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  • Mitos lusitanos: Endovélico e outros deuses

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    Mitos Lusitanos: Endovélico e outros deuses
    Sérgio Franclim
    2022
    Paganismo


    Confesso que pensava que este livro ia ser um pouco diferente, mas ainda assim foi uma leitura leve e agradável.

    O autor conta, nas suas próprias palavras, o Mito da Criação dos lusitanos, a história de Endovélico e a história de Viriato.

    Infelizmente, a escrita poderia ser um pouco mais sofisticada, pois tal como está o livro parece mais dirigido a crianças do que outra coisa. O que, de certa forma, é uma boa coisa, imaginemos mitos lusitanos como histórias para dormir :)

  • Uchuu no Hou: Elohim-hen

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    Uchuu no Hou: Elohim-hen
    Imakake Isamu - HS Picture Studios
    Anime - Filme
    2021
    3 em 10


    E, finalmente, chegámos ao último filme da nossa seita predilecta, a última oportunidade para descobrir a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.

    Mas algo terá acontecido aqui, porque o nosso querido El Cantere saiu de cena e foi substituído por um tal Elohim, que seria - portanto - o deus da terra. Também há uma esfinge que também é uma deusa. Portanto, este filme fala-nos de um mundo utópico dominado por estes dois deuses, em que toda a gente canta e  dança (incluindo os animais, para minha grande diversão). Neste mundo utópico o único conflito será o da nossa persoangem principal, uma guerreira universal (?) que está muito convencida dos seus próprios poderes.

    Enfim, este filme acaba por ter uma narrativa um pouco estranha, e em termos de hilariedade religiosa também não ultrapassa os outros que já vimos anteriormente. Assim, acabei por lhe dar uma nota infeliz, mas devo dizer que a aventura de ver estes filmes todos foi o grande gosto das minhas segundas feiras dos últimos tempos.

  • Uchuu no Hou: Reimei-hen

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    Uchuu no Hou: Reimei-hen
    Imakake Isamu - HS Picture Studio
    Anime - Filme
    2018
    6 em 10

     

    Segundo filme da trilogia das Leis do Destino da Happy Science, o penúltimo filme em que vamos descobrir a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.

     E a verdade é que, dentro de todos os filmes malucos da seita que já vimos, este é o mais... Normal? De verdade, este tem uma história shounen mais ou menos vulgar, com personagens que até são bastante interessantes. Nomeadamente, Zamza, a Rainha dos Reptilianos, que pelos vistos vieram do espaço para habitar a Terra por ordens do misterioso Deus Alpha.

    O estranho disto tudo é que a filosofia religiosa por trás disto pelos vistos mudou completamente, porque jánão há Ophiusus, nem Buda, nem Hermes nem ninguém, apenas este estranho Alpha e a sua esposa, uma esfinge dourada que é a encarnação da terra.

    Portanto, confesso que não entendo nada disto. Este filme nem foi tão cómico como habitual, mas foi mesmo bastante interessante, e a animação era menos horrorosa que nos últimos filmes sobre a verdadeira verdade.

    Quem diria? 

  • Eien no Hou

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    Eien no Hou
    Imakake Isamu - Group TAC
    Anime - Filme
    2006
    6 em 10


    Vamos, portanto, saber mais sobre a verdade, apenas a verdade e toda a verdade!

    Em mais um filme completamente doido da Happy Science, aprendemos tudo sobre o paraíso e o inferno. Aliás, depois do filme do Hermes este é capaz de ser um dos mais bonitos dos que vimos até agora, porque é extremamente romântico, tem canções, tem lindos cenários, tudo a que temos direito.

    Também tem alguns elementos que fazem todo o sentido, nomeadamente o Edison estar no céu superior e ser uma das encarnações de Einstein, o céu estar dividido em categorias e haver um exclusivo (aparentemente) para enfermeiros, e no Inferno estarem Nietzsche e Hitler, o que nos leva a uma cena tão absurda que é completamente hilariante: Hitler a atacar enquanto Nietzche grita DEUS ESTÁ MORTO DEUS ESTÁ MORTO

    Até temos direito a um mecha divino, que funciona mais ou menos como um stand!

    Enfim, mais um filme que me levou à indisposição de tanto rir.

  • Ougon no Hou: El Cantare no Rekishikan

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    Ougon no Hou: El Cantare no Rekishikan
    Kawando Kenjiro - Group TAC
    Anime - Filme
    2003
    4 em 10


    Mais um filme em que vamos descobrir a verdade, apenas a verdade e toda a verdade. Este já é produzido pelo próprio estúdio da seita, que pelos vistos ficou sem orçamento para a Toei mas com suficiente orçamento para criar o seu próprio estúdio.

