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Laputa
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Laputa - Castle in the Sky
Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
Anime - Filme
1986
7 em 10
Este era o único filme da Ghibli que me faltava ver. :) Portanto, mais um grande achievement na minha vida animesca!
Tudo começa quando uma máquina aérea, de transporte de passageiros, é atacada por piratas. Uma rapariga consegue fugir com uma pedra preciosa, que lhe dá a capacidade de flutuar. Será revelado que essa pedra contém o segredo sobre como chegar a Laputa, a ilha no céu, inspirada nas viagens de Gulliver, onde uma civilização antiga e poderosa contém uma tecnologia invejável por vários membros da sociedade.
Este filme tem muito de extraordinário. Para começar, foi o primeiro filme inteiramente produzido pelo Studio Ghibli, com um valor de produção invejável para a época. As cenas de animação estão essencialmente perfeitas para a tecnologia que existia na altura, sendo que também existe um cuidado especial com os cenários e, sobretudo, com a maquinaria de inspiração steampunk que povoa todo o filme. Neste campo, achei apenas um defeito que foi o que me impediu de dar uma nota exemplar: as nuvens. Para um filme passado no céu, não temos imagens aéreas especialmente originais, sendo que a utilização de luz nas nuvens pode ficar um pouco aborrecida. Existem também algumas cenas em que a paleta de cores muito reduzida não contribui para a experiência, nomeadamente a cena na prisão que tinha cores demasiado quentes e sobrepostas umas nas outras.
Os personagens são encantadores, fortes e sofrem uma caracterização e desenvolvimento muito discretos mas, ainda assim, perfeitamente conjugados com as experiências que ocorrem durante a narrativa. Gostei tanto dos personagens que, deixem-me anunciar!, fiquei com vontade de fazer cosplay da Sheeta. Aliás, fiquei ainda com mais vontade de fazer da velhota, mas ainda não tenho rugas suficientes, hahaha. ;) Infelizmente, os designs dos personagens não acompanham a sua complexidade. Houvesse um maior cuidado no seu desenho e talvez nos conseguissem transmitir um pouco mais além da simplicidade inerente a todos os personagens de Miyazaki.
O conceito da ilha flutuante é concretizado da melhor maneira. A partir do momento em que entramos em Laputa, um novo mundo se nos revela. O detalhe dado a estas cenas é absolutamente fascinantes e, por esta última secção, vale a pena ver o filme. Existe também um discreto conceito ambientalista, caracterizado pelo robot jardineiro, o que demonstra a tendência bastante precoce do autor em abordar este tema.
Musicalmente, temos um tema recorrente mas que é interpretado de uma série de maneiras que po tornam sempre único. Os efeitos sonoros também estão muito adequados.
Um filme inspirador e a prova de um excelente começo para um estúdio que todos amamos!
By : ladyxzeus
Tales from Earthsea
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Tales from Earthsea
Miyazaki Gorou - Studio Ghibli
Anime - Filme
2006
7 em 10
Anime - Filme
2006
7 em 10
Finalmente altura de ver um filme de anime! Este foi surpreendentemente bom e um amor de água fresca. Já há muito tempo que não apanhava um sólido filme de fantasia!
Neste universo, a vida e a morte, a luz e as trevas, tudo isto vive num delicado equilíbrio. Mas algo (ou alguém) está a quebrá-lo e coisas estranhas acontecem: dragões guerreiam nos ares, feiticeiros perdem os seus poderes. Um rapaz com um segredo maléfico une-se com um misterioso viajante e, juntos, irão descobrir como solucionar estes problemas.
Para mim, o principal ponto forte deste filme é a caracterização do universo. Apesar de haver um sistema de crenças bastante simples, existe um detalhe atento à geografia, economia e sociologia, revelado em pequenos momentos que nada significam em termos narrativos mas que tornam a própria narrativa extremamente rica. Este detalhe é exacerbado por uma arte cénica profundamente cuidada e detalhada, que não perde a atenção ao menor elemento, acabando por nos mostrar um mundo muito completo e, sobretudo, extremamente realista.
Temos um conjunto de heróis que possui uma caracterização forte mas que, no entanto, acaba por ver mal explicados alguns detalhes sobre o seu passado e evolução, o que nos deixa aquém das expectativas. Para além disso, os seus designs extremamente simples não se coadunam com a exuberância dos cenários. Já o vilão é absolutamente fascinante, embora também peque por falta de detalhe na sua história pregressa e, por isso, seja um pouco difícil compreender a sua motivação.
