, e irrita-me, e exaspera-me, que nos tempos actuais, 60 anos passados, ainda tenham esta ideia da fisicalidade do teatro.

  • Transgressões

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    Transgressões
    Teatro Extremo | Roald Hoffmann
    2022 | 2006
    Teatro

     

    A nova criação do Teatro Extremo, inserida no seu projecto de falar sobre ciência, é uma peça escrita por um Nobel da Química que, pelos vistos, também gostava de teatro.

    Infelizmente esta interpretação almadense tornou-se um pouco bizarra. Trata-se, efectivamente, de uma peça sobre ciência e sobre o debate ético da ciência. Mas era patente que os actores desconheciam na totalidade o significado das coisas que estavam a dizer, ou então saberiam o que é uma citoquina e saberiam que se diz "imunitário".

    Também estranhei o cenário, porque não estava simétrico. Apesar disso ser provavelmente propositado, baralhou-me o campo de visão estarem os actores sempre a entrar e a sair sem nenhuma discrição, pois isso baralhava o foco do espectador.

    Assim, apesar do tema da peça ser bastante relevante, tornou-se um espectáculo um pouco aborrecido.

  • A Solidão das Horas

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    A Solidão das Horas
    Rutinaldo Júnior | O Grito
    Anos 90 | 2020
    Teatro


    A nossa amiga Marta ia apresentar um monólogo e assim que tivemos a oportunidade fomos ver! Fiquei muito surpreendida com tudo, desde o texto à evolução enquanto actriz da minha amiga, que foi extraordinaria.

    Esta peça fala dos delírios de uma amante abandonada no seu quarto, enquanto vê as horas a passar e tenta compreender a sua solidão e o porquê de ter sido desprezada. À medida que o texto decorre vamos aprendendo que esta personagem tem mais segredos dos que o que gostaríamos.

    Com uma encenação limpa, o espaço é todo dado à actriz, que num estando de constante emoção nos expõe o drama real desta personagem. Assim, temos uma peça altamente perturbadora, violenta e - sobretudo - realista, colocada nas mãos de alguém que conseguiu compreender na totalidade o drama contido neste texto.

    Fez-me apenas alguma confusão o relógio parado nas 5 horas, porque era enervante olhar para ele e não o ver a avançar.

    Assim, espero que todos possam ver esta peça, caso ela regresse!

  • Tio Vânia

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    Tio Vânia
    Anton Tchekov
    1897
    Teatro


    Gosto muito dos contos de Tchekov, mas nunca tinha lido nenhuma das suas peças. Assim, quando recebi este livro na Chuva de Livros, fiquei muito satisfeita.

    Sem dúvida que esta peça parece bastante complexa de encenar e interpretar, pois os personagens têm toda uma variedade de matizes irresistíveis. Cada personagem pode ser explorada de formas diversas, tal a sua densidade e a sua discreta caracterização.

    Esta peça surge também como revolucionária para a sua época, mostrando algumas opiniões ecologistas que na altura não seriam muito pensadas. É também uma peça que fala sobre o envelhecimento, e de como este pode ser pouco saudável em termos emocionais.

    Agora fiquei com muita curiosidade de a ver em palco.

  • O Público

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    O Público
    Federico Garcia Lorca | Ninho de Víboras
    1930 | 2020
    Teatro

    Um amigo ia participar nesta peça como actor, então fomos vê-lo todos juntos. E sem dúvida que por esta peça já valeu o passe da Mostra de Teatro de Almada!

    Soube depois que este espectáculo mereceu uma pesquisa detalhada e muito cuidada do texto, que por si só é difícil, complexo e estranho. As opções cénicas funcionaram perfeitamente e, como um todo, conseguimos uma percepção onírica do tema, o tema do teatro enquanto teatro.

    Com cenografia e figurinos originais e impecáveis, actores divididos por uma série de personagens - cada uma mais absurda que outra - o texto correu na direcção do público sem filtro e sem pudor. Algumas opções seriam chocantes, se estivessem noutro contexto. Assim, a estranheza infiltra-se em nós e deixa uma marca.

    Uma marca incompreensível, mas que está lá.

  • Jangada

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    Jangada
    Romeu Correia  | Grupo de Teatro da Academia Almadense
    1966 | 2021
    Teatro

    Mais uma peça para a Mostra de Teatro de Almada, para a qual tinha o passe.

    Nunca tinha visto um texto de Romeu Correia.... E a verdade é que o Grande Romeu Correia é um bocadinho chato. Temos aqui uma comédia de costumes, em que vamos do presente para o passado numa correria, tentando compreender a relação entre os vários elementos de uma família burguesa que quer, a todo o eito, ser muito rica e influente.

