Mostrar mensagens com a etiqueta road movie. Mostrar todas as mensagens
A Real Pain
A Real Pain
Jesse Einseiberg
2024
Filme
6 em 10
Após o falecimento da sua avó, uma judia polaca, dois primos encetam uma viagem até à Polónia para conhecer melhor a história do holocausto e, assim, processar o seu luto.
Portanto, filmes sobre o holocausto já não me chocam minimamente (depois de As Benevolentes tudo o que vem é precioso). Assim, esquecendo que este filme é sobre o holocausto, gostaria de pensar qual é realmente o seu objectivo: o processo do luto pessoal, ou o processo do luto colectivo. Enquanto isso não está estabelecido, é impossível entender o que o autor quer com esta narrativa.
O único actor que se destaca é o primo mais falador, que efectivamente tem uma performance digna de Oscar. De resto, todos os outros aparecem moles, aborrecidos, indiferentes, até o primo mais calado (realizador e argumentista do filme também), que parece quase estar ali a mais, e que não traz nem conflito nem conforto ao seu parceiro.
Não achei um filme extraordinário e, sinceramente, farta estou desse luto colectivo que nesta altura parece apenas existir para justificar um genocídio.
Broker
Broker
Hirokazu Koreeda
2022
Filme
5 em 10
Fomos ver este filme no cinema. Foi muito chato.
Uma mulher abandona o seu bebé numa caixa de bebés de uma igreja local da Coreia. A criança é levada por um funcionario, para que - com o seu parceiro - seja vendida a uma família que não possa ter filhos. Quando a mulher regressa para recuperar o bebé forma-se uma espécie de família quebrada que vai numa roadtrip em busca das pessoas ideais para a adopção.
Este filme tem uma série de camadas sobre as personagens que me pareceram absolutamente inúteis para o desenvolvimento da história. Para mim não era necessário ter uma perspectiva do passado de cada personagem, com excepção talvez da figura feminina, sobretudo porque o filme tenta justificar com isso o injustificável (roubar e vender bebés, ie. tráfico humano)
Podia ter sido muito mais curto e muito menos chato se tivessem cortado uma série de elementos que me pareceram superficiais.
Não gostei.
As Aventuras de Priscilla, Rainha do Deserto
As Aventuras de Priscilla, Rainha do Deserto
Stephan Elliot
1994
Filme
6 em 10
Férias portanto, e apanhámos este filme na televisão. Não estava nada à espera de ver o Mr. Smith vestido de senhora, mas não faz mal.
No mundo do travestismo acontecem coisas boas e coisas más. Neste dia, funeral do marido de uma drag queen famosa no seu tempo, uma das queens sugere uma aventura: vão atravessar o deserto australiano para fazer um espectáculo muito especial. O seu meio de transporte é Priscilla, um autocarro escolar convertido em casa e atelier de costura.
As aventuras são muito divertidas, cada uma mais bizarra que a outra, e algumas são injustas e perigosas. Mas o que se mantém aqui é a amizade entre as queens, o seu talento para o espectáculo e a sua fome de exibicionismo justo, que tem consequências quando mostrado a pessoas conservadores e desagradáveis.
Existem cenas icónicas nas paisagens desérticas, e essas são espectaculares.
É um filme estranho e divertido.
Drive My Car
Drive My Car
Ryusuke Hamaguchi
Filme
2021
7 em 10
Este é um filme que fala sobre a perda, sobre o luto, e sobre como lidar com o futuro que nos espera em solidão.
Um actor e encenador está envolvido na criação de uma peça multilingue baseada no Tio Vânia de Tchekov (aliás, é bastante importante conhecer a peça para se poder compreender este filme). Para se deslocar, a organização do teatro fornece uma rapariga como motorista, e assim eles vão começar a desenvolver conversas que permitirão que possamos conhecer o seu passado e as suas dores.
Drive My Car é um filme com muitas camadas distintas, suportadas especialmente pelo talento dos actores. Por um lado, temos a história do encenador e da sua falecida esposa, com tudo o que isso envolve. Por outro, temos as histórias inventadas por esta esposa e os seus amantes. Temos também a própria peça de Tchekov, em que os actores são desafiados a fazer uma interpretação baseada naquilo que as suas personagens fariam enquanto actor.
Assim, temos um filme complexo e completo, que nos permite diversas interpretações mas que, sobretudo, nos dá uma ideia do isolamento e de como o ultrapassar.
Nomadland
Nomadland
Chloé Zhao
2020
Filme
7 em 10
Um filme necessário num panorama cinéfilo em que damos tanta atenção às minorias que nos esquecemos que há uma maioria de americanos, brancos, de meia idade, que vivem em condições extremamente precárias. Mas será que a precariedade pode significar também a liberdade?
Acompanhamos a viagem de uma mulher abandonada pela vida, na sua carrinha, viajando pela América em busca de trabalho e de sítio para estar. Por vezes encontra-o, por vezes não. Por vezes encontra a sua comunidade: um grupo de pessoas nómadas, nas suas carrinhas e roulottes, que nunca param muito tempo no mesmo sítio e vivem com o que têm e podem.
O filme mostra lindas paisagens do interior dos Estados Unidos, e mostra como este conjunto de pessoas, que tão pouco têm em comum, podem estabelecer relações de amizade e encontrar no seu abandono a capacidade de se libertarem de uma sociedade que, por vezes opressiva, não os deixa ser eles próprios.
Um filme precioso, forte candidato a óscar, quer de melhor filme quer de melhor actriz.
_poster.jpg)