A banda sonora é muito adequada e cria todo um ambiente medieval e fantástico, acrescentando muito a cenas que, em detrimento da animação, se focam mais nos cenários da natureza.
Um filme que gostei muito de ver e, talvez, o melhor que vi deste autor.
By : ladyxzeus
Pom Poko
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Pom Poko
Studio Ghibli - Isao Takahata
Anime - Filme
1994
7 em 10
Como havíamos visto um filme de terror sem o meu consentimento, fui eu a decidir o que iríamos ver a seguir. Escolhi o filme de anime mais fofinho que tinha em disco. Não esperava grande coisa, mas é um filme fascinante!
Como todos sabemos, existem animais com a capacidade de se transformarem: raposas, guaxinins e alguns gatos. Quando se estabelece um projecto imobiliário que irá destruir a montanha onde vivem os guaxinins (tanuki), eles decidem fazer uso dos seus poderes. Começam por destruir a obra e depois decidem assombrá-la. Será que conseguem proteger a sua casa?
Esta é uma história que debate vários assuntos. Falamos aqui da protecção da naturesza e do habitat da fauna indígena dos lugares. Mas também falamos da luta pelo poder, da perda da tradição, da transformação do antigo em novo, da substituição de hábitos. Os tanuki podem ser uma metáfora para cada uma destas coisas, mas a própria personalidade da espécie, que brinca, canta e dança a toda a hora, faz como que estas ideias estejam perspectivadas de uma forma muito bem-humorada.
Com personagens únicos, que revelam mais humanidade do que se poderia esperar, acompanhamos as peripécias cómicas deste grupo. Mas nem tudo é bom: afinal, um animal não deixa de ser um animal e continua a correr perigos. E, pelo menos neste filme, os perigos têm consequências que podem ser fatais.
A animação é, também, exctraordinária. Se ao início os designs me deixaram um pouco de pé atrás (os tanuki têm testículos!), as sequências de transformação, em especial a parada dos yokai, revelam uma capacidade extraordinária, sobretudo considerando a década de produção dest efilme. Temos uma loucura, entre designs, perspectivas e cores, que formam uma amálgama que não precisa de fazer sentido para ser fascinante. Além disso, testículos para-quedas. E pronto.
A música é também muito variada, com coros diversos que cantam letras muito engraçadas. Talvez a parte que tenha gostado menos tenham sido as vozes e o facto de o filme ter um narrador.
No entanto, parece-me que este filme aparece numa posição difícil, pois é um pouco incatalogável. Se por um lado trata de temas (como a reprodução) quer não são apropriadas a um público infantil, os designs não são atraentes para um público mais velho.
De todos os modos, recomendo que o vejam!
By : ladyxzeus
From Up On Poppy Hill
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From Up On Poppy Hill
Goro Miyazaki - Studio Ghibli
Anime - Filme
2011
6 em 10
No outro dia saquei para ver todos os filmes da Ghibli que me faltavam. Comecei por este, por escolha do Qui. No original, este filme tem um nome estranho (Coquelicot qualquer coisa). Foi realizado pelo filho do mestre Miyazaki a quem, infelizmente, ainda falta muita experiência.
Uma rapariga vive no topo de uma colina e todos os dias pendura bandeiras ao vento. Num barco, o seu colega da escola consegue vê-la. Como irá a relação dos dois evoluir a partir daqui?
Esta história tem dois eixos centrais: a história de amor e a história da revolução estudantil. A segunda serve muito para apoiar a primeira, mas penso que se tivesse sido explorada em mais detalhe este filme teria muito mais molho para saborear. A história da relação entre os dois miúdos é muito melodramática, como numa novela mexicana muito parva, sendo que a conclusão é tão óbvia como pateta. Quanto à revolução estudantil, existe aqui uma tentatia de relatar os factos ocorridos na realidade dos anos 60 Japoneses, mas a verdade é que o filme os mostra como uma espécie de brincadeira de crianças sem qualquer tipo de consequência, como se lutar pelos direitos de uma facção fosse uma espécie de comédia infantil.
Em termos de animação, temos cenários que fazem jus ao nome de Ghibli, mas estes são muito estáticos e parece que os personagens,. que recebem elementos animados, não interagem com o espaço que os rodeia. Em termos de fluidez, existem alguns aspectos que estão menos que perfeitos, o que num anime com este nível de produção acaba por se tornar muito pouco aceitável.
