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  • Som de Cristal

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    Som de Cristal
    Bruno Nogueira
    Série - 10 Episódios
    2015

    Como poderão constatar pelo conteúdo deste espaço, eu não sou muito de ver séries com pessoas. E como também puderam constatar anteriormente, era tudo menos fã do Bruno Nogueira. No entanto, apanhei por acidente uma repetição televisiva do primeiro episódio desta série. E é algo de surpreendente.

    Numa estética semelhante a outros programas de comédia com famosos, Bruno Nogueira convida diversos artistas para passeios de carro e jantares regados a vinho tinto e a cervejas. No entanto, que artistas são esses? Tratam-se, exactamente, de alguns dos nomes mais famosos da música popular Portuguesa, também conhecida como "pimba".

    Neste programa ficamos a conhecer um pouco da vida íntima destas pessoas, entrando nas suas casas, visitando as suas aldeias, assistindo aos seus concertos. Tudo tem um toque de cómico dado pelo anfitrião, mas também existem muitos momentos tocantes e trágicos. Porque Bruno Nogueira, apesar de comediante conhecido pro gozar com tudo e com todos, não troça dos artistas, não os provoca e, sobretudo, não os desrespeita. Assim, o programa faz um retrato muito humano destas pessoas a quem, normalmente, não damos qualquer atenção e que muitos de nós considera quase como criminosos e assassinos da boa música.

    Ficamos a conhecer os seus medos e os seus sonhos, a sua origem e o seu futuro. Ficamos a conhecê-los melhor enquanto artistas, enquanto força trabalhadora, enquanto pessoas que se dedicam a fundo aos seus projectos, por mais parolos que nos pareçam. E ficamos a conhecer os seus fãs e as multidões que movem. Pois é, apesar de tantos de nós dizermos "não gosto, faz-me doer os ouvidos, isso não é verdadeira música", há pessoas que adoram, há uma imensidão de gente que vive para assistir a estes concertos. E se não respeitarmos isso, não há mais nada que possamos fazer.

    Com efeitos de montagem interessantíssimos, o programa acaba por tornar estas conversas informais e partilhas de momentos em segmentos que podem chegar ao surrealismo abstracto, a um puro non-sense que dá azo a gargalhadas incontidas. É uma sucessão de momentos estranhos, desde o Roberto Leal bezano a assinar t-shirts, ao copo de bagaço do Marante e até mesmo ao histerismo das fãs açoreanas do Saúl.

    Também é boa oportunidade de ficar a saber quais as novas facetas artísticas destes cantores que conhecemos à tanto tempo. Podemos pensar que continuam ligados à sua estética do antigamente, como uns eternos anos 90, mas a verdade é que continuam sempre em evolução.

    Um programa extraordinário, que só peca por ser tão curto. Gostaria de ter visto outros artistas com a coragem de se mostrarem perante o público desta forma.

  • Chaparral Band

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    Chaparral Band
    Festa na Aldeia (Claramente)
    Pois que fui em retiro espiritual para a minha casa assombrada, com os planos de escrever uns contos e fazer uma espada para o meu novo cosplay. Acabei (acabámos?) por não fazer nada disso, mas em compensação vimos dois magníficos concertos nas festas em homenagem à Nossa Senhora da Penha da terrinha mais charmosa de Portugal: Moçarria.

    Esta banda, a Chaparral Band, cantava um misto de covers e originais de um azeite virgem do melhor qualificado que anda por aí. Uma intensa animação que fazia o azeite que tenho a correr nas minhas veias fervilhar de emoção. Tão purificado ficou que depois cortei os pulsos para temperar a salada.

    Com uma fascinante versatilidade, cantaram da kizomba ao funaná, passando pela Anca do Senhorio (ou Dança do Amor, eu é que vejo mal ao longe) , sem esquecer os sucessos zucas e as mais belas baladas. Toda a gente a dançar, mas talvez isso tenha sido devido a terem gasto cinquenta e cinco barris de cerveja logo na primeira noite das festas.

    O que mais me impressionou foi o misto de espectáculo de ilusionismo que nos mostraram: os artistas (bons artistas) mudavam de roupa num ápice, aparecendo com outfits quase artísticos. E quantas pessoas tinha a banda? Continuo sem saber. Pois apareciam e desapareciam de música para música, sem se deixar apanhar. O único membro constante, e claramente o pilar da banda, era o guitarrista do metal, que se mantinha indiferente à magia que acontecia à sua volta e continuava a tocar com a devida concentração, provavelmente imaginando "estes acordes são quase os daquela música de Megadeth"

    No dia seguinte apareceu uma banda com ainda maior produção: segundo o vice-presidente da junta, o Vitó, tinham o maior palco do país. Bem, eu não o quis desapontar, mas conheço pelo menos três palcos maiores. Esta banda passou por êxitos mais comerciais, ao contrário da Chaparral Band que nos apresentou uma variedade mais indie da música pimba. Alguns dos êxitos destes Hi 5 8 Low Energy Band - ou qualquer coisa do género - foram "É o Bicho", "Uma Casa Portuguesa", "Gangnam Style" entre outros que eu, na minha ignorância, não reconheci.

    De resto, tínhamos vinho barato, o meu pai apareceu para jantar e era uma meia dose de grelhada mista bem servida, ganhei uma garrafa de coca-cola vintage numa rifa e assim por diante. Acho que vou passar a frequentar estas festas, pois apesar de serem no campo da bola têm um certo glamour pastoral. Não, não, estou mesmo a falar a sério.

    Mas, na realidade, este mocho verde que é um vaso era o prémio que eu queria mesmo, mesmo ganhar na rifa.

    Já agora, vejam a cena que nos atacou e que matámos à chinelada:

    Alien? Fada? ... Kafka?

    Ah, e vejam também o meu cão vintage:

    O nome dele é Infeliz



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