    Neste filme acompanhamos uma menina do futuro longínquo que viaja no tempo para o futuro menos longínquo e conhece um rapaz, e ambos vão viajar no tempo para descobrir coisas sobre a reencarnação do profeta (El Cantare), que pelos vistos foi Hermes, Buda, Jesus, e todos as outras figuras relevantes (não se arriscaram com Maomé)

    O filme até tem um mínimo interesse, até que no final aparece uma animação merecedora de uma PS1, que me levou a um riso descontrolado e histérico.

    Ainda não sei toda a verdade e, não, não me vou converter à Happy Science.

  • Taiyou no Hou: El Cantare e no Michi

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    Taiyou no Hou: El Cantare e no Michi
    Ishiyama Takaaki - Toei Animation
    Anime - Filme
    2000
    4 em 10


    Segunda instância em que aprenderemos sobre a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.

    Neste filme descobrimos que existe reencarnação. Hermes, que estava no filme anterior, pelos vistos também é Buda. E com os ensinamentos de Buda, a reencarnação suprema do profeta (que tem o muito provável nome de "El Cantare") é o, quem diria?, actual líder da Happy Science.

    Este filme já se torna um pouco repetitivo no seu absurdo, e não tem nenhuma grande cena espectacular.

    Brevemente, sabermos mais sobre a VERDADE.

  • Hermes: Ai wa Kaze no Gotoku

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    Hermes: Ai wa Kaze no Gotoku
    Imazawa Tetsuo - Toei Animation
    Anime - Filme
    1997
    5 em 10


    Primeiro filme que nos explica a verdade, apenas a verdade e toda a verdade. Isto é, segundo a seita Happy Science.

    Este filme, por acaso, é muito bonito em termos de cenários e banda sonora. Temos alguns momentos musicais muito bonitos, e toda a gente é linda, apesar de frequentemente mudarem de design de uma cena para outra.

    Mas enfim, o que aprendemos? Aprendemos que Hermes foi o maior príncipe da Grécia, e que Afrodite representa a beleza do mundo. Aprendemos que o sol é um belo berlinde dourado, e que temos de tomar atenção ao sol, e aprendemos também que está sempre lua cheia, em oposição ao dito cujo sol. Hermes super poderoso resolve várias questões através da sua religiosidade e depois descobrimos que o supremo deus é qualquer coisa relacionada com Ophiusus.

    O que mais iremos aprender? Mantenham-se atentos à VERDADE

  • Shiawasette Nanii

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    Shiwasette Nanii
    Tatsuya Ishihara - Kyoto Animation
    Anime OVA - 1 Episódio
    1991
    4 em 10


    Começámos a ver com um amigo todos os filmes criados pela seita Happy Science, na esperança de descobrir a verdade, toda a verdade e apenas a verdade.

    Começámos com este OVA de 15 minutos, uma produção muito antiga (quase histórica) da Kyoto Animation.

    Essencialmente aprendemos que o mundo é um berlinde dourado, graças à conversa que um anjinho tem com um menino.

    Isto vai ser importante para os próximos filmes.

  • Heretic

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    Heretic
    Scott Beck & Bryan Woods
    2024
    Filme
    6 em 10


    Duas meninas Elders vão, aparentemente, pregar para a freguesia errada e vêm-se na casa labiríntica de Hugh Grant, onde este as confronta com o facto de que o deus em que acreditam ser uma cópia, repetição e imitação de outros deuses e cultos mais antigos. Assim, a sua fé é posta a prova em pequenos joguinhos, e com isso terão de tentar salvar a sua vida.

    É um filme cheio de diálogo filosófico e teológico que não nos leva a grandes lugares, mas é divertido porque Grant faz um grande papel de mauzão e é realmente creepy. Os cenários também estão muito bem criados e esta casa misteriosa é realmente muito assustadora.

    De resto, não se trata de um filme especialmente memorável, porque os conceitos aqui tratados não são realmente um debate muito relevante, sobretudo porque estamos a debater com adventistas do sétimo dia, que não têm um grande argumento.

  • Druid Mysteries

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    Druid Mysteries
    Philip Carr- Gomm
    2002
    Paganismo


    Livro que li para o BookClub de Paganismo do Círculo dos Cogumelos.