A parte melhor foi, sem dúvida, a banda sonora. Temos muitas músicas características da época em que o filme se passa, com alguns clássicos à mistura, e uma grande variedade que se conjuga muito bem com todos os momentos.
Mais um filme que nos deixa a conclusão de quem nem tudo da Ghibli é bom.
By : ladyxzeus
Tonari no Yamada-kun
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Tonari no Yamada-kun
Takahata Isao - Studio Ghibli
Anime - Filme
1999
6 em 10
Um filme curioso sob a chancela do Studio Ghibli, mas sem a mão do seu dirigente.
Trata-se de uma sequência de momentos familiares da família Yamada, um conjunto de pessoas que - aparentemente normais - fazem coisas que podem ser consideradas um pouco estranhas, porque são todos ligeiramente destrambelhados. É um verdadeiro filme fatia-de-vida, sem um fio narrativo condutor, que tenciona apenas retratar a vida da família típica Japonesa. Fá-lo com leveza e algum humor, mas sem grandes pretensões, o que acaba por tornar o filme ligeiramente aborrecido e, sobretudo, totalmente inconsequente.
O filme depende totalmente das suas personagens, que podem parecer interessantes ao início mas que acabam por cair dentro de um conjunto de estereótipos que, embora não sendo negativos, não lhes dão qualquer tipo de densidade. Assim, os momentos de comédia acabam por se tornar altamente previsíveis.
No entanto, o filme é de mestria técnica. A montagem é perfeita em termos de sequências de animação conjugados com a banda sonora. Existem momentos de animação brilhantes, com técnicas vanguardistas para a época, mas não são constantes e a estética simplista do filme é excessiva.
Fique a nota para a tal banda sonora, composta de sonoridades e canções sempre apropriadas aos momentos e muito completa no geral.
Um filme que certamente vale a pena ver pela sua originalidade e pelos momentos agradáveis que proporciona, mas que me deixa bastante dividida.
By : ladyxzeus
When Marnie Was There
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When Marnie Was There
Yonebayashi Hiromasa - Studio Ghibli
Anime - Filme
2014
6 em 10
À terceira tentativa, finalmente consegui ver este filme, a última criação da Ghibli. Da primeira vez apanhei legendas em chinês, da segunda apanhei um ficheiro corrupto. À terceira é de vez!
Este filme fala sobre a adaptação das crianças a situações diferentes e novas maneiras de fazer amigos. Anna é uma menina inadaptada numa grande cidade, onde sofre com asma e ataques de ansiedade. É enviada para uma vila muito calma, com outros familiares, para que recupere. Lá, descobre uma grande casa desabitada. Mas... Parece que vive lá alguém! Esse alguém é Marnie, uma menina da mesma idade que, tal como Anna, se sente solitária. Tornam-se amigas imediatamente, mas Marnie está envolta em mistério.
Apesar da narrativa apelar para os valores da amizade feminina, como qualquer outro filme familiar, desenvolve-se de forma extremamente previsível e existem alguns pontos erróneos ao longo da progressão. Para começar, como é que Anna não estranha que Marnie esteja a viver numa época diferente? O que nos leva a pensar: se Marnie sabe quem é ela própria, porque é que age permanentemente como se não soubesse? Se ao início a poderíamos considerar fruto da imaginação, quando chegamos ao final só podemos concluir de que se trata de uma memória perdida que *sabe* que não existe. De resto, Marnie desaparece e aparece constantemente, sem que a sua existência nunca seja posta em causa. Pareceu-me também haver um excesso de monólogos internos pela parte de Anna, sendo que as cenas poderiam ter tido muito mais impacto se tivessem sido simplesmente retirados. Para além disso, os próprios diálogos são estranhos, parecendo haver um certo inuendo erótico por detrás das palavras de Marnie (o que é motivado também pela voz que lhe deram, demasiado madura) que não faz sentido dentro do contexto do filme. Por fim, quando Anna faz uma amiga na vida real, pareceu-me haver um desenvolvimento demasiado rápido de todas as relações, havendo uma imediata aceitação dos erros pela parte de toda a gente, o que não corresponde à vida tal como ela é.