    Os actores estavam mesmo muito bem, pois a relação entre toda a família era muito engraçada e cheia de manias. No entanto, o texto peca por inconsequente, com uma relevância actual duvidosa, e personagens tipo muito bem estabelecidas.

    Não sabia até agora que este texto era deste autor e.... Acho que agora sei mais um pouco sobre ele.

  • Simbiose

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    Simbiose
    Novo Núcleo Teatro
    2021
    Teatro

    Uma peça muito estranha que vi na Mostra de Teatro de Almada. Tinha passe para a Mostra.

    Um grupo de actores jovens aparenta estar numa festa, e logo aparenta estar na praia. Com um texto bizarro, dividido em diferentes secções aparentemente não conectadas, eles fazem actividades de praia. Ao fundo, um vídeo com vários elementos.

    O grande problema é que, no meu entender, estes elementos estavam todos separados e não formam um só, isto é, não formam a tal simbiose. Assim, fiquei sem perceber o que se passava, do que falavam, quem era quem, o que faziam. Também me faz uma certa confusão ver meninos da faculdade a fingir que têm 30 anos.

    No final, terminou com um piquenique com o público e ofereceram-me uma mini. Valeu a pena, então.

  • Pais e Filhos

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    Pais e Filhos
    Pedro Penim
    2021
    Teatro

    Um amigo sugeriu vermos esta peça então fomos todos ao S. Luiz. Comemos pregos num café do Chiado, vimos a feira de alfarrabistas e lá seguimos. Nunca tinha estado neste teatro e é realmente um espaço lindo.

    Mas a peça.... Bem, a peça. Do "Pais e Filhos" de Turgonev tem apenas o nome. É uma peça que se esforça por explorar o conceito de família, entre elementos queer e filosofia de género. O texto poderia ter sido melhor conseguido se os actores fossem muito melhores. Porque, fora a Rita Blanco, eram todos bastante fracos. Aliás, a Rita Blanco era quem equilibrava a balança: ela de um lado, os outros todos do outro (sem contar com o cão, que fez um excelente papel).

    Também achei a cenografia exagerada, um desperdício de recursos, com imensos elementos desnecessários e que pareciam estar ali só para ser engraçado.

    A peça teve alguns momentos engraçados ("puta, apontaste-me à cabeça!), mas senti que foi uma perda de tempo.

  • Anastasia Romanov

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    Anastasia Romanov
    Stephen Flaherty / Plateias d'Arte
    2016 / 2021
    Teatro Musical
     
    Confesso que queria ver esta peça sobretudo por causa das roupas. Ao chegar, nem sabia que era um musical. Mas quando percebi isso fiquei contente: afinal, tinha todas as músicas do filme de animação clássico, de que eu tanto gosto.
     
    A narrativa deste musical difere ligeiramente do filme, sendo que o inimigo deixa de ser o terrível bruxo Rasputin para ser um soldado russo com uma inclinação para a bondade. Os cenários mudam, os países mudam, e tudo isto foi bem conseguido através de uma exposição em vídeo na parte de trás do palco.
     
    As músicas foram muito giras e bonitas, e os actores cantavam realmente bem, mas para um musical senti um pouco falta de momentos de dança mais elaborados. Também fiquei bastante desapontada com o guarda roupa (lembrem-se que foi a razão principal que me levou a ver esta peça), que não estava adequado nem prática nem historicamente. Também existiam uma série de anacronismos nos cenários, como telefones e a arma.
     
    De resto, penso que a peça peca bastante por ser muito longa. Quase no final estava quase a explodir de xixi e tive de sair. Mas felizmente deixaram-me voltar a entrar.


  • A Ideia do Teatro

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    A Ideia do Teatro
    José Ortega y Gassét
    1966
    Teoria do Teatro

    Este livro é curioso porque é a transcrição de uma palestra que o autor deu em Lisboa. Assim, tem uma série de referências à cidade que são muito engraçadas.

    O autor usa esta palestra para falar um pouco da definição e história do teatro, definição esta material, emocional e activa. No entanto, os exemplos que utiliza são antiquados e - isso foi o que mais detestei - profundamente machistas.

    Mais interessante é o Anexo I, em que o autor relaciona a existência da arte dramática com a religião dionísica, em que o teatro seria uma festa e a festa seria a celebração religiosa.

    Um livro interessante, que peca muito pela sua data.

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