    Apesar de não ser esse o meu caminho espiritual, sempre nutri alguma curiosidade sobre o druidismo. Este livro veio esclarecer as minhas dúvidas e estabelecer em absoluto que não, esse não é mesmo o meu caminho.

    Através de uma escrita bastante clara, o autor explica a estrutura religiosa e histórica do druidismo, com as várias categorias de druida e a forma como se passa de categoria em categoria (com muito estudo e memorização, pelos vistos). Apesar de a base histórica ser bastante abrangente, a um ponto que é quase fantasioso (Atlântida? A sério?), a parte que gostei mais foi mesmo a explicação sobre a estrutura dos ritos e da organização.

    Achei também que os exercícios eram bastante inúteis, porque meditar sobre "estou a imaginar que estou no século II ao lado de uma pedra" não me parece muito claro para os objectivos em mente.

    Foi um bom livro para perceber que nunca vou ser um druida.

  • Do I Have to Wear Black?

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    Do I Have to Wear Black?
    Mortellus
    2021
    Paganismo


    Li este livro a propósito do Book Club do Refúgio da Bruxaria, e trabalhei durante vários meses a convencer toda a gente para que fosse nomeado.

    Algo que me tem perturbado ultimamente é o que fazer, enquanto pessoa pagã, num funeral normativo. Este livro, infelizmente, não responde a essa questão, mas tem uma análise importante sobre o que é a morte no contexto pagão e alguns dados sobre o funcionamento de funerárias (nos EUA).

    O seu foco principal é a descrição de ritos e sugestões de textos e músicas para utilizar em cada tipo de funeral pagão. No entanto pareceu-me mais um conjunto de instruções sobre "como nos comportar num enterro diferente do habitual" do que um poço de ideias para planearmos o nosso próprio fim.

    Temos ritos para todos os contextos, desde a morte de um animal até à de crianças pequenas.

    É um livro cheio de compaixão, mas que me desapontou um pouco. Talvez estivesse com uma expectativa demasiado alta.

  • Manhã Submersa

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    Manhã Submersa
    Vergílio Ferreira
    1953
    Romance


    Eu costumava gostar muito de Vergílio Ferreira e sei porquê: a sua escrita é leve, fácil de ler e muito fluída.

    Este livro, no entanto, tem um tema que para mim é detestável: a vida num seminário. O protagonista é enviado para o seminário por uma protectora que o quer ver padre, mas à medida que vai entrando na adolescência só pensa em fugir de lá.

    O autor relata a violência das aulas, dos professores e dos padres todos, e as dúvidas religiosas deste jovem, com considerações teológicas um bocadinho patetas. Mas também temos de dar o desconto, porque o jovem é mesmo jovem.

    Estava a odiar o livro por ser tão beato, mas o final acabou por se compor.

  • Dogma

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    Dogma
    Kevin Smith
    1999
    Filme
    6 em 10


    Um filme sobre anjos e demónios é sempre coisa que me calha bem. E este é sem dúvida um óptimo exemplo de como nos podemos rir com a religião.

    Dois anjos caídos na terra procuram voltar para o paraíso. No entanto, se o fizerem o mundo poderá acabar, pois estarão a contrariar a vontade de deus. Assim, um conjunto de personagens inusitadas vai reunir-se para os impedir.

    É um filme que coloca em causa vários conceitos da religião cristã, apresentando um conjunto de personagens memorável e hilariante, com interpretações mesmo muito bem conseguidas e engraçadas. A luta do bem contra o mal é mais do que uma simples oposição, mas a dúvida de se toda a religião faz sentido. O filme coloca na mesa alguns debates interessantes, discutidos de forma muito leve, e - claro - ofende as pessoas que gostam de se ofender.

    Enfim, é um filme muito engraçado para um bom fim de dia.

  • The Eyes of Tammy Faye

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    The Eyes of Tammy Faye
    Michael Showater
    2021
    Filme
    7 em 10


    Quando ouvi dizer que alguns prémios, incluindo o de Melhor Actriz, tinham ido para um filme sobre televangelistas, quis logologologo ver o filme. Por alguma razão fundamental da minha educação, eu simplesmente adoro músicas religiosas patetas, sei lá, acho que as letras são bonitas e divertidas.

    Este filme, baseado num documentário do mesmo nome, conta a história de Tammy Faye e e Jim Bakker, os fundadores do primeiro canal religioso por satélite e grandes estrelas da sua época. A história contém a sua ascenção mas também a sua queda, já que Jim Bakker se viu mais tarde envolvido em acusações concretas de lavagem de dinheiro e violência.