Apesar da rotunda falha na construção narrativa, temos de admitir que a arte é espectacular. Detalhada, quase fotográfica, dá azo a cenas muito bonitas envolvendo paisagens aquáticas e vida selvagem, um ambiente bastante original. A utilização de cores está perfeita e o traço é muito agradável. Não existem grandes cenas de acção para demonstrar uma animação perfeita, mas nos momentos em que existem movimentos complexos, ela está exemplar.
A música é pouco memorável. Acredito que se o tema principal (a canção de embalar) tivesse sido repetido mais vezes, teria tido mais impacto.
Assim, temos um filme que, apesar da mestria técnica, é bastante mediano nos outros aspectos. Passou ao lado de muita gente e assim continuará.
By : ladyxzeus
Sanzoku no Musume Ronja
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Sanzoku no Musume Ronja
Miyazaki Gorou - Studio Ghibli
Anime - 26 Episódios
2014
7 em 10
E, da season que passou, este foi aquele que me marcou mais.
Esta é a primeira série de animação produzida pela Ghibli. Nesta nova experiência, apostaram na moderna animação digital por cell shading. Isto causou uma impressão muito negativa ao início, sobretudo para aqueles que esperavam mais um filme da Ghibli animado em 26 episódios. No entanto, não desisti de ver e o resultado final é algo de fantástico!
Baseado na literatura infantil clássica da Suécia, este anime fala da vida diária de uma menina que vive num castelo rodeado por uma floresta. Ela é Ronja, filha de ladrões. Vive muitas aventuras, mais ou menos perigosas, num ambiente bucólico e fantasioso. Trata-se de um anime para crianças, uma história simples e carinhosa sobre o crescimento pessoal, a coragem e a família. As personagens são cativantes e amorosas e não conseguimos deixar de gostar de todos eles. As crianças são mesmo crianças e têm atitudes próprias para as idades. Mas os adultos, também eles são muito divertidos! Se a Ronja crescesse, como gostaria de fazer cosplay dela! Poderia fazer de Lovis, mas ela é um bocadinho maior que eu e não ia ficar bem...
Apesar da animação dos personagens necessitar de um certo tempo de habituação, temos de admitir que são extremamente expressivas e estão muito bem animadas, com movimentos sólidos e fluídos. Mas a melhor parte da arte será a arte cénica, que está descriminada ao máximo detalhes. São imagens lindíssimas da floresta. Infelizmente há algumas sequências repetidas, e acabamos por ver sempre os mesmos veados e as mesmas raposas. Ainda assim, considerando que os animes muitas vezes erram na anatomia animal, a vida selvagem florestal está muito bem caracterizada.
OP e ED transmitem a faixa etária à qual está dirigida este anime. Mas temos alguns temas no parênquima que são memoráveis e cheguei mesmo a escrever uma nova letra para a canção de embalar, que produzirei com o meu pessoal e usarei em skit de cosplay (para a Erin)
É um anime calmo, muito agradável, querido e memorável. Acredito que se ultrapassarem a primeira impressão da animação digital, poderão apreciá-lo tanto como eu!
By : ladyxzeus
Kaguya Hime no Monogatari
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Kaguya Hime no Monogatari
Takahata Isao - Studio Ghibli
Anime - Filme
2013
7 em 10
Este filme da Ghibli baseia-se numa história do folclore Japonês, a história do apanhador de bambu. Conta essa lenda de que um apanhador de bambu, velhote, encontrou uma criança dentro de um pau de bambu. Essa criança cresce para se tornar numa princesa, mas depois - no dia 15 de Agosto - tem de partir para de onde veio: a lua.
É bom saber desde logo a história, porque este filme apenas a conta insistindo com algum detalhe na vida diária da Princesa Kaguya. Não existem grandes variações e as personagens continuam bastante simples, de uma maneira verdadeira para com a lenda original. Apenas Kaguya, a princesa, encontra dentro dela uma certa dúvida: ela ama a natureza e deseja viver livre, ao contrário dos seus pais adoptivos que se convencem que ela merece ser uma princesa de riquezas incomparáveis.
A história pode dividir-se em duas partes: a infância e a vida adulta. Durante a infância, vemos as maravilhas da natureza e o filme é bastante leve e alegre. O peso vem na segunda parte, em que a princesa vive encerrada num palácio. De todas as formas, ficamos a conhecer bastante a vida na época Heian, tanto no meio urbano como rural. Causou-me impressão, no entanto, a linguagem utilizada que - apesar dos meus parcos conhecimentos de Japonês - não aparentava ser nada apropriada à época retratada no filme.
