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  • Versailles no Bara

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    Versailles no Bara
    Yoshimura Ai - MAPPA
    Anime - Filme
    2025
    8 em 10


    Um remake do meu anime preferido de sempre, agora na forma de um filme musical, masca o meu regresso - durante férias - à intensa escrita de reviews. Digam olá a eu. :)

    Este filme conta com uma animação renovada e uma série de canções quase vindas de um takarazuka, que caracterizam e nos mostram esta maravilhosa história clássica da Rainha Maria Antonieta e da sua general e protectora, Oscar de Jarjayes.

    Os elementos principais da história estão aqui presentes, evidentemente eliminando alguns elementos que - sendo muito importantes - nunca iriam caber num filme com uma hora e meia. As músicas novas caracterizam o ambiente do palácio de Versailles, e a estranha forma de vida que lá se fazia, mas logo logo temos os elementos trágicos, com a descoberta das injustiças perante o povo pela parte de Oscar e a revolução propriamente dita.

    Esta história é maravilhosa e trágica, assim como a realidade, e coloca muitos elementos da verdadeira história misturados com fantasia, que foi o que sempre me encantou neste anime. Agora com um estilo completamente diferente e uma arte renovada, a história volta a ser mostrada a um novo público, para que todos possam conhecer este maravilhoso clássico.

    Assim, apesar das diferenças patentes do original, recomendo vivamente este filme, quer para os fãs antigos quer para os novos

  • King Kong (2005)

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    King Kong (2005)
    Peter Jackson
    2005
    Filme
    6 em 10


    Eu nunca tinha visto a história do King Kong, apenas tinha mais ou menos uma noção da história. E devo dizer que agora que vi este remake do original de 1933... CHOREI. Coitadinho do King Kong omds, coitadinho, coitadinho.

    Esta é uma história transversal ao colonialismo, em que roubam o animal selvagem da sua selva para o por a fazer de palhacito e, quando ele se revolta, o destroem. Os humanos demonstram mais selvajaria que o próprio animal, torturando-o, caçando-o, humilhando-o. E a única pessoa que o vê como ser sensível é a "rapariga" (que acrescentei aos meus planos de cosplay), que é apenas uma e nada pode fazer.

    Uma história comovente e intemporal, mas que neste filme peca pelo exagero de efeitos especiais, que incluem de tudo, desde cataratas a dinossauros (?), apesar do gorila propriamente dito ter um aspecto mais ou menos realista.

    Mas chorei, acho que isso é de valor.

  • Bishoujo Senshi Sailor Moon Eternal

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    Bishoujo Senshi Sailor Moon Eternal
    Chiaki Kon - Toei Animation
    Anime - 2 Filmes
    2021
    6 em 10


    Quem me conhece sabe que amo Sailor Moon de paixão, e que este é o meu arco preferido da série toda. Mas estes dois filmes acabaram por me desapontar bastante, talvez pela influência do famigerado Studio Deen, que também fez parte da produção.

    O primeiro filme é quase como um apresentar sucessivo de cada uma das Sailors, dos seus sonhos futuros e dos seus medos ocultos. De certa forma interessante, mas acaba por não explorar as características dos inimigos, o que para mim era a parte mais importante do arco. No segundo filme vamos entrar em lutas e novas tranformações e - o que mais detestei - ignora-se completamente a backstory da vilã, que era a minha parte mais de mais preferida de toda a série.

    A animação tem momentos bastante bons, mas as cores parecem-me demasiado vibrantes, sendo que a codificação de cores acaba por ser muito exagerada.

    Também a banda sonora me desapontou.

    Agora aguardo pelos últimos filmes para dar conclusão ao Crystal.

  • Kino no Tabi (2017)

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    Kino no Tabi: The Beautiful World (2017)
    Taguchi Tomohisa - Lerche
    Anime - 12 Episódios
    2017
    4 em 10

    Kino no Tabi é um dos mais respeitados e bem falados animes que se poderiam enquadrar num tema como "literatura de viagens". Baseado numa longa série de light-novels, conta a história de Kino, uma criança que viaja de mota (Hermes) por várias cidades, conhecendo diversas pessoas e as suas situações particulares. Agora, uma década volvida, decidiram fazer um remake. 

    E destruíram a magia do original em todo o seu absoluto.

