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Tokyo Godfathers
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Tokyo Godfathers
Satoshi Kon - Madhouse Studios
Anime - Filme
2003
6 em 10
Este é um filme de Natal, mas revi-o no outro dia com o Qui, que tem muito interesse neste realizador de anime (Satoshi Kon). Tokyo Godfathers é uma obra ligeiramente diferente, na medida em que se trata de um filme leve e muito cómico, que servirá para aquecer um pouco vossos coraçõezinhos numa fria noite de Fevereiro.
Uma traveca, um bêbado e uma miúda são três sem abrigo que encontram um bebé abandonado. Motivados pelas ideias do seu passado, decidem encontrar a mãe da criança. No processo, vivem diversas aventuras e acabam por realizar que têm muito mais força de vida do que aquilo que supunham. Talvez a melhor parte destes personagens seja a sua caracterização, embora se perceba pouco como a miúda chegou ao ponto em que se encontra.
É um filme bem disposto, apesar de no final haver uma secção dramática muito forte e que só compreendi na totalidade neste segundo visionamento. No entanto, a história não nutre grande interesse, sendo que o elemento principal aqui será a sua concretização, em termos técnicos e de edição.
A banda sonora, também só reparei nela agora, é muito divertida e bastante ilógica, sendo que se conjuga perfeitamente com o ambiente.
Um bom filme, mas para mim não o melhor do autor.
By : ladyxzeus
Paprika
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Paprika
Satoshi Kon - Madhouse Studios
Anime - Filme
2006
7 em 10
Estávamos a ver uma lista de filmes de animação desconhecidos e encontrámos lá este. Que para mim não é assim tão deconhecido, já que é a terceira vez que o vejo. :v
Do autor do afamado Perfect Blue, Paprika é uma história que podia muito bem acontecer, caso a tecnologia evoluísse bastante. Neste universo, foi inventada uma maquineta que permite a que se entre dentro dos sonhos das pessoas, de forma a que se possam partilhar entre amigos e, mas importante que tudo isso, fazer uma psicoterapia dirigida e ajudar as pessoas. Infelizmente, essa tecnologia cai nas mãos erradas e o mundo poderá ser destruído a qualquer momento. Entre realidade e sonhos está uma mulher: Paprika. Ela tem o poder de manipular a sua forma dentro dos sonhos das pessoas e ajudá-las e o seu trabalho será essencial para vencer esta força maléfica que se apoderou dos sonhos das pessoas e os tranformou num aterrorizante pesadelo colectivo.
A narrativa é simples, sem mistério, sem suspense. Os momentos mais estranhos estão na mistura das duas realidades, mas tudo é claramente explicado ao longo do filme, de forma muito acessível e sem deixar lugar para dúvidas. Polvilhada com uma querida história de amor muito improvável, a narrativa baseia-se então - sobretudo - nas acções e desenvolvimento dos personagens. Isto é bastante satisfatório, pois vários sonhos se misturam e através deles conseguimos interpretar um pouco sobre cada uma das personagens e ficar a conhecê-las um pouco melhor. Cada uma é única e apaixonante, caracterizando elementos da sociedade japonesa do "agora" sem temores nem papas na língua.
Outro aspecto muito interessante e querido é a homenagem ao universo cinematográfico. Satoshi Kon parece ver os sonhos como uma espécie de "filme" e discorre sobre as técnicas que poderia usar se eles fossem passíveis de ser filmados de forma muito apaixonada e dedicada.
A animação é bastante boa, com muita fluidez e muitas cores, até ao momento em que aparecem cenas repetidas, uma cópia total, sobretudo nos momentos da parada dos objectos e dos electrodomésticos. De resto, fique uma nota para a intro que caracteriza perfeitamente a personagem de Paprika. Até faria cosplay dela, com todo o gosto, mas não gosto da sua outra faceta.
Musicalmente, temos um curioso uso desse instrumento que é o "Vocaloid". As músicas são inteiramente digitais, o que transmite um ambiente muito moderno mas ao mesmo tempo surrealista e perturbador.
Um filme que poderei recomendar como um dos melhores exemplos do autor, mas que não ultrapassa o sempre fantástico Perfect Blue.
By : ladyxzeus
Perfect Blue
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Perfect Blue
Satoshi Kon - Madhouse Studios
Anime - Filme
1998
7 em 10
Este filme aparece sempre no top dos recomendados para o grupo plebeu que se inicia ao anime. Portanto, o Zi tinha bastante vontade de o ver. E como nunca me importo de rever este filme, fui vê-lo pela quinquilhionésima vez! Ok, talvez não tanto, talvez tenha sido apenas a sétima ou isso. Não sei. Queria escrever daqueles comentários longos, cheios de análise, algo que um anime deste calibre merecesse, sem sequer lhe dar uma classificação... Mas parece-me tarefa impossível. Pois, na realidade, não se trata de um filme cheio de simbolismos e interpretações diversas. É bastante directo. Mas vejamos:
Mami é uma pop-idol (aidoru), que pertence ao grupo CHAM! No entanto, a indústria move-se e ela tem de se mover também, pelo que decide, juntamente com os seus agentes e managers, tornar-se actriz. A partir desse momento, e à medida que se vai separando cada vez mais da personalidade de aidoru, começa a ser perseguida por um doido que não fica por meias medidas: qualquer coisa que interfira com a imagem predefinida que ele tem será eliminada. Nem que para isso tenha de cometer crimes, bastante hediondos por sinal.
No entanto, não estamos apenas a ver um policial, não queremos saber apenas quem é o criminoso. Mami entra numa espiral de depressão e paranóia, em que a mania da perseguição se eleva ao ponto da dúvida: serei eu? Qual destas realidades é a verdadeira?
Isto é conseguido com uma mestria absoluta na realização. A verdade é que, apesar da história simples, o filme está muito bem feito. Nunca temos a certeza de quais as cenas que são realidade, quais a que são fantasia e quais as que são falsas. Nunca sabemos que memórias de Mami são as reais ou qual delas não passam de novela. Existe uma divisão clara entre as cenas, com repetição de conceitos, sempre insistindo no facto de a personagem estar a ser perseguida por uma entidade desconhecida, que pode até ser ela própria. Existem cenas muito fortes e emocionalmente violentas, nas quais não é claro o que acontece realmente, deixando-nos a duvidar, contribuindo apenas para a ansiedade do espectador.
Também a música ajuda na manutenção do pânico. Falo de pânico porque esse é o sentimento real dado por todo o filme. Em termos musicais temos momentos de tensão muito bem orquestrados, misturados com o melhor do pop dos 90s, recriando situações bizarras, quase surreais, que apenas contribuem para segurar a nossa respiração.
Só a podemos largar no final que, depois de uma revelação muito inesperada, acaba num tom positivo. E isto é, parafraseando o Zi, "um alívio".
Este é um filme que recomendo a todos. Tem muitas influências do cinema americano, pelo que é bastante acessível a todos aqueles que não têm qualquer experiência no visionamento de animação nipónica. Qualitativamente, e objectivamente, tem as suas falhas, mas a maneira com está feito é por demais excelente. Assim, fica a recomendação expressa de que vejam este filme imediatamente. Ou que o revejam em boa companhia!
By : ladyxzeus