O ponto forte da película é a arte e animação. É muito, muito simples, com traços directos e aguarelas, o que pode tornar-se um pouco cansativo. No entanto, existem algumas cenas, nomeadamente quando a mente da princesa foge para o campo, em que a animação se torna bastante experimental e numa visualização bastante curiosa e expressiva.
Noutra nota, aponto para a música. O mesmo tema é repetido em variações diversas, utilizando um instrumento de que gosto muito, o koto. É raro ouvi-lo no contexto de anime, pelo que a sua interpretação se torna dinâmica e refrescante.
Não é um filme que recomendaria à primeira, mas acho que não se perde nada em vê-lo.
By : ladyxzeus
O Reino dos Gatos
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O Reino dos Gatos
Morita Hiroyuki - Studio Ghibli
Anime - Filme
2002
6 em 10
Depois do excelente evento, é tempo de ver o filme que obtive no prémio. O primeiro da double session.
Da Ghbli, restam-me já poucos filmes que ainda não tenha visto. Este era um deles. Infelizmente, aparenta o facto de que quando não é o Sr. Miyazaki a dirigir o filme, a coisa nunca corre tão bem. Este filme pega em duas personagens do filme anterior Whisper of the Heart, dois gatos.
Esta é a história de uma menina que não tem muito que se lhe diga. Depois de salvar um gato, é levada para o Reino dos Gatos, onde acontecem muitas coisas felinas e uma história de amor. O grande problema é que a personagem não foi bem caracterizada ao início, portanto a sua mudança não parece ser a pretendida. No final do filme, ela aparenta tornar-se uma maluquinha que recebe a pensão dos maluquinhos, em vez de uma pessoa mais adulta e madura, como seria a intenção.
O conceito do filme é muito fofinho. O Reino dos Gatos é onde estão todos os gatos da nossa imaginação, desde gatos que vemos todos os dias, a gatos que nos marcaram e desapareceram e até mesmo figuras de gatos, como estátuas e imagens. Lá, eles são reais.
Infelizmente, a execução não está primorosa como seria de esperar de um filme da Ghibli. A animação não tem nada de extraordinário e os cenários e imagética deste reino encantado são muito pouco distinguíveis, sendo que a arte cénica está apenas mediana.
Assim, temos um filme bastante normal, bom para crianças, sobretudo aquelas que gostem de gatos. Talvez veja este filme no Natal com a minha família, dado o facto de a minha mãe ser super-fã de gatos.
By : ladyxzeus
The Wind Rises
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The Wind Rises
Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
Anime - Filme
2013
9 em 10
Duas double sessions, muitos filmes. Falaremos bastante deste nos tempos vindouros.
Durante muito tempo, sempre houve anúncios de que o Sr. Miyazaki se ia reformar, que ia deixar de fazer filmes e todas essas coisas. Na verdade, três ou quatro filmes foram o seu "último filme". Então, deixei de acreditar que ele se fosse reformar. Mas apareceu o "Wind Rises", que viria a ser o filme definitivo. Ouvi e li críticas agressivas, intenso desapontamento dos fãs. Mas, apesar de todas as subversões, quando terminei de ver este filme, decidi comigo própria: é este o filme definitivo. Para finalizar uma era, seria necessária uma obra prima. E aqui está ela. Acredito que este filme venha a ser um dos exemplos pilar para todos os visionantes. Acredito que este se tornará um filme essencial.
Para começar, neste último filme, o Sr. Miyazaki decide cortar todas as relações com o passado. Assim, apresenta-nos um filme de não-ficção, inspirado na vida e obra de uma pessoa que realmente existiu, passado no mundo real, relatando coisas que efectivamente aconteceram. Para além do mais, é um drama. E, finalmente, não será de todo o mais apropriado a crianças muito pequenas.
A pessoa escolhida para protagonizar este filme chamava-se Horikoshi Jirou. Na impossibilidade de se tornar piloto de aviões, o seu fascínio desde criança, torna-se um dos mais importantes engenheiros a trabalhar nos primórdios da Mitsubishi. E desenha, com sucesso relativo, aquilo que virão a ser os aviões que proliferaram durante a segunda guerra mundial e que interviram de forma muito importante no seu desfecho.