    Devo dizer que este filme me fascinou profundamente, não só pelo alto conteúdo em canções patetas, mas também pelas razões pelas quais ganhou prémios: a actriz é pouco menos que extraordinaria, sendo a sua caracterização via maquilhagem perfeita a ponto de a encontrarmos nas suas diferentes fases da vida sem duvidar.

    Sobretudo a personagem é muito interessante, uma mulher que ama tudo e todos sem nenhuma condição prévia, e que faz disso a sua vida. Apesar de o campo religioso-cristão ser desgraçado para mim, devemos admitir que a forma como esta mulher se apresenta, e a sua luta nos campos mais escondidos do cristianismo (a defesa dos direitos LGBTQI+, por exemplo) é fantástica.

    Gostei mesmo muito deste filme!

  • As Aventuras e Desventuras de Um Tal Judas de Queriote

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    As Aventuras e Desventuras de Um Tal Judas de Queriote
    Jorge Magalhães
    2016
    Romance
    Muito bem, eu arranjei este livro, de uma pilha de livros para dar, porque a capa tinha o Jared Leto e um mitra e porque pensei que o Judas de Queriote fosse o mitra. Não pensei que o Judas de Queriote fosse Judas Iscariotes, da bilbia.

    O autor fala da vida do senhor Jesus (o cristo) e da sua pandilha, e o que eles fizeram depois da morte do primeiro, e depois da sua suposta ressurreição. É um livro informativo e bem estudado, mas está escrito de uma forma tão horrível que é uma tortura lê-lo.

    Para começar, todos os personagens começam por "o bom". Então temos "o bom Judas", "o bom Jesus", "o bom Pedro", "o bom Simão", "a boa Magdalena" e assim por diante. Depois, quase todas as frases terminam em elipses, e pior, em elipses encimadas por um ponto de exclamação!... Assim!... Ou assim... Isto torna a leitura difícil, aborrecida e os diálogos estranhos, porque parece que estão sempre a perguntar coisas a si próprios.

    Ainda assim, foi interessante aprender mais sobre a vida no Médio Oriente por esta época pré-quase-pós-cristã. Claro que a filosofia pseudo-maçon é quase tão ridícula quanto divertida. Mas isso acho que é uma coisa boa.

    Vai ser libertado, apesar de estar autografado.
  • Três Filhas de Eva

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    Três Filhas de Eva
    Elif Shafak
    2016
    Romance
    Peri é uma mulher muçulmana que vive uma vida aparentemente normal em Istanbul. A caminho de uma festa em casa de uns amigos, é assaltada, de forma literal e também metafórica, pois uma série de memórias surgem. E assim, durante este jantar elitista e superficial, ela recorda os seus tempos de estudante em Oxford.

    Achei este livro fascinante, não tanto pela narrativa moderna mas sim pelo debate interno da personagem sobre deus, o deus muçulmano, e como várias facções da sua religião se podem opor. A discussão que ela mantém todo o tempo consigo própria, aliada à sua infantilidade e às paixões adolescentes que a assolam, fazem deste livro uma leitura rápida, viciante e muito estimulante.

    Apesar de eu ter uma previsão do final, a minha ideia falhou redondamente e fiquei agradavelmente surpreendida. É uma história da religião moderna e como as pessoas vivem com ela num mundo cada vez mais globalizado. E está escrito de forma tão cativante que não podemos deixar de querer saber o que acontece a Peri.

    Recomendo vivamente.
  • A Primeira Tentação de Cristo

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    A Primeira Tentação de Cristo
    Porta dos Fundos
    2019
    Filme
    6 em 10
    Um curto filme, especial de natal, envolto em polémica, da autoria do grupo de comédia Porta dos Fundos.

    É o trigésimo aniversário de Cristo e todos estão à espera de o surpreender quando chegar da sua estadia no deserto. O que ninguém está à espera é que venha acompanhado de Orlando, que lhe ensinou uma série de coisas que agora colocam Cristo na dúvida: devo ser o filho de deus?
     
    Um filme pequeno, muito engraçado, em que deus e os seus seguidores são caracterizados de maneira leve, uma brincadeira, uma maldade inócua. Ficaram todos histéricos porque dizem que o filme diz que o JC é gay, mas confesso que não me transmitiu nada disso. Na verdade, em nenhuma ocasião há referência à sexualidade do personagem.
     