    Para começar, é dada uma identidade de género e sexual a Kino. Já não é simplesmente uma criança, a quem o género é irrelevante. Agora é um rapaz que, sendo baixinho, até é bastante sedutor. Só por isso fiquei imediatamente irritada. Temos também uma série de personagens que passam a acompanhar Kino em diversas aventuras em que este arremata diversas situações pela força da bala, existindo alguns momentos de clara violência e descontrolo do personagem, o que não corresponde em absoluto ao original. Assim, as pequenas aventuras diárias, de cidade em cidade, acabam por ganhar uma dimensão generalista, como se Kino tivesse realmente uma missão oculta que tem de completar.

    Para além disso, temos uma animação e arte em geral de um ridículo que nem chega a ter piada. Toda a maquinaria é digital, o que torna Hermes num conjunto de poliedros com cell-shading muito desengonçados, assim como todos os elementos da paisagem que aparecem em número superior ao binário. Esta é extremamente simples, sendo que não se focaram minimamente na sua bveleza para ilustrar o tal "beautiful world" que está no título.

    A banda sonora electrónica também não faz qualquer tipo de sentido.

    Gostaria de des-ver este anime, mas - não sendo possível - remeto-me só a classificá-lo nos finalmentes da minha lista.
  • Sailor Moon: Crystal Season III

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    Sailor Moon: Crystal Season III
    Kon Chiaki - Toei Animation
    Anime - 13 Episódios
    2016
    10 em 10 

    Como referido anteriormente, Sailor Moon é uma paixão que venho alimentando por muitos anos. Assim, afirmo desde já que esta classificação máxima (o 10 em 10) é uma mentira puramente subjectiva. Passarei a explicar no comentário que se segue a minha real opinião sobre este anime que, embora tenha adorado com todo o meu coração, ainda contém algumas falhas que poderão ser colmatadas no futuro (e que espero que sejam)

    Esta "Season III" mostra-nos a secção da história relativa ao aparecimento das Outer Sailors e da Super Sailor Moon. A história tem um toque de ficção científica muito característico desta série, que mistura a magia do amor com aspectos mais técnicos, fruto de uma imaginação prodigiosa. Claro que a narrativa tem as suas falhas, mas aprecio-a por ser típica da sua época e estonteante na sua concepção.

    Assim, o que poderei comentar sobre este anime? Começo pelas personagens. Mais uma vez, estabelecemos a sua força enquanto lutadoras num contexto difícil de ultrapassar, em que as suas vitórias são conseguidas por um conjunto de ideais que deveriam ser incutidos no público alvo deste tipo de anime. As novas personagens são apaixonantes e cativantes, envoltas numa aura de mistério ao início mas progressivamente convencidas a juntarem-se na luta contra as forças maléficas. As relações entre as personagens são quase comoventes pelo facto de provarem que ainda existem valores neste universo.

    De resto, observamos uma mudança radical no estilo escolhido para esta nova instância de Sailor Moon. Se nas primeiras duas seasons o traço único do manga foi mantido, desta feita escolheram dar um toque mais moderno. Acredito que isto tenha sido devido às críticas abismais dos fãs das séries originais, que não conseguiram aceitar as imagens clássicas do manga adaptadas e a cores. Este novo estilo acaba por funcionar bastante bem e ser um pouco refrescante, apesar de tudo. Espero que todas as pessoas que reclamaram se sintam bem felizes agora :)

    A animação tem bastantes erros, o que é uma situação um pouco infeliz, mas quando acerta... Acerta plenamente. Temos um conjunto de imagens que resultam extremamente belas. Ainda assim, foi um pouco aborrecido ver a reciclagem constante de animações, sobretudo no respeitante aos ataques (que, para mais, têm sequências um pouco estranhas e quase ridículas)

    Finalmente, a música é um dos pontos fortes. Temos peças corais altamente intensas para os momentos de mais acção, enquanto que outras peças instrumentais estabelecem outros momentos, num efeito muito emocionante. Ao início demorei a habituar-me à nova OP, mas mais tarde admiti que era perfeita para o anime. Temos também 3 EDs, dedicadas a personagens diferentes, que são simplesmente apaixonantes e viciantes.

    Um anime com muitas falhas, mas que não posso deixar de amar. <3

  • Space Battleship Yamato 2199: Hoshimeguru Hakobune

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    Space Battleship Yamato 2199: Hoshimeguru Hakobune
    Bessho Makoto -  Xebec
    Anime - Filme
    2014
    6 em 10

    Este filme é uma sequela da série de remake do original de Leiji Matsumoto. Para saberem mais sobre elas, cliquem aqui.