O tema é o sonho. Jirou sonha constantemente com o seu ídolo - Caproni - uma pessoa de um passado mais remoto, que desenhou aviões. Tendo este homem como exemplo, Jirou sonha em construir o melhor avião. Ele não quer uma máquina de guerra, ele não se interessa sobre o destino que irá ser dado ao seu avião. Ele deseja construí-lo pelo simples prazer de criar. E aqui, desde já, se estabelece uma força na personagem impossível de contornar. É um sujeito estranho, este, que fala de forma monocórdica e trabalha a toda a hora, sem dormir, fumando e fumando. Será um indício de autismo? Mas são estas pequenas coisas, que ao início são irritantes, que definem o personagem como uma pessoa real e única dentro do seu contexto.
Paralelamente ao sonho dos aviões, o vento levanta-se de outra forma. Desenrola-se uma história de amor de contornos trágicos, mas com sentimentos tão puros que não podemos deixar de desejar que sejam simplesmente felizes. É uma história comovente e muito realista, falando da epidemia de tuberculose que decorria na época, não só no Japão mas um pouco por todo o mundo. Os momentos do casal são extremamente simples, mas com um romance implícito que vem apenas a tornar a conclusão ainda mais triste, apesar de lógica e necessária.
No respeitante à animação, temos o melhor que este estúdio tem para oferecer, e ao qual já estamos bem habituados. Como a história não se passa num mundo fantástico, e sim no mundo real, não temos grandes complexidades estruturais ou extremamente originais. No entanto, há tal delicadeza no detalhe dos cenários, profundidade e suavidade que este filme se torna surpreendentemente belo. Os cenários são pintados por meios tradicionais e apesar de existir um tratamento digital, sobretudo evidente na cena do terramoto, este integra-se bastante bem e não nos faz estranhar. Em todos os desenhos técnicos se revela uma pesquisa profunda sobre o tema. É também de notar o excelente trabalho de fotografia e enquadramento, que nos trazem cenas muito realistas e, sobretudo, muito belas.
Gostaria também de falar da excelente animação de todas as cenas de sonho, em que viajamos em cima de aviões impossíveis e em que Jirou se consegue aperceber dos seus erros, aprendendo e evoluindo. Cada cena representa um pilar importante na evolução, no vencer dos medos e na concepção do avião ideal, que depois tem a sua inspiração final dentro do romance. Estas cenas de sonho transladam-se também para cenas em que o personagem se encontra extremamente concentrado. São a única parte fantástica do filme e trazem uma frescura estonteante e inspiradora.
Musicalmente, temos um tema recorrente, interpretado em vários tempos e vários instrumentos, conforme seja mais adequado à situação. É um tema muito positivo, que acrescenta ao filme uma onda de optimismo que não corresponde à realidade. Quero eu dizer que este filme apresenta todos os temas, o sonho, o romance, sob uma perspectiva muito positiva. E a verdade, aquilo que aconteceu no mundo real, no nosso mundo, não podia ter sido pior.
E é por isto que me apaixonei por este filme.
A narrativa tem vários elementos autobiográficos. Miyazaki não só fala sobre uma pessoa por quem terá a maior consideração: ele revisita-se em várias cenas. Temos muitos momentos que nos recordam filmes anteriores, como Porco Rosso e A Viagem de Chihiro, o que demonstra uma capacidade auto-crítica de louvar. Mas o mais importante, para mim, é o momento em que nos apercebemos do verdadeiro conceito do filme. Acredito que nunca o Estúdio Ghibli fez algo tão negativista, apesar de o apresentar sob uma luz de aparente felicidade.
Porque, apesar dos aviões serem o sonho de Jirou e de ele dedicar a sua vida à sua concepção, a verdade é que estaríamos todos melhor se ele tivesse abandonado o seu sonho logo antes de ele existir. Porque Jirou construiu os aviões. E depois veio uma bomba atómica. E qual é a moral disto tudo? Por vezes os sonhos são belos, mas as consequências são tão destrutivas que temos de ter a capacidade de avaliar quais os sonhos que se devem tornar realidade ou não. Foi o que Jirou, enquanto personagem (enquanto pessoa?) não conseguiu fazer.
Assim, o final apresenta-se muito agridoce, controverso e intenso. A cena final é subtil e maravilhosa, tornando toda a experiência do filme muito extrema.