    Para além disso, até achei bastante correcto e respeitador que Orlando, que foi quem desorientou o JC para o mundo freak dos malabares, fosse na verdade o demónio que tentava tentar (numa tentativa) o Cristo para o seu mundo. Também gozam com outros deuses, incluindo Alá, de uma maneira hilariante.
     
    Fartei-me de rir com este filme, apesar de ser muito simples. Não vale a pena a gritaria!

  • As Identidades Assassinas

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    As Identidades Assassinas
    Amin Maalouf
    1998
    Ensaio
    Este é um ensaio claro e bem estruturado sobre o que é a verdadeira identidade de cada pessoa e como as várias identidades que cada um tem dentro de si podem influenciar os seus comportamentos e opiniões.

    O autor faz um paralelo entre as várias coisas a que uma pessoa pode pertencer (morada, religião, etc.) e como as coisas não são mutuamente exclusivas, podendo influenciar-se umas às outra e, assim, formando a verdadeira identidade de cada um.
     
    No entanto, não apreciei que o autor estivesse sempre a voltar a uma comparação com o islamismo, sendo que ele se afirma cristão desde o início. Parece-me injusto falar-se destas formas de uma religião que não nos pertence, embora saibamos que este autor tem uma pesquisa muito completa nos seus livros, versando muitas vezes sobre o mundo islâmico.
     
    Uma leitura rápida e que vale sempre a pena.

  • A Viagem de Théo

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    A Viagem de Théo
    Catherine Clément
    1997
    Romance
    Recebi este livro gargantuesco através do BookCrossing. A sua leitura, um pouco prejudicada por me contarem o final (que eu não queria que fosse assim), foi morosa e desapontante. Mas esta autora já me tem desapontado mais vezes do que gostaria.

    Théo é uma criança encantadora e riquíssima que está doente com uma doença misteriosa que nunca é revelada. A sua tia riquíssima leva-o então a uma viagem à volta do mundo, para descobrir as religiões todas do mundo e participar em todo o tipo de rituais que tenham em vista a sua purificação física.

    O que mais me irrita nesta autora é como todos os intervenientes são "ricos". Não uma qualquer burguesia francesa, mas os extremamente ricos. Todos são cônsuls e pilotos de aviões e grandes industriais e todos são muito cultos e todos falam de uma maneira afectada. As interjeições entre os diálogos ("zangou-se a Tia Marthe", "reclamou o Imã", "retorquiu Ashiko") fazem com que todos pareçam ser horrivelmente antipáticos e fazem com que o ódio ao capitalismo se inflame dentro de mim. Assim, o meu desejo ao longo do livro foi que Théo morresse, de uma forma longamente explicada, infeliz e dolorosa. Ver acima o spoiler.

    De resto, as explicações sobre as religiões são enfadonhas e pouco esclarecedoras, incluindo muitos viés da própria autora (se a Tia Marthe é ateia, porque diz "nós, os cristãos") e pouca atenção ao detalhe histórico e social.

    Quando a autora, para falar dos intocáveis da Índia, escolhe uma pessoa da casta superior a todas as outras, algo me soa mal.
  • Deus, Um Delírio

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    Deus, Um Delírio
    Richard Dawkins
    2006
    Religião

    Peguei neste livro, no kobo, com vagos pensamentos de que seria algo cómico. Mas afinal é um tratado filosófico que tenta esclarecer o mundo sobre a inexistência de deus e de como é errado estrutural e eticamente, acreditar nisso.

    O problema deste livro não é a sua pretensão ("quando terminarem de o ler, serão ateus") mas a abordagem à situação. Este livro, que procura afastar-se ao máximo do fanatismo religioso cristão e islâmico, acaba por dar a volta sobre si próprio e auto-proclamar-se uma bíblia do ateu, um livro de regras e dogmas que se baseiam em provas inconstantes de que o divino não existe, nem pode existir.

    Curiosamente, o facto de o divino existir ou não acaba por ser irrelevante na estrura deste livro. O autor quer provar a inexistência do deus cristão através de citações e, o mais estranho, através da prova de que "famosos cristãos" afinal eram ateus. Desde o Einstein até aos fundadores da constituição estadunidense, toda a gente era ateia afinal. Portanto, deus não existe. Sejam ateus também.

    Não é que eu seja uma fangirl de deus e seus representantes ou que tenha uma fé extemamente solidificada. Adoro a perspectiva da não-existência no geral! Mas Richard Dawkins faz um péssimo trabalho a tentar convencer-me e só lhe quero dar estaladas.

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