    A história pega exactamente no ponto em que nos deixaram após o OVA de 26 episódios. Agora, a Yamato vê-se num confronto contra uma outra raça de alienígenas, uns gigantes que desejam a sua destruição. Assim, decidem escapar-se por um buraco no espaço tempo, indo parar a um estranho planeta. Em termos narrativos a história não avança para lado algum, não nos permitindo chegar a alguma conclusão sobre o caminho da nossa nave espacial Yamato. Eles vão a um lugar e depois voltam, sem que nada de extraordinário tenha acontecido para além de mais uma aventura para os nossos personagens. É curioso, no entanto, ver um pouco mais da vida diária na Yamato e um ligeiro desenvolvimento das relações entre os personagens. Estes, não mudam nada desde que os conhecemos originalmente e não sofrem nenhuma adição na sua caracterização. Assim, este filme tem muito pouca densidade para que possamos considerá-lo como uma sequela. Trata-se mais de uma história aparte para os fãs da série.

    A animação não é menos do que excelente. Temos cenas fabulosas de batalhas espaciais, com grandes efeitos de luzes e explosões de cor, para além de paisagens astronómicas maravilhosas e inspiradoras. Esta modernização da arte de Yamato é espectacular e um gosto para os olhos, num espectáculo visual invejável.

    Não gostei do que fizeram com o tema original da série, tornou-se vulgar e aborrecido. A música, no geral, é bastante normativa e limitada.

    Assim, temos um filme com uma animação excelente mas que nada acrescenta em termos narrativos. Um bónus para apreciadores.
  • Cyborg 009: The Cyborg Soldier

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    Cyborg 009: The Cyborg Soldier
    Kawagoe Jun - TV Tokyo
    Anime - 52 Episódios
    2001
    6 em 10

    Remake de série dos anos 60, esta versão de Cyborg 009 ficou popularizada por passar na Cartoon Network na década passada. Esperava muito pouco dela, mas foi uma surpresa interessante.

    Conta a história de nove cyborgs experimentais, pessoas com alterações a vários níveis que lhes conferem certos poderes e daqueles que os perseguem tendo em vista a sua destruição. É uma história muito simples, dividida em arcos, cheia de acção. A narrativa não está especialmente bem feita, variando espectacularmente de cada vez que mudamos de arco, e aparece apenas de forma a introduzir uma série de personagens, para além dos nove cyborgs que já conhecemos.

    Este é o lado mais curioso do anime: os personagens. São muitos, e muito variados, tendo em si uma série de questões e dúvidas sobre o significado de se ser humano, aproveitando para falar de outros aspectos fascinantes, como a necessidade de lutar e da guerra. Achei apenas que teria feito falta haver um pouco mais de pessoas "reais": à medida que o anime se vai desenvolvendo, descobrimos que praticamente todos os intervenientes, que vão aparecendo e desaparecendo, são também cyborgs. Senti que se houvesse mais seres humanos não robotizados, os factores colocados em debate teriam tido toda a uma outra intensidade.

    Surpreendentemente, a arte está bastante boa. Existem cenas de acção muito bem animadas e muito interessantes, sempre com um toque de comédia, sendo que os designs se mantêm puros em relação ao estilo original dos anos 60.

    Devido a vários factores acabei por ver bastantes episódios com a dobragem americana, que me pareceu bastante satisfatória. De resto, a música e um pouco repetitiva e bastante vulgar, adicionando muito pouco em termos de efeito emocional.

    Um anime interessante, mas creio que teria preferido ver o original. Eu sei que nunca o vou encontrar disponível, é do tempo do preto e branco...

  • Sailor Moon: Crystal

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    Sailor Moon: Crystal
    Sakai Munehisa - Toei Animation
    Anime - 26 Episódios
    2014
    10 em 10 

    Sailor Moon foi o anime e manga que me convenceram. Nesses tempos idos, em que eu vi as repetições na televisão uma e outra e outra e outra vez, Sailor Moon salvou-me, levou-me a outros mundos, tornou-me na fã inveterada que sou hoje. Foi o primeiro manga que li, ainda em Francês. Foi a minha primeira fanfiction. Foi o meu primeiro muita coisa. Assim, quando foi anunciado o remake, fiquei mesmo muito feliz. E por isso é que é um 10 em 10. Esta série tem muitos defeitos de ordem técnica. Não é uma série perfeita. Está classificada muito mal em sites de reviews. Mas eu amo isto de todo o coração. E a nota 10, para mim, não é para coisas perfeitas. É para coisas que me dão um prazer do outro mundo quando as vejo. São para coisas que eu adoro. É para coisas que fazem pequenas explosões no meu cérebro, ou grandes explosões no meu coração. Para as coisas perfeitas há o 9. Para coisas do outro mundo há o 10. Sailor Moon é um deles e sempre será, por mais remakes ou antimakes que façam.