Assim, gostaria de recomendar a toda a gente que veja este filme. É a obra de arte que vem a provar a verdadeira capacidade de Miyazaki, é o seu filme definitivo. É a película que condensa todo o trabalho de uma geração e que vem finalizar uma era na indústria cinematográfica e de anime. Será certamente uma peça importantíssima no crescimento do anime como arte visual e acredito que a sua importância será devidamente reconhecida quando os ânimos acalmarem. Pois o filme não corresponde às expectativas. No entanto, cria novas expectativas. E a essas, ultrapassa-as.
By : ladyxzeus
Kiki's Delivery Service
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Kiki's Delivery Service
Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
Anime - Filme
1989
8 em 10
Chegados a casa depois do excelente AmadoraBD, um belo jantar de almôndegas com uma cervejinha. E para acompanhar o digestivo, que tal um filme? Perguntei se podia ser anime. Como podia, seleccionei um dos meus DVDs da colecção Ghibli. Por acaso já me apetecia rever este filme, que foi a minha irmã que me ofereceu como souvenir de uma viagem a Londres, veio mesmo a calhar!
É amoroso em todos os aspectos. Este filme conta a história de uma bruxinha que muda de cidade em busca da sua independência. Deverá estabelecer-se como a bruxa residente de uma nova cidade. Infelizmente, a única coisa que ela sabe fazer é andar de vassoura. E nem isso sabe muito bem! No entanto, rapidamente descobre uma coisa que na qual o seu talento pode ser útil: um serviço de entregas!
Este filme é, no fundo, uma alegoria ao existencialismo da adolescência. Kiki enfrenta dúvidas e cresce substancialmente à medida que descobre aquilo que é importante para ela. Tal não seria possível sem a ajuda de alguns amigos, todos eles personagens característicos e interessantes, desde a simpática senhora grávida que lhe oferece abrigo, o rapaz - Tombo - que dá sempre uma segunda oportunidade e a sempre necessária freakalhóide que vive isolada no meio da floresta a pintar. Não esqueçamos Jiji, o gato, a voz da consciência, e o seu simbolismo patente no crescimento de Kiki - o falar ou não falar, interpreto-o como relativo ao amadurecimento da dona.
Tudo isto ilustrado por um ambiente apaixonante e detalhado, uma cidadezinha europeia, mistura de todas as cidades europeias mas com uma personalidade própria. Cada cena é um gosto de se ver, porque até as coisas mais simples estão carregadas de pequenos momentos que trazem realismo e graça.
Um excelente filme. Romântico, quiçá? Bem, a gente gostou. :)
By : ladyxzeus
Porco Rosso
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Porco Rosso
Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
Anime - Filme
1992
7 em 10
Um excelente filme para ver numa noite de chuva. Oferecendo o melhor que o Estúdio Ghibli tem para nos dar, apresento-vos o magnífico porco voador!
Este filme fala sobre aviões e os seus pilotos. Marco é um porco que caça piratas do ar no seu hidroavião e acaba numa competição com um outro piloto que um dia lhe deitou o avião abaixo. É um filme muito simples, mas que está muito bem contado. O diálogo está cheio de momentos preciosos, sobretudo relacionados com suínos.
Existem muitas cenas de aviões que estão excelentemente animadas. São emocionantes, originais e muito bem feitas. Mas, o mais importante, é que estão integradas no contexto da história e não aparecem apenas por acaso, não é uma acção injustificada. As paisagens mediterrânicas são muito bonitas e este filme merece ser visto em boa qualidade.
Uma banda sonora original bastante adequada, oferecendo leveza à acção, com uma canção sobre cerejas que será inesquecível.
No entanto, senti que houve dois elementos que não foram explorados suficientemente, pelo que o filme apresenta essa falha. São esses elementos a perseguição fascista, que poderia ter dado pano para mangas, e a magia que transformou o porco num porco. Isto daria um filme mais longo e quiçá menos apropriado a crianças, que é a demografia indicada para ele, mas acho que são temas importantes, sobretudo o político, que poderiam ser tratados de forma bem humorada como o foi o resto do filme.
Uma nota especial para a cena dos aviões por cima das nuvens, que foi uma das metáforas mais bonitas que vi para a morte durante a guerra.
Um filme recomendado, para todas as idades e para todos os gostos.