    Este remake pega na história original do manga, sem a corruptela das séries dos anos 90. Todos sabemos a história: uma jovem taralhoca ganha o poder de se transformar na Sailor Moon e proteger o mundo contra males variados, lutando pelo amor e pela justiça. Apesar da origem ser a mesma, a narrativa toma um rumo bastante diferente. Esta é uma série mais negra, mais adulta, com mais seriedade, apesar de ainda manter toda a magia que recordávamos. Em "Crystal" são-nos apresentados os dois primeiros arcos da história. São-nos apresentadas as personagens e elas vivem aventuras diversas, contra entidades maléficas cada vez mais poderosas.

    Tanto umas como outras levaram as minhas emoções aos píncaros. As nossas personagens, as Sailor Senshi, estão caracterizadas tal qual como eu me lembrava no manga, se calhar ainda melhores. Cada uma é única e estabelecem elas força motriz para serem exemplos, das quais outras personagens de outras séries foram copiadas. Há episódios dedicados a cada uma delas, mas a sua força revela-se quando há cenas em que realmente são precisos os seus poderes. Uma das maiores críticas foi dada a Usagi Tsukino: "tem sempre de ser salva pelo Mascarado". Se isso era real no anime do antigamente, aqui acontece exactamente o oposto: Sailor Moon salva Tuxedo Kamen cada vez mais frequentemente, já que ele é tão facilmente corrompido pelas entidades do mal. São adequadas e encantadoras as vozes, que dão muita personalidade (e muito específicas) a cada uma das personagens.

    A arte é o ponto mais criticado. Creio que o mundo não estava preparado para estes designs. Pessoalmente, sendo fã inveterada do estilo de Naoko Takeuchi, achei-os lindíssimos. As expressões são perfeitas e há aqui um classissismo que faltava nos anos 90, que traz grande beleza a todas as imagens paradas. Os cenários não são muito detalhados, mas têm a densidade suficiente para se fazerem entender, com grande uso de cores pastel que dão um contexto muito interessante ao aspecto gráfico da série. Temos de admitir que por vezes, até mesmo frequentemente, há erros graves de animação e proporção, mas temos também de considerar que, enquanto série original para a internet, o valor de produção não está muito elevado. Pessoalmente, gostei imenso das cenas de transformação, inseridas como uma espécie de homenagem às séries originais. Apesar de serem em animação puramente digital, um CG com cell shading que tem vindo a ganhar popularidade ultimamente, achei-as bastante bem feitas para o que a produção exigia e estavam muito adequadas e fieis ao espírito inicial.

    Musicalmente, senti um pouco falta do tema da caixa de música, que adorava de paixão, mas a banda sonora está bastante completa e adequada às cenas. A OP tem muita energia e transmite com exactidão o espírito da série, sendo que a ED, mais romântica, nos leva a viajar pelo mundo da lua.

    E assim, é o mundo da lua. Feito um motel, onde os deuses e as deusas se abraçam e beijam no céu. Para mim, a série que marcou o ano e, quiçá, a década. De todos os remakes que têm feito ultimamente, este foi o que me marcou. Fielmente, de duas em duas semanas, largar tudo para ver o episódio do início ao fim, sem saltar uma única parte. Senti-me como se fosse outra vez uma miúda caixa de óculos, sentada em frente da televisão religiosamente, para ver a série preferida. Espero que todos vós tenham uma série como esta no vosso coração.

  • Space Battleship Yamato 2199

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    Space Battleship Yamato 2199
    Izubushi Yutaka - Xebec
    Anime OVA - 26 Episódios
    2012
    7 em 10

    Saberão certamente que eu, pessoalmente, não gosto muito de comparar animes com outros animes. Ou com o que quer que seja. No entanto, hoje será necessário. Pois isto trata-se de um remake da série de 1974, por Leiji Matsumoto, Space Battleship Yamato. Poderão ler a minha opinião sobre ela aqui.

    Quase trinta anos depois, a forma de celebrar uma das grandes Space Operas da história do anime talvez seja, realmente, fazer um OVA em que voltamos a tratar da história, mas com algumas melhorias que apenas seriam possíveis com a evolução da indústria e das técnicas. As minhas impressões primárias foram "está tão diferente!", seguidas de "afinal está muito parecido...", finalizando com "é completamente diferente". Isto é bom é certa medida, mas noutros aspectos o anime original é bastante superior.