By : ladyxzeus
Cello Hiki no Gauche
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Cello Hiki no Gauche
Takahata Isao (Kenji Miyazawa) - Studio Ghibli
Anime - Filme
1982
6 em 10
Também conhecido por "O Violoncelista Gauche", este pequeno filme (uma hora e um minuto e trinta segundos) conta a história de Gauche, que tem um violoncelo e toca numa pequena orquestra intregrada num ambiente de Japão rural. Gauche tem alguns atritos com o seu maestro, que continua a pedir-lhe cada vez mais e mais. E então entramos no mundo fantástico de Ghibli. Todas as noites, quando Gauche está a ensaiar, aparecem animais que lhe pedem para tocar e tocam/cantam/interagem com ele. E assim o violoncelista redescobre o seu amor pelo instrumento e pela música.
Não existem grandes fundos nem cenas de animação profusas, mas mesmo assim o filme evoca cenas muito belas, enquanto interage com as pequenas criaturas que lhe pedem que toque. Cada música é uma imagem distinta que, sendo muito simples, é bastante tocante. Gostei especialmente dos ratinhos.
Em termos musicais não podia ser melhor, conjugando peças clássicas que integram o meu imaginário infantil (sim, o meu imaginário infantil é música clássica... Não perguntem...) com uma peça original muito intensa e impressionante.
Um filmezinho simples, sem nada que o distinga sem ser os pequenos momentos belos.
By : ladyxzeus
Karigurashi no Arietty
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Karigurashi no Arietty
Hayao Miyazaki - Studio Ghibli
Anime - Filme
2010
7 em 10
Todos gostamos da Ghibli e vamos sempre dizer que os filmes são geniais, mas permitam-me discordar. Arietty é um bom filme. Arietty é um filme divertido. Mas Arietty não é um filme genial.
Esta filme conta-nos o improvável encontro de um miúdo a morrer de insuficiência da mitral com Arietty. Acontece que Arietty é, bem, pequenina. É uma rapariga à escala de polegar. Vive por baixo de uma casa com o seu pai e a sua mãe e, para sobreviver, "tomam emprestadas" coisas que as pessoas da casa já não utilizam. Sho vê-a e, atraído pela sua existência, tenta comunicar com ela da melhor maneira que consegue, que não é de todo a ideal. A história é fofa e tenta dar-nos a moral de "nunca desistas de viver", mas pareceu-me que esse aspecto não foi desenvolvido com, bem, desenvoltura! Em termos de personagens temos a habitual mulher forte dos filmes Ghibli, mas pouco mais. Achei graça a Haru-san, cuja "maldade" tinha uma origem absolutamente inocente e infantil.
A arte é o ponto forte. É maravilhosa. Conseguem tornar um jardim numa floresta, cheia de detalhes e de pequenas coisas. A casa das pessoas pequenas também é absolutamente deliciosa. Vale a pena ver o filme só pela arte.
A música está muito adequada e transmite beleza.
Reparei em dois erros crassos de planeamento: a porta que estava trancada abriu sem ser destrancada e a cortina corrida numa cena aparece toda aberta na cena seguinte. Estas pequenas coisas são, de facto, pequenas, mas para mim fazem todo um filme.
Talvez compre o DVD para ver com a minha macaca de estimação.
By : ladyxzeus
Whisper of the Heart
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Whisper of the Heart
Yoshifumi Kondo - Studio Ghibli
Anime - Filme
1995
6 em 10
Review original: http://myanimelist.net/forum/?topicid=401277
Olhando para este anime poderia dizer que está tecnicamente perfeito. No entanto, a perfeição muitas vezes não trás bom resultades. Whisper of the Heart tem falta de substância em todos os aspectos, apesar de tudo estar bem feito.
A arte está bem feita, com animação limoa e bem desenhada. Mas não há beleza nem nas coisas que supostamente são muito bonitas. Os designs dos personagens são iguais a todos os outros designs Ghibli e o gato está mal desenhado.
Isto é outra coisa que eu não percebo, a obsessão por gatos. Quantos mais gatos vejo no anime e na minha vida diária menos gosto deles.
ANYWAY, a história é aparentemente original, mas parece que os personagens não têm uma razão para os seus objectivos. Fazer sonhos tornarem-se realidade parece-me uma boa razão, mas porque é que decidem fazê-los realidade precisamente agora? O que aconteceu por trás disso?
A música é irritante.
O final soube bem, mas um pouco exagerado. Na melhor das hipóteses, um trabalho mediano.
By : ladyxzeus