    Para começar, temos uma melhoria flagrante no que respeita à arte. Desta feita temos uma grande dedicação aos cenários espaciais, que são extremamente bonitos, e na concepção de cidades alienígenas, aspecto que não tinha sido tocado no original. Muitas cenas são puramente digitais, com um uso de CG exacerbado, sobretudo na estrutura da nave espacial Yamato. Se isto joga bem com o aspecto geral do anime, muito moderno, brilhante e limpo, não posso deixar de recordar com carinho a granulosidade do anime original, que tinha aquele groove dos 70s que torna tudo sempre mais engraçado.

    Quanto à história, ao início é bastante semelhante: a Terra está prestes a ser destruída e a única forma de a salvar é conduzir Yamato até ao planeta Iscandar e obter a peça essencial para evitar o apocalipse. Durante a primeira metade do anime, a série seguiu em linhas gerais a mesma estrutura narrativa do original, com algumas variações importantes, sobretudo no respeitante aos personagens. Falaremos disso mais tarde. A partir da segunda metade, há já algumas variações que me desagradaram bastante. Para começar, o inimigo Gamiliano (as pessoas azuis) é apresentado como uma força muito mais poderosa do que no original. E para além disso perdeu-se completamente o facto de os Gamilianos, apesar de diferentes no aspecto, serem portadores de uma grande humanidade. Na verdade, são apresentados como uma força antagonista puramente maligna, sendo que o anime mostra muitas vezes provas de que são um povo conquistador e injusto, em que há facções motivadas para a revolta. No original, a guerra Gamiliana contra a Terra era muito mais simples e pura: queriam simplesmente salvar o seu planeta. Não tinham intenção de conquistar pelo puro prazer de aumentar o seu território e, no fundo, eram pessoas tão boas como nós. Também no final da história há uma variação na parte mais comovente da narrativa, que trata da chegada a Iscandar e das revelações feitas ao personagem principal.

    Falando dos personagens, há uma diferença muito evidente, bastante positiva. É um sinal dos tempos, na verdade. Nesta versão da história, há muito mais mulheres. Na verdade, o elemento positivo é essencial, desenvolvendo-se histórias amorosas paralelas à narrativa principal. Isto é de certa forma importante para trazer um realismo próprio à situação. Se nos 70s seria normal que um grupo de homens fosse para o espaço apenas acompanhado por uma enfermeira, nos 10s é evidente que a equipa é constituída em partes iguais de homens e mulheres. Existem variações ligeiras em quase todos os personagens, mas as mais evidentes são naqueles que anteriormente eram o alívio cómico e que hoje em dia são tão considerados como os outros: o médico e o robot. Não só os seus designs estão mais realistas como a ambos é dada uma função importante no seio de Yamato, que não tinham anteriormente. Tive pena de, desta vez, o gato não ter ido a Iscandar. Com todas estas diferenças, mais ou menos importantes, é natural que o decurso da história se tenha tornado um pouco diferente. Agora temos grandes paixões e o arquétipo da equipa shounen está diluído. Isto torna todo o anime um pouco mais directo para o espectador, mas retira grande parte do charme que existia no original. Também os antagonistas, que não tinham muito tempo de antena, sofrem algum desenvolvimento, o que é uma coisa boa. Mas considerando que este se baseia bastante numa história amorosa, acaba por cair dentro da normalidade (que era uma coisa que o Yamato original não tinha: normalidade)

    Musicalmente, há um piscar de olho muito simpático à banda sonora original, sendo que são utilizadas novas versões, remasterizadas, das músicas que já todos conhecíamos. Para além disso, há uma grande variedade nos temas utilizados, sendo que todos e cada um representam algo bem bonito. Em termos de efeitos sonoros, estão bem utilizados de forma geral, trazendo um bom grau de emoção às situações.

    Vi este anime agora porque apareceu no meu clube habitual para discutir. No entanto, acho injusto que tenha sido este o escolhido, ao invés do original. Esta é uma boa série, uma boa homenagem, e está muito apropriado à sua época, trazendo modernidade a um franchise que sofreu bastante com a evolução da inústria e rapidamente se tornou obsoleto. No entanto, no aspecto emocional e humano a série original é bastante superior. Por isso, irei recomendá-la primeiro. Depois, se tiverem interesse, vejam esta versão.
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